domingo, 6 de janeiro de 2013

A CEIA DAS BODAS DO CORDEIRO





Efésios 5:25-33

Ainda vamos continuar examinando esta extraordinária declaração na qual o principal objetivo do apóstolo é ensinar aos maridos seus deveres para com suas esposas; e ele o faz em termos do relacionamento do Senhor Jesus Cristo com a Igreja. O apóstolo toma ora um assunto ora outro, mas nós decidimos que o melhor procedimento, para melhor compreensão do seu ensino, é tomá-los separadamente. Temos considerado primeiro o que ele diz sobre a relação de Cristo com a Igreja para que, tendo visto essa doutrina em sua inteireza e plenitude, pudéssemos estar em condições de aplicá-la aos maridos em seu relacionamento com suas esposas.
Já consideramos como o nosso Senhor morreu pela Igreja, entregou-Se por ela, e como Ele prossegue a separá-la para Si (santifica-a, põe-na à parte, dedica Sua peculiar afeição a ela) para poder purificá-la e continuar este processo de purificação espiritual.
Há ainda duas expressões por considerar em conexão com este continuado tratamento que o Senhor dá à Igreja. São as duas palavras que se acham no verso 29, onde lemos que:

nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja”.

Paulo não diz que “no passado o Senhor alimentou e sustentou a Igreja”; o propósito é mostrar que Ele continua realizando essa obra. Isto se coaduna inteiramente com o que nos é dito acerca da purificação, que evidentemente é um contínuo processo de santificação. Este alimentar e sustentar também é uma coisa que continua, e não é apenas uma ação realizada uma vez para sempre no passado. Por isso, os que reduzem a uma ação unicamente passada aquilo de que tratamos até o verso 26, parecem-me estar omitindo todo o fio do ensino desta seção. A morte do Senhor Jesus aconteceu uma vez por todas, mas todo o restante tem continui­dade, com este objetivo culminante em vista.
Examinemos, pois, estas três palavras; são muito interessantes. “Antes a alimenta.” Esta expressão explica-se a si mesma. Seu sentido essencial é o de prover alimento, comida, nutrição. Cristo Se preocupa com a saúde, o cresci­mento, o desenvolvimento e o bem-estar da Sua Igreja, pelo que Ele a alimenta. De certo modo, o apóstolo tratou deste tema no capítulo 4, onde o expressa nestes termos:

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”.

Para que? “Para aperfeiçoamento dos santos”; para este processo que continua. É algo que pros­segue, “para a obra do ministério, para edificação” - para a construção - “do corpo de Cristo; até que todos cheguemos...” - aí está de novo o objetivo final! Assim, aqui, temos outro modo de dizer a mesma coisa, e é maravilhoso compreendermos, como membros da Igreja cristã, que o Senhor alimenta dessa maneira a vida da Igreja.
É uma expressão do Seu amor e do Seu cuidado por nós, suprindo-nos do alimento espiritual de que necessitamos. A Bíblia é dada por Deus, pelo Senhor Jesus Cristo, mediante o Espírito, como alimento para a alma. É uma parte da nutrição que Ele nos dá. E todo o ministério da Igreja, como no-lo recorda o capítulo 4, é destinado ao mesmo fim. Noutras palavras, não há escusa para a Igreja quando ela é ignorante ou subdesenvolvida ou fraca ou marasmática. Igualmente não há escusa para nenhum cristão individual. O próprio Senhor Jesus nos alimenta.
Pedro, em sua segunda epístola, diz-nos que o Senhor “nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade” (1:3). É isso que torna grave a situação do cristão queixoso. Nunca poderemos pleitear a escusa de que não houve alimento suficiente porque estávamos num deserto. O alimento está disponível, o “maná celestial” (Jo 6:31-32, 49-51) é fornecido; tudo que se pode necessitar está aí, na Bíblia. Aí está o alimento concentrado, não adulterado, como o mesmo Pedro o expõe em sua primeira epístola, no capítulo 2:

o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”.

O Senhor o providenciou. Esta é uma coisa magnífica, para nossa ponderação - que o Senhor está alimentando a Igreja. O marido, em seu cuidado pela esposa, trabalha para providenciar alimento e tudo de que ela necessite. Os pais que cuidam dos seus filhos têm para estes o alimento certo, e abundante, na hora certa. Que preocupação demonstram eles neste aspecto! O Senhor está fazendo isso por nós de maneira infinitamente mais grandiosa.
Como estamos reagindo a isso? Damo-nos conta de que Ele nos está alimentando? Uma parte do Seu cuidado consiste em prover atos de culto público. O culto público não é uma instituição humana, uma invenção do homem. Não é uma coisa dirigida como uma instituição; e as pessoas não vêm à casa de Deus - pelo menos não devem vir - por uma questão de dever. Devem vir porque compreendem que não poderão crescer se não vierem. Vêm para alimentar-se, para encontrar alimento para a alma. O Senhor o providenciou. Deus sabe que eu não vou ao púlpito só porque resolvo ir. Não fora pela vocação do Senhor, eu não o faria. Tudo que fiz foi resistir a essa vocação. Este é o Seu método. Ele chama homens, separa-os, dá-lhes a mensagem, e o Espírito está presente para dar iluminação. Tudo isso faz parte do método pelo qual o Senhor alimenta a Igreja.
Tomemos em seguida a palavra “sustenta” (“dela cuida”). Esta palavra é empregada somente duas vezes no Novo Testamento. É uma palavra que comunica uma idéia bem definida, geralmente a de vestir. É disso que a noiva, a esposa, necessita. Essas são as duas primeiras coisas em que você pensa - o alimento e o vestuário. Mas o termo transmite mais uma idéia, a saber, a de cuidar de, olhar por, proteger. É expressão de solicitude. Quando você alimenta e sustenta uma pessoa, você mostra, com uma vigilância constante, um cuidado e um anelante desejo de que ela floresça, desenvolva-se e cresça (a nossa esposa). Essas são as idéias dadas pelo termo “sustenta” (“cuida”), acrescen­tado ao termo “alimenta”.
Nosso maior problema é que não temos uma verdadeira concepção do interesse do Senhor por nós e do Seu zelo por nós. Essa é a nossa carência fundamental - não conhecemos o Seu amor. Muitas vezes as pessoas se preocupam, e naturalmente com razão, com o seu amor a Ele; mas eu e você nunca O amaremos, enquanto não começarmos a conhecer alguma coisa do Seu amor por nós. Você pode produzir excitação ou alguma coisa carnal, mas não pode produzir amor. No caso da Igreja, o amor é sempre uma resposta, uma reação: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4:19). Somos incapazes, até que, subitamente, Ele irradia sobre nós os fulgentes raios do Seu amor; e quando nos damos conta disso, começamos a amar. E chegamos a dar-nos conta disso mediante este modo muito prático de entender algo do que Ele fez por nós, e do que Ele provê para nós, alimentando-nos e sustentando-nos, cuidando de nós. Quanto mais enxergarmos isso, e nos dermos conta disso, mais maravilhados ficaremos, e mais O amaremos, em resposta ao Seu amor.
Não devemos deter-nos em Sua obra por nós na cruz. Começamos aí, mas vemos que, tendo terminado essa obra, Ele prossegue e faz toda esta imensa e ampla provisão para nós, e cuida providencialmente de nós, nas coisas que nos sucedem, dirigindo-nos e guiando-nos. De mil e uma maneiras Ele alimenta e sustenta a vida da Igreja, pela qual Ele morreu. Não significa que olvidamos a cruz, ou que voltamos as costas para ela, porém que, em acréscimo, percebemos mais esta obra que Ele realiza por nós.
Por que o Senhor faz tudo isso? Por que morreu pela Igreja? Por que este processo de santificação e purificação? Por que a alimentação e o sustento, o cuidado? Qual o propósito disso tudo? A resposta acha-se na tremenda de­claração do verso 27:

Para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”.

Tudo visa a esse fim. Tudo que estivemos examinando é o objetivo imediato, mas tendo em vista esse objetivo final. Esse é o propósito, essa é a grande finalidade para a qual o Senhor fez e continua fazendo as coisas que estivemos consideran­do.
No entanto, para apanharmos a força total desta expressão, devemos mudar um pouco a tradução. Uma tradução mais fiel é, certamente, esta: “Para ele próprio a apresentar a si mesmo”. Temos que introduzir adicionalmente ali a expressão, “ele próprio”. E a razão do acréscimo é que nos lembra logo que todas as analogias, mesmo as analogias das Escrituras, são inadequadas. São apenas tentativas de oferecer-nos vislumbres do entendimento daquilo que a verdade é realmente. Mas nenhuma ilustração é suficiente. Aqui, o apóstolo está ilustrando esta relação entre Cristo e a Igreja em termos de marido e mulher; e todavia, imediatamente encontramos algo que mostra que a analogia é inadequada, não indo suficientemente longe. Todos sabemos que o procedimento normal é que alguém entregue a noiva ao noivo - o pai, ou um parente, ou um amigo. Ele conduz a noiva até ao noivo, na cerimônia matrimonial. Tendo sido ajudada por outros em todos o seus preparativos - em sua criação e educação, e mesmo em seu vestuário etc. - a noiva é apresentada ao noivo por outra pessoa. Contudo, nesta passagem não é assim. Aqui, o Senhor apresentará Sua noiva a Si mesmo. “Para apresentá-la a si mesmo.”
Este é simplesmente outro modo de salientar aquilo que constitui o grande tema da Bíblia toda - que em sua inteireza a nossa salvação procede do Senhor. É Sua realização. Ele mesmo apresenta Sua noiva a Si mesmo porque ninguém mais pode fazê-lo, ninguém mais é competente para fazê-lo. Somente Ele pode fazê-lo. Ele fez tudo por nós, do princípio ao fim, e concluirá a obra apresentan­do-nos a Si mesmo com toda esta glória aqui descrita.
O quadro que temos diante de nós, portanto, é o de nosso Senhor e Salvador divisando prospectivamente o momento, o dia em que irá apresentar a Igreja a Si mesmo. E como será a Igreja? Será “uma igreja gloriosa” - que significa uma Igreja caracterizada por glória. Aqui está uma expressão com a qual estamos familiarizados, no sentido individual, nas Escrituras. O destino final de cada um de nós, o último evento da nossa salvação individual é a glorificação - justificação, santificação, glorificação. Às vezes a glorificação é descrita como “redenção”, como, por exemplo, na grande declaração de 1 Coríntios, capítulo lº, verso 30:

o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. Isso realmente significa “glorificação”.

Ou, como Paulo o expressa em Romanos 8:30: “aos que justificou, a estes também glorificou”. Esse é o fim. Ou como o temos na Epístola aos Filipenses, no fim do capítulo três:

Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transfor­mará o nosso corpo abatido (ou o corpo da nossa humilhação), para ser conforme o seu corpo glorioso (o corpo da Sua glorificação) segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”.

Isso é para nos acontecer individualmente; mas a Igreja também, em seu conjunto total, haverá de ser glorificada.
É isso que significa a frase “igreja gloriosa”. Ela estará num estado de glória. O apóstolo nos ajuda a entendê-lo, primeiro descrevendo sua aparência externa. Descreve isto em termos de duas negativas. A Igreja, em sua glória, não terá mácula nem ruga. Não haverá nela nem mancha nem desonra. É muito difícil percebermos bem isso. Enquanto a Igreja caminha neste mundo de pecado e vergonha, ela se suja de lama e lodo. Portanto, há manchas e nódoas nela. E é muito difícil livrar-se delas. Todos os medicamentos que conhecemos, todos os produtos de limpeza são incapazes de remover estas manchas e nódoas. A Igreja não é limpa aqui, não é pura; embora esteja sendo purificada, ainda há muitas manchas nela.
Entretanto, quando ela chegar àquele estado de glória e de glorificação, ficará sem uma única mancha; não haverá nódoa alguma nela. Quando Ele a apresentar a Si mesmo, com todos os principados e poderes, e com todas as compactas fileiras de potestades celestes e contemplar esta coisa maravilhosa, a sondá-la e a examiná-la, não haverá nela nenhuma mácula, nenhuma nódoa. O exame mais cuidadoso não será capaz de detectar a menor partícula de indignidade ou de pecado. O apóstolo já introduzira esta idéia no capítulo 3, verso 10, onde ele diz:

Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus”.

Estes principa­dos e potestades estarão olhando para ela; e o Senhor, em Seu gozo, não somente a apresentará a Si mesmo, mas o fará na presença deles. A noiva e o Noivo estarão diante das hostes da eternidade, e Ele solicitará a sua inspeção. Pedirá que a observem, e elas não poderão achar mancha alguma, nem mácula, nem nódoa nenhuma nela - “sem mácula”.
Sim, e graças a Deus, “nem ruga” - “sem mácula, nem ruga”. As rugas, como sabemos, são sinais de velhice, ou de doença, ou de algum tipo de transtorno constitucional. As rugas são um sinal de imperfeição. Quando envelhecemos, desenvolvemos rugas. A gordura desaparece da pele. A enfer­midade também pode privar-nos dessa camada de gordura, e assim fazer-nos parecer prematuramente velhos. Não importa qual seja a causa - qualquer espécie de aflição ou de ansiedade leva às rugas. É sinal de fadiga e de decadência, de idade avançada e de bancarrota. Neste mundo a Igreja tem muitas rugas; parece idosa, velha. Contudo, graças a Deus, diz o apóstolo Paulo, quando chegar o grande dia em que Cristo vai apresentar a Igreja a Si mesmo em toda a sua glória, não somente não haverá nela mácula nenhuma; também não haverá nenhuma ruga. Tudo será apagado e alisado, sua pele será perfeita, cheia e bem formada. É impossível descrever esta perfeição. A idéia toda é, num sentido, sugerida no Salmo 110, onde ao salmista, numa prospectiva profética, é propiciado um vislumbre deste estado de perfeição: “O teu povo”, diz ele no versículo três:

se apresentará voluntariamente no dia do teu poder, com santos ornamentos: como vindo do próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade”.

A Igreja terá renovada a sua mocidade. Ousaria eu expressá-lo assim? O Especialista em Beleza terá dado Seu toque final à Igreja, a massagem terá sido tão perfeita que não restará nem uma ruga sequer. Ela parecerá jovem e na florescência da juventude, com a cor das faces, com a pele perfeita, sem mácula nem ruga. E permanecerá assim, para todo o sempre. O corpo da sua humilhação terá desaparecido, terá sido transformado e transfigurado no corpo da sua glorificação.
É isto que nos é dito em geral aqui, acerca da Igreja. Permitam-me, porém, lembrá-los de que em Filipenses 3, versos 20 e 21, Paulo nos diz que essa mesma coisa nos irá acontecer individualmente. É coisa maravilhosa de se ver. Estes nossos corpos, individualmente, o seu e o meu, vão ser glorificados. Nenhuma enfermidade restará, nenhum vestígio de doença ou de falha ou de sinais de velhice; haverá uma grandiosa renovação da nossa mocidade. E viveremos naquela eternidade de perpétua juventude, sem decadência nem doença, nem qualquer diminuição da glória a nós pertencente. Assim será a aparência externa da Igreja. Não se esqueçam de que a idéia que o apóstolo deseja transmitir é a do prazer do Noivo na Sua noiva. Ele a está preparando para “aquele dia”. Será realizada a Sua grandiosa celebração; é Sua intenção mostrá-la ao universo inteiro.
Essa verdade, no entanto, não se refere somente ao exterior, e sim também à sua interioridade. De um modo deveras extraordinário, o Salmo 45 é uma perfeita descrição profética disso tudo: “A filha do rei é toda ilustre (ou “gloriosa”) no seu palácio”. O salmista não se contenta em dizer que “as suas vestes são de ouro tecido”, e que “levá-la-ão ao rei com vestidos bordados”; ele ressalta igualmente que ela será “toda ilustre (toda gloriosa) no seu palácio”.
Isso é o que o apóstolo apresenta aqui - ela será “santa e irrepreensível”. Será positivamente santa. A declaração do apóstolo é essencialmente positiva. A santidade, a retidão ou justiça da Igreja não é mera “ausência” do pecado e de pecados; é a participação na retidão de Deus.
Aí é onde os homens meramente moralistas ficam sem entender nada. Eles não têm concepção de coisa nenhuma, senão de uma moralidade negativa; para eles a moralidade significa não fazer certas coisas. Não é o que a Bíblia quer dizer com retidão; o termo bíblico significa “ser como Deus”! Deus é santo, e a Igreja se torna santa, com esta esplêndida retidão, com esta perfeição. É muito mais que mera ausência do mal. É essencialmente positiva retidão íntegra, verdade, beleza e tudo aquilo que é glorioso em sua essência como o é em Deus. A Igreja compartilha disto. Ela está agora revestida da justiça de Cristo. Graças a Deus, Ele vê isso, e não a nós. Mas, naquele dia, haverá mais que isso. Ela será na verdade semelhante a Ele, positivamente, inteiramente justa e santa.
E então, para garantia de que o entendamos, o apóstolo diz, “irrepreensível”, isto é, “sem culpa”. Já dissera isto no verso 4 do capítulo primeiro:

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais no lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo”.

Para quê? “Para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (“em amor”). Foi o prelúdio. Os temas dominantes sempre estão no prelúdio. Agora Paulo toma o tema que apenas mencionara lá; aqui, no capítulo cinco, ele o desenvolve mais completamente. A Igreja, então, vai estar neste glorioso estado.
Permitam-me resumir tudo isso da seguinte maneira: os termos emprega­dos pelo apóstolo Paulo são destinados a comunicar perfeição de beleza, saúde e simetria físicas, a perfeição absoluta de caráter espiritual. Pensem na noiva mais bela que já viram. Multipliquem isso pela infinidade, e ainda nem começarão a compreender isto. Mas é como será a Igreja. Nunca existiu nem existirá beleza perfeita neste mundo. Um rosto bonito, quem sabe, porém com mãos feias. Há sempre alguma coisa, algum tipo de defeito, não há? Todavia, ali não haverá nenhum. E essa é, suponho, a suprema qualidade desta beleza que esta sendo descrita - sua simetria, sua perfeição absoluta em todos os aspectos.
Esta é a realidade à qual devemos aspirar mais que tudo. Somos todos muito assimétricos. Alguns estão cheios de conhecimento intelectual, de con­hecimento teórico da doutrina, e nunca se movem além disso. Outros não têm doutrina, mas falam de suas atividades e de suas vidas - são igualmente defeituosos. O homem que só tem entendimento teórico destas coisas, e que não demonstra o poder delas em sua vida, é um indigno representante do seu Senhor. A mesma coisa com o outro! O homem prático, assim chamado, não tem tempo para doutrina; o outro, não tem nada senão doutrina: ambos estão igualmente enganados. Graças a Deus pelo dia que há de vir, quando seremos completos, não nos faltando nada, e bem proporcionados e equilibrados. Ah, a gloria da beleza aqui descrita e para a qual o nosso bendito Senhor e Salvador nos está preparando dia após dia, semana após semana, mês após mês, e ano após ano! Falo a cristãos. Vocês já se tinham dado conta disto, sobre si próprios? Tinham compreendido que privilégio é serem membros da Igreja cristã? É isto que significa ser cristão! Você que está pronto a correr para o salão de beleza, porventura está correndo ao salão de beleza de Cristo? É o que a Igreja faz. Você tem um real entendimento da Igreja como a noiva de Cristo por quem Ele morreu e por quem continua fazendo todas estas coisas? Sabe que Ele cuida de você, que o sustenta? Sabe que o seu nome está escrito em Seu coração, bem como em Suas próprias mãos? Ele nos amou com um amor eterno, Ele morreu por nós, Ele nos separou para Si, Ele fez toda esta provisão para nós, em preparação para aquele grande dia em que nos apresentará a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas havendo nós de ser santos e irrepreensíveis.
Este é o processo em andamento. E é bom lembrá-los de novo de que o processo prosseguirá sem interrupção, até ser concluído. Nada poderá detê-lo, nada terá permissão para detê-lo, porque ela é a Sua noiva. E se posso aventurar-me a empregar este antropomorfismo, Seu grande prazer de Si e dela é tal, que Ele não pode permitir que nada detenha ou impeça a obra! Ela está em andamento, digo eu; e continuará em andamento. Aqui está a garantia bíblica. O apóstolo já no-la dera no capítulo 3, versos 20 e 21: “Ora”, diz ele:

àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre”.

Esse é o poder que opera em nós, e continuará operando. Ele não parou com a Sua morte; Ele não pára na justificação; Ele continua a operar com o Seu poder em nós. Ele faz tudo o que o apóstolo vem descrevendo, para que seja “a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações para todo o sempre”.
Esse poder é irresistível. Farei, pois, mais uma vez esta exortação: se você é de fato um filho de Deus e um membro da Igreja, um membro do corpo de Cristo, permita-me admoestá-lo, à luz deste elevado e glorioso ensino de que este corpo está sendo aperfeiçoado e afinal será perfeito. Portanto, não resista ao Senhor, não resista aos ungüentos, aos emolientes e ao gentil ensinamento que de várias outras maneiras, Ele oferece pela instrução na Palavra. Porque, acredite-me, se você se manchar profundamente com o pecado, Ele tem alguns ácidos muito fortes que poderá usar, e que de fato usará, para arrancar você do pecado! Veja o que diz Hb 12:6:

Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho”.

Estamos acostumados, quando celebramos a ceia do Senhor, a recordar o que o apóstolo diz sobre isso em 1 Coríntios 11:23-28. “Examine-se pois o homem a si mesmo”. O argumento é que, se nos examinar­mos a nós mesmos e nos julgarmos a nós mesmos, não seremos julgados; mas se deixarmos de fazê-lo, Ele no-lo fará; Ele o fará por nós. Não há dúvida acerca disto; é absolutamente categórico: “Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indig­namente - quer dizer, de maneira descuidada, sem pensar no que está fazendo. Pois sim, ele pode pensar um pouco no cristianismo no domingo, mas esquecê-lo nos seis dias da semana, e então vir a uma celebração da Ceia porque é membro da igreja. Se você age dessa maneira, diz o apóstolo, cuidado:

Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação” - e condenação significa julgamento - “não discernindo o corpo do Senhor”.

Esse homem não compreende o que está fazendo. “Por causa disto” - porque não se examinam a si mesmos, porque não percebem que a Igreja é a noiva de Cristo e que Ele vai aperfeiçoá-la e glorificá-la - “por causa disto, há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.” “Muitos fracos”, quer dizer, pessoas que nunca se sentem bem sem saber por que razão. “E doentes”, isto é, estão positivamente mal. “Por causa disto” - porque não se examinam a si mesmos, o Senhor tem esse outro modo de levar a efeito esse aperfeiçoamen­to. Leiam as biografias dos santos, e verão que muitos deles deram graças a Deus por alguma doença que lhes sobreveio. Para mim, um dos melhores exemplos disto é o caso do grande doutor Thomas Chalmers, que provavelmente nunca teria sido um pregador evangélico se não tivesse sofrido uma moléstia que o manteve preso ao leito por quase doze meses. Foi essa a maneira pela qual Deus o levou a enxergar plenamente a verdade. “Por causa disto, há entre vós muitos fracos e doentes” - sim - “e muitos que dormem” - o qual significa que estão mortos. É um grande mistério, e não tenho a pretensão de compreendê-lo, mas o ensino do apóstolo é simples e claro. O que ele diz é, “Se nos julgássemos a nós mesmos” - se nos examinássemos, e nos tratássemos e nos puníssemos a nós mesmos - “não seríamos julgados. Mas quando somos julgados - que significa isso? - “somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”.
Isso tudo, interpretado, significa justamente o que estou tentando dizer - isto é, uma vez que a Igreja é a noiva de Cristo, e uma vez que o Seu anelo por ela O leva a olhar para o futuro, para aquele grande dia em que ela será uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante”, mas será “santa e irrepreensível diante dele em amor” (Ef 1:4), Ele leva avante a Sua obra até aquele fim. E se não correspondermos a Ele, e não nos rendermos ao Seu carinho e às manifestações do Seu terno amor e dos Seus galanteios, assevero em Seu nome, que Ele o ama tanto que purificará você e o levará lá. Talvez lhe aplique o ácido da “fraqueza”, ou o da “doença”, mas será para o seu bem. Não me entenda mal. Não significa que toda vez que você estiver doente será necessariamente por castigo. As Escrituras não dizem isso; mas dizem que pode ser. Isso tem acontecido muitas vezes. Pode-se ler muitos exemplos disso nas Escrituras. Paulo compreendeu que o espinho na carne lhe fora dado para mantê-lo humilde e para que ele não se exaltasse (2 Co 12:7-10). Há pessoas tolas e tagarelas que dizem que jamais é da vontade do Senhor que alguém fique doente. As Escrituras ensinam que “o Senhor corrige o que ama”, e esta é uma das maneiras de que se utiliza -“há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem”. Se você é realmente um filho de Deus, tenha cuidado, esteja alerta. Desde que você pertence ao corpo do qual Ele é a Cabeça, Ele o purificará, Ele o aperfeiçoará, Ele fará que você venha a ser aquilo que Ele determinou que fosse.
O que acabo de dizer nos deixa com uma questão final. Quando irá acontecer tudo isso? Parece não haver nenhuma dúvida quanto a isso. Tem que ver com a “Segunda Vinda” do nosso Senhor. Será quando Ele vier e levar a Igreja para estar com Ele. Esse é o ensino das Escrituras. “Vou preparar-vos lugar. E, se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo 14:2-3).
Na oração sacerdotal registrada em João capítulo 17, temos exatamente o mesmo ensino. A vontade de Cristo é que a Igreja veja “aquela glória que tinha contigo (com o Pai) antes que o mundo existesse” (verso 5). É isso que eu e você, como cristãos, vamos ver. “Assim como é o veremos” (1 Jo 3:2). Agora Ele voltou a ter a glória que desde a eternidade partilhara com o Pai. Ele pôs de lado os sinais dessa glória enquanto esteve cá na terra. Ele esteve aqui “em semelhança da carne do pecado” (Rm 8:3), e há aquela insinuação no capítulo 8 do Evangelho Segundo João, verso 57, de que Ele parecia muito mais velho do que era. Jesus dizia de Si mesmo: “antes que Abrão existisse eu sou”. Os judeus diziam: “De que é que ele está falando? Ele ainda não tem cinqüenta anos”. Ele tinha cerca de trinta e três anos, mas eles falavam em cinqüenta. Isso tem pouca importância - o que importa é que quando Ele subiu ao céu a glória retomou, e agora Ele Se acha em Seu estado glorificado. Paulo O viu de relance, no caminho de Damasco, em toda a Sua glória. Foi tão maravilhoso, que ficou cego e caiu ao solo. Mas eu e você iremos vê-lo “assim como é”. Precisamos ser glorificados antes de podermos suportar essa visão, porém com absoluta certeza isso nos acontecerá. E O “veremos face a face” (1 Co 13:12). Na qualidade de noiva de Cristo, estaremos lá, ao lado dEle, partilhando esta glória.
Quando será? Será quando tudo estiver completo, quando a plenitude dos gentios e a de Israel forem salvas, e a Igreja estiver inteira e completa. Nenhuma pessoa estará perdida ou faltando, nem uma só. O diabo não frustará esta realização; ele já é um inimigo derrotado. O apóstolo sempre se deleita em dizer isto. Ele o diz gloriosamente na Epístola aos Filipenses, capítulo primeiro, verso 6:

Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra, a aperfeiçoará até” - até quando? - “até ao dia de Jesus Cristo”.

Esse é o dia, “o dia do Senhor”, “o dia de Jesus Cristo”, “o dia de Cristo”, “o grande e glorioso dia”, “aquele dia” que “se vai aproximando” (Fp 1:6,10; At 2:20; Hb 10:25). Ou como Paulo o expressa no final do capítulo 3 de Filipenses:

Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que” - quando vier - “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todos as coisas”.

Nada pode detê-lo! Outra vez o apóstolo, escrevendo aos romanos, no capítulo 8, nos versos 22 e 23, diz:

Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção

Que é isso? - “a saber, a redenção” - a glorificação - “do nosso corpo”. Isso significa ficar a Igreja livre das manchas, nódoas e rugas, e de todas as coisas semelhantes a essas, e estar completa e gloriosa em Sua presença.
Vocês já notaram isto no capítulo 19 do Livro de Apocalipse, versos 6 a 9?: “E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: aleluia pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos- lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. E disse-me: escreve bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”. Ah, o privilégio de ser convidado para a ceia das bodas do Cordeiro, quando Ele vai apresentar a esposa a Si mesmo! Ela estará vestida com vestes de justiça por fora, e por dentro será perfeita. Ah, que bênção, estar presente naquela maravilhosa festa de casa­mento! Não nos surpreende que Judas termine a sua pequena epístola dizendo: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre”.
Como deveríamos sentir-nos? Deveríamos sentir-nos exatamente como se sente toda mulher comprometida para casar-se. Deveríamos estar olhando para o futuro, para o grande dia, ansiosos por ele, vivendo para ele. Isto deveria estar no centro das nossas vidas, com a exclusão de tudo mais. Deveríamos ser alentados por isto, estimulados e motivados por isto, e sempre olhando e aguardando isto - o dia das bodas, a cerimônia, os amigos assistindo, o banquete, a maravilha, a glória e o esplendor disso tudo!
Para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” Ele olhando-a nos olhos; ela olhando-O nos olhos! Foi esse o objetivo do nosso bendito Senhor quando Ele veio à terra, viveu, morreu e ressuscitou. É Seu objetivo por nós. Ele morreu por nós para podermos chegar lá! Ele nos separou para podermos chegar lá! Ele nos está purificando para podermos chegar lá! Ele nos alimenta para podermos chegar lá! Ele nos sustenta e cuida de nós para podermos chegar lá! Queira Deus dar-nos graça para compreendermos o privilégio de ser um membro da Igreja cristã! Oxalá nos sejam dadas também graça e força e entendimento para captarmos algo da glória que nos aguarda, de modo que canalizemos para ela o nosso afeto, e não para as coisas da terra!

Um comentário:

Diego Sawada disse...


A paz do Senhor. Meu nome é Diego Sawada, sou criador do Blog Palavra de Renovo. Primeiramente gostaria de fazer um elogio para o conteudo do seu Blog. Eu gostaria de saber se vocês gostariam de fazer uma parceria conosco?

Quero inserir o link do seu blog em nosso site, e pediriamos que fizesse o mesmo para nos ajudar.

Fico no aguardo. Muito Obrigado. Deus te abençoe

Esse é o nosso site: www.palavraderenovo.com