sexta-feira, 29 de julho de 2016

CAPÍTULO 4: A IGREJA EM ANTIOQUIA





PROPÓSITO DE CORAÇÃO

Leitura: At 11:19-30; Dn 1:1-8; Cl 2:6,7; Pv 23:36

Quem eram aqueles cristãos em Antioquia? Qual era a condição espiritual deles? Primeiramente, vimos que eles se converteram ao Senhor, o que claramente é a primeira coisa. Antes, eles eram adoradores de ídolos, mas posteriormente se converteram ao Senhor de todo o coração. Eles creram no evangelho de Jesus Cristo, aceitaram o Senhor como Seu Salvador, como Seu Senhor, se converteram ao Senhor. Eles não apenas se converteram ao Senhor, mas foram exortados por Barnabé para que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Converter-se ao Senhor é importante, mas é apenas o começo. Converter-se ao Senhor não é a mesma coisa que habitar no Senhor. Qual o sentido de nos convertermos ao Senhor se não habitarmos Nele, se não continuarmos no Senhor, se não crescermos no Senhor, se não formos arraigados e alicerçados em Cristo Jesus? Para isso, é necessário firmeza de coração.
Muitas vezes encontramos o povo de Deus, que, por Sua graça é salvo, mas notamos que não possui firmeza de coração. São cristãos que não se propõem no coração a habitar no Senhor. Em outras palavras, muitos são salvos, mas não procuram o Senhor de coração, e esta é a razão de encontrarmos tanta fraqueza entre o povo de Deus.
Você se lembra como, no Antigo Testamento, Daniel propôs no coração de não se contaminar com os manjares do rei, com a comida e o vinho? Ele preferiu viver uma vida pura, simples e comum a se contaminar com qualquer luxo, qualquer coisa da realeza, qualquer coisa grande aos olhos humanos. Isso demanda firmeza de coração.
Será que temos tal firmeza? Uma vez que somos do Senhor, será que temos nos proposto a segui-Lo por todo o caminho? Temos permanecido em Cristo Jesus? Deus nos colocou em Cristo Jesus, mas será que temos feito de Cristo Jesus nosso lar, nossa habitação? Nós permanecemos Nele ou simplesmente nos deixamos levar para dentro e para fora Dele? Nós não temos propósito de coração, não colocamos nosso coração na direção do Senhor. A Bíblia diz: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Pv 23:36). Muitas vezes o povo de Deus não se deleita no caminho de Deus, pois pensa que o caminho de Deus é muito difícil, muito duro, bastante irracional. A razão disso é que não deram o coração ao Senhor. Se dermos nosso coração ao Senhor, com certeza nos deleitaremos em Seu caminho, pois veremos que Seu caminho é perfeito, aceitável e bom.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

PROBLEMAS



CAPÍTULO 3: A IGREJA EM JERUSALÉM (Parte 9)



Ananias e Safira


Aqueles cristãos tiveram problemas? Claro que sim. Enquanto estivermos na carne, enquanto suprirmos a carne, o inimigo sempre terá uma base para atacar. Quando o Senhor está trabalhando, o inimigo também está. A igreja em Jerusalém começou de maneira muito gloriosa, mas o inimigo trabalhou por meio da carne de Ananias e Safira. Aquele era um período glorioso. As pessoas eram libertadas de si mesmas. Pessoas que possuíam bens vendiam seus bens e depositavam o dinheiro aos pés dos apóstolos, a fim de compartilhar com aqueles que estavam em necessidade. Quão glorioso era isso! Não havia nada forçado, não se pregava sobre isso. Era tudo voluntário, que brotava de corações cheios de amor.
Mas, então, apareceram Ananias e Safira – vanglória. Eles viram Barnabé, um levita, vender sua terra e trazer o dinheiro aos apóstolos. Quando ele fez isso, foi elogiado pelos apóstolos, os quais o chamaram de Barnabé, o filho da consolação. De certa maneira, isso mexeu com alguma coisa no interior desse casal; foi como se eles dissessem: “Queremos esse tipo de louvor, esse tipo de glória.” Mas isso era vanglória! Neste mundo queremos ganhar alguma coisa, mas na igreja o que iremos ganhar? A igreja é lugar para perda, não para ganho. Você não vai para a igreja para ganhar algo, você vai para dar alguma coisa. O que podemos obter da igreja? O que a igreja pode oferecer-nos? Nada. Ainda assim, quando a carne está presente, mesmo na igreja podemos desejar obter alguma vanglória.
Ananias e Safira venderam uma parte de sua propriedade. Por um lado eles queriam glória, por outro não conseguiram deixar o mundo completamente. Não havia necessidade de eles fazerem aquilo. Se não fizessem, ninguém iria recriminá-los; mas desejaram ambos os mundos. Mantiveram parte do dinheiro, deram parte para a igreja e disseram: “Isto é tudo.” Eles se esqueceram de que o Espírito Santo estava na igreja.
Pedro perguntou: “Isto é tudo?” Ananias respondeu: “É.” Pedro disse: “Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentistes aos homens, mas a Deus” (At 5:3,4). A disciplina do Espírito Santo veio imediatamente.
Agradecemos a Deus por este incidente, porque ele nos ensina muitas coisas. Nós realmente cremos que o Espírito Santo está na Igreja; portanto, não estamos vivendo meramente diante dos homens, mas vivemos diante de Deus. Nós cremos no Espírito Santo. Cremos que o Espírito Santo está presente na Igreja. Se é assim, você acha que deveríamos honrá-Lo? Ou você acha que podemos enganá-Lo? Deveríamos apagá-Lo, entristece-Lo, trapaceá-Lo? Creio que essa é uma lição que devemos aprender.
Também, por intermédio desse caso, podemos ver disciplina. A Igreja não é edificada sem disciplina. Não gostamos de disciplina, gostamos de liberdade. Gostamos de fazer o que bem entendemos, da nossa maneira. Pensamos que a Igreja é uma democracia e que cada um pode fazer o que gosta, dizer o que quer. Não, a Igreja não é uma democracia, é uma teocracia. O Senhor é Rei. Portanto, há disciplina. Não foi Pedro que disciplinou Ananias e Safira, foi o Espírito Santo que os disciplinou. Pedro foi apenas um instrumento. Precisamos ver isso.
Na Igreja, nós não queremos disciplina. Quando alguns irmãos começam a exercitar alguma disciplina, achamos que eles estão nos disciplinando. Se entendermos dessa forma, o espírito de rebeldia sem dúvida surgirá em nós; mas precisamos ver que a disciplina na Igreja vem do Espírito Santo e não do homem porque o Espírito Santo representa Cristo, a Cabeça. Portanto, que aprendamos a crer na disciplina e a aceitá-la.
Os problemas não são necessariamente destrutivos. Os problemas, se são bem tratados, podem ser bênçãos disfarçadas; e, assim, devido a esse problema, descobrimos que a disciplina é uma bênção.
“E sobreveio grande temor a toda a igreja” (v 11). Amor e temor não são coisas opostas. Eles se complementam. Algumas vezes pensamos que, se há amor, não deveria haver temor. Isso é verdade, pois o perfeito amor lança fora o temor, mas o temor aqui é o temor relacionado à punição, não o temor de desagradar o Senhor. Se amamos o Senhor, haverá sempre o temor associado ao amor. Teremos o temor de não agradá-Lo. Portanto, esse caso, que é um triste caso, nos mostra que no Corpo de Cristo há disciplina. Essa é a vida do Corpo.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A IGREJA EM JERUSALÉM (PARTE 5)





Leitura: At 2:37-47


ESTAVAM JUNTOS


Tinham Tudo em Comum

"Todos os que creram estavam juntos.” Esse ajuntamento era mais do que físico; esse ajuntamento era uma união espiritual, e era manifestado de diferentes formas: era expresso em suas preocupações uns pelos outros e em seus cuidados mútuos. Aquelas pessoas estavam completamente libertas de instintos possessivos. O desejo de posse é um dos mais primitivos instintos dos seres humanos. Mesmo uma criança possui esse tipo de instinto. Quando está brincando com sues brinquedos, ela diz: “Isto é meu!” Nós somos pessoas egoístas, centradas em nós mesmos. Todavia, quando aquelas 3.120 pessoas nasceram em um Corpo, todo egoísmo e toda característica de possuir, de adquirir coisas para si mesmo não existiam mais. Elas compartilhavam todas as coisas. Ninguém dizia: “Isto é meu!” Elas cuidavam umas das outras, supriam as necessidades umas das outras porque, durante aqueles dias, muitos vieram para a festa de pentecostes e não retornaram mais para casa. Portanto, não tinham mais emprego e não estavam fazendo coisa alguma. Então, casas foram abertas para que eles morassem, comiam juntos e compartilhavam de todas as coisas.
Suponha que uma célula em seu corpo diga: "Esta vida é mi­nha." O que acontece? Você tem câncer, Nenhuma célula sua dirá: “Isto é meu”. Todas elas compartilham tudo com todo o corpo.
Quando o Espírito de Deus fez nascer aquele corpo celestial sobre a Terra, todos começaram a viver um estilo de vida nunca visto antes no mundo. Isso não foi ensinado, não foi forçado; foi tudo espontâneo, espiritualmente espontâneo. Os discípulos estravam juntos. Como podemos dizer que somos um corpo se não nos importamos uns com os outros?

Partiam o Pão de Casa em Casa

Eles expressavam sua união partindo o pão de casa em casa. Eles amavam tanto o Senhor e amavam uns aos outros de tal maneira que, provavelmente, em toda refeição eles simplesmente celebra­vam, lembrando-se do Senhor. Algumas vezes, sinto que nós com­plicamos muito a questão de partir o pão. Realmente, deveria ser muito, muito simples. Após a refeição, quando nos sentimos toca­dos pela graça e o amor de Deus, vamos partir o pão e dar graças a Ele. Eles faziam isso para demonstrar a união que possuíam.

Eles se Reuniam Diariamente

Diariamente perseveravam unânimes no templo. Isso é união. Não podemos dizer "Meu espírito está com vocês" se nosso corpo não estiver lá. Isso não é união. Se há união, nosso espírito e também nosso corpo deverão estar juntos.
Eles não abandonavam a assembleia dos santos. Eles se encorajavam e exortavam uns aos outros ao amor e às boas obras. Isso é união. A vida moderna não é tendente para uma vida espiritual, isso é verdade. Mas, apesar disso, sinto-me muito envergonhado quando penso em como os primeiros cristãos viviam a vida do Corpo e como nós hoje supostamente vivemos a vida do Corpo. Precisamos estar diante do Senhor com respeito a esse assunto.

A IGREJA EM JERUSALÉM (PARTE 4)





Leitura: At 2:37-47


VIDA DO CORPO

Que tipo de vida é a vida do Corpo? Que espécie de vida aqueles primeiros crentes viviam como a Igreja de Deus? Primei­ramente, antes de qualquer coisa, eles perseveravam, persistiam, ocupavam-se com a doutrina e a comunhão dos apóstolos, com o partir do pão e com as orações (At 2:42). Antes disso acontecer, eles estavam ocupados com muitas coisas; mas daí em diante, o que ocupava a vida deles? Como viviam? Eles prosseguiam fiel­mente, ocupados com a doutrina e a comunhão dos apóstolos.


No Partir do Pão e nas Orações

"No partir do pão e nas orações." A doutrina e a comunhão dos apóstolos são especialmente expressadas de duas maneiras. Uma é por meio do partir do pão. Por que o partir do pão é tão importante? Porque é nossa comunhão com nosso Senhor. Nós estamos em comunhão com Seu sangue, estamos em comunhão com Seu corpo e estamos em comunhão uns com os outros. É uma expressão prática de nossa união e comunhão em Cristo Jesus.

Por que as o rações são tão importantes? Isso não se refere à oração pessoal, mas corporativa, a cristãos orando juntos. Isso é muito importante porque as orações expressam nossa união com Cristo em Seu propósito e interesse. Não estamos orando cada qual por si mesmo ou por nosso pequeno círculo, mas estamos orando pelo interesse e propósito Dele. Sendo assim, o partir do pão na realida­de é a vida da Igreja, e a oração é o ministério da Igreja.

Quão importante, quão essencial é que participemos da Mesa do Senhor! Não é um ritual nem uma formalidade; não se trata de um hábito nem de qualquer tipo de tradição. Cada vez que nos reunimos ao redor de Sua Mesa e nos lembramos do Senhor, estamos em comunhão espiritual com Seu sangue e com Seu corpo, e estamos ainda em comunhão com todos os irmãos e irmãs, membros do Corpo de Cristo, espalhados pelo mundo. Isso é um testemunho, é a vida do Corpo. Como podemos dizer que possu­ímos a vida do Corpo se estamos ausentes da Mesa do Senhor? Como podemos dizer que temos a vida do Corpo se estamos au­sentes das orações? Essas são as expressões práticas do Corpo de Cristo, da vida do Corpo. Desde o início, aqueles 3.120 crentes ocuparam-se dessa maneira. Como eram muitos os crentes na­quela época, havia muitos ocupados com a Mesa do Senhor e muitos com a oração. Essa é a vida do Corpo.

sábado, 30 de abril de 2016

A IGREJA EM JERUSALÉM



CAPÍTULO 3: A IGREJA EM JERUSALÉM (PARTE 1) – Stephen Kaung

Leitura: At 1:12-14; 2: 37-47; 4: 32,33


Oremos:

Senhor, nós temos lido Tua Palavra. Agora, que Teu Espíri­to Santo sopre sobre Tua Palavra escrita e a faça viva e operante em nossa vida. A Ti seja a glória. No nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Estamos considerando juntos a vida da Igreja, o Corpo de Cristo. A primeira igreja que apareceu na terra foi a igreja em Jerusalém. Portanto, gostaríamos de ver a vida da igreja em Jerusalém. Sabemos que há somente uma Igreja. O Senhor Jesus disse: "Sobre esta pedra [rocha] edificarei a minha igreja, e as portas do interno não prevalecerão contra ela" (Mt 16:18). Essa é a Igreja universal única; mas a edificação dessa única Igreja é realizada por Deus por meio de muitas igrejas locais. Isso é bastante evidente, porque não apenas encontramos isso no livro de Atos, mas pode­mos ver também no livro de Apocalipse. Nos primeiros três capítulos, vemos as sete igrejas na Ásia. Então, nos capítulos 21 e 22, encontramos a Igreja universal, a cidade santa, a nova Jerusalém. A edificação real da Igreja universal é realizada por meio da edificação das igrejas locais. A primeira igreja local a aparecer so­bre a Terra foi aquela em Jerusalém. Por esse motivo, a igreja em Jerusalém tem um lugar bastante especial.
Após nosso Senhor ter ascendido ao céu do Monte das Olivei­ras, alguns de Seus discípulos retornaram a Jerusalém. Eles foram para o cenáculo, onde esperaram de modo ativo, orando unanime­mente pelo cumprimento da promessa do Espírito Santo. A Bíblia nos diz que no cenáculo havia onze apóstolos, e o nome de cada um deles foi dado. Além dos onze apóstolos, havia algumas mulheres. Em Lucas 8:2,3, descobrimos que, quando nosso Senhor estava atuando na Terra, havia várias mulheres que O seguiam, ministrando a Ele e a Seus discípulos. Eram Maria Madalena, Joana, mulher do procurador de Herodes, Suzana e muitas outras. Não há dúvida: essas eram as mulheres que esta­vam lá no cenáculo. Também é dito que Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos de nosso Senhor Jesus estavam lá. Quando nosso Se­nhor estava na terra, Seus irmãos na carne não criam Nele; mas, de alguma maneira, após Sua morte e ressurreição, todos os Seus irmãos se tornaram Seus discípulos, entre eles Tiago e Judas. Portanto, todos juntos eram cerca de 120 pessoas que se encontra­vam naquele lugar.
Podemos dizer que estas 120 pessoas eram “a nata” de todos os discípulos de nosso Senhor Jesus naquele tempo. Eram aqueles que fielmente seguiram o Senhor Jesus. Eram aqueles que obede­ceram ao Senhor Jesus e retornaram para Jerusalém, aguardando pela promessa da vinda do Espírito Santo. Eles conheciam o Se­nhor. Todos tinham uma longa história com o Senhor, e, enquan­to eles estavam esperando e orando, com trabalho de parto, o Espírito Santo veio dos céus no dia de Pentecostes. Eles foram cheios com o Espírito Santo e alguma coisa aconteceu: em um Espírito, aqueles 120 crentes foram batizados em um Corpo – o Corpo de Cristo. Não apenas cada um deles individualmente teve um relacionamento orgânico com o próprio Senhor, mas eles fo­ram organicamente unidos uns aos outros como um corpo. Eles não eram mais 120 indivíduos, mas eram 120 membros do único Corpo de Cristo.

UM POVO, UM CORPO

Provavelmente, ao ler o registro do dia ele Pentecostes, pen­samos que foi Pedro quem se levantou e pregou a primeira men­sagem do evangelho; mas, se lermos cuidadosamente, veremos que quando Pedro se levantou os outros onze se levantaram com ele. E se lermos com mais cuidado ainda, na verdade, foram todos os 120 que se levantaram. Cada um deles falava em lín­guas das grandezas de Deus, e foi isso que atraiu a multidão até eles. Evidentemente, eles haviam se deslocado do cenáculo para o Pórtico de Salomão, porque esse era o lugar onde as multidões poderiam se ajuntar, e todos os ouviam falando em sua língua nativa. Imediatamente após o nascimento do Corpo, todos os membros do Corpo estavam funcionando. Não apenas Pedro funcionou, não apenas os onze apóstolos com ele, mas todos os membros do Corpo – homens e mulheres – estavam funcionando. Todos eles estavam testificando, falando das grandezas de Deus, e isso atraiu as multidões até eles. Este é um corpo sadio. Quando você vê cada parte do corpo funcionando, sabe que esse corpo está sadio. Graças a Deus, desde o princípio, um corpo saudável nasceu.
Quando a multidão ouviu a pregação do evangelho, todos foram compungidos no coração. Era o tempo da festa de Pente­costes, e muitos judeus de todas as partes do mundo estavam juntos em Jerusalém para celebrarem-na. Infelizmente, muitos vinham devido à tradição – era uma religião para eles. Mas, graças a Deus, entre a multidão, havia pessoas que buscavam a Deus e a verdade de fato. Foi na vida dessas pessoas que a luz brilhou. Então, quando elas ouviram a pregação do evangelho, foram compungidos no coração e perguntaram a Pedro e aos onze apóstolos: "Que faremos, irmãos? Nós rejeitamos a Cristo. Agora, o que devemos fazer?" Pedro disse: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Sau­lo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para lodos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar." Aquelas pessoas receberam plenamente as palavras de Pedro. Pedro falou ainda muitas outras coisas. Ele os exortou a serem salvos daquela geração perversa que havia rejeitado o Salvador, a serem separados dos demais e se tornarem localmente comprometidos com Cristo Jesus. Assim todos quantos creram foram batizados, e em um dia, cerca de três mil almas foram acrescentadas. Esses três mil foram completamente salvos. Foram nascimentos perfeitos.
Hoje, quando as pessoas dizem que creem no Senhor Jesus, algumas vezes não é de maneira absoluta, não é de forma clara. Mas lá em Jerusalém houve pessoas que se arrependeram, que se separaram do mundo, daquela geração perversa, que foram batizadas e se tornaram comprometidas com Cristo, que receberam a promessa do enchimento com o Espírito Santo e foram cheias com o Espírito. Elas foram completamente salvas, perfeitamente nascidas, embora ainda fossem bebês em Cristo, exatamente como éramos quando cremos no Senhor Jesus – no início, éramos bebês em Cristo. Porque foram completamente salvos e perfeitamente nasci­dos de novo, aqueles 3.120 crentes foram unidos como um só cor­po. Não havia nenhuma brecha de qualquer tipo. Eles eram como uma única pessoa, um corpo. Essa era a igreja em Jerusalém.
A igreja em Jerusalém não era composta apenas de vetera­nos em Cristo Jesus; era também composta de bebês em Cristo. Era uma família. Aqueles que conheciam o Senhor há bastante tempo eram capazes de ajudar os que eram bebês em Cristo, e aqueles que eram bebês em Cristo eram humildes o bastante para receber ajuda dos que conheciam melhor o Senhor. Eles se uniram como um porque eram um – uma família, um povo, uma igreja, um corpo.
 



A IGREJA EM JERUSALÉM (PARTE 2)

Leitura: At 2:37-47; 4:32,33; Mt 18:19,20; 1Co 11:26

UMA NOVA MANEIRA DE VIVER

Como pode haver um novo corpo, um corpo vivo, e não ha­ver uma nova maneira de viver? Sem qualquer planejamento, sem nenhuma necessidade de esforço de qualquer espécie, vemos que, de maneira sobrenatural, um estilo de vida começou a surgir na­turalmente, uma nova maneira de viver começou a aparecer. An­teriormente, eles viviam a própria vida, mas algo aconteceu. Eles se tornaram um povo – não apenas um povo, mas um corpo –, e muito rapidamente a vida do corpo começou a emergir. A vida do corpo não é algo planejado ou manufaturado. A vida do corpo é proveniente da vida. Eles compartilhavam uma vida comum. Porque eles eram um só corpo, muito naturalmente começaram a viver juntos um modo peculiar de vida. Era muito natural, Era uma maneira de viver, uma vida corporativa, uma vida unida a qual o mundo nunca vira antes. Era um modo de vida diferente de todos os outros que o mundo jamais poderia conhecer, porque Jesus é esse modo de vida.

VIDA DO CORPO

Que tipo de vida é a vida do Corpo? Que espécie de vida aqueles primeiros crentes viviam como a Igreja de Deus? Primei­ramente, antes de qualquer coisa, eles perseveravam, persistiam, ocupavam-se com a doutrina e a comunhão dos apóstolos, com o partir do pão e com as orações (At 2:42). Antes disso acontecer, eles estavam ocupados com muitas coisas; mas daí em diante, o que ocupava a vida deles? Como viviam? Eles prosseguiam fiel­mente, ocupados com a doutrina e a comunhão dos apóstolos.  

A Doutrina dos Apóstolos

O que é a doutrina dos apóstolos? Devemos observar que a palavra doutrina é singular, mas a palavra apóstolos é plural. Havia doze apóstolos, mas havia apenas uma doutrina, a doutrina dos apóstolos. Qual era essa doutrina? Vocês se lembram que nosso Senhor disse: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século" (Mt 28:19,20). Em outras palavras, a doutrina dos apóstolos não era outra além da que o Senhor Jesus lhes havia ensinado. Eles apenas ensinavam o que o Senhor lhes havia ensinado.
Também o apóstolo Paulo disse: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei" (1Co 11:26). Os apóstolos não possuíam ensino próprio; eles apenas ensinavam aquilo em que havi­am sido ensinados pelo Senhor. Portanto, o ensino dos apóstolos não é outro, diferente do ensino de Cristo. Eles ensinavam Cristo.