quinta-feira, 2 de julho de 2009

SANSÃO – O SEGREDO DA VIDA DE CONSAGRAÇÃO

INTRODUÇÃO

Sansão teve um chamamento muito sublime, como Samuel, como João Batista, mas o final da sua vida foi tão diferente. Por que DEUS coloca a história de Sansão na Bíblia? Por que a história dele é contada com tantos detalhes tão elaborados? Quando olhamos o final do ministério de Sansão, não dá para negar que ficamos um pouco desapontados. Ele morre cego no meio dos seus inimigos. Sansão havia sido levantado para ser um juiz de DEUS, mas nós vamos ver que lá no final de sua vida, o povo de DEUS continuava tão cativo quanto no início de sua vida.
A história de Sansão nos mostra de forma sublime como DEUS levanta um homem comum, mas com um chamamento tão glorioso para sustentar seu testemunho entre Seu povo. Israel havia negligenciado sua vocação, e, portanto agora, DEUS vai usar este homem de forma surpreendente para lembrar Seu povo de que eles foram chamados segundo o propósito de DEUS.
A vida e o ministério de Sansão nos ensinam acerca de quatro princípios que jamais poderemos esquecer: primeiro, nossa vocação celeste; segundo nosso chamamento para sustentar o testemunho de DEUS, isto é Seu direito aqui nessa terra; terceiro, a consagração como fonte do nosso poder espiritual, e quarto, o propósito eterno de DEUS, porque todos esses itens: vocação, chamamento e consagração estão inseridos no propósito eterno de DEUS para conosco. Jamais iremos compreender todos estes itens se não conhecermos o que é o propósito eterno de DEUS.
Na vida de Sansão pode aprender duas lições bem práticas que tocam nossa vida cristã: 1) O poder de DEUS demonstrado de maneira impressionante; 2) A influência sedutora que o mundo exerce sobre os santos com a finalidade de lhes roubar a consagração.


A ESTRUTUTA DO LIVRO

Existem alguns pontos que não podemos ignorar quando estudamos a vida de Sansão. A expressão “o Anjo do SENHOR” fala-nos das aparições Teofânicas do SENHOR JESUS no Antigo Testamento. Em todo Antigo Testamento, ocorre 73 vezes. No livro de Juizes são 16 vezes. Na história de Sansão são 6 vezes. Creio que isso nos mostra de forma evidente, o quanto para DEUS toda foi importante todos os episódios que envolveram a vida desse homem. Espiritualmente falando, o ESPÍRITO SANTO nos deu a história de Sansão como uma escola onde podemos aprender sobre a importância da nossa vocação celeste, o significado do nosso chamamento, o peso de glória que há em nossa vida de consagração e a dimensão do propósito eterno de DEUS.
A história de Sansão é contada nos capítulos 13 a 16 do livro de Juízes. O Espírito do SENHOR deixou uma espécie de estrutura ali. Vamos ver essa estrutura aqui:

Capítulo 13 – Vocação, chamamento e consagração:
Ä Nascimento de Sansão. Seu nascimento foi um milagre; assim como Ana a mãe de Samuel e Isabel mãe de João Batista, todas elas eram estéreis. Temos que estudar a vida de Sansão e ver o que há de coincidência entre ele, Samuel e João Batista.
Ä O chamamento dele para ser um nazireu de DEUS. Diferentemente de outros nazireus que eram temporários, o nazireado de Sansão era para vida toda. Da mesma forma nós também fomos “escolhido em CRISTO, antes da fundação do mundo, para sermos santos (condição interior) e irrepreensíveis (condição exterior) perante Ele...” – (Ef 1.4,5).
Ä O chamamento dele para trazer libertação ao povo de Israel, e o início do ministério dele, quando diz que o ESPÍRITO do SENHOR começou a movê-lo. Todo poder e capacidade de Sansão não era natural em sua vida, e sim que o ESPÍRITO SANTO que o impelia a fazer coisas extraordinárias.

Capítulos 14 e 15 - o segredo da força daquele que é consagrado a DEUS. Nesses capítulos há uma série de eventos nos quais a força de Sansão é mostrada. É fácil guardarmos essa estrutura se considerarmos três pares de eventos:
1.Sansão mata um leão/ Sansão mata 30 filisteus
2.Sansão queima os cereais dos filisteus, as vinhas das olivas; fere os filisteus com grande carnificina;
3.Sansão arrebenta aquelas cordas que o estavam amarrando; Sansão mata mil filisteus com uma queixada de jumentos.

Capítulo 16 pode ser resumido em três eventos:
1º.Sansão vai numa cidade dos filisteus, vê uma prostituta e fica com ela; depois ele sai da cidade.
2º.Sansão conhece Dalila e, por três vezes, Dalila tenta descobrir qual o segredo da sua força. Finalmente ela o trai e o entrega aos filisteus.
3º.A morte de Sansão.

Força e Fraqueza

Se lermos os capítulos 14 até 15.20, vamos perceber que certas coisas são enfatizadas ali. Eu resumiria numa só palavra: força. E quando lemos o capítulo 16, podemos resumi-lo também numa só palavra: fraqueza.


Qual a relação entre Sansão, Samuel e João Batista?

Na Bíblia encontramos dois homens que tiveram sua história de vida parecida com a de Sansão, esses homens foram Samuel e João Batista.
Samuel foi aquele profeta usado por DEUS para aquele período de transição, quando o povo de Israel ia passar da teocracia para a monarquia.
João Batista - foi o precursor de nosso SENHOR JESUS CRISTO. Como o resultado do ministério de João Batista, veio o nosso Rei, veio o nosso SENHOR JESUS CRISTO.
Há detalhes que precisamos conhecer sobre Samuel e João Batista. Quando Samuel exercia seu ministério, é importante sabermos que nesse tempo a arca da aliança não estava mais no tabernáculo, pois ela havia sido capturada pelos filisteus, os inimigos que Sansão na pôde vencer - (1 Sm 4.5-11,21). Aqui temos uma grande lição: a arca era um testemunho da glória de DEUS e da Sua presença. Podemos correr o risco de ministrar em nosso serviço ao SENHOR sem a presença do SENHOR. Porque Sansão foi leviano em sua vida de consagração, vemos mais tarde a glória de DEUS ser exposta a vergonha e ao opróbrio.
João Batista foi aquele profeta que profetizou e viu o cumprimento da sua profecia. Mais ainda, ele foi aquele que batizou o SENHOR JESUS. Quando ele O viu disse: “eis O Cordeiro de DEUS” - (Jo 1.29). A Bíblia diz que João Batista cumpriu seu ministério quando disse: “Mas, ao completar João a sua carreira, dizia: Não sou quem supondes; mas após mim vem aquele de cujos pés não sou digno de desatar as sandálias” – (At 13.25). Quando foi que ele disse isto? Ele disse isto um dia antes de batizar o SENHOR JESUS – (Jo 1.27-29). Quando o SENHOR JESUS vai até ele, ele declara: “Eis o Cordeiro de DEUS”. Naquele instante o Pai revelou quem era Seu Filho a João. Da mesma forma que ocorreu com Pedro a caminho do Monte Hermom em Mateus 16.17,17, aqui também, houve uma revelação do Pai a João. Um fato curioso no ministério de João Batista é que ele não se torna um seguidor do Cordeiro, e sim que ele paralelamente prossegue em seu ministério. Em Lucas 7.16 a 18, temos aquele episódio onde João Batista envia dois dos seus discípulos a perguntarem ao SENHOR JESUS se Ele era o Messias, ou eles ainda teriam que esperar outro. Essa dúvida de João nos mostra que em seu caminho paralelo ele não foi capaz de conhecer o SENHOR JESUS como O CRISTO. Seu ministério já havia terminado como profeta, porque a parti daquele momento DEUS falaria por meio do Seu Filho – (Hb 1.1-3). Há lições preciosas que tocam nossa vida de consagração nessa história de João Batista. Como é perigoso ter uma revelação de CRISTO e não segui-Lo. Diferentemente de João batista, Saulo de Tarso quando O encontrou naquela visão do caminho de Damasco, ele deixou tudo para segui-Lo. Aquela visão governou sua vida a ponto dele dizer: “eu não fui desobediente a visão celestial” – (At 26.19). Que solene advertência temos aqui para nossa vida cristã prática.
A conclusão que tenho desses três homens é que DEUS quer nos falar é que assim como Sansão, podemos viver a vida cristã levianamente, desprezando nossa consagração, trocando seu real valor por uma vida mundana; ou mesmo como Samuel, que embora tenha sido um fiel servo de DEUS, um homem de caráter e coragem, que mesmo em um tempo de profunda crise ministerial, foi fiel a DEUS; aquele que desempenhou com fidelidade sua consagração e preparou o caminho para o rei Davi; porém, no seu tempo o verdadeiro problema não era Saul, e sim que a arca de DEUS, não estava no tabernáculo. Quando você lê o Evangelho de Marcos no capítulo 9 e os verspiculos 14 a 28, voce vê aquele episódio daquele garoto que era possuido por um espirito imundo. O versículo 18 diz que aquele espírito malígno apanhava aquele garoto e o lançava por terra, e ele espumava, rilhava os dentes e ia se definhando. O pai disse aos SENHOR JESUS que rogou aos discípulos que o expelissem, e eles nada puderam fazer. Depois de dar uma severa repreensão, pediu que lhe trouxesse o garoto, e o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. O versículo 25 diz: “Vendo JESUS que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele”. Mais tarde, quando estava a sós com o SENHOR JESUS, já em casa os discípulos lhe perguntaram em particular: “Por que não pudemos nós expulsá-lo? 29 Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum” – (vv.28,29). Espiritualmente falando este episódio nos ensina que precisamos ter uma visão clara da nossa realidade espiritual. Ao ler essa passagem podemos ver a nossa real condição espiritual. Qual era a grande “casta” nos dias de Samuel? O tabernáculo sem a arca. Por mais que sejamos pessoas consagradas a DEUS, é vital que tenhamos discernimento dos poderes das trevas que nos cercam; ou mesmo, qual é o real problema que tenho q confrontar. Todo médico sabe que a única maneira de se erradicar uma doença não é tratando a conseqüência e sim a causa. Como João Batista, muitos de nós estamos em um caminho paralelo ao do nosso SENHOR JESUS. Preferimos seguir nossos conceitos e doutrinas. Nossa vontade sobrepuja a do SENHOR. Talvez isso explique pra você a questão da grande tragédia que vive a Igreja do SENHOR JESUS. Precisamos ser seguidores do Cordeiro aonde quer que Ele vá – (Ap 14.4).

A IMPORTÂNCIA DA CONSAGRAÇÃO COMO FONTE DE PODER ESPIRITUAL

Onde consiste nosso poder interior? Em nossa vida de consagração. Na história da vida de Sansão existe um princípio espiritual - A importância da vida de consagração a DEUS como a fonte do poder espiritual em nosso conflito com o mundo, a carne e o diabo.
Vamos estudar esse assunto na vida de Abraão. Quando estudamos a vida de Abraão podemos dividir toda vida de Abraão em 4 altares. O que é um altar? É um símbolo de adoração e consagração; um símbolo de uma vida espiritual consagrada a DEUS.


Consagração é andar com DEUS

Em Isaias 41.8 diz: “Abraão, meu amigo,”. Esta declaração de DEUS é impressionante. Como isto se tornou possível na vida de Abraão? Para compreendermos isto é necessário estudarmos os 4 altares que marcaram a vida deste homem e como esses altares são para nós uma escola onde aprendemos sobre a essência do que é a verdadeira vida espiritual de consagração a DEUS. Esses altares na vida de Abraão explicam como é possível chegar a este nível de experiência com DEUS.
Durante a vida de fé de Abraão nós constatamos a edificação de 4 altares, erguidos no processo de sua jornada interior de conhecimento de DEUS e amizade com Ele. Cada um desses altares aponta para um aspecto do trabalho da cruz em nossas almas, ampliando nossa consagração, ou seja, o nosso relacionamento com DEUS e nossa verdadeira espiritualidade.


O altar no V. T., é uma figura da cruz no N. T.

O nosso SENHOR JESUS CRISTO e a cruz são inseparáveis. Sem a cruz CRISTO não é CRISTO, Ele não pode salvar-nos. A cruz, mais do que um simples objeto de tortura para alguns, ou um simples objeto de adorno para outros, define a própria natureza de CRISTO! E quanto a nós? Um cristianismo sem cruz não é cristianismo de forma alguma, mas uma pobre imitação da doutrina de CRISTO. Uma vida cristã sem cruz não é vida cristã de forma alguma, mas apenas um “ego” adornado com os ensinos de CRISTO! Nós necessitamos da cruz tratando profundamente conosco, para que possamos ser homens e mulheres espirituais, vivendo vidas espirituais e andando com DEUS.

Os 4 altares

1º.Siquém - Gn 12.6-7 = altar da revelação. Podemos chamá-lo de altar da revelação. DEUS revelou-se ali a Abraão: “Apareceu o SENHOR a Abraão”. Precisamos saber que a cruz e a revelação andam juntas. Na medida em que a cruz trata conosco, é que teremos genuína revelação de quem DEUS é de quem nós somos, do que a Igreja é e, do que o mundo é. Carecemos da visão real destas 4 coisas para que vivamos uma vida que seja verdadeiramente espiritual!

2º.Entre Ai e Bethel - Gn 12.8 = Podemos chamá-lo de altar da separação. Abraão deixou Ai para trás e tinha Betel diante dele. “Ai” significa, literalmente, "monte de ruínas" e Betel significa “Casa de DEUS”. Aqui podemos dizer que é a vida de altar, a consagração, que permite que a cruz separe-nos do mundo, do amor ao mundo, de “tudo o que há no mundo” (cobiças, concupiscências e soberba). A cruz coloca o mundo para trás de nós e mantém viva e clara diante de nós a visão da Casa de DEUS (Betel).E não somente a visão de Betel, mas a cruz operando em nós habilita-nos a participar de Betel, a “sermos edificados casa espiritual, para sermos sacerdócio santo...” - (1 Pe 2.5). A cruz introduz-nos na igreja. CRISTO passou pela cruz e a igreja surgiu, nós também precisamos “passar pela cruz” para que a igreja, em sua realidade prática e viva, possa surgir. Só a cruz pode separar-nos do mundo e introduzir-nos na Casa de DEUS. Diante de DEUS, por causa da obra da cruz de CRISTO no calvário; nós já somos a Casa de DEUS, a igreja, o corpo de remidos. Mas, o lado subjetivo desta verdade, ou seja, refletir em nosso viver, conduta e relacionamentos o fato espiritual de sermos Casa de DEUS, depende do trabalho da cruz em nossas vidas. Note que após este 2º altar, Abraão desce ao Egito “para aí ficar” (Gn 12.10), contrariamente à vontade de DEUS. Como acontece conosco, também Abraão tinha já alguma experiência do altar, mas tinha também seu “homem natural” não profundamente tratado pelo SENHOR. As suas escolhas, maneiras, idéias e caminhos eram ainda bem independentes de DEUS. O SENHOR tratou com ele, misericordiosamente, como vemos em Gn 12.10–20, e o trouxe de volta. Ele “fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai; até ao lugar do altar, que outrora tinha feito...”. Abraão voltou ao mesmo ponto de onde se desviou! DEUS não pula etapas em nosso discipulado.

3º altar - foi levantado logo após a sua separação de Ló - Gn 13.14–18. foi levantado logo após a sua separação de Ló - (Gn 13.14–18). Comunhão. Aqui temos mais um degrau na vida consagrada de Abraão. Este faz a escolha, mas por causa da contenda entre seus pastores e os de Ló, ele pede a Ló que se aparte dele escolhendo seu próprio caminho. Ló faz uma escolha de alguém que realmente não conhecia o altar. Ele escolhe “a campina do Jordão”, uma terra boa para sua prosperidade econômica, e vai armando suas tendas até Sodoma, um lugar de julgamento, figura do mundo. Hebrom que significa “comunhão, união”. A cruz habilita-nos a ter aquela incessante comunhão com DEUS, aquela amizade com DEUS, aquela vida de união com DEUS. Como já disse Madame Guyon: “O SENHOR se coloca no exato lugar daquilo que Ele põe à morte em nossas vidas”.
4º.Monte Moriá - Podemos chamá-lo de altar da adoração - Gn 22.1-14). Este altar reflete a vida madura de Abraão, o quanto ele já tinha aprendido diante do SENHOR. O que vemos aqui é um homem absolutamente rendido a DEUS, a ponto de sacrificar seu único e amado filho. Um homem que amava a DEUS a ponto de confiar em Seus caminhos. Um homem que adorou no momento em que oferecia o que tinha de mais precioso.

“O SENHOR, em cuja presença eu ando...” - Gn 24.40

A marca da consagração é andar com DEUS em seus caminhos. Altar no V. T. = é uma figura da cruz no Novo Testamento, onde o verdadeiro cordeiro pascal foi imolado. O nosso SENHOR JESUS CRISTO e a cruz são inseparáveis. Sem a cruz CRISTO não é CRISTO, Ele não pode salvar-nos. Uma vida cristã sem cruz não é vida cristã de forma alguma, mas apenas um “ego” adornado com os ensinos de CRISTO. Nós necessitamos da cruz tratando profundamente conosco, para que possamos ser homens e mulheres espirituais, vivendo vidas espirituais e andando com DEUS.


O TERMO NAZIREU - Jz 13.4,5

Esse termo nos mostra o princípio da consagração como algo fundamental para o serviço espiritual. Dois significados desta palavra na vida de Sansão:
1º.Essa palavra dá significado a toda a vida de Sansão.
2º.É uma chave para entendermos a vida de Sansão.




O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DO NAZIREU

Em Números 6.1-8 descreve o que é um nazireu. O Nazireu é uma pessoa que havia feito um voto de ser separado para DEUS de modo especial. Durante o tempo de nazireado, essa pessoa deveria obedecer a algumas regras, às leis do nazireado.


Alguns princípios do nazireado

1º.Deveria abster-se do vinho e da bebida forte, bem como do fruto da videira e de outras coisas relacionadas com vinho, uva e videira.
2º.Sobre sua cabeça não deveria passar navalha. Ele deveria deixar seus cabelos crescerem livremente.
3º.Não deveria tocar o corpo de um morto, ele não deveria tocar o corpo de cadáveres.


Classes de pessoas em Israel que eram consagradas

Na história do povo de DEUS vemos que Ele separou a nação de Israel dentre todas as nações para ser uma nação consagrada a Ele, uma nação para sustentar Seu testemunho na terra. De forma específica Ele separou a A tribo de Levi para o serviço no tabernáculo, e os sacerdotes para servir diante do povo.

Qual a necessidade de se ter um nazireu?

Agora, qual a necessidade ou surge essa lei segundo a qual alguém que por livre e espontânea vontade decide consagrar-se ao SENHOR e se submete a essas regras? Para entendermos isso, precisamos entender um pouco do contexto do livro de Juízes na época em que Sansão nasceu.
Sansão viveu no tempo do sacerdócio de Eli. Nesse tempo Israel era um povo corrupto; o sacerdócio era adúltero, e o ministério estabelecido era cego em muitos sentidos. O sacerdote Eli representa o sistema religioso decadente preocupado com seus próprios interesses, havendo-se tornado permissivo pela vida cômoda, tendo apenas um ódio fingido pelo pecado. Eli se tornara lento e preguiçoso com respeito aos interesses profundos de DEUS.
Seus filhos Hofni e Finéias representam o ministério continuado pela tradição. Esses dois jovens sacerdotes nunca tiveram um encontro com DEUS. Nada sabiam sobre "ouvir o céu", nem sabiam da fome por DEUS, ou de uma paixão ardente por experimentar a glória e a presença de DEUS. O ministério ao SENHOR no tempo de Sansão era produto do ritualismo frio e morto.


O que era um sacerdote?

Um sacerdote era alguém escolhido por DEUS, que deveria ministrar ao SENHOR. Os sacerdotes deveriam representar os homens diante de DEUS e representar DEUS diante dos homens. Na época que Sansão viveu o sacerdócio estava completamente arruinado e corrompido. Nesse tempo os sacerdotes perderam completamente o motivo pelo qual haviam sido chamados. Nesse tempo eles viviam apara eles mesmos.


Qual era o propósito da função sacerdotal?

O propósito da função sacerdotal era lembrar a pessoa e da obra do SENHOR JESUS CRISTO. Toda oferta apontava para a obra e a pessoa de CRISTO. Toda vez que um israelita, criança ou adulto, ia a um sacerdote levando um cordeirinho, ele sabia que aquele cordeirinho inocente estava sendo vítima como expiação para os pecados. Da mesma forma o ministério do sacerdote. Toda vez que os israelitas vissem aquele sacerdote ministrando no Santo dos Santos, eles deveriam ter em mente que um dia viria o verdadeiro Sumo sacerdote que entraria nos céus na presença do SENHOR e faria intercessão pelos nossos pecados e iria de uma vez por todas selar aquela união entre nós pecadores e o DEUS santo. Na época do sacerdócio de Eli, nós vemos que os sacerdotes haviam perdido as suas características, eles preservavam a forma externa, mas a realidade não estava mais ali.



O PEROGO DE ESQUECER O CHAMAMENTO

Quem é que DEUS vai levantar para relembrar ao povo de Israel essa verdade tão importante da consagração? - Um nazireu.
O capítulo 13 e o versículo 1 de Juízes diz assim: “Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau perante o SENHOR, este os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos”. Esse versículo vai nos mostrar algo surpreendente; algo que nos dará um quadro da gravidade espiritual em que se encontrava a nação de Israel. Veja abaixo uma série de textos que nos mostrarão os anos em que esta nação viveu debaixo de cativeiro:
Ä Jz 3.8-11 - 8 anos;
Ä Jz 3.14-30 - 18 anos;
Ä Jz 4.1-3 - 20 anos;
Ä Jz 6.1 - 7 anos;
Ä Jz 10.6-8 - 18 anos;
Ä Jz 13.1 - 40 anos
Ä Total = 111 anos

Desde o início do livro de Juízes eles andavam naquele ciclo de pecado, apostasia, arrependimento, e assim, caíam na opressão dos inimigos. Qual a explicação para tudo isso que ocorreu com Israel nesse tempo? Foi porque, da mesma forma que os sacerdotes, o povo de Israel havia esquecido o seu chamamento. Todo fracasso de Israel foi porque eles esqueceram seu chamamento. Esqueceram que eram uma nação consagrada a DEUS. Todo o fracasso do povo de Israel era o resultado de uma só coisa: Eles haviam esquecido da sua consagração e chamamento. Eles haviam esquecido que eram uma nação de sacerdotes. Eles deveriam ser separados das demais nações para testemunhar para essas nações sobre o poder de DEUS. E por causa desse esquecimento eles caíram em cativeiro, eles caíram sob a opressão do inimigo. Praticamente, duas gerações viveram e não conhecera a razão do seu chamamento.





Sansão era a reivindicação de DEUS

DEUS estava reivindicando Seu Testemunho entre Seu povo. Quando o SENHOR DEUS quis relembrar a nação de Israel que eles precisavam viver aquela vida de consagração ao SENHOR, o SENHOR levantou um nazireu: Sansão - o juiz dos longos cabelos.


Princípios específicos sobre o nazireado de Sansão

O voto de nazireado de Sansão era um pouco diferente do voto de um nazireu comum, vejamos:
1º.Um nazireu normal era nazireu apenas durante um período de tempo determinado. Mas, no caso de Sansão, o seu nazireado era um chamamento, era uma vocação desde antes de seu nascimento.
2º.Não foi algo que Sansão tivesse feito, foi por graça e obra de DEUS que Sansão foi separado para DEUS – Ef 1.5.
3º.Também vemos que o voto de nazireado de Sansão não era temporário, mas para toda a vida.


Três princípios espirituais do nazireu

1º. Princípio – Ministrar ao SENHOR - Através da vida de Sansão, DEUS quer novamente lembrar ao povo de Israel o significado da consagração espiritual. Nós podemos nos perguntar: Será que existe alguma coisa em comum entre um nazireu, que é uma pessoa qualquer, e um sacerdote, que tem uma consagração oficial? Se observarmos quais os requisitos para o nazireu e os requisitos para o sacerdote, veremos que ambos são muito semelhantes. Em alguns casos os requisitos para o nazireu são mais estritos do que para um sacerdote. Por exemplo, um sacerdote não deveria tomar vinho, mas somente quando entrasse para ministrar diante do SENHOR. O nazireu, no entanto, não deveria tomar vinho durante todo o período de seu voto de nazireu. O que significa isso? É como se ele estivesse constantemente ministrando diante do SENHOR. Vamos ler 1 Coríntios 6 e os versículos 15,17 e 19: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de CRISTO? ...Mas aquele que se une ao SENHOR é um espírito com Ele. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do ESPÍRITO SANTO, que está em vós, o qual tendes da parte de DEUS, e que não sois de vós mesmos?”. Onde quer que estejamos, somos um templo onde DEUS pelo Seu ESPÍRITO habita. Onde quer que estejamos o SENHOR está sendo ministrado.

2º princípio – Não tocar no corpo de um morto = Obras da Carne - O sacerdote também não deveria tocar o corpo de um morto, mas havia uma exceção. Se um parente próximo do sacerdote morresse, ele estaria autorizado a tocar o corpo daquele morto. Rm 8.6: “Porque o pendor da carne dá para a morte…”. Essa lei que dizia que o nazireu não deveria tocar o corpo de um morto corresponde para nós que vivemos no período do N.T. que não devemos andar segundo as inclinações da nossa carne; nós não devemos praticar as obras da carne. Se compreendemos esse chamamento, se compreendemos que fomos chamados para ser consagrados ao SENHOR nós vamos, pela graça do SENHOR, nos abster das obras da carne.

3ª princípio - Finalmente, aquela marca exterior do nazireu, os seus longos cabelos, vai nos falar das marcas da cruz no Novo Testamento. De acordo com o N.T., os longos cabelos significam algo vergonhoso, opróbrio. Sempre que tomamos a cruz, em função de termos compreendido o amor do SENHOR, nós vamos carregar sobre nós as marcas da cruz – Gl 6.16. Não é preciso dizer nenhuma palavra, mas as pessoas vão saber por causa do nosso proceder. Todas as pessoas vão numa direção, mas aquela pessoa separada para DEUS vai numa direção completamente oposta. Nós hoje compreendemos que DEUS está chamando os seus nazireus para uma vez mais restaurar o poder do testemunho do SENHOR, para trazer libertação ao povo de DEUS.

Conclusão

1º.Um santuário ao SENHOR;
2º.Não andar nas obras da carne;
3º.As marcas da cruz, precisamos abster-nos dos prazeres deste mundo e precisamos.





O PRINCÍPIO DA CONSAGRAÇÃO É O CAMINHO PARA O PODER DE DEUS

Nos capítulos 14 e 15 do livro de Juízes encontramos os atos heróicos de Sansão. Quando compreendemos que o princípio da consagração é o caminho para o poder de DEUS, é bastante natural que pensemos que o poder está em nós mesmos. Lendo a história de Sansão não é natural que pensemos que o poder de Sansão estava nos seus cabelos.

O Segredo da força de Sansão

Vejamos alguns textos que explicam o segredo da vitória de Sansão:
Jz 13.25: “E o Espírito do SENHOR passou a incitá-lo [Hb.: pa‘am = impelir, agir persistentemente] em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol”.
Jz 14.6,19; (15.14): “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou [Hb.: tsaleach = Tomar posse – essa frase exprime intensidade]dele, que ele o rasgou como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão; todavia, nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que fizera”.

O SENHOR era com ele, esse era o segredo de Sansão. O Espírito do SENHOR era a fonte da força dele. Onde reside o poder espiritual, a fonte do poder espiritual daquele que é consagrado a DEUS, daquele que é separado para DEUS? A fonte do poder espiritual está neste fato: o Espírito do SENHOR era com Sansão, a presença do SENHOR era com ele. Aquele que é consagrado para DEUS tem força, mas essa força reside no Espírito do SENHOR que é com ele.


A Força e a fraqueza em nosso interior

Quando lemos a história da vida de Sansão, ficamos com a nítida impressão, de que Sansão é alguém tão forte, mas por outro lado, ele é tão fraco. Parece que nele havia uma fonte de força e, ao mesmo tempo, uma fonte de fraqueza. Qual dessas fontes Sansão iria seguir? Nós cristãos, também temos, por um lado, a fonte de força, o SENHOR é conosco. Por outro lado, também temos a fonte de fraqueza, nós temos uma carne.
Agora nós vemos que pelo fato de Sansão ter em si a força de DEUS em função de sua consagração, ele tinha tudo para ser um juiz de Israel e trazer a libertação para o povo de Israel. Veja dois textos:
Pv 24.10: “Se te mostras fraco no dia da angústia [hb.: tsarah = dificuldades, aflição], a tua força é pequena”.
Pv 31.25: “A força e a dignidade [Hb.: hadar = ornamento, esplendor, honra, glória] são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações”.


A Perda da Força foi algo gradativo

Os inimigos de Sansão sempre procuravam roubar a sua força, e eles finalmente um dia conseguiram triunfar sobre ele:
Jz 16.5,6: “Então, os príncipes dos filisteus subiram a ela e lhe disseram: Persuade-o e vê em que consiste a sua grande força e com que poderíamos dominá-lo e amarrá-lo, para assim o subjugarmos; e te daremos cada um mil e cem siclos de prata. Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força e com que poderias ser amarrado para te poderem subjugar.
Jz 16.17,19: “Descobriu-lhe todo o coração e lhe disse: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de DEUS, desde o ventre de minha mãe; se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força, e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem. Então, Dalila fez dormir Sansão nos joelhos dela e, tendo chamado um homem, mandou rapar-lhe as sete tranças da cabeça; passou ela a subjugá-lo; e retirou-se dele a sua força”.

Ele vai a Gaza e se deita com uma prostituta – Jz 16.1.
Depois ele afeiçoou de Dalila [Hb = “fraco] – Jz 16.4.
Nós sabemos que os seus inimigos tentaram de todas as maneiras roubar a força de Sansão, até que um dia Sansão perdeu seu nazireado. Todavia, a perda do nazireado de Sansão não foi uma coisa imediata, ela foi gradativa, pouco a pouco. Lendo a história de Sansão, percebemos que pouco a pouco ele vai sendo roubado daquele chamamento. No final, ele perde as marcas do nazireado sobre a sua cabeça.




O Exemplo de Ló

Na vida de Ló podemos ver o poder sedutor do mundo sobre a carne. Quando nos convertemos nossa preocupação e vencer o pecado e depois lidar com o mundo.


A contaminação do mundo – Gn 13.10-13

A Bíblia nos mostra que a contaminação do pecado e feroz, rude e repulsiva, enquanto a produzida pelo mundo e polida e refinada, freqüentemente parecendo bela a vista humana. Nesses textos podemos ver como Ló foi seduzido por aquela “campina do Jordão”. Quero fazer cinco proposições que nos ajudarão a compreender nossa própria realidade contextual:
1ª proposição – A concupiscência dos olhos: “Levantou Ló os olhos”. Aqui está a concupiscência dos olhos que domina seu coração. Aquilo que os olhos vêem o coração deseja.
Æ 1 Jo 2.16: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”. O termo “concupiscência” no original é epithumia, que significa: “desejo”, “anelo”, “anseio”, “desejo pelo que é proibido”, “luxúria”.

2ª proposição – A contenda dos pastores veio revelar o mundanismo no coração de Ló. Essa foi à causa que ele teve para se expor. A verdadeira causa dos nossos fracassos encontra-se oculta, longe da observação normal, nos lugares mais secretos e íntimos dos nossos afetos e desejos do coração, onde o mundo, sempre é desejado. A causa aparente da queda de Ló foi a contenda entre seus pastores e os de Abraão seu tio; porém, o fato é que quando alguém não anda realmente com um motivo verdadeiro e afeiçoes puras, facilmente encontrará uma pedra para tropeçar. Se não encontra numa situação, encontrará noutra.

3ª proposição – Não podemos permitir que nosso coração exerça em nós o poder da escolha. Por que as “campinas” não seduziram o coração de Abraão? Abraão diferentemente de Ló, encarou toda aquela situação do ponto de vista de DEUS. O coração de Abraão não era diferente do coração de Ló; ele poderia ter sido facilmente atraído por aquelas “campinas”. A questão, foi que Abraão não deixou que seu coração escolhesse. Ele deixou DEUS escolher por ele. Sua decisão tinha que ser espiritual.

4ª proposição – Não podemos escolher pela aparência, e sim, devemos voltar nosso coração para o caráter intrínseco do nosso destino e ao futuro de todas as coisas. Quando estudamos toda a trajetória de Ló, vemos que ele deixou Abraão, e seguiu para a “campina do Jordão” e assim, foi “armando as suas tendas até Sodoma”; um lugar onde DEUS mais tarde trouxe o seu juízo. É certo que nem Abraão e Ló sabiam que DEUS iria destruir Sodoma. Mas, se Ló tivesse permitido DEUS escolher por ele, com certeza, ele não teria escolhido um lugar que estava prestes a ser consumido pelo juízo de DEUS. A Escolha de Ló revela a compulsão do coração caído; do coração que é seduzido por esse mundo perverso. Paulo disse a Timóteo: “Demas me abandonou, tendo amado o mundo...” – (2 Tm 4.10). O que significa essa escolha de Ló, assim com também a de Demas? Significa, deixar o lugar onde DEUS está, o lugar do testemunho para o lugar do juízo.

5ª proposição - Toda a escolha de Ló, o levou a uma vida vazia e sem significado. No versículo 10, diz assim: “como quem vai para Zoar”. Essa palavra “Zoar” em hebraico é “insignificância”. Ela resume toda a vida de Ló após se afastar do Lugar onde estava o testemunho de DEUS.


SOMOS PROVADOS NAQUILO QUE É NATURAL

Se buscarmos entender o significado espiritual dessas mulheres que tentaram enfraquecer o chamamento de Sansão, descobriremos algo muito interessante. Veremos que Sansão foi provado naquilo que é natural, ele foi provado naquilo que é obra da carne, e foi também provado naquilo que é satânico.


Três passos da Queda na vida de Sansão

A Queda de um cristão tem três passos:
1º.O natural nos é falado através daquela primeira mulher com a qual Sansão queria casar-se – Jz 14.2. Sansão viu. Seus pais lhe disseram o seguinte – v.3: “porém...”. Eles estivessem lembrando Sansão que ele era separado para DEUS. Como então ele iria entrar em aliança de casamento com o próprio inimigo? Vemos, então, que desde o princípio essa mulher era um desejo natural de Sansão que não estava debaixo do controle do SENHOR. Sansão não levou aquilo que era do homem natural para cruz e então vemos que de alguma forma aquele chamamento de Sansão de ser separado para DEUS já estava sendo atacado.

2º.Aquilo que é da carne nos é falado através da mulher prostituta com quem Sansão coabitou – Jz 16.1. Isso vai nos falar de Sansão sendo tentado pelas coisas que são da carne. Qual é a conseqüência quando andamos segundo as inclinações da nossa carne? Nós vamos nos encontrar fechados numa cidade no meio da noite, cercados pelos inimigos que querem nos tirar a vida. Quantos de nós passamos anos, não são dias nem semanas, mas anos trancados por causa do cativeiro das obras da carne? São anos! Veja o versículo 3: “levou-as para cima, até ao cimo do monte que olha para Hebrom” - Isso traz uma lição para nós. Se algum de nós tem andado debaixo desse cativeiro que são as obras da carne, que o SENHOR nos fortaleça. Que nós saiamos dessa esfera das inclinações das coisas da carne e possamos ir até aquele lugar onde podemos vislumbrar a comunhão com o SENHOR e a comunhão com os santos. Infelizmente sabemos pela história relatada na Bíblia, que essa lição não foi suficiente para Sansão aprender.

3º.Finalmente, aquilo que é satânico nos é falado através de Dalila. Desde o princípio, Dalila tinha um só propósito: roubar a consagração de Sansão, destruir o poder do testemunho de Sansão e destruir o próprio Sansão. Ele havia andado nos caminhos do homem natural, praticado as obras da carne. Agora ele está se aproximando daquilo que é satânico. A Bíblia nos diz que Sansão se afeiçoou a Dalila e que desde o princípio Dalila tinha um único objetivo, que se resumia na pergunta: qual é o segredo da tua força? - Jz 16.6,15. Pv 5.3: “porque os lábios da mulher adúltera destilam favos de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite”. Sabemos que Dalila nos fala de algo que é satânico porque por trás dela tinha os filisteus, mas não só os filisteus, a Bíblia nos diz que os príncipes dos filisteus estavam por trás de Dalila.





Jz 16.5,9 - Aqui vemos um princípio muito interessante.

O que será que esses filisteus e seus príncipes representam? Eu acredito que eles representam o mundo. De alguma forma aqueles filisteus tinham como único objetivo: roubar a consagração de Sansão. Mas por trás disso estavam os príncipes dos filisteus. Da mesma forma conosco hoje, o inimigo tem um único objetivo: roubar a nossa consagração.


Mas como o inimigo ataca?

Indiretamente através do mundo. Nós vemos que em nenhuma ocasião os filisteus confrontaram Sansão. O inimigo não vai nos atacar, ele vai usar o mundo. E a nossa bíblia nos diz, embora muitas vezes nós não compreendamos o que isso significa, a nossa Bíblia nos diz que o mundo jaz no maligno – 1 Jo 5.19.
1º.Nós vemos que a primeira vez que os filisteus queriam atacar Sansão eles usaram aquela mulher que seria sua esposa.
2º.Eles usaram até a tribo de Judá porque eles queriam pegar Sansão, então eles vão fazer guerra contra Judá. Por que eles não vão direto para a caverna onde Sansão está para atacá-lo?


O inimigo não nos ataca diretamente

Se os príncipes dos filisteus queriam saber qual o segredo da força de Sansão, por que eles não perguntaram diretamente para Sansão? Eles deveriam ter ido até Sansão e lhe perguntado: "Sansão, qual é o segredo da tua força?". Mas eles sabiam que essa estratégia não iria funcionar, eles sabiam que não iriam descobrir o segredo da força de Sansão se eles o atacassem diretamente. E é exatamente assim que o mundo faz conosco. O inimigo nunca nos ataca diretamente, ele sempre nos ataca de maneira traiçoeira e por intermédio de coisas que nos seduzem.


UMA ANÁLISE DA QUEDA DE SANSÃO

Jz 16.6 - Vemos que Dalila lhe pergunta: "Onde reside tua força, Sansão?". Ele diz que se lhe amarrarem com sete tendões frescos, eles vão conseguir enfraquecê-lo – Jz 16.7. Nesta relação entre Sansão e Dalila, Sansão também não entregou o seu segredo completamente e de imediato. Foi tudo gradual. Todavia, ele vai de alguma forma dando algumas indicações.


O que significa amarrar com 7 tendões frescos?

Frescos - significa algo que nunca foi usado, isso é consagração. De alguma forma, Sansão está dando indicações de algo que está escondido nele, que está na consagração dele o segredo da sua força.
Jz 16.10 - Dalila pergunta ainda uma segunda vez e ela lhe diz: "Sansão, tu estás zombando de mim, tu só estás me contando mentiras". É exatamente assim que o mundo faz. Quando queremos ter aquela vida separada para o SENHOR, o mundo diz: "Ah, tu não me amas". Então Sansão vai dizer que o segredo dele está de alguma forma nas tranças dos seus cabelos. Ele está chegando cada vez mais perto de revelar seu segredo. Se naquele momento ele lembrasse de que era separado para DEUS, que ele não deveria ter-se apegado àquela mulher chamada Dalila e fugisse daquela situação, como o final da história de Sansão seria diferente!


O perigo do Mundo

1º.O mundo nos oferece coisas - É assim que o mundo faz conosco vai nos oferecendo coisas, vai nos oferecendo amizades, vai nos oferecendo oportunidades e nós vamos negligenciando a nossa consagração.
2º.O mundo exige 100% - Nos é dito que a cada dia Dalila molestava Sansão com suas palavras. Sabe o que ela dizia para Sansão? "Sansão, tu não me amas". Quando começamos a crescer na vida de consagração para o SENHOR, quando começamos a crescer nessa vida de união com o SENHOR automaticamente vão se excluindo as nossas ligações com o mundo.



Cinco assertivas acerca da vida de Sansão

1ª. Sansão não tinha falado antes que ele era um nazireu de DEUS para Dalila, Porque no momento em que ele falasse ele teria de separar-se dela.
2ª.16.17 – “Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de DEUS, desde o ventre de minha mãe; se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força, e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem”. Esta foi a versão de Sansão, mas qual foi a versão do SENHOR? No final de Jz 16. 20, a Bíblia vai nos dizer que o SENHOR se apartou dele. A força de Sansão saiu dele porque “o SENHOR se tinha retirado dele”.
3ª. Sansão estava cansado, ele cansou de lutar, adormeceu no colo de Dalila. E Dalila teve o cuidado não só de cortar o cabelo de Sansão, daquele separado para DEUS, mas ela rapou a cabeça de Sansão até que não sobrou um só vestígio de que ele era um homem consagrado para DEUS.
4ª. Se nós tivermos uma Dalila em nossa vida, mais cedo ou mais tarde, ela vai arrancar a nossa consagração, ela vai arrancar a marca da nossa consagração e então nós vamos ter um fim triste como o de Sansão.
5ª. Agora nos é mostrado neste livro algo muito interessante. Duas vezes em Juízes está registrado que Sansão clama ao SENHOR.
Jz 15.18 – Neste texto ele clama ao SENHOR, porque não quer morrer; aqui ele teve uma grande vitória e depois teve sede. Então ele disse: "Depois dessa tão grande vitória, morrerei eu?". Sansão não quis morrer, ele não quis deixar a sua vida natural na morte, ele não quis deixar as obras da carne na morte. Depois disso, ele caiu, caiu, caiu até chegar a esse fim tão humilhante.
Jz 16.30 - “E disse: Morra eu com os filisteu”. Só há vida de DEUS em nós se a morte do nosso SENHOR JESUS CRISTO tiver operado na nossa vida. A Bíblia nos relata que quando Sansão orou: "morra eu", de novo ele tem força de DEUS, de novo ele destrói os filisteus. E está escrito que foram mais aqueles que Sansão destruiu na sua morte do que aqueles que ele destruiu na sua vida.
6ª.Três vezes Dalila pediu a Sansão que revelasse a fonte de sua força. Três vezes Sansão deu-lhe uma resposta mentirosa. Três vezes os filisteus vieram para dominá-lo, mas foram vencidos por ele. No entanto, nesses encontros, não há qualquer menção do ESPÍRITO vindo poderosamente sobre Sansão. Por causa do louco flerte de Sansão com o pecado, o SENHOR já havia se retirado dele.

Por: Irmão Luiz Fontes

AVANÇAMDO PARA A PERFEIÇÃO

Avançando para a perfeição (1)
A Epístola aos Hebreus tem uma nota recorrente, que é a palavra "perfeição" em sua variada morfologia. Há, pelo menos, nove menções da palavra, distribuídas através de toda a epístola. Três delas se referem ao Senhor Jesus Cristo, e as restantes apontam para a realidade do crente.
Hebreus nos mostra alguns aspectos da maturidade cristã, a do crente em vias de aperfeiçoamento à semelhança do seu Senhor. As duas primeiras menções (e a sexta) se referem ao Senhor Jesus Cristo, que foi aperfeiçoado por meio das aflições e sofrimentos, para vir a ser o nosso Salvador e Sumo Sacerdote. A última já lhe mostra "feito perfeito para sempre" (7:28).Cristo é o exemplo e modelo para os vários filhos de Deus que aspiram compartilhar com ele a glória futura. Assim como ele foi aperfeiçoado, os filhos de Deus também têm que ser aperfeiçoados.
Portanto, um primeiro aspecto que destaca Hebreus no caminho para a maturidade é relativo ao repouso. Há uma promessa para o povo de Deus de entrar no repouso de Deus. Este repouso é alcançado quando, deixadas para trás as obras que o crente presumia ter valor para apresentar-se diante de Deus, ele vê a obra perfeita e consumada de Cristo na cruz. Paulo coloca esta verdade em Efésios capítulo 2, quando mostra o crente sentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus (v. 6). Mas esta não é só uma verdade preciosa, mas um princípio que deve reger a vida do crente: A centralidade e suficiência de Cristo.
Por isso os primeiros dois capítulos de Hebreus estão cheios de Cristo, tanto na sua glória anterior, como em sua encarnação, e sua obra. Quando aparece o homem, em sua fragilidade, é só como receptor e beneficiário da obra de Cristo. Quando o homem detém o seu vão intuito de contemplar ao Senhor, então fica em condições inclusive de ir além das Suas obras: de "conhecer os seus caminhos" (3:10).
O repouso de Deus é uma bênção que está ao alcance do crente. Só a incredulidade, a dureza de coração, pode lhe deixar fora do seu alcance. A exortação do escritor inspirado é: "Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia em semelhante exemplo de desobediência" (4:11).
Assim, a primeira coisa que Hebreus põe diante de nós é o assunto do repouso. Aquilo que Josué não pôde dar a Israel, o nosso Josué, o Senhor Jesus, nos outorga gratuitamente, pela fé.

Avançando para a perfeição (2)
Um segundo aspecto de Hebreus que nos põe no caminho da maturidade é a compreensão do ministério sacerdotal do Senhor, e a própria participação dele por parte do crente.
Se não tivéssemos o livro de Hebreus não teríamos a possibilidade de conhecer muito a respeito da obra de Cristo além da cruz. Quando Davi diz no Salmo 110: "Jurou Jeová, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque", uma palavra que é citada três vezes em Hebreus, estava assinalando um fato que ocorreu nos céus "posterior à lei", um ministério que o Senhor desenvolveria depois da sua exaltação e coroação à mão direita do Pai.
Esse ministério é tão perfeito que o Senhor não só foi o Sumo Sacerdote que apresentou a oferta perfeita ao Pai por nossos pecados, mas também ele mesmo é a oferta apresentada. Sobre isto João faz referência quando diz que "ele é a propiciação por nossos pecados" (1ª João 2:2). "Propiciação" aqui implica a obra de redenção completa, quer dizer, o que ele fez como propiciador, e como oferta sobre o propiciatório. Esta é a obra da cruz.
Mas Hebreus nos leva mais adiante, ao nos mostrar o Senhor, já concluída a sua obra redentora, como intercessor diante do Pai. Este é o Sumo Sacerdote "que pode salvar perpetuamente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (7:25). A nossa posição está agora duplamente assegurada diante de Deus, pois Cristo é a nosso propiciação, e também o nosso Intercessor.
Estes dois aspectos da obra de Cristo, uma na terra e a outra no céu, têm como objetivo fazer os crentes perfeitos, levá-los a maturidade. A vontade de Deus não é só nos salvar, mas também nos transformar na imagem de Cristo. E para isso foi necessária uma obra de Cristo posterior à cruz, que sustente o nosso caminhar no tempo presente. O apóstolo João vai inclusive um pouco além ao nos apresentar o Senhor como o nosso 'parakletos', quer dizer, alguém que intervém depois que o cristão peca. Dizendo de maneira simples, o Senhor como Sumo Sacerdote intervém por causa de nossa fragilidade antes da nossa queda, e como Advogado quando caímos. Maravilhosa provisão de Deus para nós!
O desejo de Deus ao nos mostrar o maravilhoso ministério sacerdotal de nosso Senhor é também nos conduzir pelo mesmo caminho, para que os cristãos também exerçam o ministério da intercessão. Esta é uma nobre tarefa, e a que mais perto nos põe do coração de Deus.
Os cristãos maduros são intercessores por excelência. Um intercessor é aquele que se esquece de si mesmo para tomar sobre si causas alheias, como se fossem suas, o qual é uma expressão do amor de Deus, perfeito e transbordante.

Fonte:www.aguasvivas.ws

Restaurando a visão

Somos extremamente tendentes a olhar para o que está diante dos olhos, para o que é aparente e não para o invisível pela fé. Para que tenhamos uma visão correta, o Senhor proveu para a Igreja os profetas. São eles que abrem a nós esta visão pela Palavra: "Não havendo profecia, o povo se corrompe..." (Pv. 29.18).
Para nos dar uma visão correta o Senhor sempre nos faz voltar ao princípio, e depois nos faz olhar para Jesus. Foi assim que os antigos alcançaram um bom testemunho pela fé (Hb. 11.2).
Ageu foi um desses profetas levantado por Deus, juntamente com Zacarias no tempo da restauração do templo de Israel. Ainda que o Senhor estivesse falando do templo de Israel no capítulo 2, a referência de Deus para o povo não era o templo, mas a Igreja gloriosa como veremos a seguir. Quando no verso 9 o Senhor manda o povo pela fé olhar para a glória da última casa, é claro que Ele estava dizendo de nós. Deus estava falando de Cristo Jesus e da Sua Casa que Ele mesmo edificou (Hb. 3.6), por isso podemos fazer uma referência a esta Casa.
Fazendo então uma alusão ao verso 3 de Ageu capítulo 2 o Senhor nos pergunta: Quem viu a glória da primeira Casa, da Igreja primitiva? Podemos vislumbrá-la pela fé olhando para as Escrituras, e a podemos ver com ouro, prata e pedras preciosas (I Cor. 3.13). E que estado nós a vemos agora? Olhando para a cristandade nos nossos dias não é nada, como diz o Senhor, aos nossos olhos?
Se olharmos desta forma iremos chorar como os judeus por não podermos mais restaurar e viver aquela glória. E jamais a poderemos em sua totalidade, visto que o Senhor nos ensina isto pelas 4 igrejas de Apocalipse, que Ele encontrará quando voltar: Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
Hoje encontramos os cristãos em muitas situações diversas, mesmo entre aqueles que dizem estar na visão. Uns preferem as reuniões em lares e outros em templos com certa organização equilibrada pelas Escrituras. Se olharmos para isto, iremos continuar confundidos, mas o Senhor restaura a nossa visão pela profecia, e nos faz olhar para Jesus e para a glória da última casa. O Senhor tira os nossos olhos do que é aparente e faz que olhemos para Jesus, autor e consumador da nossa fé, e nele vermos uma Igreja gloriosa, sem mácula nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Então o Senhor estimula a todos nós dizendo pelo verso 4: "Esforça-te, esforçai-vos todos vós, e trabalhai; porque eu sou convosco... o meu Espírito habita no meio de vós, não temais". No verso 8 Ele ainda diz: "Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor".
As operações de Deus (ouro), os ministérios do Senhor (prata) e os dons do Espírito (pedras preciosas) não nos faltarão. Não faltará nada, porque o fiel Senhor o disse, o qual também o fará (I Tes. 5.24). A glória dessa última Casa será muito maior do que a primeira, diz o Senhor. Ainda que tenhamos muitas diferenças, temos que voltar os nossos olhos para esta última Casa. Seguirmos para o que é perfeito, e o caminho é o amor: "E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição" (Col. 3.12-14).

Fonte: www.aguasvivas.ws

sábado, 20 de junho de 2009

A RESTAURAÇÃO PESSOAL

A restauração do Senhor de todas as coisas como nos diz o texto de Atos 3.21, com toda a certeza irá se cumprir por Deus, pois para isto o céu recebeu o nosso Senhor Jesus, o que foi dito pela boca dos santos profetas desde o princípio.
Ela se cumprirá, porque foi Deus quem disse, mas a restauração compreende todas as coisas, até a nossa pessoalmente. Jesus iniciou esta obra na cruz do calvário, onde se tornou o último Adão, crucificando juntamente com Ele o nosso velho homem (Rom. 6.6). Perdoou os nossos pecados pelo seu sangue e nos ressuscitou juntamente com Ele, fazendo-nos nascer de novo para uma viva esperança (Ef. 2.5-6; I Pedro 1.3).
Fazendo um paralelo, podemos notar que a nossa pessoal acompanha a restauração desde o tempo da reforma que iniciou por Martin Lutero até os dias de hoje. Esta obra de restauração, consumada por Cristo naquela cruz começa em nós pela justificação pela fé (Rom. 5.1-2).
Após Lutero vemos João Calvino, o qual fez à Igreja de nosso Senhor retornar novamente a visão teocêntrica e cristocêntrica. É necessário que a nossa visão seja mudada do homem para Deus; que tudo provém de Deus, do nosso Pai (João 6.44-45).
Depois de João Calvino, em meados do século XIX vemos o clamor da Igreja buscando um avivamento pessoal para uma vida santa. E a igreja foi despertada para a santificação pela fé. A justificação pela fé leva-nos a regeneração e a santificação pela fé a uma transformação, uma renovação pelo Espírito Santo (Rom. 6.11-14).
No final do século XIX e início do século XX, sem citar nomes, vemos o Espírito do nosso Deus –porque assim é em todos os tempos– restaurando o testemunho à Igreja da glorificação pela fé. Revelando que a obra do nosso Senhor além de uma glória pessoal, traz também uma glória coletiva. Fomos justificados, santificados e glorificados em nosso Senhor Jesus Cristo naquela cruz, e agora, de fé em fé, tem nos sido revelada a justiça de Deus através do evangelho.
A justificação pela fé nos traz regeneração, a santificação transformação e a glorificação pela fé a transfiguração (II Cor. 3.18). Esta é a salvação completa a qual o Senhor realizou naquela cruz, que compreende o nosso espírito, alma e corpo.
A glorificação pela fé culmina a nossa glorificação pessoal com a glorificação coletiva. Cristo em nós é a esperança da glória, mas a glória que nos foi dada é para que sejamos um (João 17.22).
Se a restauração do testemunho do Senhor através da Igreja não tem sido uma realidade em nós é necessário revê-la pessoalmente. Temos que retornar à justificação pela fé, e a partir daí, a nossa visão seja santificada e passe a ser teocêntrica e cristocêntrica. Que avancemos em nossa caminhada e alcancemos pela fé a renovação pelo Espírito Santo, para uma vida verdadeiramente liberta do pecado; servindo-o sem temor, em santidade e justiça todos os dias da nossa vida (Lc. 1.74-75).
A glorificação pela fé, o viver pela fé e em amor para crescermos como Igreja, só será possível se a nossa pessoal for uma realidade no que diz respeito à justificação e santificação pela fé.

Fonte:www.aguasvivas.ws

segunda-feira, 15 de junho de 2009

AS 42 JORNADAS NO DESERTO - ÊXODO CAP. 16

Mais em uma dessas estações, isto é, na oitava estação que ocorreu no deserto de Sim, em Êxodo capítulo 16, DEUS concede a eles duas coisas muito especiais: O maná e o sábado.
Vamos ler o capítulo 16 de Êxodo e compreender todo cenário que compõe essa história, porque aqui, vamos conhecer melhor o nosso coração em face a graça de DEUS.
Aqui iremos entender porque o coração humano não se interessa pela intimidade de uma vida com DEUS:
v.1: “Partiram de Elim, e toda a congregação dos filhos de Israel veio para o deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do segundo mês, depois que saíram da terra do Egito”.
v.2: “Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto”.
v.3: “disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão”.

Vamos atentar para alguns princípios espirituais
Aqui nós podemos compreender um pouco nosso próprio coração.
Quero fazer sete proposições importantes com relação ao caráter de DEUS e os seus tratamentos, e qual tem sido a resposta do nosso coração; vejamos:
1º não existe sequer uma posição em toda a peregrinação dos eleitos de DEUS cujos limites não haja sido cuidadosamente traçados pela mão da sabedoria infalível de DEUS.
2º Quando DEUS visitou e tirou o Seu povo do Egito, não foi certamente com o propósito de os deixar morrer de fome e de sede no deserto.
3º Eles deviam saber disso. Eles devia ter confiado Nele e andado na confiança Daquele amor que os havia libertado gloriosamente dos horrores da escravidão do Egito.
4º Deviam ter recordado que era infinitamente melhor estar com DEUS no deserto do que nos fornos de tijolos de Faraó. É incrível, mais o coração humano acha uma coisa muito difícil, dar crédito a DEUS pelo Seu amor perfeito e puro.
5º Como as pessoas acham motivos para murmurarem contra DEUS. Parecem que depositam mais confiança em Satanás do que em DEUS.
6º Parece que as pessoas não estão cansadas de servir ao diabo, e nem tão pouco descontentes com ele. Mas, quanto a DEUS, é comum a murmuração.
7º Será que toda essa situação não revela as entranhas do nosso próprio coração?

Quando você perdeu aquele ente querido, não foi a DEUS que você culpou?
Quando seu casamento fracassou não foi a Ele que você culpou?
Quando você perdeu o emprego não foi a Ele que você creditou a culpa?
Em meios aos sofrimentos e lutas que você tem passado, você geralmente não O acusa de abandono?
Nosso coração é assim. Em nada difere do coração desse povo. Por isso, que entendo que é muito importante estudar esse capítulo de 16 de Êxodo, porque ele explica a nossa falta de intimidade com DEUS.

Vejamos aqui uma linda composição do caráter gracioso de DEUS:
Agora, preste atenção no caráter gracioso de DEUS. Veja que no versículo 4 de Êx 16, o SENHOR diz: “Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”. Aqui vemos o povo envolvido pela nuvem fria da incredulidade. Eles disseram a Moisés: “quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar”. Em contra partida a esse coração endurecido pelo engano do pecado, DEUS diz: “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”.
No Salmo 78.25, o salmista chama o Maná de “Pão dos anjos”. Agora veja que o SENHOR diz que Ele deu o maná, para colocar Israel a prova, se eles andavam na lei do SENHOR.

Agora veja as trevas que existe no coração humano em contraposição a graça de DEUS:
Vamos ler Números capítulo 21 e o versículo 5, onde diz: “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil”.
Vamos analisar dois vocábulos aqui nesse texto:
O termo fastio aqui no hebraico é “repugnância”, “nojo”.
E o termo “vil” é “desprezível”, “sem valor”.

Em Atos 7.38,39, Estevão diz: “É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir. A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito”. O termo “repeliram” no grego é apothomai, que significa: “expulsar”, “empurrar para fora”, “repelir”, “empurrar para fora de si mesmo”, “repudiar”, “rejeitar”, “recusar”.
Vemos que eles saíram do Egito, mais o Egito não saiu de dentro deles. Mas mesmo assim, DEUS em graça providencia o maná para Eles.
Essa experiência revela a oposição que existe em nosso coração à graça de DEUS.
Qual era a lei de DEUS dada a eles até aqui? – (v.4).
DEUS estava provando a ingratidão deles; o quanto eram hipócritas; DEUS para eles só tinha significado se fosse utilitário. Eles estavam interessados nas obras de DEUS e não nos caminhos de DEUS. Este povo não conhecia o caráter de DEUS.
Note essa frase: “se anda na minha lei ou não”. É interessante notar que eles ainda não tinham chegado ao Monte Sinai, então, qual era essa Lei? Essa lei era “descansar”. Esse era o único mandamento que DEUS havia dado a eles até aqui. Até aqui DEUS queria que Israel confiasse Nele, descansasse Nele.
DEUS havia se revelado em graça para com eles. Demonstrou Seu poder, Seu amor quando os livrou da escravidão do Egito.

O que DEUS queria revelar no maná?
Ora, o povo de Israel não entendeu o propósito do maná. Eles apanharam o maná e comiam o maná sem compreender seu propósito. Havia naquele maná mais do que os nutrientes para matar a fome deles.
Veja a descrição do maná segundo a Bíblia:
v.14: “E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra”.
v.15: “Vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Pois não sabiam o que era. Disse-lhes Moisés: Isto é o pão que o SENHOR vos dá para vosso alimento”.
v.16: “Eis o que o SENHOR vos ordenou: Colhei disso cada um segundo o que pode comer, um gômer por cabeça, segundo o número de vossas pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda”.
v.17: “Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos”.
v.18: “Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer”.
v.31: “Deu-lhe a casa de Israel o nome de maná; era como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel”.
Imagine que delicia deveria ser o maná. Mas no aspecto espiritual, DEUS estava falando algo mais delicioso que aquele maná que eles comeram.
DEUS estava revelando Seu Filho. Naquele maná estava não apenas o suprimento de DEUS para a fome deles, como o suprimento de DEUS para o espírito deles. Aquele era um povo que insistia em não conhecer DEUS.
DEUS estava se revelando a Eles e eles não compreenderam.
Creio que aqui é interessante ler Hebreus cap 3 e os versos 7 a 17
v.7: “Assim, pois, como diz o ESPÍRITO SANTO: Hoje, se ouvirdes a sua voz”;
v.8: “não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto”;
v.9: “onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova,[gr. Dokimazo, sig.: “ver se uma coisa é genuína ou não”] e viram as minhas obras por quarenta anos”.
v.10: “Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos”.

Vamos atentar para alguns princípios importantes aqui, os quais temos que considerar:
1º.DEUS diz que a murmuração daquele povo era uma clara demonstração de incredulidade. Eles fizeram aquilo para provar a veracidade do caráter de DEUS.
2º.O versículo 10 diz: “Por isso, me indignei contra essa geração” – no grego indica “um motivo”. E qual foi o motivo pelo qual DEUS se indignou contra eles? A parte final do versículo 9 responde para nós: “viram as minhas obras por quarenta anos”. Ora, qual é o problema? Veja o final do versículo 10: “não conheceram os meus caminhos”. Precisamos saber qual é a diferença das “obras de DEUS” e dos “caminhos de DEUS”:
No Salmo 103.7 diz: “Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel”.
Note essa palavra: “caminhos”. No hebraico é derek. A primeira ocorrência dessa palavra está em Gênesis 3.24: “E, expulsou o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”. Espiritualmente falando, quando DEUS revelou seus caminhos a Moisés, Ele na verdade estava revelando o caminho da árvore da vida. Aquele caminho que Adão recusou conhecer.
Na história do povo de DEUS encontramos duas classes de pessoas: aquelas que somente conhecem os feitos de DEUS, e aquelas, que, além disso, conhecem Seus caminhos.
O que significa os caminhos de DEUS? Vamos compreender o que significa conhecer os caminhos de DEUS:
Seus caminhos revelam Sua intimidade.
Seus caminhos são os meios que Ele utiliza para revelar Seus segredos e conduzir-nos ao Seu propósito mais elevado.
São Seus métodos para fazer aquilo que Ele decidiu fazer. Em relação a nós, fala dos Seus tratamentos para conosco por intermédio dos quais Ele realiza Seu propósito.

O que significa conhecer as obras de DEUS?
Suas obras revelam Seu poder.
Suas obras têm como objetivo nos levar a conhecer Seu poder e soberania.

Conhecer apenas Seus feitos, Suas obras significa ficar na periferia do Seu chamamento, sem conhecer o propósito para o qual fomos chamados.
O grande perigo jaz em querermos egoisticamente desfrutar de Seu poder, de Suas bênçãos, não buscando conhecer Seus caminhos e cooperar com Seu propósito.
Durante 40 anos eles só viram as obras de DEUS.

Vamos retornar a Hebreus 3:
v.11: “Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso”.
v.12: “Tende cuidado,[gr.: blepo; sig.: “discernimento”, “vigilância”] irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso [gr.: poneros; sig.: “condição má”] coração de incredulidade que vos afaste [gr.: aphistemi; sig.: “apostasia”; “abandonar”; “indiferença”] do DEUS vivo”;
v.13: “pelo contrário [gr.: temos a conjunção allá que introduz uma transição para o assunto principal], exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”.
v.14: “Porque nos temos tornado participantes de CRISTO, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”.
v.15: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação [gr.: parapikrasmos; sig.: “insulto”, “afronta”, “irreverência”, “petulância”, “atrevimento”].
v.16: “Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?”
v.17: “E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto?”

Vamos atentar para dois aspectos que caracterizam a apostasia nesses textos:
1º. Incredulidade:
Nenhum coração é mais perverso que um coração de incredulidade. Nada ofende tanto a DEUS quanto nossa incredulidade.
A incredulidade é a pior arma maligna em nós que impede a intimidade com DEUS.
Uma definição de incredulidade é a tendência de quem não se deixa facilmente convencer. Veja em Gênesis 32.25, quando a Bíblia diz que o Anjo do SENHOR: “Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem”.
Quantas vezes DEUS não pode conosco. Embora, esse não era o problema de Jacó. Mas pode ser o nosso. Quantas vezes DEUS não pode conosco, por causa da nossa incredulidade.
Quando DEUS vê que não pode conosco, Ele toca na articulação da nossa coxa. Esse é o trabalhar disciplinador da cruz.
A incredulidade dos filhos de Israel no deserto fez com que DEUS desistisse deles.
A incredulidade insulta e ofende a DEUS.
Todo pecado viola a lei justa de DEUS, mas alguns pecados insultam o próprio DEUS, como é o caso do pecado da incredulidade.

2º. “coração perverso”:
Quando lemos aqui em Hebreus sobre o coração “perverso” – (v.12), vemos que esse termo descreve uma condição geral.
O vocábulo “coração” é comum no Antigo e Novo Testamento, referindo-se ao homem interior. Freqüentemente está relacionado à parte emocional e intelectual do homem.
Essa frase: “Perverso coração” é encontrada no A.T. em duas passagens no livro de Jeremias:
16.12: “Vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim”.
18.12: “Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração maligno”.
Quando o coração é endurecido vemos a ordem de desvio gradual: pecado, mente iludida, coração endurecido, incredulidade e apostasia.
Quando o escritor dessa epístola exorta os irmãos quanto ao coração perverso, ele mostra a conseqüência disso que é: “vos afaste do DEUS vivo” - (I Tm 4.1). O vocábulo “afaste” fala da "apostasia", da "indiferença", "menosprezo". E por isso, que a incredulidade é um pecado que afronta a DEUS diretamente. É duvidar de DEUS, da Sua obra e de Seus caminhos.

O sábado era uma dádiva divina:
Em Gênesis, vemos que DEUS criou o sábado para o desfrute Dele; mas, aqui Ele dá o sábado como dádiva dele para o homem. Aqui Ele está buscando o homem para Si.
Em Êxodo 16.29, diz: “Considerai que o SENHOR vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia”.
O sábado foi interrompido no Éden, e aqui, ele é novamente instituído.
Mas, de um modo irreverente o homem não ama o repouso de DEUS. Veja que no versículo 27 de Êxodo 16, diz: “Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam”.
O desejo de DEUS era que o homem gozasse de uma doce comunhão com Ele.
DEUS sempre buscou no homem intimidade, e o homem sempre buscou em DEUS utilidade.

O desejo de DEUS era que o homem tivesse acesso irrestrito diante dele
Há algo muito interessante quando estudamos acerca dos assuntos governamentais entre DEUS e o Seu povo. Quando DEUS tirou o povo de Israel do Egito, Ele os levou para a planície do Sinai, e dali, Ele tomou Moisés e o chamou para o cume do monte, isto é, a 2.244 metros de altura. No monte Sinai DEUS deu a Sua Lei a Moisés.
Por Luiz Fontes

CRISTO X RELIGIÃO DO HOMENS – POR SÍLVIO MARIA

Extraído do Blog Alimento Sólido; dos Irmãos de Rio Grande-RS .
Espero que o que vai ser compartilhado com os amados irmãos possa, mediante a graça do Senhor, ajudar a modificar a situação das Igrejas do nosso País.
Este blog tem a certeza que está ministrando a homens conscientes da necessidade de uma restauração das igreja fazendo-as retornar a pura palavra de Deus, a fim de que através da palavra de Deus encontre os princípios que regem a Igreja do Senhor Jesus nesta terra.
Não vou me deter em detalhes doutrinários ou responder as mais diversas bases teológicas, mas simplesmente dar o alerta, tocar a trombeta para aquele que tiver ouvidos que ouça o que o Espírito diz as igrejas.
Me dirijo especialmente a todos que sentem a sua responsabilidade na causa do Senhor a todos que tem algum tipo de encargo ou responsabilidade pelo rebanho do Senhor.
Tenho falado muito sobre crescimento espiritual e de como obter a maturidade espiritual e creio que este momento é o momento oportuno para compartilhar sobre a situação das Igrejas no Brasil e no mundo. Mesmo sabendo que irei ser mal interpretados mesmo assim desejo ser fiél ao nosso Deus, não querendo agradar a homens mas agradar ao nosso Deus.
E antes que você se levante para se opor ao que vai ser dito, faça o favor, leve humildemente diante do Senhor tudo o que vai ser compartilhado. Amém.
Ao iniciar este importante assunto para a vida das Igrejas do Brasil e no mundo, quero dizer que a história ao lado da palavra de Deus é a grande mestra sobre os assuntos da igreja de hoje, da igreja dos nossos dias.
O nosso Deus tem permitido que o acervo da história registre as lutas, os gemidos e as agonias que homens e mulheres de Deus travaram e experimentaram no firme desejo de servir ao Senhor.
O nosso Deus também permitiu que a pena dos historiadores fosse realmente implacável ao descrever as divisões doutrinárias, o orgulho, o autoritarismo e as divisões que marcaram profundamente a igreja dos séculos passados bem como do presente.
A verdade é que muitos fiéis homens de Deus do passado pagaram o preço para que hoje tenhamos a palavra, a fé e os ensinamentos preservados até nossos dias pelo poder do Espírito Santo do nosso Deus, capacitando homens que realmente viveram exclusivamente para o nosso Deus.
Foram homens guardadores da fé ,aguardando todas as coisas. Em At 3:21 nos diz: “Ao qual é necessário que o céu contenha Cristo até os tempos da restauração de todas as coisas de que Deus falou por boca dos seus profetas desde a antigüidade.”Portanto amados irmãos não podemos desprezar que homens do passado estiveram em alerta, tapando a brecha, pagando o preço, alguns até mesmo ignorados no processo histórico, prepararam o caminho para a restauração da igreja que hoje todos nós também anelamos, quer consciente ou inconscientemente, você sabe que algo necessita ser restaurado.
Estamos bastante cientes de que o Senhor não tem prazer em que rememoremos os fracassos de seu povo ou que fiquemos a lamentar sobre os fracassos do passado.
Mas procurando me esquivar de detalhes, quero mostrar alguns pontos importantes aos nossos amados irmãos, sobre a história passada da igreja e também que sirva de advertência para os nossos dias.
Ø Em primeiro lugar no período que foi do ano 30 a 100 d.C a igreja é um instrumento poderoso que minou o império romano trazendo Jesus como Kyrios ou seja o Senhor para o mundo. Entretanto logo após a morte do apóstolo João tudo indica que o poder começou a cair na igreja, inclusive Nero e suas perseguições foram neste período muito grandes e implacáveis.
- Por volta de 130 d.C desaparece o ministério profético e a falta da imposição de mãos. Por volta de 150 d.C começa desaparecer muitas evidências do estar cheio do Espírito Santo e dos dons espirituais e o povo já não tinha um encontro vivo com o Espirito.
- Por volta de 160 d.C desaparece a pluralidade de presbíteros e começa então os bispos monárquicos.
- Por volta de 180 d.C as igrejas perdem autonomia como igrejas locais.
- Por volta de 200 d.C as igrejas já não dão muito valor ao batismo nas águas e pouco antes por volta de 185d.C há o primeiro registro de batismo de crianças.
- Por volta de 210 d.C começa uma grande distinção entre o clero e os leigos, o clero passa a ser os sacerdotes.
- Por volta de 225 d.C foram criados os credos de fé para se receber novos membros nas igrejas.
- Por volta de 240 d.C o mundanismo entrou na igreja, a vida de santidade tornou-se irreal para muitos.
- Por volta de 313 d.C Constantino tornou-se o governador do grande império romano e escolheu o cristianismo como a melhor das religiões. O estado e a igreja se tornaram um.
- Por volta de 350 d.C o cristianismo se transforma na religião oficial do império e todos que não pertencem a igreja foram perseguidos. Neste ponto perdeu-se a ênfase de ser aceito pela igreja pela salvação ou justificação pela fé.
- Por volta de 380 d.C Teodósio fez de Roma a capital do império religioso e autoridade final sobre o assunto religioso.
- No ano de 392 d.C Teodósio declara que toda forma de adoração fora da igreja deveria ser punido com a morte.
- De 400 a 484 o rito do batismo perdeu o seu valor e o clero estava isento de impostos.
Acredito que até aqui já temos dados suficientes para vermos como o declínio da igreja foi terrível. Por isso amados irmãos teremos que pular quase 800 anos da história para começarmos a ver os ventos de restauração da igreja do Senhor, aleluia Ele é que restaura o seu povo.
Vamos mencionar alguns dos principais acontecimentos que contribuíram para a renovação da igreja do Senhor e que tem alcançado até os nosso dias.
- De 1182 a 1223d.C surge o período de Francisco de Assis. Francisco procura voltar aos princípios de Mateus 5,6,7. Começa uma vida piedosa, abandona as riquezas e passa a pregar aos pobres e desamparados e a viver uma vida simples. É o primeiro alvorecer da reforma. Junto com Francisco de Assis surgiu Pedro Valdo que deu origem aos Valdenses excomungados da igreja católica romana, organizaram-se traduzindo a bíblia na linguagem do povo e distribuíram porções bíblicas ao povo.
- Por volta de 1375d.C João Wyeliff em meio a problemas políticos religiosos entre Inglaterra e Roma prega que não deve haver distinção entre o clero e o povo e combate a transubstanciação. Havia um vento de reforma na Europa, havia um desejo por uma volta a Deus e a sua palavra. É neste momento que surgem os anabatistas e os menonitas, separando-se da igreja católica Por volta de 1492 a 1559 d.C Meno Simons, e Martinho Lutero, trazem a justificação pela fé.
- Por volta de 1731 d.C o conde Zinzendorf na Saxônia amparou os irmãos da bondade obra de Jonh Hus da Tchecoslováquia. Irmãos esses perseguidos da moravia por causa da sua fé.
- De 1731 a 1791 d.C João Wesley é levado a conhecer o Senhor pelos moravianos e daí surge a herança pentecostal.
- De 1828 a 1829 Jonh Nelson Darby na Inglaterra, conhecido como movimento dos irmãos. Esse movimento produziu grandes homens como Willian Kelly, Mckintosh e Darby.
- Por volta de 1865 surge na América um homem que após uma profunda experiência de cura divina começa a pregar e a evangelizar. Simpson organiza a aliança cristã e missionária, aqui inicia-se mais diretamente a pregar-se o enchimento com Espírito Santo e a cura divina para os enfermos.
- No início do séculoXX o movimento pentecostal era puro, era sádio sem razão denominacional, realmente uma verdadeira igreja. Aquilo que hoje se conhece esta distante dos relatos da história.
Queridos e amados irmãos, hoje temos de cuidar, temos de vigiar para não cairmos nos mesmos erros dos homens do passado.
O que deixaremos para a geração que nos sucederá, a fim de que não errem como no passado? O que devemos a fim de que não errem como no passado? O que devemos fazer para não perdermos de vista a visão da igreja sem sermos um grupo fechado, sectário, orgulhoso, mundano e sem o Espírito.
Nossos pais erraram por que lhes faltou visão mais clara uma revelação mais clara sobre o que realmente é a igreja ; que a igreja é um ato soberano do nosso Deus para cumprir a sua economia para cumprir o seu plano e seu supremo propósito.
Infelizmente ainda hoje no século XXI a quase 2000 anos de história da igreja a quase 2000 anos da morte e ressurreição do Senhor Jesus, no qual pagou alto preço pela sua igreja, apesar de todo este tempo muitos de nós crentes muitos de nós cristãos muitos de nós filhos de Deus ainda estamos confusos acerca da igreja.A pergunta que mais se houve por ai é: qual é a igreja certa? Qual e a igreja certa? Qual é a igreja certa? Existem dezenas de denominações nas cidades, e centenas de denominações no estado e existem milhares de denominações no mundo e o pior que todas presumem ser a igreja verdadeira.
Esta palavra este compartilhar é um alerta , é um apelo aos que desejam ser verdadeiros cooperadores de Deus.
Será que o Senhor Jesus queria deixar seus discípulos em uma tal confusão? Amados irmãos quando estivermos no céu, serão toleradas as seitas, será que serão toleradas as divisões? É claro, certamente que não é a resposta que se houve. Mas por ventura agora neste momento já não estamos ressuscitados e assentados com ele nos céus.
Conf. Ef 2:6: “E juntamente com Ele Cristo Jesus nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo Jesus.”
Portanto o corpo ressurreto de Cristo Jesus é um só corpo, composto de todos crentes de cada nação. E estamos assentados nos céus.
Em Jo 17:24 nos diz que todos os que crêem são um com Cristo nos lugares celestiais.
Que Deus o nosso Deus condena a divisão, nenhum dos que se submetem a autoridade da palavra de Deus irá negar.
O apóstolo Paulo diante do primeiro sinal ou embrião das divisões, disse em ICo 1:10-13: “Rogo, porém irmãos pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós divisões... cada um de vós diz: eu sou de Paulo, e eu de Apólo e eu de Cefas, e eu de Cristo, esta porém Cristo dividido?"Tenho absoluta certeza quanto a vontade do Senhor nestes dias, quando cada um diz: eu sou de ROMA, eu sou LUTERANA, eu sou ASSEMBLEIANA, eu sou METODISTA. eu sou EXÉRCITO DA SALVAÇÃO, eu sou LUZ PARA OS POVOS, eu sou ADVENTISTA, eu sou QUADRANGULAR, eu sou da GRAÇA, eu sou da da CHAMADA MISSIONÁRIA, eu sou sou BATISTA, eu sou UNIVERSAL.
Amados irmãos Deus roga a todos os crentes, pela glória e preeminência do nome do Senhor Jesus que não haja divisões.
Deus não tolera nenhum nome ou divisão.
Permitir qualquer outro nome que não seja o nome de Cristo Jesus é rebaixar seu bendito nome. Se a vontade de Deus é que não haja divisões, como podemos pertencer a qualquer delas, ou como poderemos apoiar qualquer divisão, sem estar desobedecendo a vontade de Deus, tendo diante de você a santa palavra do nosso Deus.
E ainda para que não haja engano o Espírito de Deus fala de novo sobre o tema dizendo: “porque ainda sois carnais, pois havendo entre vós inveja contenda, divisões não sois porventura carnais.”
Se você querido irmão faz parte de um cisma., se você querido irmão faz parte de uma divisão no corpo de Cristo, lamento te dizer você ainda é carnal você não é espiritual.
Efésios 4:1-4 nos diz que há um só Corpo um só Espírito.
Todos os crentes são um nO Cristo ressuscitado, e a vontade de Cristo Jesus é que essa unidade seja manifestada ao mundo inteiro.
Em Jo 17:21-23 diz que: “Para que todos sejam um, como tu ó pai o és em mim e eu em ti que também eles sejam um em nós para que o mundo creia.”
E outra vez diz: “Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tem amado a eles como me tens amado a mim.”
Amados irmãos em lugar de divisões terrenas e discórdias, o bendito Senhor deseja que nós manifestemos ao mundo nossa unidade com Ele. Apesar do fracasso dos nosso dias, não estamos dispensados da fidelidade a Cristo Jesus, não podemos pertencer ou nos identificar com qualquer coisa que desonre a ele ou seja contrário a sua vontade.Até agora amados irmãos tenho demonstrado não só pela história da igreja mas também pela palavra que as divisões são inteiramente contrárias a vontade do Senhor. Portanto todo crente que deseja andar em conformidade com a palavra de Deus deverá separar-se de todas as divisões do corpo de Cristo.
O que estou apresentando aqui é um caminho que já tem sido percorrido por muitos servos de Deus, é um caminho difícil, porém quando é que foi fácil a senda da fé?
Esse foi o caminho dos profetas de Deus para edificação do seu tabernáculo, da sua casa espiritual que somos nós.
Estamos em tempos perigosos. Aquilo que é mau se chama bom.; ao que é bom se chama mau. Podemos perceber que muito do que é chamado cristandade hoje é apenas a religiosidade do homem. O que o homem precisa não é de religião, mas da pessoa viva do Filho de Deus.
Encerrando quero dizer que é um grande erro supor que por nos separarmos de toda divisão denominacional somos melhores do que outros queridos irmãos filhos de Deus que estão nas divisões. Não! Longe de nós pensar isso!!!
É simplesmente porque o filho de Deus Cristo Jesus é digno. Sim ele é digno do sacrifício (que, na verdade é uma alegria) de se deixar todo nome ou divisão e se reunir ao seu nome eternamente bendito.
Nos dias dos apóstolos Jesus era o nome exaltado sobre qualquer outro nome. Exaltar outro nome ainda que fosse Paulo ou Pedro era denunciado pelo Espírito de Deus como carnalidade e divisão no corpo de Cristo. Em Mt 6:10 nos diz: “Seja feita a tua vontade na terra assim como no céu.”
Será que podemos orar assim?
Seria mais honesto admitir: “Pai tenho estado numa divisão por tanto tempo, mas fui iluminado nesta dia e quero fazer a tua vontade sobre a terra como esta no céu.”
Querido irmão, você deseja fazer a vontade de Deus, então seu caminho é bem claro: deixe todo nome e divisão e receba a todos aqueles que ele recebeu para a glória do nome de Jesus. Amém.Contato; ccc.riogrande@gmail.com
Rio Grande - RS

terça-feira, 9 de junho de 2009

Da Desolação à Restauração

Christian Chen
Publicação: 04/06/2009
"Os caminhos e as obras de Deus".
“Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel” (Sl 103:7). Na história do povo de Deus encontramos duas classes de pessoas: aquelas que somente conhecem Seus feitos e aquelas que, além disso, conhecem Seus caminhos.
Seus feitos revelam Seu poder, mas Seus caminhos revelam Sua intimidade. Os feitos de Deus têm como objetivo nos levar a conhecer Seu poder e soberania, mas Seus caminhos são os meios que Ele utiliza para revelar Seus segredos e conduzir-nos ao Seu propósito mais elevado. Conhecer apenas Seus feitos, Suas obras, significa ficar na periferia do Seu chamamento, sem conhecer o propósito para o qual fomos chamados. O grande perigo jaz em querermos egoisticamente desfrutar de Seu poder, de Suas bênçãos, não buscando conhecer Seus caminhos e cooperar com Seu propósito. Palavra aos Leitores.
O DUPLO CHAMAMENTOA indignação de Deus derramou-se sobre aqueles que “...sempre erram no coração... e não conheceram os Seus caminhos” (Hb 3.10). No deserto caíram milhares daqueles que insistiram em andar em seus próprios caminhos, em vez de se submeterem à direção de Deus rumo à edificação do Seu testemunho; e tudo isso serviu de exemplo para nós, que já temos chegado ao fim dos tempos (1 Co 10).
No entanto, Seus caminhos estão claramente definidos em Sua Palavra e Seu propósito será cabalmente cumprido. O Senhor ainda chora por Sua Jerusalém celestial e nos chama de volta para Ele, de volta para Seus caminhos.
DA DESOLAÇÃO À RESTAURAÇÃOAtrás de todo o chamamento de Deus registrado na Bíblia há sempre uma vontade de Deus específica. A fim de realizar essa vontade, Deus chamou alguns ou um grupo de pessoas para participar de Sua obra.
Toda e qualquer vontade de Deus específica é apenas uma fase do plano eterno de Deus para uma pessoa específica num tempo e espaço específicos. A fim de obtermos uma visão panorâmica do conselho eterno de Deus, é necessário correlacionar todos os dados mencionados na Bíblia a respeito do chamamento de Deus, mas descobriremos que esta é uma tarefa impossível. Contudo, entre os numerosos chamamentos de Deus, há somente oito chamamentos duplos mencionados na Bíblia. Nessas passagens, Deus chama o nome de uma pessoa duas vezes, como, por exemplo, “Abraão! Abraão! ou “Saulo! Saulo!”. Esta impressionante revelação definitivamente chama nossa atenção e nos convida a estudar este assunto mais cuidadosamente. O esforço empregado nessa tarefa mostrou-se recompensador.
Por meio das revelações desses duplos chamamentos de Deus nós temos o privilégio de compartilhar com nossos leitores uma ilustração do que é a “esperança do Seu chamamento” e o maravilhoso propósito de Deus para todos os santos, tanto individual como corporativamente. Nossa oração é para que os leitores da língua portuguesa respondam ao duplo chamamento de Deus e nele caminhem à medida que Deus os capacita e, com isso, tragam um avivamento espiritual em suas localidades.
Nós agora apresentamos este livro como cinco pães e dois peixes Àquele que colocou em nossas mãos estas mensagens e o colocamos novamente naquelas mãos que por amor de nós foram feridas. Se assim for Sua vontade, que Ele mesmo abençoe esta mensagem e permita que ela alcance um público mais amplo e chegue àqueles que têm fome espiritual. Amém.“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não Me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mateus 23.37-39)
“Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos. Pois sobre ti virão dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o cerco; e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação.” (Lucas 19.41)
PEREGRINAÇÃO E AS FESTASBuscando na presença do Senhor o que Ele desejava que eu ministrasse nessa ocasião, tive um encargo muito forte pelo sentimento expresso nos versículos citados acima. Ambos trechos têm um impressionante pano de fundo. Nosso Senhor, na metade de Seu último meio ano na terra, andou do monte Hermom até o Gólgota; em Sua jornada, Ele disse aos discípulos ser-Lhe necessário subir para Jerusalém. Esse caminho que Ele fez para Jerusalém era quase exatamente o mesmo caminho que os filhos de Israel faziam a fim de subir para as três festas anuais: a Páscoa, o Pentecoste e a Festa dos Tabernáculos. Essa trajetória era bem complexa. Por exemplo: os israelitas que moravam na Galiléia, que fica no norte de Israel, tinham de cruzar para o lado leste do rio Jordão a fim de ir para Jerusalém. O Jordão, que liga duas massas de água: o mar da Galiléia, ao norte, e o mar Morto, ao sul, é a fronteira leste de Israel. Assim, se os galileus quisessem andar menos, iam para o sul a fim de cruzar o rio. Desse modo, porém, eles teriam de passar por Samaria. Então, por eles não se relacionarem com os samaritanos, antes de chegar a Samaria eles se desviavam, cruzando para o lado leste do rio Jordão e, então, desciam para o sul. Quase chegando à cidade de Jericó – o lugar mais baixo do mundo, que se situa a aproximadamente 430 metros abaixo do nível do mar – é que os israelitas cruzavam o Jordão.
Jericó é próxima de Jerusalém e é o local mais baixo daquela região – o mais elevado é Jerusalém. Portanto, eles caminhavam do lugar mais baixo para o mais elevado. Imagine uma caminhada de uma região a 430 metros abaixo do nível do mar até a região mais elevada! Esse era, sem dúvida, um caminho ascendente, no qual facilmente os peregrinos se cansavam. Por essa razão, eles cantavam salmos enquanto andavam. Há, no Livro de Salmos, um grupo de quinze deles que são chamados de “salmos dos degraus” ou “cânticos de romagem”, que são exatamente os cânticos que usavam para se encorajar mutuamente em sua jornada para Jerusalém. Esses quinze salmos os levavam à presença de Deus e os reunia em Sua presença.
Todos os anos, os israelitas se reuniam para comemorar as festas e para estar, juntos, diante da face de Deus. Eles caminhavam por muitos dias e durante sua peregrinação havia muitos sofrimentos, muitos perigos. A esse caminho a Bíblia chama de “caminho de Sião”: é o caminho que leva o homem à presença de Deus. Mas a Bíblia diz também que esse caminho passa por um vale, o Vale de Baca, que significa “vale das lágrimas”. Portanto, ir para Jerusalém a fim de buscar a Deus implica pagar um alto preço. Os israelitas passavam por muitas tribulações, dificuldades e perigos e, quando viam seus pés dentro das portas de Jerusalém, quando finalmente chegavam à presença de Deus, naquele momento podiam cantar juntos o salmo 133: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Por que todos haviam se disposto a buscar a presença de Deus, eles descobriam, não somente a presença de Deus, mas também a presença dos irmãos, em um único caminho. Por isso, cantavam: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Este é o auge do cântico dos degraus. O salmo seguinte era o que eles cantavam ao se despedir. Assim, podemos dizer que o objetivo da ida a Jerusalém era aquele momento em que eles podiam cantar quão bom e agradável era estarem unidos. Os peregrinos não podiam conter a alegria quando, ainda ao longe, avistavam os muros de Jerusalém. Ao ver Jerusalém, eles se esqueciam das dificuldades e dos sofrimentos do caminho; ao ver Jerusalém, podiam esquecer-se das lágrimas do vale; por isso, dos que chegavam a Jerusalém, não havia um sequer que não se rejubilasse e desejasse celebrar a festa. Assim, o preço que eles pagaram durante os dias de jornada, todas as dificuldades do caminho foram válidas, pois, por fim, chegavam à presença de Deus.
O TESTEMUNHO DE DEUSQue há de melhor do que a presença de Deus? O que há de melhor do que ver os irmãos? Primeiramente, vemos a Deus e, então, os irmãos; nosso relacionamento espiritual deve ser primeiramente com Deus, o sentido vertical, e depois com os irmãos, sentido horizontal. Não somos um agrupamento, ou um clube ou um partido que se reúne apenas por termos crenças iguais. Somos irmãos. E encontramos nossos irmãos no caminho de Sião. Eu quero andar no caminho de Sião e outro irmão também quer – é um caminho difícil, pelo qual temos de pagar um preço, pois ele passa pelo vale das lágrimas; mas, quando estamos juntos, vemos Jerusalém edificada sobre o monte, na região mais elevada, e ficamos cheios de alegria e satisfação juntamente com os irmãos que subiram conosco. Jerusalém edificada alegra a nós e a Deus, pois, na Bíblia, ela representa eternamente o testemunho de Deus.
Por que ela era o testemunho de Deus? Porque lá estava Seu templo, o qual representa a presença de Deus. Portanto, quando os filhos de Israel estavam reunidos, o conteúdo de seu ajuntamento era a presença de Deus. Com a presença Dele, tudo lhes era um paraíso! Bastava-lhes chegar à presença de Deus para perceber que todo esforço e todas as lágrimas valeram a pena. Portanto, todos os que percorreram o caminho de Sião, chegando à presença de Deus, descobriram Deus e também descobriram os irmãos.
Por isso, irmãos e irmãs, temos sempre de lembrar que a presença de Deus se manifesta, de maneira espontânea, numa expressão concreta, que era representada, no Antigo Testamento, pela cidade de Jerusalém. Portanto, Jerusalém representa o testemunho de Deus, e o testemunho de Deus é baseado em Sua presença. Por isso, pode-se abrir uma fábrica ou uma escola, mas nunca poderemos abrir, produzir ou fundar o testemunho de Deus. Basta-nos ter interiormente a presença de Deus para, de forma espontânea, termos exteriormente Seu testemunho glorioso.
A PRESENÇA DE DEUS E O TEMPLO – O CONTEÚDO E A CASCAAo ler o Antigo Testamento, devemos sempre ter em mente que, quando Jerusalém é mencionada, temos uma referência ao testemunho de Deus, pois a cidade de Deus e Seu templo são inseparáveis.
O templo é a realidade interior e a cidade é o testemunho exterior – por haver a presença de Deus, o resultado gerado exteriormente é o testemunho de Deus.
Portanto, quando a presença de Deus é verdadeira, Ele permite que exteriormente se veja um testemunho concreto. No entanto, quando a realidade interior é perdida, o testemunho exterior é perdido. Não podemos nos enganar: quando a vida divina se esvai, quando não temos a presença de Deus, o que vemos é meramente uma organização humana, o resultado do agir das mãos do homem.
Quando a realidade interior já não existe, Deus não deseja que criemos uma falsificação de Seu testemunho. Havendo Sua presença, temos o paraíso; por isso, não precisaremos fazer propaganda do testemunho de Deus, dizendo: “Nós somos a igreja e ninguém mais é” – todos os que falam assim provam que não são a igreja. Aquele que realmente tem a presença de Deus pode falar qualquer coisa, menos essas palavras. Não há meio termo: ter a presença de Deus é ter a presença de Deus; quando a vida vazou ela vazou; se a água da vida entre nós secou, não temos água da vida. Não nos enganemos.
Precisamos ter clareza de que Deus destrói o que é visível externamente quando não há mais realidade interiormente – Ele permite que não permaneça pedra sobre pedra. Quando os israelitas se rebelaram contra Deus, quando adoravam ídolos em oculto, quando não procediam mais como na época de Davi – exteriormente tudo ainda estava igual, pois o templo estava lá e o serviço a Deus ainda era realizado, aparentemente nada havia mudado, mas só Deus sabia que a realidade interior já não existia. Por isso, o livro de Ezequiel diz que a glória de Deus se retirou de Seu templo para o oeste do monte das Oliveiras e dali ascendeu aos céus. Por essa razão, no registro do Antigo Testamento, a partir desse evento, Deus passou a ser chamado apenas de Deus dos céus, em lugar de Senhor dos céus e da terra.
Em Jerusalém, antes do cativeiro babilônico, havia o nome de Deus, mas, porque Sua presença fora perdida, Sua glória se retirou para o céu; por isso, a Jerusalém da terra, o templo da terra, se tornou apenas uma casca: bela por fora, mas sem vida por dentro. Por isso, Deus permitiu que o exército babilônico invadisse a Cidade Santa e a incendiasse. E, enquanto Jerusalém queimava, o profeta Jeremias estava, provavelmente, escondido numa caverna do monte Gólgota. Ele via a cidade sendo incendiada; o fogo estava queimando fora de Jeremias, mas a Bíblia nos indica que, na realidade, o fogo ardia dentro dos ossos de Jeremias, queimando até esgotarem suas lágrimas. Por isso, ele é conhecido como o profeta que chora (cf. Lm 3.49).
O CHORO DE JEREMIASEnquanto Jeremias via Jerusalém, a Cidade Amada, o testemunho de Deus, ardendo em chamas, o fogo do céu queimava dentro dele e ele chorava pela cidade.
Nessa situação, ele escreveu o livro de Lamentações de Jeremias. Esse livro registra o choro de Jeremias por Jerusalém, pois ela deveria ser o testemunho de Deus, mas agora foi destruída, agora não há pedra sobre pedra. Ela não era a cidade do grande Rei? Ela não fora edificada pelo próprio Deus? O próprio Deus havia dito que a escolhera e que nela habitaria; Ele disse que escolheu Sião.
Ele desejava morar naquela cidade, queria ter nela Seu lugar de descanso. Mas, por causa da idolatria dos israelitas, Deus permitiu que Nabucodonosor invadisse Jerusalém e a incendiasse.
E Jeremias chorou ao ver isso. Quão diferente isso era de quando os israelitas se reuniam em Jerusalém nas festas! Ali não havia ninguém de mãos vazias, pois cada um deles levava o produto da terra de Canaã, a terra que manava leite e mel. Aqueles milhares de israelitas, como um só homem, davam um único testemunho de Deus na terra, cantando: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!”. Quando havia a realidade interior, Deus permitia sua manifestação exterior.Jerusalém estava sempre no coração dos filhos de Israel, mesmo quando estavam no cativeiro babilônico. Toda vez que se lembravam de Sião, eles choravam. A única coisa que podiam fazer era pendurar as harpas nos salgueiros junto aos rios de Babilônia, pois não lhes era possível entoar as belas canções de sua terra (Sl 137.1-4).
Onde quer que eles estivessem, jamais se esqueceriam de Jerusalém, pois ela representava o testemunho de Deus. Por essa razão, não havia israelita que não rejubilasse ao chegar em Jerusalém, que não derramasse lágrimas de alegria, pois todas as dores e dificuldades já haviam passado. Aqueles que realmente conheciam o testemunho de Deus, ao ver Jerusalém, eram tomados de incontida e espontânea alegria. Mas, ao lermos a Bíblia, vemos que Alguém teve uma reação diferente ao ver Jerusalém.
O caminho que o Senhor percorreu com os discípulos no último meio ano de Seu ministério era quase o mesmo que os israelitas andavam para ir a Jerusalém, o caminho de Sião.
Nessa etapa final de Seu ministério, Ele seguia resolutamente para a Cidade Santa e disse algumas vezes aos discípulos: “Eis que subimos para Jerusalém” (Mt 16.21; 20.18; Mc 10.32, 33; Lc 9.51, 53; 13.22; 17.11; 18.31; 19.28).Jerusalém era Seu alvo. Em Mateus 16, lemos que Jesus perguntou aos Seus discípulos quem o povo dizia ser Ele. Alguns personagens foram mencionados, e havia também quem dissesse ser Ele Jeremias. Isso não é coincidência, mas é a soberania de Deus! Por que Jesus se parecia com Jeremias? Porque, em toda a Bíblia, só houve duas pessoas que choraram por Jerusalém: Jeremias e o Senhor Jesus.
O CHORO DE JESUSQuando Ele e os discípulos finalmente chegaram a Jerusalém – ao contrário dos outros israelitas que choravam no caminho por causa das dificuldades, mas alegravam- se ao ver a Cidade de Deus –, nosso Senhor chorou por ela! Assim como no Antigo Testamento houve uma pessoa que chorava por Jerusalém, assim também há Alguém no Novo Testamento.
No Antigo Testamento, temos o livro das Lamentações de Jeremias, um longo poema que expressa todo o sentimento profundo do profeta.
E, lendo atentamente as palavras do Senhor Jesus, vemos que elas também são um poema. Há vários poemas ditos pelo Senhor e registrados nos Evangelhos, não temos tempo de vê-los um a um agora, mas há um que é especial: este que se identifica com as lamentações de Jeremias.
A constituição deste poema é lamentação, a constituição deste poema é dor. Há poemas que, por meio de suas rimas e estrutura, nos dão um sentimento de alegria, mas tanto Lamentações quanto esta declaração de Jesus são cheias de lamento e dor. O poema está registrado em Mateus 23.37: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!”
Os especialistas em poesia hebraica dizem que esse trecho da palavra do Senhor Jesus tem uma estrutura de poema igual à de Lamentações de Jeremias.
Quando o Senhor chora por Jerusalém, Ele concentra Seu sentimento nestas palavras: “Jerusalém, Jerusalém (...) Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas”.
Jerusalém é uma cidade, é a capital de Israel. É uma cidade que pode ser achada no mapa, que foi edificada sobre um monte. A história não registra nenhuma cidade do mundo que tenha passado tantos sofrimentos como esta. Segundo alguns autores, desde o início dos registros históricos, Jerusalém já foi destruída e reconstruída por pelo menos vinte vezes.
Mas quando o Senhor Jesus chorava por Jerusalém, Ele não estava chorando por uma cidade material, um amontoado de edifícios e ruas. A cidade pela qual Ele chorou é uma cidade que pode escolher, pode decidir, pode optar por ser reunida pelo Senhor sob Suas asas.
O Senhor Jesus queria reunir os filhos de Jerusalém como a galinha ajunta os pintinhos debaixo das asas, mas os israelitas responderam dizendo: “Crucifica-O! Crucifica-O!” Para os israelitas, Jerusalém sempre foi uma cidade santa; por isso, todos os que não eram santos não podiam morrer dentro da cidade.
Sem dúvida, o Senhor Jesus é o Santo – Ele é a encarnação da santidade de Deus –, mas os israelitas consideraram a cidade muito mais santa que o próprio Senhor. Os judeus jogavam todo o lixo fora da cidade: eles crucificaram o Senhor fora da cidade e preferiram um salteador. Eles clamaram:“Crucifica-O! Crucifica-O!”.
Veja, amado irmão e irmã: o Senhor Jesus a queria, mas Jerusalém não queria a Ele. Se Jerusalém fosse, de fato, em sua realidade interior, uma cidade santa, como poderia não receber o Santo Senhor Jesus? Portanto, o Senhor Jesus não chorou apenas pela Jerusalém do mapa, a Jerusalém da história. Aos olhos do Senhor Jesus, Jerusalém era algo muito mais elevado do que simplesmente uma cidade: ela representava o testemunho de Deus e, por isso, está relacionada ao eterno propósito de Deus. Ao chorar por Jerusalém, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém (...) Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos (...) e vós não o quisestes!” E, pouco depois, acrescentou: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta.” Quando era apenas um menino, Jesus disse: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (Lc 4.29). O templo de Jerusalém era, no sentimento do Senhor, a casa do Pai. Mas ao chorar por Jerusalém, Ele disse: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta.” O templo de Deus deveria ser o lugar de descanso de Deus; se fosse, o Senhor teria dito: “Esta é a casa de Meu Pai”. Mas, a partir do momento em que a realidade interior da presença de Deus não existe mais, por estar o templo de Deus em desolação, o Senhor refere-se a ele como “a vossa casa”.
Os israelitas, no Antigo Testamento, já manifestavam essa indisposição de se arrependerem de seus pecados e se consolavam dizendo que Jerusalém não seria destruída, pois o templo de Deus estava ali: “Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este” (Jr 7.4), eles repetiram para se entorpecer.
Na verdade, a glória de Deus já se havia retirado dali, mas eles ainda falavam: “Este é o templo de Deus, a cidade de Jerusalém não será destruída, pois uma vez que haja o templo de Deus, ele será eternamente o templo de Deus!” É como os que dizem hoje: “Uma vez que somos a igreja de Deus, seremos eternamente a igreja de Deus.” A Igreja de Deus não é a casa do Pai? Sim, no princípio, de fato, era assim. Lembrem-se que o Senhor Jesus disse: “Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?” Mas ao chorar por Jerusalém, Ele disse: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta.” Em Lucas 19.41, Ele acrescentou: “Não deixarão em ti pedra sobre pedra”. E a história comprova que essa palavra foi cabalmente cumprida.
A DESTRUIÇÃO DA CASCA VAZIAEm Mateus 24.1, 2, o Senhor disse algo com respeito à situação futura do templo de Deus. Isso foi profetizado quando Ele andava com os discípulos no templo e estes se maravilharam das pedras com que havia sido edificado. O templo foi construído com pedras muito grandes colocadas umas sobre as outras, pedras extremamente pesadas, entre as quais não foi usado nenhum tipo de cimento – elas ficavam ligadas umas às outras apenas por seu próprio peso.
A maneira como o templo foi edificado indica a maneira como a Igreja deve ser edificada. Edificação da Igreja não é criar maneiras de fazer com que os irmãos fiquem juntos, ensinando computação ou cuidando da saúde dos idosos, por exemplo. Se fizermos isso, é como ter de usar cimento para juntar as pedras. Mas, de acordo com a tipologia da construção do templo, a edificação da Igreja acontece como decorrência espontânea do peso espiritual diante do Senhor que cada pedra viva adquire por meio de muitas lições espirituais preciosas aprendidas em oculto. Assim, quando nos reunirmos com outros irmãos, teremos o peso espiritual que adquirimos na presença do Senhor. Somos edificados juntos, pois você tem peso e eu também tenho peso; nós, por nós mesmos, não temos peso espiritual algum, pois só Cristo é nosso peso. Quanto mais você experimenta Cristo, mais peso você tem. Irmãos e irmãs, a Igreja é edificada exclusivamente dessa maneira.
Por causa dessa característica do templo, os discípulos se admiraram: “Mestre! Que pedras, que construções!” Mas Jesus lhes disse: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”.
Irmãos e irmãs, essa profecia se cumpriu completamente. No ano 70 d.C., o comandante romano Tito liderou seu exército e invadiu Jerusalém. Os soldados cortaram todas as oliveiras do Monte das Oliveiras e usaram a madeira para preparar a invasão. E eles iam atacar Jerusalém exatamente na época da celebração da páscoa, quando os israelitas, de todos os lugares, vinham a Jerusalém para comemorar a festa. Era uma cena muito curiosa! A cidade estava cercada por cavalos e exércitos e, por isso, era tempo de todos se afastarem da zona de guerra – mas os israelitas vinham em grande número para Jerusalém. Por que eram tão corajosos? A razão é que eles achavam que Jerusalém nunca seria destruída. Eles entendiam que, uma vez que Jerusalém era a cidade de Deus, edificada por Deus, ela jamais seria destruída. Eles supunham serem especialmente protegidos por Deus por serem judeus, enquanto seus inimigos eram gentios, povo desprezado por eles e por Deus. Eles diziam que aquela era a cidade eterna e, por isso, os romanos não a conquistariam. Isso os tornou obcecados, a ponto de entrar na cidade, em meio ao cerco, para comemorar a festa. Os soldados romanos não podiam acreditar no que viam! “Eles deveriam correr da cidade; por que todos vão para ela?” Mas era exatamente esta a situação: os israelitas obcecados de todas as partes do país seguiam para lá. Então, Tito deu ordem para que se abrissem todas as portas da muralha, a fim de quem quisesse entrar entrasse. E, exatamente nesse momento, muitos discípulos, por lembrar da profecia de Jesus de que haveria uma grande tribulação que não deixaria ficar pedra sobre pedra, por crer que aquela palavra do Senhor não falharia, aproveitaram a ocasião em que os judeus entravam na cidade para dela fugir. Entre esses discípulos estavam João e a mãe de Jesus. Finalmente, as portas da cidade foram fechadas – e aquela foi a última Páscoa do povo de Israel –, e eles morreram todos. Os romanos incendiaram a cidade e o templo. Quando metade do templo estava queimando, eles se lembraram de que lá havia muito ouro e prata que, agora, derretidos, estavam escorrendo para as fendas das pedras. Então, foi dada uma ordem para que todo o exército tirasse o ouro e a prata do meio das pedras. E, por isso, não ficou pedra sobre pedra, sendo, desse modo, cumprida integralmente a profecia do Senhor Jesus. Daquele dia em diante, a nação de Israel desapareceu totalmente da terra, até ser restabelecida em 14 de maio de 1948. Isso foi o cumprimento da palavra do Senhor: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não Me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” No futuro, eles reconhecerão que Jesus é o Messias e dirão: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” Mas, naquela época, o que eles disseram? “Crucifica- O! Crucifica-O! Elimina-O! Preferimos o salteador, nós não O queremos.” Quando Pilatos perguntou: “Hei de crucificar o vosso rei?”, que responderam os judeus? “Não temos rei, senão César!” Os judeus sempre deveriam dizer que além de Deus não tinham rei. Por isso, os judeus e os romanos não se misturavam; mas, para eliminar o Senhor Jesus, disseram algo que era totalmente contra sua consciência e sua lei. JUNTOS!
Depois de termos sido salvos, percebemos que não somos os únicos: há muitos outros cristãos que, como nós, têm a vida de Cristo. Vemos, então, que estamos na Casa de Deus. Fomos chamados do mundo por Deus para que estejamos juntos; portanto, ninguém pode ser um cristão isolado ou solitário. Sem Deus não podemos viver, mas sem os irmãos e as irmãs também não podemos viver nem amadurecer.
Por definição, a Igreja é, primeiramente, a reunião dos chamados. Todos nós, cristãos, fomos chamados por Deus para sair do mundo e reunir-nos. E essa reunião dos chamados é a Igreja, é a Casa de Deus, é o templo de Deus. Assim, o templo do Antigo Testamento é apenas uma prefiguração da Igreja. Temos de lembrar sempre que a Igreja não testemunha de si mesma, mas testifica de nosso Senhor. Quando desfrutamos a presença do Senhor, naturalmente nós O exaltamos e Dele testemunhamos; desse modo, Sua glória e beleza são espontaneamente manifestadas por meio de nós. Ninguém consegue expressar sozinho todas as características de Cristo; mas em um irmão vemos a mansidão de Cristo, em outro vemos Sua longanimidade, em outro, Sua humildade.
E, quando nos reunimos, vemos uma única personalidade, que é a de Cristo. A personalidade de Cristo é Sua imagem, à qual estamos sendo conformados a fim de que as pessoas possam ver Sua glória e beleza.
Recentemente, houve um terremoto muito forte em Taiwan, e muitos irmãos foram ajudar aqueles desabrigados das áreas atingidas. Ali, naquela situação, foi possível perceber que alguns conhecem de fato a Igreja, mas muitos, não.
O testemunho da Igreja exalta a Cristo. Se vestimos a roupa do evangelho e o capacete do evangelho, o que mostramos às pessoas é Cristo, nós mesmos não ficamos visíveis. Você sabe por que nosso corpo necessita ser coberto? Você sabe por que expor o corpo é vergonha? Cobrir o corpo tem por objetivo fazer com que o mundo inteiro veja apenas nossa cabeça. Do mesmo modo, o testemunho da Igreja nunca deve exaltar a ela mesma, mas unicamente a Cristo. É suficiente levarmos as pessoas a crer em Jesus, não precisamos que as pessoas nos conheçam nem valorizem o que fizemos. Quando ocorreu o terremoto em Taiwan, muitas áreas foram severamente atingidas. No entanto, por haver naquelas áreas de calamidade muitos repórteres e câmeras de televisão de todo o mundo, os cristãos que ajudavam as pessoas desabrigadas levantavam grandes bandeiras, nas quais estava escrito que eles eram de tal “igreja” e de tal denominação. Amados irmãos e irmãs, o que foi mostrado ao mundo todo pela televisão? Esse o testemunho que o Corpo de Cristo deve dar? O Corpo dá testemunho da Cabeça, não de si mesmo. Mas o problema está em que, naquela situação, alguns queriam que o mundo inteiro soubesse que eles estavam socorrendo os afligidos pelo terremoto – estavam chamando atenção sobre si mesmos. A Bíblia registra que a Igreja primitiva socorria os pobres segundo o preceito do Senhor, de que a mão esquerda não deveria saber o que a mão direita fazia (Mt 6.3), nunca com o objetivo de exaltar o homem. Quão diferente, porém, daquilo que vimos em meio à destruição em Taiwan! Mas, além da exaltação do homem, ali vimos a manifestação das divisões entre os filhos de Deus – grupos separados sob bandeiras distintas, anunciando sua própria obra. O testemunho de Deus, representado por Jerusalém, não é algo abstrato. Após termos sido salvos, tornamo-nos membros da Igreja, que é o lugar de desfrute da presença de Deus. Por isso, quando nos reunimos com outros irmãos, testemunhamos da unidade. Por conhecermos, de fato, o Senhor e Sua Igreja, não aceitamos que haja qualquer divisão entre Seu povo. Desse modo, graças ao amor de Cristo em nós, sabemos amar aqueles que não são amáveis, aqueles que são diferentes de nós, mesmo aqueles que não viram a luz de Deus sobre a Igreja. O amor nos faz humildes, o amor nunca nos faz sentir especiais. Esse é o testemunho da Igreja: um testemunho de unidade e de amor.
O MAIS IMPORTANTE É O MAIS BAIXOLembro-me da primeira vez que fui a Jerusalém. Eu fiquei muito entusiasmado, pois havia subido a Sião, ao monte do Senhor. Mas eu estava um pouco preocupado: eu não tinha certeza se aquele era o verdadeiro monte Sião! Em Jerusalém – este é um fato curioso –, você vai encontrar dois pináculos, dois lugares da última ceia, dois Gólgotas, e muitas outras coisas duplas. Então, por causa de minha dúvida, perguntei a um monge do mosteiro que ficava naquele lugar: “Este é realmente o monte Sião? ”Ele me respondeu: “Este não é o monte Sião.” Então, perguntei-lhe onde ficava o monte. Ele respondeu: “Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o SENHOR, em derredor do Seu povo” (Sl 125.2). O menor desses montes que você vir, este é Sião.” Então, eu olhei para o leste e também para o oeste, perguntando-me onde estava o monte de Deus. O monge, que estava me observando, me disse: “Você está procurando de maneira errada. Não olhe para cima nem para os lados; você tem de olhar para baixo, você tem de olhar para o vale. Ali há um pequeno monte: aquele é realmente o monte Sião do tempo de Davi. O monte Sião em que você está agora é o monte assim designado de acordo com a tradição católica, não é Sião do tempo de Davi, não é o monte Sião da Bíblia.” A Bíblia diz que os povos dos montes afluirão para Sião (Is 2.2). A palavra “afluirão” no original tem a idéia de fluir como água. Obviamente, a água nunca corre para cima, mas sempre para baixo; portanto, se todos os montes fluem para este monte, o monte Sião não apenas é o menor, mas também o mais humilde. No entanto, o mesmo versículo diz que o monte da Casa do SENHOR será estabelecido sobre os mais altos montes. Como poderão as águas fluir em direção ao cume? Isso é um paradoxo! Sim, e ele encerra um princípio espiritual fundamental: se somos realmente espirituais, se, de fato, andamos com o Senhor, se somos úteis a Ele e a Sua Casa, devemos ser os mais baixos, os mais humildes, os que mais servem. Somente a vida de Cristo em nós e o operar profundo de Sua cruz podem gerar esse caráter em nós.Irmãos e irmãs, isto é o monte Sião, e assim deve ser o testemunho da Igreja. Se realmente vemos o que é a Igreja, se realmente vemos o que é o testemunho de Deus, jamais diremos que somente nós somos a igreja e ninguém mais é. No momento em que falamos assim, já não somos o mais baixo, mas nos elevamos a nós mesmos e ninguém consegue nos acompanhar. Isso não é testemunho da Igreja. Por isso, quando nos reunimos, temos de lavar os pés uns dos outros. O que significa lavar os pés? Humilhar-nos para servir aos irmãos. Quando nos reunimos, não estamos somente diante dos pés do Senhor, mas estamos também diante dos pés dos irmãos. Essa é uma vida humilde. Assim, todo o testemunho da Igreja deveria ser a representação do monte Sião.
Então, ao unirmos o monte Sião ao monte Moriá temos Jerusalém. Isso prefigura nosso testemunho. Para os judeus, há uma cidade: Jerusalém; nela há um templo, o templo de Deus. A cidade é material e o templo é material, mas Deus, por meio dos filhos de Israel, nos dá uma ilustração muito importante, pois, na verdade, Jerusalém representa algo espiritual: o eterno propósito de Deus. Isso é trabalho de Deus, não trabalho nosso. Mas se você ama a Deus, naturalmente tem parte na Sua obra. Portanto, repito: hoje nós estamos reunidos, fomos chamados para andar juntos, fomos chamados do mundo para exaltar a Cristo, glorificar a Cristo, dar testemunho por nosso Senhor. Agora por meio de nós há um testemunho visível: as pessoas não devem nos ver, mas ver apenas a Cristo.
Texto extraído do 1º capítulo do livro "O Duplo Chamamento". Editora dos Clássicos, 1ª edição

Fonte: http://www.celebrandodeus.com.br/