domingo, 10 de junho de 2018

Introdução - Parte 03


As 42 Jornadas no Deserto
Texto: Nm 33: 1-49

Filipensses capítulo 1, versículo 6, diz: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.
Graças ao Senhor por isso, porque Ele tem uma Palavra rica que se renova em nós a cada dia e a cada oportunidade em que podemos ouvi-Lo. Nós estamos estudados sobre alguns aspectos da vida cristã baseados na peregrinação do povo de Israel pelo deserto. Uma das coisas que temos aprendido até aqui é que a vida cristã é vivida em estágios, é de estágio em estágio. Nós saímos de uma experiência e vamos para outra experiência.
2 Coríntios capítulo 3, versículo 18 diz assim: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Já vimos a primeira parte desta frase neste versículo “de glória”. Primeiro nós vimos a preposição “de”, “apo” na língua grega, que mostra a Salvação na esfera da eternidade. Agora nós estamos estudando a outra parte desta frase “em glória”, aqui a preposição é “eis”, até – a preposição aqui fala da conclusão. Enquanto que a preposição apo fala do ponto de partida, onde algo iniciou. Esta outra preposição fala da conclusão, fala durante o tempo em que Deus está trabalhando em nós. A vida cristã é assim! Eu e você temos que ter certeza que a vida cristã é assim.
Nesse texto de Filipensses capítulo 1, versículo 6, quero que você note algumas coisas preciosas. Veja que Paulo disse assim: “Estou plenamente certo “de que” “aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. Observe esses dois “quês”.

Primeiro – ele diz: “certo de que”. Vejam que o primeiro “que” é um pronome; no grego é “touto”. Agora ele diz: “que começou”, então ele diz “estou plenamente certo de que”, aqui nós temos o primeiro “que”.

Segundo – ele diz: “aquele que”. Esse “que” é uma conjunção; no grego é “hoti” que quer dizer “desde que”. Agora quero que prossiga no que Paulo diz: “começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. A palavra “completá-la” no grego é “epiteleo” que significa “concluir”. Isso indica que desde que Cristo começou trabalhar Sua Vida em nós, Ele não vai parar no meio do caminho, Ele vai concluir.

Hebreus, capítulo 2, versículo 10, diz: “Porque convinha (isto é, era necessário, já havia sido planejado, por que Deus quis) que aquele, por cuja causa (Cristo) e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles”. Deus está fazendo isto por meio de Cristo, através do Seu Espírito.
Há outro texto que eu quero que você atente. Está em Efésios, capítulo 1, versículo 11: “nele, (isto é, em Cristo) digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz (olhe esta frase) todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”. Esta expressão “faz” nos diz que Deus não é somente responsável pela iniciação do propósito, mas igualmente responsável pela execução.
              Em Filipensses capítulo 2, versículos 12 e 13, Paulo diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” Note aqui o vocábulo “querer” no grego é “velo” que significa “ter em mente, estar determinado, propor-se”. Deus propôs! Paulo está dizendo que aquilo que Deus propôs em si mesmo ele vai realizar.
               Nós temos que entender que nesta Jornada Espiritual Deus está trabalhando em nós. Que as nossas experiências cristãs, o que nós temos hoje e o que teremos amanhã, esses estágios que nós passamos na vida cristã é o trabalhar de Deus, é um operar de Deus. Nós temos que ter certeza que Deus está trabalhando em nós tendo em vista a consumação do Seu plano nas nossas vidas. A consumação do plano de Deus visa a mim e a você. Irmãos e irmãs, nós temos que crer nisso! Veja o que Paulo diz: “naquele que faz”; faz todas as coisas conforme determinou fazê-las no conselho da Sua vontade.
Quando estudamos o Novo Testamento, temos uma visão desta trajetória, desse trabalhar de Deus, da cruz até a Nova Jerusalém. Aqui somos conduzidos ao livro de Apocalipse. Quando estudamos o livro de Apocalipse, vemos que este é um livro de profecia. Encontramos as profecias de Deus para o Seu povo. Esse tem que ser um livro amado pela igreja e não desprezado.

 Veja que Apocalipse capitulo 1, versículo 3, diz assim: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”.

Em Apocalipse capitulo 22, versículo 7, diz: “Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”.

 Irmãos e irmãs, este livro de Apocalipse é tão rico. Somos exortados a ouvir, a ler, a guardar as palavras do Senhor no livro de Apocalipse. Uma coisa que todos os que estudam este livro com muita dedicação a de descobrir: que os verbos, os predicados, na sua grande maioria, estão no tempo passado. Isto indica que todos os acontecimentos já ocorreram. Estudando o livro de Apocalipse descobriremos que ele está revelando aquilo que já aconteceu na mente de Deus; isto é, dentro de Deus tudo já está consumado. De acordo com o propósito de Deus, na sua eternidade, tudo está terminado, tudo está acabado, está consumado, mesmo que aos nossos olhos todas estas coisas estejam acontecendo, aos olhos de Deus tudo já ocorreu.

Vamos olhar duas coisas, apenas duas coisas que já ocorreram no livro de Apocalipse:

Primeiro – Satanás, o inimigo de Deus, segundo o livro de Apocalipse, ele foi julgado, foi condenado. Olhe o capítulo 20, versículo 10, onde diz assim: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”. Veja isso, que coisa mais impressionante! Segundo o livro de Apocalipse, Satanás já está condenado, já foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre. É isso que nós vemos. Agora hoje, nós olhamos e vemos que ele tem um governo, tem um reino neste mundo, um reino de principados e potestades. Mas nós podemos levantar a Palavra de Deus e proclamar que segundo o seu propósito, “o propósito eterno de Deus, segundo a profecia de Apocalipse, Satanás já está julgado, condenado e lançado para dentro do lago de fogo e enxofre.
 Segundo - Podemos ver que há algo muito impressionante quanto a nós no livro de Apocalipse, que segundo a profecia deste livro já está consumada - é que o testemunho de Jesus é a sua Igreja. Nos capítulos 21 e 22 podemos ver a Nova Jerusalém. João viu que esta cidade é a composição máxima dos filhos de Deus. A Nova Jerusalém é o testemunho do Senhor Jesus. Nesta cidade está o cumprimento do eterno propósito de Deus em Seu Filho, para a Sua eterna Glória. Nós precisamos nos dar conta disso!
Se nós estudarmos o capítulo 21 de Apocalipse, veremos claramente que a Nova Jerusalém descerá como Noiva para Cristo. Indicando que a Nova Jerusalém não é uma cidade no aspecto físico, ela nos fala de uma ordem corporativa. Há duas coisas que nós temos que ver aqui: quando lemos este capítulo, vemos que para Cristo, a Nova Jerusalém será a Noiva para a Sua satisfação, mas para Deus, será o Tabernáculo para Sua habitação, onde Deus o nosso bendito Pai Celeste expressará a si mesmo. Então o que é a Nova Jerusalém? É a consumação, é a completação máxima da Obra da edificação de Deus no decorrer dos séculos. É a composição de todos os santos redimidos em Cristo Jesus.
Estudando Apocalipse capítulo 21, veremos as medidas da Nova Jerusalém, e perceberemos algo muito especial. E é interessante, amados irmãos e irmãs, vermos que existem dois temas fundamentais para a compreensão do propósito eterno de Deus. O primeiro tema que vemos é a criação de Deus. E o segundo é a edificação de Deus. Uma coisa muito importante que temos que entender é que na criação os materiais usados para a edificação de Deus foram produzidos. Quando lemos os capítulos 1 e 2, de Gênesis, veremos a criação de Deus. E do capítulo 3, de Gênesis até o capítulo 22 de Apocalipse, nós temos a edificação de Deus. Em Gênesis 2, temos o jardim, mas em Apocalipse 21, temos uma cidade. O jardim foi algo que Deus criou naturalmente, mas a cidade, a Nova Jerusalém, foi edificada. Veja que no Novo Testamento há uma progressão espiritual. E esta progressão espiritual está de acordo com o propósito eterno de Deus. Primeiro temos o Corpo de Cristo, depois a Noiva de Cristo e por fim a Esposa do Cordeiro, a Nova Jerusalém. É isso que nós vemos! É isso que Deus está falando! Aqui nós temos a Esposa, e a Esposa é para satisfação de Deus em amor.
Portanto amados irmãos e irmãs, nós temos que ver tudo isso a luz do grande Supremo propósito de Deus. Que nesta jornada espiritual Deus está nos edificando para isso. Deus está se revelando em nós tendo em vista isso. Deus está trabalhando em cada um de nós porque Ele tem este alvo, este foco; e aquilo que Ele determinou fazer, Ele cumprirá. Não há nada e ninguém que poderá impedir Deus de alcançar Seu propósito em nós. Não há nada que poderá impedir Seu trabalhar. Então escute! A nossa vida cristã é vivida de estágios em estágios.
Que Deus possa nos mostrar isso e abençoar o nosso coração, a nossa vida através da Sua Santa Palavra.


Introdução - Parte 02


As 42 Jornadas no Deserto

Texto: Nm 33: 1-49

Vamos prosseguir. E que Deus nos conceda graça na Sua Palavra para que nós venhamos extrair algumas verdades profundas para a nossa vida hoje.
Quando lemos o livro de Números, no capítulo 33, versículos 1-49, vemos todas as estações por onde o povo de Israel peregrinou durante 40 anos. Essa leitura à primeira vista parece estranha para algumas pessoas; algumas podem achar que estes versículos não têm muita importância. Mas temos em conta meus irmãos e irmãs, que foram inspirados pelo Espírito Santo e que estão escritos para nos admoestar; foram escritos para que nós percebamos que as coisas não são tão rápidas e não tão fáceis. Alguém disse que: “Deus trabalha devagar porque tem pressa”; eu concordo com isso.
Nestas estações, nestas jornadas de 40 anos, podemos ver este trabalho meticuloso, cuidadoso do nosso Pai Celeste. Quando atentamos para a vida da Igreja, tanto quanto especificamente para a vida de cada membro do Corpo de Cristo, vemos que existe um desenvolver, uma progressão gradual semelhante à revelação de Deus através da história. É necessário que esta progressão espiritual, coletiva e profética venha acontecer por etapas, como vemos nestas estações, nesta jornada de 40 anos. Nessa Jornada encontramos o significado do tempo. A definição de tempo é o período continuo e indefinido no qual os eventos se sucedem. É isso que eu e você precisamos entender. A maneira como Deus se revela, a maneira como ele trabalha como nos conquista.
1 Coríntios, capítulo 10, versículos 6 e 11, diz: “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.” Aqui percebermos que a vida cristã é vivida em estágios. É de estágio em estágio.
Quando estudamos 2 Coríntios, capítulo 3, versículo 18, que diz: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”; vemos nitidamente que a nossa Salvação é um assunto da glória de Deus, a nossa Salvação exalta a glória de Deus.

Vamos adentrar para este assunto de acordo com a epístola aos Efésios. Vejamos dois textos:
               Em Efésios, capítulo 1, versículo 6, Paulo diz: “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”, e depois no versículo 12, diz: “a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo”. Precisamos ver duas coisas impressionantes e estupendas. Paulo fala sobre a Graça de Deus e sobre a Glória de Deus. E se você estuda a Salvação no Novo Testamento, vai ver que a Salvação é um assunto da Glória e da Graça de Deus.
Em 2 Coríntios, capítulo 3, versículo 18, Paulo diz assim: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Neste texto eu quero que você apenas note a frase “de glória em glória”.
Temos que estudar estas duas preposições: “de” e “em”. Quando Paulo diz “de glória”, na língua grega é a preposição “apo”, que significa “para fora”. Por conseguinte, meus irmãos e irmãs, há diferentes nuances no significado desta preposição, e o principal deles é “desde”. A preposição “apo” é somente usada nos casos ablativos, nas inclinações dos verbos gregos. Se você estuda uma gramática grega, vai ver que são oito, os casos no grego: “nominativo, genitivo, ablativo, locativo, instrumental, dativo, acusativo e vocativo”. O caso ablativo tem a idéia fundamental de origem ou o ponto de partida de onde uma coisa procede. Quando Paulo está dizendo “de glória”, no grego está assim: “apo doxis”, que significa “de glória”. Então esta frase é assim: “apo doxa eis doxa”, que significa de “de glória em glória”. Isto indica que algo foi realizado na eternidade passada, em seguida ele aponta para algo que está sendo realizado no presente, tendo em vista a eternidade futura.
Vamos atentar para alguns exemplos da ocorrência da preposição “apo” para compreendermos melhor.
 Paulo diz assim em Romanos, capítulo 8, versículo 29: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”. Aqui, temos a preposição “apo”.
Depois em Efésios, capítulo 1, versículo 4, Paulo diz: “assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo”.
Ainda em Filipensses, capítulo 2, versículo 13, Paulo diz: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”.
Veja que nestes três exemplos podemos perceber que a nossa Salvação é de acordo com a presciência de Deus. Foi algo que Ele decidiu na eternidade em Cristo Jesus - nos escolher para o louvor da glória da Sua graça. Deus nos escolheu de acordo com a Sua presciência - foi algo que Ele viu e escolheu em Cristo. É isto que significa esta primeira preposição “apo”.
Ainda podemos ver este texto de Filipensses capitulo 2, versículo 13, “que é Deus que efetua em nós o querer”.
Vamos atentar para este princípio, em Efésios capitulo 1, versículo 5, quando Paulo diz assim: “nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.
Note esta palavra na sua Bíblia “beneplácito”. Esta palavra no grego é “eudokia”, que significa deleite, prazer, satisfação. Esta palavra foi usada no Evangelho de Lucas no capítulo 2, versículo 14, que diz assim: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”.
Ainda em Efésios, capítulo 1, versículo 9, olhe o que Paulo diz: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo”.
Esta palavra “propusera” - mais um termo rico na língua grega - ocorre apenas três vezes em todo o Novo testamento: Rm 1.3; Rm 3.25 e Ef 1.19. Esse vocábulo no grego é “protithemai”; é um composto de dois vocábulos.
O primeiro é “pró”, que significa “antes”. E “tithemes”, significa estabelecer, determinar. Então aqui nós temos a palavra “protithemai”, que significa estabelecer ou determinar antes.
Romanos, capítulo 3, versículo 25, diz assim: “a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”. Veja isto!  Deus propôs, determinou antes no seu sangue.
Para ilustrar melhor isso vamos ler 1 Pedro capítulo 1, versículos 18 ao 20: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós.
Que concordância perfeita nós encontramos na Palavra de Deus! É interessante vermos outra palavra: “conhecido”, esta é a palavra grega “proginosko”, que significa “conhecia antes”. Deus propôs antes porque conheceu antes. Ele não conheceu os atos das pessoas, mas as pessoas em si. É nisto que está ligada a presciência de Deus: as pessoas e não aos seus atos. Portanto, na preposição “apo”, vemos a salvação na esfera da eternidade.
Agora temos outra preposição: “eis doxa”, que é a preposição “eis”, “de glória em”; a preposição “em”. Nesta segunda preposição, Paulo, como se descesse na esfera do tempo, começa a ter uma visão da Salvação. É justamente isso que esta preposição indica - “até que”. A nossa salvação começa na eternidade em Deus e Ele executa no tempo. Então, nesta outra preposição, vamos ver que isto está ligado às 42 estações, na jornada de 40 anos do povo de Israel no deserto. Aqui compreendemos a nossa salvação. Nossa Salvação é – toda - um ato soberano da parte de Deus!
Paulo diz assim em Efésios, capitulo 4, versículo 30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Veja a preposição “para” que é “eis” que na língua grega significa “até que”. Neste texto a Redenção aponta para a glória vindoura.
Em 2 Coríntios, capitulo 1, versículo 22, Paulo diz assim: “que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração”. No capítulo 5, versículo 5, diz “Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito”.
Também, Efésios, capitulo 1, versículos 13 e 14, diz assim: “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.
Nestes versos, ele fala de penhor e não de selo. Essa palavra “penhor” no grego é “arrhabon”, significa “garantia, calção”. Significava o sinal que o comprador tinha que depositar e pagar adiantado, ao ser fechado o negócio, e que o restante do pagamento viria depois. Somente Paulo usou esta palavra. E o seu objetivo era nos revelar que o Dom do Espírito que Deus nos deu e nos dá, agora é um sinal, uma garantia, um antegozo da vida que nós, como cristãos em Cristo Jesus, um dia viveremos, quando entrarmos na era vindoura. Paulo está dizendo o que nós estamos experimentando no Espírito Santo é uma pequena parte de tudo aquilo que um dia, na era vindoura, iremos experimentar. Mas não somente isso! Porque hoje estamos olhando obscuramente, um dia veremos face a face.
Mas também, Paulo diz que Ele nos selou com o Seu Espírito. A palavra “selado” no grego é a palavra “sphragizo” que significa “marcar com um selo, selar com segurança, marcar pela impressão de um sinal, a fim de provar, confirmar a propriedade, autenticidade, autoridade”. Essa palavra ocorre 15 vezes em todo o Novo Testamento.
Em 2 Coríntios, capítulo 11, versículo 10, vemos uma ilustração gloriosa do significado desta palavra. Neste texto Paulo diz: “A verdade de Cristo está em mim; por isso, não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia”. Veja o que ele diz: “não me será tirada”. Este é o mesmo vocábulo da língua grega - “sphragizo” - que Paulo usou em Efésios 1.13. Em Efésios capitulo 4, versículo 30, Paulo diz “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.
Então, irmãos e irmãs, o selo é a estampilha que nosso Pai Celeste coloca em nós para mostrar que pertencemos a Ele, que somos Seus filhos e que somos herdeiros da grande herança vindoura. Creio que esta expressão “o dia” refere-se àquele Majestoso e grande Dia em que nós iremos nos encontrar com o nosso Bendito e Eterno Salvador.

Esse termo “selado” tem três significados principais:

Primeiro – fala de autenticidade, autoridade.
Segundo – fala de propriedade.
Terceiro – fala de segurança.

O selo tem uma imagem especial que pertence unicamente a uma pessoa e, portanto quando você vê aquele selo ou aquela imagem em alguma coisa, você sabe que é propriedade ou posse de uma determinada pessoa. É isso que nós temos que entender! É isso que o Senhor está nos falando agora, sobre o “Selo do Espírito”. Portanto, eu e você precisamos saber que Deus colocou em nós a Sua marca, o Seu Selo, como garantia de que nesta jornada espiritual, Ele não apenas nos escolheu na eternidade, mas está trabalhando em nós por meio da Palavra, do Espírito, da Cruz, para que nós sejamos, cada dia, alcançados por Ele nesta magnífica Obra, nesta poderosa Obra. Essa Obra que vai completar-se até o Dia da Redenção, até o Dia da entrada na Era Vindoura. Essa é a garantia, essa é a certeza. Ele quer que você viva a vida cristã tendo esta garantia, esta certeza do trabalhar Dele na sua vida.
Que Ele nos abençoe por meio da sua Gloriosa Palavra.

As 42 Jornadas no Deserto



Introdução - Parte 01
Texto: Nm 33: 1-49

Meus irmãos e irmãs! Nós vamos estudar sobre as jornadas no deserto. No capítulo 33 do livro de Números, encontram-se todas estas 42 estações, onde o povo de Israel esteve no deserto durante toda a sua peregrinação registrada no Pentateuco, especialmente nos livros de Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio. Este capítulo (Nm 33) trata da peregrinação do povo de Israel pelo deserto no período de 40 anos.
No aspecto espiritual podemos ver aqui, numa visão neotestamentaria, a nossa peregrinação espiritual até a terra prometida. Nossa viagem espiritual do Calvário até a Nova Jerusalém.
Em Provérbios capítulo 4, versículo 18, Salomão disse: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”.  É interessante notar que a palavra “perfeito”, na Bíblia, dá a idéia de algo maduro, algo completo, de plenitude espiritual, de amadurecimento espiritual.
A vida cristã é uma carreira que temos que percorrer. Por um lado, Deus em Cristo nos salvou; este é um fato! Mas por outro lado, temos que viver a vida cristã de acordo com esta “tão grande salvação” que Deus nos deu em Cristo. Precisamos considerar algo importante aqui. Por um lado temos a soberania de Deus em nos escolher na eternidade passada e manifestar em nós as “riquezas da sua graça” por meio desta salvação, por meio da Redenção em Cristo. Por outro lado nós temos a responsabilidade em relação à escolha de Deus. Isto é, precisamos viver um Evangelho a altura da graça de Deus. Precisamos corresponder a esta graça operando em nós. Precisamos compreender que temos uma vida responsável para viver. Temos uma vida para percorrer. Não podemos viver acomodados em relação à eleição. Nós temos uma carreira cristã a percorrer! Temos que compreender que tudo o que Deus fez e faz, e tudo o que ele está fazendo, tem em vista o Reino. Por isso estudar estas 42 jornadas é algo muito importante para compreendermos até mesmo nossa vida aqui, porque em cada uma destas estações nós vamos extrair grandiosas lições para a nossa vida cristã.
No livro de Apocalipse, capítulo 1, versículo 6, João nos revela que “Deus nos redimiu em Cristo Jesus, para nos constituir reino de sacerdotes”. Nós não podemos pensar na Redenção como algo que Deus fez para nos livrar do inferno e para tratar com os nossos pecados. Nós temos feito da Redenção algo muito pobre na nossa experiência cristã. Quando lemos este texto, vemos que Ele nos salvou e nos redimiu para fazer de nós reino. Reino é para administração, para o governo de Deus em Cristo e com Cristo. O Sacerdócio é para ministrar a Deus. Isto mostra o quanto a nossa vida cristã é rica em todos os aspectos
Em Efésios capítulo 4, versículos 12 e 13, vemos que a vida cristã é vivida em estágios. Paulo diz assim: “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Percebemos aqui quatro estágios em nossa vida cristã:

Primeiro – Unidade da fé.
Segundo – O pleno conhecimento do filho de Deus.
Terceiro – À perfeita varonilidade.
Quarto – À medida da estatura da plenitude de Cristo.

Em Filipenses, capítulo 2, versículo 12, Paulo diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.

Ainda podemos ler Hebreus, capítulo 12, versículo 1, quando o escritor desta maravilhosa Epístola diz: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.
Veja que em Efésios capítulo 4, ele diz: Até que todos cheguemos”. Nós precisamos chegar, precisamos avançar, precisamos correr. Mas para isso temos alguns degraus, temos alguns estágios.

Depois, em Filipensses 2.12, Paulo diz: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.

E o escritor aos Hebreus diz no capítulo 12.1: “corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

O melhor exemplo que temos para compreender isso, com toda esta verdade, é o próprio Apóstolo Paulo. Veja que ele começou a correr a carreira cristã em Damasco, em Atos, capítulo 9. Alguns eruditos dizem que Paulo se converteu provavelmente no ano 35 d.C. - ali ele começou correr a carreira cristã. Depois o vemos correr a carreira cristã aproximadamente entre os anos 55 a 57 d.C.. Então, ele escreve a primeira carta aos Corintios. E no capítulo 9, versículos 24 a 27, ele diz: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”
Ele estava correndo, estava avançando com perseverança na carreira que o Senhor havia lhe proposto. Ele desejava chegar à unidade da fé, do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo; ele estava desenvolvendo a Salvação com temor e tremor.
Depois observamos que sete anos se passaram. Agora ele está preso em Roma. Aqui ele escreve aos irmãos em Filipensses capítulo 3, versículo 12, e diz assim: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”.
Ele continua correndo! Ele tinha certeza que ainda não tinha chegado ao final, que ainda não tinha completado a carreira. Mas ele disse: “mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”. E nos versículos 13 e 14, ele continua: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Continuando a estudar a vida de Paulo, percebemos que mais dois anos se passaram, e ele está perto da sua morte. Agora ele escreve a sua segunda carta a Timóteo, e diz no capítulo 4, versículos 7 e 8: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”
Portanto, amados irmãos e irmãs, essas 42 estações revelam os estágios da vida cristã, os quais temos que percorrer. A nossa vida espiritual é assim, de estágio em estágio. A história da peregrinação no deserto, baseada em Números capítulo 33, trata da aplicação espiritual neotestamentaria à Igreja do Senhor Jesus Cristo, da história tipológica da peregrinação do povo de Israel no deserto, desde o Egito até a terra prometida, passando pela península do Sinai, por volta de Edom e Moabe. Segundo o ensino do Novo Testamento, tal peregrinação serve como exemplo à nossa peregrinação espiritual em Cristo. E é justamente isso que iremos estudar.
Na vida da Igreja, tanto quanto na vida de todos e na vida de cada membro do Corpo de Cristo, existe um desenvolver, uma progressão gradual semelhante à progressão da revelação de Deus através da história. É necessário que esta progressão espiritual, coletiva e profética aconteça por etapas, como jornadas, de acordo com a maturidade espiritual da Igreja em cada geração; como aconteceu com o povo de Israel quando peregrinavam pelo deserto.
Para Deus tudo tem o seu tempo. Veja que em 1 Coríntios, capítulo 10, versículos 6 e 11, Paulo diz: “ Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Veja que o Apóstolo Paulo declara algo muito importante referindo-se ao Antigo Testamento, quando o povo Hebreu peregrinava pelo deserto, em sua saída do Egito. Sabemos que eles cruzaram o Mar Vermelho e logo experimentaram uma série de provas. No contexto imediato da leitura bíblica, vemos nos versículos 6 e 11 a seguinte expressão: “estas coisas”. Isto se refere a tudo que o povo de Israel passou em sua peregrinação. Diz mais assim: “que sucederam como exemplo”. Não é somente como história que estamos lendo, mas é exemplo para nós, para que não cobicemos, nem pequenas coisas, como eles cobiçaram, e não venhamos a cair nos mesmos erros que eles caíram. Veja no versículo 11, diz: “foram escritas para advertência nossa”.
Irmãos e irmãs! O que aconteceu com Israel em suas jornadas no deserto não era só para que pudéssemos conhecer e dizer: “bom eles passaram pelo deserto, mas isso não tem nada a ver conosco”. Ao contrário, o Senhor, providencialmente, estava dizendo que aquelas jornadas se deram como exemplo para nós. Todas as jornadas do povo de Israel no deserto, quando tirados do Egito e passados pelo Mar Vermelho, eram exemplos não para eles, mas para nós.
Romanos, capítulo 15, versículo 4, diz assim: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. Note algo maravilhoso a palavra “esperança”. No grego é “elpis”. Essa palavra fala de uma alegria antecipada.
Veja o que está escrito no versículo 13, do capítulo 15 de Romanos: “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo”. Precisamos ver que enquanto percorremos nossa jornada cristã, o Espírito de Deus nos enche de gozo. Ele transmite a nós a realidade daquilo que está preparado para nós.
Veja o que diz o escritor da epístola aos Hebreus no capítulo 11, versículo 13: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”. Aqui temos duas coisas que precisamos considerar:

Primeiro – “vendo-as, porém, de longe”. Aqui temos o vocábulo grego “oida”, que significa ver, prestar atenção, colocar os olhos e não tirar mais; como foco. A expressão longe indica distância na língua grega.
Segundo – “saudando-as”. Essa palavra no grego é “aspazomai”, que significa aproximar-se. A idéia é que à medida que estamos andando em nossa peregrinação espiritual neste mundo, nesta jornada espiritual, tenhamos a Visão da nossa herança cristã entre os santos, tenhamos esta esperança, esta certeza, esta alegria; que tenhamos em nosso coração o testemunho do Espírito Santo de que estamos peregrinando para poder penetrar na terra prometida, naquilo que Deus em Cristo nos dará um dia.

Que Deus, por meio do Seu Espírito, através da Sua Palavra, venha falar ao nosso coração, e que em cada oportunidade essa palavra venha nos atrair mais e mais, nos abençoar mais e mais.


domingo, 25 de março de 2018

JORNADAS NO DESERTO - PARTE 01 (INTRODUÇÃO)



As 42 Jornadas no Deserto
Introdução - Parte 01
Texto: Nm 33: 1-49

Meus irmãos e irmãs! Nós vamos estudar sobre as jornadas no deserto. No capítulo 33 do livro de Números, encontram-se todas estas 42 estações, onde o povo de Israel esteve no deserto durante toda a sua peregrinação registrada no Pentateuco, especialmente nos livros de Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio. Este capítulo (Nm 33) trata da peregrinação do povo de Israel pelo deserto no período de 40 anos.
No aspecto espiritual podemos ver aqui, numa visão neotestamentaria, a nossa peregrinação espiritual até a terra prometida. Nossa viagem espiritual do Calvário até a Nova Jerusalém.
Em Provérbios capítulo 4, versículo 18, Salomão disse: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”.  É interessante notar que a palavra “perfeito”, na Bíblia, dá a idéia de algo maduro, algo completo, de plenitude espiritual, de amadurecimento espiritual.
A vida cristã é uma carreira que temos que percorrer. Por um lado, Deus em Cristo nos salvou; este é um fato! Mas por outro lado, temos que viver a vida cristã de acordo com esta “tão grande salvação” que Deus nos deu em Cristo. Precisamos considerar algo importante aqui. Por um lado temos a soberania de Deus em nos escolher na eternidade passada e manifestar em nós as “riquezas da sua graça” por meio desta salvação, por meio da Redenção em Cristo. Por outro lado nós temos a responsabilidade em relação à escolha de Deus. Isto é, precisamos viver um Evangelho a altura da graça de Deus. Precisamos corresponder a esta graça operando em nós. Precisamos compreender que temos uma vida responsável para viver. Temos uma vida para percorrer. Não podemos viver acomodados em relação à eleição. Nós temos uma carreira cristã a percorrer! Temos que compreender que tudo o que Deus fez e faz, e tudo o que ele está fazendo, tem em vista o Reino. Por isso estudar estas 42 jornadas é algo muito importante para compreendermos até mesmo nossa vida aqui, porque em cada uma destas estações nós vamos extrair grandiosas lições para a nossa vida cristã.
No livro de Apocalipse, capítulo 1, versículo 6, João nos revela que “Deus nos redimiu em Cristo Jesus, para nos constituir reino de sacerdotes”. Nós não podemos pensar na Redenção como algo que Deus fez para nos livrar do inferno e para tratar com os nossos pecados. Nós temos feito da Redenção algo muito pobre na nossa experiência cristã. Quando lemos este texto, vemos que Ele nos salvou e nos redimiu para fazer de nós reino. Reino é para administração, para o governo de Deus em Cristo e com Cristo. O Sacerdócio é para ministrar a Deus. Isto mostra o quanto a nossa vida cristã é rica em todos os aspectos
Em Efésios capítulo 4, versículos 12 e 13, vemos que a vida cristã é vivida em estágios. Paulo diz assim: “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Percebemos aqui quatro estágios em nossa vida cristã:

Primeiro – Unidade da fé.
Segundo – O pleno conhecimento do filho de Deus.
Terceiro – À perfeita varonilidade.
Quarto – À medida da estatura da plenitude de Cristo.

Em Filipenses, capítulo 2, versículo 12, Paulo diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.

Ainda podemos ler Hebreus, capítulo 12, versículo 1, quando o escritor desta maravilhosa Epístola diz: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.
Veja que em Efésios capítulo 4, ele diz: Até que todos cheguemos”. Nós precisamos chegar, precisamos avançar, precisamos correr. Mas para isso temos alguns degraus, temos alguns estágios.

Depois, em Filipensses 2.12, Paulo diz: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.

E o escritor aos Hebreus diz no capítulo 12.1: “corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

O melhor exemplo que temos para compreender isso, com toda esta verdade, é o próprio Apóstolo Paulo. Veja que ele começou a correr a carreira cristã em Damasco, em Atos, capítulo 9. Alguns eruditos dizem que Paulo se converteu provavelmente no ano 35 d.C. - ali ele começou correr a carreira cristã. Depois o vemos correr a carreira cristã aproximadamente entre os anos 55 a 57 d.C.. Então, ele escreve a primeira carta aos Corintios. E no capítulo 9, versículos 24 a 27, ele diz: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”
Ele estava correndo, estava avançando com perseverança na carreira que o Senhor havia lhe proposto. Ele desejava chegar à unidade da fé, do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo; ele estava desenvolvendo a Salvação com temor e tremor.
Depois observamos que sete anos se passaram. Agora ele está preso em Roma. Aqui ele escreve aos irmãos em Filipensses capítulo 3, versículo 12, e diz assim: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”.
Ele continua correndo! Ele tinha certeza que ainda não tinha chegado ao final, que ainda não tinha completado a carreira. Mas ele disse: “mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”. E nos versículos 13 e 14, ele continua: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Continuando a estudar a vida de Paulo, percebemos que mais dois anos se passaram, e ele está perto da sua morte. Agora ele escreve a sua segunda carta a Timóteo, e diz no capítulo 4, versículos 7 e 8: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”
Portanto, amados irmãos e irmãs, essas 42 estações revelam os estágios da vida cristã, os quais temos que percorrer. A nossa vida espiritual é assim, de estágio em estágio. A história da peregrinação no deserto, baseada em Números capítulo 33, trata da aplicação espiritual neotestamentaria à Igreja do Senhor Jesus Cristo, da história tipológica da peregrinação do povo de Israel no deserto, desde o Egito até a terra prometida, passando pela península do Sinai, por volta de Edom e Moabe. Segundo o ensino do Novo Testamento, tal peregrinação serve como exemplo à nossa peregrinação espiritual em Cristo. E é justamente isso que iremos estudar.
Na vida da Igreja, tanto quanto na vida de todos e na vida de cada membro do Corpo de Cristo, existe um desenvolver, uma progressão gradual semelhante à progressão da revelação de Deus através da história. É necessário que esta progressão espiritual, coletiva e profética aconteça por etapas, como jornadas, de acordo com a maturidade espiritual da Igreja em cada geração; como aconteceu com o povo de Israel quando peregrinavam pelo deserto.
Para Deus tudo tem o seu tempo. Veja que em 1 Coríntios, capítulo 10, versículos 6 e 11, Paulo diz: “ Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Veja que o Apóstolo Paulo declara algo muito importante referindo-se ao Antigo Testamento, quando o povo Hebreu peregrinava pelo deserto, em sua saída do Egito. Sabemos que eles cruzaram o Mar Vermelho e logo experimentaram uma série de provas. No contexto imediato da leitura bíblica, vemos nos versículos 6 e 11 a seguinte expressão: “estas coisas”. Isto se refere a tudo que o povo de Israel passou em sua peregrinação. Diz mais assim: “que sucederam como exemplo”. Não é somente como história que estamos lendo, mas é exemplo para nós, para que não cobicemos, nem pequenas coisas, como eles cobiçaram, e não venhamos a cair nos mesmos erros que eles caíram. Veja no versículo 11, diz: “foram escritas para advertência nossa”.
Irmãos e irmãs! O que aconteceu com Israel em suas jornadas no deserto não era só para que pudéssemos conhecer e dizer: “bom eles passaram pelo deserto, mas isso não tem nada a ver conosco”. Ao contrário, o Senhor, providencialmente, estava dizendo que aquelas jornadas se deram como exemplo para nós. Todas as jornadas do povo de Israel no deserto, quando tirados do Egito e passados pelo Mar Vermelho, eram exemplos não para eles, mas para nós.
Romanos, capítulo 15, versículo 4, diz assim: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. Note algo maravilhoso a palavra “esperança”. No grego é “elpis”. Essa palavra fala de uma alegria antecipada.
Veja o que está escrito no versículo 13, do capítulo 15 de Romanos: “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo”. Precisamos ver que enquanto percorremos nossa jornada cristã, o Espírito de Deus nos enche de gozo. Ele transmite a nós a realidade daquilo que está preparado para nós.
Veja o que diz o escritor da epístola aos Hebreus no capítulo 11, versículo 13: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”. Aqui temos duas coisas que precisamos considerar:

Primeiro – “vendo-as, porém, de longe”. Aqui temos o vocábulo grego “oida”, que significa ver, prestar atenção, colocar os olhos e não tirar mais; como foco. A expressão longe indica distância na língua grega.
Segundo – “saudando-as”. Essa palavra no grego é “aspazomai”, que significa aproximar-se. A idéia é que à medida que estamos andando em nossa peregrinação espiritual neste mundo, nesta jornada espiritual, tenhamos a Visão da nossa herança cristã entre os santos, tenhamos esta esperança, esta certeza, esta alegria; que tenhamos em nosso coração o testemunho do Espírito Santo de que estamos peregrinando para poder penetrar na terra prometida, naquilo que Deus em Cristo nos dará um dia.

Que Deus, por meio do Seu Espírito, através da Sua Palavra, venha falar ao nosso coração, e que em cada oportunidade essa palavra venha nos atrair mais e mais, nos abençoar mais e mais.

CONFERÊNCIA EM ITABERABA


VIDA CRISTÃ NOS LUGARES CELESTIAIS - MENSAGEM 05

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