quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Irmãos, vivemos um tempo muito importante, quando muitas profecias estão se cumprindo e outras estão por se cumprir. Precisamos acordar, saber em que tempo estamos no relógio de DEUS, o que ele espera de nós, daqueles que sustentam o Seu testemunho nesta Terra.
As pessoas que não gostam do povo de Deus a cada dia demonstram a sua ira e a vontade de destruir esse povo.
Precisamos acordar, a Igreja do Senhor não pode estar distraída, precisamos orar pela volta do nosso Senhor e saber que precisaremos de muita fé, coragem e confiança no Senhor.
Como o povo de Deus experimentou sua proteção durante os julgamentos de Deus no Egito e também durante a peregrinação no deserto, creio que muitos de nós também experimentaremos dessa mesma proteção, mas sabemos que alguns também sofrerão e terão que dar a sua própria vida por amor ao Mestre.
Que o Senhor a cada dia nos prepare mais e mais para seguir o Cordeiro aonde quer que Ele vá.
Li esse artigo no Blog Shalom Israel e creio que nos traz algumas dicas do que está por ocorrer no mundo, principalmente no oriente médio.

PRIMEIRA: A BESTA ACTIVA QUE SE JULGA AMEAÇADORA


Num dia em que a Besta de nome Ahamadinejad é homenageada no Líbano, chegando a receber o "doutoramento" da Universidade do Líbano (seria em "direitos humanos"...?), ei-lo que chega triunfalmente à aldeia de Bint Jbeil, no sul do Líbano, onde uma multidão o aguardava para honrar a sua visita. E então o ditador vocifera à mole humana: "A resistência libanesa é um exemplo para todas as nações da região." E o ditador continuou na sua conhecida verbarreia: "o senhor abençoa o povo do Líbano, os seus jovens dedicados à Jihad e todos vós - que buscais a justiça e a verdade. Vocês ficaram na linha da frente da batalha contra os agressores e ocupantes, e defendestes a segurança do Líbano".
Obviamente que ele se referiu ao "senhor" que ele serve, ou seja, o próprio diabo!
E continuou a disparatar: "Agradeço-vos pela vossa coragem e por enfrentardes espadas e tanques com a vossa determinação e força de vontade. Vocês tendes provado que a nação libanesa e a sua resistência são mais poderosos do que as espadas dos sionistas" .
E falando directamente sobre Israel, o tirano vociferou: "o mundo deveria saber que os sionistas terão de eventualmente ser forçados a partir, e isso não vai demorar muito. Eles são inimigos da humanidade e não terão outra escolha que não a rendição. A Palestina será libertada pela força da fé."
Os apoiantes do Hezbollah passaram a manhã a convocar as massas através dos altifalantes das mesquitas para se juntarem no sul do Líbano para a visita do presidente do Irão, naquilo que tanto os EUA como Israel consideram ser uma "provocação intencional".
Sabe-se perfeitamente que os milhões que o tirano do Irão tem alegadamente investido na "educação e bem estar dos habitantes do sul do Líbano", têm sido investidos no armamento do Hezbollah e na promoção e manutenção no poder do regime do fantoche Nasrallah.
Muitos dos cristãos e sunitas libaneses temem que o Irão e o Hezbollah estejam tentando impôr a sua vontade sobre o país e empurrar assim o Líbano para uma guerra contra Israel. Muitos dizem que esta visita de Ahmadinejad poderá agravar as tensões num país com uma longa história de lutas sectárias.
Não há dúvida que as intenções do presidente do Irão são a reprodução clara daquelas que outras bestas do passado têm alimentado e quase conseguido. Mas não menos preocupante é o despertar da segunda besta...

SEGUNDA: A BESTA QUE SE JULGAVA ADORMECIDA

A terrível "besta" alemã que muitos julgavam adormecida volta a dar sinais de querer acordar: uma sondagem acabada de ser publicada indica que um em cada dez alemães desejam "um novo Fuehrer que lidere o país com mão de ferro". Um entre cada três alemães quer que os imigrantes sejam expulsos do país no caso de o desemprego se tornar num problema. E como os judeus não podiam escapar a este despertar da besta, a sondagem revela ainda que 17% dos alemães acreditam que "os judeus têm demasiada influência".
A verdade é que apesar de terem passado 65 anos depois da 2ª Guerra Mundial, parece que muitos alemães ainda se agarram ao preconceito e ao racismo com os quais o partido nazi se identificava.
Esta pesquisa foi realizada por um organismo cuja seriedade é reconhecida, a Fundação Ebert para a Educação Política, uma fundação com ligações próximas ao partido social democrata alemão.
Neste inquérito, 25% das pessoas expressaram opiniões racistas, tendo 15,9% dito que de certa forma entendiam porque é que deveria ser indicado um Fuehrer. 58% afirmaram que a Alemanha precisava de refrear o tradicional estilo de vida muçulmano. E 17,2% apoiaram a afirmação de que "os judeus têm demasiada influência no mundo de hoje".
A fundação alertou que havia um crescimento nas opiniões anti-democráticas e racistas na Alemanha, muito provavelmente influenciadas pela recente crise económica global. Mais ainda: os pesquisadores descobriram que os pontos de vista racistas existem não só nas franjas da sociedade, ou seja, na extrema-direita, mas em todos os grupos etários e classes sociais, independentemente de sexo ou religião.
Sem dúvida, estamos vivendo tempos muito perigosos. Aproximam-se pesadas nuvens no horizonte, mas muitos continuam ainda "dançando ao som da orquestra do Titanic"...
Preparemo-nos para o que aí vem...
Shalom!


Fonte: www.shalon-israel-shalon.blogspot.com

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO DE EFÉSIOS


Irmãos em Cristo, estamos postando mais um capítulo sobre o estudo ministrado pelo irmão D.M. Lloyd Jones sobre o rico livro de Efésios.
Que o Senhor ilumine o nosso entendimento e que Ele por meio do Espírito Santo nos revele a Sua Palavra.

CAPÍTULO 25

A UNIDADE CRISTA


"Assim que já..." - Efésios 2:19


Agora vamos dar nossa atenção às duas palavras do apóstolo, "Assim já" (ARA), ou "Portanto, agora" (VA). Noutras palavras, em nossa consideração do capítulo dois desta grande Epístola, chegamos ao ponto no qual o apóstolo, tendo completado a sua declaração maior, faz um sumário, ou faz uma pausa momentânea para juntar as diversas verdades que estivera dizendo. E como ele o faz, é importante que igualmente o façamos. Sempre se corre o perigo, quando se trata de uma grande seção das Escrituras como esta, de que, ao se tratar dos vários pormenores, como estivemos fazendo, e tivemos que fazê-lo necessariamente, pode-se muito bem perder a linha mestra de orientação ou o argumento principal da seção. Por isso é muito importante que, exata¬mente como nos sugere o apóstolo, façamos uma breve pausa e consi¬deremos o que estivemos extraindo e captando.
Que coisa tremenda! É importante que o examinemos como um todo por um momento. Fomos sendo levados através dos passos dados: o apóstolo nos mostrou exatamente como Deus fez uma grande obra por meio do Senhor Jesus Cristo, como a parede intermediária de separação – a lei dos mandamentos nas ordenanças – foi demolida. Há esta entrada, este acesso à presença de Deus no Senhor Jesus Cristo e por meio do Espírito Santo. O que precisamos ter em mente é esta grande questão de unidade, da unidade que existe entre todos os que são verdadeiramente cristãos. É isso que o apóstolo tem superiormente em seu pensamento – este "um só corpo", este "um só novo homem"; "nós ambos", temos acesso por um só Espírito, e assim por diante. É sobre isso que ele deseja que tenhamos claro entendimento. E, portanto, é bom observar o que em geral constitui esta unidade, o que a produz, o que a traz à existência e lhe dá continuidade. Aqui nos vemos face a face com uma das grandes e cruciais declarações das Escrituras.


O que é ser cristão, e o que nos torna cristãos

Ao examinarmos isto, certos grandes princípios se nos tornarão manifestos. Por exemplo, vocês não podem considerar uma passagem como esta sem se lembrarem claramente do que é ser cristão, e do que nos torna cristãos. Mostrando como estes efésios foram introduzidos na Igreja com os judeus, o apóstolo mostra o que teve que acontecer com o judeu e com o gentio antes de poderem sequer entrar na Igreja, antes de sequer poderem ir à presença de Deus. Assim é que, aqui, de passagem, somos levados a esta pedra fundamental, a esta posição básica na qual vemos claramente o que nos torna cristãos. Noutras palavras, aí nos é dada uma esplêndida definição do cristão.


Nenhuma outra coisa pode unir verdadeiramente os homens, a não ser o Evangelho

Outra coisa que nos é exposta é que nenhuma outra coisa pode unir verdadeiramente os homens, a não ser este evangelho. Vemos isso da seguinte maneira: o apóstolo, ao expor e mostrar como foi produzida esta maravilhosa unidade, de passagem nos mostrou o que teve que acontecer para que isso se tornasse realidade. À medida que vamos tendo discernimento das coisas que dividem homens e mulheres, somos levados e impelidos à conclusão de que nada, senão o poder de Deus em Cristo e por meio do Espírito Santo no evangelho, pode unir homens e mulheres. É certamente algo muito importante que devemos ter em mente na hora presente. Quando digo isso, estou pensando não somente na Igreja, mas também na situação internacional em geral. Há muita prosa falsa, leviana e superficial sobre a unidade na Igreja e entre as nações. Mas, como eu entendo o ensino das Escrituras, e especial¬mente esta seção particular, não há nada que seja tão perigoso, e afinal tão fátuo e tão completamente fútil, como esta vaga e geral conversa sobre juntar pessoas e estabelecer o que chamam "uma unidade".
Temos que reconhecer que há ocasiões em que parece haver uma unidade: porém acabará se evidenciando apenas uma unidade superfi¬cial, apenas uma aparência. Às vezes, por causa de certas circunstâncias, as pessoas se unem, levadas talvez por uma necessidade comum ou por um perigo comum, e então se vêem conversando e cooperando umas com as outras, e trabalhando juntas. Mas isso não é necessariamente uma verdadeira unidade, como a história o demonstra com muita clareza. Pode haver uma aproximação de homens ou nações, ou entre diferentes segmentos da Igreja Cristã, com objetivos específicos, e as pessoas superficiais são tentadas a dizer que afinal a inimizade foi abolida e são todos um. No entanto, uma comunidade de interesse ocasional não é uma real unidade. Leiam os seus livros de história secular e observem o que as nações têm feito, notem como houve estranhas combinações de países em ocasiões diferentes, e como no momento parecia que eles tinham formado uma firme amizade, que nunca poderia ser dissolvida. Mas então, poucas páginas adiante em seu livro de história, vocês verão estes dois países, que pareciam ter-se tornado um, em conflito um com o outro. Eis a explicação. Quando pareciam estar numa firme amizade, foi somente porque havia tais circunstâncias no caso de ambos os países, que era compensador e conveniente a eles que se juntassem. Isso se vê com frequência durante uma guerra. Surge de repente um inimigo comum, e os outros (que realmente não se dão bem e sempre foram antagônicos), por causa daquele perigo comum, cooperam entre si com a finalidade de manter o inimigo por baixo; porém depois, no momento em que isto se realiza, eles voltam a desentender-se. O que parecia unidade não era unidade nenhuma, era pura fachada, mera aparência. Isso não é unidade real.
Exatamente a mesma coisa se aplica nos domínios da Igreja. Há os que pensam e dizem que, em face do grande inimigo, o materialismo (chamem-lhe comunismo, se o preferirem), todos os que se chamam cristãos de um modo ou de outro devem juntar-se. Não devemos incomodar-nos com definições, mas devemos cerrar fileiras numa frente comum contra este grande inimigo. Há, portanto, os que dizem que os católicos romanos e os protestantes deveriam trabalhar juntos e unir-se, esquecer todas as suas diferenças, levantar-se juntos em defesa da civilização ocidental, ou seja qual for o nome que acaso se lhe dê, contra este grande adversário comum. E pensam que isso é unidade. Ora, a minha afirmação é que o ensino deste parágrafo da nossa Epístola, sem ir mais longe, mostra-nos como é superficial e, em última análise, como é fútil toda essa conversa. Se captamos bem o ensino desta seção, que nos ajuda a penetrar no conhecimento da natureza do homem em pecado, e que é o que de fato divide as pessoas fundamentalmente, então penso que somos levados à conclusão de que nada menos que uma solução fundamental, como a que unicamente o evangelho oferece, e nenhuma outra coisa, pode produzir esta verdadeira, real e duradoura unidade. É o que este ensino mostra com clareza.


A natureza desta verdadeira unidade existente entre os cristãos

Depois, outra coisa que se vê com clareza é a seguinte: é-nos dado um entendimento e um profundo discernimento da natureza desta verdadeira unidade existente entre os cristãos. O ponto é que somente os que se enquadram na descrição dada aqui é que são realmente um. O apóstolo fala desta unidade em termos de um só corpo e nos oferece esta maravilhosa analogia do corpo, analogia tão frequentemente utilizada por ele. Ele salienta que se trata de uma unidade vital, orgânica; não é simplesmente uma questão de se ligarem frouxamente as pessoas, não é simplesmente uma questão de, num dado momento, as pessoas esquecerem as diferenças e formarem uma espécie de coalizão. Nada disso! É uma unidade viva, uma unidade que prevalece no corpo, onde os dedos se ligam ao restante do corpo, não apenas grudados, mas uma unidade viva, unidade de sangue e de nervos. É um todo, com várias partes, não certo número de partes postas juntas para formarem um todo. Começa-se do centro para fora, e não vice-versa. Talvez eu possa fazer um sumário disso tudo dizendo que a unidade entre os cristãos é uma unidade completamente inevitável por causa daquilo que é verdadeiro quanto a todos e a cada um. Às vezes penso que esse é o princípio mais importante de todos. Parece-me que, com toda essa conversa sobre unidade estamos esquecendo a coisa mais importante, que a unidade não é uma coisa que o homem tem que produzir ou arranjar: a verdadeira unidade entre os cristãos é inevitável e indeclinável. Não é criação do homem; é, como tão claramente nos foi mostrado, criação do próprio Espírito Santo. E a minha tese é que existe essa unidade neste momento entre cristãos verdadeiros. Não me importa quais sejam os rótulos que lhes ponham, a unidade é inevitável; eles não a podem evitar, por causa daquilo que realmente caracteriza cada um dos cristãos, individual¬mente falando.


Por natureza, por causa dos seus antecedentes e do que está por trás deles, os homens estão desesperadamente divididos

Permitam-me mostrar-lhes a seguir como estes princípios são aqui expostos em detalhe. Há primeiramente este grande postulado, que, por natureza, por causa dos seus antecedentes e do que está por trás deles, os homens estão desesperadamente divididos. Isso nos foi mostrado aqui, em termos do judeu e do gentio, e dos profundos e violentos preconceitos que ambos tinham. Isso é o homem em pecado. O homem em pecado é um montão de preconceitos. E posto que todos os homens estão em pecado e têm esses preconceitos, a desunião é inevitável. O judeu desprezava o gentio, o gentio odiava o judeu, e então havia aquela parede de separação que estava no meio. O mundo ainda está cheio desse preconceito racial – pessoas que não hesitam em excluir nações inteiras e a condená-las, a falar delas com sarcasmo e zombaria; e, por sua vez, os condenados fazem exatamente a mesma coisa. Essa é a verdade com relação a classes, com relação a grupos. A humanidade toda está dividida dessa maneira. Não é algo superficial, é profundo na vida do homem, é elementar. Num sentido é algo que está fora do controle do homem. Ele tenta dominar isso, coloca por cima um revestimento de cavalheirismo e polidez, ele pode sorrir para alguém que ao mesmo tempo ele está amaldiçoando em seu coração. Monta¬mos o espetáculo, e as aparências são resguardadas, porém por baixo há inimizade e desunião; e o simples fato de que as pessoas mutuamente sorriem e apertam as mãos não nos diz nada, necessariamente, do que se passa em seus corações. Elas podem publicar os seus comunicados e, todavia, ao mesmo tempo podem estar planejando e conspirando o fracasso umas das outras e fazendo várias coisas inamistosas umas contra as outras. Todos nós sabemos muito bem disso. A arte da política, geralmente assim chamada, seja política local ou imperial ou internacional, baseia-se precisamente na suposição de que não se pode confiar em ninguém e que você tem que estar de olho nos seus melhores interesses, fazendo concessões quando lhe for conveniente.
Essa é, pois, a verdade acerca da humanidade. E é a verdade ao nível individual exatamente como o é ao nível internacional. Portanto, não somente é ser novato nestas questões, e ingênuo, falto de instrução e iletrado quanto ao conhecimento da história, aquele que supõe que as aparências são o que são; é também profundamente perigoso. Noutras palavras, voltamos a isto: antes que possa haver unidade entre os homens, tem que haver uma mudança radical neles. Tem que haver uma mudança na própria constituição deles. O que precisa ser mudado em cada um de nós, no que somos por natureza, são os nossos preconceitos fundamentais; não o que fazemos à superfície para favorecer negócios ou as aparências, mas o que realmente somos, o que realmente cremos nas profundezas de nosso ser. Enquanto isso não for posto em ordem, será ocioso e uma pura perda de tempo falar em unidade.


Por que todos os verdadeiros cristãos são necessariamente um?

Então, que é que o evangelho faz para produzir esta unidade? Como foi que estes judeus e gentios vieram a estar juntos? Por que todos os verdadeiros cristãos são necessariamente um? Eis algumas das respostas:


Todos nós somos igualmente pecadores

Todos somos pecadores, e nada, senão o evangelho, leva as pessoas a verem isso. Todos nós somos pecadores, cada um de nós. Vou além e digo: todos nós somos igualmente pecadores. O que determina se você é um pecador ou não, não é a soma total dos pecados que você cometeu, é a sua atitude total para com Deus. Aqui é que vemos quão fúteis e superficiais são todas as divisões e distinções. Era isso que mantinha separados o judeu e o gentio. O judeu dizia: somos o povo de Deus e temos as Escrituras, os oráculos de Deus, temos a lei, temos o cerimonial e o templo; estes outros não têm nada destas coisas. E achavam que isso os acertava, que isso fazia uma diferença vital. Mas o propósito geral da pregação do evangelho, diz o apóstolo Paulo, é mostrar ao judeu que ele é tão pecador quanto o gentio. "Não há um justo, nem um sequer." "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Todo o mundo "tornou-se culpado diante de Deus". Nesta altura vocês vêem como é inteiramente superficial, e que desperdício de tempo é favorecer as nossas divisões entre gente muito má, gente má, gente boa, gente muito boa, e gente nobre. São nossas classificações, não são? A um homem chamamos pecador, um de fora; e julgamos outro respeitável, muito fino e muito bom. Realmente atribuímos significação a todas estas divisões e distinções. No momento em que você vem para o evangelho, tudo isso é demolido e se torna completamente irrelevante. A prova, afinal de contas, não é o que somos entre nós e de acordo com as nossas medidas e os nossos padrões. Cada um de nós tem que vir à presença de Deus. E, face a face com Ele, somos todos pecadores, somos todos vis. Não O conhecemos. Não O servimos como devíamos. Quebramos as suas leis. Cada um foi por seu próprio caminho. "Todos nós andamos desgarrados como ovelhas" (Isaías 53:6).
Entendemos isso perfeitamente bem na esfera natural. Mas de algum modo falhamos não aplicando isso à esfera espiritual. Temos os nossos padrões para medir a luz e a energia elétrica, e assim por diante. Falamos em voltagem, em tantos ou quantos watts e em coisas como essas, e aí estão divisões e distinções – ligarei uma lâmpada de 150 watts ou uma de 15? Que diferença! A diferença parece ser muito importante. Contudo, leve as duas, a de 15 e a de 150, e coloque-as diante do sol, e as suas diferenças não importarão mais. Não importa se você tem uma vela ou uma candeia ou uma lâmpada muito poderosa, à luz do sol elas são trevas, por assim dizer, e as diferenças são irrelevantes e não pesam nada. É assim na esfera espiritual. Todos nós estamos face a face com Deus. E quando estou na presença de Deus e da Sua santidade e da Sua lei, não me servirá de ajuda pensar que talvez eu seja um pouco menos mau do que alguma outra pessoa; a questão é: sou suficientemente bom para Ele? Sou suficientemente bom lá? E o que este evangelho fez foi mostrar Deus aos homens e mostrar os próprios homens à luz de Deus; e estão todos condenados, estão todos sob um denominador comum. Não há judeu nem gentio, bárbaro, cita, escravo nem livre, rico nem pobre, instruído nem ignorante. Todas estas coisas são irrelevantes – ¬preto ou branco, este lado de uma cortina ou aquele. Isso não importa, todos pecaram. Esse é o primeiro passo para a unidade. Antes que possa haver unidade, todos nós temos que ser derrubados ao pó. Enquanto qualquer de nós estiver de pé, e quiser impor-se, nunca vocês terão unidade, porque ele está se gabando de alguma coisa, está agarrado a algo que lhe é peculiar. Vocês jamais conseguirão unidade dessa maneira; temos que dar cabo do ego. Mas aqui, encarando Deus no evangelho, somos lançados ao pó, somos forçados a ver a nossa total pecaminosidade, e um a um vemos exatamente em que situação estamos na Sua presença.


Somos todos igualmente incapazes

Essa primeira resposta leva inevitavelmente à segunda. Não só todos nós somos igualmente pecadores, porém também somos todos igualmente incapazes. Pois bem, essa era a dificuldade com o judeu; ele não percebia a sua incapacidade. Achava que o seu conhecimento da lei ia salvá-lo de um modo ou de outro. Mas ele passou a ver que não ia. Como o apóstolo diz no capítulo três de Romanos: "pela lei vem o conhecimento do pecado". Certamente! Muito valiosa nesse aspecto! "Eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: não cobiçarás" (Romanos 7:7). Ela marca a coisa. A lei é de inestimável valor nesse aspecto. No entanto, o tolo judeu achava que o seu conhe¬cimento da lei puro e simples de algum modo o salvava. Mas não o fazia nem podia fazê-lo. A lei simplesmente condena; não ajuda a salvar. Isso é vital para o argumento geral deste apóstolo, e para o argumento geral do evangelho em toda parte. Ouçam-no dizê-lo também em Romanos 8:3: "Portanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito". Aí está, uma vez por todas. Não somente somos todos pecadores, todos nós juntos, porém igualmente somos todos incapazes em nosso pecado. Podemos, com grande determinação e força de vontade, tentar ser melhores, mas inutilmente. Há pessoas que podem levar uma vida excelente, abstêmia e nobre; podem dedicar-se e aperfeiçoar-se e a elevar-se na escala moral; entretanto quão fútil isso é, pois a tarefa é chegar a Deus! É ocioso gabar-se dos cavalos de força dos seus carros motorizados quando você se defronta com uma monta¬nha que o carro mais poderoso não poderá subir. E essa é a situação do homem em pecado. Não importa quão grande seja a luta moral de um homem, ele, por si mesmo, nunca poderá chegar a satisfazer a Deus e às Suas exigências. Ninguém poderá permanecer de pé no juízo simples¬mente firmado em sua justiça própria e por seus próprios esforços; quando compreendemos isso, todos só temos que dizer:

Meus labores, minha mão
Cumprir jamais poderão
O que Tua lei exige;
Se o meu zelo e o meu ardor
Repouso não conhecessem
E as minhas sentidas lágrimas
Perpetuamente corressem,
E tudo pelo pecado,
Pecado não poderiam
Expiar; nunca o fariam!

Somos todos um em nossa incapacidade, em nossa fraqueza, em nossa desesperança, em nossa ineficácia; estamos juntos no pó. A compreensão disso é que traz unidade. Antes disso, altaneiro, alguém diz: eu sou melhor do que você, progredi muito mais que você. Jazendo desamparados no pó, percebemos que não temos de que nos gabar, não temos nada que possamos falar. Somos silenciados, todos nós juntos. A competição é abolida. Negativamente, estamos todos na mesma situa¬ção.


Todos nós viemos ao mesmo e único Salvador

E isso, naturalmente, leva a outro ponto que o apóstolo salienta. Todos nós viemos ao mesmo e único Salvador. Como o apóstolo se delicia em repetir o nome! "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto" – vejam vocês como ele o repete logo! "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um"; "Na sua carne (ele) desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos"; "para criar em si mesmo dos dois um novo homem"; "e pela cruz (ele pudesse) reconciliar ambos com Deus em um corpo"; "e, vindo ele, evangelizou a paz"; "porque por ele ambos temos acesso." É sempre esta bendita Pessoa. Aqui estamos começando a ver o assunto positivamente. Estamos todos juntos no pó, nas cinzas e em trapos. Então erguemos os olhos e olhamos juntos para a mesma Pessoa bendita. Não estou interessado num Congresso Mundial das Crenças. Não posso ajoelhar-me e estar com pessoas, das quais uma está com os olhos postos em Confúcio, outra em Maomé, outra em Buda e outra em algum filósofo. Não posso! Há somente Um para quem olhar, o bendito Filho de Deus. E eu não tenho nenhum sentimento de unidade e nenhuma comunhão com quem não esteja olhando comigo para o mesmo Salvador. "Há um só Deus e um só Mediador (unicamente um Mediador) entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (l Timóteo 2:5). Não há unidade sem isso. Estamos juntos no fracasso e na incapacidade, e agora estamos olhando juntos para a mesma Pessoa bendita. E se não estamos, de que vale falar em unidade? De que vale falar em ter coisas em comum e em afirmar que somos todos um, se há alguma dúvida sobre Ele, quanto a se Ele é o Filho de Deus ou apenas homem? Se houver qualquer dúvida sobre isso, não haverá unidade, não haverá comunhão. Temos que confessar juntos que há somente um Salvador, unicamente um Senhor Jesus Cristo, Deus e homem, duas naturezas em uma pessoa, nascido da virgem, Maria, crucificado sob Pôncio Pilatos, ressurreto. É preciso que não haja dúvida sobre Ele! Não haverá unidade, a menos que estejamos de acordo sobre Ele! O mesmo Salvador, a mesma Pessoa!


Temos a mesma salvação

E depois temos a mesma salvação! Devemos particularizar, vocês sabem. Não basta dizer: ah, eu creio em Cristo e sou um com todos os que crêem em Cristo. Todavia, o que significa crer em Cristo? Bem, notem como o apóstolo o expressa. Diz ele que "naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concer¬tos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto". Esse é o único caminho. Eu não estou perto de um homem qualquer, a não ser que ele tenha sido trazido para perto pelo sangue de Cristo. Não tenho comunhão com alguém que não gosta da teologia do sangue. Ele poderá dizer-me, se quiser, que crê em Cristo, porém eu não conheço nenhum Cristo, exceto o Cristo que morreu por mim e pelos meus pecados na cruz. Não tenho acesso ao Pai, exceto "pelo sangue de Jesus". O homem que deixa de lado a cruz é um homem com quem eu não estou em comunhão, não me interessa que título ele se dê. Não há unidade, exceto entre os que pertencem ao grupo dos comprados pelo sangue, os quais compartem a mesma salvação na qual a cruz é inevitável, essencial e central. "Nenhum outro havia suficien¬temente bom para pagar o preço do pecado." Deus, diz ainda Paulo no capítulo três de Romanos, tem que ser justo quando age como justificador daquele que crê em Jesus. Não posso crer num Deus que possa tolerar o pecado e fingir que não o vê. Deus é "santo, justo e reto". Ele disse que punirá o pecado, e terá que fazê-lo; e creio que Ele o fez em Cristo, na cruz. Foi aquele mesmo Cristo da cruz que literalmente saiu corporalmente do túmulo e subiu ao céu para a minha justificação. Sou um só com aqueles que estão vestidos com a mesma veste de justiça, que é a justiça de Cristo. Não há unidade quando as pessoas estão com vestes diferentes – uma com a sua justiça moral, outra com a justiça de alguma filosofia, a outra com a justiça de Cristo. Não somos um com ninguém, senão com os que "lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro" e estão imaculadamente vestidos com a justiça do Filho de Deus. Esse é o argumento; não somente na passagem que estamos estudando, é o argumento em toda parte. Compartimos uma "salvação comum". Essa é a expressão utilizada, vocês se lembram, na Epístola de Judas.


Temos o mesmo Espírito Santo habitando em nós

Todas estas coisas são comuns a todos os cristãos. Além disso, temos o mesmo Espírito Santo habitando em nós, vivendo em nós, agindo em nós, e realizando exatamente a mesma obra em nós. O apóstolo já o tinha mencionado. É "por um só Espírito" que temos este nosso acesso ao Pai. "Operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar" – o mesmo Deus, o mesmo Espírito Santo! Unidade maravilhosamente orgânica! Quão diferente é isso de dizer-se superficialmente: unamo¬-nos. Há um inimigo comum, esqueçamos as nossas diferenças! Necessitamos de uma mudança radical. É a nossa natureza que causa divisões, e seja o que for que não trate da nossa natureza, não terá a mínima possibilidade de resolver o problema. E para mudar a nossa natureza, eis o que é necessário – é preciso que venha o Espírito Santo. E Ele veio, está em todos nós, está produzindo em nós – e isto é talvez, em muitos aspectos, o que há de mais maravilhoso – a mesma nova natureza. "Se alguém está em Cristo, nova criatura é (uma nova criação); as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." O cristão não é alguém que fez automelhoramento, ou que até certo ponto aprendeu a dominar-se e, na linguagem das Escrituras, "limpou o exterior do copo e do prato". Nada disso! Ele é um novo homem. Deus o fez "participante da natureza divina". E a natureza divina é caracterizada pelo amor.
Como podemos conseguir unidade, se não houver amor? Mas o Espírito Santo produz este novo homem, esta nova natureza. Este "fruto do Espírito" vê-se em todos os cristãos, e assim é que temos a unidade inevitável. Todos os cristãos nascem do Espírito, do mesmo Espírito. "Necessário vos é nascer de novo", disse Cristo a Nicodemos. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." Isto é absolutamente essencial. Os homens nunca serão um, se não tiverem esta mesma natureza comum. Em Cristo nós a temos. E Ele criou em Si mesmo "dos dois um novo homem, fazendo a paz". Esta Sua nova humanidade! E assim, com esta nova natureza, com esta nova disposição dentro de nós, nós que somos cristãos, temos os mesmos interesses, estamos preocupados com as mesmas coisas e temos os mesmos desejos. Por isso, quando nos encontramos, logo vemos que temos esta co-participação em interesses e desejos. Não é difícil achar algo de que falar quando você se encontra com um cristão. Você o reconhece na hora. Vocês conversam sobre as mesmas coisas, sobre estes assuntos espiri¬tuais; não ficam mais conversando sobre o mundo e as suas pomposas e superficiais nulidades, e sim, sobre os interesses eternos, a alma, Deus, Cristo, a salvação, o novo nascimento, e todas estas coisas. Os cristãos se reúnem e se falam. É como são descritos os fiéis do Velho e do Novo Testamentos. Pessoas que se conhecem, que se sentem mutuamente atraídas, que se entendem; não precisam de introduções bem elaboradas, logo pegam estes tópicos comuns, os mesmos desejos os anima, e compartilham as mesmas esperanças. Como é inevitável a unidade entre os cristãos!


Temos o mesmo Pai

Depois isso nos leva a esta verdade: temos o mesmo Pai. "Porque por meio dele (ou por ele) ambos temos acesso ao Pai por um só Espírito" (VA). Pertencemos uns aos outros porque pertencemos a Deus. Somos filhos do mesmo Pai. Ora membros de uma família, podemos discordar e brigar às vezes, porém há por trás uma unidade fundamental. Essa é a diferença entre a verdadeira unidade entre os cristãos e esta unidade produzida artificialmente sobre a qual o mundo e, infelizmente, a Igreja tanto falam no presente. Você pode olhar para uma família e dizer: eles parecem odiar uns aos outros, vejam como brigam. Mas, se você procurar conviver com eles, logo verá que eles são um, porquanto há uma unidade de sangue. Eles pertencem à mesma família, ao mesmo pai. Eles têm direito, por assim dizer, têm liberdade de discordar, entretanto há sempre esta unidade básica. Todavia, naque¬las outras pessoas, que à superfície parecem tão unidas, por baixo, no coração, não há nada sólido, e a aparência de unidade entra em colapso na hora da maior necessidade. Como cristãos verdadeiros, temos um só Pai. Somos filhos do mesmo Rei celestial. E, portanto, temos os mesmos interesses familiares.


Até as mesmas provações nós temos

Não somente o acima exposto caracteriza a todos nós como cristãos, mas até as mesmas provações nós temos. Temos as mesmas tentações. Temos os mesmos problemas. Isso às vezes nos faz compreender a unidade mais que qualquer outra coisa. Quando você pensa que está só em suas dificuldades, provações e tribulações, e vem à casa de Deus, como fez o homem do Salmo 73, você logo se dá conta: "Bem, de qualquer forma, não estou sozinho nisto". Você encontra alguém e começa a contar-lhe os maus momentos pelos quais está passando. E quando você lhe pergunta como vão as coisas com ele, ele lhe diz a mesma coisa que aconteceu com você na mesma semana. Visto que somos espirituais, visto que temos esta nova natureza, temos os mesmos inimigos – o mundo, a carne e o diabo – e eles nos atacam do mesmo modo. Assim entendemos, levamos as cargas uns dos outros, temos compaixão uns pelos outros. "Não veio sobre vós tentação, senão humana", ou "senão a que é comum aos homens" (VA). É o que Paulo diz aos coríntios (l Coríntios 10:13). Estamos todos tomando parte na mesma batalha, na mesma luta "contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais". Mas, louvado seja Deus, na luta experimentamos a mesma graça divina, a mesma libertação, o mesmo Salvador, o mesmo Guia, Mentor e Amigo.


Estamos todos marchando e indo para o mesmo lar eterno

E, finalmente, estamos todos marchando e indo para o mesmo lar eterno. Como cristãos, compreendemos como ninguém que este mundo é passageiro, que esta existência é tão-somente uma escola preparatória. Este não é nosso lar; estamos marchando para o céu, para a glória. Temos a mesma esperança posta diante de nós. Há muitas diferenças aqui – diferenças de nacionalidade, diferenças de dons. Podemos diferir na aparência, e em mil e um outros aspectos – sim, mas todos nós estamos indo para o mesmo lugar, para a mesma eternidade e a mesma glória, para o mesmo Deus, para o mesmo céu. Temos os olhos postos na mesma "recompensa de galardão".


Vocês não concordariam que as proposições que apresentei no começo estão justificadas? Não existe isso de unidade, exceto nas pessoas caracterizadas por estas coisas. Nenhuma outra unidade, assim chamada, tem qualquer valor. Mas, ao mesmo tempo, devemos acres¬centar que, tolerar qualquer coisa que divida pessoas dotadas destas características, é pecado. De modo que, quanto a mim, não dou impor¬tância ao rótulo de uma pessoa; as pessoas que eu realmente conheço e nas quais estou interessado, são aquelas que são verdadeiramente caracterizadas por estas coisas que venho salientando. Não estou interessado em seu país, em sua cor, em seus dons, habilidades, posses, nem em algum rótulo que o mundo dos homens dê a eles. Se um homem me diz que sabe que é pecador sem esperança, vil, condenado, perdido, e que se apóia unicamente no fato de que o Senhor Jesus Cristo morreu por seus pecados, que o Seu corpo foi partido e o Seu sangue foi derramado por seus pecados, que põe sua confiança unicamente nessa obra expiatória e reconciliatória realizada por Cristo, que Cristo foi seu Substituto, e que Deus em Cristo pelo Espírito fez dele um novo homem e lhe deu uma nova natureza, então estou com esse homem. Pertenço a ele e ele me pertence, e não admitirei que coisa alguma nos separe. E cada vez me parece mais pecaminoso permitir que alguma coisa nos separe. Seria certo tais pessoas estarem distribuídas entre as diversas denominações como estas são, e ligadas a pessoas com as quais elas não têm fundamentalmente nada em comum, a não ser simplesmente a tradição? A unidade verdadeira é esta unidade do Espírito, esta unidade da nova natureza, esta unidade que é em Cristo e Este crucificado, a unidade do Seu sangue, a unidade do próprio Senhor.
Queira Deus, em Sua graça infinita, dar-nos capacidade de ver estas coisas. A unidade do Espírito é o único e veraz vínculo da paz. Graças a Deus, todos os que pertencem a Ele, nascidos do Seu Espírito, são dEle e são um, apesar da sua cegueira, do seu pecado e da sua incapacidade de levar à plena realização essa gloriosa verdade!

domingo, 10 de outubro de 2010

CONTINUAÇÃO DO ESTUDO DO LIVRO DE EFÉSIOS

CAPÍTULO 24

ORANDO NO ESPÍRITO


"Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito." - Efésios 2:18


Voltamos mais uma vez a este versículo de máxima importância, no qual o grande apóstolo mostra aos efésios o motivo que têm para regozijar-se no fato de serem cristãos e, portanto, co-herdeiros do reino de Deus com os judeus. É um versículo crucial. Vimos que este versículo nos faz lembrar que as três Pessoas da Trindade santa e bendita estão interessadas em nossa salvação e participam dela. Esse é, para mim, o fato mais glorioso que jamais poderemos conhecer. Não há nada que o supere, nem no céu. É aí que podemos saber, em sua plenitude, o que Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo têm feito por nós e pela nossa salvação. Vimos também que, imediatamente aqui, nesta existência, o maior benefício que auferimos deste grande fato da nossa salvação é que temos acesso ao Pai. Esse é o fim da salvação, esse é o grande objetivo que está por trás de tudo quanto Deus fez em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e por meio dEle - Ele morreu "para levar-nos a Deus", e o Seu sangue foi derramado para que pudéssemos ser capazes de entrar no "lugar santíssimo". Parar, pois, em qualquer ponto anterior a este é, não somente ignorar as Escrituras, é de fato ir contra as Escrituras, porque, o que importa em última instância não é o que você e eu pensamos que necessitamos ou desejamos, é o que Deus providenciou. E este é o fim e objetivo da salvação, que possamos ter acesso ao Pai, que possamos entrar à presença de Deus e gozar comunhão com Ele.


A COISA MAIS DIFÍCIL QUE TENTAMOS FAZER, PORQUE É A MAIOR COISA QUE FAZEMOS, É ORAR

Em vista do fato de que esse é o mais alto privilégio e a maior bênção que jamais podemos experimentar, não é surpreendente que justamente neste ponto é que a maioria de nós, na verdade todos nós, muitas vezes vemos grande dificuldade, e talvez continuemos em grande dificuldade. Suponho que, em última análise, a coisa mais difícil que tentamos fazer, porque é a maior coisa que fazemos, é orar. E, quanto à oração, há problemas que muitas vezes agitam as mentes e os corações do povo de Deus. Não é de admirar, pois não há nada maior que a oração. Por isso o adversário das nossas almas preocupa-se particularmente em atacar¬-nos neste ponto. Isso é uma coisa que todos nós aprendemos pela experiência. Não há nada, em nenhum sentido, que seja tão difícil como orar. Permitam-me lembrar-lhes algumas das muitas dificuldades, para que possamos ver o objetivo que o apóstolo tem em mente quando afirma o que temos neste versículo.
Uma dificuldade é aperceber-nos da presença de Deus. Deus é Espírito, Deus é invisível. Isso, em si, constitui logo uma dificuldade para nós. Estamos acostumados a ver pessoas ou a ouvir as suas vozes, quando temos amizade e comunhão com elas. Mas Deus é invisível. "Deus nunca foi visto por alguém" (João 1:18). Para expressá-lo de outro modo, é frequente ter-se uma impressão de irrealidade na oração de alguém. E há vozes que nos vêm, sugestões enviadas por satanás, querendo induzir-nos a pensar que na verdade estamos meramente passando por algum processo psicológico, que estamos apenas persua¬dindo e enganando a nós mesmos, que estamos virtualmente falando com nós mesmos e nos encorajando a nós mesmos. Há esta impressão de irrealidade da qual muitos se queixam frequentemente.
Depois há o problema da concentração. Se você está lendo um livro, não é muito difícil concentrar-se. Se você está falando com alguém, não há esse problema. Todavia, acaso não temos visto muitas vezes que, quando nos pomos a orar, as nossas mentes vagam por todas as direções, que a nossa imaginação viaja pelo mundo inteiro e, embora estejamos de joelhos com a intenção de falar com Deus, tendemos a pensar em problemas - em algo que aconteceu ontem, em algo que vai acontecer amanhã? Quão difícil é firmar a nossa mente e os nossos pensamentos, e concentrar-nos de tal modo que a nossa oração seja realmente um ato vívido, verdadeiro e vital! Depois há também o sentimento de indigni¬dade, a lembrança da nossa pecaminosidade e o sentimento de que não temos direito de aproximar-nos de Deus. Este terrível sentimento de indignidade milita contra nós. E ainda vêm as dúvidas, as dúvidas se insinuam na mente, perguntas e questionamentos. Não tenho necessi¬dade de desenvolver isto elaboradamente; todos nós estamos familiari¬zados com estas coisas, e elas acontecem porque a oração é a suprema atividade da alma humana, é o ponto mais alto que podemos alcançar nesta vida - comunhão com Deus. Assim é que, quando nos envolvemos nessa atividade, todas as forças do inferno, por assim dizer, atuam sobre nós e fazem o máximo para frustrar os nossos esforços. Digo isso não só porque é um fato, mas também em parte como um meio de incutir ânimo. Não se desanime por achar a oração difícil. Na verdade, o que se deve temer é achar muito fácil orar, porque, se compreendermos exatamente o que estamos fazendo, veremos que, de maneira inevitável, seremos alvos e vítimas especiais do adversário das nossas almas e, correspondentemente, acharemos difícil orar.


NADA É TÃO FATAL COMO ENTREGAR-SE À ORAÇÃO SEM PENSAR

Por todas essas razões, pois, é muito necessário que nos instruam como orar e que saibamos orar. Nada é tão fatal como entregar-se à oração sem pensar. O primeiro ato na oração sempre deve ser o que os chamados "pais" costumavam chamar "recolhimento". Sempre deve haver um ato de recolhimento, de meditação. É muito errado correr para a presença de Deus com petições, sem dar-nos conta do que estamos fazendo. Devemos parar, fazer uma pausa, meditar e recordar o que estamos fazendo. Há muitas maneiras de esclarecer este ponto. Se você tiver uma audiência com a rainha, provavelmente achará sábio e oportuno aprender algo sobre a etiqueta da corte. Ora, multiplique isso pelo infinito, e aí você terá uma alma indo à presença de Deus. Não é algo que se possa fazer leviana e impensadamente, não é algo para o que devamos ir precipitadamente; temos que compreender o que nos cabe fazer. Aqui o apóstolo, ao dar-nos uma lista das coisas admiráveis acontecidas com estes efésios, leva-nos a esta altura tremenda: "Por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito". Vocês não somente deixaram de ser estranhos e forasteiros, e de estar separados; vocês entraram à presença de Deus. Como chegaram lá? Ele nos diz, vocês recordam, que há dois elementos essenciais; e já demos ênfase ao fato de que são somente dois. Há somente duas coisas acerca das quais temos que ter entendimento absolutamente claro e certo. Uma é o próprio Senhor Jesus Cristo; e a outra é o Espírito Santo. Não há o que acrescentar a esta lista. Nada de acrescentar a virgem Maria, nada de acrescentar a Igreja, nada de acrescentar um sacerdócio, nada de acrescentar os santos. Não acrescentem nada. Tudo o que é essencial à oração é que vocês se aproximem por meio do Senhor Jesus Cristo; e já consideramos como fazê-lo.


"POR UM SÓ ESPÍRITO"

A segunda coisa é dar-nos conta de que é "por um só Espírito", Ao passarmos a considerar isto, a primeira coisa que temos que salientar é que a referência é à Pessoa do Espírito Santo. O apóstolo não está dizendo que, agora que os judeus e os gentios compartilham as mesmas ideias e têm a mesma perspectiva e têm um espírito comum, eles podem, portanto, orar juntos. Isso é verdade, naturalmente, porém há algo muito mais forte aqui. A referência não é a espíritos humanos que agora entram em unidade ou vêm em uníssono. A referência é ao Espírito Santo; assim, muito acertadamente, em nossas Bíblias os tradutores indicam isto escrevendo "Espírito", com inicial maiúscula. É uma referência à Pessoa do Espírito Santo. E o que o apóstolo está ensinando é que o Espírito Santo é tão essencial à oração como o próprio Senhor Jesus Cristo. Não Um sem o Outro, e sim ambos juntos.
Mais uma vez temos que fazer a nós mesmos certas perguntas. Teríamos nós, em nossa vida de oração até este exato momento, compreendido o lugar vital e a importância vital do Espírito Santo? Teríamos compreendido que sem Ele de fato não podemos orar verda¬deiramente, e que a verdadeira oração é sempre oração pelo Espírito Santo mediante o Senhor Jesus Cristo? Como cristãos, compreendemos como é essencial o Senhor Jesus Cristo, o único e exclusivo Mediador entre Deus e o homem. Mas aqui, segundo o apóstolo, é igualmente essencial que nos apercebamos da nossa dependência do Espírito Santo e da Sua obra e da Sua atividade peculiares em nós. E esta não é uma afirmação isolada; o apóstolo a repete. Por exemplo, no último capítulo desta Epístola aos Efésios, no versículo dezoito, onde ele estivera falando de revestir-nos de toda a armadura de Deus, ele encerra dizendo: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito" (outra vez com a inicial maiúscula) - no Espírito Santo. Essa é a sua concepção da oração. E se vocês forem à Epístola aos Filipenses, verão que ele diz a mesma coisa de novo, no capítulo três, versículo três, onde diz: "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão. Porque", diz ele, "a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito" (de novo a inicial maiúscula (Ara e VA)); ou vocês poderiam traduzi-lo, "nós, que servimos a Deus pelo Espírito" e que compreendemos que somos completamente dependentes dEle. Os judaizantes - "a circuncisão" - não serviam a Deus no Espírito ou pelo Espírito; sua forma de culto era mecânica. E o que diferencia o culto e a oração cristãos de todos os outros tipos e espécies de oração é que é no Espírito. Existem muitos outros que oram, porém não oram "no Espírito". Este é o fator peculiar, o fator distintivo quanto à oração cristã. O apóstolo Judas diz exatamente a mesma coisa em sua carta, no versículo vinte: "mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus". Aí está, de maneira muito explícita. Vocês estão orando, diz ele, no Espírito Santo.
Estas expressões não são usadas ao acaso pelos escritores do Novo Testamento. "No Espírito", para eles, fazia parte da própria essência da oração. E, na verdade, ao dizerem isso tudo, estavam apenas mostrando como a palavra de Zacarias cumpriu-se, quando ele profetiza que o "Espírito de graça e de súplicas" seria derramado nesta era do Messias (12:10).
É, pois, de vital importância que entendamos a parte que o Espírito Santo desempenha nesta questão de oração. Num sentido, já tivemos a nossa exposição no capitulo quatro do Evangelho Segundo João. Aí, falando à mulher samaritana, o nosso Senhor coloca este ponto de maneira clara e uma vez por todas. Ela fala levianamente sobre adoração – “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar". O nosso Senhor a corrige e explica este assunto com clareza e simplicidade: "Deus", diz Ele, "é Espírito, e Importa que os que o adoram o adorem em espírito e verdade". Que é a oração? Quais as verdadeiras características da oração? Que é orar no Espírito?


ALGUMAS NEGATIVAS QUNTO A ORAR NO ESPÍRITO:

Não é uma questão de lugar

Vejamos primeiro as características negativas. Obviamente não é uma questão de lugar nem de cerimônia como tais. O nosso Senhor logo pôs o dedo na falácia da mulher samaritana - "este monte". Se você quiser adorar, diziam os samaritanos, terão que adorar aqui. Os judeus, por outro lado, diziam que você terá que fazê-lo em Jerusalém, no templo, que Deus estava confinado no templo – quando eles, os samaritanos, achavam que Ele estava confinado no seu monte. Lugares! Cerimônias! Há pessoas que só oram quando estão num lugar de culto e que nada sabem da oração em privado e da oração em secreto. Para elas a oração é algo que só acontece em certas ocasiões, ocasiões estabelecidas e em lugares especiais. Ora, a verdadeira oração no Espírito é a antítese disso. Não se restringe a um lugar especial, nem a alguma espécie particular de cerimônia.
Há também algumas pessoas para as quais parece que a essência mesma da oração é a questão de postura e posição física. Como se preocupam em poder ajoelhar-se! De fato conheço pessoas que opinam seriamente que você não terá a mínima possibilidade de orar, senão de joelhos. Não podemos aprofundar-nos nesses pontos todos interessan¬tes que são. Simplesmente estou tentando ressaltar o grande princípio central: que não existe postura alguma que seja essencial à oração. É certo ajoelhar-se para orar, e igualmente certo orar de pé, é igualmente certo prostrar-se, rosto em terra. Todas estas coisas estão nas Escrituras. Noutras palavras, não é a postura, a posição física, que importa. E se você percebe no seu íntimo uma tendência para dizer que a postura é o grande e central elemento, o elemento vital, já não é orar "no Espírito". Você estará atribuindo significação importante a um elemento incidental. É evidente que você pode orar no templo, que você pode orar no monte, mas não só no templo, nem só no monte, nem só numa dada postura.


Não é uma questão de formas de oração

Há depois toda a questão das formas de oração. Aí está outro assunto complicado. Devemos ter orações fixas? Devemos ter orações formais? Devemos ter liturgias? Como é vital este assunto! Há trezentos anos foi em parte responsável pelo movimento puritano. Uns diziam que não há liberdade na oração quando se está preso a liturgias, a formas fixas e a orações lidas. Eles achavam que isso era um resíduo do catolicismo romano. Diziam que a oração tem que ser livre e tem que estar sob a direção e a inspiração do Espírito Santo. Assim, a ênfase não deve ser colocada na beleza das frases, na perfeição da linguagem e nas formas especiais. Não me entendam mal, não estou dizendo que uma oração escrita ou lida não pode ser verdadeira; mas sempre, nesta questão de oração, temos que ter muito cuidado para manter o equilíbrio entre a liberdade do Espírito e a forma. Até certo ponto, as duas coisas são essenciais. Contudo, evidentemente, o ensino do nosso Senhor é que o fator vital é o Espírito; o domínio, a inspiração, a liberdade do Espírito Santo. E assim vocês sempre verão que, em todos os grandes períodos de avivamento, quando o avivamento vem, as pessoas começam a largar das formas e liturgias e a tolerar a oração livre, extemporânea. Mas isso também pode tornar-se mecânico, e o fato de você não estar usando formas fixas não significa necessariamente que você está sempre orando com liberdade. Há maior perigo nas formas do que na oração extemporânea, porém mesmo esta não é garantia de que você não se tornará mecânico e não ficará amarrado. Eis o grande princípio: não dê ênfase à forma ou à beleza ou à perfeição da linguagem ou a qualquer coisa semelhante a isso, mas sim, ao fato de que a verdadeira oração é no Espírito. Noutras palavras, a oração, de acordo com este ensino, nunca deve ser algo meramente formal, todavia deverá ser sempre algo vital.
Ainda mais, não digo que você não deve ter horas de oração fixas; mas, no momento em que começar a fazer isso, terá que ser cauteloso. Haverá sempre o perigo de você estar orando porque é meio-dia ou são 7 horas ou alguma hora do dia e da noite, e não porque você está ansioso para estar em comunhão com Deus. Todas estas coisas podem tornar-se em perigos. É por isso que, parece-me, há certas frases e expressões que jamais devemos empregar. Este ensino acerca da oração no Espírito indica que nunca devemos falar em "dizer as nossas orações", nem empregar aquela outra frase leviana que tantas vezes está nos lábios de algumas pessoas, "dizer uma oração". Há quem fale em entrar num edifício e "dizer uma oração". Quer dizer que estão recitando uma frase. Você não pode "dizer uma oração" quando está tendo comunhão com Deus. Onde está o Espírito Santo? Onde está o elemento de vida? Repetir frases não é orar. Não, diz o nosso Senhor, você tem que livrar¬-se disso tudo; a oração é uma realidade espiritual. "Deus é Espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade." O Espírito Santo é absolutamente essencial; e sem Ele não podemos orar de verdade, pois a oração é uma viva, vital e real comunhão com Deus, que é Espírito. Deus é Espírito. E a oração realmente significa que o meu espírito está em comunhão com Deus. É pessoal. É companheirismo, este companheirismo imediato, e nada menos que isso. Dessa maneira o apóstolo lembra aos efésios que nesta matéria o Espírito Santo é absolutamente essencial. Você pode ler suas orações sem o Espírito Santo. Você pode repetir frases sem o Espírito Santo. Você pode ficar de joelhos e falar sem o Espírito Santo. Entretanto você não pode fazer contato com Deus, não pode comunicar-se realmente com Deus, que é Espírito, sem a atividade do Espírito Santo. Permitam-me ir mais longe, ao ponto de dizer que, sem o Espírito Santo, nem o próprio Senhor Jesus Cristo e Sua obra, sós, podem levar-nos a esta relação vital com Deus. "A hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai (não neste monte, nem ainda em Jerusalém, mas) em espírito e em verdade." É isso que vem, diz Ele. E é isso que o Espírito Santo produz e possibilita. Sem o Espírito Santo a oração é mecânica, sem vida, difícil, a oração fica sendo uma tarefa terrível; mas com Ele tudo muda e a oração se torna livre e gloriosa, e o gozo supremo da alma.


O QUE SERIA EXATAMENTE QUE O ESPÍRITO FAZ NESTA QUESTÃO DE ORAÇÃO?

Isso nos deixa agora com a pergunta: o que seria exatamente que o Espírito faz nesta questão de oração? E as respostas são quase intermináveis. Vou simplesmente dar alguns títulos. Em certo sentido poderíamos resumir tudo dizendo que é Ele que, como intermediário, transmite-nos e torna vívido e real para nós tudo o que foi feito pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Todavia, dividamos o assunto da seguinte maneira: porque eu oro, porque devo orar, porque tenho desejo de orar?


O Espírito Santo cria em mim uma mente espiritual

A resposta é, que é o Espírito Santo que cria em mim uma mente espiritual. Por natureza o homem, como vimos extensamente neste capítulo, não tem mente espiritual ou perspectiva espiritual. E sem a ação do Espírito, a oração é uma completa impossibilidade; simples¬mente não conseguimos orar. Naturalmente, pode ser que nos tenham ensinado a dizer nossas orações, e podemos ir fazendo isso mecanica¬mente a vida toda. E, que pena, muitos de nós permanecem crianças nesta questão até o túmulo! Ensinados a dizer as suas orações de manhã e de noite - e vocês verão adultos, homens inteligentes, homens de negócio e profissionais, que gostam e até se orgulham de dizer que continuam dizendo as orações que aprenderam na infância. Permane¬cem crianças nesta questão; noutras questões não permanecem crianças, mas nesta continuam simplesmente fazendo o que sempre fizeram. E isso é tão sem sentido agora, como o era então. Não é oração. A primeira coisa absolutamente essencial é que devemos ter mente espiritual, perspectiva espiritual. Estávamos mortos em ofensas e pecados; e embora nos tenhamos tornado cristãos, a condição de mortos tende a permanecer e a afligir-nos. Às vezes não nos é difícil animar-nos? Não nos inclinamos a orar, sentimo-nos sem vida, letárgicos e insípidos, e as coisas espirituais não são reais para nós. Nesse estado não podemos orar. Pois bem, o Espírito nos dá alento, nos vivifica, nos inquieta, nos move, nos estimula, persuade as nossas mentes carnais a pensarem espiritual¬mente. Esse é sempre o primeiro elemento essencial nesta questão de oração. Tornamo-nos cientes do reino espiritual e somos levados a lembrar que nós mesmos temos o Espírito dentro de nós. E no momento em que começarmos a compreender isso, em certo sentido já estaremos começando a orar. Contudo é claro, a questão não termina aí.


Ele nos faz lembrar-nos dos nossos pecados

É o Espírito que nos mostra a nossa necessidade, é Ele que nos faz lembrar-nos dos nossos pecados. Não há nada que tenha tanta probabilidade de levar um homem a orar como a sua consciência do seu pecado e da sua necessidade. E esta é a obra peculiar do Espírito Santo. Vocês vêem a diferença entre meramente correr para a presença de Deus com certas petições, e verdadeiramente ter companheirismo e comu¬nhão. Você diz a si próprio: vou ter esta audiência com o Rei eterno, imortal, invisível. Quem sou eu para entrar lá? Que espécie de criatura sou eu? Como estou vestido? Como estou calçado? Qual a minha aparência? Noutras palavras, o Espírito Santo está fazendo você ver o seu pecado, Ele o está convencendo e o está tornando convicto da sua necessidade, Ele está produzindo no seu íntimo uma santa tristeza, um verdadeiro arrependimento. Isso tem o poder de induzi-lo à oração. Ele o está preparando.


Ele nos mostra a necessidade que temos de Deus e da misericórdia de Deus e da bênção de Deus

Isso nos leva ao próximo ponto, o qual é que Ele nos mostra a necessidade que temos de Deus e da misericórdia de Deus e da bênção de Deus. Imediatamente você é retirado da esfera das generalidades e se dá conta de que é uma alma isolada. Você j á não tem interesse pelas coisas e meros eventos e acontecimentos; você foi levado pelo Espírito Santo a compreender que Deus lhe deu esta dádiva especial, a alma, o espírito. Você veio a este mundo como um indivíduo, e embora seja uma só pessoa dos milhões de pessoas neste mundo, ainda assim você é um ser isolado, distinto, separado e tem relação com esse Deus que também é Espírito e é pessoal, e você vai encontrá-lO. Assim você começa a sentir o desejo de conhecê-lO e de estabelecer contato. O Espírito Santo faz isso. Pois bem, isso é da própria essência da oração; ela se torna pessoal nesse ponto, e deixa de interessar-se apenas pelas formas, aparências e coisas desse gênero.
Tudo isso ainda é muito vago. Mas um passo vital é dado quando a pessoa começa a sentir necessidade de Deus. Quanto a vocês não sei, porém cada vez mais eu me vejo procurando esta coisa singular em todas as pessoas. As pessoas que me atraem, das quais eu gosto, são as que me dão a impressão de que têm fome de Deus, que em suas almas anelam pelo Deus vivo. Eu coloco essas pessoas adiante das demais. Esta é a coisa realmente vital, sentir fome, sentir sede de Deus. Em certo sentido, não há o que supere isso. Você pode ser muito ocupado e muito ativo sem isso. Pode ser tão ocupado que você se torna quase impessoal, alheio a si próprio, não percebendo a condição da sua própria alma e a sua necessidade de Deus e da sua relação com Deus. O Espírito Santo produz essa consciente necessidade de Deus.


Ele nos revela Deus em Sua glória

Depois o Espírito de Deus vai adiante e nos revela Deus em Sua glória. Isso também é algo absolutamente vital e essencial. Tenho para mim que, em última análise, todas as dificuldades da oração provêm da nossa incapacidade de compreender a verdade sobre Deus. Ah, que diferença faria! Somos todos como Moisés, não somos? E acaso não somos como Josué, depois dele? Queremos correr para a presença de Deus. Vocês se lembram de como Moisés, perto da sarça ardente, não entendeu muito. Ele ia investigar, ia correr para lá. Então veio a voz e falou: para trás! "Tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa." Esse é o terreno em que eu e vocês estamos quando nos dedicamos à oração. Vamos estar na presença de Deus. E o Espírito nos revela Deus em Sua glória e em Sua majestade. Entretanto não só isso, Ele nos revela Deus como nosso Pai. E assim Ele cria em nós o desejo de conhecer a Deus e de manter comunhão com Ele. Foi algo semelhante a isto que levou o salmista a dizer: "Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo" (42:1-2). O Deus vivo! Ele não quer mais simplesmente orar a Deus, ele quer o Deus vivo e quer um ato vivo e real de comunhão, a experiência de estar com Deus. Ora, é somente o Espírito que faz isso. E quando acontece esse tipo de coisa, a oração é totalmente diferente. Torna-se a coisa mais animadora do mundo, torna-se a coisa mais emocionante. Ela deixa de ser formal, rígida e difícil, e deixamos de ter todos esses problemas.


Ele mantém os nossos olhos fitos no Senhor Jesus Cristo

Além disso, o Espírito realiza a obra que o próprio Senhor nosso declara que é a Sua obra mais especial e mais peculiar, a saber: Ele mantém os nossos olhos fitos no Senhor Jesus Cristo. Disse o Senhor que o Espírito Santo O glorificaria: "Ele me glorificará" (João 16:14). Esse é o Seu supremo propósito e função. E é exatamente o que Ele faz. Havendo nos mostrado a nossa total pecaminosidade, debilidade e pequenez, e a glória de Deus, Ele nos leva ao Senhor Jesus Cristo. Ele nos faz vê-lO em toda a glória e maravilha de Sua Pessoa, em toda a glória e maravilha da Sua obra. Vemo-lO como o Mediador. Permitam¬-me colocá-lo na forma de perguntas. Sempre que oramos percebemos a nossa completa e absoluta dependência do Senhor Jesus Cristo e da Sua obra expiatória? Estamos sempre conscientes do fato de que, sem o sangue de Jesus, não podemos ter acesso à presença de Deus? Certa¬mente nós todos teríamos que confessar que milhares das vezes em que oramos, "tomamos isso como líquido e certo". E vejam só o que tomamos como líquido e certo: o fato mais glorioso da história! Não damos graças a Deus por ele, não meditamos nele, não pensamos nele até os nossos corações serem arrebatados. Nós apenas o pressupomos. Haverá coisa mais terrível, ou, em certo sentido, mais próximo do blasfemo, do que presumir simplesmente o sangue do Calvário e a morte de Cristo? O Espírito Santo nunca nos permitirá fazer isso. Ele nos revelará o Senhor Jesus Cristo em toda a Sua glória e, graças a Deus, em Sua total suficiência. Assim é que, quando estiver na presença de Deus, e terrivelmente cônscio da sua própria pecaminosidade, da sua indigni¬dade, da sua impureza, da sua baixeza e da sua fraqueza, o Espírito Santo revelará a você que foi quando nós estávamos "ainda fracos" que Cristo "morreu a seu tempo pelos ímpios"; que foi quando éramos "inimigos" que fomos salvos pela morte do Senhor Jesus Cristo (Romanos 5:6,10). Será então que o Espírito o fará lembrar que Cristo disse: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento" (Mateus 9:13). Será então que você verá desfilarem Maria Madalena e todos os demais chegando a Deus, conduzidos por Ele. O Espírito Santo mostrará tudo isso a você. E você verá que, apesar da sua baixeza indescritível, não obstante você tem acesso à presença de Deus. Você dirá com Charles Wesley:

Justo e santo é o Teu nome!
Eu, cheio de pecado e jaça,
Eu sou tudo o que há de mau;
Cheio és Tu de verdade e graça!

Ele revela, Ele desvenda o Senhor Jesus Cristo. Quando você se põe a orar, você tem aquelas exaltadas visões da Pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo? É isso que prova que você está orando "no Espírito". Você não pode orar no Espírito sem ser levado a vê-lO e aperceber-se dEle como nunca antes.


Ele nos leva a um entendimento de todas as promessas de Deus

É igualmente o Espírito Santo que nos leva a um entendimento de todas as promessas de Deus. Sabemos o que é estar cercado de provações, tribulações e problemas, e o que é estarmos cientes da nossa fraqueza e ineficiência. De fato somos tentados a clamar a Ele: que farei? Que farei? E aí o Espírito começa a revelar a você as "grandíssimas e preciosas promessas", e tudo se transforma. É Ele que nos revela Deus como nosso Pai, como "o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" e o nosso Pai. Vocês se lembram desta colocação feita por Paulo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1:3). No momento em que você se der conta disso, toda a sua perspectiva mudará. Você dirá a si mesmo: bem, embora as coisas estejam como estão, Deus é meu Pai, e tenho a autoridade do Senhor Jesus Cristo para dizer que Ele tem todos os cabelos da minha cabeça contados, que Ele não somente se interessa pela queda de cada pardal, Ele está infinitamente mais interessado em mim e em tudo o que me acontece. Ele é o Pai de Jesus Cristo, e é meu Pai; e como Ele cuidou dEle, cuidará também de mim. Ele disse: "Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5). Você tem alguma experiência disso? Você sente na presença de Deus, por ser filho de Deus, embora estando talvez quase sufocado por dificuldades e problemas, uma alegria e felicidade que domina e supera tudo? É isso que o Espírito Santo faz.
Permitam-me dizê-lo definitivamente desta forma: escrevendo aos romanos, o apóstolo diz: "Não recebestes o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai" (ou, "o Espírito de adoção... ", Rm 8:15, VA). Sabemos algo sobre escravidão, não sabemos? Sabemos algo sobre as dificuldades que enumerei no princípio - e isso é pura escravidão. Tentar pensar em algo que dizer, tentar produzir um sentimento - ah, que escravidão é essa! Não há liberdade aí. Que diferença um filho falando com seu pai, estendendo as mãos para o pai, para abraçá-lo, sussurrando suas pequeninas coisas porque está alegre por ver seu pai. É assim que devemos orar, com uma gloriosa liberdade. "Não o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor! - mas o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos (com este clamor rudimentar, infantil, filial): Aba, Pai." Você experimenta liberdade na oração? Você experimenta esta eloquência espiritual na oração? Você sabe o que é ser arrebatado de si próprio na oração? Você sabe o que é quase desejar continuar orando para sempre, e achar difícil parar? Isso é orar no Espírito, quando a oração chegou às suas maiores alturas. Aí está, pois, o modo como temos acesso ao Pai, diz Paulo, mediante o Senhor Jesus Cristo, e pelo Espírito.


VOCÊ GOSTA DE ORAR?

Permitam-me colocar tudo numa pergunta. Você gosta de orar? Você sempre gostou de orar? É para você a ocupação mais agradável? Se não é, é porque você esqueceu que as operações do Espírito Santo são absolutamente essenciais à oração. Portanto, quando você for orar, lembre-se disso. Ore a Ele, peça-Lhe que o anime, que o vivifique. Ele o fará; Ele já o fez sem você perceber. O desejo de orar foi produzido por Ele, o simples pensar nisso. É Ele que produz todos estes bons desejos; Ele "opera em vós tanto o querer como o efetuar" (Filipenses 2:13); peça-Lhe, pois, e Ele o fará crescer. Vá a Ele, seco e amortecido como você está, diga-Lhe que você tem vergonha de si próprio, diga-Lhe que você quer conhecer a Deus, diga-Lhe que você quer fruir a Deus, diga-Lhe que você quer esta liberdade no Espírito; e peça a Ele que torne isso possível, e persevere até que a resposta venha. E virá! Ouça de novo a palavra do apóstolo em Romanos 8:26 e 27, neste sentido: "O Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito". É tão maravilhoso que, mesmo quando nos vemos completamente desamparados e não sabemos pelo que orar ou o que fazer, e, digamos, ficamos desesperados - não chegamos a experimentar esse extremo, graças a Deus - mesmo então nos vemos gemendo, sem saber o que estamos dizendo. É o próprio Espírito fazendo intercessão por nós, em nós, por meio de nós, com gemidos inexprimíveis. Se Ele faz isso sem a nossa solicitação, sem que Lho peçamos, quanto mais certo é que, se verdadeiramente Lhe pedirmos e buscarmos o Seu auxílio, Ele nos responderá! E, começando a orar no Espírito Santo, teremos verdadeiro acesso à presença de Deus, e não somente glorifi¬caremos a Deus, como também começaremos a gozá-la para sempre.

Por: D.M Lloyd Jones

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A CARREIRA CRISTÃ


"Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" Hebreus 12.1

Tem alguns testemunhos na Palavra de Deus que precisamos atentar, pois eles deixaram para nós, exemplos de uma boa carreira de fé: "ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram um bom testemunho" Hebreus 11.1-2. Eles alcançaram esse bom testemunho, porque deixaram todo embaraço e o pecado que tão de perto os rodeavam, e correram com perseverança a carreira que lhes estava proposta. E eles guardaram a fé porque olharam firmemente para Jesus: "PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus" Hebreus 12.1-2.
Vamos estudar em partes esses testemunhos de fé. Iniciaremos pelo testemunho de Abel: "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala" Hebreus 11.4.
Abel não tinha diferença alguma de seu irmão Caim, os dois nasceram numa geração corrupta e perversa, debaixo do reinado da morte e do pecado: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" Romanos 5.12. O testemunho de Deus pela Palavra é que Abel ofereceu a sua oferta ao Senhor pela fé. A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Romanos 10.17). Abel não poderia ter oferecido aquele sacrifício se não tivesse ouvido a Palavra de Deus. Seus pais contaram aos dois a promessa que Deus fez a eles e à sua geração: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" Gênesis 3.15, e a maneira como Deus iria realizar a sua justiça em Cristo: "E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu" Gênesis 3.21.
Para fazer túnicas de peles, Deus teve que matar os animais. Deus mostrou pela morte dos animais o antídoto para o pecado, para as suas vergonhas. O homem tinha procurado tapá-las com folhas de figueira o que era temporal, mas Deus os vestiu com a Sua justiça eterna: "Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?" Hebreus 9.13-14.
Abel creu e Caim não. Abel se reconheceu pecador, separado de Deus e ofereceu um cordeiro em seu lugar. Caim era um incrédulo, tanto é que achou que Deus iria aceitá-lo no pecado, porque ele ofereceu o que tinha conseguido com o suor do seu rosto. Deus não poderia aceitar aquilo que ele amaldiçoou: "E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás" Gênesis 3.17-19.
Caim olhou para ele mesmo e Abel olhou pela fé para Cristo, por isso ofereceu um melhor sacrifício. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Através da fé nesse Cordeiro, e somente nEle é que encontramos a nossa justificação: "Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" Romanos 3.24. Como Abel, a oferta que podemos fazer ao Senhor para sermos aceitos é a do Cordeiro de Deus. É a fé que morremos com Ele, e com Ele ressuscitamos para uma nova vida: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" I Pedro 1.18-20. Qualquer outra coisa oferecida, nunca será aceita por Deus: "Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu" I João 5.10.
O segundo testemunho de fé em Hebreus é o de Enoque: "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus" Hebreus 11.5. O primeiro testemunho de fé que a Palavra dá é o de Abel, porque essa é a necessidade primaria para uma vida cristã: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" João 3.3. Sem o arrependimento, a justificação pela fé em Cristo, o novo nascimento pelo Espírito, não há como começar a caminhada cristã. Se não passarmos pelo testemunho de Abel, estaremos andando como Caim; e como poderemos ser aceitos por Deus?
O testemunho de Enoque deve ser o testemunho do cristão que verdadeiramente nasceu de novo, que foi justificado por Deus pela morte do Cordeiro. Nascemos de novo para vivermos para Deus, para andarmos diante dEle: "Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida. Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele (obra redentora de Cristo). Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra (crescimento na vida cristã)" Oséias 6.1-3.
Jesus nos fez morrer nEle, e Deus nos fez nascer de novo pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, para sermos dEle: "Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo" Romanos 1.6; para vivermos para Ele: "Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" II Coríntios 5.14-15; para darmos fruto para Deus: "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus" Romanos 7.4.
O testemunho que o Espírito Santo dá de Enoque, é a figura de fé do andar cristão e da esperança no arrebatamento da Igreja: "Pela fé Enoque foi transladado para não ver a morte...". "E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos" Judas 1.14. "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" I Tessalonicenses 4.16-17.
Como Enoque, Jesus irá ressuscitar os que dormiram em Cristo e transformar os que ainda estiverem vivos neste corpo terreno, e depois arrebatar todos os que creram para estar para sempre com Deus: "Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade" I Coríntios 15.51-53, e para não ver a segunda morte: "Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos" Apocalipse 20.6.
O viver de Enoque é o testemunho do verdadeiro cristão que anda com Deus em esperança: "Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras" Tito 2.12-14. Como Enoque, andamos com Deus e Deus nos tomará para si: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" Efésios 1.13-14.
O próximo testemunho de fé de Hebreus 11 é o de Noé: "Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé" verso 7. Alguns dividem os tempos em períodos, e dizem que agora estamos vivendo o período da graça, mas a graça foi o instrumento de salvação de Deus em todo tempo, mesmo antes da fundação do mundo: "Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR" Gênesis 6.8.
Noé também é o testemunho de fé do verdadeiro cristão que anda com Deus e vive em esperança de não ver a morte. As Escrituras dão testemunho que Noé olhava firmemente para Jesus, porque a arca é uma figura de Cristo. Fomos incluídos em seu corpo (figura da arca) e salvos pela ressurreição dos mortos juntamente com Ele (libertação das águas do dilúvio): "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" Efésios 2.4-6.
Noé teve algo mais em seu viver cristão. Ele não só creu na obra redentora em Cristo, como também preparou a salvação para a sua casa. Deus tinha feito a ele a promessa da salvação da sua casa como a nós também: "E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus. E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa" Atos 16.331-34.
Noé não só creu em Cristo, como andou com Deus e pregou ao mundo da época a Sua justiça: "E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios..." II Pedro 2.5. Noé por fé, se tornou herdeiro da justiça: "Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna" Tito 3.7.
Todo cristão que foi justificado, e anda com Deus pela fé do Filho de Deus (Gálatas 2.20), é constituído também um pregador da justiça: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" Marcos 16.15-16. Ele nos torna uma testemunha Sua: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" Atos 1.8.
Essa tarefa não é delegada por Deus a homens especiais, mas a todo que crê: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" I Pedro 2.9. "Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador" Isaías 43.10-11.
O que foi escrito, é para nosso ensino (Romanos 15.4), e o testemunho de fé de Abel, de Enoque e de Noé, são os testemunhos de fé do verdadeiro cristão que foi justificado em Cristo, que anda com Deus em esperança de não ver a morte e que antes prepara a salvação para a sua casa e depois se torna testemunha da Sua justiça, pregador da justiça: "E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus" II Coríntios 5.18-20.
Como Abel, Enoque, Noé e o endemoninhado de Gadareno, saímos de um estado de miséria, para a glória dos filhos de Deus. Agora é andar por fé, correndo com perseverança a carreira que nos está proposta, preparar a salvação da nossa casa e como mandou Jesus, apregoar a justiça de Deus aos outros: "E aquele homem, de quem haviam saído os demônios, rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo: Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito" Lucas 8.38-39.
O próximo testemunho de fé que as Escrituras nos apresentam, é o de Abraão: "Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus. Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; e daí também em figura ele o recobrou" Hebreus 11.8-10 e 17-19.
Primeiramente, o testemunho de fé de Abraão, nos ensina a maneira que os filhos de Deus devem viver neste mundo, como estrangeiros e peregrinos na terra: "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria" Hebreus 11.13-14. O chamado de Abraão foi um chamado para ir para a terra prometida, que hoje já a gozamos em Cristo: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" Hebreus 4.9-10. Cristo é esse repouso de Deus para todo sempre: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR, e envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado" Atos 3.19-20.
Abraão é a figura do Pai, a figura de Deus, e Isaque a figura de Cristo. Esse é um assunto precioso mas que está sendo preparado no estudo "Cristo em vós", que será incluído futuramente. No testemunho de fé de Abraão, o que podemos tomar como ensino em nosso caminhar cristão é que ele foi chamado amigo de Deus: "E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus" Tiago 2.23.
Uma vez justificados pela fé como Abel, e andando com Deus como Enoque, e anunciando o evangelho para os nossos e para o próximo como Noé, nosso viver cristão é para ser na presença de Deus, como seus amigos: "Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito" Gênesis 17.1, como amigos de Deus e de Jesus Cristo: "Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer" João 15.15.
Falamos do evangelho para os outros não como uma obra, como uma obrigação, mas porque cremos: "E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos" II Coríntios 4.13. Deus não nos chamou para fazer obras, mas para sermos amigos dEle: "Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam" Cântares 1.4. "Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo" Salmos 84.1-2. "O segredo do SENHOR é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança" Salmos 25.14.
Como Abraão, precisamos correr com perseverança a carreira que nos está proposta. O Senhor nos chama a andar na Sua Presença e sermos amigos dEle, entrar na Sua intimidade: "E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR" Oséias 2.19-20. Andarmos como peregrinos e estrangeiros nesta terra, esperando sermos introduzidos em nossa verdadeira pátria, a celestial: "PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu; se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito" II Coríntios 5.1-5.
O próximo testemunho de fé, daqueles que correram com perseverança a carreira que nos está proposta, é o de Isaque: "Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras" Hebreus 11.20. Isaque também foi uma figura de Cristo, tanto é assim que Deus mandou Abraão sacrificá-lo. Naquele sacrifício, Abraão viu o seu verdadeiro filho, ele viu Jesus, o Cordeiro de Deus que ia ser morto: "Mas o anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. E chamou Abraão o nome daquele lugar: O SENHOR PROVERÁ; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá" Gênesis 22.11-14. Disse Jesus: "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" João 8.56.
Isaque também recebeu por revelação a promessa em Jesus, tanto é assim que falou aos dois filhos das coisas futuras. Pelas Escrituras, parece que Jacó usurpou a benção, mas ela não teria validade se Deus não a tivesse confirmado: "E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; e a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; e eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado" Gênesis 28.13-15.
Essa promessa já tinha sido dada por Deus a Rebeca antes de Jacó nascer: "Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú" Romanos 9.9-13. Em Noé Deus mostrou a Sua Graça, em Jacó a Sua Misericórdia: "Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" Romanos 9.14-15.
Muitos não entendem isso, até chamam Deus de injusto. Eles o acusam porque não entendem que a Graça de Deus é dada a todos, ela é um convite: "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando..." Tito 2.11-12, mas a eleição é segundo a Sua Misericórdia, e ela não dependem do homem, mas somente de Deus: "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, de usar da sua misericórdia" Romanos 9.16.
Esaú é o testemunho da Graça dada a todos os homens. Ele nasceu com o direito de primogenitura. A Graça de Deus também é um direito de todos, foi manifestada a todos os homens, mas é totalmente desprezada: "Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus... E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura" Hebreus 9.15-16. Esaú é o testemunho da Graça de Deus dada a todos os homens, Jacó é o testemunho da Misericórdia de um Deus bondoso: "Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós..." Romanos 9.23-24.
Isaque alcançou um bom testemunho pela fé, e abençoou seus filhos Jacó e Esau (veja que a Palavra coloca aqui na ordem certa), no tocante às coisas futuras, porque olhou firmemente para Jesus. Se você crê, é porque tem sido abençoado em Jacó, segundo a Sua Misercórdia e não em Esaú; caso contrário, você e eu teríamos vendido nosso direito por qualquer prato de guisado, ainda que abençoados em Jesus com a Sua Graça: "E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado. E todos à uma começaram a escusar-se" Lucas 14.17-18 .
Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós" I Pedro 1.2-4. "Mas Deus, que é riquíssimo em MISERICÓRDIA, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" Efésios 2.4-5.
O próximo testemunho de fé, daqueles que correram com perseverança a carreira que lhes estava proposta no Livro de Hebreus é o de Jacó: "Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão" Hebreus 11.21. Jacó foi o pai das doze tribos de Israel: "Todas estas são as doze tribos de Israel; e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a sua bênção" Gênesis 49.28. A partir de Jacó, Deus não mais andava com um homem, mas com um povo, o povo de Israel (novo nome de Jacó): "Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram dos seus lombos, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas. E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, eram setenta" Gênesis 46.26-27.
Como vimos anteriormente, Abraão andou com Deus e foi chamado amigo de Deus. Esse é um testemunho para o nosso viver cristão, bem como todos os que já vimos. Agora em Jacó Deus tinha um povo, um rebanho. Foi através de Jacó que Deus começou a se manifestar como Pastor: "E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram os meus pais Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia...(Tradução CMTHG)" Gênesis 48.15.
O testemunho de fé de Jacó, para nós cristãos, é olhar firmemente para Jesus e o conhecer como o nosso Pastor: "Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas" I Pedro 2.25. Aquele que primeiramente deu a Sua vida por nós: "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas" João 10.11, e que agora cuida desse rebanho: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão" João 10.27-28.
O verdadeiro cristão, é aquele que está correndo com perseverança a carreira; foi lavado no sangue do Cordeiro, anda com Deus, tem preparado a salvação para a sua casa e é pregador da justiça. É amigo de Deus, e também o tem conhecido como o seu Pastor, o verdadeiro Pastor que não falta. Ele nos tem dado do seu pasto verdejante, guia-nos mansamente às águas de descanso, refrigera a nossa alma. Ensina-nos, e nos consola no tempo da angustia; um socorro bem presente. Ele endireita as nossas veredas e nos faz andar pela sua justiça. Em toda e qualquer situação Ele está conosco, não nos deixa e não nos desampara. Mesmo na disciplina, sabemos que o Bom Pastor tem um propósito bendito. Ainda que o leão ande ao derredor, bramando e rugindo, buscando a quem possa tragar, Ele nos dá de comer, nos deixa confiantes. Certamente, segundo a Sua fidelidade, a sua bondade e a sua misericórdia nos seguirão todos os dias da nossa vida, e depois, quando findar os nossos dias, temos dEle uma moradia reservada nos céus; uma morada eterna (Salmos 23).
O próximo testemunho de fé, daqueles que o alcançaram em sua carreira, porque olharam firmemente para Jesus, é o de José: "Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos" Hebreus 11.22. José com esta fé, profetizou para os filhos de Israel, a libertação do cativeiro do Egito, e pediu para eles levarem os seus ossos de volta para Canaã. Para nós é uma profecia da nossa ressurreição, onde nem nossos ossos ficarão enterrados para sempre aqui nesta terra, que também é uma figura do Egito: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" Lucas 24.39. "Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" Filipenses 3.20-21.
No testemunho de fé de José, que correu com perseverança a carreira que lhe estava proposta, e que nos serve de exemplo, não é somente da fé em nossa ressurreição, mas é do sofrimento dele em favor do povo. José sofreu tudo aquilo, mas entendeu que Deus tinha um propósito através dele, de cuidado com o Seu povo: "Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito" Gênesis 45.5-8.
Podemos crer na obra redentora de Jesus Cristo, de andar com Deus, ser amigo dEle, conhecê-lo como nosso pastor, mas se não vermos o seu povo, e não sofrermos com Ele, não seremos com Ele glorificados: "Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele... E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados" Filipenses 1.29 e Romanos 8.17. Nossa vida cristã será egoísta, apenas de um benefício próprio: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria" Hebreus 10.25 e Provérbios 18.1.
Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó, dão testemunho de fé, de uma vida cristã pessoal com Deus, de uma carreira cristã pessoal com a Pessoa de Cristo, mas José nos ensina que olhando para Jesus, Ele nos leva também a ver o Seu povo, a Sua Igreja: "Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus" Colossenses 1.24-25.
O testemunho de José é um testemunho bendito do sofrimento pelo povo. Não podemos pensar apenas em ter nossa vida cristã pessoal com Deus e desprezar o Seu povo, a Sua Igreja: "Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna" II Timóteo 2.10. Mas para isso é preciso renunciar a tudo quanto possuímos, até a própria vida: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" Lucas 14.26 e 33.
José alcançou um bom testemunho de fé, porque olhou firmemente para Jesus. Não é possível olharmos para Jesus e não vermos a Sua noiva sendo preparada como virgem pura: "Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" II Coríntios 11.2. Seria muito egoísmo corrermos com perseverança a carreira proposta e não nos dispormos para sermos participantes do evangelho: "Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele" I Coríntios 9.10 e 23.
Na meditação do dia 26 de outubro falamos sobre esse sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. José a princípio, não entendeu as visões que Deus tinha lhe dado; ele soube depois do Seu propósito e se regozijou nEle. Agora Isaías, quando viu o Senhor disse: "Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos. Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim" Isaías 6.5-8. Olhemos firmemente para Jesus e falemos a Ele: Eis-me aqui Senhor, envia-me a mim.
O próximo testemunho de fé, daqueles que o alcançaram em sua carreira, porque olharam firmemente para Jesus, é o de Moisés: "Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado. Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa" Hebreus 11.24-26. Moisés nos dá um testemunho de fé precioso diante das tentações mundanas. Ele tinha tudo o que um homem pode ter no mundo, pois o Egito era a grande potência da época. Lá ele tinha fama, prestígio, poder, conhecimento, prazeres, riquezas, e tudo o que o mundo podia oferecer-lhe, mas ele olhou firmemente para Jesus, e correu com perseverança a carreira que lhe estava proposta.
Faraó é uma figura de Satanás, e o mundo estava a seus pés. Como na tentação de Jesus, tudo foi oferecido a Moisés: "E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu" Lucas 4.5-7. Jesus resistiu a tentação, assim como Moisés, que preferiu ser maltratado com o povo de Deus, do que ter por algum tempo o gozo do pecado, porque tinha em vista a recompensa.
Moisés é para nós cristãos, um testemunho do viver neste mundo. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Assim como Faraó perseguiu, e odiou o povo de Deus, assim também são odiados os filhos de Deus neste mundo: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia" João 15.18-19.
Não há meio termo para Deus, a amizade do mundo é inimizade contra Deus: "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" Tiago 4.4. Aquele que ama o mundo, mostra que o amor do Pai não está nele: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" I João 2.15.
O mundo é fascinante para quem dele usufrui, porque a sua satisfação é para agora; está ao alcance das mãos e dos olhos, é para ser usufruído agora: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" I João 2.16-17. Moisés podia usufruir de tudo isso, mas olhou firmemente para Jesus e viu uma riqueza ainda maior: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo" Efésios 3.8.
Não há nada no mundo que sirva de benefício para um cristão. O mundo inteiro jaz no maligno (I João 5.19). Toda a sedução do mundo só serve para impedir o nosso crescimento e de correr com perseverança a carreira proposta: "E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição" Lucas 8.14; só servem para combater contra nós: "Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma" I Pedro 2.11.
Estamos no mundo, e temos necessidades aqui, mas não podemos usar dele em absoluto: "Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa" I Coríntios 7.29-31.
Pelos olhos humanos, Moisés foi um louco, mas pela fé ele foi sábio: "Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio" I Coríntios 3.18. Moisés viu que as riquezas desse mundo são transitórias, mas em Cristo tudo é nosso e são riquezas eternas: "Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus" I Coríntios 3.21-23, e é nosso eternamente: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" Mateus 6.19-20.
A alegria de um cristão deve estar no Senhor e não nas coisas desse mundo, ainda que sejam grandiosas como os tesouros do Egito: "Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas" Habacuque 3.17-19.
Em Hebreus 11.32-40, Deus ainda nos diz: "E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados".
Diante de todos esses bons testemunhos, daqueles que o alcançaram pela fé, o Senhor nos ensina em Sua Palavra: "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da fé..." Hebreus 12.1-2.
Eles combateram o bom combate, correram a carreira e guardaram a fé. A coroa da justiça já está guardada para eles, a qual o Senhor lhes dará naquele dia; e não somente a eles, mas também a todos os que amarem a sua vinda (II Timóteo 4.7-8). A exortação do Senhor para nós, que ainda temos uma carreira para correr e uma vitória para alcançar é: "Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" I João 5.4. Que a corramos com perseverança, prosseguindo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" Filipenses 3.13-14.
Estamos no mundo, mas não somos do mundo; por isso, para nós cristãos que ainda estão no mundo, o Senhor nos diz: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" II Coríntios 6.14-18 e 7.1.
Deus provera coisa melhor para nós. Todos eles morreram na fé, viram e abraçaram de longe, mas não a alcançaram; mas nós já gozamos daquilo que para eles ainda era uma promessa. Portanto, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos assedia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé; porque fazendo isso, nunca jamais tropeçaremos: "Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" II Pedro 1.10-11
Nesta carreira, o Espírito tem nos ensinado a olharmos para Jesus, a estar nEle, a ouvir e aprender dEle, a estar arraigado nEle, a crescer nEle. Assim como o Espírito nos ensinou, é para permanecer nEle. Se permanecermos nEle não ficaremos confundidos na sua vinda: "E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis. E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda" I João 2.27-28. Amém.


FONTE: Charis - O Correio da Graça