sábado, 31 de janeiro de 2009

TORNANDO O CORAÇÃO DOS FILHOS

"E irá adiante dele com o espírito e o poder de Elias, para fazer tornar os corações dos pais aos filhos" (Lucas 1:17).
Quando o anjo Gabriel anuncia a Zacarias o ministério de João, prediz-lhe que fará tornar os corações dos pais aos filhos. E para fazê-lo toma a profecia de Malaquias. No entanto, esta profecia dizia: "Fará tornar o coração dos pais aos filhos, e dos filhos aos pais" (4:6). Por que o anjo cita a primeira parte da profecia, e não a segunda? A razão parece ser simples. Quando o coração dos pais se volta seriamente para os filhos, então necessariamente o coração dos filhos se voltará para os pais. Sem dúvida, a maior responsabilidade é dos pais. A primeira geração determina a reação da segunda. A maior perda nos filhos se ocasiona quando os pais não sabem semear neles a semente da verdade. Durante pelo menos quinze anos os filhos estão à inteira disposição dos seus pais, com uma mente dócil, receptiva, com um coração sensível, e os pais podem semear neles virtualmente tudo o que queiram. Os filhos são uma espécie de "tabula rasa", que recebem todas as influências dos adultos, sem restrições. Se os pais não sabem semear neles a boa semente, é preciso arrepender-se disso e dar o primeiro passo para uma restauração. Ao fracassarem neste trabalho, e a começarem a colher o fruto amargo da apostasia e da rebeldia dos filhos, eles devem ser os primeiros a começar a recuperar as coisas. Alguém poderá talvez dizer: "Eu me voltei para o meu filho, mas o meu filho não se volta para mim". É que a semente que foi semeada por longos anos ainda tem que dar fruto. "Aquele que semeia para a sua carne, da carne segará corrupção" (Gal. 6:8). Você tem que segar ainda tudo o que semeou, enquanto espera na misericórdia do Senhor. Só lhe cabe inclinar a cabeça diante Dele e pedir que a má colheita termine logo. Mas, sem dúvida, vai vir o dia em que você ganhará o coração do seu filho. Os pais devem arrepender-se diante de Deus das suas más obras, e em seguida fazer o mesmo diante dos seus filhos. Eles têm que procurar diante de Deus a forma como recuperar o lugar que eles abandonaram do seu coração, para em seguida semear, dentro do possível –e se isso é ainda possível– a semente da verdade. Nos tempos de João o coração dos pais estava afastado dos filhos, e a primeira coisa que se devia fazer era produzir uma virada a favor deles. Tal panorama não difere muito da situação atual. A indiferença e rebeldia dos filhos hoje, bem pode ser a conseqüência de um desinteresse e de uma displicência anterior dos pais para com eles. Que o Senhor conceda graça aos pais para recuperar, no temor do Senhor, o coração de seus filhos antes que seja muito tarde.

Fonte: www.aguasvivas.ws

Expressando a Cristo

"...ninguém há na terra semelhante a ele..." (Jó 1.8).

Tudo o que foi escrito nas Escrituras é para o nosso ensino (Rom. 15.4), e nunca podemos nos esquecer que elas testificam de Jesus Cristo, para que indo a Ele tenhamos vida (Jo. 5.39-40). É interessante como a princípio sempre vemos o homem, depois o Espírito nos leva a ver a Cristo. O livro de Jó foi escolhido por Deus para estar nas Escrituras para algo muito importante para a vida cristã. Jó era um homem intrigante. Um filho de Deus, como nos ensina a Palavra no verso 6; íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal (v. 8). Um homem protegido por Deus de todos os lados; abençoado em tudo o que punha as mãos e seus bens se multiplicavam sobre a terra (v. 10). Um crente com um testemunho intocável. Amado por seus amigos. Um homem que se punha na entrada da cidade, onde os idosos se colocavam em pé, e os príncipes continham as suas palavras. Um crente que livrava o miserável que clamava, e o órfão que não tinha quem o socorresse. Um crente que era um canal das bênçãos de Deus para outros e que fazia rejubilar o coração da viúva (Jó 29). Por que um homem com um testemunho como este foi entregue a Satanás? Lembremos que foi Deus quem chamou a atenção de Satanás e que o entregou. Que lhe permitiu tocar em tudo, menos na vida de Jó! (Jó 2.6). No capítulo 42 Jó reconheceu que Deus teve um propósito bendito em tudo o que permitiu que lhe acontecesse. Que ele falava do que não conhecia, e que com isso encobria o conselho de Deus aos outros. Que o propósito de Deus não poderia ser impedido e proclamou um arrependimento genuíno. Mas onde está a chave de tudo? Qual é o propósito de Deus que não pode ser impedido? Deus entregou a Jó para Satanás para destruir o seu testemunho. Todos admiravam Jó, olhavam para Jó e se espelhavam em Jó. Jó era o referencial e não Cristo. Jó não poderia tornar vão todo o propósito de Deus para o homem: refletir a Cristo. O Senhor não quer de nós o testemunho de um super cristão, ou de um super crente, mas do próprio Cristo. Não quer que nós sejamos vistos e reconhecidos como um cristão que não há na terra semelhante, mas a Cristo. Se estivermos expressando a nós mesmos como um excelente cristão estamos prestes a sermos entregues a Satanás. O apóstolo Paulo reconheceu isto quando lhe foi enviado um espinho na carne. A partir do seu arrependimento Jó começou a expressar a Cristo se tornando intercessor dos seus amigos. Depois pode expressar o Reino de Cristo, quando Deus lhe deu em dobro o que antes possuía, como Jesus ensina na parábola dos talentos. Tudo depois do arrependimento de Jó expressa Cristo, tudo testemunha de Cristo e não mais de Jó. O testemunho daquele grande homem terminou no pó e na cinza, e o nosso também tem que terminar. Qualquer coisa para o testemunho e para a edificação da vida cristã tem de vir do próprio Cristo, pelo próprio Cristo e para o próprio Cristo. Porque dEle, e por Ele e para Ele são todas as coisas, glória pois a Ele eternamente.

Fonte: www.aguasvivas.ws

domingo, 25 de janeiro de 2009

VOLTANDO PARA A PALAVRA

Voltando para a Palavra
Rubén Chacón

Para voltar para a Palavra terá que voltar para as Escrituras
A primeira coisa que é necessário estabelecer na hora de falar de voltar para a Palavra, é que para voltar para a Palavra terá que voltar para as Escrituras. Efetivamente, a Palavra está contida nas Escrituras. Elas são o registro inspirado da Palavra. As Escrituras são, pois, o objetivo e absoluto referente, divinamente garantidas, da bendita e viva Palavra de Deus.
Hoje em dia, quando a igreja se move em meio a tantas e variadas ênfases, e todos eles apresentados como "a Palavra", necessitamos mais do que nunca, revisar, refletir e nos assegurar até que ponto esta ênfase se conformam ao estabelecido nas Escrituras. Por quê? Porque simplesmente, o que não é bíblico, não pode ser "a Palavra".
Já na época do Novo Testamento, o apóstolo Paulo reprovava os corintios: "Porque, se alguém vos pregar a outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis" (2ª Cor. 11:4).
Aqui, Paulo não fala de ênfases, mas sim de outro Jesus, outro espírito e outro evangelho. Como podemos ver, o assunto pode ser mais grave que falar simplesmente de ênfases. Mas, qual era o Jesus verdadeiro, o espírito correto e o legítimo evangelho? Nesse tempo, não se podia ainda falar de Jesus, o espírito e o evangelho bíblicos, pela simples razão de que as Escrituras estavam recém em formação. Nessa época, o Jesus verdadeiro era o que pregavam os apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, o apóstolo João, falando em nome dos Doze, diz: "O que vimos e ouvimos (referindo-se a Cristo) isso vos anunciamos, para que tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão verdadeiramente é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1ª Jo. 1:3).
E mais adiante, no 4:6, adiciona: "Nós somos de Deus; quem conhece a Deus, nos ouve; quem não é de Deus, não nos ouve. Nisto conhecemos o espírito da verdade e o espírito de engano". No que consistia o espírito de engano? Em não ouvir os apóstolos que tinham visto e ouvido a Jesus Cristo.
Irmãos, a igreja crê no Senhor Jesus Cristo revelado pelos apóstolos do Cordeiro. Cremos no Cristo de Mateus, de Marcos, de Lucas, de João, de Paulo. É nesse evangelho que cremos. Pois bem, esse mesmo Cristo, esse espírito e esse evangelho, estão hoje para nós registrado nas santas Escrituras. O Cristo dos apóstolos é o Cristo da Bíblia. Portanto, precisamos voltar para as Escrituras; precisamos estudá-la com seriedade e conhecê-la profundamente. Não é suficiente conhecer e pregar versículos por aqui e por ali. Pelo menos devemos olhar para o princípio hermenêutico que diz: "Um texto fora de contexto é um pretexto".
Voltar para a Palavra é voltar para Cristo
Em segundo lugar, cabe-nos perguntar: O que é voltar para a Palavra? Voltar para a Palavra é voltar para Cristo. A Palavra de Deus não é uma idéia ou um conceito como é a palavra humana; não, a Palavra de Deus é uma pessoa, nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a Palavra viva e eterna de Deus. "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam referente ao Verbo da vida (porque a vida foi manifestada, e a vimos, e testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, a qual estava com o Pai, e nos foi manifestada)" (1ª Jo. 1:1-2). Para voltar para a Palavra então, devemos voltar para as Escrituras; mas essa Palavra é o próprio Cristo. Nas Escrituras encontraremos a Cristo, ao Cristo dos apóstolos; definitivamente, o Cristo de Deus (Luc. 9:20).
O próprio Jesus advertiu os judeus: "Vocês estudam com diligência as Escrituras porque pensam que por elas têm a vida eterna" (NVI). Mas "elas são as que dão testemunho de mim" (Jo. 5:39). Jesus declara que as Escrituras dão testemunho dele. A vida eterna não está, pois, nas próprias Escrituras, mas naquele de quem elas dão testemunho. Por isso, continuando, acrescenta: "…e não quereis vir a mim para que tenhais vida" (Jo. 5:40).
Se por acaso ainda não está claro o ponto do que estamos dizendo, observe o versículo 46: "Porque se crêsseis em Moisés, creríeis em mim , porque de mim ele escreveu". O que Jesus está afirmando? Que no Pentateuco, na Torá, Moisés escreveu dele. Você já pensou que o livro de Gênesis falava de Cristo?
Possivelmente você diz: "Eu tenho lido Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, e nunca vi Cristo nas páginas do Pentateuco. Ali, li sobre a criação, sobre Adão, Abraão, José, mas nunca de Cristo". Mas aqui está o ponto. Alguma vez você se deu conta que a "palavra" pela qual foram criados os céus e a terra, era o próprio Cristo? (Jo.1:3). Alguma vez pensou que a semente de Abraão, a qual foram feitas as promessas, era Cristo? (Gálatas 3:16). Alguma vez viu que a cena tão dilaceradora de Abraão oferecendo em sacrifício o seu filho Isaque, era uma parábola do que, milhares de anos depois, o nosso próprio Deus faria, quando entregou o seu unigênito Filho por nós? (Heb. 11:17-19). Alguma vez percebeu que o que foi escrito sobre José, foi dito como tipo de Cristo? Alguma vez você notou que Cristo é a nossa Páscoa de Êxodo 12? E o que dizer do livro de Levítico? Que não há nenhum outro livro em toda a Bíblia que revele tão perfeita, completa e profundamente o sacrifício de Cristo na cruz, como o livro de Levítico.
Claro que o Pentateuco é história. Mas esse é só o seu sentido primário. O seu sentido pleno é o seu significado espiritual. E esse significado é Cristo Jesus. O sentido gramático-histórico das Escrituras não esgota, em nenhum caso, o significado delas. Como dissera o próprio Senhor Jesus Cristo: "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João" (Mat. 11:13).
Com a expressão "os profetas e a lei", o Senhor Jesus Cristo está designando todo o AT. E o que é que diz? Que todo o Antigo Testamento foi profecia. Não só algumas partes, não só os profetas, mas também toda a lei. Portanto, o Antigo Testamento não foi somente história, mas principalmente profecia.
Profecia do que? Não do que? Mas sim de quem? Do nosso bendito Senhor Jesus Cristo. Por isso, com a mesma força que afirmamos que Jesus Cristo, a sua pessoa, a sua obra e os seus ensinos, é o tema das Escrituras, afirmamos também que, em definitivo, o único intérprete das Escrituras é o Espírito Santo. Só ele pode tirar o véu na hora de lermos as Escrituras, a fim de nos encontrarmos pessoalmente com o Autor delas. Que distinto é e será considerar assim as Escrituras! A partir desta perspectiva, o Antigo Testamento é um livro atual e vigente da mesma forma que o resto das Escrituras. Amém.
Fonte: www.aguasvivas.ws

BETÂNIA

A aldeia de Betânia, perto de Jerusalém, tem no Novo Testamento uma conotação muito particular. Ali viviam três irmãos, Marta Maria e Lázaro, que eram amigos do Senhor. O Senhor encontrava nessa casa o afeto e a devoção que não achava em outros lugares, em Jerusalém, por exemplo. A Escritura registra várias cenas ocorridas em Betânia, breves, mas muito significativas. Na primeira delas, Maria está sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe, enquanto Marta sua irmã serve atarefada. Quando Marta recrimina a Maria diante do Senhor, o Senhor a defende, pois ela escolhera a boa parte (Lc. 10:38-42). Em seguida, há outra cena em que as duas irmãs choram a morte do seu irmão. Fazem-no de duas maneiras diferentes, mas quando o Senhor ressuscita a Lázaro, ambas são consoladas (João 11). Uma terceira cena mostra Marta servindo (sem reprovação) e a Maria prostrando-se aos pés do Senhor para ungir-lhe com o seu perfume de nardo puro. Lázaro, entretanto, está sentado à mesa com Jesus (João 12:1-8). Até há uma quarta cena em Betânia: "E os tirou fora até Betânia, e elevando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que abençoando-os, separou-se deles, e foi elevado acima ao céu" (Lc. 24:50-51). Em Betânia ocorreu a cena final no ministério terrestre do Senhor. Os últimos que viram os Seus olhos, ao subir para os céus, foram os seus amigos Marta, Maria e Lázaro, e seus discípulos. Que bem-aventurança para aqueles! Betânia representa o remanescente de Deus nos dias do Novo Testamento. Ali, nessa intimidade carente de toda pretensão, separada do centro religioso imperante, o Senhor Jesus é valorizado, amado e servido como é digno. Ali não está o cerimonial que tipifica a sua figura; ali está ele próprio. Ali não estão as frias maneiras que a hipocrisia desvirtuou; está ele próprio. Ali não há uma devoção de lábios, carente de verdadeiros afetos, mas sim há lágrimas de gratidão e de gozo. Um lar singelo e comum, e não um templo estofado de ouro; o amor flui de corações sinceros, e não a fria indiferença. É Betânia, o lar verdadeiro, onde as aflições são aliviadas; é a Casa de Deus feita de corações de carne. Nela Cristo é o centro. Todos os olhares se dirigem para ele; o Seu olhar se coloca sobre cada um dos que ele chamou, e os consola de todas as suas angústias. A sua voz aprazível dá repouso ao coração. Ali não há outro nome, nem outra doutrina, porque Ele é suficiente. Os que habitam em Betânia estavam em outro tempo, longe e destituídos; por isso, eles não têm nada próprio que exibir. São absolutamente indignos e desconhecidos. No entanto, ali foram consolados. E quando sobrevêm à provação e o dia mau, eles encontram em Cristo a ressurreição e a vida. Em seguida, em gratidão, eles oferecem o seu nardo puro, que perfuma toda a Casa. Betânia ontem, e Betânia hoje. Paz, consolo, amor derramado, serviço contente, testemunho irrefutável de que Cristo ressuscitou e subiu para, em qualquer momento, retornar. Tal como os cristãos são chamados a ser sal no meio da terra, o remanescente é chamado a sê-lo não só na terra, mas também no meio da cristandade que se apartou de Deus. Eles têm que tomar sobre o seu coração a carga de todo o Corpo, e embargados do amor generoso de Deus, tem que procurar o bem de todos. Os seus chamados amorosos têm que tocar os corações insensíveis, e a sua intercessão a favor deles tocará também o coração de Deus. Como os antigos profetas, incendiará o seu coração de toda a compaixão de Deus, e procurará que outros gozem também as delícias que há na mão direita do Pai.

Fonte: www.aguasvivas.ws

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CAIM E ABEL

Qualquer que seja a religião que o homem professe, seja nova ou antiga, caracteriza-se fundamentalmente pela forma em que ensina a seus seguidores a aproximar-se de Deus. Ou lhes ensina a aproximar-se por suas obras, ou lhes ensina a aproximar-se pela fé; por seus próprios méritos, ou por meio de uma justiça externa.---Há na Bíblia dois homens, irmãos entre si, que representam essas duas posturas, essas duas formas de apresentar-se perante Deus. Um é Caim e o outro é Abel. Ambos, filhos de Adão e Eva. Tanto Caim como Abel nasceram fora do jardim, depois da queda de seus pais. Ambos tinham herdado a mesma natureza pecaminosa daqueles. No entanto, à hora de apresentar-se perante Deus eles assumiram atitudes em sentidos opostos. A Palavra de Deus diz claramente que a diferença não fundamentou na diferente natureza desses homens, nem em nenhuma outra circunstância humana, somente nas oferendas que apresentaram. A oferenda falava claramente a respeito do que tinha no coração deles.---Em Hebreus 11:4 diz: "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala". Caim ofereceu a Deus o fruto da terra. Isto, o que pode parecer louvável, não o era, porquanto a terra estava amaldiçoada. Por causa da queda de Adão, Deus tinha declarado seu juízo sobre a terra e sobretudo que tinha sido contaminado pelo pecado. De maneira que, ao oferecer uma oferenda da terra, ele desconhecia maliciosamente essa maldição. Deus tinha sacrificado um animal para cobrir a Adão e Eva, declarando a insuficiência das vestimentas confeccionadas por eles.---Agora, Caim menosprezava a forma como Deus atribuía justiça ao homem, apresentando uma oferenda incruenta, como se o homem nunca tivesse pecado, e como se Deus nunca tivesse declarado seu juízo para eles. A Bíblia diz em Hebreus que "sem derramamento de sangue não há remissão". Caim era pecador, e entre ele e Deus se interpunha a morte. No entanto ele ignorou tudo isto. Ele tratou Deus como se fosse seu igual, quem poderia aceitar a oferenda do campo maldito e passar por cima do seu pecado não confessado. Abel, ao contrário, compreendeu que se tinha aberto um caminho até Deus por meio do sacrifício de Outro, e que as demandas da justiça e santidade de Deus foram satisfeitas mediante a substituição de uma Vítima sem defeito.---Esta é a doutrina da cruz, a única que Deus aprovou, e por meio da qual o pecador acha perdão e paz. Esta é também a única maneira em que Deus é glorificado. Abel entendeu que nenhuma de suas boas obras podia permitir-lhe o acesso a Deus. Assim também é como crê todo homem que foi tocado por Deus para ver sua extrema insolvência e para ver, ao mesmo tempo, a satisfação com que Deus olha o sacrifício de seu Filho. Cristo satisfez por completo todas as demandas divinas, e tirou do nosso meio o pecado.---Você pode ver a diferença entre Caim e Abel? Por que um foi recusado e o outro aceito? Se você segue o caminho de Caim será igualmente recusado; se segue o caminho de Abel, será igualmente aceito.

O RELÓGIO DE DEUS

"Então o Senhor disse a Abraão: Tenha por certo que a sua descendência morará em terra alheia, e será escrava ali, e será oprimida quatrocentos anos. Mas também à nação a qual serviram, eu a julgarei; e depois disto sairão com grande riqueza … E na quarta geração voltarão para cá; porque ainda não chegou ao seu cúmulo a maldade dos amorreus até aqui" (Gn. 15:13-14, 16).
---Quando Deus faz o pacto que favorecerá a Abraão, seu amigo, e a sua descendência, fala-lhe do futuro dela. Anuncia-lhe que ela será escrava, e que em seguida sairá do lugar de escravidão com grande riqueza, e que em seguida lhe dará a terra de Canaã em possessão.---A partir dessas palavras se deduz claramente que a história futura de Israel estaria associada a duas nações, e mais especificamente, aos juízos de Deus para aquelas nações. No Egito teriam que ser escravos, mas Deus julgaria ao Egito. Mais tarde, teriam que possuir Canaã, mas Deus julgaria a Canaã.---Sendo Deus justo, Ele não envia seus juízos sem que não haja uma causa suficientemente poderosa. Deus não poderia julgar ao Egito e aos amorreus se a maldade deles não tivesse chegado ao seu cúmulo. Deus abençoaria a Israel no Egito e em Canaã, mas sua bênção estaria associada aos juízos de Deus para aqueles povos.---Isto nos ilustra um princípio muito importante no agir de Deus. Os movimentos de Deus com o seu povo não sucedem independentemente dos seus movimentos com o resto dos homens e as nações. Deus vai encaixando tudo perfeitamente, ordena o cenário do mundo sabiamente, de modo que Deus possa dar a cada um conforme corresponda. Uns receberão bênções e outros, juízos, segundo o determinado conselho de Deus. ---Deus não podia tirar Israel do Egito a menos que a maldade do Egito tivesse chegado ao ponto máximo da paciência de Deus, e os juízos se fizessem necessários. Da mesma maneira, Deus não podia fazer cair os cananeus sob o castigo justiceiro dos israelitas, a menos que a maldade deles tivesse chegado ao seu cúmulo.---Quando Deus ordena os grandes marcos da história do seu povo, tem em conta a outros homens - e a simultânea ocorrência de feitos de justiça e de graça que tem prescrito para eles. ---Isto tem uma aplicação em nossa própria história presente. Dois exemplos. Às vezes oramos pedindo algo específico, mas sentimos que Deus demora muito para nos responder. Às vezes parece-nos que a vinda do Senhor Jesus Cristo também demora muito, face às insistentes orações do seu povo. Quando e como Deus responde as orações do seu povo?---Quando Deus decide intervir na vida dos seus filhos, ele ordena primeiro o cenário em que eles se desenvolvem, liga os fatos específicos com outros mais amplos, faz coincidir feitos de graça com outros de justiça, tudo em uma ordem tão perfeita que nada sucede por acaso, mas sim da maneira que Deus determina, e no tempo preciso. Seus são o que, o como e o quando fará. ---Nosso olhar está acostumado a ser muito estreito, e com ele às vezes julgamos equivocadamente o agir de Deus. Mas o relógio de Deus não se move tão simplesmente como o nosso.

CIDADES DE REFÚGIO

Quando Deus entregou a terra de Canaã a Israel, dispôs que tivessem seis cidades, localizadas estrategicamente ao longo e largo do território, destinadas para refúgio do homicida involuntário (Núm. 35).
Tinha três ao oriente do Jordão, e três ao ocidente. Elas deviam estar localizadas em lugares visíveis, para que ninguém tivesse dificuldades em vê-las, e acessíveis, para que ninguém tivesse dificuldades em chegar até elas. Para isto, os caminhos de acesso deviam estar sempre desimpedidos; suas portas sempre abertas. Essas cidades eram todas cidades outorgadas aos levitas, encarregados do serviço no templo, homens que conheciam a Deus, seus prodígios e misericórdias.
Quando o homicida involuntário caía na desgraça de um ato fatal não premeditado, fugia de imediato para a cidade de refúgio mais próxima para escapar assim da fúria do parente vingador. O pobre fugitivo escapava para salvar sua vida. Se a mão vingadora caía sobre ele no caminho, sua sorte era escura como a noite. Somente quando transpunha as portas da cidade de salvação, sua vida estava a salvo.
Quão preciosa era a provisão de Deus para o homem atribulado, convertido de repente num ser socialmente indesejado! Ali, a fúria era detida inesperadamente, o perdão era atingido, a graça era derramada como água em boca do sedento, no momento em que mais a precisava.
Em Josué capítulo 20 se reforça esta instrução -Israel já chegou a Canaã- e se mencionam, além disso, as cidades em questão. Três delas estão localizadas nos morros; três nos vales. Os morros e vales representam na Escritura os homens altos e os homens baixos respectivamente; aos proeminentes e aos simples. Todos eles encontram refúgio; para todos eles há uma cidade que lhes acolhe. Porque, qualquer que seja sua condição, o sofrimento é o mesmo quando a desgraça golpeia a porta.
De que essas cidades nos falam a nós, que estamos a milhares de anos mais longe? Quedes nos fala de refúgio para os pecadores; Siquém, que significa "ombro", fala-nos do alívio ao fatigado; um ombro forte como o daquele pastor da parábola que carregou a ovelha perdida; Bezer, que significa "castelo, fortaleza" nos oferece segurança; Ramote, que significa "altura", é socorro quando andamos em vales de sombra de morte. Golã, é o refúgio para os afligidos; e finalmente Hebrom (Quiriate-Arba), que significa "comunhão, aliança", é o refúgio para os desamparados, como o foi para um desamparado exemplar, Davi, quando depois de incontáveis padecimentos, foi ungido rei por Samuel.
Tudo aqui nos fala de Cristo; a terra de Canaã com sua abundância de leite e mel, são as riquezas insondáveis de nossa herança em Cristo. E cada cidade de refúgio, em todas, é Cristo recebendo-nos em graça para perdoar-nos, sustentar-nos, refugiar-nos, levantar-nos, consolar-nos e ungir-nos. Maravilhoso é Cristo, inefável em sua pessoa e em seu amor, qualificado de muitas maneiras para nossa segurança e consolo!