domingo, 13 de março de 2011







Momentos de adoração ao redor da mesa do Senhor. Como é bom adorar o Senhor e lembrar da Sua pessoa e da Sua grandiosa obra, estávamos longe, vivíamos no mundo sem Deus e sem esperança, mas Ele, Jesus nos aproximou, Ele que é o único Caminho que leva ao Pai, nos levou a presença de Deus Pai, pagou toda a nossa culpa, perdoou os nossos pecados, no sjustificou, nos redimiu, aleluias!!!que nossos corações estejam cheios de amor pelo nosso maravilhoso Senhor Jesus Cristo.
Ao tomarmos a ceia lembramos também da promessa da sua vinda, porque ele não somente morreu, mas ressuscitou e em breve voltará e estaremos para sempre com Ele, que glorioso dia será esse que encontraremos com nosso Salvador. Maranata! Ora vem Senhor Jesus!!!

sábado, 12 de março de 2011

AS 42 JORNADAS NO DESERTO – CAPÍTULO 97


Continuação do estudo das jornadas no deserto, que o Senhor fale aos nossos corações por meio da Sua Palavra.

19ª Estação – Queelata (parte 07)

TEXTO: Números 16:12-18


Vamos dar prosseguimento ao assunto que estamos estudando em Números 16, sobre a 19ª estação da peregrinação do povo de Israel pelo deserto, Queelata, também citada em Números 33:22.
Sabemos, pelos textos lidos em Números 16, que Datã, Coré e Abirão e mais 250 pessoas se levantaram contra a autoridade de Deus na vida de Moisés e Arão. Vimos, segundo a Palavra do Senhor, que esse episódio acontece no contexto em que eles estão retrocedendo, após terem desobedecido à voz de Deus, agindo com incredulidade. Quando o Senhor mandou que espiassem a terra e logo em seguida entrassem nela, eles se recusaram porque a incredulidade tomou conta dos seus corações. Agora, nós vemos este episódio triste que acontece aqui em Números 16: a rebelião de Datã, Coré e Abirão. Judas, no capítulo 1, chama isso de “a contradição de Coré”.
Nós precisamos atentar para tudo isso. Há um detalhe que devemos aprender quando a autoridade de Deus está sendo questionada na vida de Moisés e Arão, aqui no capítulo 16. Essa autoridade questionada constitui-se em algo muito sério, e o princípio que vemos aqui na vida de Moisés e Arão é que eles não defenderam essa autoridade. Isso porque, quando a autoridade de Deus é questionada na vida daqueles a quem Ele chama, é Deus quem age. E você vai ver aqui em Números 16 que Deus vem agir não apenas com o propósito de expor aqueles homens que estão sendo reprovados por causa da conduta, mas também de manifestar aqueles que são aprovados diante dEle.
O apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos em 1 Coríntios 11:18 e 19, diz assim:

“18 Pois antes de tudo, quando vos congregais na igreja (isto é, como igreja), ouço dizer que existem divisões entre vós; e em parte o creio. 19 Pois é necessário que haja facções entre vós, para que os aprovados entre vós se tornem manifestos.”

Não é que Paulo está dizendo que isso é uma coisa importante, uma coisa vital. Não! Mas já que há divisões, facções, entre o povo de Deus, e é isso que ele está dizendo, nesse momento de divisão, de facção, uma coisa que se nota são os aprovados. E essa é a parte final do versículo 19: “para que os aprovados entre vós se tornem manifestos”. Sempre que surge divisão no meio do povo de Deus nossa tendência é sempre olhar o aspecto negativo, mas Paulo nos exorta a olhar para o aspecto positivo. E você precisa ter discernimento para saber onde é que estão os aprovados. Em nenhum lugar a Bíblia exalta essa questão, ou mesmo trata disso como algo natural na vida da igreja – e não é isso que Paulo está dizendo aqui. Mas, quando surge esse tipo de comportamento, de manifestação no meio do povo de Deus, uma coisa que nós temos que entender, é que temos que olhar não simplesmente a facção, a divisão em si, mas onde estão os aprovados, porque isso vai ajudar-nos a compreender o mover de Deus. Veja que, voltando um pouco, em Romanos 16 e 17, Paulo diz assim:

“17 E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.”

Então, precisamos ter discernimento, porque hoje em dia há divisões entre os filhos de Deus, porque temos visto hoje que os homens têm procurado dividir a igreja, o corpo de Cristo, em diferentes organizações, pontos de vista, conceitos. Alguns gostam de dar preferência a certa doutrina em detrimento de outras. Mas eu e você precisamos considerar que aos olhos de Deus a igreja é indissolúvel. Todas essas diferenças são exclusivamente externas, não são diferenças da realidade intrínseca da igreja. Eu e você temos que saber que a igreja é a composição de todos os santos em Cristo, é o corpo de Cristo, é Cristo incorporado. Quando todos os santos unirem-se em Cristo, teremos a realidade da vida da igreja, a expressão clara daquilo que é a igreja.
No tempo presente, na nossa realidade contextual, temos visto muitas divisões, porque os cristãos vivem na esfera incorreta – isso é muito grave. Os cristãos não vivem na nova criação em realidade no corpo de Cristo. Muitos vivem em superficialidade de doutrinas, os quais pertencem unicamente aos aspectos humanos, às atitudes humanas, condutas humanas, à vida natural dos homens. Se cada cristão estivesse disposto a abandonar comportamentos humanos, atitudes humanas, que muitas vezes tendem a se mesclar com a verdadeira doutrina daquilo que é a vida da igreja, se os cristãos estivessem dispostos a viver unicamente a realidade da doutrina daquilo que Cristo nos deixou por meio dos seus apóstolos, teríamos a realidade viva da igreja. Não haveria mais lugar para as divisões. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, de forma que possamos hoje almejar a realidade da vida do corpo de Cristo.
O corpo de Cristo é o vaso corporativo que completa o próprio Cristo. Sabemos que Cristo é completo em si mesmo na sua divindade, mas desde que Ele assumiu a humanidade, desde que entrou no processo maravilhoso e místico da encarnação, fazendo-Se carne, fazendo-Se homem como nós, temos essa realidade da igreja, do corpo de Cristo, que completa o próprio Cristo. Nesse sentido, podemos ler aquele versículo que está em Gênesis 2:18:

“(...) não é bom que o homem esteja só (...).”

Nós sabemos que Adão é uma figura de Cristo e que aquela mulher de Gênesis 2 é uma figura da igreja gloriosa que completa Cristo. Ao ler Efésios 1:22 e 23 vamos ver que a igreja é o corpo de Cristo, a qual é a Sua plenitude. A palavra plenitude é “pleroma”, aquilo que preenche, aquilo que completa. Você entende isso? A igreja é esse pleroma, ela completa Cristo e também é cheia de Cristo. Deus quer um vaso corporativo, não um vaso individual. Não é questão de escolher um cristão que tem zelo, um cristão que seja consagrado de forma que esse cristão venha trabalhar num nível individual. Não! Esse não é o propósito de Deus. Os vasos individuais não podem completar o próprio Cristo, não podem completar o plano de Deus. Ele escolheu a igreja. A igreja é a meta de Deus. Somente a igreja, que é o Cristo corporativo, pode alcançar a meta de Deus e completar o plano de Deus. Lembram o que Paulo diz em Efésios 5:32?

“Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja”

Temos que entender que na Bíblia nós encontramos os vários mistérios, mas, do ponto de vista do supremo e eterno propósito de Deus, vamos encontrar dois grandes mistérios. O primeiro mistério está em Efésios 3, a partir do versículo 3, e é denominado de o Mistério de Cristo. E quando você estuda esse capítulo, descobre que esse mistério é a igreja. Mas lá em Colossenses 2 nós vamos ver um outro mistério, denominado de o Mistério de Deus. Quando você estuda esse capítulo, descobre que esse mistério de Deus é Cristo. Então, o mistério de Cristo é a igreja, e o mistério de Deus é Cristo. Esses são os dois mistérios universais. A Palavra de Deus não diz que a igreja é como o corpo de Cristo, a Palavra de Deus diz que a igreja é o corpo de Cristo. Qualquer coisa que negar exteriormente essa realidade não condiz com a Palavra de Deus. Podemos olhar para a Bíblia e ver que essa é a grande e suprema revelação que nós precisamos obter. Por falta de compreensão dessa verdade acerca do corpo de Cristo é que muitas divisões surgem, é que alguns homens acham que podem buscar preeminência como fizeram Coré, Datã e Abirão. Muitos gostam de ter uma posição exaltada no meio do Povo de Deus, mas no meio do Povo de Deus somente Cristo deve ter uma posição exaltada. Talvez você não veja uma rebelião nesse tipo de situação, mas quando as pessoas gostam de ser chamadas de reverendos pelo povo de Deus, temos uma rebelião direta a Deus. Como se fossem pessoas dignas de reverência! Ora meus amados irmãos e irmãs, essa é uma rebelião aberta, porque esse tipo de comportamento contradiz a Palavra de Deus. Somente Cristo deve ser reverenciado na igreja. É lógico que nós respeitamos uns aos outros, é lógico que nós precisamos reconhecer a unção de Cristo na vida daqueles que ele chamou para o santo encargo do ministério, mas isso não significa que essas pessoas sejam como uma classe, como os nicolaítas que vemos em Apocalipse, tanto na igreja de Éfeso quanto na igreja de Pérgamo.
Primeiro vemos um comportamento, depois um ensinamento. Na igreja de Éfeso, Apocalipse 2, nós temos um comportamento, mas em Pérgamo temos um ensinamento, pois o comportamento virou doutrina, uma prática. Esse tipo de comportamento deve ser banido do meio do povo de Deus. Os ministros e os ministérios no corpo de Deus estão para servir, para suprir, para se doar, para permitir que Cristo, o Pastor, que Cristo, o Profeta, que Cristo, o Evangelista, que Cristo, o Mestre, que Cristo, o Apóstolo, seja ministrado, derramado, na vida daqueles os quais Ele escolheu, e também fluir por meio deles, para edificar, para levar-nos ao desempenho do ministério, da vocação de cada membro desse corpo; para levar-nos à perfeita estatura da medida de Cristo em cada um de nós. Leia Efésios 4:11, 12 e 13 e você vai entender claramente essa realidade espiritual. Não há lugar para aqueles que almejam simplesmente posição no meio do povo de Deus, porque todos nós temos que entender que a igreja é edificada, não pela posição de alguns, mas por Cristo através da unção ministerial que nós vemos lá em Efésios 4:11: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres – homens que são dádivas de Deus no corpo de Cristo. Ninguém deve almejar para si aquilo que Cristo não lhe conferiu como dom, por mais que ache que isso é notório. Hoje, para muitos, o ministério tem se tornado uma profissão. A vida adâmica é individualista, é independente, não foi assim que Adão viveu, fez e pecou? Ele viveu uma vida independente de Deus, e todos que em Adão participam da mesma vida. Não existe qualquer comunhão entre eles, porque sempre visam viver uma vida independente. A realidade da vida da igreja não pode ser assim. Precisamos ver isso claramente.
Em Cristo todo individualismo é excluído. Se nós desejamos conhecer a vida do corpo, nós não deveríamos ser libertados somente da nossa vida pecadora, dessa vida natural que tende a nos governar, mas também da vida que tende a suprimir a obra do Espírito, essa vida que tende a agir fora da submissão a Deus. Isso tem que ser algo claro para mim e para você. Todo elemento de individualismo deve desaparecer do meio do povo de Deus, porque se não nunca poderemos viver uma vida conforme o propósito de Deus. Foi nessa perspectiva que Coré, Datã e Abirão fracassaram e esse tipo de comportamento perdura até hoje.
Amados, nós precisamos retornar à prática da vida da igreja, à prática do corpo de Cristo. Você tem que compreender que o corpo de Cristo não é uma doutrina, mas um ambiente. Não é um ensinamento, é vida. Você tem que compreender isso. Quando digo que o corpo de Cristo é um ambiente, não estou falando de quatro paredes, mas do lugar onde eu e você vivemos espiritualmente – nEle, com Ele –, e Ele vive em nós. Essa é a grandiosa doutrina chamada entremesclar – Cristo em nós, nós em Cristo; Ele vivendo a Sua vida em nós e nós vivendo a expressão da vida dEle, vivendo Ele, vivendo para Ele. Essa é a vida do corpo de Cristo e nós não podemos viver outra vida que não seja essa. O contrário disso vai gerar fracasso, derrota, rebelião, engano, mentira – é tudo isso que vai haver entre nós.
Que Deus nos ajude por meio do Seu Espírito Santo a entendermos a nossa mais extrema necessidade de vivermos a realidade do corpo de Cristo. Porque o contrário, meus irmãos e irmãs, será o fracasso da igreja. Talvez possamos não fracassar como organização, como instituição, denominação, mas fracassaremos na realidade da vida do corpo de Cristo; fracassaremos como aqueles que estão aqui nesta terra para sustentarem o Testemunho de Deus, fracassaremos em proclamar o Evangelho genuíno, por tudo aquilo que não tivermos vivido como igreja.
Em João 17:21 o Senhor Jesus, orando aquela maravilhosa oração sacerdotal, disse ao Pai:

“21 para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.”

Como nós precisamos amar a comunhão da vida do corpo de Cristo, como nós precisamos proclamar a verdade do corpo de Cristo. Não levantar uma bandeira denominacional, com se fosse essa a verdade ou o supremo ícone daquilo que é o corpo de Cristo numa cidade. Não deve haver isso no nosso coração, precisamos considerar uns aos outros como nossos irmãos. Não podemos ser exclusivistas, somos inclusivistas, incluímos todos os irmãos os quais Deus salvou e perdoou lá na Cruz do Calvário. Temos todos que amar uns aos outros. Não temos que colocar barreiras entre nós, temos que destruí-las e olhar uns aos outros e não ver uma placa denominacional, mas ver o sangue de Cristo que nos fez um, porque nesse sangue todas as barreiras da separação caíram e nós somos o povo de Deus, a igreja de Cristo.
Por não compreender isso, pelas raízes que sustentam essa incompreensão, essa heresia que tem dividido tanto o corpo de Cristo, é que nós vemos o inimigo levar tanta vantagem no meio do Povo de Deus – Por causa da nossa cegueira e por causa da nossa ignorância. Meus amados, não podemos viver na ignorância, nem na cegueira espiritual. A Palavra de Deus é clara e nós precisamos permitir que essa Palavra penetre no nosso coração, para que não venhamos incorrer no erro de Coré, Datã e Abirão, para que não venhamos ferir o testemunho de Deus, para que não venhamos viver a vida da igreja sem experimentar a autoridade e o governo de Deus.
Que Deus venha falar poderosamente ao seu coração.

terça-feira, 8 de março de 2011

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS


Por: D.M Lloyd Jones

CAPÍTULO 8

ORANDO AO PAI


"Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome." – Efésios 3:14-15


A Versão Revista (Revised Version) omite as palavras "de nosso Senhor Jesus Cristo" e traduz deste modo: "Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome". Com ligeira variação, a Versão Revista Modelo (Revised Standard Version) a segue de perto. Com estas palavras o apóstolo toma o assunto que obviamente pretendera tomar no início do capítulo, como vimos quando estávamos examinando o versículo primeiro. Notem que o versículo primeiro começa com as palavras "Por esta causa", como também o versículo 14. * Ele estava para dizer aquilo que agora vai dizer, depois do versículo 15. Seu grande interesse, como ele diz no versículo 13, é: "Portanto vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória". Ele abrira o seu caminho através da grande digressão, e agora retoma àquilo que originariamente tivera a intenção de dizer.
A expressão "Por causa disto" no versículo 14, como no versículo 1, refere-se ao que o apóstolo estivera dizendo no fim do capítulo 2. Portanto, em nossa exposição da afirmação que vamos examinar, devemos ter o cuidado de assegurar-nos de que se ligue com o que fora dito no fim do capítulo 2. Seu ponto essencial era mostrar a estes efésios que eles tinham sido introduzidos num estado de completa unidade, na Igreja Cristã, com os judeus que também tinham crido no evangelho. Vós não sois mais, garantiu-lhes ele, "separados e estranhos, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; e sois edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Jesus Cristo mesmo a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor; no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito". Essa é a elevada concepção e descrição que ele faz ali da Igreja Cristã.

* No grego as expressões são idênticas nos dois lugares. Nota do tradutor.
É-nos claramente importante que tenhamos em mente a conexão, pois é só quando nos lembramos do que Paulo vem dizendo que temos a possibilidade de entender o que ele está para dizer agora. Esta outra verdade, esta oração que agora ele vai oferecer em favor destes efésios, surge por causa da posição deles como concidadãos dos santos e como membros da família de Deus. Pertenciam à família de Deus e constitu¬íam parte do templo santo no Senhor em que Deus faz a Sua habitação pelo Espírito. Tendo isso tudo em mente, podemos acompanhar o apóstolo quando diz a estes efésios que ele está orando por eles. "...Me ponho de joelhos perante o Pai".
Por ora me proponho apenas a fazer alguns comentários sobre o modo pelo qual o apóstolo introduz a grande oração que oferece pelos efésios. A primeira coisa que se deve acentuar é que ele ora por eles. E, tomando isto em seu contexto, é uma coisa de grande valor para nós. Quando Paulo estava escrevendo esta carta era prisioneiro; esta é uma das "epístolas da prisão". Provavelmente era prisioneiro em Roma, porém isto é pouco importante. O importante para nós é saber que ele está realmente dizendo que, embora prisioneiro, embora um perverso inimigo o tenha encarcerado, o tenha posto em grilhões, o tenha impossibilitado de visitá-los em Éfeso e de pregar-lhes (ou de ir a qualquer outro lugar para pregar), há uma coisa que o inimigo não pode fazer – não pode impedi-lo de orar. Ele ainda pode orar. O inimigo pode confiná-lo numa cela, pode meter ferrolhos e trancas nas portas, pode algemá-lo a soldados, pode pôr grades nas janelas, pode enclausurá-lo e confiná-lo fisicamente, entretanto nunca poderá obstruir o cami¬nho do coração do crente mais humilde para o coração do Deus eterno. De muitas maneiras, neste nosso incerto mundo moderno esta é uma das mais confortantes e consoladoras verdades que podemos aprender. Pensem no que isto significa para centenas, para não dizer milhares de cristãos em diversas partes do mundo neste momento. Alguns estão na prisão, alguns em campos de trabalho forçado. Estão sujeitos a incontáveis sofrimentos e indignidades, porém graças a Deus ainda podem asseverar que "muros de pedra não fazem uma prisão, nem barras de ferro uma jaula". O espírito de oração continua livre, apesar de toda a malignidade dos cruéis tiranos. Os homens podem proibir¬-nos de falar com os lábios, mas ainda que juntassem os nossos lábios e os costurassem, poderíamos continuar orando em nossos espíritos, poderíamos continuar orando a Deus.
Isto será sempre aplicável a nós, sejam quais forem as nossas circunstâncias e condições. Há ocasiões em que parece que nós, cristãos, estamos numa espécie de prisão. Podemos ser enclausurados e amarrados, talvez por alguma doença ou debilidade física, ou pelas circunstâncias, ou pode ser que as circunstâncias nos impeçam de vir à casa de Deus ou de manter companheirismo com outros. Com frequência os cristãos se vêem nessas circunstâncias ou condições. Lembremos que, o que quer que as circunstâncias ou os perversos nos façam, sempre estará aberto para nós este ministério e atividade. Nada terá por que impedi-lo. Noutras palavras, se você se achar doente e preso ao leito, não significa que será inútil durante esse período, não significa que não poderá fazer nada. Ainda poderá orar. Poderá orar por si mesmo; poderá orar por outros; poderá tomar parte num grande ministério de intercessão.
Às vezes temo que nos inclinamos a esquecer isto. Tornamo-nos uma geração de cristãos tendentes a viver de reuniões. Isto pode soar estranho numa época em que a frequência à igreja é muito baixa. Não obstante, penso que é verdade que os que ainda se reúnem tendem a depender demais da sua frequência às reuniões e a achar que, quando são deixados de lado em seus leitos de enfermidade, não há nada que possam fazer, exceto esperar até ficarem bem de saúde novamente. Isso é uma total falácia. Paulo estava muito ativo e ocupado na prisão. Passava o tempo, deduzimos, em oração por várias igrejas. Vemos nas epístolas da prisão que ele afirma que estava orando constantemente, diariamente por elas. Ocasionalmente podia enviar-lhes cartas, embora apenas algumas tenham sobrevivido. Contudo ele constantemente amparava todas as igrejas com as suas orações, e orava pelas pessoas a elas pertencentes. Estava exercendo um grande ministério na prisão. Não era o seu ministério usual, pois ele era pregador, evangelista, era um mestre incomparável. Ele não diz aos seus amigos que agora não pode fazer nada, pois está sem ânimo na prisão, e a única coisa que pode esperar é que, de um modo ou de outro, logo seja posto em liberdade. Absolutamente não! Esta tremenda atividade na oração continua. Tenhamos este fato em mente.
E quanto mais há pelo que orar na época atual, com o mundo como está, e com tantos cristãos sofrendo como estão! Posso fazer uma pergunta simples e óbvia? Quanto do nosso tempo dedicamos diaria¬mente à oração em favor de cristãos doutros países? Temos o tempo e o vagar; nem estamos na prisão. Temos tempo para fazer muitas coisas não essenciais e nem mesmo proveitosas. Quanto tempo estamos dedicando à intercessão e à oração pelos outros? Somos chamados para levar as cargas uns dos outros, para compartir os infortúnios uns dos outros. Eis aqui um homem que fez isso na prisão tendo tudo contra ele. Vamos, digo eu, vamos dar ouvidos a este chamamento para a oração. Assim como Paulo sabia que podia ajudar os efésios orando por eles, nós também podemos ajudar outras pessoas – pessoas com as quais talvez nunca nos tenhamos encontrado, mas sabemos que nesta hora estão sofrendo e estão com vários tipos de problema. Passemos algum tempo junto ao trono da graça em favor delas.

A seguir lembra-nos aqui o apóstolo que a oração é sempre neces¬sária como instrução. Seria um grande engano ficarmos com a impres¬são de que o apóstolo estava orando por estes efésios só porque não lhes podia pregar; no entanto quero deixar igualmente claro que não foi esse o seu único motivo para orar por eles. Estivesse ele em liberdade, continuaria orando por eles. Aqui, mais uma vez, está um principio que parece um tanto negligenciado por nós. E essencial que oremos por nós mesmos como o é que nos instruamos. Acreditamos que temos neces¬sidade de instrução: lemos a Bíblia, lemos comentários, lemos livros sobre a história da Igreja, lemos livros sobre doutrina. É certo fazê-lo, é essencial; nunca poderemos saber demais. Precisamos de instrução, precisamos de esclarecimento – para isso estas Epístolas foram escritas. O apóstolo acreditava que a doutrina é essencial; a instrução deve ter prioridade. Mas transmitir conhecimento não basta. É igual¬mente essencial que oremos – que oremos por nós mesmos, para que Deus nos faça receptivos ao conhecimento e à instrução; que oremos para sermos capacitados a agasalhar o conhecimento recebido e aplicá-lo; que oremos para que não fique só em nossas mentes, e sim que se apegue aos nossos corações, dobre as nossas vontades e afete o homem todo. O conhecimento, a instrução e a oração devem andar sempre juntos; jamais devem estar separadas.
A oração é igualmente necessária em nossos procedimentos para com os outros. Isso é deveras proeminente aqui, por certo. Paulo estava escrevendo esta rica e profunda doutrina, e ele sabia que os efésios a iriam ler, discutir e estudar juntos. Mas sabia que isso não é suficiente, de modo que orava no sentido de que o ensino que lhes ministrava se tornasse real para eles. E sabia que nunca poderia tornar-se real, a não ser sob a direta bênção de Deus. O melhor ensino do mundo é inútil, se o Espírito não o toma, não o aplica e não abre o nosso entendimento para ele, e não lhe dá um amplo e profundo lugar em todo o nosso ser para abrigá-lo. Já vimos no capítulo primeiro como o apóstolo estivera orando pelos cristãos efésios para que "tivessem iluminados os olhos do seu entendimento." Pois se o Espírito não abrisse "os olhos do seu entendimento", o ensino do apóstolo seria completamente inútil e vazio.
Tiremos uma lição muito prática disso. Todos nós temos amigos não cristãos, com os quais nos preocupamos. Desejamos muito ajudá-los e lhes falamos acerca destas coisas. Citamos e explicamos as Escrituras para eles. Tentamos mostrar-lhes a atitude e a posição cristãs com respeito às presentes condições da vida em todos os seus aspectos. Todavia devo salientar que se pararmos aí, poderá dar em nada. Não se pode levar ninguém à vida cristã pelo raciocínio. Vocês podem dar as razões para crerem, mas não podem levá-los a crer pela razão. Vocês podem pôr a causa diante deles, mas não podem prová-la como se fosse questão de um teorema da geometria. Devemos compreender que, enquanto os instruímos, devemos orar por eles também. É só quando o Espírito Santo lida com eles e os prepara e abre o entendimento deles, que eles podem receber a verdade.
O apóstolo é perfeitamente coerente com a sua doutrina. Ele sabia que era tão essencial orar por estes efésios como instruí-los por meio desta Epístola. Nós, igualmente, jamais deveremos esquecer que a instrução e a oração andam juntas. Se você, irmão, está interessado numa pessoa em particular, e deseja a sua salvação, você não deve ficar só nisso de favorecê-la, ajudá-la, gastar tempo com ela e expor-lhe a verdade; também deve orar por ela. De fato vou longe a ponto de dizer que, se você não der mais peso à sua oração do que à instrução que lhe oferece, o seu trabalho terá a probabilidade de ser um fracasso. Note o lugar dado à oração intercessória no Novo Testamento. É extraordiná¬rio e espantoso, e é exemplificado particularmente no apóstolo Paulo. Observe também quão dependente era Paulo das orações doutros cristãos. Na maioria das suas cartas ele insta com eles para que orem por ele. Ele os concita a orar no sentido de que haja para ele uma porta à oportunidade, de que tenha liberdade, e assim por diante. Ele compre¬endia plenamente a sua dependência das orações alheias. Nalguns aspectos isto é um mistério; e alguns são tentados a dizer: Deus é Todo¬-poderoso, não há nada que Ele não possa fazer; por que, pois, há necessidade de oração? A resposta é que Deus, em Sua sabedoria eterna, escolheu operar deste modo. Ele faz divisão do trabalho e, de um modo ou de outro, usa as nossas orações e leva os Seus grandes propósitos à execução mediante a instrumentalidade da intercessão dos santos.

Outra importante questão que devemos notar é a maneira pela qual o apóstolo ora; ou seja, devemos dar atenção ao método, modo ou maneira da sua oração. Vê-se aqui uma coisa notável e significativa. "Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai." Não é preciso afirmar que no momento em que escrevia, o apóstolo se pôs de joelhos literalmente. Pode tê-lo feito; não sei. Mas o que evidentemente ele está dizendo é que orava por eles, e o que nos interessa é o modo como ele decidiu descrever a oração. Ele não orava ao acaso, acidentalmente, porém muito deliberadamente. Sob a inspiração divina o homem não fala casualmente, não diz coisas acidentalmente. Muito deliberadamente, quando vem a falar sobre a oração que faz, diz ele: "Ponho-me de joelhos".
Esta expressão nos coloca face a face com a questão geral da nossa postura na oração. É um ponto que tem perturbado muitas pessoas de duas maneiras diametralmente opostas; a tendência e ir de um extremo a outro. Contudo as Escrituras são muito claras sobre a questão. Elas ensinam que às vezes os homens dobram os joelhos ou se ajoelham para orar; mas igualmente é clara em seu ensino que outros ficam de pé para orar. Ambos os métodos são mencionados nas Escrituras, e ainda outros, como prostrar-se em terra.
Esta questão deve reter-nos por um momento, porque pode ser manipulada de maneira errônea, e até estulta. Há dois extremos que devemos observar. Um é o formalismo, e o outro é a irreflexão ou negligência. O formalismo virtualmente ensina que, se não ajoelhar¬mos de verdade não estaremos orando de modo algum. Há gente que acredita sinceramente que os não-conformistas, isto é, pessoas não anglicanas nunca oram verdadeiramente na igreja simplesmente por¬que não se ajoelham. Para tais pessoas o ajoelhar-se é vital e essencial à oração. Esquecem-se totalmente das referências bíblicas ao ficar de pé. Podemos colocar dentro da mesma categoria todos os que pensam que as formas de liturgia são absolutamente essenciais. Do outro lado estão os que afirmam o princípio da liberdade. No entanto, também é possível exagerar no princípio da liberdade, dando em licença, frouxi¬dão, relaxamento e irreflexão, podendo levar a um modo de orar totalmente indigno de Deus.
Certamente o princípio vital envolvido é que o que importa não é a postura ou a atitude por si só, mas o que esta representa ou indica. Dobrar os joelhos é uma indicação de reverência, daquilo que o autor da Epístola aos Hebreus quer dizer quando escreve no capítulo 12, sobre "reverência e piedade". Indica uma atitude de culto, adoração e louvor. É óbvio que alguém pode cair sobre os joelhos mecanicamente, quando são pronunciadas certas palavras, mas o coração pode estar longe. Há pessoas cuja reverência é inteiramente determinada pelo tipo de edifício em que elas se acham. Se se vêem em tipos de edifícios semelhantes a catedrais caminham suavemente e falam sussurrando; porém assim que saem podem até blasfemar e amaldiçoar. Assim, o que fazem no edifício não é demonstrar reverência, é simplesmente refletir que o edifício as afeta psicologicamente. As Escrituras não estão interessadas nesse tipo de comportamento. Há homens que podem ser sumamente devotos em sua postura, fazendo o sinal da cruz ou cunhando outras atitudes; mas isso não tem valor, se não for verdadeira expressão do estado dos seus corações. Contudo – e isto precisa ser salientado – o estado do coração expressa-se inevitavel¬mente. E é aqui que a expressão utilizada pelo apóstolo é tão interes¬sante.
Este assunto está ligado diretamente ao que estivemos considerando sobre a magnífica e animadora declaração do apóstolo: "No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele". Como é vital que isso esteja sempre acoplado a "Ponho-me de joelhos", a fim de lembrar¬-nos de que ousadia não significa descaramento, e que confiança não significa familiaridade fácil. Ousadia junto ao trono da graça não é presunção. Confiança não é atrevimento. Acentuo isto porque existem aqueles que parecem pensar que a marca por excelência da espiritualidade e da segurança da salvação é orar a Deus com familiaridade frouxa e verbosa, o que é uma completa negação daquilo que é ensinado aqui e em toda parte das Escrituras.
Há um tipo de pessoa que pensa que, se você quer provar quanto é espiritual, terá que orar à moda comercial. Deverá proferir petições curtas, petições quase telegráficas. Essa gente ensina que você deve estar tão seguro da sua posição diante de Deus que ignorará por completo isso de "temor e tremor", na verdade ignorará todo e qualquer ato de culto e adoração antes de apresentar os seus pedidos. Muitas vezes, infelizmente notei isto em congressos de cristãos conservado¬res. Com frequência a reunião de oração é dirigida da seguinte maneira: lê-se uma lista de coisas pelas quais orar, os chamados pedidos de oração, e depois o dirigente diz: "Bem, agora vamos ao trabalho, vamos orar". E assim as pessoas presentes se levantam uma após outra e apenas elevam petições muito curtas concernentes a estes vários problemas. Estive em reuniões desse tipo e não hesito em afirmar que não houve ali nenhuma adoração. Deus não foi cultuado, não foi louvado, não foi adorado. Nem mesmo Lhe deram graças por Suas grandes mercês. Não houve menção de Sua majestade e de Sua glória, Não houve o "dobrar de joelhos". Alguns talvez se tenham ajoelhado literalmente, porém seus espíritos não se curvaram. Tudo era tomado como líquido e certo.
Essa é a atitude que a declaração de Paulo corrige tão drasticamente. É uma atitude que, longe de ser um sinal de espiritualidade é, na verdade, o inverso. Sua base está na ignorância – ignorância quanto às Escrituras e ignorância quanto a Deus. Se já houve um homem que conheceu a Deus, se houve um homem que conheceu o caminho para a presença de Deus, foi este vigoroso apóstolo; e, todavia, ele "dobra os seus joelhos". Ele sabia de quem se aproximava. Não agia em termos de uma verbosa familiaridade com Deus. "Ousadia e acesso com confiança", sim, mas juntamente com "reverência e santo temor", pois "o nosso Deus é um fogo consumidor". Recordemos a interpretação do versículo 12, segundo a qual devemos livrar-nos de um covarde temor porque conhecemos as bases da nossa posição, e também sabemos que temos acesso e entrada à presença de Deus. No entanto isso não significa que podemos caminhar atrevidamente, com o peito para a frente, por assim dizer, para a presença do Deus Todo-Poderoso. Devemos estar sempre e humildemente cientes do nosso grande privilégio. Sabemos que temos acesso, entretanto lembramos de que se trata de acesso à presença do Deus vivo, em toda a Sua glória e poder. "Ponho-me de joelhos." Culto, adoração, louvor! Jamais devemos começar a fazer petições particulares enquanto primeiro não tivermos prestado culto, louvor e ação de graças a Deus, e não nos tivermos submetido completa e inteiramente a Ele.
A palavra perante – "me ponho de joelhos perante" – é muito expressiva e significa "frente a" ou "face a face". Ele dobra os joelhos para ficar face a face com Deus. No momento em que compreendermos que a oração significa vir e ficar face a face com Deus, não poderemos fazer outra coisa senão dobrar os joelhos. Quando Isaías teve a sua visão de Deus, disse: "Ai de mim, pois sou homem de lábios impuros" (6:5). Quando João teve a sua visão "em Patmos, caiu por terra como morto" (Apocalipse 1:17). Não seria necessária esta exortação se tivéssemos uma real concepção da glória de Deus. Se tão-somente tivéssemos um vislumbre de Deus, tremeríamos ao estar face a face com Ele. Demos de novo graças a Deus por isto. Onde quer que estejamos, quaisquer que sejam as nossas circunstâncias, no Senhor Jesus Cristo e por meio dEle podemos vir e estar face a face com Deus. "Todos nós, com cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor..." – diz o mesmo apóstolo aos Coríntios (2 Coríntios 3:18).

Finalmente chegamos à descrição que o apóstolo faz aqui de Deus, Aquele de quem ele se aproxima de espírito humilde e ajoelhado em seu coração. Diz ele que vem "ao Pai, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome". A Versão Autorizada (Authorized Version) e Almeida, Revista e Corrigida têm "o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo", ao passo que outras versões têm simplesmente "o Pai". Isto é pura questão de crítica textual que em nada afeta o sentido. O apóstolo já deixara mais que claro que Deus só é nosso Pai no Senhor Jesus Cristo e por meio dEle.
No versículo 15 temos uma afirmação sumamente interessante. "Do qual" significa realmente "Segundo o qual" ou na verdade "Procedente do qual". Quanto ao restante da afirmação, a Versão Autorizada (e Almeida) tem "Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome". Certas outras traduções têm "Do qual (ou procedente do qual) toda a família nos céus e na terra toma o nome". Em última análise, a diferença não é séria; mas a interpretação feita particularmente varia conforme a tradução ou versão adotada. A tradução "Do qual (ou procedente do qual) toda a família nos céus e na terra toma o nome" coloca a ênfase na palavra "família" com o sentido de "pertencente a uma linhagem comum”. Esse é o significado da palavra "família" propriamente dita. Pode significar também tribo ou classe ou nação. Além disso toda família tem um nome de família. O nome de família deriva de um pai originário; as tribos de Israel todas tomaram seus nomes de um homem em particular. "Nosso Senhor veio da família e linhagem de Davi" Ele era "da descendência de Davi segundo a carne". Todos os grupos receberam seus nomes de uma procedência semelhante a essa. E assim, de acordo com esta interpretação, o que o apóstolo está dizendo aqui é que todas estas distinções e divisões em famílias, tribos, grupos e nações, que reconhecem algum líder ou pai, são apenas pálidos reflexos do fato de que Deus é o Pai de todos; Ele é o Pai de todas as famílias de cada família. Ele é Aquele de quem deriva todo parentesco ou toda paternidade subsidiaria. Portanto, em última instância, Ele é o Pai de todos.
Observemos que o apóstolo não diz somente "na terra", e sim também "nos céus" – "toda a família nos céus e na terra" – e a linha de interpretação a que me referi há pouco dá a seguinte explicação. No versículo 10 Paulo diz: "Para que agora os principados e potestades nos céus”; e no fim do capítulo primeiro ele escreveu mais detalhadamente ainda, dizendo que Cristo está "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia". Há diferentes grupos no céu; os seres angelicais se dividem em anjos e arcanjos, e há varias outras subdivisões. Dividem-se, por assim dizer, em grupos, famílias e tribos. Assim aqui, conforme afirmam, o apóstolo está dizendo que não somente todas paternidade, nação, tribo e divisão têm sua origem última na paternidade de Deus, mas também que os próprios agrupamentos do céu estão todos sob esta paternidade universal. Na verdade dizem que o Velho Testamento se refere aos anjos como “filhos de Deus”, de modo que, num sentido eles são Sua prole e ”Deus é o seu Pai."
Esta linha de exposição é verdadeira; porém é verdadeira só no sentido em que Deus é o Criador de todos. O apóstolo seguiu esta linha quando, pregando em Atenas, disse: "Pois somos também sua geração (de Deus)" (Atos 17:28). Nesse sentido o mundo todo é geração de Deus. Ele é o Pai no sentido em que é o Criador de todos. Se isto for mantido em mente, a interpretação a que me referi é legítima e veraz. E contudo, quanto a mim, não a aceito aqui, e isso porque não me parece adequar-se ao contexto; parece extrair algo que, neste ponto em particular, é irrelevante.
A expressão "Por causa disto", como vimos, refere-se ao capítulo 2, e ali certamente nós temos a chave para a explicação daquilo que Paulo quer dizer aqui. Pois no versículo 18 do capítulo 2, lemos: "Por que por ele (Cristo) ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito". Esteja atento a esta referência ao Pai. E ainda: "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus" – "família de Deus"! Temos aqui as duas expressões, o "Pai" e a "família". Certamente o que o apóstolo está dizendo aqui no versículo 15 do capítulo 3 é que Deus é o Pai de toda a família. Que família? A família dos redimidos! Desta "família" dos redimidos, alguns já estão no céu, e alguns ainda estão na terra; mas todos eles pertencem à mesma família, a toda a família. Noutras palavras, a minha opinião é que o apóstolo está dizendo aqui precisamente o que o autor da Epístola aos Hebreus diz no capítulo 12 da sua Epístola. Eis suas palavras: "Porque não chegastes ao monte palpável... Mas chegastes ao monte de Sião, e à cidade de Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus". Assim o apóstolo está dizendo que ora em favor dos efésios, Àquele que é o Pai de todos. Agora Ele é o Pai deles, visto que entraram na Igreja, como também é o Pai do apóstolo. Ele é o Pai de todos os que crêem. Agora já "não há grego nem judeu... bárbaro, cita, servo ou livre" (Colossenses 3:11). Não mais distanciados, os cristãos chegaram perto.
Creio que o apóstolo empregou esta forma de expressão com o fim de ensinar estes cristãos efésios a não pensarem mais em si mesmos como gentios. Agora deviam pensar em si mesmos como filhos de Deus, como pertencentes à grande família de Deus. Este foi o maravi¬lhoso resultado daquilo que lhes acontecera, quando foram feitos "membros da família de Deus", "co-herdeiros" com os judeus, mem¬bros do mesmo corpo, participantes das mesmas promessas; eles tinham sido introduzidos na grande família de Deus.
Nada do que possamos aprender nos é mais precioso do que compreendermos esta gloriosa verdade. Você pode ser um desconhe¬cido para o mundo, pode ser insignificante, ou pode sentir-se esquecido e achar que ninguém sabe nada a seu respeito; e pode ser verdade. Não obstante, se você está "em Cristo", se você é cristão, você pertence a Deus, está em Sua família, e seu Pai olha por você. Nada poderá acontecer a você sem a Sua participação e a Sua permissão; "os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mateus 10:30). Você é tanto filho de Deus como o maior santo, como o mais poderoso apóstolo que já viveu. Há somente uma família, "toda a família", e Ele é o Pai de toda a família, tanto da Igreja "militante" como da Igreja "triunfante". Todos nós temos este acesso à Sua presença. E aqui este grande irmão, o apóstolo Paulo, este poderoso irmão que era tão adiantado em conhe¬cimento, diz aos seus humildes irmãos, aos seus recém-chegados irmãos de Éfeso, que ele vai à presença do "nosso Pai" a favor deles e que está a ponto de pedir-Lhe certas coisas para eles.
Pertencemos a esta família, a "toda (esta) família". Nunca nos esqueçamos disto – principalmente quando orarmos e nos aproximar¬mos de Deus em adoração. Mas nunca nos esqueçamos disto também em nossa conduta e em nosso comportamento. Sabemos o que é ter orgulho das nossas famílias e do "nome de família". Sabemos o que é ter orgulho do país, de uma classe, ou de um grupo, ou de uma escola – orgulho do nome! Portanto, como cristãos, vamos lembrar-nos sempre de que o Nome que está sobre nós é o nome de Deus, "do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome". O que realmente importa não é mais a família de Davi, não é mais esta ou aquela tribo, não é mais este ou aquele país, esta ou aquela classe, este ou aquele grupo. Não! O nome de família que me arrogo é o nome de Deus, e devo viver neste mundo como alguém que representa está família, como alguém que representa este Pai. Seu nome está sobre mim; assim, oxalá nunca seja ele manchado. Que jamais os homens venham a pensar mal de Deus e do Seu nome por causa daquilo que eles vêem em mim!
Queira Deus abrir os nossos olhos para os privilégios que temos graças ao Nome que levamos, e também para a alta e, de muitas maneiras, tremenda responsabilidade de levar sobre nós o nome de Deus!

segunda-feira, 7 de março de 2011

AS 42 JORNADAS NO DESERTO


Irmãos em Cristo, continuaremos nessa semana o estudo sobre a 19ª estação "Queelata", quantas riquezas espirituais recebemos até aqui por meio da Palavra, precisamos tomar posse dessas riquezas pela fé, que o Senhor nos ganhe cada vez mais, irmão prossigamos em conhecer o Senhor para fazermos a Sua vontade!

CAPÍTULO 96

19ª Estação – Queelata (parte 06)

TEXTO: Números 16:12-18

Vamos dar prosseguimento ao estudo sobre Queelata. Essa que é a 19ª estação na qual aprendemos alguns princípios tão importantes acerca da autoridade espiritual.
Sabemos que Coré, Datã e Abirão, três levitas, aqueles que eram da ordem dos coatitas, tinham o encargo de carregar os utensílios sagrados do tabernáculo e, motivados por ambição, soberba e orgulho, aspiravam ao sacerdócio. E por causa disso muitas pessoas, cerca de 200 pessoas, foram incitadas contra a autoridade de Deus na vida de Moisés e Arão.
Em Números 16, texto relativo a essa estação, os versículos 12 a 18 dizem assim:

“12 Mandou Moisés chamar a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe; porém eles disseram: Não subiremos; 13 porventura, é coisa de somenos que nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para fazer-nos morrer neste deserto (...)”.

Observem que eles estão dizendo que a terra que mana leite e mel é o Egito, e não a terra de Canaã. Aqui eles estão culpando Moisés de tê-los tirado da terra que mana leite e mel para levá-los para morrer no deserto. Vejam o quanto essa raiz do orgulho que motiva a rebelião carrega em si motivações, pretensões, erradas. Como as pessoas distorcem a verdade; como a visão das pessoas é curta; como as pessoas perdem a visão por causa de motivações erradas no serviço da obra de Deus. Essas pessoas aqui foram separadas para poderem servir na obra de Deus. Será que ainda não tinham aprendido por meio das várias experiências pelas quais Deus havia levado este povo a passar! Em cada uma delas Deus trouxe tratamento e, nesses tratamentos, lições. Como eles não aprenderam! É incrível como as pessoas esquecem depressa os tratamentos de Deus, as lições provenientes das experiências espirituais.
Agora vejam como eles têm uma visão distorcida do Egito em relação ao propósito de Deus com Canaã. A terra que mana leite e mel é o Egito. Então eles dizem:

“(...) é coisa de somenos que nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para fazer-nos morrer neste deserto, senão que também queres fazer-te príncipe sobre nós?(...)”.

Eles estão agora culpando Moisés de ter realizado esta tremenda conspiração, tirar o povo de Israel do Egito, onde viviam debaixo do jugo de Faraó, trabalhando como escravos, para levá-los ao deserto e, ainda, de querer ser príncipe sobre eles. Prosseguindo, dizem:

“(...)14 Nem tampouco nos trouxeste a uma terra que mana leite e mel, nem nos deste campos e vinhas em herança (...)”.

Que herança eles tinham no Egito? Que herança tinha um escravo lá no Egito? Vejam o que a falta de visão espiritual pode provocar na vida de uma pessoa. Como a verdade é distorcida, como as pessoas perdem o foco e ficam presas a uma teia maligna e não percebem que estão tocando na autoridade de Deus. Não percebem que estão afrontando a Deus. Nós sabemos que o nosso inimigo é astuto e age deliberadamente quando as pessoas não têm um alvo definido concernente à vontade de Deus, quando vivem emaranhadas em confusões. Precisamos ser cuidadosos. Vamos dar continuidade:

“(...) pensas que lançarás pó aos olhos destes homens? Pois não subiremos. 15 Então, Moisés irou-se muito e disse ao SENHOR: Não atentes para a sua oferta; nem um só jumento levei deles e a nenhum deles fiz mal. 16 Disse mais Moisés a Corá: Tu e todo o teu grupo, ponde-vos perante o SENHOR, tu, e eles, e Arão, amanhã. 17 Tomai cada um o seu incensário e neles ponde incenso; trazei-o, cada um o seu, perante o SENHOR, duzentos e cinqüenta incensários; também tu e Arão, cada qual o seu. 18 Tomaram, pois, cada qual o seu incensário, neles puseram fogo, sobre eles deitaram incenso e se puseram perante a porta da tenda da congregação com Moisés e Arão.

Vejam que cenário! A queixa desses homens era porque eles haviam sido reprovados por Deus. Você que está estudando essas jornadas sabe disso. Desde Ritma, quando recusaram entrar na terra, por causa da incredulidade, por causa daqueles dez espias, eles foram reprovados por Deus. E agora não mais iriam entrar na terra. No final da história, como sabemos, eles iriam caminhar por trinta e oito anos a mais, iriam cair mortos e uma nova geração iria possuir a terra. E foi assim que aconteceu, pois eles foram reprovados, Deus os rejeitou. Mas sabemos que esse povo não conhecia os princípios da disciplina de Deus, não conhecia o caráter de Deus. Em toda essa revolta, que aparentemente era contra Moisés e Arão, na verdade, eles estavam protestando contra o próprio Deus. Toda a rebelião deles tinha um foco: Deus.
Um grave problema que vemos nesse povo não era somente a questão da murmuração, porque isso nós temos visto. Em várias dessas estações vemos esse povo murmurando. Estudando essas jornadas vamos ver justamente isso. Quando não murmuravam por causa da água, murmuravam por causa da comida; estavam sempre a murmurar. Mas esse não era o grave problema, havia outro muito pior: um coração que nunca se arrependia. Eles não conheciam o verdadeiro quebrantamento, a verdadeira rendição. De todos os pecados que cometeram contra o próprio Deus, nunca se viu nesse povo um sinal de quebrantamento, de arrependimento. Ao contrário, sempre exigiam mais, sempre queriam mais. Não havia uma entrega a Deus, não havia confissões de pecados, sempre queixosos.
Isso caracteriza, dentro do nosso próprio contexto, esse tipo de cristianismo onde Deus é sempre um negócio vantajoso para as pessoas, onde as pessoas procuram viver a vida cristã tendo um único alvo em Deus: elas mesmas. Sempre a satisfação das pessoas está acima da satisfação de Deus; querem relacionar-se com Deus tendo sempre em vista o seu próprio bem. Não que seja errado nos relacionarmos com Deus para o nosso bem. A questão é que temos que ter sempre em vista Deus em primeira instância e não nós. O nosso bem só pode ser alcançado quando Deus, em primeiro lugar, é exaltado, é magnificado, é glorificado. Quando Ele está satisfeito, nós estamos bem. Não é o nosso bem em si; o nosso bem sempre tem que estar debaixo da glória de Deus. E a glória de Deus sempre estará exaltada quando Ele tiver toda satisfação em nós.
Você tem que compreender que o arrependimento é um caminho contínuo na vida do cristão. Porque não temos que nos arrepender apenas do que fazemos, mas temos que nos arrepender, sobretudo, de quem somos. O arrependimento, quando é verdadeiro, atinge a raiz da iniquidade e livra o nosso coração do pecado. Esse povo não tinha experimentado isso em essência. Como precisamos conhecer o caminho do arrependimento, do quebrantamento. Porque o arrependimento é a mudança da mente, enquanto a regeneração é a mudança do homem. Nós temos que experimentar isso em nossa vida cristã. O irmão Moody diz que o arrependimento é a lágrima nos olhos da fé. Eu e você precisamos entender isso, pois é justamente aqui, nesse ponto, que temos que parar, refletir. Esse povo não arrependia. Deus tratava, disciplinava, não com o propósito de reprová-los, mas com o propósito de ganhá-los.
Estudando todo o capítulo 14 de Números, começamos com a 15ª estação, Ritma. Em Ritma, vemos que eles recusaram entrar na terra. Logo em seguida, temos Rimom-Perez, onde tentaram ir pelas próprias forças, mesmo tendo Moisés dito que não fossem, pois Deus não iria com eles. Depois temos outra estação, Libna, no capítulo 15 de Números. Nesse capítulo nós vamos ver que Deus coloca diante deles o meio pelo qual pudessem entrar – somente através do sacrifício. No Novo Testamento, na linguagem do Novo Testamento, isso nos revela a cruz de Cristo. Por nós mesmos, pela nossa própria força, nós não vamos entrar. Aqui está o recomeço.
Se fizermos uma trajetória dessas estações, iremos descobrir que Queelata é a primeira estação quando Deus manda que retornem, para poder tratar com eles. E qual é o primeiro sinal que eles dão diante de Deus em relação à Palavra de Deus, ao caminho que Deus coloca diante deles? Rebelião! O que caracteriza um coração que nunca se arrependeu. Nós temos que olhar para isso porque é muito sério. Eles deveriam ter se arrependido, porque o arrependimento é uma transformação completa do coração natural do homem com respeito ao pecado. Aqui se vê o orgulho. Nosso orgulho sente desgosto por nossas falhas e muitas vezes confundimos esse desgosto com o verdadeiro arrependimento. E é nisso que o coração fracassa. O irmão Jhon Owen, que foi um grande puritano do passado, disse: “O pecado deve ser ocasião para a grande tristeza, quando não há tristeza em pecar”. O cristão que parou de arrepender-se, parou de crescer. Nós não podemos esquecer que o arrependimento é o único caminho pelo qual o Evangelho é recebido. É aqui que o Evangelho entra. Nós temos que entender a grande conexão entre arrependimento e santidade. Deus poderia muito bem, através desse caminho de arrependimento, conduzi-los de volta para Canaã. Mas o que eles preferiram? Ao invés de se arrependerem e reconhecerem que ali Deus estava tratando com eles, preferiram se revoltar contra Deus. Nós sabemos qual é o final dessa história; podemos olhar para tudo isso e aprender estas lições em cada uma destas estações, porque o Espírito Santo colocou isso para nós. Deus colocou para eles, lá no capítulo 15 de Números, o meio para eles poderem entrar na terra de Canaã, mas eles não quiseram. Quando vão para a primeira estação, após esse tratamento disciplinar de Deus, eles demonstram o quê? Rebelião.
O arrependimento é o abandono do pecado, devido à convicção de que o pecado ofende a Deus. Então veremos aqui que o arrependimento não é uma idéia, é uma ação. Na verdade, nunca se arrepender do pecado é àquele cujo coração ainda não se voltou contra todo pecado, em toda a sua essência, em toda a sua força. Por isso que o arrependimento tem que começar na humilhação do coração. Nós temos que ver assim, porque é assim que a Palavra de Deus nos diz. E esse é o caminho pelo qual Deus deseja nos conduzir. Nós precisamos compreender que o verdadeiro arrependimento consiste em ter o coração quebrantado, por causa do pecado, e também o desejo incessante de romper com o pecado. E não querer persistir nele, que é o que nós vemos aqui entre Corá, Datã e Abirão. Eles não se arrependeram! Vejam quantos pecados foram cometidos. Pecados que ofendiam a glória de Deus, a autoridade de Deus, a santidade de Deus. Se pegarmos todos os pecados que eles cometeram desde que saíram do Egito, veremos que sempre o pecado deles afrontava a glória de Deus, a santidade de Deus, o poder de Deus. Isso é muito sério! E eles nunca se arrependeram disso. Nós temos que entender que a fé que recebe a Cristo precisa ser acompanhada com o arrependimento que rejeita o pecado. A ideia de que Deus perdoará o rebelde que não desistiu de sua rebelião é contrária tanto a Escritura como ao bom senso. Deus trata duramente contra a rebelião. A Bíblia chega a dizer que a rebelião é como o pecado de feitiçaria.
Então irmãos, que nós venhamos olhar para tudo isso e refletir sobre nós mesmos. Como nós precisamos aprender o verdadeiro caminho do arrependimento, para que Deus possa nos levar por Seu caminho, Sua vontade, Sua verdade, para nos livrar das consequências dos nossos próprios pecados. Porque na história de Corá, Datã e Abirão nós podemos ver a nossa própria vida diante de Deus e diante do nosso próprio coração. Como nós precisamos que o sangue de Cristo Jesus nos limpe da corrupção do pecado, do poder do pecado e da culpa do pecado. Nós não podemos permanecer ignorantes quanto a tudo isso. Não temos o direito de ser ignorantes concernente a este assunto. Vejam que por falta de arrependimento, em cada oportunidade em que Deus tratou com o pecado, com as práticas pecaminosas deste povo, ele deu para eles oportunidades para o arrependimento. Mas aqui nós vemos três homens de projeção proeminente entre o povo, com o encargo da Obra, se levantarem e manifestarem um coração cheio de pretensões perversas e creio que tudo isso sintetiza numa única palavra: "arrependimento”. Isto é, nunca houve arrependimento nesses corações. Eles nunca se quebrantaram diante de Deus em cada situação onde Deus permitiu que eles passassem, onde Deus permitiu que eles até mesmo pecassem e, mesmo assim, nunca demonstraram arrependimento diante de Deus. Aqui nós vemos uma afronta direta a Deus. No estudo sobre este assunto e esta estação nós ainda veremos o duro juízo de Deus contra o pecado de rebelião, contra esta rebelião que tem como propósito afrontar a autoridade de Deus. Isso é muito sério!!!!!

terça-feira, 1 de março de 2011

COMO RESTAURAR UM CASAMENTO

Ezequiel 37: 1-3

“Eu senti a presença poderosa do SENHOR, e o seu Espírito me levou e me pôs no meio de um vale onde a terra estava coberta de ossos.
Ele me levou para dar uma volta por todos os lugares do vale, e eu pude ver que havia muitos ossos, muitos mesmo, e estavam completamente secos.
Então o SENHOR me disse: —Homem mortal, será que esses ossos podem ter vida de novo? Eu respondi: —SENHOR, meu Deus, só tu sabes se podem ou não.

Assim como na passagem acima, muitos casamentos estão mortos e secos que parece não haver nenhuma esperança. Estão como aqueles ossos secos: mortos, desconectados, sem nenhuma expectativa de mudança e em algum tipo de sepultura. Enterrados em coisas pecaminosas ou nas “sepulturas” de suas próprias razões, casais não salvos ou que se desviaram dos caminhos do Senhor, não têm força para sair de onde foram sepultados. Sem “pele”, sem “carnes”, sem “tendões”, frios e inertes, não há mais nada para sustentá-los. Não há mais vida, nem cor. Não há mais planos, nem sonhos. Suas casas se tornaram sepulcros tristes e sombrios. Porque estão mortos e secos, estão também separados e espalhados. Não há mais amor, nem emoção ou sentimento ao se tocarem. Estão na mesma casa, na mesma cama, porém distantes, sem nenhuma unidade. Conselhos e sugestões para casais assim são como flores para um sepulcro. Em breve, as flores se secam, e tudo volta a ser como era: ossos secos, mortos e separados. Quando ávida se vai, o pecado vem, a morte entra e tudo se torna seco.
Alguns cristãos caíram e morreram espiritualmente, afastando-se de Deus e então se casaram. Outros casaram-se e depois caíram numa situação desolada e agora estão presos em suas sepulturas. Alguns foram mortos por seus próprios pecados e envolvimento pecaminosos; outros foram presos por suas próprias razões e cobiças. Quando um casal chega a uma condição dessa, sentimo-nos incrédulos diante da possibilidade de restauração e apenas ousamos dizer como o profeta Ezequiel disse: “Tu o sabes”. Haveria alguma esperança? Duvidamos até mesmo se o próprio Deus seria capaz de fazer algo.

Ouvir a voz do Filho de Deus

Graças a Deus que o Seu poder e vida não estão limitados a condição humana! Deus é o Autor da vida (Atos 3:15) e quem a todos dá vida, respiração e tudo mais (Atos 17:25). Como Deus restaura o caos? Dando vida! E como podemos receber essa vida? Ezequiel 37: 11-13 “O SENHOR me disse: —Homem mortal, o povo de Israel é como esses ossos. Dizem que estão secos, sem esperança e sem futuro.
Por isso, profetize para o meu povo de Israel e diga-lhes que eu, o SENHOR Deus, abrirei as sepulturas deles, e os tirarei para fora, e os levarei de volta para a terra de Israel.
Eu vou abrir as sepulturas onde o meu povo está enterrado e vou tirá-los para fora; aí ficarão sabendo que eu sou o SENHOR”.
Aquilo que aos nossos olhos parecem sem esperança, para Deus é uma ótima oportunidade de manifestar Sua vida e poder! A vida está no Espírito e o Espírito está na Palavra! Quando a Palavra de Deus chega, o Espírito que dá vida vem. Como resultado, aquilo que estava morto é reavivado. Quando temos vida, temos poder para vencer a morte. No Evangelho de João no capítulo 5 e versículo 25, o Senhor Jesus disse: Em verdade, em verdade vos digo, que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de deus, e os que a ouvirem viverão”. Assim, para que haja restauração, precisamos ouvir a Palavra do Filho de Deus! O Senhor é o Salvador dos mortos. Se dermos ouvidos à Sua Palavra, mesmo o mais forte sepulcro não será capaz de impedir o operar da salvação de Deus.

Ser iluminado e arrepender-se

Quando a Palavra de Deus chega, Sua luz também chega. Antes, porque estávamos mortos, estávamos em trevas e em confusão. Mas, tão logo tocamos a vida de Deus, ganhamos luz; “A vida estava nEle, e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). Por meio da Palavra de Deus , vemos nossa própria condição. Assim, ao sermos iluminados podemos nos humilhar diante do Senhor e orar: “Senhor, confesso que não sou apenas doente e pecaminoso, admito que estou morto e seco, simplesmente porque me afastei de ti. Senhor, porque não temos dado ouvido à Sua Palavra, nosso casamento se tornou um sepulcro frio e sem vida. Ó Senhor, precisamos que Tua vida entre em nossa casa. Precisamos que Tu sopres o fôlego de vida em nós para que possamos ter vida. Ó Senhor, reaviva-nos e restaura-nos!”.
É uma benção perceber que estamos mortos, reconhecendo a seriedade de nossa situação, e é uma benção ainda maior percebermos que o Senhor, e somente Ele, pode e quer restaurar nosso casamento por meio da Sua Palavra viva - Então Jesus afirmou: —Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá (João 11:25).

Extraído do livro: Casamento - raízes de amor? ou raízes de amargura?

TER VIDA PARA PREGAR O EVANGELHO DA VIDA

Ler: Jó 42:5; Jo 5:39-40

"Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva " (Jo 7:38)

Louvamos ao Senhor porque o rio da água da vida nos alcançou. Seu fluir representa a pregação do evangelho da vida que visa alcançar todas as pessoas, independente da sua situação. O primeiro braço, o rio Pisom, é o curso original e flui para resgatar todos que vivem pela vida da alma, no pecado e na religião.
O segundo braço, o Giom, corre para a terra de Cuxe. Como vimos em volumes anteriores desta série do Alimento Diário, o primeiro lugar por onde ele passa é a nossa mente, para destruir as fortalezas nela existentes, incluindo os conceitos e principalmente as autojustificativas. Gostamos muito de nos justificar; somos advogados de nós mesmos, sempre defendendo nossas opiniões, desejos, vontades e ainda os erros que praticamos: “Eu sou melhor; eu faço melhor; eu errei, mas foi por culpa desse ou daquele”. Somente quem vive controlado por sua alma se justifica o tempo todo.
O desejo do Senhor é que preguemos o evangelho da vida. Para isso é necessário que toda fortaleza existente em nossa mente seja quebrada, destruída, pois, se isso não ocorrer, a vida de Deus não conseguirá fluir de nós: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
Graças ao Senhor por ter-nos iluminado quanto a essa grande necessidade de negarmos nossa vida da alma. Deus teve especial misericórdia de nós, deu-nos essa visão, mostrou-nos que o rio Giom flui abundantemente. Não importa se você se considera grande ou pequeno; desse rio flui muita água para destruir as fortalezas da mente. Quando ele nos alcança, só nos resta arrepender-nos como o fez Jó: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5). Ao ser iluminado, Jó viu quão forte e orgulhoso era em si mesmo. Após isso, ele se arrependeu, e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que possuíra.
Se, pelo fluir do Espírito, esvaziarmo-nos do que somos e temos, isto é, do conhecimento vão, do orgulho e de toda altivez, as fortalezas serão destruídas e a vida de Deus fluirá do nosso interior como rios de água viva. Louvado seja o Senhor.

Por: Dong Yu Lan

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CONFERÊNCIA EM ITABERABA


Irmãos em Cristo, a partir de hoje dia 22 de fevereiro, o irmão Luiz Fontes estará trazendo para os irmãos aqui em Itaberba uma palavra da parte do Senhor, pois cremos que o Senhor fala por meio dos seus servos. Fica aqui o convite, as reuniões ocorrerão sempre as 19:30 horas na área do fundo da escola Nova Dimensão.
Desde já que cada irmão esteja orando, para que os nossos corações estejam preparados para receber o maná, o alimento que vem do céu.