quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS"

ESTUDO DA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS - EFÉSIOS 3

Por: M. D. Lloyd Jones

"E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor." Efésios 3:9-11

Com estas palavras, como a palavra “E” indica, o apóstolo dá conti¬nuidade ao tema sobre a tarefa do ministério cristão, de tornar conhe¬cida a mensagem do evangelho. Até aqui ele esteve tratando dos benefícios pessoais particulares, individuais, que todos nós podemos auferir se cremos no Senhor Jesus Cristo e em Seu evangelho. Mas a mensagem não pára nesse ponto. Paulo continua: "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou". Noutras palavras, a mensagem cristã e a salvação cristã não são unicamente pessoais. O evangelho é pessoal, e sempre começa com o pessoal; porém vai além do pessoal e do individual, abrangendo algo maior e mais amplo. Este amplo propósito é alcançado, como veremos, por meio do pessoal; todavia é importante para nós que compreendamos que o evangelho de Jesus Cristo, além e acima do que nos dá a título de salvação pessoal, tem também um âmbito maior, um escopo mais amplo. Para isto o apóstolo chama a atenção dos efésios nestes três versículos.
O evangelho sempre tem que ser pregado num mundo de problemas e sofrimentos, de guerras e derramamento de sangue, mundo em que as pessoas vivem perplexas e levantando questões. A questão mais comum que o mundo apresenta à Igreja é: que é que o cristianismo tem para dizer sobre a situação mundial? Que é que o cristianismo tem para dizer acerca de todos os problemas que confrontam a humanidade de maneira tão aguda na época atual? O cristianismo oferece alguma esperança? Tem ele alguma luz para dar-nos na situação, na angustiosa situação em que nos encontramos? Estas questões são perfeitamente legítimas e justas; na verdade, devemos incentivar as pessoas a fazê-las mais e mais, pois nestes três versículos temos a inspirada resposta do apóstolo precisamente a estas questões. Nada é mais relevante para a situação da hora presente do que a declaração que temos diante de nós. De fato não há questão que possa ocorrer a qualquer homem, que não seja respondida de maneira completa e final nalgum lugar das Escritu¬ras Sagradas. Assim, que é que o cristianismo tem para dizer a respeito do mundo? Há alguma esperança de paz duradoura? Poderá esta mensagem, de um modo ou de outro, estabelecer a concórdia e a amizade entre as nações e entre os homens, que os homens do mundo inteiro dizem esperar e desejar? Em resposta só temos que mostrar e expor o que o apóstolo diz nestes três versículos. Ao fazê-lo, lembremo¬-nos de que isto não é uma opinião do apóstolo Paulo, mas lhe foi "dado", foi-lhe "revelado". Não é sua filosofia pessoal, no entanto é o que o Senhor Jesus Cristo lhe comunicou. Noutras palavras, vamos considerar a resposta de Deus às questões e problemas que afligem a humanidade no presente.

A primeira coisa que o apóstolo diz é que há muita obscuridade com respeito a todo este assunto. Diz ele: "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério". A palavra ver (que aparece na Versão Autorizada), devo assinalar, não traduz adequadamente a palavra que o apóstolo empregou e que significa "iluminar", "infundir luz", "der¬ramar luz sobre" (Almeida: "demonstrar"). Uma parte da sua vocação, diz ele, é iluminar as mentes dos homens com relação a este problema - sendo a implicação, como já disse, que há grande escuridão nas mentes dos homens quanto a isso tudo.
Se os homens e as mulheres fossem sinceros, estariam prontos a confessar a sua ignorância. Para vocês estaria claro o que está aconte¬cendo no mundo? A situação atual enquadra-se em sua filosofia e em suas idéias quanto à vida, à história e ao homem? Quando leio periódicos, livros e jornais parece-me haver densas trevas e terrível confusão. Naturalmente há muitas teorias que ainda estão sendo propostas, como sempre o foram, teorias que tentam explicar o curso da história e o que está acontecendo no mundo. Há alguns que dizem - e talvez esta seja a teoria mais popular no momento, porque por trás está o nome do professor Arnold Toynbee - que todo o processo da história é, num sentido, mera questão de ciclos. Um grande poder se levanta, mas o próprio fato de que se levanta significa que ele estimula aqueles que ele tende a manter por baixo e a oprimir, a se levantarem contra ele. Não só isso, mas, visto que chegou a uma posição de supremacia, ele tende a afrouxar os seus esforços, de modo que há uma espécie de semente de decadência em sua grandeza e em sua glória. Assim, como a sua tendência é decair, outros poderes, estimulados pelo declínio daquele, tendem a elevar-se; e vem o tempo em que aquele grande poder é sobrepujado por estes outros poderes. Aquele cai, estes se levantam; porém estes, por sua vez, ao levantar-se, acabam provo¬cando outros a levantar-se contra eles, e assim se repete todo o processo. Essa, diz Toynbee, é a explicação da história - levantamen¬to e queda; não há nenhum progresso real; os homens simplesmente ficam girando e girando em círculos. Se olharmos para a história superficialmente, parecerá haver muita coisa em favor dessa idéia. Muitos grandes impérios, nações e reinos se levantaram, cresceram, tornaram-se poderosos, e depois se enfraqueceram; e o mundo ainda parece ser muito parecido com o que já foi.
Outro grande historiador, o finado sr. H. A. L. Fisher, dizia com toda a honestidade e franqueza que, depois de passar a vida toda estudando a história, chegara à conclusão solene e simples de que não se encontra nenhum propósito na história. Nela, diz ele, parece que não há finali¬dade ou propósito, não há nela objetivo de nenhuma espécie. Muitos concordam de todo o coração com o seu profundo pessimismo quanto à vida e à história. As coisas simplesmente acontecem, e ninguém sabe por que ou por qual razão.
Outro grupo, não tão propalado como outrora, consiste dos otimis¬tas e humanistas, assim chamados. Eram pessoas que falavam aos brados e vociferavam no fim da era vitoriana e no período de Eduardo VII. Um dos sinais mais seguros do entendimento cristão é o que vemos através da loucura total do vitorianismo e do eduardianismo, com o seu otimismo completamente falso. Eles criam que o mundo ia adiantar-se, desenvolver-se e progredir inevitavelmente. Com Tennyson eles ento¬avam cânticos sobre a vinda do "Parlamento do homem" e da "Fede¬ração do mundo". Esperava-se que o século vinte seria maravilhoso, como resultado do conhecimento secular, especialmente do conheci¬mento cientifico, da educação e da cultura. Quanto à Bíblia, eles se apegavam ao ensino ético, moral do Senhor Jesus no Sermão do Monte. Mas, naturalmente, eles eram inteligentes demais, eram demasiado científicos, para acreditarem em milagres e no sobrenatural. Se ensi¬nássemos a todos a "ética de Jesus", todos os homens se abraçariam e seriam amigos uns dos outros, e nunca mais haveria guerra. Não ouvimos falar muito disso agora, e certamente não é de admirar. Havendo nós experimentado os horrores das duas guerras mundiais, e à luz do que está acontecendo no mundo nos dias atuais, há pouca evidência que sugira termos chegado à idade de ouro em que os homens, tendo conseguido a sanidade pela educação, transformam as suas espadas em arados. As evidências apontam para uma conclusão quase oposta. O louco e insulso otimismo dos períodos vitoriano e eduardiano, que se prolongaram até 1914, e que alguns tentaram fazer reviver mesmo depois de 1918, apresentam um aspecto deveras patético hoje.
O fato é, digo eu, que a humanidade está realmente às escuras sobre a situação mundial em geral. A despeito de todo o pensar dos maiores pensadores, e de todas as tentativas de elaboração de um plano ou esquema quanto à história, e de oferecer uma esperança quanto ao futuro, não há nada senão trevas. Na verdade, intelectualmente falando, a presente situação é precisamente aquela que foi descrita repetidamen¬te pelo escritor do livro de Eclesiastes: "Vaidade de vaidades! é tudo vaidade". Ou, como Paulo descreve a situação dos gentios, no capítulo 2 de Efésios: "Sem esperança". Esta é a situação do mundo na hora presente. Densas trevas!
As grandes novas do evangelho, diz Paulo, consistem em que, apesar das trevas, a luz está disponível, porém unicamente no evange¬lho. Ele foi chamado, não somente para pregar "as insondáveis riquezas de Cristo" num sentido pessoal, e sim para fazer que todos os homens pudessem ver. Sua missão era esclarecer, iluminar, lançar luz sobre a situação mundial. Há luz! Esta é a reivindicação da Bíblia em geral e do evangelho em particular. Diz-nos o apóstolo que lhe fora dado este grande e elevado privilégio de manter esta luz perante os gentios, perante todos os homens, para propiciar-lhes entendimento e discernimento do que estava acontecendo e do que ia acontecer no mundo deles. Esta era a reivindicação do próprio Senhor Jesus Cristo. Disse Ele: "Eu sou a luz do mundo", e proferiu as palavras de tal maneira que significam, "Eu, e somente eu, sou a luz do mundo". Vocês jamais obterão esta luz dos seus estadistas, nem dos seus filósofos, nem dos seus sociólogos, nem dos seus humanistas,nem dos seus hedonistas. Não há luz em parte alguma, exceto aqui, no Senhor Jesus Cristo. Ai está por que a Igreja Cristã ocupa nesta hora uma posição tão importan¬te e singular. Ela e a única corporação que tem uma mensagem capaz de oferecer luz às pessoas; ela é chamada para iluminar.
Eis a luz que o apóstolo recebera para dar a todos os homens: "Fazer que todos os homens vejam qual é a comunhão do mistério" (AV). "Comunhão" é uma tradução infeliz; realmente significa "plano" do mistério, ou "administração" do mistério, ou "mordomia" (ou "dispensaçâo", Almeida) do mistério, ou "concretização" do mistério. Este é o plano de Deus para as eras. Paulo repete a afirmação no versículo 11: "Segundo o eterno propósito", o propósito das eras, "que fez em Cristo" - o qual já começara a pôr em execução - "em Cristo Jesus nosso Senhor".
Como uma parte da fé cristã, isto é absolutamente fundamental. Deus tem um plano, um propósito, um grande esquema para a totalida¬de da vida neste mundo, e para o homem. A Bíblia é a grande revelação desse plano e propósito. Há tolos e ignorantes que afirmam que a Bíblia é abstrata, e que eles querem algo prático. Assim, vão em busca do seu jornal ou de algum outro meio de informação. Voltam-se para os historiadores e filósofos. Acaso encontram o que procuram? Se querem algo prático, devem ir à Bíblia. O tema geral deste Livro, a sua grande e única mensagem, é dar aos homens entendimento da vida neste mundo - o que há quanto a ela e o que vai ser dela. Portanto, isto vem a ser um teste muito bom, para ver se somos cristãos de verdade. Porventura conhecemos o plano de Deus para este mundo? Isso faz parte do conhecimento cristão. Os cristãos devem ter uma compreen¬são única da situação do mundo neste momento; se não a têm, são muito pobres, e são cristãos muito ignorantes. Demoramos demais nas bênçãos pessoais, e passamos nosso tempo tomando nosso pulso espiritual e nos mimando espiritualmente. Contudo, se queremos ajudar outros, devemos ir além. Precisamos ter uma compreensão do plano de Deus para o cosmos em geral, se é que desejamos tirar estas densas trevas das mentes das pessoas na hora presente.

A segunda coisa que o apóstolo diz é que este plano estava na mente de Deus antes do início do tempo. Ele escreve: "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos"- ou "desde o princípio das eras" - "esteve oculto em Deus". Deus o manteve oculto até quando Cristo veio e começou a revelá-lo; até então, através dos séculos e das eras, esteve oculto na mente de Deus. Entretanto estava lá! Esta é a grande verdade que precisamos captar. Graças a Deus por isso! A história não saiu das mãos de Deus. A primeira coisa necessária a ser compreendida é que Deus não depende do fluxo do tempo. Ele não está sujeito às mudanças da política das nações, às mentiras e à desonestidade. Está inteiramente acima disso tudo. Ele habita na eternidade. Ele olha sobranceiramente o tempo e o mundo, mas não lhes está sujeito. Seguramente, o fato mais consolador que se pode descobrir num tempo como este é que o plano de Deus foi projetado perfeito e completo antes de criar-se o mundo, antes de iniciar-se o processo do tempo. Ele subsiste independentemente de tudo quanto acontece; e é indubitavelmente certo. Nada é contingente no que se refere ao plano de Deus. Deus nunca teve que improvisá-lo ou que modificá-lo por causa de algo que alguém mais tenha feito. É plano existente desde antes do início das eras, desde antes de haver sido criado o próprio tempo. É um propósito eterno. Se, à luz dessa verdade, vocês não se sentem firmados na "Rocha dos Séculos", duvido que sejam cristãos. Trata -se da nova mais gloriosa que se pode receber num mundo como este.

Quando desaba tudo ao meu redor,
Ele é minha esperança e meu esteio.
Em Cristo, a Rocha sólida, me firmo;
todo outro solo é areia movediça.

Depois diz o apóstolo que esta verdade esteve oculta. Chama-lhe mistério, e vimos que um mistério é uma coisa que existe, porém ainda não foi revelado plenamente, e que a mente humana jamais o pode alcançar por seu próprio esforço. Todavia Deus o revelou, diz o apóstolo. Há uma diferença entre a situação no passado e o que se dá agora. Tinha estado oculto através dos séculos, mas "... agora", diz ele, "pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus será conhecida dos principados e potestades nos céus". É-nos dada a idéia de que aqueles fulgentes espíritos angelicais foram levados a perquirir; sabiam que Deus estava para realizar alguma coisa, no entanto não sabiam o quê. Precisavam ser iluminados pela Igreja, diz Paulo, pelo que acontece comigo e com vocês. Contudo, mesmo sem ter sido revelado ainda, o plano e propósito de Deus lá estava, e estava sendo executado por Deus paulatinamente e com segurança. Vê-se isto em toda a história do Velho Testamento, através do qual ele passa como um fio de ouro, bastando que vocês tenham olhos para vê-lo. Muitas vezes parece que as coisas vão mal, porém o propósito de Deus continua a avançar persistentemente; embora oculto, continua existindo. Através dos séculos sempre existiu um propósito eterno de Deus, seguro e certo.
Isso nos leva à indagação crucial: qual é este plano que Deus determinou antes da fundação do mundo, que Ele manteve oculto dos homens e dos anjos, que, não obstante, continua existindo e em processo de execução? A resposta é dada na frase final do versículo 9: "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou". Por que é que Paulo, ao falar do nome de Deus, acrescenta, "que tudo criou"? Aí eu encontro a chave para a resposta a esta pergunta. O apóstolo nos relembra o fato de que, afinal de contas, este mundo é de Deus. Não é do homem; é dAquele "que tudo criou". Se já houve tempo em que o homem necessitava ouvir a verdade sobre a criação, é agora. Temos nos tomando tão inteligentes... Dividimos o átomo! Como somos prodigi¬osos, como somos maravilhosos! Acreditamos que fizemos tudo e que somos responsáveis por todas as coisas. Não passamos de guias cegos em nossa ignorância! Este mundo é de Deus - "Ele criou todas as coisas". Se vocês desejam tentar compreender o que está acontecendo no mundo hoje, este é o ponto donde deve partir. Este mundo não foi trazido à existência pelo homem, e sim por Deus. Ele o fez, e o fez perfeito. Nunca foi projetado para ser o que é agora; o que vemos é apenas uma caricatura dele. Este mundo não é como Deus o fez. Fundamentalmente é, mas o pecado e o mal trouxeram o mundo para a sua presente condição. O pecado introduziu nele os conflitos, o derramamento de sangue, o despeito, a malícia, a inveja, o ódio e todas as demais coisas vis e abomináveis. O que vem descrito com tanta perfeição nos primeiros capítulos de Gênesis é a causa do nosso problema. Deus fez o mundo, olhou para ele e viu "que era muito bom" (Gênesis 1:31). Era perfeito, era um paraíso.
Uma parte da mensagem do evangelho visa levar os homens a terem isto em mente com clareza. Este mundo é de Deus, a Ele pertence. O homem fez dele o que ele é porque, em sua loucura, deu ouvidos à ten¬tação de Satanás. No entanto - o e aí está a glória da mensagem - o plano de Deus é redimi-lo e restabelecer-lhe a perfeição. O apóstolo já dissera isso tudo no versículo dez do capítulo primeiro desta Epístola: Deus propusera "tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”. Tudo será reunido em Cristo. Essa é a mensagem do evangelho para este nosso mundo dominado pela guerra, dilacerado, em conflito e perplexo. E o plano divino de reunir tudo, diz-nos Paulo, é para ser levado a efeito no Senhor Jesus Cristo e por meio dEle: "segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor".
Permitam-me asseverá-lo muito dogmaticamente: fora do Senhor Jesus Cristo não há nenhuma esperança para este mundo; Vocês encontraram alguma? Tomo a dizer: examinem os seus jornais, os seus livros de história, filosofia, poesia, ciência; façam o giro completo; onde existe algum vestígio de esperança? Não há nenhum. Mas Deus determinou restaurar todas as coisas em Cristo Jesus, nosso Senhor. Ele é o único caminho.
Ao passarmos a tecer considerações sobre como Deus realiza os Seus propósitos em Cristo Jesus, é essencial começar com certas negativas em vista da popularidade de falsos conceitos. Começamos dizendo que não se faz a obra simplesmente pregando o ensino ético de Jesus Cristo. De todos os ensinamentos fátuos e estultos de hoje, nenhum é mais errôneo do que aquele que afirma que tudo que precisamos fazer é tomar o ensino cristão e aplicá-lo à situação moderna. Alguns dizem que simplesmente temos que ensinar a ética de Cristo às pessoas, e elas a aplicarão. Dizem eles que os homens poderão ter paz no presente neste mundo se tão-somente aceitarem o ensino de Cristo e seguirem o Seu exemplo. Deliberada e solenemente afirmo que essa pretensão envolve uma das mais completas negações imagináveis da mensagem cristã. Como solução do problema do mundo, é comple¬tamente impossível. E por ser impossível é que Cristo veio e morreu na cruz. O Senhor Jesus Cristo veio a este mundo porque todos os homens e todo o seu planejamento falharam por completo.
Se o único requisito fosse que os homens fossem conclamados e estimulados a seguir o ensino e o exemplo de Cristo, então a lei que Deus tinha dado aos filhos de Israel por meio de Moisés teria resolvido o problema e acertado tudo. Se os homens praticassem os Dez Manda¬mentos e a lei moral, todos os problemas seriam solucionados. Jamais haveria outra guerra, jamais outra dificuldade. Contudo, os filhos de Israel fracassaram e não os cumpriram. Nem um só individuo cumpriu plenamente a lei. Escrevendo aos romanos, o próprio apóstolo acentua isso: "o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne... (8:3). A lei é perfeita, porém o homem tem que cumpri-la; e aí está a dificuldade. O homem não deseja cumprir a lei e não tem poder para cumpri-la. Portanto, pergunto, se o homem não pode guardar os Dez Mandamentos, como poderá guardar o Sermão do Monte? Se o homem não consegue nivelar-se aos seus próprios padrões, como poderá seguir o padrão do Senhor Jesus Cristo? Afirmar outra coisa é puro absurdo; é negar o evangelho. Quem pregar a fé cristã como se fosse apenas essa espécie de comportamento, estará negando a Cristo. Não poderia haver maior negação do evangelho. E pura heresia.

Então, como Deus realiza o Seu propósito em Cristo Jesus, nosso Senhor? A resposta já do dada no capítulo dois desta Epístola. Não é apenas que Cristo nos diz o que devemos fazer. O grande propósito de Deus é realizado por meio do que Cristo fez por nós. A salvação é atividade de Deus, não é nossa - nem sua nem minha. "Somos feitura sua, criados em Cristo Jesus." É o que Deus fez e faz em Cristo que ainda leva a efeito o grande propósito divino.
A primeira coisa de que todos nós necessitamos é sermos reconcilia¬dos com Deus. Não poderemos ser abençoados por Deus enquanto for¬mos Seus inimigos. Deus não nos abençoará, se não estivermos em cor¬re ta relação com Ele, se não estivermos reconciliados com Ele. Como o homem pode ser reconciliado com Deus? Há somente uma resposta: é mediante Jesus Cristo, e Este crucificado. "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados." "Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:19-21). Esse é o primeiro fato. A inimizade terá que ser retirada de nós; temos que ser reconciliados com Deus, e Deus realiza isso em Cristo. Ele pôs os nossos pecados sobre Cristo, castigou-os nEle e, portanto, Ele olha para nós e nos perdoa. Ele faz de nós Seus filhos, Ele nos adota em Sua família.
Isso nos leva à estupenda declaração feita pelo apóstolo precisa¬mente neste versículo: "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus". Quer dizer que Deus finalmente restabelecerá a paz, a unidade e a concórdia no mundo mediante Cristo e por intermédio da Igreja. Deus, que no princípio criou o mundo e o fez perfeito, que segundo a Sua inescrutável vontade tolerou e permitiu que o pecado e o mal entrassem por meio do diabo, determinou restabelecer à perfeição o universo inteiro - porque é Seu mundo. Planejou fazê-lo por meio de uma nova criação. Uma parte dessa nova criação é a Igreja. Isso constitui uma parte vital da mensagem bíblica. A situação do homem em pecado é tal, que nada menos do que uma nova criação poderá resolvê-la. A humanidade jamais poderá ser levado de volta à perfeição mediante as diversas aplicações externas. É necessário haver um novo princípio, uma nova criação. E o que Deus está fazendo em Cristo é trazer à existência esta nova criação, esta nova humanidade, este novo corpo, este "homem novo" em Cristo, que inclui o judeu e o gentio; noutras palavras, a Igreja. Todas as divisões são abolidas, uma nova realidade é trazida à existência. Não é que os judeus e os gentios são fixados frouxamente uns nos outros, porém ambos são criados de novo e, com isso, são amoldados num só corpo, do qual todos eles se tornam membros.
Esta é a parte principal da grande mensagem do cristianismo. Desde quando o Senhor Jesus Cristo esteve neste mundo, esta nova humani¬dade está sendo formada. Guerras e períodos de paz têm-se alternado; tem havido tempos de derramamento de sangue e tempos de concórdia. Nada senão isto encontramos nos livros da história secular. Entretanto, vemos mais do que a simples exibição externa - vemos Deus, em cada geração, atraindo do mundo um povo para Si, criando pessoas de novo em Cristo Jesus, acrescentando-as à Igreja. Vemos um novo corpo, uma nova humanidade, congregando-se, propagando-se, aumentando, progredindo e desenvolvendo-se - algo absolutamente novo! Vemos uma nova raça de seres humanos, Cristo o primogênito, e todos nós nascidos dEle. Vemos Deus juntando-os, preparando-os e a nós para o dia da manifestação. É um processo progressivo. Vocês o vêem agora? Está em avanço neste momento. E o grande propósito de Deus, e será cumprido, até completar-se o Seu plano. E quando este se completar, Ele enviará de novo o Seu Filho a este mundo, cavalgando as nuvens do céu, como "Rei dos reis e Senhor dos senhores". Voltará para juízo e destruíra todos os Seus inimigos - Satanás e todas as suas hostes, e todos os que o seguiram, rejeitando a Cristo; na verdade, todo o mal, todas as iniqüidades e todo o pecado, em todos os seus tipos e formas, serão lançados no lago de fogo e de perdição. O universo será lavado e purificado.
Vem o dia, descrito pelo próprio Senhor como a hora da "regenera¬ção, quando o Filho do homem se assentará no trono da sua glória" (Mateus 19:28). Ocorrerá uma regeneração de todo o cosmos; até o mundo físico será perfeito. Haverá "novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pedro 3: 13). "E o lobo morará com o cordeiro... o leão comerá palha como o boi" e "um menino pequeno os guiará" (Isaías 11 :6-7). Perfeição absoluta! Ela vem! É o fim definitivo do propósito de Deus. Há um mundo novo à nossa espera.

Um só Deus, uma lei, um elemento,
e um divinal evento, alto e remoto,
rumo ao qual a criação está em movimento.

É isso que foi revelado a Paulo; é o que ele anseia que todos os homens vejam; essa é a luz que brilha nas trevas hoje.
Devido isso ser plano de Deus, tem cumprimento absolutamente certo e seguro, pois Ele ainda é o Criador e este ainda é o Seu mundo. Ele ainda é o Deus que disse, "Haja luz" e "houve luz". Faça o homem o que quiser, faça o máximo que puder para frustrar este plano, nada o poderá impedir. Deus é Aquele que criou todas as coisas pela palavra do Seu poder e, apesar do inferno, Ele levará avante o Seu propósito. No Velho Testamento vemos como, a despeito de tudo que aconteceu contrariamente, Deus continuou com o Seu plano. Cristo veio; o rei Herodes tentou matá-la, os Seus inimigos tentaram estorvá-la e impedi-la; contudo, o plano prosseguiu. Crucificaram-na; mas Ele ressuscitou. Faça o mundo o que puder, solte-se o inferno - o propósito de Deus jamais poderá ser frustrado, porque Ele é o criador.
Deixem-me, porém, acrescentar isto: esta revelação do plano de Deus dá-nos apenas uns poucos pormenores de incidentes e aconteci¬mentos particulares. Muitos daqueles que o mundo considera grandes e de vital importância não são nem sequer mencionados - os cáiseres, os Hitler, os Stalin, e muitos outros. Ela não nos dá esses pormenores. É a importância que o homem se arroga que o leva a buscar essas coisas. Tudo quanto nos é dito repousa sobre o grande e eterno propósito. A Bíblia não trata de trivialidades, com meros incidentes do tempo. As nações podem levantar-se e cair, todavia o plano de Deus prossegue, firme e sem interrupção.
Além disso, o plano não pode ser modificado para adaptar-se aos caprichos e fantasias, aos gostos e aversões de qualquer indivíduo ou nação. Na verdade devemos estar preparados para algumas estranhas surpresas quanto a este plano. Às vezes poderemos pensar que tudo vai mal. As igrejas poderão estar vazias, e as pessoas perguntarão: onde está esse seu propalado plano de Deus? A resposta é que as igrejas estiveram vazias muitas vezes antes; porém na plenitude do Seu tempo, Deus envia um avivamento, e se for da Sua vontade, enviará outro.
No entanto, acima de tudo, afirmo e repito que o plano de Deus é sempre em termos do Senhor Jesus Cristo. Cristo é tanto o centro como a circunferência, Ele é tudo, tudo se cumpre nEle. Também se cumpre por meio da Igreja. Não há benefícios para ninguém, exceto para os que estão na Igreja. Se vocês não são cristãos, não têm direito de buscar a Deus para receber benefícios e bênçãos. Todas as Suas bênçãos vêm por meio de Cristo e por meio da Igreja aos que pertencem ao corpo. Tudo mais é incidental. Esta mensagem não oferece nenhuma esperan¬ça de paz na terra e entre as nações, enquanto Cristo não voltar para a Sua vitória final. Isso é uma parte essencial do evangelho. Na Bíblia não há vestígio de esperança de paz entre os homens e as nações neste mundo, enquanto Cristo não voltar e finalmente destruir o pecado e o mal. Enquanto houver pecado, luxúria e paixão no coração humano, haverá conflito e guerra. Não há nenhuma promessa que contrarie isso. Mas Cristo voltará, apesar de tudo; Ele derrotará os Seus inimigos, Ele extinguirá o pecado do universo. Então, e somente então, deixará de haver guerra, e a tristeza e o pranto desaparecerão. Depois a paz reinará universalmente e para todo o sempre.

Meu amigo, você se sente tentado a dizer que está decepcionado com esta mensagem, que a acha muito depressiva, que pensava que poderia ouvir falar de alguma esperança imediata para o mundo, e que perdeu o interesse pelo cristianismo? Se é assim, tenho duas coisas para dizer-lhe. A primeira é que, patentemente, você não é cristão, pois nenhum cristão fala dessa maneira. O cristão não está apenas interes¬sado em bem-estar e consolo pessoal. O cristão é alguém interessado na glória de Deus e na grandeza do Seu santo nome. Esse bem-estar que você procura é oferecido pelas seitas e pelas várias falsificações da mensagem cristã. Em segundo lugar, digo a quem quer que pensa que esta pregação é irrelevante e não ajuda os homens nas situações presentes, que esta é a única mensagem que lhes diz a verdade sobre a situação presente. É a única que explica por que o mundo é como é. Você acha que isto é irrelevante para você? Se acha, e se continuar com essa forma de pensar e com essa opinião até ir para o seu túmulo, virá o dia em que, de repente, descobrirá que não existia nenhuma outra coisa que fosse mais relevante. Você faz parte do propósito e plano de Deus. Deus "julgará o mundo com justiça", e como cidadão deste mundo você será julgado com justiça. Este é o propósito eterno que Deus estabeleceu antes da fundação do mundo. Ele certamente está sendo levado a efeito, e será levado a cabo. Todos os que pertencem ao diabo e às suas hostes, todos os que rejeitam este evangelho por não oferecer um pouco de bem-estar ou consolação temporária, todos os que rejeitam o Senhor ver-se-ão rejeitados naquele grande dia, e não ficarão na companhia dos que estarão se aquecendo ao fulgor da glória de Deus, e que estarão reinando com Cristo como "reis e sacerdotes de Deus" por toda a eternidade. Graças a Deus pela luz do evangelho nesta hora tenebrosa, luz que mostra que, a despeito de tudo que vemos no mundo, Deus ainda está no trono. Seu propósito certa e seguramente está sendo realizado; e está sendo realizado também em nós e por meio de nós, que somos verdadeiramente membros da Igreja, verdadeira¬mente membros do corpo de Cristo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

AS 42 JORNADAS NO DESERTO – CAPÍTULO 93


Por: Luiz Fontes

19ª Estação – Queelata (parte 3)

Textos: Nm 33:22 e Nm 16


Vamos continuar estudando essa estação – “Queelata” –, aqui em Números 16:5,6:

“5 E falou a Corá e a todo o seu grupo, dizendo: Amanhã pela manhã, o SENHOR fará saber quem é dele e quem é o santo que ele fará chegar a si; aquele a quem escolher fará chegar a si. 6 Fazei isto: tomai vós incensários, Corá e todo o seu grupo”.

Quero que você note alguns pontos aqui nesses textos que lemos.
Primeiro olhe para o teor das palavras relacionadas aqui a Coré, veja a arrogância dele, como os textos expõem o próprio coração de Coré. Diz assim: “falou a Coré e a toda a sua congregação”. Veja: “a toda sua congregação”. Coré já tinha uma predominância sobre algumas pessoas. Ele já era um líder sobre algumas pessoas, já tinha se constituído líder sobre 250 pessoas.
Dentro desse mesmo contexto, podemos olhar a nossa própria realidade. Podemos ver que esse comportamento tem as suas raízes aqui, quando a gente olha para muitas pessoas que gostam de dominar, gostam de exercer o poder, gostam de exercer a influência, pessoas que não sentem nenhum pudor quando dizem “Minha Igreja”. Esse tipo de comportamento tem suas raízes aqui nas palavras destinadas a Coré: “a ele e toda a sua congregação”. Vemos aqui o cúmulo da pretensão. Quantas pessoas acham que são os donos da Igreja do Senhor Jesus, quantos hoje não têm temor quando afirmam “Minha Igreja”.
Em Mateus 16 o Senhor Jesus diz:

“Eu edificarei a minha Igreja”.

A Igreja não é propriedade do homem; a Igreja é propriedade do Senhor Jesus. Ele está falando de algo particular, pessoal, de uma propriedade exclusiva dEle. “Eu edificarei minha Igreja”, isto é, Ele está dizendo que vai edificar a Igreja sobre Ele mesmo, o Filho do Deus vivo. Ele diz: “Eu edificarei a Igreja sobre mim mesmo”. Isso é importante e você tem que atentar, porque aqui nós encontramos as raízes do tipo de pretensão que vemos dentro do nosso próprio contexto. Que o Senhor nos guarde.
Ainda em Números 16:6, diz assim:

“Fazei isto: tomai vós incensários, Corá e todo o seu grupo”.

Na tipologia bíblica nós sabemos que incensário fala de oração. É isso que os grandes eruditos ensinam e é isso que nós aprendemos na própria Palavra de Deus. Incensário está ligado à oração e nós temos que ver aqui o porquê de Moisés fazer essa colocação. Esses assuntos precisam ser resolvidos diante de Deus, eles não podem ser resolvidos de qualquer maneira. Temos de encontrar o lugar da oração na nossa própria vida. O nosso chamado à oração é conhecer o coração de Deus, e a chave para entrar no coração de Deus é a oração. Somente aí nós poderemos conhecer Sua vontade, conhecer Sua Palavra e também conhecer a nós mesmos, as pretensões ocultas que residem dentro de nós.
Uma coisa muito importante que temos que aprender é que a oração é o retrato do caráter cristão. Precisamos reconhecer que a oração é o meio de relacionamento com Deus. Ela nos oferece um duplo retrato: o de Deus e o nosso. A oração tem um papel importante no relacionamento entre o homem e Deus. Primeiro ela vai nos mostrar um quadro muito descritivo do caráter humano e também do caráter divino. O que falamos para Deus quando oramos, quando estamos diante de Deus e todas as palavras de gratidão ou louvor, nossos desejos, as situações, tudo o que envolve a oração, revelam as nossas motivações secretas, revelam a nossa moral, revelam o nosso caráter. Da mesma forma, algumas afirmações que fazemos sobre Deus na oração, quando falamos do Seu amor, da Sua justiça, da Sua misericórdia, do Seu poder soberano, tudo o que nós falamos, revelam convicções daquilo que nós temos da natureza de Deus. E nossas orações quase sempre revelam também a nossa própria natureza. Por isso a oração não é somente um meio de relacionamento, mas também um meio de transformação. Isso porque nós somos revelados, as motivações secretas são expostas, os caminhos da nossa carnalidade são trazidos à tona. Se queremos saber quem somos, ou o que pensamos sobre Deus, quais são as nossa motivações primárias, secretas e a raiz do nosso caráter, é só olhar as palavras às quais usamos na oração. Aqui nós vamos ter uma revelação tanto da teologia quanto da antropologia. Então, a oração não apenas revela as distorções antropológicas e teológicas, mas também a forma e o caminho para corrigir essas distorções e nos transformar. Oração é o instrumento que transforma o nosso caráter.
Assim, nós temos que ser ajudados aqui. Precisamos olhar para a atitude de Moisés, porque é justamente esse ponto que ele quer tocar. Moisés entendeu que nada poderia ser tão importante para revelar as motivações secretas dessa situação do que a oração. Por isso ele introduz o incensário. Que o Senhor nos ajude a buscar nEle o caminho da oração, a fim de que venhamos conhecer as nossas motivações, as motivações secretas que estão por detrás das nossas atitudes impensadas, pois devemos entender que sempre somos passíveis de correção e, muitas vezes, não ouvimos ninguém, não queremos ouvir as pessoas que estão do nosso lado. Mas quando você ora verdadeiramente, a oração vem mostrar, vem revelar, o seu próprio caráter, as suas motivações e as distorções do seu próprio caminhar. Que Deus nos ajude.
Ainda precisamos continuar lendo Números 16:8-11:

“Disse mais Moisés a Corá: Ouvi agora, filhos de Levi: 9 acaso, é para vós outros coisa de somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do SENHOR e estardes perante a congregação para ministrar-lhe; 10 e te fez chegar, Corá, e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, contigo? Ainda também procurais o sacerdócio? 11 Pelo que tu e todo o teu grupo juntos estais contra o SENHOR; e Arão, que é ele para que murmureis contra ele?”.

Podemos prosseguir mais um pouco aqui em Queelata. Já disse a vocês que o significado da palavra “Queelata” é assembléia e que vemos aqui uma confusão, uma crise profunda. Isso nos faz lembrar da síndrome de Lúcifer. Ele era um grande querubim, mas achou que era pouco e então desejou ocupar o lugar de Deus na Sua glória. Por causa da queda de Lúcifer, consequentemente nós tivemos a queda do homem e o homem herdou essa compulsão de querer ser Deus. A mais perversa compulsão que reside no coração do homem é desejar ser Deus. Lembra quando a serpente disse para Eva “e sereis como Deus conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3)? Essa é a compulsão do coração humano. Oh, amados! Será que essa situação não nos leva a refletir um pouco sobre nós mesmos? Não é verdade que nós nos preocupamos constantemente em sobressair? Quantas vezes desejamos ser considerados dignos de prêmio, de valorização? Não estamos sempre procurando a nós mesmos se somos melhores ou piores, mais fortes ou mais fracos, mais rápidos ou mais vagarosos do que aqueles que estão do nosso lado? Não temos considerado os nossos amigos, nossos companheiros desde o banco da escola primária, como rivais na corrida pelo sucesso, influência, pela popularidade? E não nos sentimos tão inseguros em relação ao que somos que nos agarramos a todas as oportunidades com o único propósito de obtermos poder, popularidade, influência, o controle sobre as pessoas? Meus amados irmãos e irmãs, quando nós nos dispusermos a olhar para todas essas coisas com os olhos do nosso querido Pai Celeste, imediatamente veremos que o que está acontecendo hoje, como vemos lá no Iraque, no Afeganistão, em Israel, lá na Palestina, não é muito diferente do que o que está ocorrendo no nosso próprio coração. Desde que a nossa própria segurança, desde que a nossa própria popularidade, desde que essa compulsão obstinada pelo poder está sendo ameaçada. A primeira atitude nossa é sempre procurar uma arma para poder proteger todos os nossos interesses, todos os nossos privilégios, todas essas compulsões perversas que permeiam o nosso coração. Oh, amados! Essa busca compulsiva pelo poder que o homem tem dentro de si, que o homem carrega dentro de si, que dá a ele essa autoconsciência, essa autovalorização, tem um poder perverso e terrível. Esse tipo de conduta nos afasta de Deus, nos afasta uns dos outros e nos torna isolados das pessoas. Isso tem em si uma característica diabólica, porque esse tipo de comportamento carrega a divisão, a rebelião. Deus deseja nos libertar disso. Olhe o que aconteceu com Datã, Coré e Abirão, nos versículos finais de Números 16.
Esse poder religioso é um dos piores e mais insidiosos que existe. A pior manifestação de poder que existe é o poder religioso. Infelizmente muitas pessoas que dizem hoje “Senhor, Senhor”, muitos daqueles que louvam, que O adoram, muitos daqueles que se dizem fiéis servos de Deus são pessoas que se têm deixado corromper pelo poder. Esse é o poder mais insidioso – o poder religioso. Ele é divisório, ofensivo. É impressionante o número de pessoas que foram ofendidas, massacradas pela religião. Quantas pessoas, homens e mulheres, estão separados, divorciados, rejeitados pela sociedade, desajustados, fracassados, por causa da perseguição religiosa, por causa do poder religioso. Quantas pessoas foram afastadas de Deus por terem sido abusadas pelo poder religioso. Enquanto esperavam uma expressão de amor, foram abusadas, violentadas. Nós precisamos ser guardados, precisamos ser ajudados, porque esse não é o Evangelho de Cristo. Você tem que ver que a influência devastadora do poder nas mãos de homens que se disfarçam de piedosos, homens que se julgam ser “homens de Deus”, torna-se evidente quando ao redor, em nossa própria realidade contextual, vemos tantos impérios megalomaníacos tendo o disfarce de eclesia. Mas vemos ali dentro uma busca desenfreada pelo sucesso e o reconhecimento pessoal. A busca pela fama, não sabendo das suas consequências repulsivas e insidiosas. Oh, meus amados irmãos e irmãs! Que Deus, no poder do Seu Espírito, guarde as nossas vidas para que nunca venhamos perder a simplicidade do Evangelho de Cristo Jesus. Neste tempo em que estamos vivendo, tempos de incerteza econômica, de incerteza política, uma das maiores tentações é a de usar a fé como instrumento para exercer poder sobre os outros e, por conseguinte, suplantar o mandamento de Deus com mandamentos humanos – tirar a Palavra de Deus e colocar a palavra humana. Quando o poder é usado para proclamar a Boa Nova, esse poder humano, esse poder insidioso, perverso, essa Boa Nova, a Palavra eficaz de Deus, torna-se depressa em uma mensagem enganadora e perversa. Por isso você precisa saber que o meio que Deus escolheu para se revelar ao homem foi através da fragilidade. Observe o que Paulo diz em Filipenses 2, a partir do versículo 5:

“5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; 7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, 8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. 9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”.

Veja, Ele se tornou em semelhança humana, em forma de servo, morreu a pior das mortes no Seu tempo, que foi a morte de cruz, foi rejeitado, humilhado. Mas Deus O exaltou sobremaneira e O ressuscitou e O colocou acima de todo o principado e potestade, de todo o nome que se possa referir. É isso que está em Efésios 1, a partir do versículo 20:

“20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro”.

Deus O exaltou e O colocou acima de todo principado e potestade e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome. É isso que precisamos ver. O Deus Todo Poderoso, um dia, teve essa opção divina. E essa verdade, Deus escolher fazer parte da nossa história humana em completa fragilidade, é o centro, é a essência, da nossa fé cristã. Na pessoa bendita de Jesus, o Filho de Deus, nós vemos o quê? O Deus Homem. Esse Deus que se esvaziou para desmascarar a ilusão do poder, para desarmar o príncipe das trevas que tem governado o mundo. Foi isso que Ele fez, foi isso que Deus fez e é isso que Ele deseja nos mostrar. Esse é o caminho pelo qual Ele deseja levar eu e você. Deus quer mostrar isto para mim e para você: que o caminho de Datã, Coré e Abirão é um caminho que nós precisamos repudiar, porque esse caminho vai nos afastar de nossos irmãos, vai nos afastar do próprio Deus, viveremos para nós mesmos – porque existe dentro do homem esse desejo de mandar, de ordenar, de estar por cima, de ser o melhor, de sobrepujar. Oh! Nós não precisamos dessa expressão, da nossa própria vida adâmica. Autoridade espiritual é algo que vai muito além disso; é a expressão do governo de Deus fluindo na vida daqueles os quais Ele escolheu. Esse poder não opera com a força humana, esse poder opera com o Espírito de Deus no homem. É isso que eu e você temos que entender.
Que Deus fale ao seu coração e lhe abençoe com esta Palavra.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A VERDADE DAS PROFECIAS DA BÍBLIA


Amados irmãos em Cristo, acompanho o Blog do irmão Haroldo Maranhão, um pastor que mora em São Paulo e que escreve sobre a revelação bíblica sobre os eventos futuros.
Estou compartilhando um post que ele escreveu sobre a verdade do texto bíblico e sobre o cumprimento das profeciais. Existem pessoas que não crêem e querem julgar a Bíblia, isso é um grande erro, porque a Bíblia é a Palavra de Deus, é a revelação de Deus para o homem e nós temos que crer, pela fé, não duvidar de um Deus que vela em cumprir a Sua Palavra.
Que venhamos nos render ao Senhor, despertar do sono, porque quantos de nós não estão dormindo, distraídos? A vinda do Senhor está cada vez mais próxima, que possamos guardar a Sua Palavra e não negar o Seu nome, lembra o que Ele falou à igreja de Filadéfia?
Que o Senhor nos ganha mais e mais, leia o texto e reflita, que o PAI lhe dê espírito de sabedoria e de revelação.

Ao longo dos tempos, compartilhando a Palavra de Deus com os outros, encontrei pessoas que, fazendo uma expressão condescendente, do alto de uma tremenda sabedoria, me diziam: “Haroldo... a Bíblia é uma fraude”!
Os manuscritos foram manipulados.
A tradução adulterou uma série de dados e datas, para que as profecias pudessem se cumprir.
Muito me admira que alguém como você, que estuda, uma pessoa séria, possa acreditar nestas “bobagens”.
E, quando a conversa tomava este rumo, a partir de determinado momento, eu me retirava, pois, não tinha mesmo como provar.
Não que eu tivesse qualquer dúvida acerca da verdade da vida em Cristo, revelada pela Palavra...
Sempre pude perceber e testemunhar a transformação de vida de milhares de pessoas.
Mas embora pudesse experimentar e testificar a presença de Deus em minha vida, de forma tremenda, pela libertação do pecado, curas físicas, emocionais, pela transformação de várias situações, neste tipo de conversa eu precisava reconhecer que tudo passava a ser uma questão exclusiva de fé.
Não que a questão de fé seja uma questão menor, muito pelo contrário...
Sem FÉ é IMPOSSÍVEL agradar a Deus...
Deus não se move por religião, por boas obras, mas, sim, por Fé na Sua Palavra.
Tomé foi censurado por Jesus, por que precisou ver para crer...
Seria necessário que esta pessoa de meu exemplo abrisse o seu coração para experimentar a realidade da experiência da vida com Deus pela fé.
Entretanto, especificamente nos dias de hoje, quem quiser constatar que a Bíblia não é uma fraude por provas "materiais", vai poter satisfazer seu desejo.
Mas, claro, ainda assim, precisará se relacionar com Deus pela fé.
Esta é a linguagem dEle.
Mas, vamos ao ponto de hoje, que, aliás, gerou um dos maiores conteúdos que já publiquei...
Peço um pouco mais da sua paciência em ler até o fim.
A Bíblia, ao longo dos séculos, e até algum tempo atrás, pareceu ser um livro contendo histórias antigas, algumas delas milenares, e também relatos de eventos futuros.
Apenas eventos PASSADOS E FUTUROS.
Um passado bastante distante.
E um futuro bastante distante e de data incerta.
Ou seja, seu cumprimento aconteceria apenas em gerações futuras...
Mas você, que acompanha este BLOG, sabe que estamos vivendo dias em que percebemos que algo começou a mudar.
Hoje lemos a Bíblia continuamos lendo e aprendendo com os relatos de eventos PASSADOS. A questão é que agora não mais lidamos com eventos futuros, mas, sim, aparentemente, PRESENTES!
Ou seja, o futuro bíblico é HOJE!
Os nossos dias.
Entenda meu argumento: a partir de agora, fatos bíblicos que foram registrados em TODAS as Bíblias existentes ao redor do mundo, em QUASE TODOS IDIOMAS nos últimos 200/250 anos, não podem mais sers manipulados.
Alterados.
Ajustados para um falso cumprimento...
O que permite que, tudo aquilo que está escrito, e que se cumpre diante de nossos olhos, não poderiam mais ser modificados nem adulterados.
Concorda?
Mas ainda assim, mesmo que venham a ser absolutamente incontestáveis até para críticos e céticos, continuará a ser matéria de FÉ.
Meu objetivo com este post é mostrar uma breve relação de fatos ou tecnologias atuais que cumprem profecias, registradas a Bíblia há pelo menos 2000, mas vou contar estas datas apenas do seu registro comprovável, ou seja, pelo menos, nos últimos 200/250 anos.
Embora saiba poderia considerar uma data mais antiga.
Estes fatos estão na Bíblia, e não podem mais ser modificados por ninguém, por que seria facilmente comprovado e denunciado publicamente.
Quero então mostrar para você que a Bíblia contém revelações IMPOSSÍVEIS de serem previstas por pessoas de carne e osso como eu e você.
Que estas coisas estão acontecendo diante dos seus olhos hoje!
E que por isso mesmo, a partir de agora, você precisa tomar uma posição em relação à Palavra de Deus.
SE ela é a verdade, você precisa aceitá-la com tudo o que está escrito.
SE apesar desta comprovação irrebatível você preferir não crer na Bíblia como a Palavra inerrante de Deus... bem... é uma decisão sua, que lamento profundamente.
Veja alguns textos que estão se cumprindo hoje, diante dos nossos olhos:

O conhecimento se multiplicará
Dan 12:4 Mas tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até o fim do tempo. Muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará.
Este é um indicador tremendo acerca dos últimos dias, que seria impossível alguém prever 600 anos antes de Cristo, e mesmo publicar em 1800/1900.
O que seria o conhecimento ser multiplicado?
A resposta vem pelo fato de que conhecimento gera mais conhecimento.
Isso só se tornou possível, entre outros aspectos pela tecnologia!
Aliás, o conhecimento se multiplicou de tal forma nos dias atuais, que todos nós sabemos hoje que vivemos na chamada Era do Conhecimento.
A força, a exatidão e precisão do termo usado na profecia bíblica, é, sem dúvida, admirável.
Até por que os que batizaram e usam este termo para definir este tempo que vivemos, nem crêem em Deus...

A Inversão dos pólos magnéticos da terra
Amós 5:8 Procurai aquele que fez as Plêiades e o Órion, e torna a sombra da noite em manhã, e transforma o dia em noite; o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o Senhor é o seu nome. 9 O que faz vir súbita destruição sobre o forte, de sorte que vem a ruína sobre a fortaleza.
Isa 24:1 Eis que o Senhor esvazia a terra e a desola, transtorna a sua superfície e dispersa os seus moradores.
Amós 8:8 Por causa disso não estremecerá a terra? E não chorará todo aquele que nela habita? Certamente se levantará ela toda como o Nilo, e será agitada, e diminuirá como o Nilo do Egito. 9 E sucederá, naquele dia, diz o Senhor Deus, que farei que o sol se ponha ao meio dia, e em pleno dia cobrirei a terra de trevas.
Jó 9:5 Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor; 6 o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem; 7 o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas; 8 o que sozinho estende os céus, e anda sobre as ondas do mar; 9 o que fez a ursa, o Órion, e as Plêiades, e as recâmaras do sul; 10 o que faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem contar.
A inversão dos pólos magnéticos da terra é um conhecimento científico recente.
Entretanto, a Bíblia descreve este fenômeno de forma clara há milhares de anos.
O efeito na percepção do movimento do sol em seu eixo, não nascendo pela manhã, a terra sendo sacudida para este fim, o mar sendo lançado na terra em poderosos tsunamis, e outros detalhes dos textos bíblicos, parecem, em muito, com os textos científicos que descrevem o que acontecerá quando de uma inversão abrupta dos pólos magnéticos da terra.
Que inclusive terá seu efeito na superfície da terra, sendo modificada, ou, transtornada.
Curiosa ainda a associação/vinculação com Órion e Plêiades, também registrada na Bíblia, e sempre associada nestes estudos científicos.

O Efeito do Sol
Vemos cada dia mais informações sobre o efeito do sol nos próximos anos sobre a terra...
Os ciclos solares de aproximadamente 11 anos.
As observações recentes sobre as mudanças hoje em curso.
O ápice deste ciclo previsto para os próximos anos.
Veja um post deste BLOG sobre o assunto:
http://apocalipseem2010.blogspot.com/2010_12_01_archive.html
E a Bíblia também já falava sobre isso, e seu efeito nos homens.
Muito se tem falado de forma retrita sobre o efeito eletromagnético sobre toda a tecnologia que usamos... mas... recentemente, começam a "supor" o que poderia acontecer se tivéssemos ondas de calaor.
Que na verdade, poderia haver também um efeito sobre a humanidade.
Que na verdade, vai haver.
A Bíblia diz.
Isaías 30:26 E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor atar a contusão do seu povo, e curar a chaga da sua ferida.
Isaías 13:8 E ficarão desanimados; e deles se apoderarão dores e ais; e se angustiarão como a mulher que está de parto; olharão atônitos uns para os outros; os seus rostos serão rostos flamejantes.

Fome e inflação em escala Global
As últimas tragédias como nevascas, enchentes e ondas de calor afetaram as projeções sobre a produção de alimentos para o futuro imediato e de médio prazo... os analistas estão pessimistas.
Seria necessário dobrar a produção de alimentos na terra até 2050 segundo os especialistas.
Tivemos quebras de safras e perdas enormes de lavouras por todos estes efeitos climáticos.
Ocorreu uma queda de produção e, na sequência, havera queda da oferta.
Se for confirmado um cenário assim, a fome será seguida pela inflação, por que claro está, vai haver um aumento absurdo do preço dos alimentos.
De forma ainda pequena, já é possível sentir isso nos supermercados aqui no Brasil...
Apocalipse 6:6 E ouvi como que uma voz no meio dos quatro seres viventes, que dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; e não danifique o azeite e o vinho.
Apocalipse 6:8 E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava montado nele chamava-se Morte; e o hades seguia com ele; e foi-lhe dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com a espada, e com a fome, e com a peste, e com as feras da terra.
Para você que talvez não esteja familiarizado com medidas bíblicas, um denário é o equivalente a um dia de trabalho de um trabalhador que ganhasse um salário digno.
Não um salário mínimo.
Ou seja, teria que trabalhar um dia inteiro para comprar apenas uma medida de trigo!

O homem chegando ao céu e ao fundo do mar
Amós 9:2 Ainda que cavem até o Seol, dali os tirará a minha mão; ainda que subam ao céu, dali os farei descer. 3 Ainda que se escondam no cume do Carmelo, buscá-los-ei, e dali os tirarei; e, ainda que se ocultem aos meus olhos no fundo do mar, ali darei ordem à serpente, e ela os morderá. 4 Também ainda que vão para o cativeiro diante de seus inimigos, ali darei ordem à espada, e ela os matará; enfim eu porei os meus olhos sobre eles para o mal, e não para o bem. 5 Pois o Senhor, o Deus dos exércitos, é o que toca a terra, e ela se derrete, e pranteiam todos os que nela habitam; e ela toda se levanta como o Nilo, e diminui como o Nilo do Egito.
Este texto de Amós mostra claramente o programa espacial que coloca homens no céu, em algo tipo uma estação orbital ou satélites, naves espaciais ou, no mínimo, aviões.
E também submarinos.
Ambas as coisas impossíveis e impensáveis para a época.
Veja que o Senhor fala em subir ao céu, algo diferente de falar em altura no cume do monte Carmelo.
Ou seja, ele não estava falando de alpinismo, mas de voar, e de permanecer no céu, a ponto de ser derrubado de lá.
Além disso, quando diz ocultos no fundo do mar, isso é impossível sem submarinos e estruturas que pudessem permitir ao homem permanecer no fundo do mar.
Em ambos os casos, e nos outros, também fica claro que o homem tenta se esconder de Deus.
Na verdade, de Sua Ira.

Israel se tornou uma nação em um único dia, em 13 de maio de 1948.
“Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz seus filhos”. Isaías 66:8
Complementando, Jesus propôs a Parábola da figueira, que sempre representa Israel na Bíblia, em Mateus 24 declarando que quem testemunhar este cumprimento, o retorno de Israel, deve saber que o tempo do fim está próximo!
Sião é Israel.
O relógio profético de Deus começou a fazer tic-tac...
Veja, Israel não existia mais como nação há dezenas de anos, mas a verdade da Palavra de Deus se cumpriu nos nossos dias.
Em um único dia, como disse o profeta Isaías, inspirado por Deus.

O anticristo e o Templo
A Bíblia diz que o anticristo vai querer se assentar no Templo para ser adorado como Deus, pela boca do Apóstolo Paulo, em II Tessalonicenses 2:4.
Mas em que Templo?
Este foi destruído no ano 70 d.C.
Entretanto, hoje eu posso dizer que, com certeza isto se cumprirá na reconstrução do Templo que volta e meia retorna à pauta de negociações quanto à divisão de Jerusalém ou algum dos acordos de paz possíveis.
Se você lê inglês, acesse o site do Instuto do Templo http://www.templeinstitute.org/ e veja a forma como eles tratam do assunto.
Portanto, quando o Templo tiver o início de sua reconstrução num futuro próximo, diante dos nossos olhos, bem, veremos, ao vivo, o cumprimento de mais uma palavra impossível de ser prevista com tanta precisão pela Palavra de Deus.

O anticristo e os sacrifícios
Também foi predito, nesta Bíblia que está aí, com você, e, portanto, não pode mais ser manipulada nem alterada por ninguém, que o anticristo, vai interromper a oferta de sacrifícios de cordeiros e a de cereais, na metade da última semana de anos da história da humanidade (Daniel 9:27) antes da volta gloriosa de Jesus... mas... que oferta de sacrifícios?
Não existe mais ninguém sacrificando cordeiros em Jerusalém há décadas, como você e eu sabemos.
Mas, quando o templo for reedificado, voltará a acontecer.
Aliás, hoje eles já sacrificam ainda que fora do Templo.
Veja um post do ano passado sobre o assunto:
http://apocalipseem2010.blogspot.com/2010/04/sacrificios-em-jerusalem-desde-2008.html

As duas testemunhas para o mundo todo
A Bíblia diz textualmente que as duas testemunhas apresentadas em Apocalipse 11 serão mortas em Jerusalém, e que seus corpos serão expostos para que homens de vários povos, línguas, tribos e nações vejam, por 3 dias e meio.
Pense comigo: como seria possível que isso acontecesse sem o advento das tecnologias de satélite, internet, e redes de televisão com alcance mundial, para que as pessoas ao redor do mundo vejam estas pessoas mortas?
Isso acontece todos os dias nos noticiários que assistimos em casa pela TV, e acompanhamos fatos importantes mundialmente...
Esta palavra foi escrita nas primeiras décadas depois de Cristo.
Ninguém que não fosse inspirado por Deus poderia dizer isso, até por que, imaginemos que o profeta pensasse que todas as pessoas viajariam até Jerusalém para ver pessoalmente.
Em 3 dias e meio, a pé ou sobre animais, seria impossível!
Mas não foi o que aconteceu.
O profeta falava sobre uma TECNOLOGIA impossível de ser conhecida em seu tempo!
Mas que tornaria isso possível

Um governo global, uma moeda global
Ao longo de nossa história, alguns líderes ou ditadores como Cesar, Alexandre, Napoleão ou Hitler, tentaram se tornar controladores do mundo todo, mas não conseguiram... Isto não aconteceu, por que não havia nem desejo das pessoas de terem um único líder ou sistema, nem condições políticas ou econômicas para que se justificasse um fato como este... mas o que vemos nos últimos meses, depois da grande crise econômica de dois anos atrás, por conta de algumas situações de medo do terrorismo ou de iniciativas atômicas de alguns países, é que algumas lideranças passam a considerar como aceitável um organismo único de controle para determinadas situações.
Já leu ou assistiu algo sobre isso?
Isso tem sido dito, por exemplo, quando se discute a questão climática, ou seja, muitos aceitariam um organismo mundial que regulamente esta questão.
Aliás, já existe, inclusive, financiamento global para tal organismo...
Quando algo assim acontecer, em meio a uma crise econômica pior que a última, ou uma guerra ou uma tragédia sem precedentes, será mais fácil a possibilidade da necessidade de uma intervenção global.
Assim analisando, podemos ver que as bases do governo do anticristo estão sendo lançadas diante de nossos olhos, conforme está em Apocalipse 13:3 e 4.
Se você ler o texto, perceberá que é uma situação emocional extrema, mas, seria impossível um líder mundial liderar sem leis, regulamentos, política e tudo o mais. Portanto todo este cenário prévio tem que existir, e já começa a existir, para que este governo se estabeleça... como você pode ver, muito já está sendo preparado.

A marca da besta e o comércio global
Outra profecia de cumprimento impossível até nossos dias é o sistema da marca da besta, que, mesmo quem não conhece a Bíblia, já ouviu falar.
Uma marca para que ninguém consiga comprar nem vender, se não fizer parte do sistema, conforme Apocalipse 13:16 e 17.
Veja que haverá uma autoridade mundial com PODER LEGAL E DE POLÍCIA, para fazer todos receberem esta marca...
Uma marca como esta seria impossível alguns anos atrás, e aqui estamos falando novamente de tecnologia, integração de sistemas global, análises de crédito, bloqueios eletrônicos dos recursos de pessoas no mundo todo.
Há quantos anos isso é possível?
Menos de 30, com certeza.
Portanto, mais um acerto tecnológico do profeta João, se cumprindo diante de seus olhos.
Fato registrado na sua Bíblia há dezenas de anos, sem manipulação, nem fraudes!

Montes e ilhas mudando de lugar
Apocalipse 6:12 E vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue; 13 e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira, sacudida por um vento forte, deixa cair os seus figos verdes. 14 E o céu recolheu-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.
Lemos neste texto que montes e ilhas serão movidos de seu lugar por conta de um poderoso terremoto.
Isso parecia uma figura de linguagem até que pudesse ser comprovado que os terremotos recentes e mais poderosos LITERALMENTE mudaram a Indonésia, o Chile e o Haiti de lugar.
Pode pesquisar você mesmo no Google.
Portanto, Deus disse algo pela Sua Palavra, dois mil anos atrás, que, mesmo que publicado há 200 anos, era impossível de ser comprovado em sua literalidade.
Apenas hoje, com satélites, podemos comprovar que o que Ele disse era uma verdade literal.
E... nós AINDA NÃO tivemos um terremoto como o descrito no texto... por ser um terremoto global!

Terror aguardando Tsunamis e outros eventos
Lucas 21:25 E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. 26 os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.
Outra coisa que só tornou-se mais possível e comum após o terremoto da Indonésia.
Pelos sensores de alerta de tsunamis, passa a ser possível prever a chegada destas ondas gigantes a um determinado lugar.
E, tragicamente, quando tivermos as maiores tsunamis de nossa história, os moradores dos lugares que serão atingidos saberão com algumas horas de antecedência.
E cumprirão este texto de forma literal.

Concluindo
Embora entenda que estes argumentos são fortes o suficiente, sei que muitos não vão levar em consideração, por que estes fazem questão de cumprir outras palavras de Jesus em Apocalipse, quando Ele disse: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Ou seja, temos sempre pessoas que, mesmo ouvindo, não vão ouvir.
Por que não querem.
Por outro lado, sei que tenho pessoas lendo este texto que o próprio Deus, através da ação do Espírito Santo, trouxe até este BLOG para ler este conteúdo.
Pessoas que estão em dúvida, inseguras com tudo o que tem acontecido nos últimos tempos, em escala global.
E estão preocupadas com o futuro.
Se for o seu caso, é para você que escrevi este texto.
Não existem manipulação nem fraude na Palavra de Deus.
Ele é A Verdade.
Ele garante Sua Palavra para que se cumpra.
Só Ele pode garantir a sua vida e a de seus queridos, guardando vocês destes tempos terríveis que virão.
E virão, mesmo!
Você precisa conhecer a Jesus!
Se quiser, envie um email para mim e eu vou ter o maior prazer em explicar como você poderá fazer isso.
Se você já é de Jesus, e sentir desejo, envie este texto para seus amigos.
Por favor, faça.
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Haroldo Maranhão

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CAPÍTULO 4 - CONTINUAÇÃO DO ESTUDO SOBRE A EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS



Por: D.M. Lloyd Jones

"AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS"


"Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo." – Efésios 3:7-8

Tendo descrito a natureza da mensagem que o Senhor Deus lhe revelou e o comissionou a pregar, o apóstolo continua a tratar disto de maneira ainda mais profunda e com uma declaração sumamente comovedora. Ele começa dizendo que foi feito "ministro" do evangelho. Um ministro é aquele que serve aos interesses de outros e em benefício de outros; assim, o que Paulo está dizendo é que o "mistério" lhe fora revelado por Deus a fim de que ele pudesse ensinar os gentios, de que pudesse levar-lhes este grande beneficio. Eles estavam "separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo"; estavam nas trevas do paganismo, e a ele fora dada esta dispensação da graça de Deus para que pudesse levar-lhes esta grande bênção. Por isso ele foi pregar-lhes. Ele foi chamado para fazê-lo, e foi habilitado para fazê-lo.
O apóstolo estava particularmente interessado em que os Efésios compreendessem que todos os benefícios que agora desfrutavam como co-herdeiros com os judeus, tinham chegado a eles por meio do evangelho que ele pregara, e do qual era ministro. E aqui ele faz uma descrição magnífica do ministério cristão como uma vocação divina. Presumivelmente esta é, talvez, a primeira coisa que a Igreja Cristã precisa recuperar nos dias atuais. O fato de que a Igreja tem tão pouco valor para o mundo moderno deve-se em grande parte à sua incapacidade de compreender a origem e o caráter da vocação ministerial. Toda a idéia de ministério sofreu rebaixamento. Muitas vezes ele é considerado como uma profissão. O filho mais velho de uma família talvez vá para a Marinha, outro para o Exercito, outro para o Parlamento; depois, o filho caçula "entra" no ministério cristão. Outros acham que o ministro é alguém que organiza jogos e entretenimentos agradáveis para os jovens; ou alguém que visita os idosos e toma com eles uma saborosa chávena de chá. Tais conceitos do ministério cristão se tornaram por demais comuns. Contudo estes casos são caricaturas do ministério. O ministro é um arauto das boas novas, é um pregador do evangelho. Em grande medida é porque a verdadeira concepção da obra do ministério foi rebaixada, que o ministério perdeu a sua autoridade e tem tão pouco valor no presente. Queira Deus que num tempo como este os homens retomem a esta velha e neotestamentária concepção do ministério. O mundo de hoje está precisando de um Savonarola. Os homens e as mulheres precisam ser sacudidos para saírem da sua letargia, da sua pecaminosidade, da sua indulgência ociosa e do sem relaxamento. Os ministros são chamados primordialmente para ensinar aos homens e mulheres a grande revelação de Deus sobre Si mesmo, sobre o homem, sobre o único meio de reconciliação, sobre a qualidade da vida que a humanidade foi destinada a viver.
Depois o apóstolo passa a expressar o seu assombro por lhe ter sido dirigido este chamamento para o ministério. Notem o modo como ele se expressa. "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça." Não é falsa modéstia , nem afetação, nem hipocrisia. Ao mesmo tempo, não é, em nenhum sentido, uma contradição daquilo que ele diz noutro lugar sobre si mesmo, quando alega, "em nada fui menor aos mais excelentes apóstolos" (2 Coríntios 11:5). Como conciliar estas afirmações? A resposta é que ele nunca deixou de admirar-se do fato de que o pernicioso e blasfemo Saulo de Tarso fora chamado, não somente para a vida cristã, e sim também para ser apóstolo, e de que lhe fora dado o privilégio único de ser, de maneira muito especial, "o apóstolo aos gentios". É um mau dia na vida de qualquer cristão quando este se esquece da sua origem, quando se esquece da fossa da qual foi tirado. Não significa que devemos ficar perpetuamente olhando para trás e tomar-nos mórbidos, sempre nos lembrando dos nossos pecados. A essência da posição cristã é que sempre devemos compreender que é pela graça que somos salvos, que somos o que somos única e inteiramente pela graça de Deus. Se deixarmos de agir assim, perderemos o elemento de ação de graças e louvor em nosso testemunho cristão. O apóstolo jamais caiu nessa condição. Jamais se esqueceu de que era o que era “pela graça de Deus”. Ah, o privilégi0 disso tudo!
Mas havia outro elemento também nesta situação. Paulo era um homem que vivia tão perto do seu Senhor que tinha vívida consciência das suas deficiências e defeitos. Trabalhando infatigavelmente como trabalhava não obstante estava cônscio de quão pouco fizera e de quanto mais poderia ter feito. Ele expressa isto em muitos lugares e de muitas maneiras, demonstrando com isso verdadeira humildade, verdadeira modéstia. Se a pessoa não estiver sempre consciente da honra e dignidade de sequer ser cristão, especialmente de pregar o evangelho, e se não tiver consciência da sua inaptidão e insuficiência estará numa posição muito falsa. Quanto mais percebermos estas coisas mais maravilhados ficaremos, juntamente com o apóstolo, ante a graça a bondade e a benignidade de Deus.
Ademais, o apóstolo explica aos efésios, e a nós, como tudo isso lhe aconteceu; e mais uma vez a sua explicação é que tudo lhe veio “pela graça de Deus”. Notem como ele fica repetindo esta palavra, "dado": “Do qual”, diz ele no versículo 7, "fui feito ministro, pelo dom da graça de, Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça". Esta é a palavra que apresenta o evangelho e a salvação - dado. É tudo de graça, tudo é “dado”. O apostolo não se achava digno de coisa alguma; tudo lhe fora dado livremente segundo o amor, a misericórdia e a compaixão de Deus. Torno a dizer que: se não percebemos isto, é porque todo o nosso entendimento da salvação e defeituoso.
Paulo, porém, continua e nos diz que o dom lhe foi dado de maneira particular: foi “segundo a eficaz operação do seu poder". Desafortuna¬damente a Revised Standard Version, tão popular hoje em dia e também a Versão de Almeida, mormente a Edição Revista e Corrigida são fracas neste ponto. Dizem simplesmente: "pela" ou "segundo a operação do seu poder. Mas a palavra é muito mais forte; e a Versão Autorizada (Authorized Version) a traduz acertadamente: "pela eficaz operação do seu poder". Também poderíamos traduzi-la "pela vigoro¬sa operação do seu poder". A palavra empregada veicula essa idéia; e o apóstolo a utilizou com o fim de explicar o que é que transformara aquele perseguidor e blasfemo inimigo de Cristo num dos Seus principais pregadores e apóstolos. Nenhuma outra coisa pode produzir tal mudança.
Uma das questões mais fundamentais que nos confrontam quando pregamos evangelho é, o que é que pode levar uma pessoa a deixar de ser um inimigo de Deus para ser alguém que ama a Deus? O que é que pode transformar o homem natural, para quem as coisas de Deus são “loucura”, num homem que se deleita nelas e as desfruta e vive por elas, e cuja suprema ambição é conhecê-las mais e mais? De acordo com o apóstolo Paulo, há somente uma resposta: é a "eficaz operação" do poder de Deus - nenhuma outra coisa.
O apóstolo Paulo estava bem cônscio deste poder. Se tivesse sido deixado a si mesmo, teria continuado sendo o fariseu perseguidor e blasfemo. Ele tinha ouvido falar da pregação de Cristo, tinha ouvido a pregação de Estevão; sabia, tudo que os cristãos pretendiam. No entanto ele odiava as boas novas; nada via nelas, exceto blasfêmia. Que foi que aconteceu com este homem? Ha só uma resposta: ele tinha sido feito um novo homem. Tinha sido regenerado, tinha nascido de novo, tinha sido feito "uma nova criatura" - nada menos que isso! E tudo como resultado da "eficaz operação" do poder de Deus.
É a eficaz operação do poder de Deus que faz deste ou daquele um cristão. Isto significa renascimento, regeneração. Não é resultado da nossa decisão, não é algo que eu e vocês podemos decidir fazer; é o que nos é feito! "A eficaz operação do seu poder!" Paulo nunca teria sido um cristão, se não fosse este poder. Mas mesmo após tornar-se cristão, ele teria sido ineficiente, sem este mesmo poder. E esta operação, e este poder de Deus que não só transformou totalmente a sua perspectiva, porém também o chamou para o ministério e lhe deu os dons que são os requisitos para o ministério, para a compreensão da verdade, para a capacidade de falar, para a capacidade de escrever, para a capacidade de ensinar. Era tudo de Deus. O apóstolo trata disto detalhadamente no capitulo subseqüente e afirma que quando Cristo ressurgiu dos mortos e ascendeu às alturas, "deu dons aos homens", a alguns, apóstolos, a alguns, profetas, a alguns, evangelistas; e a alguns, pastores e mestres.
Tudo é dado por Deus. Os ministros são dados por Deus a Igreja, e todos os dons e toda ajuda presentes na Igreja são dados por Deus. Em nós e por nós mesmos, somos desvalidos. Ninguém pode pregar verdadeiramente o evangelho por sua própria força e poder. Talvez se possa falar, e falar eloqüentemente; mas falar não e pregar, e não levará a nada. Sempre que há um ministério eficaz, é por causa desta "operação", desta "operação vigorosa" do poder, de Deus mediante o Espírito Santo. Como nos diz o apóstolo em 1 Coríntios, capitulo 2, sua pregação "não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana". Ele não dependia de quaisquer dons ou métodos, ou artifícios humanos. Foi "em demonstração do Espírito e de poder”. Assim, aqui ele de novo salienta que recebeu o seu ministério e foi posto em sua posição pela "vigorosa operação” do poder divino.
Sabemos alguma coisa sobre isto? Vocês sentiram a mão de Deus sobre vocês? Vocês experimentam a operação de Deus em suas vidas e em suas almas? Vocês sabem o que é receber tratamento e ser moldado e modelado? Isto está envolvido no cristianismo verdadeiro. É tudo resultado da "vigorosa operação do seu poder” O apóstolo resume isto com perfeição numa grandiosa frase, no capitulo primeiro da Epístola aos Colossenses (vers. 29). Vinha ele dizendo que pregava "admoestando a todo o homem e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para apresentar todo o homem perfeito em Jesus Cristo”, e em seguida acrescenta: "E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente”. Estou labutando, diz Paulo, estou trabalhando, para não dizer agonizando em meu trabalho. Sim, mas este é o resultado daquilo que Ele está fazendo em mim e operando em mim. Estou externando o trabalho que Ele está realizando em mim, Estou labutando, claro, porém em conformidade com esta tremenda operação de Deus que age em mim poderosamente. Temos assim: esta perfeita fusão do divino e do humano, o poder de Deus “energizando” um homem e capacitando-o a levar avante a sua obra no ministério.

“As insondáveis riquezas de Cristo”

Diz o apóstolo que deste modo ele foi preparado, equipado e chamado para pregar entre os gentios "as insondáveis riquezas de Cristo”. Que frase! Que profunda, que sublime afirmação! Todavia é também uma declaração que nos prova e nos examina. Não hesito em asseverar que a prova de toda pregação está em sua conformidade com esta definição da mensagem, e com este padrão. A função de todo aquele que alega ter sido chamado para ser ministro do evangelho é pregar as “insondáveis riquezas de Cristo".
Examinemos esta obra e vocação do ministro, primeiro negativa¬mente. Ele não deve pregar simplesmente sobre eventos comuns. Há os que nos criticam por gastarmos tempo domingo após domingo exami¬nando Efésios, capitulo 3, por causa da situação do mundo e de muitos e graves problemas internacionais, políticos, industriais e econômicos. Acham que, para ser relevante, a pregação deve abordar diretamente essas questões. Mas, será essa a tarefa do ministro cristão? Será sua função expressar sua idéia sobre o que o governo devia ter feito na semana, ou sobre o que não devia? Será que a missão da Igreja é viver mandando resoluções aos governos e aos estadistas, e proferindo seus minuciosos conselhos sobre muitas questões especificas? Minha res¬posta e que eu não tenho a pretensão de conhecer mais a situação internacional do que qualquer outro membro da Igreja. Não tenho diante de mim todos os fatos; assim expressar eu a minha opinião seria uma impertinência. Tenho minhas idéias, como todos nós temos, porém não estou em condições de levantar-me e dirigir-me a um grupo de cristãos dando minha opinião quanto ao fato de o governo agir acertada ou erradamente. Esta, reitero, não é a ocupação primordial do ministro cristão. E tenho a Impressão de que, devido muitas vezes a Igreja ter feito esse tipo de coisa, não só ela é o que é hoje, mas também, o mundo é o que é. Há evidências muito fortes que dão a entender que foi a ação da "Igreja", e particularmente de certas pessoas da Igreja na década de 1930, que levou diretamente à guerra de 1939 a 1945.
A Hitler e a outros da Alemanha foi dada a impressão de que o seu país se tomara completamente pacifista e a preço nenhum se envolveria noutra guerra. É perigoso para os ministros, quer ocupem posição elevada na Igreja quer não, exprimir as suas opiniões sobre esses assuntos. O ministro cristão é chamado para pregar "as insondáveis riquezas de Cristo".
Por outro lado, não é função da Igreja Cristã pregar patriotismo. Ela o tem feito numerosas vezes. Muitas vezes a Igreja não tem passado de agência de recrutamento, de posto de recrutamento em tempos de guerra. Isso é uma falsificação do ministério cristão. O mundo estava envolto em grande dificuldade quando Paulo escreveu estas coisas; e o mundo sempre esteve em dificuldade; mas a ocupação e tarefa peculiar à Igreja Cristã e a seus ministros é fazer o que o apóstolo diz aqui. Muitíssimas vezes os ministros cristãos não têm sido senão uma espécie de Capelão da Corte, declarando vagas generalidades.
Tampouco é tarefa da pregação simplesmente apregoar e inculcar moralidade pública geral ou alguma ética geral. Tem havido muito disso nos últimos cem anos, e o ministério foi se tomando cada vez menos profético. O cristianismo foi ficando cada vez mais diluído e, conseqüentemente, cada vez menos eficiente. A missão da Igreja não consiste em produzir "pequenos cavalheiros perfeitos". O mundo pode pregar moralidade e ética, e o tem feito de várias maneiras. Os filósofos podem fazê-lo, e o têm feito. Os judeus do primeiro século A. D. ensinavam moralidade; e os filósofos pagãos pregavam moralidade antes de Paulo ter sido chamado para o ministério. No entanto Paulo foi chamado para pregar "as insondáveis riquezas de Cristo".
Além disso, tudo, a tarefa do pregador não é pregar religião. Nem mesmo religião! Nem mesmo a vida piedosa em geral! O judaísmo estivera pregando a importância da religião e a importância vital da vida piedosa. Permitam-me ir mais adiante. Nem mesmo constitui a tarefa primordial do pregador do evangelho dizer ao povo que ore, que se amolde a determinados padrões e que exercite a disciplina pessoal. O maometanismo faz isso, e na verdade o faz com muita eficiência. Ele prega uma disciplina austera. Prega um culto a Deus. Contudo isso não é cristianismo. Em certo sentido, vocês podem vi ver piedosamente sem o cristianismo. E uma piedade falsa, bem sei, porém é um tipo de piedade. Igualmente vocês podem ter religião, e ser muito zelosos nela. Mas não é isso que Paulo fora chamado para pregar. Ele estivera fazendo isso tudo como fariseu.
Vou dar mais um passo; tampouco constitui a função primária dos ministros cristãos ensinar e pregar a doutrina de Cristo relacionada com certas questões específicas. Há homens que parecem reduzir "as insondáveis riquezas de Cristo" a nada mais que pacifismo. Pregam-no todos os domingos: a guerra é o pecado absoluto e, se tão-somente nos portássemos com boas maneiras para com as outras pessoas, e nos negássemos a brigar por qualquer coisa, seríamos muito mais felizes. Para eles esse é o supra-sumo do cristianismo. Todas estas coisas ficam desesperadamente abaixo desta grande e prodigiosa definição do evangelho dada aqui pelo apóstolo. Pensem em todos os pomposos pronunciamentos feitos por ministros da Igreja domingo após domingo sobre a situação internacional. Onde entram "as insondáveis riquezas de Cristo"? Pensem nos apelos ético-morais, e nos apelos feitos em nome do país, sistematicamente repetidos. Onde Cristo e as Suas insondáveis riquezas entram nisso tudo? Isso é uma máscara do evangelho; é um desperdício de tempo. É uma negação do dever e da tarefa de que fomos incumbidos.
Então, que é que Paulo prega? Que devemos pregar? Primária e essencialmente, o Senhor Jesus Cristo. As riquezas são "as insondáveis riquezas de Cristo"! A essência do evangelho é Cristo e o que Ele nos dá. Não o que fazemos, não o que Ele pede que façamos. Isso vem mais tarde. O claro princípio e essência do evangelho é o que Ele nos dá, o que recebemos dEle. Paulo vibra de emoção simplesmente ao pensar nisso. Diz ele, noutras palavras: foi-me dado este grande privilégio de chegar até vocês, e eu lhes dei as boas novas, as maravilhosas e emocionantes novas concernentes às riquezas de Cristo - o que Ele lhes deu, o que pode dar-lhes e o que lhes dará - "as insondáveis riquezas de Cristo". A primeira mensagem é, pois, sobre o dom de Deus, antes de qualquer chamamento para fazermos alguma coisa.

A seguir devemos tentar analisar este evangelho _ "tentar", porque a própria tentativa é quase ridícula. Em última instância, não podemos analisá-lo, mas, visto que temos a tendência de apenas repetir estas frases sonoras sem considerar o que significam, devemos ao menos aventurar-nos a fazer esse trabalho. Felizmente o próprio apóstolo faz a análise das "boas novas" no restante do capítulo.
A primeira coisa que devemos acentuar é que o evangelho é o próprio Cristo. "As insondáveis riquezas de Cristo." Primeiro, não as insondáveis riquezas que Ele nos deu, porém Cristo mesmo como as insondáveis riquezas. Naturalmente isto inclui o que já consideramos sob o termo "mistério" - "o mistério de Cristo". As "riquezas" estão nEle graças ao mistério da Sua encarnação, assumindo a natureza humana e Se tornando verdadeiramente homem. A mensagem do cristianismo é o próprio Cristo. Como muitas vezes tem sido assinala¬do, "o cristianismo é Cristo". Tudo está nEle, e não há nada fora dEle. Deus entesourou todas as Suas riquezas em Seu Filho; e tudo que vem II mim e a vocês na vida cristã, vem-nos diretamente dEle. Sem contato com Ele, não teríamos nada. "Sem mim", disse Ele, "nada podeis fazer." João, no capítulo primeiro do seu Evangelho, diz: "E todos nós recebemos também dá sua plenitude, e graça por graça"! (versículo 16) _ "da sua plenitude"! Estamos unidos a Ele e dEle fluímos; Ele é o manancial. Assim, pois, a mensagem do evangelho é o próprio Cristo; o que Ele nos dá, apesar da sua imensa importância, vem em segundo lugar.
Em seguida, vejam a segunda palavra de Paulo, a palavra insondáveis. Se tão-somente pudéssemos enxergar o que há em Cristo! Mas é insondável, inescrutável. Isto nos faz lembrar a nossa definição da palavra mistério. É um mistério, porém foi revelado. Graças a Deus que é assim, pois, doutro modo, nada saberiamos a respeito. Segue-se que não há quem possa achar e apossar-se dessas riquezas por sua iniciativa e poder. Muita gente tentou fazê-lo. Muita gente abordou o cristianis¬mo filosoficamente e tentou compreendê-lo de fora. Fariam bem em desistir logo no começo, pois nunca se poderá fazer isso. As riquezas são inescrutáveis, são insondáveis; por si mesmo o homem é incapaz de consegui-las.
Além disso, porém, as riquezas que há em Cristo são insondáveis no sentido de que nenhum homem, mesmo sendo cristão, pode compreendê¬-las plenamente. À medida que Paulo prosseguia na vida cristã, foi ficando cada vez mais maravilhado ante essas riquezas. Talvez ele pensasse, às vezes, que já tinha estado em todos os compartimentos deste grande tesouro, mas então encontrava outro. Há sempre outro compartimento mais para o fundo, e mais outro, e mais outro. Passare¬mos a nossa eternidade descobrindo novos aspectos e facetas das insondáveis riquezas de Cristo. Insondáveis, inescrutáveis!
Outro significado da expressão é que as riquezas jamais poderão ser descritas plenamente. Daí Paulo se vê obrigado a juntar superlativo a superlativo _ falta-lhe a linguagem. As "insondáveis riquezas", "as abundantes riquezas" da Sua graça, diz ele. Uma e outra vez ele fala de superabundância, e afirma que Deus “é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente alem daquilo que pedimos ou pensamos" (3:20). São estas as suas expressões e elas significam que as riquezas não podem ser descritas porque são extremamente gloriosas e infindáveis. O subseqüente sentido do termo é que as riquezas de Cristo são inesgotáveis; jamais faltarão. Conquanto os homens e as mulheres venham extraindo delas durante séculos, continuam existindo riquezas ali como se ainda fosse o começo. Jamais será possível reduzi-las. Elas são "um mar sem maré vazante", como no-lo recorda um dos nossos hinos. As insondáveis riquezas de Cristo! Quanto sabemos delas? A expressão nos emociona? Significa algo de real e concreto para você'!
Que são estas insondáveis riquezas de Cristo? Embora seja impossível descrevê-las, devemos tentar mencionar algumas delas. Que há em Cristo para qualquer de nós neste momento? Vejamo-lo da seguinte maneira: sou pobre, estou de mãos vazias, sou um mendigo; de que preciso? Cristo tem tudo de que preciso. Quais as coisas de que tenho maior necessidade? A resposta acha-se numa expressão de Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, onde ele diz: “... O qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 :30). São estas as riquezas, as "insondáveis riquezas".
A primeira coisa de que necessitamos é "sabedoria", isto é, conhe¬cimento e entendimento. Aqui estamos nós, neste grande mundo, perplexos ante os seus problemas e possibilidades. As primeiras questões a serem respondidas são: que dizer de tudo isso? Por que o homem é como é? Existe um Deus? Por que Deus não faz alguma coisa com relação a isso tudo? Como podemos conhecer a Deus? Com o mundo ruindo ao nosso redor, não haveria nenhum lugar seguro e estável? Essa é a nossa primária e fundamental necessidade. E aí está por que não prego diretamente sobre a situação internacional. Eu não poderia ajudar vocês, se fizesse isso. Mas esta é a maneira cristã de ajudá-los. Se eu e vocês conhecemos a Deus, muito bem, então o que lemos no Salmo 112 é verdade quanto a nós: "Não temerá maus rumores: o seu coração está firme, confiando no Senhor" (versículo 7). E como poderemos chegar a este conhecimento e a esta sabedoria? Notem a resposta do apóstolo: "em Cristo". “(Ele) para nós foi feito por Deus sabedoria".
O Senhor Jesus Cristo me ensina sobre Deus, porém isso me faz cônscio da minha pecaminosidade. Sinto-me incapaz de ousar aproxi¬mar-me de tal Deus. Estou em agonia, estou em crise, porquanto posso morrer a qualquer momento e ter que me apresentar a Deus. Como pode um pecador apresentar-se a Deus? "Como se justificaria o homem para com Deus?" (Jó 9:2). Cristo foi feito "justiça" para nós. Embora vocês tenham vivido uma vida de pecado ate este momento, se crerem no Senhor Jesus Cristo os seus pecados serão perdoados, vocês serão revestidos da justiça de Jesus Cristo neste exato momento e poderão estar na presença de Deus. A justiça faz parte das "insondáveis riquezas de Cristo".
Mas não termina aí; devo prosseguir. Como poderei continuar com Deus? Embora saiba que estou perdoado, e que me foi dada a justiça de Cristo, sei que o pecado continua em mim, e sei que o diabo continua sendo meu inimigo. Como poderei permanecer firme na luta contra o pecado e o mal? Paulo responde: Cristo foi feito para nós, não somente sabedoria e justiça, e sim também santificação. Seja quando for que venhamos a morrer, podemos estar certos disto, que em Cristo compareceremos perante Deus "irrepreensíveis e inculpáveis" (Colossenses 1:22). Ele é a nossa santificação, e Ele nos ajuda a desenvolvê-la em nossa vida diária pondo em nós o Seu Espírito Santo.
Cristo é também a nossa redenção, o que significa que Ele ressus¬citará o meu corpo e o glorificará e o transformará. A redenção é completa e total; nada estará faltando em meu corpo, mente e espírito. Em sua pobreza, em sua necessidade, vocês se defrontarão com "as insondáveis riquezas de Cristo". Ele é tudo de que vocês necessitam.

Redimido, curado, restaurado, perdoado, quem como tu louvor irá cantar-Lhe?

Ou vejam-no assim: de que realmente necessitamos, qual é a nossa maior necessidade? A nossa maior necessidade é a vida. Na maioria, as pessoas hoje apenas existem; mas não têm vida. Quanto os seus prazeres lhes são vedados, quando por causa da guerra os cinemas, os teatros, as casas de diversão e os salões de dança têm que ficar fechados, elas não têm nada. Elas não têm vida; apenas existem, e dependem de coisas externas; carecem de vida. Contudo, onde achar vida? Cristo de novo foi quem disse: "eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (João 10: 10). Vida significa vida espiritual; vida significa ter relação com Deus e fruir Sua comunhão; e Cristo, Senhor nosso, a tem em toda a sua plenitude. Diz Ele: "aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede" (João 6:35). "A água que eu lhe der", disse Jesus à mulher samaritana, "se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna". Ainda que o mundo tire tudo de vocês, ainda que vocês venham a ficar nus e privados de todas as coisas, esta vida procedente de Cristo continuará a jorrar em vocês, eternamente.
O apóstolo desenvolve mais este ponto no final deste capitulo três, mas devo acentuar de novo que Cristo mesmo é as riquezas, e é quando eu O conheço e O tenho, que sou participante das riquezas. O apóstolo teve um conhecimento pessoal do Senhor Jesus Cristo, e esse é o maior tesouro do mundo. Muitas vezes dizemos, e é verdade, que a maior bênção que podemos ter neste mundo é ter um bom marido ou mulher ou amigo. Dizemos que isso é uma possessão inapreciável. Entretanto no evangelho nos é oferecido este conhecimento de Cristo e este companheirismo com Ele. Escrevendo aos Filipenses, diz o apóstolo: "Para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1:21). E vida para ele ¬conhecer a Cristo. Depois ele prossegue, dizendo que a sua maior ambição é "conhecê-lo". Não quer dizer simplesmente conhecer algo acerca dEle; quer dizer conhecê-lO, para poder andar e falar com Ele, e ouvi-la. Assim vivia o apóstolo Paulo. Ele vivia neste estado de comunhão com Cristo. Cristo estava mais perto dele e lhe era mais precioso e mais real do que qualquer coisa no mundo. Ele já desfrutava isto e disto queria mais e mais.
Ele ora pelos outros: "que Cristo habite pela fé nos vossos corações" (3: 17). O Senhor vem ao coração e nele habita. Ele mesmo diz: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Apocalipse 3:20). Todas as riquezas e todos os tesouros de Deus estão em Cristo, e Ele entra na vida e no coração, e ali habita - "Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1 :27). O apóstolo prossegue e ora por estes efésios, no sentido de que sejam "fortalecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações". E o objetivo disto é que venham a compreender "a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento". Nada no mundo é compará¬vel a isto - ser amado por Cristo, senti-lo e experimentá-lo. Que são as riquezas do universo inteiro, em comparação com isto? Ser amado pelo Filho de Deus! "As insondáveis riquezas de Cristo."
Ainda assim, além da dádiva de Si mesmo, Cristo também nos dá o Seu Espírito Santo. "Eu, na verdade, vos batizo com água", disse João Batista; "ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo" (Mateus 3: 11). Recebemos o dom da habitação do Espírito Santo, residente em nós; e, ademais, o Seu poder de ativar-nos e habilitar-nos para "operar a nossa salvação" (Filipenses 2: 12) e para sermos testemunhas disto para os outros.
Mas há também certas riquezas particulares que resultam disto. A primeira que Cristo nos dá é descanso: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mateus 11 :28). Vocês têm experiência disto? Ele o pode dar-lhes copiosamente. Depois é a paz. Isto é o que Ele diz: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (João 14 :27). Não posso ajudar nenhuma alma necessitada e atribulada pregando sobre a situação internacional, mas eis a mensa¬gem de Cristo para vocês: "Paz vos dou", não importa o que lhes esteja acontecendo. Os jovens podem ser convocados para a luta, não sei; calamidades podem sobrevir, não sei; porém sei que o de que necessi¬tamos é paz interior. Aconteça o que acontecer no mundo exterior, Ele nos dá Sua paz. "Não estejais inquietos por coisa alguma", diz Paulo; isto é, "Em nada vos oprimais com ansiosa preocupação"; aconteça o que acontecer com o seu marido, ou com os seus filhos, não se inquiete. "Antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e suplicas, com ação de graças." E logo a seguir: "a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Filipenses 4:6-7). Tudo isso está incluído nas riquezas "insondáveis".
Pensem então na alegria. "Até agora", diz o Senhor, "nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra”. Isso foi dito no contexto, "no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:24, 33). Acaso vocês precisam de sabedoria? "Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada", diz Tiago em sua Epístola (1:5). O Senhor nos oferece direção, entendi¬mento, sabedoria e discernimento. Isto leva a uma das coisas mais maravilhosas, a saber, a capacidade de estarmos contentes com o quinhão que nos toca, haja o que houver. Paulo diz aos filipenses: "já aprendi a contentar-me com o que tenho. “Sei estar abatido, e sei também ter abundância... Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (4:11-13). Que maneira de enfrentar o futuro, por mais trevoso e problemático que seja! Seja o que for que aconteça, podemos encará¬-lo com serenidade e firmeza. "Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.
O Senhor também pode transfigurar a morte. "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho", diz o apóstolo aos filipenses (1:21). Ah, "as riquezas da Sua graça"! A bem-aventurada esperança que Ele nos oferece por sermos filhos de Deus, e "se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (Roma¬nos 8: 17), capacita-nos a sorrir mesmo em face da morte. Embora se usem bombas atômicas e de hidrogênio, e o nosso mundo seja reduzido a nada, resta para nós "uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar" (1 Pedro 1:3-5).
Mal comecei a falar-lhes das riquezas, mas estas são algumas das coisas que se acham na casa do tesouro da graça de Deus. Vocês estão usufruindo estas riquezas, "as insondáveis riquezas de Cristo"? Vocês são infelizes? Estão abatidos? Sentem-se despojados de tudo? Deus tenha misericórdia de vocês! Com todos estes tesouros dados gratuita¬mente, não temos direito de passar necessidade; e somos uma desonra para Cristo, se estamos nessa condição. Vocês usufruem a Cristo? Ele está à porta e bate. Esse texto não é para os incrédulos; é para os convertidos. É mensagem para a igreja em Laodicéia (Apocalipse 3:20). Ele está à porta, e bate; Ele quer entrar e enchê-los de paz, de alegria e de tudo quanto vocês necessitam. Deixem-nO entrar! Con¬templamos estas riquezas? Demoramo-nos nelas? Nós as estamos recebendo cada vez mais? Seu desejo por elas vai ficando cada vez maior, cada vez maior? Vocês vivem por essas coisas? Como vocês vão passar o restante deste dia? Será em termos das "insondáveis riquezas de Cristo", ou vocês vão cair de novo nos jornais ou na leitura de um romance ou no rádio ou na televisão? Em Cristo é que são abundantes as riquezas. Não permita Deus que sejamos como os crentes em Laodicéia, que achavam que tinham tudo e que estavam ricos! A mensagem do Filho de Deus aos que pensam assim é: "Como dizes: rico sou, e estou enriquecido ... " Se alguém tende a dizer, sou conver¬tido, não sou como esses incrédulos; sou fundamentalista, e não modernista; comigo está "tudo bem", e posso sentar-me e relaxar; se pensa assim e acredita que não precisa de nada, a verdade a respeito dele é: "Não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu". Acaso vocês estão em dúvida sobre si mesmos e sobre o que têm? Se é assim, esta é a palavra do Senhor para vocês: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas" (Apocalipse 3:18). Dessa maneira Ele oferece a todos os que nEle crêem as suas "inson¬dáveis riquezas".
Não permita Deus que nenhum de nós viva como mendigo! Não permite Deus que qualquer de nós esteja em penúria, em necessidade e carência, em angústia, em condição alarmante e insegura! O mundo hoje nos oferece uma oportunidade única de falar aos homens e às mulheres das "insondáveis riquezas de Cristo". Estamos sendo vigia¬dos, estamos sendo observados; e muitos, em sua ruína espiritual, ficam a indagar se, afinal de contas, a resposta está em Cristo. O mundo O julga pelo que vê em nós. Se dermos a impressão de que, afinal, ser cristão não ajuda muito quando há uma crise, não ouvirão a nossa mensagem e não olharão para Ele. Mas se vêem que somos inteiramen¬te diferentes deles, e capazes de manter calma, equilíbrio, paz, estabi¬lidade, e até alegria em meio aos furacões da vida, sob Deus isso poderá ser o meio para abrir os seus olhos e levá-los ao arrependimento, trazendo-os ao Senhor Jesus Cristo e às Suas "insondáveis riquezas".