Irmãos estou postando mais um capítulo do livro Exposição sobre Efésios do irmão D.M Lloyd Jones, esse capítulo será o tema de estudo da reunião da igreja nesta 5ª feira.
Que Deus nos abençoe e fale ao nosso coração por meio deste estudo.
Por: Ir. D.M Lloyd Jones
CAPÍTULO 10
"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." - Efésios 2:7
Estas são as últimas palavras da grande declaração que começa no versículo 4 –
"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou, juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
O apóstolo, vocês recordam, nos estivera lembrando o que Deus fez por nós em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e por meio dEle. Quando estávamos naquele desesperador estado de pecado, Deus interveio, Deus agiu, e nos vivificou juntamente com Cristo. Ressusci¬tou-nos juntamente com Ele em novidade de vida e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais. Mas agora surge a questão:
Por que Deus fez tudo isso? Qual foi o Seu motivo? Que levou Deus a fazer tudo isso por criaturas como nós?
A resposta é dada no versículo sete, e é introduzida pela palavra “para”, logo no início: “para mostrar” (ou “para que mostrasse”). Ele fez tudo isso "para", "a fim de", "com a intenção de", "com o objeto, ou com o objetivo de"... Esta palavra “para” (ou “para que”) é, pois, tremendamente importante, e é vital considerar¬mos juntos o que o apóstolo nos fala aqui concernente a este grande propósito.
Como é importante que estudemos as Escrituras com muita atenção e que observemos exatamente o que elas dizem, porque com muita facilidade podemos entendê-las mal, como de fato fazemos muitas vezes. Aqui, penso eu, ao considerarmos este versículo, provavelmente sentiremos, ao menos em certa medida, que o nosso conceito do cristianismo, o nosso conceito da Igreja, o nosso conceito de nós mesmos como cristãos, é defeituoso e inadequado, que de fato a nossa concepção geral da salvação tende a ser inadequada. Já vimos isso quando estudamos aqueles três grandes passos da nossa salvação, e quando vimos o que já é certo a nosso respeito como cristãos porque estamos em Cristo. Certamente achamos que nunca tínhamos compreendido verdadeiramente como devíamos o significado da regeneração; que nunca tínhamos captado plenamente a verdade de que a justificação foi realizada completamente, nem captado a verdade sobre a nossa posição e o nosso estado na presença de Deus. Ainda mais, talvez, quando estudamos aquela afirmação de que estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus, vimos como falhamos – e falhamos de maneira deveras lamentável – em não perceber que esta é a verdade a nosso respeito neste momento presente. Noutras palavras, cada vez mais me parece que a maioria das nossas dificuldades na vida cristã surge do fato de que nós sempre partimos de nós mesmos e vivemos demais na esfera do sentimento e do subjetivo.
Não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento
Falemos com clareza. Argumentei sobre esse ponto desde o começo do capítulo, e isso ainda faz parte da essência do que terei de dizer ao expor o versículo sete. Graças a Deus, há um elemento subjetivo na salvação; graças a Deus por todo sentimento, por toda experiência, por tudo o de que temos consciência de nós mesmos. Se não temos consciência deste elemento subjetivo, a nossa situação, ao que me parece, é muito incerta. Por outro lado, não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento. O que quero dizer é que, se tão-somente tivéssemos esta genuína concepção escriturística de nós mesmos como somos como cristãos e membros do corpo de Cristo neste momento, a maior parte das coisas que nos entristecem se desprenderia de imediato de nós completamente. Estas coisas passariam a parecer-nos triviais, pequeninas e insignifi¬cantes.
Isto é uma coisa que se pode ilustrar da seguinte maneira: o melhor modo de livrar-nos de coisas pequenas é olhar para as grandes. Vejam, por exemplo, as interessantes estatísticas que foram preparadas, penso, pelas autoridades médicas de Barcelona, Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, pouco antes da segunda guerra mundial. São muito interessantes. Um determinado número de pessoas estiveram recebendo várias formas de tratamento psicoterapêutico e psicológico; mas no momento em que irrompeu a Guerra Civil e afetou Barcelona aguda¬mente, o número diminuiu, reduzindo-se a quase nada. Qual foi a causa disso? Foi que a preocupação maior eliminou as preocupações menores. E a mesma coisa certamente aconteceu na Inglaterra durante a última guerra. Quando de repente surgiu a crise e os maridos e os filhos tiveram que partir para a guerra, muitos se esqueceram dos seus pesares e das suas dores. Estas coisas, que tinham sido tão proeminentes em suas vidas e que tinham significado muito para aquelas pessoas, foram esquecidas repentinamente, pois um temor maior eliminara os temores menores; a crise maior tinha tornado as outras coisas tão triviais que realmente passaram a ser completamente irrelevantes. Estamos familiarizados com fatos como esses.
Pois bem, tudo isso acontece igualmente na vida cristã. Em nossas vidas somos perturbados por isto e aquilo, e nos inclinamos a resmungar e a queixar-nos; ficamos a indagar por que Deus nos trata dessa maneira e por que permite que nos aconteçam certas coisas. O antídoto para isso tudo é ver-nos objetivamente como realmente somos no propósito de Deus. E se tão-somente fizéssemos isso, todas as nossas dificuldades desapareceriam. Ou permitam-me expressar-me deste modo: se tão¬-somente nós tivéssemos uma pequena concepção da glória que nos espera e para a qual vamos, essa percepção transformaria a nossa visão da nossa vida neste mundo e das coisas que nos sucedem neste mundo. Essa é a espécie de tratamento que o apóstolo nos aplica neste versículo sete. Esta é a cura do egocentrismo e do interesse próprio que acabam levando à introspecção, a sentimentos mórbidos e a diversas formas de dificuldade. O que se tem que fazer – e aí está por que o apóstolo escreve esta carta e por que todas as cartas do Novo Testamento foram escritas – é conseguir que tais pessoas levantem a cabeça e se vejam objetivamente no grande propósito e plano de Deus.
Por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo?
Examinemos, então, este versículo desta maneira: por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo? A resposta, diz o apóstolo, é que isto faz parte do Seu plano grandioso e do Seu grandioso propósito – "para", "a fim de...".
Façamos o estudo na forma de uma série de proposições.
1) O principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus
Eis a primeira: o principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus. Por isso Ele fez o que fez –
"Para mostrar (para Deus mesmo mostrar) nos séculos vindouro; as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Deus fez tudo isso, diz Paulo, para apresentar um grandioso espetáculo a todas as eras vindouras, não somente neste mundo, mas também no mundo por vir. Deus vai fazer uma grande demonstração, vai manifestar a Sua glória. Vocês podem notar que é isso que o apóstolo coloca em primeiro lugar. Essa é a principal razão por que Deus fez tudo isso, diz ele. Agora, surge imediatamente a questão: será que normalmente pensamos em coisas como essa? Não seria verdade que, quanto à maioria de nós, fazemos exatamente o oposto? Partimos de nós mesmos; e pensamos na salvação como algo para nós, algo de que necessitamos, algo que queremos, algo em que nós estamos interessados. Sempre somos subjetivos, sempre começamos a partir de nós mesmos. Mas o que temos de aprender é que o primeiro objetivo e intenção da salvação – não me entendam mal – não tem a ver conosco, porém com a glória de Deus. Esse é o ensino das Escrituras todas, do começo ao fim. Noutras palavras, não devemos nem começar com os nossos pecados, e sim com o pecado. Temos que aprender a ver todas as coisas mais historicamente. É extremamente difícil, não é? É dificílimo para qualquer geração ter uma visão histórica, porque estamos no mundo num momento particular e há diversos problemas – ouvimos as notícias pelo rádio, vemos as manchetes nos jornais – e estamos tão mergulhados neles que nos inclinamos a não ver nada mais. É extremamente difícil dar-nos conta de que havia seres humanos neste mundo há cem anos, e que eles tinham problemas e dificuldades, não é? Mais difícil ainda é compreender que há mil anos havia neste mundo seres humanos que nunca pensaram em nós. Achamo-nos tão importantes, e pensamos que o nosso tempo neste mundo, o nosso pequenino setor, constitui a totalidade da história. Entretanto, os que viveram antes de nós pensavam a mesma coisa; e podemos estar certos de que daqui a cem anos e, se o nosso Senhor não voltar antes, daqui a mil anos, as gerações então existentes na terra nunca dedicarão sequer um pensamento a nós. Mas como nos é difícil aperceber-nos disso! E, contudo, é justamente isso que temos de fazer. Temos que aprender a ver a nós mesmos e a ver todo o problema do homem, toda a crise da história e especialmente todo o tema da salvação, desta maneira objetiva, desta maneira histórica.
Eis o que estou querendo dizer: em vez de começar comigo, com os meus pecados e com os meus problemas pessoais, tenho que começar a pensar em termos do pecado, de todo o problema do homem e de todo o problema do mal neste mundo. Pois somente quando eu fizer isso é que começarei a ver o que o apóstolo quer dizer quando afirma que o primeiro intento e objetivo da salvação é a glória de Deus. É-nos muito difícil compreender o que o pecado e a Queda significaram para Deus. Pecado é aquilo que se opõe completamente a Deus e, portanto, o que aconteceu como resultado do pecado e da Queda, e todas as suas consequências no mundo e entre os homens, é (se reverentemente o posso dizer) uma tremenda questão aos olhos de Deus. Mas nós persistimos em pensar em todo este problema em termos de pecados particulares, nesta coisa particular que me mantém deprimido, e nos pecados que colocamos numa lista – vocês sabem deles, embriaguez, jogo etc. Para nós o problema todo é esse; transformamos o problema do pecado mais ou menos num problema social. Ou é um problema social, ou é o problema da nossa felicidade pessoal. Não gostamos de sentir remorso e arrependimento, porque é doloroso. Assim reduzimos todo o grande problema do pecado a essas diminutas proporções e dimensões. No entanto, a Bíblia não faz isso! A Bíblia vê o pecado como uma agressão a Deus. O diabo veio à frente e quis impor-se contra Deus, levantou-se contra a majestade, a soberania e a glória de Deus. Ele disputou isso, quis colocar-se no mínimo como um deus rival. E quando viu Deus criando o mundo e criando o homem, e viu Deus olhando o que tinha feito e dizendo que tudo estava "muito bom" e que mostrou prazer nisso, o diabo determinou-se a arruinar o que Deus criara. Assim o diabo entrou em ação no mundo. Qual era o seu objetivo? Vocês pensam que o objetivo do diabo era simplesmente persuadir Eva e Adão a fazerem apenas uma determinada coisa? Naturalmente que não! O diabo só tinha uma coisa em mente – desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Pouco se importava com o que ia acontecer com Adão e Eva. O diabo pouco se interessa por mim e por vocês como pessoas. Para ele não somos pessoas, somos algo que lhe serve de penhor, somos simples objetos que ele pode usar no grande jogo. E, todavia, pensamos nestas coisas em termos de nós mesmos! O diabo nos vê com desprezo, como fez com Adão e Eva. Ele os bajulou e os adulou porque sabia que era essa a maneira de fazer deles uma espécie de penhor. Não tinha nenhum interesse por eles como tais. Seu único objetivo era desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Era inutilizar a obra que Deus realizara, era inutilizar o mundo de Deus; era ridicularizar a obra criadora de Deus. Seu desejo era levantar-se, dirigir-se a todos os anjos e dizer: Deus tem as suas pretensões, diz Ele que fez o mundo perfeito, mas olhem, vejam o Seu mundo perfeito!
É assim que se deve ver o problema do pecado. A Queda é uma coisa terrível aos olhos de Deus. Não é primariamente um problema social. É muito mais crucial aos olhos de Deus. Naturalmente há nisso um problema social. O pecado levanta muitos problemas sociais, porém eles são subprodutos, não são aquilo que faz do pecado, pecado. Se posso dizê-lo assim, Deus jamais teria enviado Seu Filho do céu à terra e à cruz do Calvário para solucionar um problema social. O problema para Deus era a Sua glória, a Sua majestade, a Sua grandeza sempiterna. Isso fora questionado e posto em dúvida pelo diabo e por todos os que lhe pertencem. E que é a salvação? O propósito e objetivo da salvação é, em primeira instância, vindicar a Deus, é Deus tornar de novo manifesta a verdade concernente a Si próprio. O diabo é descrito nas Escrituras como "mentiroso e pai da mentira"; e o apóstolo João nos diz no capítulo três da sua Primeira Epístola que Deus enviou o Seu Filho a este mundo a fim de destruir as obras do diabo. Esse é o primeiro objetivo, que o caráter de Deus seja vindicado. Naturalmente, num sentido terminante, o diabo não afetou nem poderia afetar o ser, a natureza e o caráter de Deus, mas aos olhos dos seres criados ele poderia, e certamente o fez. Ele teve sucesso no caso de todos os anjos que caíram; ele teve sucesso no caso de Adão e Eva, e de toda a sua posteridade. E o problema no mundo hoje é a atitude do homem para com Deus. Assim, Deus iniciou este grande movimento de redenção e de salvação, primariamente com o fim de tornar a declarar, manifestar e vindicar a Sua glória, a Sua grandeza e a verdade a Seu respeito. Por que o fez, então? Ele o fez "para mostrar (manifestar) nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Vocês pensavam na salvação dessa maneira? Uma pergunta que é bom fazer é: por que Deus enviou Seu Filho? Não permita Deus que nos limitemos a dar uma resposta sentimental, subjetiva, deixando de ver que Deus enviou Seu Filho afim de vindicar-Se. Essa é a maior teodiceia de todos os séculos; Deus está Se vindicando e está declarando e mostrando a verdade a Seu respeito.
2) A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz
Passemos agora à segunda proposição. A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz. Não há dúvida sobre isso. Neste movimento de salvação e redenção, aprendemos certas coisas que doutro modo nunca aprenderíamos. Isso pode soar como uma afirmação atrevida, porém eu me aventuro a fazê-la. Muitos têm feito a pergunta – ninguém pode respondê-la, mas é uma pergunta que muitos têm feito, na verdade todos nós a temos feito – por que o Deus todo-poderoso permitiu a Queda? Por que permitiu que o homem caísse em pecado? A resposta cabal é reconhecer que não sabemos, e não devemos inquirir a respeito porque isso está além de nós. Mas, de qualquer forma, podemos saber e dizer isto: se Deus não tivesse permitido a possibilidade do mal e da Queda, o homem não seria inteiramente livre, e, portanto, não seria inteiramente perfeito. O homem, como Deus o fez, tinha realmente livre-arbítrio. Ele o perdeu por ter caído em pecado, todavia original¬mente o tinha; e o livre-arbítrio era parte integrante da perfeição do homem. Contudo, seja qual for a explicação, é evidente que Deus teve domínio sobre isso de tal modo que, mediante a redenção, Ele manifestou certos atributos do Seu santo ser, da Sua natureza e do Seu caráter que doutra maneira nunca poderiam ser conhecidos, mas que agora certamente são muito conhecidos.
O apóstolo já tinha mencionado alguns deles. Ouçam-no: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia". Seria possível ter a mesma concepção da riqueza de Deus em misericórdia, se o homem não tivesse caído em pecado como caiu? É por este meio que Deus manifesta a perenidade da Sua misericórdia. "Riquíssimo em misericórdia"! De¬pois, "Pelo seu muito amor com que nos amou". Com toda a certeza o homem conheceu algo sobre o amor de Deus antes de cair; Adão conheceu o amor de Deus. Contudo, pergunto se o amor de Deus seria conhecido como agora é, se não houvesse a Queda e o movimento de redenção. Deus o está mostrando, Ele o está manifestando, há uma revelação do Seu amor como seguramente seria inconcebível sem isso. Então o apóstolo passa à sua seguinte grande expressão: "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça...)" – aí está – "(...pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça". Não há nada que nos habilite a ter tal entendimento da extensão da graça de Deus como isto o faz. É a sua suprema avaliação; e nada pode mostrá-la como isto no-la mostra. Vem então o termo final, "benignidade" – "pela sua benignidade", com o Seu olhar benigno. Adão conheceu algo da benignidade de Deus, mas eu concordo com Isaac Watts quando ele afirma em seu hino – "Nele (em Cristo) as tribos de Adão ostentam mais bênçãos do que as que seu pai perdeu". Digo reverentemente, sopesando as minhas palavras, que em Cristo conhecemos algo de Deus que Adão, em seu estado de inocência, não conheceu, e que, em certo sentido, Adão não poderia conhecer. Pode ser especulação, porém me parece que as Escrituras ensinam que Deus mostrou estas coisas aqui de maneira única e de um modo como nunca mostrou em parte alguma.
3) Toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja
Mas, o que talvez seja muito importante para nós é a terceira proposição: toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja. Deus realiza este feito tremendo por nosso intermédio e através de nós, em primeira instância. Examinem de novo o ponto. Deus fez isso tudo "para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Este é para mim o pensamento mais avassalador que podemos captar, que o poderoso, eterno, sempiterno Deus está Se vindicando, a Si, à Sua santa natureza e ao Seu santo ser, mediante algo que Ele faz em nós, conosco, e por meio de nós. Isto é cristianismo, este é o significado da nossa condição de membros da Igreja, isto é o que significa ser cristão; nada menos que isto! Aqui somos retirados do nosso estado e dos nossos caprichos subjetivos, e das nossas condições transitórias, e nos vemos de repente neste grande plano da eternidade que Deus trouxe à luz e pôs em execução como resultado da queda do homem em pecado.
Examinemos esta gloriosa concepção. O apóstolo no-la ensina claramente neste versículo. Ele a expõe mais clara e explicitamente ainda no versículo dez do capítulo três desta Epístola. O apóstolo está descrevendo este grande mistério outrora oculto, mas agora revelado. Para quê? Para
"demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo" (versículo 9).
E então, no versículo dez: "para que" – a mesma ideia; este é o objetivo, esta é a intenção, este é o propósito –
"para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus".
Essa é a ideia. Deus está usando a Igreja, e vai usar a Igreja nos séculos futuros, afim de fazer uma demonstração e uma exibição da Sua estupenda e eterna sabedoria aos principados e potestades nos lugares celestiais.
Esse é o modo de pensar em nós mesmos como cristãos e como membros da Igreja Cristã. Deus está Se vindicando, a Si mesmo e ao Seu caráter, por meu intermédio e pelo seu, por meio de pessoas como nós, por meio de toda a Igreja congregada em Cristo e separada do mundo. Ele vai colocar-nos em exibição, por assim dizer; será uma exibição gloriosa. Ele já está fazendo isso, mas vai continuar a fazê-lo nas eras vindouras, e na consumação Deus vai fazer a Sua última grande exibição, e todos esses principados e potestades serão convidados a comparecer. A cortina correrá e Deus dirá: olhem para eles! "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus"! Eu e vocês estamos sendo preparados para isso.
Vocês leem sobre artistas preparando seus quadros e as suas pinturas para exposição, e sobre como eles dão os seus toques finais – como a moldura deve estar direita, deve ser colocada na posição certa, a luz deve vir do ângulo correto, e assim por diante. Bem, todos nós sabemos disso; temos visto pessoas preparando cavalos para exposição de equinos; ou frutas e verduras para exposições de horticultura – a seleção, o preparo. Pois bem, é isso que está acontecendo comigo e com vocês. Essa é a significação do culto público e da pregação – é apenas uma parte disso. A exposição, a exibição, a manifestação vem! E o que há de espantoso e admirável é que é por meio de pessoas como nós, e como resultado do que Ele está fazendo conosco, fez conosco e fará conosco, que Deus vai vindicar Sua sabedoria eterna, Sua majestade, Sua glória e todos os atributos da Sua santa Pessoa aos principados e às potestades nos céus.
Parece-me que isso vem perfeitamente expresso no capítulo sete do livro de Apocalipse. João teve a sua visão –
"Olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos; e chamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro".
João viu estas pessoas usando vestes brancas e com palmas nas mãos, entoando louvores a Deus e dizendo: "Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono". Mas o que particularmente me agrada é a pergunta feita pelo ancião que estava perto de João. "Quem são estes?" – perguntou ele – "Estes que estão vestidos de vestidos brancos, quem são, e de onde vieram?" Estes que aqui se acham com palmas nas mãos, cantando louvores a Deus, quem são? Será essa a pergunta que os principados e potestades nos lugares celestiais farão. A cortina será descerrada e lá estaremos nós com as nossas vestes brancas e com as palmas em nossas mãos, e os principados e potestades perguntarão – Quem são estes? Que são eles? Que fenômeno é este? Que pessoas são estas? De onde vêm? E a resposta será que são pessoas cristãs – são cristãos de todos os séculos, de todas as nações, tribos, países e cores congregados através dos séculos pelo poder da redenção de Cristo, todos finalmente juntos, reunidos ali na glória. "Quem são estes?" De onde vieram? Que são eles? E a resposta é: estes são os remidos pela sabedoria, poder, glória, amor e graça de Deus. "Pela igreja"! Eu e vocês! Miseráveis criaturas que somos, com nossas dores e sofrimentos, com as nossas "caxumbas e sarampos da alma", e os nossos questionamentos e interrogações, e a nossa indagação: "Por que Deus faz isso e aquilo?" Rogo-lhes, olhem para o céu, elevem a sua mente, fazendo-a penetrar na glória. Que vergonha para nós, cristãos, por nosso infeliz subjetivismo, por nossa incapacidade de compreender quem somos, o que somos, o que está acontecendo conosco e o que Deus está fazendo em nós e através de nós! A intenção da salvação é que tudo isso seja feito para vindicação do caráter e da glória de Deus.
4) Como Deus o faz mediante a Igreja?
A proposição subsequente ajuda-nos a ver como Deus o faz mediante a Igreja. Não precisamos demorar-nos neste ponto, visto que já o consideramos em parte. Lá estamos nós, que somos da Igreja, com vestes brancas, com palmas, na glória, na presença de Deus. Como chegamos lá? Como foi que isso aconteceu? A primeira coisa que nos deixa maravilhados é que Deus nos viu a todos como éramos e como estávamos, "mortos em ofensas e pecados, andando segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também". Como pôde Ele sequer olhar para nós? Não merecíamos nada senão a retribuição por nossos pecados, a punição, o inferno. Se você acha que merece coisa melhor, você não sabe que é pecador, você nada sabe, e eu temo por você, quanto à graça de Deus. Miseráveis, vis, torpes, desprezíveis e rebeldes – e Ele olhou para nós! Que grandiosa manifestação do Seu ser e da Sua santa natureza! Nós somos uma demonstração disso. Se Ele não tivesse olhado para nós, ainda estaríamos em nossos pecados e indo para a perdição. Mas lá estamos nós, na glória, porque Ele teve misericórdia de nós, teve pena de nós.
Não somente isso, Ele projetou e planejou um modo de libertar-nos. Ele mesmo produziu o método de salvação. O homem não o pediu, o homem não o queria, o homem não sabia do que necessitava, o homem não foi consultado, não deu nem uma única sugestão. A salvação é inteiramente de Deus, do princípio ao fim. Essa é toda a tese de Paulo: "Pela graça sois salvos", "fostes salvos", e nada mais! Que manifestação do ser e do caráter de Deus!
Outra maravilha é Deus ter-nos feito o que fez, ter feito de nós o que fez, a nós que já fomos vivificados, ter Ele colocado em nós um princípio de vida espiritual, em nós que estávamos completa, absoluta e desespe¬radamente mortos. Ele pôs nova vida em nós, a Sua própria vida em nós; Ele nos ressuscitou juntamente com Cristo, estamos vivos para Ele, temos os novos interesses e a nova perspectiva, estamos assentados nos lugares celestiais. Ele já nos fez isso tudo, porém quando estivermos na glória, de vestes brancas e com palmas, seremos absolutamente perfei¬tos, sem mancha, nem ruga, nem qualquer outra coisa semelhante. Não haverá nem suspeita de culpa; a mais poderosa lente de aumento não achará nada de errado em nós e sobre nós; seremos absolutamente íntegros e completos, purificados de todos os vestígios do pecado. Não é surpreendente a pergunta do ancião, "Quem são estes?" Como se tornaram assim? O que é esta brancura imaculada, esta glória? É tão¬-somente a manifestação do caráter e do ser de Deus. Mediante a Igreja Ele o faz dessa maneira especial.
5) Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo?
Isso me leva à derradeira proposição, que é simplesmente uma questão muito prática. Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo? Por certo é óbvio. Se você sequer pensa na sua bondade, significa que você nunca enxergou esta verdade. Se você se julga cristão e bom membro da igreja porque tem vivido uma vida virtuosa e nunca fez mal a ninguém, e porque dedica boa parte do seu tempo a praticar estas coisas, você está apenas me dizendo que nunca entendeu este ensino. Se você pode achar em si próprio alguma coisa que pode deixá-lo satisfeito neste momento, você nunca viu de fato esta verdade, que Deus fez isso tudo com o propósito de que agora seja conhecida dos principados e potestades a Sua multiforme sabedoria nos lugares celestiais, para mostrar as sublimes riquezas da Sua graça. Se você acha que tem algum pleito para apresentar em seu favor ao trono da graça e da misericórdia, qualquer coisa que não seja o nome de Jesus Cristo, você nunca enxergou a verdade, simplesmente está cego. Nosso único pensamento deve ser:
"À aliança da misericórdia sou devedor,
Só à misericórdia entoo louvor".
"Pela graça de Deus sou o que sou,
Nada em minhas mãos levando vou".
Nada vejo de bom em mim; "Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum"; não tenho nada que me recomende, não tenho nada do que me gabar. Eu não sou nada; Ele é tudo, DEUS! A Sua graça em Cristo Jesus! Se você enxergar esta verdade, então inevitavelmente você pensará dessa forma.
5.1) Também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira
Disso decorre que também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira.
"Qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro" (1 João 3:3).
O homem que se viu como membro da Igreja e do corpo de Cristo da maneira que estamos considerando, não vai querer mais ficar tão perto quanto puder do mundo, nem vai considerar o cristianismo estreito por condenar certas coisas. Nem por um momento! Se tão-somente pudéssemos ver aqueles que conhecemos e que agora estão além do véu, daríamos adeus à maioria das coisas deste mundo. Todo aquele que vê isto, todo aquele que tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro. Se vocês sabem que vão ser absolutamente puros e sem mancha, bem, avante!
"Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações" (Tiago 4:8).
Estes são os apelos do Novo Testamento. Fiquem tão longe do mundo quanto puderem. "Apressa-te da graça para a glória."
5.2) A absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo
A outra coisa que vejo aqui é a absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo. Se a minha confiança na minha salvação cabal e final e na minha perfeição última se baseasse em mim, na minha energia, no meu zelo e nos meus propósitos e desejos, sei que nunca chegaria lá. A minha segurança se baseia nisto, que Deus, o Deus infinito e eterno, está vindicando a Sua reputação eterna por meu intermédio. E se Ele tivesse começado a salvar-me e depois deixasse a obra por fazer ou inacabada, e eu merecidamente chegasse ao inferno, o diabo teria a maior alegria que lhe fosse possível. Ele diria: há um ser que Deus começou a salvar, todavia deu em nada. É impossível, isso não pode acontecer; não existe ideia mais monstruosa do que a ideia de que você pode cair da graça, que você pode nascer de novo e depois ser condenado eternamente. O caráter de Deus está envolvido! É impossível. Seu objetivo não é meramente salvar-me, é vindicar o Seu ser e a Sua natureza, e eu estou sendo utilizado para esse fim. O fim é absolutamente certo, porque o caráter de Deus está envolvido nisso.
"Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1:6).
5.3) O privilégio de todas estas coisas
A última palavra é óbvia. O privilégio de todas estas coisas! O privilégio de ser usado por Deus desta maneira para vindicar o Seu caráter eterno e glorioso! Por que estou nisto? Por que terá Ele olhado para mim? Como diz o ancião, "Quem são estes?", assim eu pergunto: quem sou eu? Vocês recordam Davi fazendo essa pergunta quando Deus lhe deu um vislumbre de onde ele entrava neste grande plano,
"Quem sou eu, ou o que é a minha casa, para que me fosse concedida tal honra?" (cf. 2 Crônicas 2:6).
E nós, não nos sentimos como tendo que dizer isso? Quem sou eu, e o que sou eu, para que Deus sequer olhasse para mim e me escolhesse para fazer parte do Seu plano e do Seu propósito, para vindicar Sua Pessoa, Sua grandeza, Sua glória, Sua sabedoria, Seu amor, Sua misericórdia, Sua compaixão perante os principados e as potestades nos lugares celestiais?
Povo cristão, pense cada um em si dessa forma, e siga para a glória.
Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Hebreus 4:12
quinta-feira, 10 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
AS 42 JORNADAS NO DESERTO - CAPÍTULO 62

Irmãos e visitantes do nosso Blog. Estamos estudando as 42 estações da peregrinação do povo de Israel até Canaã. Chegamos a 8ª subida, capítulo 62 do nosso estudo. Que o Senhor nos dê espírito de sabedoria e revelação para que possamos enxergar os maravilhosos ensinamentos contidos nesse estudo.
Que o Senhor nos abençoe!
TEXTO: Êxodo 33:13-23 – 8ª Subida
Vamos estudar hoje a oitava subida de Moisés ao Monte Sinai, onde nós temos: a glória de Deus e a renovação do pacto.
A GLÓRIA DE DEUS
Nesta subida Moisés pede a Deus que revele Sua glória. E aqui nós vemos que Deus proclama o Seu nome. Deus diz que Ele é Jeová forte, clemente, tardio para irar-se, grande em misericórdia. Aqui Deus revela quem Ele é. Amados irmãos e irmãs, nesta oitava subida, Deus está revelando para Moisés o Seu próprio caráter. E vemos que após isso Moisés desce com seu rosto resplandecente, porque Moisés pede para poder ver a glória de Deus, e Deus provê uma rocha ferida – que é uma figura de Cristo. Nessa fenda da rocha Ele escondeu Moisés, porque, se isso não acontecesse, Moisés iria morrer. E ali, escondido na fenda da rocha, Moisés pôde ver uma gloriosa expressão da glória de Deus.
Êxodo 33:13-23 diz:
13 Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo. 14 Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. 15 Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. 16 Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra? 17 Disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome. 18 Então, ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. 19 Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer. 20 E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá. 21 Disse mais o SENHOR: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. 22 Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. 23 Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.
Estamos aqui diante de uma verdade estonteante, impressionante. Moisés pede para ver a glória de Deus. Você sabe o que é a glória de Deus? A glória de Deus é a natureza essencial de Deus. É o que faz de Deus, Deus. Glória é um termo que descreve Deus mais do que qualquer outro termo. O termo glória inclui beleza, majestade, resplendor, grandeza, poder, eternidade. No Antigo Testamento, o termo glória é sempre utilizado para comunicar a presença de Deus. Nessa ocasião, que é a oitava subida de Moisés, vemos que Moisés pede para Deus revelar-lhe essa gloriosa glória.
Amados irmãos e irmãs, precisamos ver alguns detalhes aqui. Tudo isso que temos lido nesses textos é impressionante. Precisamos analisar com muita reverência. Quero considerar isso fazendo algumas proposições.
1ª proposição:
Deus manifesta Sua misericórdia. Ele diz:
“terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia”. (Ex 33:19b)
A misericórdia está relacionada com a nossa condição presente, isto é, o estado de decadência em que o homem se encontra, sem Deus. A misericórdia fala da pobreza da nossa condição; enquanto a graça fala da glória irradiante da posição que temos em Cristo. Porque quando Deus desce a nós em misericórdia, Ele vem no estado mais baixo da nossa própria pecaminosidade. O sentimento que Deus tem para conosco, enquanto somos pecadores, é misericórdia. E a obra que Deus realiza para nos tornar Seus filhos é graça. A misericórdia vem do amor e resulta em graça. Então, esse é o primeiro detalhe, essa é a primeira proposição que Deus revela para nós. Toda a obra de Deus na graça foi planejada de acordo com a misericórdia de Deus em amor. Sua graça é dirigida por Sua misericórdia e Sua misericórdia é dirigida por Seu amor. Essa é a primeira proposição.
2ª proposição:
O Senhor diz para Moisés:
“(...) eis aqui um lugar junto a mim”. (Ex 33:21)
Preste atenção! Há um lugar em Deus onde podemos estar. É isso que Deus está dizendo para Moisés. Veja a riqueza dessa frase! Parece que na atual conjuntura não há nada maior do que isso para nós. Há um lugar em Deus onde podemos contemplá-lo, experimentá-lo, desfrutá-lo. O Salmo 91:1 e 9b diz:
“1 O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente (...)” (Sl 91:1)
“(...) Fizeste do Altíssimo a tua morada” (Sl 91:9b)
Precisamos alcançar isso em Cristo. É justamente isso que Paulo diz em Colossenses 3:3:
“3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.”
Nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Há um lugar em Deus onde fomos introduzidos através de Cristo. Em João 14:2, o Senhor Jesus disse:
“2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.”
Em Hebreus 10:19-20, o escritor dessa Epístola diz:
“19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,”
Amados irmãos e irmãs, há um lugar em Deus onde podemos experimentá-lo, desfrutá-lo. Creio que isto é tudo o que necessitamos em nosso viver cristão hoje: desfrutar da presença de Deus. Ver Deus significa penetrar para dentro dEle no poder da vida e ressurreição que Cristo nos deu, nesta vida de comunhão e intimidade agora pelo Espírito Santo em nós. Esta é a segunda proposição.
3ª proposição:
Vejam que, ainda em Êxodo 33:21, o Senhor diz assim:
“(...) tu estarás sobre a penha”.
A palavra hebraica para “penha” aqui é “tsur” – “rocha”. 1 Co 10:4 diz que “a rocha era Cristo”. Sabemos que essa rocha era uma teofania de Cristo. Era uma expressão de Cristo que nos é revelada em todo o Novo Testamento. Moisés só poderia contemplar a glória de Deus se ele estivesse na rocha. Isso nos ensina que todas as coisas nos foram dadas por Deus em Cristo. Não podemos por nós mesmos contemplar, desfrutar a glória de Deus. Nossa visão espiritual foi profundamente danificada por causa do pecado em nós. O homem natural não pode ver as coisas de Deus, nem tão pouco desfrutar da glória de Deus. Sabemos que é o nosso cérebro que enxerga e não os nossos olhos. É isso o que dizem os cientistas. Nossos olhos são apenas ferramentas pelas quais o cérebro capta a visão das coisas. Por isso, se desejamos desfrutar, ver a glória de Deus, ter essa visão espiritual profunda, necessitamos de uma profunda operação do Espírito Santo em nossa própria mente, em nosso próprio ser interior. Essa é a verdade. Precisamos estar em Cristo. Somente a partir de Cristo é que nós podemos desfrutar, penetrar, nesta glória maravilhosa e divina. Agora vamos para mais uma proposição.
4ª proposição:
Agora temos a quarta proposição, quando Deus diz para Moisés:
“(...) eu te porei numa fenda da penha (...)” (Ex 33:22).
Essa mensagem nos leva para Números 20:11:
“11 Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais.”
Precisamos ler também o Evangelho de João 19:33-34:
“33 chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. 34 Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.”
No Evangelho de João temos “a rocha ferida”. Só podemos ver a glória de Deus e desfrutar dessa glória mediante a rocha ferida. Uma coisa impressionante nesse texto de Êxodo é que a palavra “passar”, no hebraico, segundo Strong, é “abar”. Essa palavra significa “ser transpassado”. Veja o que Deus diz aqui para Moisés, no versículo 22 de Êxodo 33:
22 Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.
É esta palavra aqui: “passado”. Essa palavra no hebraico é “abar”. Significa “ser transpassado”. Ela era usada para descrever “o animal que era sacrificado”.
Amados irmãos e irmãs, será que temos percebido a grandeza de tudo isso diante de nós? Será que ficamos impressionados com aquilo que o Espírito Santo está nos ensinando? Sobre esse assunto, tenho da parte do Senhor o encargo de chegar até aqui. Mas sei que o Senhor pode avançar muito mais além de cada um de nós e mostrar a grandeza de tudo isso, a grandeza dessa verdade. Aqui há algo que Deus deseja comunicar para nós: é somente através dessa rocha ferida – Cristo transpassado. Essa rocha ferida fala de Cristo transpassado. Cristo sendo transpassado por causa de nós.
1 João 3:2 diz assim:
2 Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.
Há duas palavras nesse texto que temos que estudar:
A primeira é “manifestou”. No grego temos a palavra “phaneroo”, que significa “tornar manifesto, visível, conhecido, aquilo que estava escondido”. Sabemos que um dia Deus vai se revelar profundamente, grandiosamente para nós na eternidade vindoura, por causa dessa rocha ferida.
Depois temos que tomar a palavra “sabemos”, que no grego é “oida”. Significa “ver, voltar os olhos”.
Amados irmãos e irmãs, devemos ser gratos a Deus pelo privilégio de estudar esse maravilhoso assunto, de estudar essa oitava subida de Moisés ao Monte Sinai. Podemos meditar um pouco aqui sobre a glória suprema daquilo que Deus tem preparado para nós. Precisamos ver que a vontade de Deus é algo que Ele irá alcançar, porque isso faz parte da Sua soberana vontade irresistível. Ele determinou realizar isso em nós e Ele alcançará essa obra em nós. É isso que o Senhor está ministrando agora nessa oitava subida.
A RENOVAÇÃO DO PACTO
Essa oitava subida fala também, no aspecto espiritual, do “poder da ressurreição”, porque o número oito refere-se à ressurreição de Cristo. Então, o que Deus faz com Moisés aqui? Ele renova o pacto, porque Moisés havia quebrado as primeiras tábuas da aliança. Agora Deus renova o pacto. Deus pede para Moisés novas tábuas de pedra para que Ele possa agora escrever novamente o Decálogo. E Deus fala sobre três coisas para Moisés:
1º) Deus fala contra a idolatria:
Deus fala para Moisés que Ele é um Deus zeloso e para que o povo não tivesse nenhum outro Deus, a não ser Ele.
2º) Deus volta a falar sobre as festas anuais:
Essas festas prefiguram Cristo. Elas revelam aspectos distintos da vida, da pessoa e da obra de Cristo.
3º) Deus volta a enfatizar o Decálogo.
Então, nessa oitava subida nós temos essa maravilhosa experiência. Temos essas verdades impressionantes, que tocam profundamente a nossa vida hoje. O fato de Deus novamente falar contra a idolatria, o fato de Deus novamente falar sobre essas festas, falar sobre o Decálogo, mostram que Deus é Deus perseverante em Seu amor; é um Deus que não desiste de nós; é um Deus gracioso. Muitas vezes fechamos as portas, muitas vezes temos ofendido a Ele, mas ele retorna a nós em graça e misericórdia para nos alcançar e para se revelar a nós. Aquela experiência que Moisés teve nos é dada hoje em Cristo Jesus. Deus deseja que venhamos desfrutar da Sua glória, da Sua presença. Deus deseja que venhamos desfrutar dEle. Somente agora, em Cristo, nós podemos ter essa magnífica experiência na nossa vida
Cristã.
Amados, a vida cristã é muito rica. Não é uma vida medíocre, não é uma vida pobre. É uma vida rica, uma vida marcada e caracterizada pela presença, pela glória de Deus. Sabemos que não podemos desfrutar essa glória em plenitude, mas Deus permite que nós venhamos desfrutá-la nessa disposição que Ele tem em Cristo, no poder do Seu Espírito, de comunicar isso a nós.
Que Deus lhe abençoe com esta palavra. Que Ele possa inundar o Seu coração de graça, de glória, de Sua presença através desta palavra que Ele está ministrando ao seu coração.
Por: Ir. Luiz Fontes
quinta-feira, 3 de junho de 2010
JESUS O REI DOS JUDEUS

JESUS O REI DOS JUDEUS
Por. Dave Hunt
Multidões, que pouco ou nada pensam sobre Deus ou Cristo, aceitam que há mais de 2000 anos Jesus nasceu em Belém e "que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus?" (Mt 2.1-2). Estranhamente, muitos cristãos que crêem que Jesus nasceu "Rei dos judeus" não atribuem a esse título um significado literal, especialmente que ele tenha algo a ver com judeus. Profecias que falam de Cristo reinando sobre o mundo a partir do trono de Davi, em Jerusalém, são interpretadas como metáforas que se referem ao Seu presente reinado a partir do céu.
A cidade de Davi
Jerusalém foi fundada pelo rei Davi há 3000 anos atrás. A Bíblia se refere a Jerusalém como "cidade de Davi" por mais de 40 vezes. Lá Deus estabeleceu o trono de Davi para sempre, e desse trono o Messias, o Rei dos judeus, descendente de Davi, deve reinar sobre Israel e sobre o mundo (2 Cr 6.6; 33.7; 2 Sm 7.16; Sl 89.3,4,20,21,29-36, etc.). Na Bíblia, Jerusalém é citada mais de 800 vezes e é peça central nos planos de Deus. Lá Ele colocou Seu nome para sempre.
O que há por trás do anti-semitismo?
Satanás tem inspirado 3000 anos de anti-semitismo sabendo que somente o Messias, descendente de Abraão, Isaque e Jacó, pode derrotá-lo. Destruindo todos os judeus, ele teria evitado o nascimento do Messias. Satanás perdeu esse "round". Mas se todos os judeus fossem destruídos hoje, Deus não poderia cumprir Suas promessas de que Cristo reinará como Rei dos judeus, no trono de Davi, em Sua Segunda Vinda. Deus seria, então, um mentiroso e Satanás, o vencedor. A integridade e os propósitos eternos de Deus estão ligados à sobrevivência de Israel!
A quem pertence Jerusalém?
Yasser Arafat afirma que Israel sempre pertenceu aos árabes e que Jerusalém tem sido uma cidade árabe por milhares de anos. Na realidade, Jerusalém não é sequer mencionada no Corão. Em 15 de julho de 1889, o jornal Pittsburgh Dispatch declarou que, dos 40.000 residentes de Jerusalém, 30.000 eram judeus e a maioria dos outros eram cristãos. Em 1948, quando Israel declarou sua independência, somente 3 por cento da "Palestina" pertencia aos árabes.
Israel tem seu Knesset (Parlamento) em Jerusalém. Mas o mundo não aceita isso e as embaixadas estrangeiras se localizam em Tel Aviv. Desafiando a Deus e Seu Rei (leia o Salmo 2), o mundo tem seus próprios planos para Jerusalém.
Aqui confrontamos os aspectos mais amplos da guerra anti-semítica contra Deus e o Rei dos judeus: a tentativa de controlar Jerusalém e a terra de Deus (Lv 25.23). Inacreditavelmente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aplicou quase um terço de suas deliberações e resoluções a Israel, um país com menos de um milésimo da população do mundo! As Nações Unidas jamais condenaram os árabes pelo seu terrorismo, mas Israel já foi condenado mais de 370 vezes por se defender. Em março de 1999, Israel foi novamente notificado pela União Européia de que esta "não reconhece a soberania de Israel sobre Jerusalém". Numa bula papal, no Jubileu do Ano 2000, o papa João Paulo II mais uma vez rejeitou a soberania de Israel sobre Jerusalém.
Jerusalém pisada pelos gentios
Estamos vendo o cumprimento contínuo da notável profecia de Cristo: "Jerusalém será pisada por eles, até que os tempos dos gentios se completem" (Lc 21.24). A retomada de Jerusalém Oriental pelos israelenses em 1967 parecia marcar o fim dos "tempos dos gentios". No entanto, num lance surpreendente, Israel devolveu o monte do Templo aos cuidados do rei Hussein, da Jordânia, deixando o próprio coração de Jerusalém nas mãos dos gentios. Mais tarde [através do "Wagf", a entidade muçulmana que passou a administrar o local], Yasser Arafat e sua OLP assumiram o controle do monte do Templo.
Evangélicos com doutrina católica
A doutrina católica romana de que a nação de Israel foi substituída por aquela Igreja tem se espalhado progressivamente também entre evangélicos. Essa substituição de Israel é uma forma sutil de anti-semitismo. Ao invés de mandar os judeus para as fornalhas, nega-se sua importância e até mesmo sua existência: por alguma distorção na História, os comumente chamados judeus não seriam realmente judeus – os verdadeiros judeus seriam os mórmons, os "israelitas britânicos", os católicos ou os cristãos.
Parceiros de Satanás
O vergonhoso horror do anti-semitismo ao longo da História revela o coração humano. Satanás achou milhares de parceiros (muitos dos quais se diziam cristãos), ávidos por amaldiçoar, perseguir e até mesmo matar o povo escolhido de Deus. Roosevelt, Churchill e outros líderes aliados conheciam a "solução final do problema judeu" de Hitler e nada fizeram. Mesmo as nações neutras, como a Suíça e a Suécia, devolveram judeus refugiados às fornalhas de Hitler.
O objetivo do islamismo
Incrivelmente, um típico livro escolar da Jordânia iguala sionismo com nazismo. Entretanto, os árabes aplaudiram e ajudaram Hitler – e o islamismo busca colocar em prática a "solução final" de Hitler até hoje. Líderes políticos e religiosos muçulmanos estão continuamente fazendo ameaças hitlerianas na TV e nas rádios, pelos alto-falantes nas mesquitas ou nas ruas. A batalha entre Javé, o Deus de Israel, que ama os judeus como povo escolhido, e Alá, o deus do islamismo, que os odeia com furor, está alcançando um clímax apavorante.
Exterminar os judeus é dever de todo muçulmano religioso. Os muçulmanos sonham em destruir Israel. Os assassinos de inocentes cidadãos israelenses são exaltados em todo o mundo árabe e seus nomes são dados a feriados e ruas. Também são feitas comemorações em homenagem a terroristas. Os líderes islâmicos têm invocado um reavivamento espiritual como chave para a destruição de Israel – e o fundamentalismo islâmico, que descaradamente emprega o terrorismo, está agora se espalhando pelo mundo.
Todos os estudiosos islâmicos concordam que é dever sagrado de todo muçulmano, em qualquer idade, promover a jihad (guerra santa) sempre que possível, a fim de submeter o mundo inteiro ao islamismo. Há mais de 100 versos no Corão que falam em lutar e matar em nome da jihad. Um ministro do Gabinete líbio declarou: "A violência é a mais positiva forma de oração dos muçulmanos".
Saddam Hussein, apesar de ter invadido o Kuwait, é idolatrado por milhões de árabes porque seus mísseis "Scud" atingiram pesadamente alvos civis israelenses e ele, repetidamente, faz convocações para que se destrua Israel. Quando Kaddafi esbraveja que "a batalha contra Israel será tamanha que... Israel deixará de existir!", ele fala em nome de cada muçulmano. Maomé, o profeta fundador do islamismo, declarou que "a última hora não chegará antes que os muçulmanos lutem e matem os judeus".
O desejo islâmico de exterminar Israel é ensinado desde a infância. Um ministro da Educação da Síria escreveu: "o ódio que inculcamos nas mentes das nossas crianças desde o berço é sagrado". Um livro de ensino médio do Egito atesta: "Israel não sobreviverá se os árabes se mantiverem firmes no seu ódio". E um livro de quinta série declara: "os árabes não param de agir em direção ao extermínio de Israel". É um ato suicida de Israel trocar terra estratégica pela "paz" se é ameaçado por tamanhos inimigos – mas o mundo o tem forçado a fazê-lo.
O que o islã entende por "paz"?
Maomé mostrou aos muçulmanos como fazer "paz". Em 628 d.C. ele fez um tratado de paz com sua própria tribo kuraish. Dois anos depois, repentinamente ele atacou Meca e massacrou todos os homens. Arafat declarou publicamente: "em nome de Alá... eu o estou considerando (o acordo de paz entre Israel e OLP) tanto quanto nosso profeta Maomé considerou o acordo com a tribo kuraish... Paz, para nós, significa a destruição de Israel..." Não há lugar para o Rei dos judeus! Assim é o islamismo – preste bem atenção!
Armas de aniquilação
As nações muçulmanas estão se armando com mísseis, armas químicas, biológicas e nucleares. A Síria tem fabricado milhares de ogivas químicas, tem enormes estoques de armas biológicas e triplicou seu poderio aéreo e militar desde a guerra de Yom Kippur em 1973. O mundo inteiro sabe que essas armas têm apenas um propósito: destruir Israel. Mas Israel também possui armas nucleares (em novos e eficientes submarinos) e, se necessário, as usará. Então, quem promoverá a paz?
Cristo advertiu a respeito dessa incrível destruição e que ninguém seria salvo na terra se Ele não interviesse para fazê-la cessar (Mt 24.21-22). Essa impressionante profecia anunciava as modernas armas de hoje. Não é de se admirar que o Deus da Bíblia, que por doze vezes chama a si mesmo de "o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó", prometa repetidamente proteger Israel e Jerusalém nos últimos dias! Tendo feito Israel renascer em 1948, Deus completará o Seu propósito. Ele declara: "Pode, acaso, nascer uma terra num só dia? Acaso, eu que faço nascer... diz o Senhor... fecharei a madre?" (Is 66.8-9).
O mundo rebelde
Em sua louca rebelião contra Deus, o mundo faz seus próprios planos e rejeita o "Rei dos judeus" e Sua promessa de paz internacional reinando do trono de Davi em Jerusalém. Um governo mundial humanístico é um ideal que tem sido buscado desde Babel. Em 1921 foi estabelecido o Council on Foreign Relations – CFR (Conselho de Relações Exteriores). No ano seguinte, sua publicação Foreign Affairs (Relações Exteriores) afirmou que não haveria "paz ou prosperidade para a humanidade... até que fosse criado algum tipo de sistema internacional...". Em 1934, H.G. Wells declarou: "é preciso que se estabeleça uma fé e uma lei comum para a humanidade... A principal batalha é uma batalha educacional". As crianças estão sendo educadas para rejeitar a Deus e aceitar o Anticristo. Em 1973, no Saturday Review of Education, Gloria Steinem, líder feminista, afirmou que, por volta do ano 2000, "nós iremos, espero eu, criar nossos filhos para acreditarem no potencial humano, e não em Deus".
Em maio de 1947, Winston Churchill declarou: "A menos que se estabeleça e comece a dominar um eficaz supergoverno mundial..., as perspectivas de paz e progresso humano são obscuras e duvidosas...". Em 1948, no artigo UNESCO: Its Purpose and its Philosophy (UNESCO: Seu Propósito e Sua Filosofia), Sir Julian Huxley, o primeiro diretor-geral daquele organismo, explicou que "a filosofia geral da UNESCO deveria ser um humanismo científico mundial, global em sua extensão e evolutivo na sua prática... para ajudar no surgimento de uma cultura mundial única..." O Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, declarou que "o conceito de soberania nacional" está sendo redefinido e deverá ser colocado de lado. Num avanço rumo a uma religião mundial, "as Nações Unidas estenderam seu papel de manutenção da paz para o território espiritual" e convocaram "sua primeira cúpula de líderes religiosos mundiais".
Decepção com governos humanos
Independentemente do tipo de governo, os governantes são egoístas e opressores. Esse fato tem sido demonstrado repetidas vezes em muitas partes do mundo. A África se livrou do domínio colonial dos brancos. No entanto, ao invés da liberdade prometida, houve nova servidão sob déspotas negros. No lugar de paz e prosperidade, o caos, a pobreza, a intranqüilidade, as guerras étnicas e tribais são crescentes, com negros matando negros e a repetição de golpes e revoluções com que nada se ganha.
O comunismo também já foi uma grande esperança. A revolução comunista na Rússia foi financiada em grande parte por alguns dos homens mais ricos e poderosos da América. Em 1928, John Dewey escreveu no The New Republic que o comunismo, cujo ateísmo obrigatório exaltava, iria "neutralizar e transformar... a influência da família e da Igreja" e, finalmente, atingiria os objetivos estabelecidos no Manifesto Humanista.
Tudo soava tão bem: igualdade para todos. Mas aqueles que impuseram essa "igualdade" eram déspotas em busca dos seus próprios interesses egoístas, oprimindo e roubando quem estava abaixo deles. A corrupção prosperou na Rússia e na China e continua prosperando em cada nação comunista.
A trajetória cruel do islamismo
O mesmo também é verdade em relação ao islamismo. Maomé impôs o islamismo com a espada. Assim que ele morreu, muitos árabes tentaram abandonar o islamismo mas foram forçados a voltar à submissão nas Guerras de Apostasia, em que dezenas de milhares foram mortos. Isso também não trouxe paz. Os companheiros e parentes mais próximos de Maomé lutaram, barbaramente, para conquistarem a liderança, matando uns aos outros em nome de Alá e de seu profeta morto. Milhares de seguidores de Maomé foram massacrados por alguma facção rival.
O islamismo não mudou. Entre 1948 e 1973 houve 80 revoluções no mundo árabe, 30 das quais foram bem sucedidas, incluindo o assassinato de 22 chefes de Estado. Os sunitas, a maior seita islâmica, e os xiitas, a segunda maior, ainda lutam uns contra os outros. Na guerra de oito anos entre o Irã e o Iraque foram usadas 1.000 toneladas de gases venenosos e houve mais mortes do que na Primeira Guerra Mundial. O islamismo não consegue obter paz nem mesmo entre os muçulmanos. No entanto, o primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que o islamismo é sinônimo de "paz, tolerância e uma força para o bem". Incrivelmente, nos EUA a Catedral de Cristal (de Robert Schuller) mantém o "Instituto Cristão e Muçulmano Conjunto Pela Paz". Paz? Que paz seria essa?
Ditaduras islâmicas e democracia israelense
Os países islâmicos são ditaduras dominadas por assassinos inescrupulosos e terroristas internacionais como Saddam Hussein do Iraque, Kaddafi da Líbia e Assad da Síria. Em nome de Alá eles prendem, torturam e matam dezenas de milhares dos seus próprios cidadãos e treinam e financiam o terrorismo mundial. Nos territórios da OLP, entregues por Israel, assim como em todos os países muçulmanos, não há liberdade de consciência, de expressão, de religião, de voto ou de imprensa.
Israel é a única democracia do Oriente Médio e ali existem os problemas típicos de uma democracia. A "Terra Santa" está contaminada por drogas, pornografia, prostituição, rebeldia juvenil, estupro, roubos e crimes. Israelenses são jogados uns contra os outros pelo egoísmo. A violência doméstica atinge mais de 200.000 mulheres israelenses por ano. A selvageria nas escolas israelenses se iguala à dos Estados Unidos. Os crimes violentos entre jovens israelenses mais do que duplicaram de 1993 até 1998. Há hostilidade entre israelenses religiosos e seculares e a desilusão com o judaísmo é crescente, especialmente entre a juventude.
Sacrifício pelo pecado
Se Jeremias estivesse vivo hoje em dia, mais uma vez advertiria Israel sobre o julgamento que virá por seu pecado. Israel precisa arrepender-se diante do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Mas, e se isso viesse a acontecer? Os rabinos não têm como oferecer perdão para pecadores arrependidos. Há mais de 1900 anos eles não têm Templo nem sacrifícios pelo pecado – exatamente como foi previsto (Os 3.4; Lc 21.20-24).
Por que Deus profetizaria e permitiria essa condição? A única resposta lógica é ter enviado Jesus, o Messias: como Cordeiro de Deus, Ele morreu pelos pecados dos judeus e dos gentios. Se a Sua morte na cruz foi o sacrifício maior, então os sacrifícios do Antigo Testamento tornaram-se desnecessários. Essa é a única explicação para Deus ter deixado Israel sem Templo ou sacrifícios por todos esses anos.
As Escrituras hebraicas contêm mais de 300 profecias contando quando e onde o Rei dos judeus nasceria, falando tudo sobre Ele, inclusive de Sua rejeição, crucificação e ressurreição. Todas essas profecias se cumpriram ao pé da letra em Jesus Cristo. Se Ele não é o Messias, então não há Messias. No dia exato revelado pelo anjo Gabriel a Daniel (Dn 9.25), Jesus entrou em Jerusalém e foi aclamado como o Messias, como Zacarias havia profetizado (Zc 9.9). A seguir, Ele foi crucificado pelos nossos pecados e ressuscitou, como os profetas de Israel tinham previsto. Na cruz, sobre a Sua cabeça, Pilatos escreveu a acusação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" (Mt 27.37).
A volta do Messias
De acordo com os fatos históricos incontestáveis e os próprios profetas de Israel, os que esperam a primeira vinda do Messias estão 2000 anos atrasados. A única esperança para Israel é Sua segunda vinda. Tragicamente, será preciso que a batalha de Armagedom aconteça para que Israel reconheça o seu Messias. Quando Javé aparecer pessoalmente para salvar Israel da destruição, todos os judeus vivos verão que Ele é o Homem que foi traspassado e morto pelos seus pecados e ressuscitou, o próprio Messias prometido por seus profetas, a quem eles rejeitaram. Então todo o Israel ainda vivo virá a crer (veja Rm 11.26-27). E o Rei dos judeus finalmente "reinará para todo o sempre"! Por enquanto, Ele oferece perdão, paz, vida eterna e um reinado benevolente no trono de todo coração que se abrir para Ele. (Dave Hunt - TBC 12/99 - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, agosto de 2001.
terça-feira, 1 de junho de 2010
AS 42 JORNADAS NO DESERTO
Estudo das 42 Jornadas no Deserto
CAPÍTULO 60
TEXTO: Êxodo, Cap. 32 – 7ª Subida
Vamos continuar estudando acerca desta 7ª subida de Moisés ao monte Sinai. Onde ele vai poder experimentar sobre a justiça e a misericórdia de Deus; onde ele vai poder compreender estes aspectos tão preciosos.
Aqui nesta 7ª subida nós temos a justiça e a misericórdia de Deus. Sabemos que o contexto desta subida é quando o povo de Israel está adorando a um bezerro de ouro, quando o povo está adorando àquele bezerro, que Arão fez para aquele povo. E o povo, desenfreadamente, adorava aquele bezerro quando Moisés quebrou as tábuas da Lei. Naquele momento a tribo de Levi é instituída – porque a tribo de Levi não adorara aquele bezerro de ouro. E ali Deus exerceu o seu juízo.
Agora Moisés sobe ao Monte Sinai. Ele ora! Esta oração ou intercessão está em Êxodo capítulo 32, versículo 11, quando Moisés suplicou ao Senhor e disse: “Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão?”. Aqui nós temos que ver a “Doutrina da ira de Deus”. O que é a ira de Deus? Se nós precisamos compreender o caráter de Deus em sua essência naquilo que é comunicado a nós através do Espírito santo, pela Palavra, nós não podemos deixar de conhecer a ira de Deus. A ira de Deus é uma Doutrina que está em toda a Bíblia. É um fato e ninguém pode contestá-lo. Todos nós estamos envolvidos na doutrina da ira de Deus. Dela depende o nosso destino. Nunca entenderemos o amor de Deus enquanto não compreendermos a doutrina da ira de Deus. A ira de Deus é nada mais nada menos que a “manifestação de indignação baseada em sua justiça”. Para entendermos a doutrina do amor de Deus nós precisamos entender primeiro a doutrina da ira de Deus. Sem a compreensão da ira de Deus, nós não vamos compreender seu amor por nós.
A primeira visão que nós devemos ter do pecado é que o pecado acarretou uma desordem tão profunda que é necessário uma reparação ou restituição, isto é, a “expiação”. A expiação é uma necessidade, porque ela emerge de dentro do próprio Deus. O pecado afetou a posição do homem diante de Deus. Paulo diz em Efésios capítulo 2, versículo 3: “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. Isto indica que todos nós estamos sob a ira de Deus por natureza. A necessidade de satisfação para Deus, portanto, não se encontra em nada fora Dele, mas dentro Dele, em Seu próprio Caráter imutável.
Amados irmãos e irmãs, nós temos que saber que Deus é a sua própria Lei. Ele só se satisfaz e se conforma com esta Lei. A lei do seu próprio ser. Quando nós vemos Gênesis capítulo 3, versículo 24, quando Deus lançou o homem para fora do jardim, Ele pôs querubins ao oriente do jardim do Éden com uma espada inflamada, que andava ao redor para guardar o caminho da árvore da vida. O que significa a espada inflamada? Significa a espada da justiça de Deus, da ira e da punição. Deus agora está punindo o homem por causa do seu pecado. Aqui podemos ver a ira de Deus contra o pecado, contra a rebelião do homem. A ira de Deus indica que há dentro Dele uma intolerância santa contra a rebelião, contra a idolatria, a imoralidade, a injustiça, contra todo o mal. É isso que nós vemos.
Ezequiel, capítulo 24, versículos 13 e 14, diz assim:
13 - Na tua imundícia está a luxúria; porque eu quis purificar-te, e não te purificaste, não serás nunca purificada da tua imundícia, até que eu tenha satisfeito o meu furor contra ti. 14 - Eu, o SENHOR, o disse: será assim, e eu o farei; não tornarei atrás, não pouparei, nem me arrependerei; segundo os teus caminhos e segundo os teus feitos, serás julgada, diz o SENHOR Deus.
Veja isto, a ira de Deus acesa contra Judá não se apagaria facilmente, isto é, Deus não desistiria de julgar esta nação. O fogo da ira de Deus só se apagaria quando o seu juízo fosse completado. Nós podemos ver o exemplo disso no episódio da capa babilônica que Acã escondeu em sua casa dos despojos de Jericó. Diz assim o texto em Josué capítulo 7, versículo 26: “E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o SENHOR apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje”. Nesse texto vemos o julgamento de Deus sobre a família de Acã, porque tomou dos despojos Jericó, as coisas condenadas por Deus e as escondeu em sua própria casa. Josué já havia avisado aos filhos de Israel a não tomarem dos despojos de Jericó porque isso seria maldição. Isto está em Josué 6:18. Esse foi o motivo da ira de Deus. Veja o versículo 13, de Ezequiel capítulo 5: “Assim, se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor e me consolarei; saberão que eu, o SENHOR, falei no meu zelo, quando cumprir neles o meu furor. Sabemos que no hebraico a palavra para “ira” é “kalah”, que é empregada por Ezequiel 16:26. Significa: ser completo; terminado; realizado. Segundo o seu contexto essa palavra indica que algo foi cumprido, terminado, chegou ao fim.
Veja que Ezequiel capítulo 7, versículos 7 e 8, diz assim:
7 - vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes. 8 - Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre ti, cumprirei a minha ira contra ti, julgar-te-ei segundo os teus caminhos e porei sobre ti todas as tuas abominações.
Vejam que as palavras “derramarei” e “cumprirei” estão juntas e elas definem a ira de Deus sobre a nação de Judá. Jeremias havia dito isso em Lamentações capítulo 4, versículo 11: “Deu o SENHOR cumprimento à sua indignação, derramou o ardor da sua ira; acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos”. Então, amados irmãos e irmãs, a ira de Deus só cessa quando é cumprida. Aqui nós precisamos ver duas coisas importantes sobre a ira de Deus:
Primeira - quando ocorre ira de Deus é porque algo no ser essencial, isto é, no Seu ser moral é provocado pelo pecado, pelo mal, pela rebeldia do coração do homem.
Segundo – aquilo que está dentro de Deus deve sair e as exigências da Sua própria natureza e caráter devem ser preenchidas mediante a ação apropriada da Sua própria parte, da parte de Deus.
No Novo Testamento o primeiro pregador do Evangelho foi João Batista. E o que ele pregava? Veja o que diz Mateus capítulo 3, versículo 7: “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” O Senhor Jesus enfatizou o mesmo que João Batista. Olhe o Evangelho de João capítulo 3, versículo 36, que diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. O apóstolo Paulo enfatiza a mesma verdade de modo claro. Veja o que diz em Romanos capítulo 1, versículo 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Então nós vemos que esta é uma doutrina ampla na Palavra de Deus. Durante muito tempo na história da Igreja houve a ideia de que foi o diabo que tornou a cruz necessária. Os cristãos, durante um longo tempo na história da Igreja, reconheciam que desde a queda e por causa dela a humanidade estava cativa não somente ao pecado e a culpa, mas também ao diabo. Pensavam nele como o senhor do pecado e da morte, como o maior tirano de quem Cristo Jesus, o nosso Senhor, veio nos libertar. Mas isso não é verdade. Nós temos que entender que o sacrifício da cruz deveria ser de acordo com o caráter de Deus. O que fez a cruz necessária não foi uma transação entre Deus e o diabo; antes, foi uma exigência do próprio caráter de Deus. O que nós temos que ver é que o modo pelo qual Deus escolhe perdoar os pecadores e reconciliá-los consigo mesmo deve ser, acima de tudo, totalmente coerente com o seu próprio caráter. Quando falamos da ira de Deus devemos saber que uma única palavra não pode descrever a totalidade da natureza de Deus. A cruz de Cristo é o evento no qual Deus simultaneamente torna conhecida a sua santidade e o seu amor em um único evento de um modo absoluto. Na cruz vemos a combinação da Justiça inflexível e do amor transcendente, transbordante. Há dentro de Deus uma tensão interior entre sua compaixão e o furor da sua ira.
Dois textos que nos falam da dualidade de Deus são: Êxodo capítulo 34, versículo 6, que diz: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”. Veja que depois deste episódio da interseção de Moisés ele tem esta experiência, ele diz no versículo 7: “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”. Aqui Moisés entendeu claramente que a ira de Deus é a outra face do Seu amor.
Romanos capítulo 11, versículo 22, nos diz: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres”. Veja que tudo isso é muito rico! Temos que prestar atenção nisso, para que possamos entender verdadeiramente o que esta oração de Moisés significa para nós hoje. Então Moisés está orando “porque se acende a tua ira sobre o teu povo que tiraste da terra do Egito?” (Ex 32:11). Vamos estudar um pouco este texto, como também, os demais que se seguem para podermos compreender claramente o que tudo isso significa. Deus está ministrando algo para nós, e nós precisamos estar atentos ao que Deus deseja falar conosco. Veja que Moisés diz algo ainda quando segue neste mesmo assunto. Olha o que ele diz em Ex 32:12: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. A palavra hebraica para “arrependimento” é “nacham”. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento. Amados irmãos e irmãs, é do conhecimento de todos nós que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido por nós? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende como nós nos arrependemos? Creio que nós precisamos estudar este assunto. Embora já tenha compartilhado algo, quero avançar um pouco mais.
Em Gênesis capítulo 6, versículos 5 e 7 dizem assim:
5 - Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6 - então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
Em Êxodo 32:12, que é o texto que estamos considerando, diz isso. Se continuarmos lendo na sequência, veremos: Gn 6:5,7, Êxodo 32:12 e depois 1 Sm 15:10,11 e 35 que diz:
10 - Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: 11 - Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR. 35 -... O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
2 Samuel capítulo 24, versículo 16, diz: “Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu”. Podemos citar ainda outros textos: Jr 18:7,8; Jr 2:13; Jr 3:10. Como entender todas estas passagens à luz deste assunto? Amados irmãos, a referência em cada caso é sobre a “anulação de um prévio tratamento” dispensado a certos homens como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não acho sugestão de que essa reação não tenha sido prevista ou que Deus tenha sido tomado de surpresa por algo e que não tivesse estabelecido em Seu Plano eterno. Não há mudança alguma em Seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação ao homem de maneira diferente. A primeira coisa que nós temos que ver é isto. Além dos textos bíblicos acima, outras passagens bíblicas são claras em afirmar que Deus nunca se arrepende:
• Números 23:19, diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”.
• 1 Samuel 15:29, também da mesma forma diz: “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa”.
• Oséias 13:14, diz assim: “...Meus olhos não veem em mim arrependimento algum”.
Então, amados irmãos e irmãs, entendam que não existe contradição alguma nos textos que dizem que Deus se arrepende e nos que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, estas três últimas passagens bíblicas estabelecem claramente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. Sabem por quê? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais erra. Em Deus não pode haver variação ou sombra de mudança. O apóstolo Tiago escreveu isso no capítulo 1, versículo 17, em sua epístola. Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo, mudando a sua intenção para com o homem, evidentemente, é claro que é apenas a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus. Essa mudança é nas relações do homem com Deus. Quando fala de Si mesmo, Deus frequentemente acomoda sua linguagem a nossa capacidade limitada. Ele se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como: olhos, ouvidos, mãos etc. Deus fala de si mesmo como tendo despertado. Vejam o Salmo capítulo 78, versículo 65: “Então, o Senhor despertou como de um sono”. Como se Ele tivesse despertado de madrugada. Jeremias 7:13 também diz isso – apesar de Ele não cochilar nem dormir. Quando Ele estabelece uma mudança em seu procedimento para com o homem, descreve a sua linha de conduta em termos de arrepender-se. Concluindo: o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança Nele, mas por causa de nossa mudança para com Ele. Isso tem que ficar claro para nós. Este é um assunto que precisa ficar claro dentro do estudo da Palavra. Por isso estou compartilhando agora. Precisamos ter toda a clareza quando estudarmos este assunto. E é isto que Moisés está falando. A oração aqui de Ex 32:11 não é para Moisés mudar a Deus. Esta oração é para que Moisés toque na vontade de Deus, toque no caráter da vontade. Depois lemos que o próprio Moisés expressa isso lá em Êxodo capítulo 34, versículo 6 e 7, quando diz;
6 - E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; 7 - que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!
Que Deus, de uma forma clara e poderosa, fale e aplique esta Palavra no poder do Espírito Santo aos nossos corações e nos abençoe rica e poderosamente.
Por: Ir. Luiz Fontes
CAPÍTULO 60
TEXTO: Êxodo, Cap. 32 – 7ª Subida
Vamos continuar estudando acerca desta 7ª subida de Moisés ao monte Sinai. Onde ele vai poder experimentar sobre a justiça e a misericórdia de Deus; onde ele vai poder compreender estes aspectos tão preciosos.
Aqui nesta 7ª subida nós temos a justiça e a misericórdia de Deus. Sabemos que o contexto desta subida é quando o povo de Israel está adorando a um bezerro de ouro, quando o povo está adorando àquele bezerro, que Arão fez para aquele povo. E o povo, desenfreadamente, adorava aquele bezerro quando Moisés quebrou as tábuas da Lei. Naquele momento a tribo de Levi é instituída – porque a tribo de Levi não adorara aquele bezerro de ouro. E ali Deus exerceu o seu juízo.
Agora Moisés sobe ao Monte Sinai. Ele ora! Esta oração ou intercessão está em Êxodo capítulo 32, versículo 11, quando Moisés suplicou ao Senhor e disse: “Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão?”. Aqui nós temos que ver a “Doutrina da ira de Deus”. O que é a ira de Deus? Se nós precisamos compreender o caráter de Deus em sua essência naquilo que é comunicado a nós através do Espírito santo, pela Palavra, nós não podemos deixar de conhecer a ira de Deus. A ira de Deus é uma Doutrina que está em toda a Bíblia. É um fato e ninguém pode contestá-lo. Todos nós estamos envolvidos na doutrina da ira de Deus. Dela depende o nosso destino. Nunca entenderemos o amor de Deus enquanto não compreendermos a doutrina da ira de Deus. A ira de Deus é nada mais nada menos que a “manifestação de indignação baseada em sua justiça”. Para entendermos a doutrina do amor de Deus nós precisamos entender primeiro a doutrina da ira de Deus. Sem a compreensão da ira de Deus, nós não vamos compreender seu amor por nós.
A primeira visão que nós devemos ter do pecado é que o pecado acarretou uma desordem tão profunda que é necessário uma reparação ou restituição, isto é, a “expiação”. A expiação é uma necessidade, porque ela emerge de dentro do próprio Deus. O pecado afetou a posição do homem diante de Deus. Paulo diz em Efésios capítulo 2, versículo 3: “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. Isto indica que todos nós estamos sob a ira de Deus por natureza. A necessidade de satisfação para Deus, portanto, não se encontra em nada fora Dele, mas dentro Dele, em Seu próprio Caráter imutável.
Amados irmãos e irmãs, nós temos que saber que Deus é a sua própria Lei. Ele só se satisfaz e se conforma com esta Lei. A lei do seu próprio ser. Quando nós vemos Gênesis capítulo 3, versículo 24, quando Deus lançou o homem para fora do jardim, Ele pôs querubins ao oriente do jardim do Éden com uma espada inflamada, que andava ao redor para guardar o caminho da árvore da vida. O que significa a espada inflamada? Significa a espada da justiça de Deus, da ira e da punição. Deus agora está punindo o homem por causa do seu pecado. Aqui podemos ver a ira de Deus contra o pecado, contra a rebelião do homem. A ira de Deus indica que há dentro Dele uma intolerância santa contra a rebelião, contra a idolatria, a imoralidade, a injustiça, contra todo o mal. É isso que nós vemos.
Ezequiel, capítulo 24, versículos 13 e 14, diz assim:
13 - Na tua imundícia está a luxúria; porque eu quis purificar-te, e não te purificaste, não serás nunca purificada da tua imundícia, até que eu tenha satisfeito o meu furor contra ti. 14 - Eu, o SENHOR, o disse: será assim, e eu o farei; não tornarei atrás, não pouparei, nem me arrependerei; segundo os teus caminhos e segundo os teus feitos, serás julgada, diz o SENHOR Deus.
Veja isto, a ira de Deus acesa contra Judá não se apagaria facilmente, isto é, Deus não desistiria de julgar esta nação. O fogo da ira de Deus só se apagaria quando o seu juízo fosse completado. Nós podemos ver o exemplo disso no episódio da capa babilônica que Acã escondeu em sua casa dos despojos de Jericó. Diz assim o texto em Josué capítulo 7, versículo 26: “E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o SENHOR apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje”. Nesse texto vemos o julgamento de Deus sobre a família de Acã, porque tomou dos despojos Jericó, as coisas condenadas por Deus e as escondeu em sua própria casa. Josué já havia avisado aos filhos de Israel a não tomarem dos despojos de Jericó porque isso seria maldição. Isto está em Josué 6:18. Esse foi o motivo da ira de Deus. Veja o versículo 13, de Ezequiel capítulo 5: “Assim, se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor e me consolarei; saberão que eu, o SENHOR, falei no meu zelo, quando cumprir neles o meu furor. Sabemos que no hebraico a palavra para “ira” é “kalah”, que é empregada por Ezequiel 16:26. Significa: ser completo; terminado; realizado. Segundo o seu contexto essa palavra indica que algo foi cumprido, terminado, chegou ao fim.
Veja que Ezequiel capítulo 7, versículos 7 e 8, diz assim:
7 - vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes. 8 - Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre ti, cumprirei a minha ira contra ti, julgar-te-ei segundo os teus caminhos e porei sobre ti todas as tuas abominações.
Vejam que as palavras “derramarei” e “cumprirei” estão juntas e elas definem a ira de Deus sobre a nação de Judá. Jeremias havia dito isso em Lamentações capítulo 4, versículo 11: “Deu o SENHOR cumprimento à sua indignação, derramou o ardor da sua ira; acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos”. Então, amados irmãos e irmãs, a ira de Deus só cessa quando é cumprida. Aqui nós precisamos ver duas coisas importantes sobre a ira de Deus:
Primeira - quando ocorre ira de Deus é porque algo no ser essencial, isto é, no Seu ser moral é provocado pelo pecado, pelo mal, pela rebeldia do coração do homem.
Segundo – aquilo que está dentro de Deus deve sair e as exigências da Sua própria natureza e caráter devem ser preenchidas mediante a ação apropriada da Sua própria parte, da parte de Deus.
No Novo Testamento o primeiro pregador do Evangelho foi João Batista. E o que ele pregava? Veja o que diz Mateus capítulo 3, versículo 7: “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” O Senhor Jesus enfatizou o mesmo que João Batista. Olhe o Evangelho de João capítulo 3, versículo 36, que diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. O apóstolo Paulo enfatiza a mesma verdade de modo claro. Veja o que diz em Romanos capítulo 1, versículo 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Então nós vemos que esta é uma doutrina ampla na Palavra de Deus. Durante muito tempo na história da Igreja houve a ideia de que foi o diabo que tornou a cruz necessária. Os cristãos, durante um longo tempo na história da Igreja, reconheciam que desde a queda e por causa dela a humanidade estava cativa não somente ao pecado e a culpa, mas também ao diabo. Pensavam nele como o senhor do pecado e da morte, como o maior tirano de quem Cristo Jesus, o nosso Senhor, veio nos libertar. Mas isso não é verdade. Nós temos que entender que o sacrifício da cruz deveria ser de acordo com o caráter de Deus. O que fez a cruz necessária não foi uma transação entre Deus e o diabo; antes, foi uma exigência do próprio caráter de Deus. O que nós temos que ver é que o modo pelo qual Deus escolhe perdoar os pecadores e reconciliá-los consigo mesmo deve ser, acima de tudo, totalmente coerente com o seu próprio caráter. Quando falamos da ira de Deus devemos saber que uma única palavra não pode descrever a totalidade da natureza de Deus. A cruz de Cristo é o evento no qual Deus simultaneamente torna conhecida a sua santidade e o seu amor em um único evento de um modo absoluto. Na cruz vemos a combinação da Justiça inflexível e do amor transcendente, transbordante. Há dentro de Deus uma tensão interior entre sua compaixão e o furor da sua ira.
Dois textos que nos falam da dualidade de Deus são: Êxodo capítulo 34, versículo 6, que diz: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”. Veja que depois deste episódio da interseção de Moisés ele tem esta experiência, ele diz no versículo 7: “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”. Aqui Moisés entendeu claramente que a ira de Deus é a outra face do Seu amor.
Romanos capítulo 11, versículo 22, nos diz: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres”. Veja que tudo isso é muito rico! Temos que prestar atenção nisso, para que possamos entender verdadeiramente o que esta oração de Moisés significa para nós hoje. Então Moisés está orando “porque se acende a tua ira sobre o teu povo que tiraste da terra do Egito?” (Ex 32:11). Vamos estudar um pouco este texto, como também, os demais que se seguem para podermos compreender claramente o que tudo isso significa. Deus está ministrando algo para nós, e nós precisamos estar atentos ao que Deus deseja falar conosco. Veja que Moisés diz algo ainda quando segue neste mesmo assunto. Olha o que ele diz em Ex 32:12: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. A palavra hebraica para “arrependimento” é “nacham”. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento. Amados irmãos e irmãs, é do conhecimento de todos nós que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido por nós? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende como nós nos arrependemos? Creio que nós precisamos estudar este assunto. Embora já tenha compartilhado algo, quero avançar um pouco mais.
Em Gênesis capítulo 6, versículos 5 e 7 dizem assim:
5 - Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6 - então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
Em Êxodo 32:12, que é o texto que estamos considerando, diz isso. Se continuarmos lendo na sequência, veremos: Gn 6:5,7, Êxodo 32:12 e depois 1 Sm 15:10,11 e 35 que diz:
10 - Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: 11 - Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR. 35 -... O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
2 Samuel capítulo 24, versículo 16, diz: “Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu”. Podemos citar ainda outros textos: Jr 18:7,8; Jr 2:13; Jr 3:10. Como entender todas estas passagens à luz deste assunto? Amados irmãos, a referência em cada caso é sobre a “anulação de um prévio tratamento” dispensado a certos homens como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não acho sugestão de que essa reação não tenha sido prevista ou que Deus tenha sido tomado de surpresa por algo e que não tivesse estabelecido em Seu Plano eterno. Não há mudança alguma em Seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação ao homem de maneira diferente. A primeira coisa que nós temos que ver é isto. Além dos textos bíblicos acima, outras passagens bíblicas são claras em afirmar que Deus nunca se arrepende:
• Números 23:19, diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”.
• 1 Samuel 15:29, também da mesma forma diz: “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa”.
• Oséias 13:14, diz assim: “...Meus olhos não veem em mim arrependimento algum”.
Então, amados irmãos e irmãs, entendam que não existe contradição alguma nos textos que dizem que Deus se arrepende e nos que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, estas três últimas passagens bíblicas estabelecem claramente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. Sabem por quê? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais erra. Em Deus não pode haver variação ou sombra de mudança. O apóstolo Tiago escreveu isso no capítulo 1, versículo 17, em sua epístola. Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo, mudando a sua intenção para com o homem, evidentemente, é claro que é apenas a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus. Essa mudança é nas relações do homem com Deus. Quando fala de Si mesmo, Deus frequentemente acomoda sua linguagem a nossa capacidade limitada. Ele se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como: olhos, ouvidos, mãos etc. Deus fala de si mesmo como tendo despertado. Vejam o Salmo capítulo 78, versículo 65: “Então, o Senhor despertou como de um sono”. Como se Ele tivesse despertado de madrugada. Jeremias 7:13 também diz isso – apesar de Ele não cochilar nem dormir. Quando Ele estabelece uma mudança em seu procedimento para com o homem, descreve a sua linha de conduta em termos de arrepender-se. Concluindo: o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança Nele, mas por causa de nossa mudança para com Ele. Isso tem que ficar claro para nós. Este é um assunto que precisa ficar claro dentro do estudo da Palavra. Por isso estou compartilhando agora. Precisamos ter toda a clareza quando estudarmos este assunto. E é isto que Moisés está falando. A oração aqui de Ex 32:11 não é para Moisés mudar a Deus. Esta oração é para que Moisés toque na vontade de Deus, toque no caráter da vontade. Depois lemos que o próprio Moisés expressa isso lá em Êxodo capítulo 34, versículo 6 e 7, quando diz;
6 - E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; 7 - que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!
Que Deus, de uma forma clara e poderosa, fale e aplique esta Palavra no poder do Espírito Santo aos nossos corações e nos abençoe rica e poderosamente.
Por: Ir. Luiz Fontes
sexta-feira, 28 de maio de 2010
ESTUDO DO TABERNÁCULO - A CASA DE DEUS

A descrição que se faz em Êxodo do capítulo 25 em diante a respeito das coisas em que os filhos de Israel deviam ocupar-se: Êx 5:3 – “... deixa-nos ir, pois, caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus...”.
Podem dividir-se em duas partes, ambas intimamente relacionadas. Uma é a Casa de Deus, e a outra é o Sacerdócio.
O apóstolo Pedro, em sua Primeira Epístola, toca também nestes dois pontos no capítulo 2: "Achegando-se a ele, pedra viva, desprezada na verdade pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio do Jesus Cristo" (v. 4-5).
A Casa de Deus está no Antigo Testamento, e também está no Novo Testamento. No Antigo, como figura e sombra das coisas celestiais; no Novo, como as coisas celestiais mesmas (Realidade Espiritual). A Casa é a Igreja; e o sacerdócio o conforma a todos os cristãos no Senhor Jesus Cristo.
Essas coisas que antes foram escritas, para nosso ensino foram escritas (Rom. 15:4).
Era no Ttabernáculo, que se realizava o culto público, desde que os israelitas andaram pelo deserto até ao reinado de Salomão, era não só o templo de Deus, mas também o palácio do Rei invisível. 1 Cr 29:19 – “e a Salomão, meu filho, dá coração íntegro para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos e os teus estatutos, fazendo tudo para edificar este palácio para o qual providenciei”.
Era a “Sua santa habitação”, o lugar em que Ele encontrava o Seu povo, tendo com os israelitas comunhão;
Êx 25:22 – “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel”.
O Senhor desceu do “Monte” para o Tabernáculo”. Era, pois, o “tabernáculo da congregação”, isto é, o templo do encontro de Deus com o homem. Deus quis que eles fossem um reino sacerdotal, e aproximar-se-iam d'Ele, e teriam uma relação contínua da mesma maneira que o marido e a mulher.
Então Deus lhes revelou um padrão de adoração que era consistente com a Sua santidade, tornando possível para o homem pecador entrar em Sua presença.
A maioria dos escritores, ao tratar do Tabernáculo, destaca as variadas glórias de Cristo que são tão ricamente ilustradas nele. Este é, sem dúvida alguma, o aspecto mais importante e claro do ensino do Tabernáculo. Sl 29.9, nos diz: “A voz do SENHOR faz dar cria às corças e desnuda os bosques; e no seu templo tudo diz: Glória!”. Podemos ver nele ilustrações dos santos no seu testemunho coletivo.
Deus habitou naquele edifício antigo e o descreveu como Seu santuário, agora, da mesma forma, Ele habita no meio do Seu povo reunido. Paulo escreveu, da igreja em Corinto: “Vós … sois o templo [santuário] de Deus e … o Espírito de Deus habita em vós” (I Co 3:16).
O Tabernáculo em seu conjunto representa à igreja (composta por ex-judeus e ex-gentios), e dentro dela o mais importante é o Senhor Jesus Cristo. O centro da atenção de Deus é Jesus Cristo.
Nenhuma construção material pode, agora, ser chamada de Casa de Deus, pois o mesmo apóstolo disse: “Deus … não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17:24). O Senhor mesmo disse: “… onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). Em Apocalipse 1:13 – “e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem...”
Na Igreja em Corinto foi ensinada que mesmo aqueles que visitassem suas reuniões, ao contemplarem a ordem divina sendo seguida no meio da igreja, confessariam publicamente que “... Deus estava verdadeiramente entre eles...” (I Co 14:25).
Estas poucas referências são suficientes para deixar claro que, ao considerarmos o Tabernáculo como uma ilustração de características de uma igreja neotestamentária, não estamos viajando pelos campos da mera imaginação. É REALIDADE ESPIRITUAL!
DESCRIÇÃO DO TABERNÁCULO
O PORTÃO DE ENTRADA
Êx 27:16 – “À porta do átrio, haverá um reposteiro de vinte côvados, de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra de bordador; as suas colunas serão quatro, e as suas bases, quatro”.
Era conhecido como O Portão de Entrada. Não era de linho branco, mas era multicolorido em tecido branco, azul, púrpura e carmesim. Aqui nos é revelado “quatro aspectos de Cristo nos Evangelhos”.
• Mateus – Púrpura – Rei.
• Marcos – Carmesim – Salvador.
• Lucas – Linho Bco Retorcido – Homem Perfeito.
• João – Azul – Divino.
Pense na beleza que o Israelita veria quando ele se aproximava do portão do Tabernáculo. Os raios luminosos do sol estariam resplandecendo nas quatro cores do portão.
Quando um Israelita aproximava-se do Tabernáculo ele via à sua frente uma parede de linho branco ao redor da área do tabernáculo, formando uma barreira ao redor.
Este era o único meio pelo qual os homens e mulheres poderiam se achegar a Deus. Era a única entrada em todo o tabernáculo. Não havia nenhum outro meio.
João 10:9 – “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”.
João 14:6 "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
O ÁTRIO EXTERIOR
Qualquer israelita poderia entrar no átrio, mas só a tribo sacerdotal poderia ir, no Tabernáculo, e apenas o Sumo Sacerdote poderia ir além, no Santo dos Santos, uma vez por ano no dia do Yom Kippur, O Dia da Expiação.
As cortinas que fechavam o perímetro do átrio deviam ser de linho torcido. O linho representa "as ações justas dos Santos" (Ap. 19:8).
O átrio com seus três ambientes representam também ao cristão individual, com seu corpo (átrio), alma (Lugar Santo), e espírito (Lugar Santíssimo). O átrio é o corpo, que está em contato com o mundo físico, exterior. A alma é o lugar onde reside a personalidade, com o pensar, o sentir e o querer. E o espírito é esse lugar secreto onde veio fazer morada o Espírito Santo.
Este é o ambiente exterior, e como tal, simboliza o aspecto da igreja que está em contato com o mundo. É a parte que, ao menos parcialmente, é visível de fora. A igreja tem um testemunho diante do mundo.
A consagração do cristão começa pelo corpo (o átrio), conforme nos assinala o apóstolo Paulo, e depois segue para dentro: "Assim, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rom. 12:1). Seja em forma pessoal, em forma corporativa como igreja, o átrio deve estar separado para Deus.
O Livro de Romanos nos é revelado no Átrio - Precisamos chegar até o átrio e compreender toda a obra de CRISTO realizada com o propósito de nos levar mais e mais para a profundidade da vida de DEUS e nos revelar o Seu propósito.
O desejo do nosso Pai Celeste é que entremos e nos aproximemos com ousadia até o lugar santíssimo. Mas não podemos esquecer que tudo que podemos desfrutar quando estivermos dentro do santuário só será possível se aquilo que foi realizado no átrio for realidade em nossas vidas.
Dentro do átrio exterior estava dois artigos de mobília, o altar de bronze, onde os sacrifícios eram feitos, e a pia de bronze onde os sacerdotes lavaram as suas mãos e os pés.
ALTAR DE BRONZE
É o primeiro que o adorador se encontrava à entrada do tabernáculo. Conhecia-se também como o altar dos sacrifícios ou do holocausto. O altar à entrada do tabernáculo fala da cruz de Cristo, pela qual temos acesso a Deus.
Nenhuma outra dependência do tabernáculo estava disponível para o adorador se não tivesse ficado solucionado o problema dos pecados, à entrada, no altar.
O altar nos recorda nossa condição de pecadores, e do que para nos aproximarmos de Deus, os pecados têm que ser tirados do meio.
Este altar, de madeira de acácia e recoberto de bronze, também nos fala do Senhor Jesus. A madeira nos mostra sua humanidade, e o bronze sua condição de Cordeiro de Deus posto sob o julgamento de Deus, sob a ira de Deus, por causa de nós.
O altar tinha também chifres em seus quatro cantos. Quando um pecador estava em grande aflição, e necessitava misericórdia, agarrava-se aos chifres do altar para reclamar perdão. Assim, o altar satisfazia a justiça de Deus e também a necessidade de misericórdia por parte do homem.
Eram de bronze porque todos participavam do trabalho de juízo sobre o pecado.
Tudo isto fala de juízo sobre o pecado, e misericórdia para o pecador. O altar tem, para nós, forma de cruz, e ela tem todos os recursos espirituais necessários para que todo homem, não importa quão pecaminosa seja sua condição, fique perfeitamente em paz com Deus.
A BACIA DE BRONZE
A pia era o segundo objeto no átrio do tabernáculo. Estava entre o altar do holocausto e o Lugar Santo.
Nem seu tamanho, nem seu peso, nem seu formato são informados, mas pelo menos sabemos que foi feito dos espelhos das mulheres, e que era usado pelos sacerdotes para lavar suas mãos e pés.
Com certeza ela nos fala da Palavra de Deus. Há duas citações que deixam isto claro: “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a Tua Palavra” (Sl 119:9); e: “Vós já estais limpos, pela Palavra que vos tenho falado” (Jo 15:3).
Todos que visitam uma igreja devem ficar impressionados com o uso constante que é feito das Escrituras, e pelo fato de que tudo é feito de acordo com o ensino delas.
O sacerdote em serviço, que entrava no portão do átrio exterior, tinha à frente o altar onde ele sacrificava como qualquer outro Israelita. Uma vez além do altar ele estava pronto para agir como sacerdote, pois na pia ele se preparou para o serviço de Deus. Então ele poderia ministrar no altar ou no Santo Lugar porque ele estava limpo.
A pia tinha um grande propósito, lavar e purificar o sacerdote de toda a corrupção.
As mãos falam do que eles faziam o seu ministério, o seu trabalho, tudo eles puseram as mãos era importante, e assim as suas mãos precisavam ser limpas sempre, diariamente.
Os pés representavam aonde eles iam, suas vidas e caminhos. O seu andar tinha que ser um andar santo, assim os seus pés eram sempre lavados, todos os dias.
O SANTO LUGAR
Assim como o sangue saia do átrio e penetrava no lugar santíssimo o Sangue de CRISTO abriu um vivo e novo caminho - (Hb 10.19-22).
A entrada ficava ao oriente, conduzia ao lugar santo - Fala da superabundância das bênçãos divinas sem a participação da mão humana.
Após passar pelo átrio do Tabernáculo e entrar no Lugar Santo, três móveis eram vistos: a mesa, o candeeiro e o altar de incenso.
Estes móveis não eram públicos como aqueles que acabamos de considerar, mas eram vistos apenas pelos sacerdotes no seu serviço.
Cada um desses tem uma lição a nos ensinar acerca do funcionamento interno da habitação de Deus hoje.
A MESA DOS PÃES
A mesa dos pães da proposição - ficava a direita; era feita de acácia e revestida de ouro. Ela é a expressão da comunhão do povo de Deus.
A mesa, com sua coroa e seus doze pães cobertos de incenso, nos falam da unidade dos santos, mantidos em união pelo poder divino, e desfrutando de doce comunhão perante Deus.
Os pães no Tabernáculo eram todos iguais, independentemente do tamanho da tribo que representavam — assim devemos lembrar que a igreja não é lugar de auto-afirmação, ou divisão ou contendas.
Esses pães da proposição representam ao povo de Deus, e a mesa nos fala de comunhão (Ap. 3:20).
Os pães passam por um processo antes de chegar a ser tais. Há trigo moído, amassado e cozido. Da mesma maneira, o povo de Deus não é o conjunto de grãos, quer dizer, não são indivíduos, mas sim homens e mulheres cujo ego foi moído até o pó, para chegar a ser um.
O CANDELABRO
O castiçal - ficava ao lado esquerdo no lugar santo. Tinha sete lâmpadas (25.31-40).
Defronte da mesa dos pães da proposição havia o candelabro. Cada tarde ele era aceso pelo sumo sacerdote, queimando a noite inteira até pela manhã, de sorte que a habitação de Deus nunca estava no escuro.
Este móvel com suas sete lâmpadas nos lembra da luz da igreja brilhando no poder do Espírito.
O primeiro é que é de ouro maciço, de uma só peça, lavrado a martelo. Diferente do tabernáculo, que representa a igreja universal, o castiçal tipifica a igreja local.
Há nele uma unidade indivisível, que é a unidade da igreja local. Na visão inicial de Apocalipse, o Senhor Jesus está no meio dos sete candelabros de ouro, os quais são as sete Igrejas (Ap. 1.20).
É de uma peça, porque a igreja é uma em cada localidade – pelo menos assim a vê Deus, independentemente de como a vemos nós em sua distorção.
Está localizada fora do véu que separa o Lugar Santíssimo, pois embora a igreja é para Deus, seu testemunho é para os homens.
A igreja tem luz, uma luz que não é própria, mas sim a luz de Cristo pelo Espírito - que é o azeite. Ela irradia essa luz para iluminar o ambiente circundante.
Exercícios sacerdotais e ministério público nos ajuntamentos dos santos não são desenvolvidos “no escuro”, nem aqueles que servem ficam tropeçando uns sobre os outros enquanto se ocupam no serviço de Deus.
O ALTAR DO INCENSO
No capítulo 30 de Êxodo se descreve o altar do incenso. Este altar é distinto do altar de bronze, que estava localizado no átrio. Este é de ouro, e menor, e está localizado no Lugar Santo.
Sua localização no Lugar Santo não é casual - como nada o é no tabernáculo.
Para ter acesso a ele é preciso ter passado primeiro pelo altar de bronze, quer dizer, pela cruz de Cristo para o perdão dos pecados.
O altar do incenso representa o ministério intercessor de Cristo, e, por extensão, de todo sacerdote.
O altar de bronze é para expiação; o Altar de ouro é para intercessão. Estes são dois dos ofícios do Senhor Jesus Cristo, primeiro como Cordeiro e em seguida como Advogado à mão direita de Deus.
Todos os cristãos estão permanentemente associados com estes dois altares. Com o de bronze, pois devem ir ao sangue da cruz pelo perdão de seus pecados; e o Altar de ouro para desenvolver seu ministério intercessor a favor dos homens e a adoração.
Cada dia devia ser oferecido incenso, ao mesmo tempo do serviço das lâmpadas. Mas antes de descrever a composição do incenso, descreve-se o azeite da unção. Estas duas coisas vão juntas, mas primeiro vai o azeite da unção, pois vem de cima.
Os santuários de Deus são lugares onde Ele recebe o louvor do Seu povo. Nós nos reunimos, não simplesmente para apreciarmos a companhia um do outro, mas especialmente para desfrutarmos de comunhão com Deus.
Se as verdadeiras igrejas falham em Lhe dar a Sua porção, de onde Ele poderá recebê-la?
O SANTO DOS SANTOS
O santo dos santos nos fala das profundezas de CRISTO.
No Santo do Santos do Tabernáculo havia apenas um móvel — a arca.
No Santo dos Santos experimentamos CRISTO da maneira mais profunda.
Primeiramente diante da arca (Ex 40;20,21) ; A palavra testemunho refere-se a Lei de DEUS, os Dez Mandamentos, que foram colocados dentro da Arca.
No Santo dos Santos, somente era permitida a entrada do sumo sacerdote uma vez por ano por ocasião do Yon Kipur, o dia da expiação.
O último lugar do tabernáculo era o lugar santíssimo, novamente separado por uma cortina. O Véu!
Vejamos como era esse véu:
Era de estofo (tecido encorpado de algodão) azul (João), púrpura (Mateus), carmesim (Marcos) e linho fino (Lucas).
Esse véu nos fala da vida e obra do SENHOR JESUS.
Aqui no Santo dos Santos tudo pára: o tempo, nossa vida, nossos anseios e finalmente poderemos desfrutar da presença do Pai e receber d’Ele aquilo que está em seu coração.
Era no Santo dos Santos que ficava a Arca da Aliança, iluminada unicamente pela Glória do Senhor.
A ARCA DO TESTEMUNHO E O PROPICIATÓRIO
A primeira coisa do tabernáculo a ser mencionada por Deus é a arca (Ex. 25:10-22).
No Santo do Santos do Tabernáculo havia apenas um móvel — a arca.
Sobre ela aparecia a nuvem, dela Deus falava com Moisés, nela havia o propiciatório e os querubins da glória, e uma vez por ano o sumo sacerdote comparecia perante ela.
Ela simboliza a presença de Deus, lembrando-nos assim daquilo que já enfatizamos, que a igreja é, na verdade, o lugar onde a presença de Deus é conscientemente sentida.
Não pode ser o Seu santuário se Ele não estiver ali, e se não desfrutarmos da Sua presença, o serviço que prestamos não tem valor.
A igreja em Corinto sofreu as tristes conseqüêcias pelo seu comportamento inadequado na presença dEle, pois alguns sentiram a Sua mão disciplinadora.
Dentro do tabernáculo, o lugar principal era o Lugar Santíssimo, e dentro deste Lugar, o centro de toda a atenção era a arca do testemunho. Tudo parte da arca; se a arca estava em seu lugar, todo o resto estava bem.
O fundamento em toda edificação de Deus é Jesus Cristo. A Arca é a presença de Deus que ia ao meio de seu povo, em seu caminhar cotidiano.
Dentro da arca iam três coisas, a maneira de testemunho: as tábuas da lei, o pote de maná, e a vara do Arão que reverdeceu.
Maná – CRISTO como nossa experiência. Aqui, desfrutamos a CRISTO num aspecto mais íntimo.
A vara que floresceu – Nossa experiência de CRISTO no poder da vida em ressurreição.
As tábuas da aliança – A Lei do ESPÍRITO de CRISTO em nós.
O PROPICIATÓRIO
O propiciatório era coberto de ouro e cobria a arca. Diferente dos outros móveis, o propiciatório não era de madeira recoberta com ouro, mas sim de ouro puro.
Isto nos indica de que não há nada de humanidade naquilo que o propiciatório representa. Aqui está o testemunho da obra de Deus em Cristo, feita a favor do homem para reconciliá-lo com Deus.
Na obra de redenção, não há participação do homem, exceto para recebê-la, como destinatário e beneficiário dela.
Se a arca não tivesse propiciatório, teria sido perfeita para Deus, mas terrível para nós. O propiciatório é a provisão de Deus, sua graça e sua misericórdia para o homem.
A palavra "propiciatório" tem a ver com "propiciar", que é estar a favor de algo ou alguém; o propiciatório está inteiramente a favor do homem.
O propiciatório cobria totalmente o arca, o qual significa que seu conteúdo é suficiente para Deus e para nós.
A expressão de Paulo em Romanos nos sugere claramente a preciosa obra do sangue de Cristo no propiciatório, não do tabernáculo terrestre, mas sim no celestial: "Sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus pôs como propiciaciação por meio da fé em seu sangue..." (Rom. 3:24-25).
João, no final da era apostólica, recorda-nos isto mesmo ao dizer: "Meus filhinhos, estas coisas lhes escrevo para que não pequem; e se alguém tiver pecado, temos um advogado para com o Pai, a Jesus Cristo o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1ª João 2:1-2).
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