quarta-feira, 13 de abril de 2011

O CORAÇÃO PREPARADO

CAPÍTULO 13

Por: D. M. Lloyd Jones


"Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações. Afim de, estando arraigados e fundados em amor" Efésios 3:17

Continuamos o nosso estudo do versículo 17 – a petição que o apóstolo faz pelos cristãos efésios – “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé”. Até aqui consideramos de modo geral. Portanto, certamente nada nos é mais importante que saber como chegar a esta posição e, ao mesmo tempo, saber se Cristo habita realmente em nós, e como podemos ser habilitados a gozar este supremo privilégio, que é a maior fonte de alegria.

Como já vimos, há um comum testemunho desta grande experiência de Cristo no coração. Como mais um exemplo e ilustração tomemos o testemunho encontrado num dos hinos de Charles Wesley:

Jesus, és tudo em tudo para mim,

repouso no lidar, na dor alívio;

balsamo ao quebrantado coração

Na guerra és minha paz, na perda lucro;

Meu sorriso à carranca do tirano,

Minha glória e coroa na vergonha.

Esta é a sua experiência? Podemos adotar estas palavras e empregá-las? Cristo significa isto para nós? É isso que acontece quando Cristo habita no coração. Observem a intimidade da relação, a plenitude da satisfação. Cristo é seu “tudo em tudo”, sejam quais forem as circunstâncias e condições? Isto é experimental, é experiência pessoal; não é mantido só na mente; não é teoria. Charles Wesley achava a sua completa satisfação em Cristo. Ele tinha provado a veracidade das palavras ditas pelo Senhor, quando Ele afirmara que se alguém fosse a Ele, “jamais teriam sede”, se alguém cresse nEle, “jamais teriam sede”. Ele tinha dentro de si “uma fonte de água viva a jorrar para a vida eterna”.

Chegamos, pois, a esta questão sumamente prática e essencial: como é possível isso? O apóstolo responde: “pela fé” – “para que Cristo habite pela fé” ou, “mediante a fé”. Podemos considerá-la em termos da figura a que nos referimos previamente, de Apocalipse 3:20, onde Cristo diz:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”

Que significa “abrir a porta”? e como isto se relaciona com a fé? Para responder estas perguntas de maneira prática, devemos começar com Ef 3:16:

para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;”

Disto ninguém é capaz por si mesmo. Mas neste ponto surge o perigo de pensarmos que, por causa desta ênfase à obra primária do Espírito Santo, temos que ficar passivos, á espera de que nos aconteça algo. A verdade sobre esta questão foi expressa uma vez e para sempre na Epístola aos Filipenses 2:12,13, onde o apóstolo diz:

12... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; 13 porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

Temos aqui o equilíbrio certo e a seqüência certa. O apóstolo começa com uma exortação, quase uma ordem: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”. Aí está o imperativo; aí está uma coisa que eu e você temos que fazer. Todavia imediatamente ele acrescenta: “porque Deus é quem efetua em vós”. Não fora o fato de que Deus “efetua em vós tanto o querer como o realizar”, nunca poderíamos fazer coisa alguma. Nossa vontade, como vimos, precisa ser estimulada e fortalecida; necessitamos do poder. E é porque Deus “efetua em vós tanto o querer como o realizar”, que podemos “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.

Passemos à resposta positiva à questão desta expressão. “pela fé”. Não podemos fazer melhor do que tomar a descrição que nos é oferecida na epístola aos Hebreus cap. 11. Um capítulo escrito com o fim de nos dar um relato e uma descrição daquilo que realmente constitui a vida pela fé. Não é uma estado passivo, como veremos, porém primária e essencialmente uma atividade; e o autor resume o ponto para nós no versículo 13:

“Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.”

À luz desta definição da fé, podemos agora descobrir o verdadeiro significado das palavras: “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé”. O primeiro princípio envolvido é que eu devo “ver” isto – “vendo-as, porém, de longe” (as promessas). Noutras palavras, devo reconhecer o ensino, em vez de lê-lo superficialmente. Devo ser cativado por ele. Os homens retratados em Hb 11, viviam neste mundo, como nós, e lhes chegou uma mensagem de algo diferente, algo procedente de Deus. E estes homens de fé a “viram”. Noé é um exemplo claro disso. Ele ouviu a mensagem de que Deus estava para destruir o mundo com um dilúvio. Ele “viu” essa mensagem, e fez algo a respeito.

O que diferencia os cristãos de todos os outros, em primeira instância, é que eles “vêem” algo. Assim, a questão vital, quando consideramos a possibilidade de Cristo habitar no coração, é: vemos esta possibilidade? Eu os estou conduzindo para os domínios dos heróis da fé, para os domínios em que o apóstolo Paulo e os cristãos primitivos viram. A menos que vejamos isto como uma realidade concreta, obviamente jamais o experimentaremos.

Muitos quando lêem essa passagem e começam a ter alguma compreensão dela e a “vê-la”, não vão adiante, pois raciocinam como segue: certamente é verdadeira com relação a muitos cristãos; isto só vale para pessoas excepcionais. Muitos há que pensam e argumenta desta maneira. O diabo veio e lhes sugeriu que, naturalmente, está é uma experiência perfeitamente genuína, mas nunca destinada a toda gente.

No entanto, as dificuldades podem tomar outra forma. Alguém poderá dizer: por certo, esta experiência é maravilhosa, e eu gosto de ouvir e ler sobre ela; porém obviamente não se destina a mim; sou um homem de negócio, e me preocupo com os quefazeres desta vida. Ou, sou um profissional muito ocupado. Posso ver com muita clareza que, se eu não tivesse mais nada a fazer, senão passar meus dias estudando, concentrando na vida cristã, e pudesse dedicar-me a esta questão, não tenho dúvida de que seria possível. Entretanto, estou imerso em questões de negócio; decerto esta experiência é completamente impossível para mim.

A resposta pura e simples a esta alegação é que o apóstolo Paulo a considerava possível para cada um dos membros da igreja de Éfeso. Estes cristãos primitivos eram escravos, não eram senhores de si, eram forçados a trabalhar, labutar, suar. Não tinham instrução, conhecimento e cultura, e estavam mergulhados nos mais sórdidos pormenores da vida. Todavia, o apóstolo garantia que isto lhes era possível.

Assim devemos deixar-nos persuadir pelo ensino de que esta experiência é possível a cada um de nós. Não está restrita a pessoas proeminentes; tem sido a experiência das pessoas mais comuns. O que temos que fazer é confiar nisto, vê-lo, ficar convencido disto. Se não ficarmos convencido de que isto é possibilidade para nós, obviamente não o buscaremos.

O termo subseqüente, de Hebreus 11:13, afirma que eles “abraçaram as promessas”. Cada termo dá mais um passo. No momento em que estas pessoas se persuadiram das promessas, desejaram tomar posse delas; começara, a desejar ardentemente o seu cumprimento. Abraçar as promessas significa ter fome e sede delas. Persuadidos de que elas foram destinadas para eles, estes agora começaram a ter fome e sede delas e, então, apropriar-se delas.

Uma excelente exposição disto se acha num hino de Gerhard Tersteegen, um piedoso um piedoso cristão do século dezoito, que tinha experimentado estas coisas. Ele não somente havia “visto” esta realidade; ficara convencido dela e abraçara:

Tu, oculto Amor de Deus, cuja altura

e cuja profundeza ninguém sonda

de longe vejo Tua luz esplêndida

anelo teu repouso desfrutar.

Meu coração se aflige e não repousa

enquanto em Ti repouso não achar.

Ele não somente vira isto como uma possibilidade intelectual; tornara-se uma realidade espiritual para ele. Temos nós visto a possibilidade? Desejamo-la? Nós a temos buscado? Há muitos hoje que têm tomado tantas coisas pela fé, que nada têm.

A expressão que vem a seguir, em Hebreus 11:13, é vitalmente importante. Eles “confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.” Este é o ponto em que eles começaram a agir. Se deixarmos de agir com base no que abraçamos, tudo será em vão. No caso dos vigorosos homens de fé que fala Hebreus 11, vemos que toda a sua vida e perspectiva era determinada, dominada por esta experiência. Quando Abraão abraçou esta promessa, deixou a sua terra e partiu “sem saber para aonde ia”. Ele confessou, agiu, toda a sua vida tornou-se um testemunho da realidade de Deus. Uma vez que vejamos isto, e estivermos convictos disto, e o abracemos, isto vem a ser o motivo dominante da nossa vida e o centro do nosso ser. Desejar Cristo no coração faz-nos prontos a renunciar a todas as coisas, enquanto não O tivermos.

Para este fim, o primeiro passo que devemos dar é manter esta questão nas nossas mentes. A única maneira de fazê-lo é ler a Bíblia, e especialmente passagens como esta e outras semelhantes, e então meditar nisso, pensar nisso com freqüência e, deliberadamente, fazer a sua mente dirigir-se a isso. Outra prática de inestimável valor e ler sobre os santos do passado, suas biografias. Observem como eles buscavam esta experiência.

Acima de tudo, temos que lembrar constantemente que está envolvido nisto um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus. Isso é absolutamente central. Estamos falando acerca dEle, acerca de Cristo no coração, e da experiência que decorre da intimidade com Ele.

O segundo ponto que temos que compreender é que certas coisas são completamente incompatíveis com esta experiência. Se Cristo está em nossos corações, certas outras coisas não devem e não podem estar em nossos corações. Uma declaração muito clara sobre este aspecto da experiência acha-se em 2 Coríntios 6:14-16, onde lemos:

“14 Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 16 Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”

Não há necessidade de argumentar sobre isto. Certas coisas são incompatíveis. Não há concórdia entre Cristo e Belial. Se Cristo está em meu coração, há certas coisas que têm que sair do meu coração.

Então, se verdadeiramente buscarmos esta experiência e a abraçarmos, temos que tomar uma atitude a respeito. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”, diz o apóstolo João 2:15. Vocês não podem ter o amor do Pai e o amor do mundo ao mesmo tempo. Portanto, se quiserem Cristo em seus corações, livrem-se do mundo e d sua mentalidade, da sua perspectiva, da suas atitudes. Depois verão que ainda permanece um inimigo, e este é o mais astuto de todos, a saber, o ego. Cristo e o ego pecaminoso não podem permanecer no coração ao mesmo tempo. Tomemos por exemplo da experiência de um santo protestante francês Teodoro Monod:

Amarga vergonha e tristeza

haver alguma ocasião

em que o Salvador, com piedade,

clame em vão e obtenha a resposta:

“Do ego tudo, e nada de Ti!”

Mas Ele me achou; contemplei-O

na maldita cruz a sangrar,

e lhe ouvi falar: “Pai, perdoa-lhes!”

Minha alma anelante suspira:

“Do ego um pouco, e um pouco de Ti!”

Mesmo após ter-se tornado cristão e ter cessado de dizer: “Do ego tudo, e nada de Ti”, houve um estágio que ele dizia: “Do ego um pouco, e um pouco de Ti”. Ele continua:

Sua eterna mercê, dia a dia

curando, ajudando em plena graça,

vigoroso, suave e paciente,

fez me abaixar, e eu sussurrei:

“Do ego menos, e mais de Ti!”

E então ele chega ao pináculo:

Mais alto que o mais alto céu,

mais fundo que o mais fundo mar,

Senhor, Teu amor enfim venceu;

atende agora esta oração:

“Do ego nada, e tudo de Ti!”

Conhecemos algo desses estágios? Tem que ser Cristo ou o ego. Enquanto estivermos dominando nossas as vidas, Cristo não estará; portanto, não somente as coisas têm que sair; o ego também. O Espírito já nos está fortalecendo com o Seu poder no homem interior, e é porque Ele o faz que nós temos que fazer estas coisas. Se vocês desejam de fato Cristo em seus corações, têm que pôr em prática esta exortação. Não há outro meio. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). “E os que são de Cristo Jesus”, declara Paulo, “crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”.

Depois, o passo seguinte é o da oração. Devemos dar-nos conta da nossa total dependência do Senhor. Devemos dar ouvidos à exortação: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”; mas também devemos dar-nos conta da nossa total dependência do Senhor. Torno a recorrer a Gerhard Tersteegen. Tendo percebido o que é que necessitava e não conseguindo achá-lo, ele prossegue:

Ó divino Amor, auxilia-me

de vãos cuidados a livrar-me;

segue e apanha a minha vontade

em meu confuso coração:

faze-me Teu dócil filho, para

eu sempre clamar; “Aba, Pai!”

Vocês oram desta maneira ao Senhor? Esta é a oração de um homem que verdadeiramente está abraçando e confessando estas coisas. Assim, ele clama por ele, anseia por ele, roga-o ao Senhor. A oração é essencial.

Finalmente, é preciso haver perseverança. Devemos continuar e persistir. Haverá muitas ocasiões de desânimo. Pode ser que vocês se sintam muito piores do que antes. Contudo, prossigam, continuem, perseverem. Este é o seu processo; Ele os está conduzindo avante. E temos a Sua definida promessa e garantia: “e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”. Desse modo, geralmente sucede que o primeiro passo na vinda desta experiência de: “cristo no coração” é que nos é dada uma visão do negror dos nossos corações, do horror do ego, e da vida egocêntrica que nos assusta e faz com que fiquemos completamente desesperados. Todavia é precisamente isto que Ele quer que sintamos. É só quando ficamos completamente desesperados e nos sentimos totalmente sem esperança, que olhamos para Ele e compreendemos a necessidade do fortalecimento do Espírito no homem interior, oramos por esta benção como nunca oramos antes. Então Ele cumprirá a Sua promessa: “Eu Me manifestarei a você; virei e farei Minha habitação em você; Eu e o meu Pai habitaremos em você”.

AS 42 JORNADAS NO DESERTO - CAPÍTULO 101

Monte Sefer – 20ª Estação

TEXTO: Números 17:1-8; Efésios 3:7-8

Vamos dar continuidade a esta 20ª estaçãoMonte Sefer. Aqui nós estaremos estudando o capítulo 17, versículos de 1 a 8, do livro de Números, que diz assim:

1 Disse o SENHOR a Moisés: 2 Fala aos filhos de Israel e recebe deles bordões, uma pela casa de cada pai de todos os seus príncipes, segundo as casas de seus pais, isto é, doze bordões; escreve o nome de cada um sobre o seu bordão. 3 Porém o nome de Arão escreverás sobre o bordão de Levi; porque cada cabeça da casa de seus pais terá um bordão. 4 E as porás na tenda da congregação, perante o Testemunho, onde eu vos encontrarei. 5 O bordão do homem que eu escolher, esse florescerá; assim, farei cessar de sobre mim as murmurações que os filhos de Israel proferem contra vós. 6 Falou, pois, Moisés aos filhos de Israel, e todos os seus príncipes lhe deram bordões; cada um lhe deu um, segundo as casas de seus pais: doze bordões; e, entre eles, o bordão de Arão. 7 Moisés pôs estes bordões perante o SENHOR, na tenda do Testemunho. 8 No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que o bordão de Arão pela casa de Levi, brotara, e, tendo inchado os gomos, produzira flores, e dava amêndoas.”

Temos aqui algo acerca do agir de Deus, algo muito importante para nós. Quando Números 17:4 diz:

“E as porás na tenda da congregação, perante o Testemunho, onde eu vos encontrarei,

nós temos algo muito especial acerca do “Testemunho de Deus”. Isso tem que ser notório para nós. Veja que Números 17:8 diz que “o bordão de Arão floresceu diante do Senhor”. Cada um daqueles príncipes havia trazido sua vara, que espiritualmente significa a nossa condição natural, morta, diante do Senhor. Diante de Deus somos como varas secas, sem vida em nós mesmos. Uma vara seca significa algo morto. No sentido espiritual, vemos aqui a ressurreição, a intervenção divina mediante a obra da graça em Cristo, sobre aqueles que Ele escolheu. Precisamos aprender aqui algumas lições sobre autoridade espiritual, porque sabemos muito bem que o contexto desta 20ª estação é a estação de Queelata (Números 16), onde três príncipes, Datã, Coré e Abirão, levantaram-se contra a autoridade de Deus na vida de Moisés e Arão. Agora Deus está dando para eles o fundamento da legítima autoridade espiritual. Por isso, para podermos entender esta 20ª estação, Monte Sefer, temos que estudar Números 17 com muita reverência e santo temor. O povo de Israel, agora rodeando as cordilheiras de Seir, chegou até este monte. E aqui nós temos que aprender algumas lições sobre autoridade espiritual.

1ª lição: Autoridade espiritual no Corpo de Cristo, isto é, na Sua igreja, é mediante a vida pelo fluir da ressurreição de Cristo. O fluir da vida de ressurreição é que nos traz poder e autoridade na Igreja, que é o Corpo de Cristo.

2ª lição: Sempre que passamos por noites escuras, de provações, como aconteceu em Números 16, onde lemos que a terra abriu e Datã, Coré e Abirão, com as suas famílias, foram tragados vivos (aproximadamente 250 pessoas), experimentamos o mover de Deus. Muitas vezes na nossa jornada espiritual passamos por provas, por noites frias e escuras. É aqui que Deus manifesta Seu poder sobre aqueles que Ele escolheu para ministrar mediante o fluir do poder da ressurreição.

3ª lição: A autoridade espiritual no Corpo de Cristo provém da ressurreição, do fluir da vida em Cristo Jesus, de um modo que isso se torna patente, evidente, através daquelas pessoas as quais Deus chama, prepara, capacitando-as para poderem servir Deus neste governo, nesta autoridade espiritual, para a edificação do Seu corpo.

4ª lição: Somente aqueles que experimentaram o poder da vida e ressurreição têm legítima autoridade espiritual no Corpo de Cristo, porque ninguém pode fazer-se líder sobre o povo de Deus. Ninguém pode se impor, pois o que temos como consequência é carnalidade, força humana, o vazio. Muitas pessoas se autointitulam mestres, pastores, apóstolos, evangelistas, profetas. Mas, como disse Judas, são árvores sem sombras desprovidas de frutos. A pessoa não tem uma frutificação, porque tudo que ela tem é carne, é natural. Qual a razão de muitos hoje buscarem na psicologia, na psiquiatria, alternativas para poderem encher seu ministério, para poderem servir o povo de Deus? Os apóstolos não tinham nada disso. A única coisa que eles tinham era a expressão clara do poder da ressurreição de Cristo em suas vidas, para poderem ministrar o próprio Cristo. Eles não tinham truques de psicologia, de psicanálise, mas muitos têm feito uso disso – cursos de finais de semana com o objetivo de ajudar o povo de Deus. Temos que compreender que o nosso recurso é uma vida de comunhão com Deus, um chamado, como foi chamado Arão, como diz Hebreus 5:4:

“Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão.”

O que precisamos é de um chamado eficaz com relação à obra e ao ministério.

5ª lição: Para impedir que o homem introduza na vida da Igreja coisas provenientes de sua vida natural, devemos aprender a lição mediante a vara de amendoeira, isto é, a vara de Arão que floresceu. A vida e o poder da ressurreição de Cristo Jesus são os elementos vivos que caracterizam a autoridade espiritual de Deus na nossa vida. Essa é a vida que sustenta a Igreja. Somente aquilo que provém da vida nova, da vida em ressurreição, da vida de Cristo Jesus, deve fazer parte da Igreja do Senhor Jesus; deve ser a expressão de governo, de autoridade, na vida daqueles que Ele escolheu.

Em Efésios 3:7-8, temos uma visão clara de tudo isso na prática, na experiência. Diz assim:

“(...) do qual fui constituído ministro (...)”

Observem a palavra “ministro”. Aqui a palavra é “diakonos”. Porque alguns podem tomar esta palavra ministro e dar a ela outro sentido daquilo que Paulo não está dando, de acordo com o original grego, como esta palavra foi escrita. Aqui Paulo diz: “do qual fui constituído diakonos” alguém que serve. Continuando, ele diz:

“(...) conforme (...)”

A palavra aqui é a preposição grega “kata” e significa de acordo com.

“(...) de acordo com o dom da graça de Deus a mim concedida segundo a força operante do seu poder”.

E ele continua:

“(...) A mim, o menor (...)”.

Essa expressão, “menor”, no grego, é “elachistoteros”. A tradução exata, literal, dessa palavra para a nossa língua é o resultado do nada com o nada; uma pessoa que chegou ao fim de si mesma.

Ele diz:

“(...) A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça (...)”.

“Graça de acordo com o serviço”, isto é, ministrar aos santos.

“(...) de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”.

“De acordo com esta graça”. Qual “graça”? Veja no v. 7: “o dom da graça de Deus a mim concedido”. É desta graça que ele está falando, pois, como ele mesmo diz, de si mesmo, o que ele tinha para oferecer? Paulo foi um dos homens mais cultos do seu tempo. Um dos homens mais bem preparados do seu tempo. Entre os apóstolos, talvez não tivesse ninguém que com o conhecimento intelectual de Paulo. Sabe o que ele diz lá em Filipenses 3:7? Diz que considerou o seu conhecimento como refugo, porque seu único desejo era ganhar a Cristo, ser achado em Cristo. Isso é sinônimo de vida espiritual, de maturidade, de experiência, vida com Deus. Irmãos e irmãs, quantas alternativas nós temos buscado para poder ministrar Cristo! Cristo só pode ser ministrado em vida pelo Seu poder, não pela capacidade do homem. O máximo que o homem consegue fazer é discurso vazio. Qualquer orador secular pode fazer melhor. Com muita criatividade, perspicácia, inteligência, intelecto, qualquer pessoa pode fazer uma extraordinária exposição da mensagem cristã. Mas o diferencial entre o homem que tem experimentado o poder da ressurreição de Cristo em seu coração e alguém que está falando por sua capacidade própria, é que as palavras de um não produz nada ou pode produzir morte. Mas o homem cheio do Espírito Santo, cheio da vida ressurreta de Cristo Jesus, é diferente. Quando você fala de alguém cheio do poder do Espírito Santo... O que é o poder do Espírito Santo? O poder do Espírito Santo é a essência, é a expressão da vida de Cristo! Essa vida poderosa, ressurreta, é o poder que o Espírito ministra a nós. Então temos que ser claros quanto a isso. Uma pessoa que ministra segundo Cristo, não ministra para agradar, ministra para que Cristo seja glorificado. E Cristo só é glorificado em corações que já foram semeados pela Sua palavra. Então, precisamos compreender que há um diferencial muito grande, e é disso que Paulo está falando: alguém que chegou ao fim de si mesmo, alguém menor – “elachistoteros”. Não podemos querer glória, nos vangloriar (embora o mais sublime privilégio que alguém pode ter, nesta vida, seja poder proclamar a palavra de Deus). O maior privilégio que alguém pode ter nesta vida é proclamar o Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo Jesus. É disso que Paulo fala: do Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. Há tanto de Cristo para ser ministrado, que nunca iremos chegar ao fim da essência daquilo que é Sua vida e que flui por meio do Evangelho. Nunca iremos chegar ao fim disso. Passaremos toda a eternidade descobrindo as insondáveis riquezas de Cristo.

Paulo diz no versículo 9:

”(...) e manifestar qual seja a dispensasão do mistério desde os séculos oculto em Deus que criou todas as coisas”.

Nesse contexto, o termo “mistério” refere-se ao mistério de Cristo. Só há dois grandes mistérios universais: o mistério de DeusCristo – revelado em Colossenses 3; e o mistério de Cristoa Igreja. O mistério de Deus é Cristo, o mistério de Cristo é a Igreja. Esse mistério é revelado aqui em Efésios, no capítulo 3.

Somente sendo um servo, somente sendo ministro, aquele que serve. E este é o grande papel do ministério: servir aos irmãos, e não se servir dos irmãos; não se trata de um cabide de empregos. É um privilégio, um encargo, um chamamento glorioso e divino, que Ele não concede a qualquer pessoa, somente àqueles, os quais Ele escolheu, como chamou Arão. Assim, vemos Paulo dizer: “este encargo de servir aos irmãos”, embora sejamos tão pequenos. Porque quando estamos diante desse encargo não vemos em nós grandeza, porque não há lugar para alguém se gloriar em si mesmo, a não ser se gloriar na graça de Deus. Paulo se sentiu tão pequeno diante deste privilégio de pregar o Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e também ministrar, manifestar, o mistério de Cristo – esse mistério que esteve oculto em Deus que criou todas as coisas. E tudo isso só poderá ser ministrado, dispensado, na vida daqueles que têm experimentado o poder da ressurreição de Cristo.

Que Deus, de forma gloriosa e poderosa, magnifique essa palavra no seu coração.