terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AS 42 JORNADAS NO DESERTO – CAPÍTULO 136

Por: Luiz Fontes

26ª Estação – Hasmona (parte 2)

TEXTOS: Nm 33:29; Nm 20:1; Nm 33:36-37; Nm 33:30-35; Nm 34:1-5; Js 15:1-4; 27; Dt 2:1; Nm 14:21-22

Vamos retomar nosso estudo sobre a 26ª estação – Hasmona. Sabemos que a palavra Hasmona é difícil de ser compreendida por causa da tradução do original hebraico. E também porque é uma palavra que encontramos apenas duas vezes como está escrita aqui em Números 33:36-37. Mas quando fazemos um exame mais profundo, mais detalhado, podemos encontrá-la em outros textos, em outras formas de escrita que os tradutores usaram – especialmente os massoretas, conforme vimos anteriormente.

Creio que examinando Números 34:1-2 e Josué 15:1-4,27, poderemos entender que a palavra Hasmona, com H, é a mesma palavra para Asmom e Hesmom que vemos nesses textos. Quando lemos Números 19, estudando sobre Mitca, e avançamos até o capítulo 20, logo chegamos a Cades. Sabemos muito bem que Cades não é a 26ª estação, pois a 26ª é Hasmona. Assim, entendemos que algumas estações estão entre Mitca e Cades: Hasmona, Mosserote, Benê-Jaacã, Hor-Hagidgade, Jotbatá, Eziom-Geber.

Em Ritma (Nm 14), quando o Senhor ordenou que Moisés escolhesse doze espias para olhar, espiar, a terra, o povo de Israel foi, voltou e trouxe o fruto da terra. E sabemos que eles voltaram trazendo também um relatório completamente negativo, um relatório que feria frontalmente o caráter, o propósito de Deus, o mover de Deus entre o Seu povo. Alguém dizia que seria necessário eleger um novo capitão para retornarem ao Egito, o lugar da escravidão. Ali eles estavam ferindo a majestade, a santidade e a glória de Deus. Estavam afrontando a Deus, desprezando-o. E o Senhor reprova aquela geração e diz que aquelas pessoas que haviam se rebelado não entrariam na terra. Então, desde aquele momento o Senhor começa a avançar na vida deles com o propósito de preparar uma nova geração. E essa geração nasce no deserto. A partir de Rissa eles começam a dar voltas e mais voltas. Estavam perto da terra e não puderam entrar por causa da incredulidade.

E agora, em Hasmona, vemos esse momento de inflexão, uma transição. É sobre isso que temos que estudar, porque na vida cristã passamos por muitos momentos assim. Há muitos momentos de transição na obra de Deus, e precisamos estar maduros quando isso ocorrer. Nós não podemos achar que a obra de Deus termina em nós. A obra de Deus vai além de nós, passa de nós. Quando estudamos esta estação entendemos isso claramente.

Assim, a primeira coisa que fizemos foi estudar a natureza dessa palavra Hasmona, compreendê-la melhor. Quando saímos de Números 19 e entramos no capítulo 20, vemos que estamos em Cades. E já vimos que há algumas estações que estão entre Cades e Mitca. Hasmona é a primeira. Eles chegam a Cades. E a partir de Cades o povo de Israel vai subindo até a terra de Moabe, até entrarem na terra de Canaã. Eles deram muitas voltas. Eles ficaram trinta e oito anos ali, na região do monte Seir, rodeando. Hasmona ficava no limite da terra. Por isso é muito importante entender essa estação – ela é um ponto de inflexão. Isso significa que novas experiências, ou melhor, um momento de transição está ocorrendo.

O significado da palavra Hasmona, no hebraico, é fertilidade, multiplicação, crescimento, abundância. E é isso que agora vai caracterizar essa nova geração – a geração que foi gerada no deserto. Amados irmãos, em nossa caminhada espiritual chega um momento em que temos que aprender algumas lições importantes. A partir daqui teremos estações de transição, onde se caracteriza a maturidade espiritual do povo de Deus. Como povo de Deus, temos que caminhar amadurecendo. A vida cristã se vive de experiência em experiência. Na vida cristã não há retrocesso, você não pode retroceder. Quando você pensa que está retrocedendo, na verdade está parando. Isso é prejuízo. Nós temos que avançar... Creio que Deus está falando isso de uma forma muito clara para nós, porque muitos não têm tido esta perspectiva. Nós somos peregrinos, estamos aqui nesta terra vivendo uma vida de peregrinos. Não podemos afundar nossas raízes nesse mundo. Como povo de Deus nós temos que avançar, não podemos parar! Vamos ver aqui que o povo saiu de uma estação e entrou em outra. Saíram de uma experiência e entraram em outra. Tudo isso no deserto.

Amados irmãos, observem isso, é tão claro na sua vida, na minha vida... Vivemos de experiência em experiência, de momento em momento estamos passando por experiências. Algumas, profundamente amargas, outras boas... Enfim, temos que passar... Faz parte do trabalho de Deus, da obra da cruz, dos caminhos de Deus na nossa vida. E temos que amadurecer, entender que existe um limite na nossa própria vida dentro o contexto do propósito eterno de Deus. Nossa vida só se vive eternamente dentro desse propósito. E a glória da eternidade, no que concerne a nossa vida, é que viveremos no porvir. Quanto a este mundo, somos limitados e estaremos sempre limitados. Temos que preparar caminho para que outros possam avançar, ir além de nós. E é justamente isso que aprendemos aqui em Hasmona.

A partir daqui vemos um momento de transição onde vai se caracterizar a maturidade espiritual. Veremos aqui a delegação da autoridade e da responsabilidade da obra. No princípio Deus havia chamado Moisés e Arão para responsabilidade de Sua obra. Depois, avançando, vemos em Êxodo 18 que anciãos foram designados juntamente com Moisés e Arão para que assumissem a responsabilidade da obra. Eles então avançaram, muitos foram levantados. Em seguida, em Ritma, temos aquele episódio triste, no qual prevaleceu a incredulidade do povo. Quero até fazer menção aos textos de Números 14 para que possamos entender a seriedade de tudo isso. Muitas vezes somos reprovados por causa da nossa incredulidade. Muitas vezes a nossa incredulidade faz com que o propósito de Deus se atrase em nossas vidas. Nós não podemos ser culpados de atrasar o propósito de Deus na nossa geração. Existe uma experiência muito prática em Marcos, naquele episódio do Senhor Jesus e Jairo. A filha de Jairo estava muito doente e ele foi ter com Jesus. A Bíblia fala que quando Jairo estava vindo com o Senhor Jesus para sua casa, alguns homens da casa de Jairo chegam e dizem: “Jairo, não importunes mais o Mestre. Tua filha morreu”. Naquele exato momento o Senhor Jesus olha para Jairo e diz para ele: “Não temas. Crê somente”. A realidade do fato era cruel, mas o Senhor Jesus vira para Jairo e diz para ele: “Não temas. Crê somente”. Na prática, o que isso significa? Enquanto Jairo estivesse crendo, Jesus estaria se movendo. À medida que Jairo confiasse no Senhor, e não nos fatos, e não na realidade que estava diante dele, mas olhasse para o Senhor, o Senhor estaria se movendo em direção a sua própria filha. Nós sabemos que ela foi ressuscitada. A realidade era cruel, mas a nossa fé tem que transpor toda a realidade que está diante de nós, para que Deus se mova.

E o povo estava impedindo o mover de Deus por causa da incredulidade deles. E o Senhor diz em Números 14:21-22:

21 Porém, tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do SENHOR, 22 nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, todavia, me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz, 23 nenhum deles verá a terra que, com juramento, prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram a verá.”

Veja então que aqui, a partir de Ritma, começa o tratamento de Deus com a velha geração. O que significa espiritualmente essa velha geração? Ela é aquela geração que é caracterizada pela incredulidade, que se relaciona com Deus de forma carnal, imprudente, que não confia, não depende de Deus. Sabemos que muitos que foram também tratados por Deus, assim como Moisés, Arão, Miriã e outros anciãos, que não participaram desses pecados, mesmo assim, por causa de outras situações, de outros pecados que cometeram, também não entraram na terra. Mas sabemos de uma coisa: eles morreram crendo; morreram nessa esperança, de que não era para eles, mas para uma nova geração entrar na terra. Isso serve de princípio para nós, porque Hasmona é quando se torna evidente que o povo agora é um povo jovem, forte; uma geração que foi gerada no deserto, que havia se multiplicado e que agora experimentaria a abundância da vida; e que eles cresceram e iriam derrotar os gigantes, transpor as muralhas. É isso o que significa essa nova geração.

Veremos também que aqui há o registro da morte de Miriã. Depois morre Arão. E, por fim, morre Moisés. Quando Miriã tinha quatro anos nasceu Arão. Quando tinha seis nasceu Moisés. Agora morre Miriã, Arão e, por último, Moisés. Tudo isso é extremamente significativo. Mas o propósito de Deus não é enterrado com Moisés, nem com Arão e nem com Miriã. De modo algum. O propósito do Deus não é enterrado quando esses homens morrem, pois Ele continua através de Josué e Calebe. Uma geração nova é levantada para dar continuidade à obra de Deus.

Amados, essa estação nos mostra a questão da maturidade espiritual. Não podemos pensar em nosso nível espiritual, isto é, achar que somos os únicos, insubstituíveis. Temos que pensar não em nós, e sim na continuidade da obra de Deus. Aqueles que são chamados para o ministério e o serviço na obra de Deus – como Moisés e Arão –, precisam preparar caminho para que outros possam ir avançando. Nosso coração precisa estar livre do egoísmo, nunca podemos estar centrados em nós mesmos. A obra não é nossa, não é o nosso nome que está em jogo, mas o testemunho do Senhor. E o nosso encargo é preparar caminho para uma nova geração. Precisamos ter consciência de que outros irão além de nós. Não trabalhamos para uma empresa religiosa, nem para uma denominação. Nosso serviço, nosso compromisso em primeira instância é com o reino de Deus, com a obra de Deus. Vivemos com o propósito de agradá-lo, de servi-lo. E para isso temos que ter um coração maduro.

Dentro da história do povo de Deus, posso afirmar com segurança que estamos vivendo um momento muito especial, no que concerne à profecia. Estamos vivendo a última fase da obra de Deus. O Senhor está levantando uma nova geração, comprometida com Seu reino, em possuir a herança que nos foi prometida em Cristo Jesus. Essa nova geração aqui em Hasmona foi trabalhada no deserto. Eles cresceram, amadureceram no deserto. Portanto, foram qualificados para possuir a terra. O Senhor estava preparando aquele povo, trabalhando Ele mesmo em suas vidas. Mas eles não poderiam ser levantados enquanto a velha geração ainda estivesse em pé.

Agora, a partir de Hasmona, veremos essa nova geração ser levantada para servir. Lembre-se: Hasmona significa multiplicação, abundância, frutificação. Aqui temos a lição sobre a profundidade da transição. E na obra de Deus nós temos que passar por esses períodos, por esses momentos. Mas, se não preparamos o caminho, se não investimos da parte do Senhor nas vidas daqueles que Ele tem levantado e chamado, nós não temos contribuído para o progresso de Deus no meio de Seu povo; estamos preocupados em nós mesmos. Precisamos estar cientes disso, estar conscientes dessa verdade e dessa necessidade. É isso que esta estação nos ensina.

Que Deus, em Cristo Jesus, venha nos abençoar rica e poderosamente.

Nenhum comentário: