quarta-feira, 20 de junho de 2012

A inspiração do Espírito


Capítulo VIII – parte 1

 Inspiração significa inalação. Tanto o escriba quanto a Escritura, tanto o homem de Deus quanto a palavra de Deus são divinamente inspirados. Na memorável reunião do Senhor ressuscitado com Seus discípulos na casa com as portas trancadas, lemos que Ele “soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos” (Jo 20.22,23). Bem poderia a pergunta dos escribas a respeito de Jesus surgir em nosso coração com respeito aos discípulos: “Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus?” E a resposta deve ser: “De fato; somente Deus pode perdoar pecados. E é somente porque o Espírito de Deus, que é Deus, está nos apóstolos, concedendo-lhes as Suas prerrogativas divinas, que eles são capazes de exercer essa grande autoridade”.
Contudo, estamos persuadidos que essa comissão não foi dada a todos os cristãos, embora todos tenham o Espírito. Olshausen, em seu Comentário, trata apropriadamente esse assunto: “Aos apóstolos foi concedido o poder, absoluto e incondicional, de atar e desatar, da mesma forma que a eles foi concedido o poder de anunciar a verdade sem nenhum erro. Pois para essas duas tarefas eles possuíam dons espirituais miraculosos”. A única correção que deveríamos fazer é em vez de dons “miraculosos”, dizer dons “soberanos”. Jesus disse: “O Espírito sopra onde quer, ouves a sua voz”. Embora os dons miraculosos não tenham sido restritos apenas aos apóstolos, é provável que Cristo tenha confiado somente a eles a soberana prerrogativa de perdoar pecados. Por outro lado, dons de cura, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, e línguas, foram distribuídos entre a igreja, “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1 Co 12.11). Em resumo, a ação do Espírito Santo era totalmente soberana na atribuição de ofícios, e quando Jesus soprou o Espírito Santo sobre os Seus apóstolos, e lhes concedeu autoridade para perdoar pecados, Ele lhes concedeu uma prerrogativa que possivelmente não dizia respeito aos demais, embora fossem também habitação do mesmo Espírito. É senso comum considerar que a ordem dos apóstolos cessou com a morte daqueles que viram o Senhor e estiveram com Ele até o dia em que foi assunto ao céu. Mas a razão por que cessou tem sido pouco levada em consideração. Teriam porventura os apóstolos e seus companheiros sido comissionados para falar pelo Senhor até que as Escrituras do Novo Testamento — a Sua voz autorizada — estivessem completas? Se for assim, temos no apostolado uma inspiração temporária; no evangelho, um estereótipo da inspiração; o primeiro dotado de autoridade ad interim para perdoar pecados, e o segundo com a autoridade in perpetuam. O Novo Testamento, como o genuíno porta-voz do Senhor, anuncia o perdão a todos aqueles que, em qualquer tempo, se arrependem de fato e creem no Filho de Deus; e os pregadores de todos os tempos, com a Bíblia na mão, estão autorizados a fazer essa mesma declaração. Em resposta aos escritores católicos, os quais argumentam que essa infalibilidade para ensinar e a autoridade para absolver, conferida aos apóstolos, foi passada por sucessão aos ministros do clero, parece-nos importante reafirmar que essa autoridade não se perpetuou em nenhum outro grupo de homens à parte daqueles que são mencionados nas Escrituras; ela foi concedida aos do Novo Testamento e ali permanece para todo o sempre. De qualquer forma, historicamente se pode observar o fato que os apóstolos e profetas da nova dispensação desapareceram, ficando os Evangelhos e as Epístolas em lugar deles, e daí em diante a divina voz de autoridade do Espírito pode ser claramente reconhecida unicamente pela palavra escrita. Assim como o carvão tem sido chamado de “luz solar fóssil”, assim o Novo Testamento pode ser chamado de “inspiração fóssil”, ou seja, a iluminação sobrenatural que sobreveio aos apóstolos acumulada e estocada para o uso da igreja no decorrer das eras.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Assim como o Senhor soprou o Espírito em certos homens, e com isso lhes concedeu a Sua prerrogativa de perdoar pecados, assim Ele soprou o Seu Espírito em certos livros e os dotou com a Sua infalibilidade de ensinar a verdade. Deus não inspirou todos os bons livros, mas escolheu inspirar um livro, separando-o dessa forma e distinguindo-o de todos os outros livros. A expressão “a Bíblia é mera literatura”, usada hoje como argumento contra a bibliolatria, não é verdade. Literatura é a letra; a Escritura é a letra inspirada pelo Espírito. Aquilo que Jesus disse para justificar a Sua doutrina do novo nascimento é igualmente aplicável à doutrina da inspiração: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. Eduque, desenvolva e refina o homem natural até o mais alto grau, e ele ainda assim não será um homem espiritual; pelo novo nascimento, o Espírito Santo o renova e passa a habitar nele. Assim acontece também com a literatura; por mais alta que seja a sua forma, por mais sublimes que sejam as suas idéias, não é a Escritura. A Escritura é literatura habitada pelo Espírito de Deus. A ausência do Espírito Santo de qualquer escrito é o abismo intransponível entre ele e a Sagrada Escritura. Quando nosso Senhor Se refere à Sua própria doutrina, usa essa mesma linguagem, ao falar do novo homem, para distingui-la de qualquer outro ensino comum. Ele diz: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6.63). Eram palavras e, nesse aspecto, literatura; mas eram palavras divinamente inspiradas e por isso eram a Escritura. Enfim, aquilo que faz da palavra de Deus um livro único, separado de todos os outros escritos, é aquilo que também faz distinção entre o homem de Deus e o homem comum: a habitação do Espírito Santo. É por essa razão que podemos dizer com verdade a respeito da Bíblia, não meramente que ela foi inspirada, mas que ela é inspirada; que o Espírito Santo ainda agora sopra dentro dela, fazendo dela não apenas uma voz de autoridade quanto às doutrinas, mas também concedendo vida por meio do seu conteúdo, de forma que aqueles que recebem as suas promessas pela fé foram “regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1 Pe 1.23).
Temos considerado neste livro, até agora, as variadas obras e ofícios do Paráclito. Agora estamos considerando que o Espírito Santo não apenas age, mas também fala. Ouçamos as repetidas afirmações desse fato. Por sete vezes o nosso Senhor glorificado diz no Apocalipse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7). O Paráclito aqui na terra responde ao Paráclito lá no céu, de forma que à voz vinda do céu — “Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor” — ouve-se a resposta: “Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (Ap 14.13). Isso está de acordo com o caráter geral das Escrituras quanto ao seu Autor. Quando se refere ao Antigo Testamento, Pedro diz: “Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus” (At 1.16). Nosso Senhor reconhece claramente a voz do Espírito na voz do salmista: “O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo” (Mc 12.36). E outra vez: “O Espírito do SENHOR fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou” (2 Sm 23.2,3), e: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz” (Hb 3.7).
E o que se pode dizer? A linguagem não serve para expressar os pensamentos? A diferença entre pensar e dizer são simplesmente as palavras. Por isso, se o Espírito Santo “diz”, haveremos de encontrar nas palavras das Escrituras o exato sentido daquilo que Ele diz. Consequentemente, a inspiração verbal se apresenta como absolutamente essencial para nos comunicar o perfeito pensamento de Deus. E embora muitos considerem ridícula a ideia, como mecânica e desprezível, a conduta e o método utilizado pelos acadêmicos de todas as crenças mostram o quanto ela é aceita. Por que, então, o minucioso e contínuo estudo das palavras das Escrituras por parte de todos os expositores, e a sua incansável busca das nuanças do sentido de cada palavra, e a sua atenção aos mínimos detalhes da linguagem, e às sutis diferenças existentes em cada modo e tempo e acento? Os acadêmicos que falam de modo inconseqüente sobre a teoria da inspiração literal das Escrituras, são os que, pelo seu próprio método de estudo e exegese, ratificam de maneira mais categórica a doutrina que negam. E depois não devemos esquecer o que pretendemos dizer quando afirmamos que a linguagem é a expressão do pensamento. As palavras estabelecem a amplitude e a forma das ideias. Assim como a moeda corresponde exatamente ao molde onde foi estampada, assim o pensamento corresponde à palavra por meio da qual foi enunciado. Modifique a linguagem por pouco que seja, e com isso você modificará o pensamento.
Da mesma forma que o ultra espiritualismo interpreta as palavras de Paulo “um corpo espiritual” como se significasse um fantasma [quando na verdade a ênfase está tanto em swma (soma) como em pneumaticon 
(pneumatichon), significando evidentemente um corpo espiritual]; assim também algumas pessoas, quando interpretam a expressão “a letra mata”, adulteram as Escrituras, dizendo-nos que a coisa principal é o pensamento de Deus, e que a linguagem é totalmente secundária. Mas Lutero sabiamente nos lembra que “Cristo não disse a respeito do Seu Espírito, mas a respeito das Suas palavras, que elas são espírito e são vida”.
Negar que é o Espírito Santo quem fala nas Escrituras é um posicionamento compreensível; mas se admitirmos que Ele fala, só poderemos entender os Seus pensamentos se ouvirmos as Suas palavras. É verdade que Ele pode gerar em nós sentimentos profundos demais para serem expressos, como quando “o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Mas a idéia que realmente é compreensível é a idéia que se expressa por meio da fala. Para as mentes finitas, pelo menos, as palavras é que são os meios que tornam compreensíveis os pensamentos. É evidente que Jesus reivindica para o Seu ensino não apenas inspiração, mas inspiração verbal, quando Ele diz que as Suas palavras são “espírito e vida”. Esse também é o parecer de Paulo, ao falar da inspiração do Espírito Santo: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais” (1 Co 2.10-13).
O que dizer daqueles que afirmam que essa teoria torna a inspiração puramente mecânica, fazendo dos escritores humanos das Escrituras meros estenógrafos, cuja função é apenas transcrever as palavras do Espírito, à medida que são ditadas? É preciso admitir que as Escrituras dão larga margem para apoiar essa ideia. Considere-se o caso de um estudante que transcreveu a palestra de um eminente filósofo, e que agora estuda com diligência para entender o sentido daquilo que foi dito e que ele escreveu. Temos de entender que ele foi um aluno e não um mestre; que ele não originou nem os pensamentos nem as palavras da palestra, mas foi um discípulo cuja ocupação era entender aquilo que ele mesmo transcreveu, para dessa forma ser capaz de comunicá-lo aos outros. Não há como negar que é essa a exata figura do que encontramos nesta passagem das Escrituras: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pe 1.10,11). Ali estavam os escritores inspirados, esforçando-se para compreender o sentido daquilo que eles mesmos tinham escrito. Se eram profetas com relação aos homens, eles com toda certeza eram alunos com relação a Deus. Feitas todas as concessões quanto às peculiaridades dos escritores, eles necessariamente foram relatores daquilo que ouviram, em vez de terem formulado aquilo que foram levados a compreender. Isso também é semelhante à atitude de Cristo — fez-se um ouvinte para tornar-se um mestre: “tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15.15); fez-se um relator para tornar-Se um revelador: “porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste” (Jo 17.8).
Em nossos dias, os eruditos são muito zelosos quanto ao elemento humano da inspiração; mas é o elemento soberano que mais impressiona aquele que estuda com cuidado esse assunto. “O Espírito sopra onde quer.” Com respeito à regeneração pelo Espírito Santo, temos a expressa declaração de que isso ocorre não “da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”; e com respeito à inspiração do Espírito, o ensino é igualmente claro: “porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21).
O estilo das Escrituras apresenta, sem dúvida, as características pessoais e as idiossincrasias dos diversos escritores, assim como a luz dentro de uma catedral assume várias tonalidades quando passa pelos vitrais coloridos; mas dizer que os pensamentos da Bíblia são do Espírito, e que a linguagem é dos homens, cria um dualismo na revelação que não se justifica. Damos nosso pleno aval à citação de um eminente escritor a respeito desse assunto: “A opinião de que somente o assunto da Bíblia é que procede do Espírito Santo, enquanto a sua linguagem ficou a cargo da livre escolha dos diversos escritores, resulta num conceito irracional que é a grande falácia de muitas teorias da inspiração, ou seja: havia dois agentes espirituais em operação, um dos quais produziu a fraseologia da forma externa, enquanto o outro criou na alma os conceitos e pensamentos que essa fraseologia expressava. Pelo contrário, o Espírito Santo, como a eficaz causa primária, envolve toda a atividade daqueles que Ele inspira, fazendo da linguagem deles a palavra de Deus”.
Se alguém argumentar que as citações que o Novo Testamento faz do Antigo raramente são ipsissima verba, pelo contrário em muitas ocasiões a linguagem é grandemente mudada, é preciso contra-argumentar mostrando igualmente quão importantes muitas vezes são essas alterações. Se foi o Espírito Santo quem dirigiu a escrita de ambos os livros, Ele tinha um direito soberano de alterar a fraseologia, se fosse necessário, de um livro para o outro. Na opinião de muitos estudiosos, é intencional e inspirada a mudança de “Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o SENHOR” em Isaías 59.20 para “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador” em Romanos 11.26. Assim também a citação de Amós 9.11, “Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi”, mencionada em Atos 15.16 (RC): “Depois disto, voltarei e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído” — parece que a linguagem foi projetada para tornar claro o seu significado no cenário em que foi proferida. Poderíamos citar muitos outros exemplos onde o divino Autor das Escrituras remodelou as Suas próprias palavras.  Por outro lado, a constante repetição das mesmas palavras e frases nos livros da Bíblia por mais separados que estivessem no tempo e nas circunstâncias em que foram escritos, é forte indício de uma mesma fonte a expressar-Se por meio de uma variedade de caligrafias diferentes. Não há dúvida de que a individualidade dos escritores foi preservada, só que a individualidade deles estava subordinada à soberana individualidade do Espírito Santo. Com a palavra escrita ocorreu o mesmo que ocorreu com a Palavra encarnada. Pelo fato de Cristo ser Deus, Ele é mais humano do que qualquer outro homem que o mundo jamais viu; e porque a Bíblia é sobrenatural, ela é natural como nenhum outro livro que jamais foi escrito; a sua divindade a eleva acima das falhas de estilo que são fruto da consciência própria e da ambição. Quer leiamos no Antigo Testamento a história do servo de Abraão procurando uma noiva para Isaque, ou a narrativa encontrada no Novo Testamento do Cristo ressuscitado andando com os Seus discípulos até Emaús, a inimitável simplicidade de estilo nos faria pensar que estamos ouvindo a voz de anjos que jamais pecam em pensamento, e por isso não podem pecar em estilo, se não soubéssemos que essa é a fraseologia típica do Espírito Santo.
Um eminente teólogo alemão escreveu uma frase tão profundamente significante que a reproduzimos aqui em itálico: “Temos toda a razão de falar de uma linguagem do Espírito Santo. Isso porque salta aos nossos olhos na Bíblia como o divino Espírito, o agente da revelação, criou para Si mesmo um dialeto religioso inteiramente peculiar, totalmente distinto do modo de falar das pessoas que fazem parte do cenário bíblico”. Essa declaração parece tão verdadeira, que nos parece inteiramente impossível encontrar o exato sentido de muitos dos termos do Novo Testamento grego em dicionários do grego clássico. Embora a forma verbal de ambos seja igual, é possível que o espírito inspirado tenha dado novo significado a palavras antigas, que para utilizar um dicionário secular para traduzir oráculos sagrados, é quase como pedir a uma pessoa não regenerada que interprete os mistérios da vida regenerada. Será que desconhecemos o fenômeno que ocorre com diversas palavras inglesas, por causa do progresso e das descobertas, tanto que é preciso identificar-se com “o espírito da época” para conseguir compreendê-las? Dessa maneira, igualmente, mesmo no trabalho da crítica verbal, é essencial que se possua o espírito de Cristo para conseguir traduzir as palavras de Cristo.

domingo, 10 de junho de 2012

FIQUE ATENTO OS SINAIS ESTÃO ACONTECENDO - O REI ESTÁ VOLTANDO

ACELERA-SE O CUMPRIMENTO DOS SINAIS PROFÉTICOS...

"Já está próximo o fim de todas as coisas..." (1 Pedro 4:7).

Para os estudiosos das profecias bíblicas, não restam dúvidas de que estamos no final dos "últimos dias" descritos na revelação bíblica, sendo que cada dia vai trazendo novas e assustadoras confirmações destes "sinais" anunciados há 2.500 anos atrás, confirmados pelo Messias Jesus há 2 mil anos e revelados novamente ao profeta/apóstolo João  há 1.900 anos na ilha de Patmos.
Quero só compartilhar consigo alguns dos sinais revelados ontem e hoje pela comunicação social (note: só mencionarei notícias chegadas nestes 2 dias) e que nos mostram o quão próximos estamos do fim de todas as coisas:

1 - TERRAMOTOS
"...haverá em vários lugares, grandes terramotos..."
(Lucas 21:11)
Só nas últimas 48 horas registaram-se importantes sismos:
- Terramoto 5.8º em Maule, no Chile, às 12H05 locais.
- Terramoto 5.9º em Fiji
- "O maior evento sísmico alguma vez registado tanto na Inglaterra como na Irlanda" foi registado ontem, e classificado por um sismólogo como "inesperado" e colocando "questões muito interessantes aos geólogos".
O terramoto foi registado com uma magnitude de 4 na escala de Richter, a 60 kms a oeste de Belmullet, e a uma
profundidade de 3 km, às 8H58 locais. Segundo Tom Blake, da Rede Nacional Sísmica Irlandesa (INSN) este foi "o maior sismo local alguma vez registado". Foi também o segundo maior alguma vez registado em toda a Grã-Bretanha e Irlanda.
SINAIS INÉDITOS - Hoje mesmo foi reportado que em MECA, na Arábia Saudita, deu-se um estranhíssimo fenómeno, quando caiu chuva à temperatura mais alta alguma vez registada na História: 45º centígrados, um fenómeno inexplicável quando o índice de humidade do ar registava apenas 18º...

2 - GUERRAS
"E ouvirei de guerras e rumores de guerras...porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino..." (Mateus 24:6,7)
A Rússia tem o maior arsenal de armas nucleares do mundo: 10.000 ogivas!
Segundo o relatório publicado na segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa para a Paz Internacional em Estocolmo, Suécia, a Rússia - que está ajudando o Irão a desenvolver o seu programa nuclear - tem mais ogivas nucleares do que qualquer outro país no mundo.
Segundo o relatório, a Rússia dispõe neste momento de 10.000 ogivas nucleares.
Estima-se em 19.000 o número de ogivas nucleares no mundo inteiro, actualmente na posse de oito países. A lista de países inclui Israel, que o Instituto acredita possuir 80 ogivas nucleares. A política oficial de Israel sobre isto é de "ambiguidade nuclear", mas quase todos assumem que Israel fabricou ogivas atómicas. As estimativas anteriores referiam 200.
Os Estados Unidos têm o segundo maior arsenal, com 8 mil ogivas. Ambas as super-potências possuem 90 por cento de todas as ramas nucleares. A França deverá ter 300, a China umas 240, a Grã-Bretanha 225 e a Índia e o Paquistão deverão ter umas 100 cada.

3 - EUROPA A CAMINHO DO ANTICRISTO
"E eu vi subir do mar (Mediterrâneo) uma besta que tinha 7 cabeças e 10 chifres..." (Apocalipse 13:1)
"E, quanto às dez pontas (chifres), daquele mesmo reino (o 4º reino, o império romano revivificado) se levantarão 10 reis; e depois deles se levantará outro (o Anticristo), o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis."
(Daniel 7:24)

MERKEL PROMOVE FORMAÇÃO DO IMPÉRIO DO ANTICRISTO
As declarações da "dona" da Europa, a alemã Angela Merkel, proferidas ontem de manhã, não deixam dúvidas de que o que ela e outros líderes europeus pretendem é uma Europa formada por alguns países ("reinos") que vão no pelotão da frente, e os outros seguindo na retaguarda. É a chamada "Europa a duas velocidades".
Mas o pior é que será uma Europa cada vez mais centralizada e com poderes económicos e políticos subordinados a um poder único. Eis as preocupantes afirmações de Merkel a escassas semanas da próxima cimeira europeia, que poderá marcar o destino profético da Europa:
"Necessitamos não só de uma união monetária, mas também de uma união fiscal, de uma política orçamental comum" - referiu a chanceler ao canal público ARD, considerando que o mais importante é a Europa avançar para uma união política: "...o que quer dizer que, passo a passo, dever-se-á dar mais poderes à Europa e também possibilidades de controlo (à Europa)."
Este é mais um avanço para a formação do "império da besta" (anticristo) sediado no antigo império romano revivificado (não é de estranhar que a União Europeia tenha nascido em Roma...) com 10 nações encabeçando o pelotão da frente, comandado pelo "super-homem", o Anti-Cristo, prestes a se manifestar...

4 - DECADÊNCIA MORAL E PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS: A CAMINHO DA GRANDE TRIBULAÇÃO
"Então vos hão-de entregar para serdes atormentados..." (Mateus 24:9)
Uma decisão do juiz Tim Garcia, do tribunal do Novo México, EUA, diz que os estados americanos podem obrigar os cristãos a violarem a sua fé para a realização de negócios. Esta decisão incluiu ainda uma multa de quase 7 mil dólares a um fotógrafo que se recusou a fotografar uma cerimónia de "compromisso" entre duas lésbicas, num estado em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é (ainda) ilegal.
Os juízes Cynthia Fry e James Wechsler  juntaram-se à condenação do tribunal, apoiando Garcia, e que envolveu a empresa "Elane Photography", cujos proprietários Elaine e Jonathan Huegeunin, são cristãos e recusaram-se a tirar fotos às 2 lésbicas.

5 - ISRAEL NO FINAL DOS TEMPOS
"E removerei o cativeiro do Meu povo Israel, e reedificarão as cidades assoladas e nelas habitarão..." (Amós 9:14)
O ministério israelita para a construção e alojamento anunciou ontem planos para mais 851 novas habitações para a Judeia e Samaria.
Este anúncio seguiu-se à recente votação no parlamento a favor do desmantelamento do aldeamento de Ulpana Hill, em Betel.
O ministro Ariel Atias informou ontem à noite que em adição às 300 unidades habitacionais prometidas para Betel em troca da recolocação de 5 edifícios de apartamentos que alojavam 30 famílias, ele iria aprovar mais 551 em Ariel, Maale Adumin, Adam, Efrata e Kiryat Arba.
E, como sempre acontece, este anúncio já está a trazer a condenação internacional (França e ONU), algo a que Israel - um país soberano a construir na sua própria terra - já está sobejamente habituado...

6 - O "DESPOJO" QUE LEVARÀ Á À INVASÃO DE ISRAEL PELA CONFEDERAÇÃO DE NAÇÕES COMANDADA POR GOG (RÚSSIA)
"Subirás (Gog), virás como uma tempestade...tu e todas as tuas tropas e muitos povos contigo...afim de tomar o despojo, e de arrebatar a presa, e tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se habitam e contra o povo que se ajuntou dentre as nações, o qual tem gado e possessões e habita no meio da terra." (Ezequiel 38:9, 12)
Israel descobre outro gigantesco jazigo de petróleo e gás natural ao largo da costa do Mediterrâneo.
Uma companhia de energia israelita anunciou no passado Domingo ter descoberto um jazigo ao largo da sua costa que poderá ultrapassar as descobertas anteriores em termos de possibilidades de desenvolver petróleo para fins comerciais.
A "Israel Opportunity Energy Resources LP" anunciou que as suas licenças Pelagic indicavam uma quantidade de 6,7 triliões de pés cúbicos (TCF) de gás e 1,4 biliões de barris de petróleo.
Segundo o chairman da empresa, "A quantidade de gás descoberto nas licenças, e as altas probabilidades fazem desta a terceira maior descoberta na costa marítima até hoje."
E acrescentou: "Esta quantidade garante o futuro energético de Israel por décadas, tornando até possível a Israel exportar gás e incrementar as receitas do estado sem ter de se preocupar com reservas de gás para o consumo doméstico."
É minha convicção que a existência de petróleo nas profundezas de Israel está profetizada há cerca de 4 mil anos atrás (Génesis 49:25), quando Jacob abençoa o seu filho José com estas palavras: "...pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo, que está debaixo..."
Que outra "bênção do abismo que está debaixo", senão a riqueza do petróleo?

Todos estes sinais em escassos dias podem ser algo de impressionante para muitos. Contudo, ao olharmos para o relógio profético de Deus reconheceremos que nada disto é surpreendente, uma vez que nos aproximamos velozmente do Grande Dia!
A questão que permanece é esta: estaremos nós preparados?
Para os seguidores (discípulos) do Messias Yeshua, estes são sinais animadores e confortantes: "Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima, e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima." (Lucas 21:28)
Mas, para os que se mantêm na sua arrogância, indiferença ou religiosidade, estes são sinais indicadores da necessidade urgente de se prepararem para a Vinda do Rei, através do arrependimento e confissão dos pecados directamente a Ele, contando com a Sua inesgotável misericórdia, de outra forma ficarão para sempre condenados: "E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos (os políticos), os poderosos e todo o servo e todo o livre se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas e diziam aos montes e aos rochedos: 'Caí sobre nós e escondei-nos do rosto d'Aquele que está assentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque é vindo o grande Dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?'" (Apocalipse 6:15-17)
A grande questão é: de que lado Você está? Se está no lado errado, volte-se agora mesmo para Deus!
Estarei ao seu dispôr para o/a judar a tomar essa tão crucial decisão: é na verdade uma decisão de vida ou morte! O destino eterno da nossa vida é determinado enquanto estamos deste lado, por isso não há meio-termo nesta questão...
Contacte-me, se assim o entender, para o meu e-mail pessoal:
Deus o/a abençoe!
Shalom!
 
Extreído do site: http://shalom-israel-shalom.blogspot.com.br/

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O MISTÉRIO DO ESPÍRITO


Capítulo VII
O ministério do Espírito – parte 4
O Espírito nas reuniões da Igreja

A partir do dia de Pentecostes, o Espírito Santo ocupa uma posição inteiramente nova. Toda a administração dos assuntos da Igreja de Cristo, desde aquele dia, foi delegada a Ele... ofício que Ele exercerá soberanamente, de acordo com as necessidades que surgirem. Há somente um outro grande evento para o qual as Escrituras nos ordenam que olhemos, a segunda vinda do Senhor. Até lá, vivemos na era de Pentecostes, e sob o governo do Espírito Santo. — James Elder Cumming, D. D.

2. O Espírito Santo na adoração e nas reuniões da igreja.

O Espírito Santo nas missões da igreja.

Nos Evangelhos, que contêm a história da vida terrena de Cristo, encontramos o registro da Grande Comissão: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações”. No livro dos Atos dos Apóstolos, que registra a história da vida do Espírito, encontramos a promessa da vinda do Executor dessa Comissão: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Em nenhum outro lugar se vê tão distintamente a mão do Espírito na origem e superintendência das missões. O campo é o mundo, o semeador é o discípulo, e a semente é a Palavra. O mundo só pode ser alcançado por meio do Espírito — “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado”; o semeador recebe poder unicamente pelo Espírito — “recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”; e a semente só é produtiva pela vivificação do Espírito — “o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.8). Na história das missões primitivas, como está registrado em Atos 13, vemos como cada passo da tarefa se originou e foi dirigida pelo Espírito Santo. Observamos o seguinte:

(1) A seleção dos missionários: “disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (13.2).
(2) O envio deles ao campo: “Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia” (13.4).
(3) A capacitação para falar: “Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse” (13.9).
(4) O conforto na perseguição: “Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo” (13.52).
(5) A colocação do selo de Deus sobre o ministério deles entre os gentios: “Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera” (15.8).
(6) A deliberação em assuntos difíceis relacionados à política missionária: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (15.28).
(7) O Espírito proibiu os missionários de entrar em determinados campos: “E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu” (16.6,7).

É impressionante o registro da direção sempre presente, infalível e minuciosa do Espírito Santo em todos os passos dessa tarefa divinamente ordenada. Alguém pode dizer que isso foi nos tempos apostólicos. Sim, mas a promessa referente ao Espírito é que Ele estaria conosco “para sempre”. Até a consumação dos séculos Ele estará aqui, exercendo o Seu ministério, empenhado na responsabilidade de executar a preciosa obra do nosso Senhor glorificado. Quem pode dizer que em nossos dias não se faz necessário um retorno aos métodos primitivos e uma restauração dos primitivos dons da igreja? A única restrição do Espírito Santo se encontra em nós; não há restrição nenhuma nEle mesmo. Se a igreja tivesse fé para apoiar-se menos na sabedoria humana, para confiar menos em métodos mesmo que sejam sábios, para ministrar menos baseada em regras mecânicas, e para reconhecer uma vez mais o grande fato que, sendo-lhe confiada uma obra sobrenatural, ela tem à disposição um poder sobrenatural, quem poderia duvidar que nossa maquinaria missionária — ruidosamente emperrada e movendo-se com dificuldade — poderia ser amplamente reduzida, e se tornar bem mais visível a manifestação do Espírito?

O Espírito Santo e Missões
Andrew Murray

Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres (...). E, servindo eles ao Senhor ejejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram.Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.
Atos 13:1-4

Já foi dito que os Atos dos Apóstolos bem poderiam ser chamados os Atos do Senhor Exaltado ou os Atos do Espírito Santo. A promessa de Cristo ao partir: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:8) é sem dúvida uma daquelas palavras-semente na qual está contida o reino dos céus no poder de um infinito crescimento, com a certeza de sua manifestação e a profecia de seu cumprimento. No livro de Atos vemos traçado o caminho pelo qual a promessa recebeu seu cumprimento inicial, na jornada de Jerusalem para Roma. Ele nos dá o divino relato da vinda, habitação e obra do Espírito Santo como o poder dado aos discípulos de Cristo para serem testemunhas Dele perante judeus e pagãos, e do triunfo do nome de Cristo em Antioquia e Roma como os centros para a conquista das partes mais remotas da terra. O livro revela, como que com uma luz celestial, que o único propósito e objetivo da descida do Espírito de nosso Senhor glorificado dos céus para os discípulos – para revelar neles Sua presença, Seu governo e Seu poder – era equipá-los para serem Suas testemunhas até as partes mais longínquas da terra. Missões para alcançar os perdidos são o objetivo máximo do Espírito.
Na passagem que tomamos por texto, temos o primeiro relato de que parte da igreja é chamada para se encarregar da obra das missões. Na pregação de Filipe em Samaria e de Pedro em Cesaréia temos o exemplo de homens exercendo individualmente sua função de ministros, sob a liderança do Espírito, entre aqueles que não eram judeus. Na pregação dos homens de Chipre e Cirene aos gregos em Antioquia temos o instinto divino do Espírito do amor e da vida levando homens a abrir novos caminhos onde os líderes da igreja ainda não haviam ido. Mas esta condução do Espírito em separar indivíduos específicos estava para se tornar agora parte da organização da igreja, e toda a comunidade de crentes deveria ser ensinada a fazer sua parte na obra para a qual o Espírito veio especificamente à terra. Se Atos 2 é importante para nos mostrar a capacitação da igreja para sua obra em Jerusalém, Atos 13 é de não menos importância no que se refere à igreja ser separada para a obra das missões. Não podemos agradecer suficientemente a Deus pelo aumento do interesse em missões nos nossos dias. Se desejamos que nosso interesse seja permanente e pessoal, se queremos que ele seja expresso em amor e devoção entusiasmados ao nosso bendito Senhor e aos perdidos que Ele veio salvar, e se almejamos que ele seja frutífero em elevar a obra da igreja ao verdadeiro nível de poder do Pentecostes, devemos aprender a lição de Antioquia. A obra missionária deve ter sua iniciativa e poder no reconhecimento direto e distinto da liderança do Espírito Santo.
Diz-se freqüentemente que a verdadeira obra missionária sempre nasce de um avivamento da espiritualidade da igreja. A obra de despertamento do Espírito Santo nos encoraja à nova devoção ao bendito Senhor a quem Ele revela e à dedicação aos perdidos por quem Ele morreu. É em tal condição do coração e da mente que o anseio do Espírito é ouvido. Assim foi em Antioquia. Havia certos profetas e mestres ali que passavam parte de seu tempo ministrando ao Senhor em jejum e oração. Ao serviço público a Deus na igreja eles combinaram um espírito de separação do mundo. Eles sentiram a necessidade de comunhão íntima e contínua enquanto esperavam pelas Suas ordens dos céus. Eles acreditaram que o Espírito que habitava neles não poderia ter livre e pleno governo a menos que mantivessem direta comunhão com Ele. Estes eram seu estado mental e seus hábitos de vida quando o Espírito Santo lhes revelou que Ele havia chamado dois deles para um ministério especial e pediu-lhes que os separassem, na presença de toda a igreja, para esta obra.
A lei do reino não mudou. Ainda é o Espírito Santo quem está encarregado de todo o trabalho missionário. Ele revelará Sua vontade na designação de tarefas e na seleção daqueles que estão esperando no Senhor. Uma vez que o Espírito Santo, em qualquer tempo, ensina homens de fé e oração a levar a cabo Sua obra, torna-se mais provável que outros, admirando e aprovando o que estes fazem, vejam a harmonia da conduta deles com com a Escritura e desejem seguir seu exemplo. Ainda assim, o verdadeiro poder da liderança  e da obra do Espírito, bom como o amor e devoção pessoais a Jesus como Senhor podem estar presentes apenas em um pequeno nível. É porque tanto do interesse na causa missionária é devido a isso que, muitas vezes, há dificuldade em convencer seus cooperadores de sua genuína necessidade e validade. O mandamento do Senhor é conhecido da forma em que é registrado na Bíblia; a viva voz do Espírito, que revela o Senhor em viva presença e poder, nem sempre é ouvida. Não é suficiente que os crentes sejam incitados e encorajados a ter mais interesse em missões, a orar ou colaborar mais financeiramente. Há uma necessidade mais urgente. Na vida do indivíduo, a habitação do Espírito Santo e a presença e governo do Senhor da glória que Ele preserva devem novamente se tornar o objetivo primeiro da vida cristã. Na comunhão de igreja devemos aprender a esperar mais diligentemente pela liderança do Espírito na seleção dos obreiros e dos campos de trabalho e no despertamento do interesse e busca por suporte. A missão que se origina em oração e espera no Espírito pode esperar por Seu poder.
Que ninguém imagine que quando falamos dessa maneira pretendemos desviar os crentes dos aspectos práticos da obra que deve ser feita. Há muita coisa que necessita de cooperação e diligência para que se realize uma obra em outro país ou mesmo em outra cidade. A informação deve circular, pessoas devem ser recrutadas, fundos devem ser levantados, oração suficiente deve ser feita e diretores devem se reunir, consultar e decidir. Tudo isso é necessário. Mas só será bem feito, e feito como um serviço agradável ao Mestre, na medida em que é feito no poder do Espírito Santo. O Espírito chamou a igreja para ter mente missionária, inspirar e capacitar os discípulos de Cristo para espalhar o evangelho aos ocnfins da terra.
A origem, o progresso, o sucesso das missões são Dele. É Ele quem desperta nos corações dos crentes o zelo pela honra do Senhor, a compaixão pelas almas dos perdidos, a fé em Suas promessas, a obediência voluntária aos Seus mandamentos, pelos quais um ministro cresce e é bem sucedido. É Ele quem planeja um esforço conjunto, que chama obreiros para enviá-los, que abre as portas e prepara os corações daqueles que irão ouvir a Palavra. É Ele que minuciosamente abençoa a colheita, e nos lugares em que o poder de Satanás está estabelecido, se reúne aos redimidos do Senhor para destruir as fortalezas. As missões são a obra especial do Espírito Santo. Ninguém pode esperar ser cheio do Espírito se não deseja ser usado de alguma forma na colheita. E ninguém que deseja trabalhar ou orar pelas missões precisa temer sua prórpia fraqueza ou pobreza. O Espírito Santo é o poder que é capaz de equipá-lo para tomar seu lugar divinamente designado na obra do evangelho. Que todos os que oram pelas missões, que anseiam por um maior espírito missionário na igreja, orem primeiro para que em cada um que delas toma parte, o poder do Espírito de habitação possa ter plena influência e controle.
O envio de obreiros é igualmente a obra da igreja e do Espírito. Esse é o ponto comum. Mas há alguns que são enviados pelo Espírito somente, de entre a oposição ou indiferença da igreja. Contrariamente, alguns vão sob a tutela da igreja sem a bênção e sanção do Espírito Santo. Bem-aventurada é a igreja cujos esforços missionários são originados no Espírito, onde Lhe é permitido liderar, guiar e enviar. Após dez dias orando e esperando na terra, o Espírito desceu em fogo: este foi o nascimento da igreja em Jerusalém. Após ministrar e jejuar, esperar e orar, o Espírito enviou a Barnabé e a Saulo: esta foi, em Antioquia, a consagração da igreja como igreja missionária.
Eu diria para qualquer missionário que esteja lendo este texto em sua casa longe de casa: “eu o encorajo, irmão ou irmã! O Espírito Santo, qué o poder de Deus, que é a presença de Jesus dentro de você, está com você, em você e é por você. A obra é Dele: dependa Dele, renda-se a Ele, espere Nele; a obra é Dele e Ele a cumprirá.
Para todos os crentes, sejam diretores de missões, cooperadores em oração, contribuidores financeiros, ou de qualquer outra maneira obreiros que apressam a vinda do reino, “sejam encorajados”. Do tempo de espera e do recebimento do batismo do Espírito, os discípulos prosseguiram até atingir Antioquia. Lá eles esperaram, oraram, jejuaram, e então seguiram para Roma e as regiões ao redor. Que nós aprendamos o segredo de poder desses nossos irmãos. Convidemos todos os crentes que se interessam por missões a virem conosco e serem cheios do Espírito, cuja obra é a obra de missões. Levantemos claro testemunho de que a necessidade da igreja e do mundo é um grupo de crentes que podem testificar de um Cristo interior que neles habita pelo Espírito e que provem que Seu poder é operoso. Reunamo-nos na antecâmara da presença do Rei – a espera em Jerusalém, o ministério e jejum em Antioquia. O Espírito ainda vem da maneira que vinha nessa época. Ele ainda se move e envia; Ele ainda é poderoso para convencer de pecado e revelar a Jesus Cristo e trazer multidões a Seus pés. Ele espera por nós: esperemos Nele e estejamos prontos para receber Seu chamado.
        

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O ministério do Espírito – parte 2


Capítulo VII

O Espírito nas reuniões da Igreja

A partir do dia de Pentecostes, o Espírito Santo ocupa uma posição inteiramente nova. Toda a administração dos assuntos da Igreja de Cristo, desde aquele dia, foi delegada a Ele... ofício que Ele exercerá soberanamente, de acordo com as necessidades que surgirem. Há somente um outro grande evento para o qual as Escrituras nos ordenam que olhemos, a segunda vinda do Senhor. Até lá, vivemos na era de Pentecostes, e sob o governo do Espírito Santo. — James Elder Cumming, D. D.

2. O Espírito Santo na adoração e nas reuniões da igreja.

Haverá alguma coisa que somos chamados a fazer, da mais elevada à mais simples, em relação à casa de Deus, da qual o Espírito Santo não é o agente nomeado? É verdade que os crentes são os instrumentos pelos quais Ele age; mas eles não têm função nenhuma à parte da inspiração e da direção dEle. Para tornar isso claro, vamos considerar as várias partes das reuniões da igreja como normalmente são conduzidas, reparando a ligação que têm com o seu divino Ministro.
(1)  A pregação - é, por consentimento geral, um importante fator da obra do ministério, tanto do pastor como do evangelista. Em que consiste a sua inspiração e autoridade? Pedro expõe de forma simples o método apostólico: (1 Pe 1.12).

“pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho”

O verdadeiro pregador não é o que usa o Espírito Santo, mas é aquele que é usado pelo Espírito. Ele fala como alguém que se move no elemento e na atmosfera do Espírito Santo, e que é controlado pelo Seu divino poder.
É nesse aspecto que o sermão se diferencia infinitamente do discurso, e o pregador, do orador. Paulo enfatiza claramente esse contraste na carta aos coríntios. O único assunto da sua pregação, diz ele, era “Jesus Cristo e este crucificado”, e a única inspiração da sua pregação, o Espírito Santo: (1 Co 2.4).

“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder”

O que quis dizer Philip Henry, quando resolveu “pregar Cristo crucificado de forma crucificada”? Possivelmente mais do que ele pensou ou sabia. Ele “dará testemunho de mim”, é o que Jesus diz a respeito do Paráclito prometido. O Consolador dá testemunho dAquele que foi crucificado. Nenhum outro assunto no púlpito tem assegurada a Sua cooperação. Filosofia, poesia, arte, literatura, sociologia, ética e história são assuntos que atraem a atenção de muita gente, e aqueles que lidam com esses temas no púlpito podem até apresentá-los com palavras atraentes da genialidade humana; mas não há garantia de que o Espírito Santo dê o aval do Seu testemunho a essa apresentação. A pregação da Cruz possui a garantia da demonstração do Espírito, como não o tem nenhum discurso secular, ou moral, ou mesmo religioso. Quando Paulo escreve aos tessalonicenses: (1 Ts 1.5),

“o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção”

Precisamos lembrar que “nosso evangelho” significava uma única coisa para Paulo, a apresentação de Jesus Cristo crucificado no meio do povo. Se virmos isso, teremos encontrado o segredo do poder do Evangelho. Não deverá ser, então, essa a suprema questão do pregador, os assuntos que com certeza garantem o testemunho do Espírito Santo, em vez dos assuntos que atraem a atenção do povo? Coloquemos lado a lado o pregador popular e o pregador apostólico, e avaliemos qual recompensa queremos escolher: admiração geral do povo, ou o testemunho de Deus, “por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade” (Hb 2.4)? O sermão aprovado com aplausos e aclamações, ou a Palavra recebida “com alegria do Espírito Santo” (1 Ts 1.6)? Admiração pelo pregador por parte de todos os que ouviram o discurso, ou cair “o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra” (At 10.44)? Não há palavras que descrevam a gravidade do assunto que estamos ventilando. A presente geração está rapidamente perdendo a compreensão do sobrenatural; como conseqüência disso, o púlpito está rapidamente descendo ao nível da plataforma do discurso. E cremos que esse declínio deve-se, mais do que a qualquer outra coisa, à desconsideração do Espírito Santo como o supremo inspirador da pregação. Queremos ver um grande orador no púlpito, esquecendo-nos que o menor expositor da Palavra, quando cheio do Espírito Santo, é maior do que ele. Com certeza, queremos o evangelho; mas na tenaz tentativa de que seja apresentado de acordo com o “espírito desta era”, desconsideramos a supremacia do “Espírito de Deus”. E o método do discurso logo se impõe nesse assunto. Não há como manter por muito tempo a verdade no púlpito depois que perdemos ali “o Espírito da verdade”. Vinet diz: “Aquele que não possui a totalidade da vida também não possui a verdade por completo”.
Em tudo que dissemos, não estamos desconsiderando o elemento humano na pregação, nem subestimando o estudo e o treinamento mental santificado como preparação desse nobre ofício. Estamos unicamente destacando o extremo perigo de considerar como principal aquilo que Deus fez inferior. O Espírito Santo é quem ergue o pregador muito acima do homem extremamente capacitado. O pregador que levou com um só sermão três mil pessoas à fé no Cristo crucificado, respondeu por antecipação a pergunta daqueles que, reparando apenas na elaboração humana do seu sermão, talvez perguntem qual foi o segredo do seu poder. Ele revela o segredo numa simples e curta frase:

“pelo Espírito Santo enviado do céu”.

(2)  A oração - é um dos elementos mais vitais da adoração na igreja de Deus. “Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos”. Jesus satisfez literalmente esse pedido dos Seus discípulos. Assim como João, sob a lei, podia somente dar regras e noções, por não haver ainda chegado a dispensação da graça e do Espírito, assim Jesus lhes deu um modelo de oração, uma lição sobre a “técnica de adoração”. Mas é somente quando chega à noite anterior à Sua morte, quando anuncia a chegada do Consolador, que Ele introduz os discípulos ao coração e ao mistério do grande assunto, ensinando-os a orar como João não podia ter ensinado aos seus discípulos. “Até agora nada tendes pedido em meu nome”, disse Jesus em Seu discurso pascal. Mas agora que Ele estava prestes a começar o Seu ofício mediatório à direita de Deus, e prestes a enviar o Consolador para os Seus discípulos, Ele podia conceder esse alegre privilégio: (Jo 16.23).

“se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” [1] Essa expressão equivale a dizer “em mim”.

É evidente que não significa usar o nome de Jesus como uma senha ou como amuleto, mas é participar da Sua pessoa e adequar-se à vontade dEle; de forma que quando oramos será como se o próprio Jesus estivesse na presença de Deus intercedendo. Nem é “como se” — é o próprio fato. Somos identificados com Cristo por meio do Espírito que foi enviado, e a Sua vontade é forjada dentro de nós pelo Espírito Santo, de tal forma que pedir a Ele aquilo que desejamos é pedir aquilo que Ele deseja para nós. Ficamos cheios da Sua vontade porque somos inspirados pelo Seu Espírito, que vive e sussurra dentro de nós. É por isso que podemos saber que somos sempre ouvidos, uma vez que estamos nAquele que pode dizer com toda ousadia ao Pai: “Eu bem sei que sempre me ouves”. É a mediação de Cristo para com o Pai, e a mediação do Espírito Santo para conosco, que nos dá o alto privilégio de orar em nome de Jesus, como está escrito:

“porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito”.

Por isso, quando lemos mais tarde, nas epístolas, onde a doutrina é exposta mais plenamente, “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito” (Ef 6.18), e “orando no Espírito Santo” (Jd 20), entendemos que essas são simplesmente admoestações para usar o privilégio de pedir em nome de Jesus. Pois estar no Espírito é estar em Cristo, unido à Sua pessoa, identificado com a Sua vontade, revestido da Sua justiça, de forma que estamos diante do Pai como se fosse o próprio Senhor Jesus.
Em Romanos 8, onde encontramos a mais completa exposição da doutrina do Espírito, vemos claramente que o ministério do Consolador consiste em operar em nós aquilo que Cristo realiza por nós no trono. Isso é especialmente verdade com respeito à oração. Na Epístola aos Hebreus, lemos: (Hb 7.25).

“Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”

Na Epístola aos Romanos, lemos: (Rm 8.26,27).

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos”

Essas passagens, lidas em conjunto, claramente mostram o Espírito fazendo em nós a mesma coisa que Cristo está fazendo no céu por nós. E, além disso, elas nos revelam o método usado pelo Cristo glorificado para ajudar aqueles que não sabem como orar quando devem orar, ensinando-os, não por meio de um método exterior, mas pela direção interior. De fato, a oração inspirada pelo Espírito Santo muitas vezes é tão profunda que não pode ser expressa em palavras comuns, mas chegam aos ouvidos do Pai unicamente em suspiros sem palavras, em gemidos inexprimíveis (oh, Senhor). A tônica de toda intercessão verdadeira é a vontade de Deus. Na oração dos discípulos, como o Senhor lhes ensinou, ouve-se distintamente essa nota: “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. Na oração que o Salvador fez no Getsêmani, ouve-se outra vez essa nota, quando com forte clamor e lágrimas o Filho de Deus exclama: “não seja como eu quero, e sim como tu queres”. E na revelação da doutrina da oração por meio de um apóstolo inspirado lemos: “se lhe pedirmos alguma coisa conforme a sua vontade, ele nos ouve”. A mais profunda obra do Espírito Santo no crente é harmonizar a sua mente a essa elevada nota, uma vez que “segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos”. Há uma promessa que todos os discípulos gostam de citar quando querem segurança nas orações: (Mt 18.19).

“Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus”

A palavra traduzida como “concordarem” é muito significativa. É a palavra grega “sumfwnhswsin”, de onde vem nossa palavra “sinfonia”. Se dois estão de acordo ou estão em sinfonia quanto ao que pedem, eles têm a promessa de que serão atendidos. Mas, da mesma forma que todas as notas de um órgão precisam estar ajustadas ao diapasão, senão se torna impossível a harmonia, assim também acontece com a oração. Não basta que dois discípulos concordem um com o outro; eles precisam estar em harmonia com a terceira Pessoa — o justo e santo Senhor — para que possam concordar em intercessão no verdadeiro sentido bíblico. É possível haver concordância em assuntos inteiramente pecaminosos, em total discordância da vontade de Deus, como se vê na pergunta de Pedro a Safira, esposa de Ananias: (At 5.9).

“Por que entrastes em acordo [sunefwnhyh – a mesma palavra] para tentar o Espírito do Senhor?”

Ali havia mútuo acordo, mas flagrante desacordo com o Espírito Santo. Ao contrário do que aconteceu nesse incidente, é o ministério do Espírito Santo harmonizar a nossa vontade com a de Deus; e é somente assim que se pode orar no Espírito.
Por essa razão, não é possível dar ênfase demasiada ao ministério do Espírito na direção do culto na casa de Deus. Usar formas litúrgicas é recair no legalismo, é consentir em ser ensinado a orar “como João ensinou aos seus discípulos”. É verdade que pode haver formas improvisadas bem como formas escritas, orações decoradas bem como orações lidas num livro. A esses hábitos nós contrapomos o mais elevado ensino do Espírito, que é privilégio da atual dispensação, na qual o Pai procura adoradores que o adorem “em Espírito e em verdade”. Orar de forma correta é a mais alta das realizações. E isso é assim porque o segredo se encontra entre estes dois opostos: um espírito intensamente ativo e ao mesmo tempo intensamente passivo (submisso); um coração que prevalece diante de Deus porque foi conquistado por Deus. Vemos isso na oração de um grande santo:

“Ó Senhor! Meu espírito, esta manhã, era como uma harpa, produzindo música diante de Ti, porque Tu primeiro afinaste o instrumento pelo Espírito Santo, e então escolheste o salmo de louvor que devia ser tocado nele”.

São extremamente solenes e sugestivas as palavras do Senhor Jesus: “são estes que o Pai procura para seus adoradores”. Em meio a toda repetição de formas e monotonia das liturgias, quão intensamente o Altíssimo procura aquele que O adora em espírito, com um coração contrito diante de Deus, com um espírito tão sensível às operações secretas do Espírito Santo que, quando os lábios falam, o fazem expressando a oração eficaz que pode muito em seus efeitos!
Se alguém argumentar que aquilo que estamos dizendo é elevado demais para ser prático, talvez seja bom confirmar nossa posição com o testemunho da experiência. As coisas que dissemos não se referem especificamente às orações feitas no púlpito. O sacerdócio universal dos crentes, tão claramente ensinado pelas Escrituras, constitui a base da intercessão comum, pois “orar uns pelos outros” é a característica distintiva da dispensação do Espírito Santo. Por isso, a reunião de oração, na qual o corpo todo dos crentes participa, provavelmente se aproxime mais do padrão da adoração dos cristãos primitivos do que qualquer outra atividade que temos como igreja. Se aplicarmos o nosso princípio aqui, então, qual é o método mais satisfatório? Será que o culto deve ser planejado de antemão, uma pessoa escolhida para orar, outra para exortar; e durante o andamento da adoração, deve alguém ser chamado para dirigir as orações, e depois outro em seguida? Em resumo, deve-se planejar a reunião com antecedência e determinar como deve desenvolver-se, conforme se acha conveniente e oportuno? Alguém, depois de muitos anos de experiência, pode dar poderoso testemunho do valor de outro caminho — o caminho de exaltar o ministério do Espírito Santo como o condutor da reunião, e dessa forma restringir a pressão humana na assembléia, para que o Espírito tenha a mais alta liberdade de mover um para orar e outro para dar testemunho, este para cantar e aquele para dizer “amém depois da tua ação de graças”, conforme a Sua própria soberana vontade. (2 Co 3:17) 

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

Aqui não estamos falando de teoria, mas de forma prática, experimental. O fervor e a espiritualidade e a doce naturalidade deste último método tem-se mostrado muito mais do que uma possibilidade, e isso depois de prolongadas tentativas em ambos os caminhos, o primeiro sendo trilhado por desconhecer caminho melhor, em constante esforço e inquietação e aflição, e este último com indizível calma e conforto e refrigério espiritual.

Q             Honremos o Espírito Santo como o Senhor da assembléia;
Q             Apliquemo-nos para conhecer o segredo da entrega a Ele;
Q             Cultivemos um ouvido pronto para ouvir a Sua voz interior e uma língua pronta para dar o Seu testemunho audível;
Q             Sejamos submissos para guardar silêncio quando Ele proíbe, bem como para falar quando Ele ordena, e aprenderemos quão melhor é o caminho de Deus do que o caminho do homem, ao conduzir a adoração da Sua casa[2].

“Continua..........”




[1] Enquanto o Senhor Jesus não tinha sido glorificado, era impossível orar ao Pai em nome dEle. A possibilidade de fazê-lo é um privilégio peculiar à dispensação do Espírito Santo. — Alford.
[2] Seríamos muito beneficiados se prestássemos mais atenção à voz da história cristã em questões como esta. É muito sugestivo o surgimento de seitas como os “Quietistas”, os “Místicos”, os “Amigos”, e os “Irmãos”, que dão ênfase à “voz tranquila” e à “direção interior”. Se nós não avançamos tanto quanto alguns desses avançam na insistência de falar apenas quando são movidos de maneira perceptível pelo Espírito, talvez precisemos ser admoestados quanto à forma rígida, artificial e humana de adoração, que tornou necessário o protesto dessas seitas.