CAPÍTULO 64
UMA VISÃO GERAL DE RAMSÉS ATÉ SINAI
Por: Ir. Luiz Fontes
“Possamos compreender por que o Senhor nos conduz de estação em estação; de experiência em experiência”.
Amados irmãos e irmãs, nós estudamos até aqui nessas estações, de Ramsés até o Sinai. A primeira estação foi Ramsés, a segunda Sucote, a terceira foi Etã; a quarta estação foi Pí-Hairote, a quinta foi Mara, sexta foi Elin, a sétima foi Mar-Vermelho, a oitava foi o deserto de Sim, nona Dofca, a décima foi Alus, décima primeira Refidim, a décima segunda monte Sinai. Então nós vemos a peregrinação que os filhos de Israel realizaram até aqui. Precisamos continuar estudando. Vemos que eles marcharam desde o Egito até a terra de Canaã. Ali Deus os levou para uma escola importante, para lhes poder ensinar as verdades do seu coração. Ramsés foi o início da marcha. O caminho direto de Ramisés para Canaã teria sido pela terra dos filisteus; ao norte dos lagos, e ao logo da orla setentrional. Mas amados, preste atenção, Deus não permitiu que eles fossem por esse caminho, essa direção lhes foi proibida (Êxodo 13, 17-18), Deus impediu que eles fossem por esse caminho. Teria sido uma viagem mais rápida de aproximadamente uns 30 dias, mas Deus não permitiu. Mas depois de um certo tempo eles tomaram o rumo oriental, prosseguindo para o sul; aqui nós vemos que faraó os perseguiu e nós vemos que eles acamparam primeiro em Sucote, ali eles passaram a noite. Que não deveria ter sido uma viagem muito longa porque de Sucote a Ramsés é muito perto. Pela segunda tarde chegaram à orla do deserto em Etã. Provavelmente agora deveriam ter seguido para o oriente, mas foi-lhes ordenado lá em Etã que retrocedessem e que acampassem defronte de Pi-Hairote entre Migdol e o mar, diante de Baal-sefon; isto está em Êxodo 14:12; era um estreito desfiladeiro, perto da costa ocidental do golfo, entre os montes que guarnecem o mar e uma pequena baia ao sul; irmãos e irmãs, ficaram deste modo desorientados, eles não estavam entendendo porque Deus os mandou retroceder; porque olhando naturalmente este tipo de movimento atraiu faraó para junto deles; e agora eles estavam sem saída porque aos lados estavam as montanhas, à frente o mar-vermelho e atrás vinha o exército de faraó; esse movimento foi muito interessante. O desígnio de alterar desta forma a linha da marcha Deus havia revelado a Moisés (Êxodo 14:17). Os egípcios aproximaram-se dos filhos de Israel quando eles estavam ali acampados diante do braço ocidental do mar-vermelho; nós sabemos que o Senhor operou ali uma notável mudança no decorrer desses últimos 300 anos. Em virtude de uma grande acumulação de areia; por essa razão impossível determinar por onde os filhos de Israel atravessaram, eles passaram pelo mar em seco para o lado oriental perto do sítio chamado “aiunmuzá” poços de Moisés; principiando aqui o deserto de Sur (Êxodo 15:22) ou mesmo desde Etã (Num 33:8); o deserto de Sur e o deserto de Etã fala do mesmo deserto e aplica-se a parte superior do deserto, este deserto estende-se desde o Egito até a praia oriental do Mar-Vemelho e alarga-se para o norte até a palestina. O caminho que os filhos de Israel tomaram é uma larga vereda pedregosa entre as montanhas e a costa, na qual corre no inverno vários ribeiros que nascem nos montes, nesta ocasião tudo deveria estar seco. O lugar onde, provavelmente, eles tiveram que estacionar foi Mara e ali eles experimentaram aquelas águas amargas onde foi operado o milagre de se tornar aquela água doce (êxodo 15:23-25). Aquela estação onde isto aconteceu é onde hoje é chamado “Ain Ralvara”; perto de um riacho chamado de “uadin amará”; que tem o mesmo significado de Mara; a seguinte estação foi Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; um lugar muito lindo – um oásis no deserto. Este vale contem agora tamareiras e há caças de diferentes espécies. Obtém-se nesse lugar hoje água em abundância cavando poços e há também uma copiosa nascente com um pequeno regato. Depois de Elim os filhos de Israel foram para o deserto de Sim, entre Elin e Sinai (Ex 16.1). No sopé da escarpada cumeeira de “et-ti-e”, um nome que significa divagação. É um grande deserto, quase que totalmente desprovido de vegetação. Sabemos que logo depois de ter entrado neste deserto os israelitas obtiveram aquela milagrosa provisão de codornizes e também do maná. Os grandes eruditos da palavra de Deus supõem que eles tomaram em seguida a direção sul-este, marchando para a cordilheira do Sinai. Neste caso a sua passagem teria sido pelo extenso vale que os árabes chamam de “uaid feirã”. Passaram depois por Dofca, Alus; o vale feirã é o sitio mais perto de toda aquela região. E aqui que devemos encontrar Refidim, onde pela primeira vez foram atacados (Ex. 17:8-13). Depois temo Getro, sogro de Moisés que lhe visitou em Refidim e trouxe conselho sábio para que fossem nomeados juízes para cooperar com Moisés em toda ação judicial. (Ex. 18); e aqui entre elevados picos estava a rocha que por mandado de Deus foi ferida por Moisés, saindo dela depois abundância de água. Em seguida fizeram em seu acampamento no ermo do Sinai onde Deus revelou à multidão a sua vontade por meio de Moisés; foram dados os dez mandamentos ao homem, foi estabelecido o pacto; lá em (Êxodo 20:1-17; 24:7-8); neste deserto também se deu o caso do culto prestado ao bezerro de ouro e a enumeração do povo e a construção do tabernáculo; além disso Arão e seus filhos foram consagrados; celebrou-se a páscoa; também aqui tivemos, infelizmente, morte de Nadabe e Abiu porque eles ofereceram fogo estranho diante do Senhor, porque isso não é aprovado pela palavra de Deus. O monte Sinai, onde a lei foi dada, chama-se Orebe em Deuteronômio e Sinai nos outros livros do Pentateuco; provavelmente o primeiro nome designa todo o território e o outro simplesmente a montanha onde foi revelada a Lei. Permaneceram os filhos de Israel no Sinai por um período de aproximadamente onze meses, e aqui eles ficaram. Vemos que a nuvem do Senhor ficava ali manifestando a sua presença cobrindo todo o tabernáculo. Aqui Deus trouxe a visão do tabernáculo. Tabernáculo é uma figura da doutrina do entremesclar. Primeiro nós vemos a doutrina da pessoa de Cristo - Cristo o Cabeça; mas também vemos a doutrina do corpo de Cristo. Em Primeira instância tudo no tabernáculo revela Cristo, mas é incrível: se você olhar para Cristo, você vai ver não somente o Cabeça, Ele, o Senhor Jesus, mas também o seu corpo. Há verdades extraordinárias, preciosas, doutrinárias que nós encontramos o fundamento no novo testamento, reveladas no Tabernáculo. Então, assim, nós temos uma visão parcial e gloriosa daquilo que é o Tabernáculo; que Deus nos ajude a entender. Porque agora nós vamos para a décima terceira estação que é Quibrote-Hataavá. Eu sei que Deus tem algo glorioso para falar ao seu coração; que você, juntamente comigo venha estudar esta verdade, venha entender porque o Senhor está nos conduzindo assim, venha entender porque que ele nos conduz assim, de estação em estação; de experiência em experiência. Amados irmãos e irmãs, todas estas estações por onde o povo de Israel passou, revelam para nós verdades maravilhosas; revelam para nós a nossa peregrinação, como nós somos conduzidos pelo Senhor, como somos levados pelo Senhor de experiência em experiência. Que você possa compreender isso, que você possa entender isso. Que o Senhor venha ganhar o teu coração e te abençoar rica e poderosamente.
Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Hebreus 4:12
terça-feira, 22 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
AS 42 JORNADAS NO DESERTO

CAPÍTULO 63
Por; Ir. Luiz Fontes
TEXTOS: Levítico 25:1 a 26:46/ Levítico 27:34/ Números 3:1 – da 9ª à 11ª subida
Hoje vamos estudar da 9ª subida de Moisés ao Monte Sinai até a 11ª, que é a última vez que Moisés sobe ao Monte Sinai, e tenho certeza que Deus tem algo para poder falar a nós. Temos estudado todas essas subidas onde o Senhor tem falado a cada um de nós que temos recebido esta Palavra – entender o revelar de Deus por meio do Seu falar.
9ª subida – Levítico 25:1 a Levítico 26:46
Nessa subida vemos que até aqui Deus já havia revelado a questão do amor do povo para com Ele; o amor que Seu povo deveria ter por Ele; como também o amor ao próximo. Até aqui Deus revelou o mistério de Cristo e a maneira de viver na comunhão do corpo de Cristo e a renovação do pacto – a nova aliança. Agora Deus começa a ensinar o povo acerca da vida prática no Reino. Nesta nona subida vemos a questão do ano sabático, o jubileu da terra, a remissão, a questão das dívidas, ou seja, a vida cristã revelada debaixo dos parâmetros da revelação divina. Toda a nossa vida deve ser norteada pela palavra de Deus. Todo o nosso viver tem que ser conduzido pela palavra de Deus. Esses princípios são revelados em Levítico 25 a Levítico 26:46.
Em tudo isso podemos ver algo acerca do caráter cristão, do fundamento da vida e da pessoa de Cristo Jesus. Meus irmãos e irmãs, nossa vida não é uma vida qualquer. Como Cristão, isto é, como alguém em Cristo, toda a nossa vida deve ser conduzida pelo caráter de Cristo. Todo o nosso viver tem que corresponder à pessoa e à obra de Cristo em nós; aquilo que Ele é em nós, aquilo que Ele tem feito em nós; aquilo que Ele deseja realizar em nós; aquilo que se requer de nós como Cristãos.
10ª subida – Levítico 27:34
Nessa subida Deus revela as coisas consagradas. Estude essa décima subida e você vai ver Deus conduzindo o povo a estabelecer o reino de Deus na terra. O reino de Deus na terra não é como muitas pessoas têm pregado hoje – a questão das posições que os cristãos precisam ter nos assuntos deste mundo. Alguns têm compreendido de uma forma maligna. Vejo até mesmo uma semente satânica do ensino concernente ao reino de Deus na terra. O reino de Deus na terra só pode ser visto e manifestado pela Sua igreja. O reino de Deus é Sua autoridade expressa. Não é os cristãos ocupando funções e cargos políticos seculares neste mundo. Cargos estratégicos, posições estratégicas, nada disso! O reino de Deus só pode ser visto na coletividade e na expressão viva da Sua igreja nessa terra.
Primeiro Deus ensina o que devemos fazer em tratar com a terra. Como vendê-la, fazer o jubileu, fazer o resgate, fazer a remissão. Nessa décima subida Deus fala das coisas consagradas a Ele: se alguém quer consagrar a Deus sua terra, se alguém quer consagrar a Deus sua casa. Deus vai tomando o reino na expressão de tudo aquilo que somos e de tudo aquilo que fazemos como membros do corpo de Cristo. Tudo o que fazemos devemos fazer como ao Senhor. Seja na sua casa, seja no seu trabalho, tudo isso deve refletir na sua vida o caráter do reino de Deus. Então veja, Deus começa desde o Monte Sinai e vai descendo até chegar a tomar a nossa casa, nossa terra, nossos bens... Tudo em nós deve bendizer o Senhor. O nosso emprego, a nossa casa, nosso casamento, os nossos filhos, os nossos bens, tudo em nós deve bendizer o Senhor. Porque tudo em nós é para a glória do Senhor. Isso tem algo a ver com o reino de Deus na nossa vida, com o reino de Deus na terra. É isso que aprendemos nessa décima subida.
11ª subida – Números 3:1
Na décima primeira subida, temos os deveres dos levitas. É isso que aprendemos aqui.
Essa décima primeira subida de Moisés está em Números 3:1. Aqui Moisés está no Monte Sinai. Deus mostra a Moisés os deveres dos levitas, isto é, quando o acampamento tivesse que mudar, dali em diante, a base essencial para o reino já lhes havia sido revelada. O núcleo essencial para o Antigo Pacto e a tipologia para o Novo, tudo isso já havia sido dado por Deus. Agora Deus tem que avançar. Agora Deus revela quais são os deveres dos levitas. As responsabilidades daqueles que estão pela obra de Deus. E esses levitas deveriam ser os gersonitas, os coatitas, os meraritas, ou seja, pertencentes às famílias de três filhos de Levi: Gerson, Coate e Merari. E aqui Deus mostra os distintos serviços dos que querem cooperar com a causa de Deus, daqueles que foram vocacionados para a obra de Deus. Isso não é um assunto comum, porque o ministério tem sido tratado como algo secular.
Mas sabemos qual é a função do ministério cristão, que foi determinado pelo Senhor Jesus lá em Efésios 4:11, quando Paulo diz:
“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres (...)”.
Esses ministérios foram determinados pelo Senhor com o propósito de levar todos os membros do corpo de Cristo a varões perfeitos, à medida da estatura completa de Cristo. Podemos ver que o ministério é o meio pelo qual se obtém esse fim – que sejamos todos levados à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus; e não a divisões, e não a separações. Não são essas coisas funções ou implicações do ensino do ministério na obra de Deus.
Paulo diz assim:
“para que não mais sejamos como meninos (...)”. (Ef 4:14)
Paulo nos diz essa grande verdade. Ele diz que o ministério tem como função nos levar à maturidade. Não podemos viver a vida cristã de uma forma tão superficial.
A função daqueles que servem na obra de Deus é algo muito sério, porque o sinônimo de ministério, de acordo com a palavra de Deus, é servir. Não é uma posição onde alguns ministram e os outros ficam sentados simplesmente recebendo como inúteis. Todos os membros do corpo de Cristo têm uma função específica e distinta; pelo Espírito Santo de Deus são capacitados para poderem servir.
Naturalmente, os ministérios expressam homens como dádivas de Deus. Não são homens que têm uma posição elevada, mas são homens que têm uma responsabilidade. Essa responsabilidade é que é elevada. Mas essa responsabilidade não nos eleva como pessoas. Ao contrário, essa responsabilidade é um encargo divino e distinto que Deus coloca sobre aqueles os quais Ele escolheu para que, por meio desses, Cristo mesmo possa fluir em cada ministério – ou como apóstolo, ou como profeta, ou como evangelista, ou como pastor, ou como mestre. É isso, essa é a grande verdade! Esse é o ponto essencial! É isso que precisamos entender.
Por não entender isso, temos visto muitos fazerem do ministério um cabide de emprego; outros têm feito do ministério algo particular, algo seu. Satanás tem se utilizado disso para poder denegrir, para poder manchar, macular a dignidade do ministério de acordo com a palavra de Deus. Hoje temos perdido essa afeição pelo ministério porque muitos não têm compreendido o verdadeiro significado do ministério de acordo com a palavra de Deus. O que temos visto é que a igreja moderna transformou-se num negócio, numa empresa. Muitas vezes a função do ministério é de um cargo executivo, alguém que luta para manter-se no mercado. Esta é, talvez, uma das mudanças mais significativas e sérias que estamos atravessando na questão do ministério.
Se você volta para essa décima primeira subida de Moisés ao Monte Sinai, você vê que Deus trata a questão dos levitas, daqueles que estariam servindo na Sua casa, daqueles que estariam cuidando dos assuntos da Sua casa. Em certo sentido, amados irmãos, isso nos leva para o Novo Testamento, e nós vemos a questão do ministério à luz do Novo Testamento. Não somos executivos eclesiásticos, circulando com agendas eletrônicas, telefones celulares, secretárias, auxiliares e assistentes para atender a um volume cada vez maior de reuniões, entrevistas, conferências, aconselhamentos. Hoje, ser ocupado tornou-se um símbolo de status e sucesso, tanto no mundo secular como também no mundo eclesiástico. Ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de importância e de competência. Ora, não somos assim; nós que temos o encargo do ministério da palavra não somos assim. Hoje, no mundo secular, para ser competente é preciso estar com a agenda dos próximos meses completamente cheia. Este é um grande sinal, um estigma de um bom profissional no mundo secular.
Infelizmente, nessa busca pelo sucesso, pelo status, não temos tido mais tempo para construirmos amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos amigos no discipulado. Não temos tido tempo para poder ouvir a voz de Deus porque estamos tão ocupados com nós mesmos. Vivemos hoje um processo de profissionalização do ministério, o qual vem deixando de ser uma vocação para se tornar uma profissão. Creio que precisamos ser tocados por isso; creio que aqui Deus deseja falar profundamente para nós. Essa motivação que muitos têm tido em relação ao ministério no aspecto secular é uma motivação maligna. Não podemos permitir isso, porque o profissionalismo no ministério nos induz a avaliar o ministério por resultados mensuráveis. Buscamos sempre isso porque traz para nós, através das estatísticas, uma autoafirmação quanto ao sucesso, quanto ao poder. Não podemos permitir isso. Líderes profissionais se encontram constantemente diante do perigo de criarem pequenos reinos para si mesmos. Por que o profissional no ministério necessita de reconhecimento, ser aclamado, ser admirado, ser aceito. Isso não é algo pertinente àqueles que foram chamados por Cristo, àqueles que são cheios do Espírito de Cristo em Suas vidas, para a vocação do santo ministério. Não podemos nos tornar cativos e dependentes deste consumo religioso. Um líder profissional, geralmente, procura estar cercado de admiradores e não de pessoas que desejam receber mais de Cristo em suas vidas. Procura mais pessoas que estejam dependentes emocionalmente dele, porque o poder impede que as amizades, que a comunhão, sejam estabelecidas. E quando um líder cai na armadilha do profissionalismo, ele acaba tornando-se um antiministro da comunhão, da reconciliação, da verdadeira amizade; ele cai no isolamento. E o terrível perigo de tudo isso, desse ministério profissional, é a pessoa não perceber o orgulho do seu próprio coração. Ao invés de reconhecer que é parte de uma comunidade de pessoas que servem, ele fica revestido de uma fantasia de “messias intocável”, sempre correto e justo.
Amados irmãos, a natureza da vocação é essencialmente relacional. Somos chamados para promover a comunhão, pra poder sustentar a comunhão no Espírito, para poder proclamar, para poder expressar o ministério da reconciliação, da amizade, do afeto. Esse chamado envolve mais do que a capacidade de execução de projetos de natureza eclesiástica, ou conversas de vinte minutos em gabinetes. Envolve a arte de penetrar nos lugares secretos da alma humana e trazer para dentro delas a presença divina; conduzir as pessoas a experimentar na oração encontros com Deus. Isso exige tempo.
Essa profissionalização do ministério torna-se algo desumano na nossa vocação, nos faz pessoas desumanas. Somos os mais hipócritas dos homens quando revestimos o ministério de um caráter profissional, porque deixamos de olhar para as pessoas como membros do corpo de Cristo, como a noiva de Cristo, e passamos a vê-las como produtos do nosso comércio particular. Que Deus nos liberte disso, que nessa décima primeira jornada o Senhor venha nos confrontar; o Senhor venha tocar profundamente a nossa vida.
Lembram quando o Senhor Jesus, depois da ressurreição, toma a Pedro e, caminhando com Pedro, diz: “Pedro, tu me amas?” Pedro diz: “Senhor, tu sabes que eu te amo”. Pela segunda vez o Senhor pergunta: “Pedro, tu me amas?” E Pedro diz: “Senhor, tu sabes que eu te amo”. Pela terceira vez o Senhor pergunta para Pedro: “Pedro, tu me amas?” E Pedro responde: “Senhor, tu sabes de todas as coisas”. Aqui podemos ver que:
O Senhor Jesus pergunta para Pedro por três vezes se Ele o amava porque, por três vezes, Pedro o havia negado. E Pedro havia negado o Senhor por três vezes porque Pedro ainda não havia negado a si mesmo.
Outra coisa que vemos aqui é que o Senhor Jesus pergunta para Pedro “Pedro, tu me amas?” porque eram os afetos de Pedro que Cristo queria. Eram os afetos de Pedro por Ele.
Amados irmãos, é isso que tem que tocar o nosso coração. Você que tem o encargo do ministério da palavra precisa olhar para isso. Você precisa ver essa verdade. É isso que Deus está requerendo de você; é isso que Cristo está requerendo de você. É isso que Ele está falando ao seu coração. Não permita que o ministério se torne uma coisa profissional e secular na sua vida. Olhe para Cristo. Ele é o modelo de pastor, de apóstolo, de profeta, de evangelista e mestre. Ele, somente Ele, é o verdadeiro apóstolo. Somente Ele é o verdadeiro profeta; o verdadeiro evangelista, pastor e mestre. E somente Ele poderá expressar-se como apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre na vida daqueles que Ele chama e vocaciona.
Que Ele prossiga te abençoando e falando à sua vida, mostrando para você o verdadeiro caminho por onde Ele deseja se mover na sua vida para poder, Ele mesmo, alimentar aqueles que estão famintos, aqueles que estão necessitados, aqueles que estão doentes, aqueles que estão desanimados. Somente Cristo, por meio daqueles, os que Ele escolheu, é capaz de realizar essa tão grande obra do ministério. E que ele encontre lugar na minha vida e na sua vida para Ele poder se expressar.
Que Deus lhe abençoe ricamente através desta poderosa palavra.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
AS SUBLIMES RIQUEZAS DA SUA GRAÇA
Irmãos estou postando mais um capítulo do livro Exposição sobre Efésios do irmão D.M Lloyd Jones, esse capítulo será o tema de estudo da reunião da igreja nesta 5ª feira.
Que Deus nos abençoe e fale ao nosso coração por meio deste estudo.
Por: Ir. D.M Lloyd Jones
CAPÍTULO 10
"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." - Efésios 2:7
Estas são as últimas palavras da grande declaração que começa no versículo 4 –
"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou, juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
O apóstolo, vocês recordam, nos estivera lembrando o que Deus fez por nós em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e por meio dEle. Quando estávamos naquele desesperador estado de pecado, Deus interveio, Deus agiu, e nos vivificou juntamente com Cristo. Ressusci¬tou-nos juntamente com Ele em novidade de vida e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais. Mas agora surge a questão:
Por que Deus fez tudo isso? Qual foi o Seu motivo? Que levou Deus a fazer tudo isso por criaturas como nós?
A resposta é dada no versículo sete, e é introduzida pela palavra “para”, logo no início: “para mostrar” (ou “para que mostrasse”). Ele fez tudo isso "para", "a fim de", "com a intenção de", "com o objeto, ou com o objetivo de"... Esta palavra “para” (ou “para que”) é, pois, tremendamente importante, e é vital considerar¬mos juntos o que o apóstolo nos fala aqui concernente a este grande propósito.
Como é importante que estudemos as Escrituras com muita atenção e que observemos exatamente o que elas dizem, porque com muita facilidade podemos entendê-las mal, como de fato fazemos muitas vezes. Aqui, penso eu, ao considerarmos este versículo, provavelmente sentiremos, ao menos em certa medida, que o nosso conceito do cristianismo, o nosso conceito da Igreja, o nosso conceito de nós mesmos como cristãos, é defeituoso e inadequado, que de fato a nossa concepção geral da salvação tende a ser inadequada. Já vimos isso quando estudamos aqueles três grandes passos da nossa salvação, e quando vimos o que já é certo a nosso respeito como cristãos porque estamos em Cristo. Certamente achamos que nunca tínhamos compreendido verdadeiramente como devíamos o significado da regeneração; que nunca tínhamos captado plenamente a verdade de que a justificação foi realizada completamente, nem captado a verdade sobre a nossa posição e o nosso estado na presença de Deus. Ainda mais, talvez, quando estudamos aquela afirmação de que estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus, vimos como falhamos – e falhamos de maneira deveras lamentável – em não perceber que esta é a verdade a nosso respeito neste momento presente. Noutras palavras, cada vez mais me parece que a maioria das nossas dificuldades na vida cristã surge do fato de que nós sempre partimos de nós mesmos e vivemos demais na esfera do sentimento e do subjetivo.
Não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento
Falemos com clareza. Argumentei sobre esse ponto desde o começo do capítulo, e isso ainda faz parte da essência do que terei de dizer ao expor o versículo sete. Graças a Deus, há um elemento subjetivo na salvação; graças a Deus por todo sentimento, por toda experiência, por tudo o de que temos consciência de nós mesmos. Se não temos consciência deste elemento subjetivo, a nossa situação, ao que me parece, é muito incerta. Por outro lado, não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento. O que quero dizer é que, se tão-somente tivéssemos esta genuína concepção escriturística de nós mesmos como somos como cristãos e membros do corpo de Cristo neste momento, a maior parte das coisas que nos entristecem se desprenderia de imediato de nós completamente. Estas coisas passariam a parecer-nos triviais, pequeninas e insignifi¬cantes.
Isto é uma coisa que se pode ilustrar da seguinte maneira: o melhor modo de livrar-nos de coisas pequenas é olhar para as grandes. Vejam, por exemplo, as interessantes estatísticas que foram preparadas, penso, pelas autoridades médicas de Barcelona, Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, pouco antes da segunda guerra mundial. São muito interessantes. Um determinado número de pessoas estiveram recebendo várias formas de tratamento psicoterapêutico e psicológico; mas no momento em que irrompeu a Guerra Civil e afetou Barcelona aguda¬mente, o número diminuiu, reduzindo-se a quase nada. Qual foi a causa disso? Foi que a preocupação maior eliminou as preocupações menores. E a mesma coisa certamente aconteceu na Inglaterra durante a última guerra. Quando de repente surgiu a crise e os maridos e os filhos tiveram que partir para a guerra, muitos se esqueceram dos seus pesares e das suas dores. Estas coisas, que tinham sido tão proeminentes em suas vidas e que tinham significado muito para aquelas pessoas, foram esquecidas repentinamente, pois um temor maior eliminara os temores menores; a crise maior tinha tornado as outras coisas tão triviais que realmente passaram a ser completamente irrelevantes. Estamos familiarizados com fatos como esses.
Pois bem, tudo isso acontece igualmente na vida cristã. Em nossas vidas somos perturbados por isto e aquilo, e nos inclinamos a resmungar e a queixar-nos; ficamos a indagar por que Deus nos trata dessa maneira e por que permite que nos aconteçam certas coisas. O antídoto para isso tudo é ver-nos objetivamente como realmente somos no propósito de Deus. E se tão-somente fizéssemos isso, todas as nossas dificuldades desapareceriam. Ou permitam-me expressar-me deste modo: se tão¬-somente nós tivéssemos uma pequena concepção da glória que nos espera e para a qual vamos, essa percepção transformaria a nossa visão da nossa vida neste mundo e das coisas que nos sucedem neste mundo. Essa é a espécie de tratamento que o apóstolo nos aplica neste versículo sete. Esta é a cura do egocentrismo e do interesse próprio que acabam levando à introspecção, a sentimentos mórbidos e a diversas formas de dificuldade. O que se tem que fazer – e aí está por que o apóstolo escreve esta carta e por que todas as cartas do Novo Testamento foram escritas – é conseguir que tais pessoas levantem a cabeça e se vejam objetivamente no grande propósito e plano de Deus.
Por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo?
Examinemos, então, este versículo desta maneira: por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo? A resposta, diz o apóstolo, é que isto faz parte do Seu plano grandioso e do Seu grandioso propósito – "para", "a fim de...".
Façamos o estudo na forma de uma série de proposições.
1) O principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus
Eis a primeira: o principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus. Por isso Ele fez o que fez –
"Para mostrar (para Deus mesmo mostrar) nos séculos vindouro; as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Deus fez tudo isso, diz Paulo, para apresentar um grandioso espetáculo a todas as eras vindouras, não somente neste mundo, mas também no mundo por vir. Deus vai fazer uma grande demonstração, vai manifestar a Sua glória. Vocês podem notar que é isso que o apóstolo coloca em primeiro lugar. Essa é a principal razão por que Deus fez tudo isso, diz ele. Agora, surge imediatamente a questão: será que normalmente pensamos em coisas como essa? Não seria verdade que, quanto à maioria de nós, fazemos exatamente o oposto? Partimos de nós mesmos; e pensamos na salvação como algo para nós, algo de que necessitamos, algo que queremos, algo em que nós estamos interessados. Sempre somos subjetivos, sempre começamos a partir de nós mesmos. Mas o que temos de aprender é que o primeiro objetivo e intenção da salvação – não me entendam mal – não tem a ver conosco, porém com a glória de Deus. Esse é o ensino das Escrituras todas, do começo ao fim. Noutras palavras, não devemos nem começar com os nossos pecados, e sim com o pecado. Temos que aprender a ver todas as coisas mais historicamente. É extremamente difícil, não é? É dificílimo para qualquer geração ter uma visão histórica, porque estamos no mundo num momento particular e há diversos problemas – ouvimos as notícias pelo rádio, vemos as manchetes nos jornais – e estamos tão mergulhados neles que nos inclinamos a não ver nada mais. É extremamente difícil dar-nos conta de que havia seres humanos neste mundo há cem anos, e que eles tinham problemas e dificuldades, não é? Mais difícil ainda é compreender que há mil anos havia neste mundo seres humanos que nunca pensaram em nós. Achamo-nos tão importantes, e pensamos que o nosso tempo neste mundo, o nosso pequenino setor, constitui a totalidade da história. Entretanto, os que viveram antes de nós pensavam a mesma coisa; e podemos estar certos de que daqui a cem anos e, se o nosso Senhor não voltar antes, daqui a mil anos, as gerações então existentes na terra nunca dedicarão sequer um pensamento a nós. Mas como nos é difícil aperceber-nos disso! E, contudo, é justamente isso que temos de fazer. Temos que aprender a ver a nós mesmos e a ver todo o problema do homem, toda a crise da história e especialmente todo o tema da salvação, desta maneira objetiva, desta maneira histórica.
Eis o que estou querendo dizer: em vez de começar comigo, com os meus pecados e com os meus problemas pessoais, tenho que começar a pensar em termos do pecado, de todo o problema do homem e de todo o problema do mal neste mundo. Pois somente quando eu fizer isso é que começarei a ver o que o apóstolo quer dizer quando afirma que o primeiro intento e objetivo da salvação é a glória de Deus. É-nos muito difícil compreender o que o pecado e a Queda significaram para Deus. Pecado é aquilo que se opõe completamente a Deus e, portanto, o que aconteceu como resultado do pecado e da Queda, e todas as suas consequências no mundo e entre os homens, é (se reverentemente o posso dizer) uma tremenda questão aos olhos de Deus. Mas nós persistimos em pensar em todo este problema em termos de pecados particulares, nesta coisa particular que me mantém deprimido, e nos pecados que colocamos numa lista – vocês sabem deles, embriaguez, jogo etc. Para nós o problema todo é esse; transformamos o problema do pecado mais ou menos num problema social. Ou é um problema social, ou é o problema da nossa felicidade pessoal. Não gostamos de sentir remorso e arrependimento, porque é doloroso. Assim reduzimos todo o grande problema do pecado a essas diminutas proporções e dimensões. No entanto, a Bíblia não faz isso! A Bíblia vê o pecado como uma agressão a Deus. O diabo veio à frente e quis impor-se contra Deus, levantou-se contra a majestade, a soberania e a glória de Deus. Ele disputou isso, quis colocar-se no mínimo como um deus rival. E quando viu Deus criando o mundo e criando o homem, e viu Deus olhando o que tinha feito e dizendo que tudo estava "muito bom" e que mostrou prazer nisso, o diabo determinou-se a arruinar o que Deus criara. Assim o diabo entrou em ação no mundo. Qual era o seu objetivo? Vocês pensam que o objetivo do diabo era simplesmente persuadir Eva e Adão a fazerem apenas uma determinada coisa? Naturalmente que não! O diabo só tinha uma coisa em mente – desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Pouco se importava com o que ia acontecer com Adão e Eva. O diabo pouco se interessa por mim e por vocês como pessoas. Para ele não somos pessoas, somos algo que lhe serve de penhor, somos simples objetos que ele pode usar no grande jogo. E, todavia, pensamos nestas coisas em termos de nós mesmos! O diabo nos vê com desprezo, como fez com Adão e Eva. Ele os bajulou e os adulou porque sabia que era essa a maneira de fazer deles uma espécie de penhor. Não tinha nenhum interesse por eles como tais. Seu único objetivo era desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Era inutilizar a obra que Deus realizara, era inutilizar o mundo de Deus; era ridicularizar a obra criadora de Deus. Seu desejo era levantar-se, dirigir-se a todos os anjos e dizer: Deus tem as suas pretensões, diz Ele que fez o mundo perfeito, mas olhem, vejam o Seu mundo perfeito!
É assim que se deve ver o problema do pecado. A Queda é uma coisa terrível aos olhos de Deus. Não é primariamente um problema social. É muito mais crucial aos olhos de Deus. Naturalmente há nisso um problema social. O pecado levanta muitos problemas sociais, porém eles são subprodutos, não são aquilo que faz do pecado, pecado. Se posso dizê-lo assim, Deus jamais teria enviado Seu Filho do céu à terra e à cruz do Calvário para solucionar um problema social. O problema para Deus era a Sua glória, a Sua majestade, a Sua grandeza sempiterna. Isso fora questionado e posto em dúvida pelo diabo e por todos os que lhe pertencem. E que é a salvação? O propósito e objetivo da salvação é, em primeira instância, vindicar a Deus, é Deus tornar de novo manifesta a verdade concernente a Si próprio. O diabo é descrito nas Escrituras como "mentiroso e pai da mentira"; e o apóstolo João nos diz no capítulo três da sua Primeira Epístola que Deus enviou o Seu Filho a este mundo a fim de destruir as obras do diabo. Esse é o primeiro objetivo, que o caráter de Deus seja vindicado. Naturalmente, num sentido terminante, o diabo não afetou nem poderia afetar o ser, a natureza e o caráter de Deus, mas aos olhos dos seres criados ele poderia, e certamente o fez. Ele teve sucesso no caso de todos os anjos que caíram; ele teve sucesso no caso de Adão e Eva, e de toda a sua posteridade. E o problema no mundo hoje é a atitude do homem para com Deus. Assim, Deus iniciou este grande movimento de redenção e de salvação, primariamente com o fim de tornar a declarar, manifestar e vindicar a Sua glória, a Sua grandeza e a verdade a Seu respeito. Por que o fez, então? Ele o fez "para mostrar (manifestar) nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Vocês pensavam na salvação dessa maneira? Uma pergunta que é bom fazer é: por que Deus enviou Seu Filho? Não permita Deus que nos limitemos a dar uma resposta sentimental, subjetiva, deixando de ver que Deus enviou Seu Filho afim de vindicar-Se. Essa é a maior teodiceia de todos os séculos; Deus está Se vindicando e está declarando e mostrando a verdade a Seu respeito.
2) A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz
Passemos agora à segunda proposição. A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz. Não há dúvida sobre isso. Neste movimento de salvação e redenção, aprendemos certas coisas que doutro modo nunca aprenderíamos. Isso pode soar como uma afirmação atrevida, porém eu me aventuro a fazê-la. Muitos têm feito a pergunta – ninguém pode respondê-la, mas é uma pergunta que muitos têm feito, na verdade todos nós a temos feito – por que o Deus todo-poderoso permitiu a Queda? Por que permitiu que o homem caísse em pecado? A resposta cabal é reconhecer que não sabemos, e não devemos inquirir a respeito porque isso está além de nós. Mas, de qualquer forma, podemos saber e dizer isto: se Deus não tivesse permitido a possibilidade do mal e da Queda, o homem não seria inteiramente livre, e, portanto, não seria inteiramente perfeito. O homem, como Deus o fez, tinha realmente livre-arbítrio. Ele o perdeu por ter caído em pecado, todavia original¬mente o tinha; e o livre-arbítrio era parte integrante da perfeição do homem. Contudo, seja qual for a explicação, é evidente que Deus teve domínio sobre isso de tal modo que, mediante a redenção, Ele manifestou certos atributos do Seu santo ser, da Sua natureza e do Seu caráter que doutra maneira nunca poderiam ser conhecidos, mas que agora certamente são muito conhecidos.
O apóstolo já tinha mencionado alguns deles. Ouçam-no: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia". Seria possível ter a mesma concepção da riqueza de Deus em misericórdia, se o homem não tivesse caído em pecado como caiu? É por este meio que Deus manifesta a perenidade da Sua misericórdia. "Riquíssimo em misericórdia"! De¬pois, "Pelo seu muito amor com que nos amou". Com toda a certeza o homem conheceu algo sobre o amor de Deus antes de cair; Adão conheceu o amor de Deus. Contudo, pergunto se o amor de Deus seria conhecido como agora é, se não houvesse a Queda e o movimento de redenção. Deus o está mostrando, Ele o está manifestando, há uma revelação do Seu amor como seguramente seria inconcebível sem isso. Então o apóstolo passa à sua seguinte grande expressão: "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça...)" – aí está – "(...pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça". Não há nada que nos habilite a ter tal entendimento da extensão da graça de Deus como isto o faz. É a sua suprema avaliação; e nada pode mostrá-la como isto no-la mostra. Vem então o termo final, "benignidade" – "pela sua benignidade", com o Seu olhar benigno. Adão conheceu algo da benignidade de Deus, mas eu concordo com Isaac Watts quando ele afirma em seu hino – "Nele (em Cristo) as tribos de Adão ostentam mais bênçãos do que as que seu pai perdeu". Digo reverentemente, sopesando as minhas palavras, que em Cristo conhecemos algo de Deus que Adão, em seu estado de inocência, não conheceu, e que, em certo sentido, Adão não poderia conhecer. Pode ser especulação, porém me parece que as Escrituras ensinam que Deus mostrou estas coisas aqui de maneira única e de um modo como nunca mostrou em parte alguma.
3) Toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja
Mas, o que talvez seja muito importante para nós é a terceira proposição: toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja. Deus realiza este feito tremendo por nosso intermédio e através de nós, em primeira instância. Examinem de novo o ponto. Deus fez isso tudo "para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Este é para mim o pensamento mais avassalador que podemos captar, que o poderoso, eterno, sempiterno Deus está Se vindicando, a Si, à Sua santa natureza e ao Seu santo ser, mediante algo que Ele faz em nós, conosco, e por meio de nós. Isto é cristianismo, este é o significado da nossa condição de membros da Igreja, isto é o que significa ser cristão; nada menos que isto! Aqui somos retirados do nosso estado e dos nossos caprichos subjetivos, e das nossas condições transitórias, e nos vemos de repente neste grande plano da eternidade que Deus trouxe à luz e pôs em execução como resultado da queda do homem em pecado.
Examinemos esta gloriosa concepção. O apóstolo no-la ensina claramente neste versículo. Ele a expõe mais clara e explicitamente ainda no versículo dez do capítulo três desta Epístola. O apóstolo está descrevendo este grande mistério outrora oculto, mas agora revelado. Para quê? Para
"demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo" (versículo 9).
E então, no versículo dez: "para que" – a mesma ideia; este é o objetivo, esta é a intenção, este é o propósito –
"para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus".
Essa é a ideia. Deus está usando a Igreja, e vai usar a Igreja nos séculos futuros, afim de fazer uma demonstração e uma exibição da Sua estupenda e eterna sabedoria aos principados e potestades nos lugares celestiais.
Esse é o modo de pensar em nós mesmos como cristãos e como membros da Igreja Cristã. Deus está Se vindicando, a Si mesmo e ao Seu caráter, por meu intermédio e pelo seu, por meio de pessoas como nós, por meio de toda a Igreja congregada em Cristo e separada do mundo. Ele vai colocar-nos em exibição, por assim dizer; será uma exibição gloriosa. Ele já está fazendo isso, mas vai continuar a fazê-lo nas eras vindouras, e na consumação Deus vai fazer a Sua última grande exibição, e todos esses principados e potestades serão convidados a comparecer. A cortina correrá e Deus dirá: olhem para eles! "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus"! Eu e vocês estamos sendo preparados para isso.
Vocês leem sobre artistas preparando seus quadros e as suas pinturas para exposição, e sobre como eles dão os seus toques finais – como a moldura deve estar direita, deve ser colocada na posição certa, a luz deve vir do ângulo correto, e assim por diante. Bem, todos nós sabemos disso; temos visto pessoas preparando cavalos para exposição de equinos; ou frutas e verduras para exposições de horticultura – a seleção, o preparo. Pois bem, é isso que está acontecendo comigo e com vocês. Essa é a significação do culto público e da pregação – é apenas uma parte disso. A exposição, a exibição, a manifestação vem! E o que há de espantoso e admirável é que é por meio de pessoas como nós, e como resultado do que Ele está fazendo conosco, fez conosco e fará conosco, que Deus vai vindicar Sua sabedoria eterna, Sua majestade, Sua glória e todos os atributos da Sua santa Pessoa aos principados e às potestades nos céus.
Parece-me que isso vem perfeitamente expresso no capítulo sete do livro de Apocalipse. João teve a sua visão –
"Olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos; e chamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro".
João viu estas pessoas usando vestes brancas e com palmas nas mãos, entoando louvores a Deus e dizendo: "Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono". Mas o que particularmente me agrada é a pergunta feita pelo ancião que estava perto de João. "Quem são estes?" – perguntou ele – "Estes que estão vestidos de vestidos brancos, quem são, e de onde vieram?" Estes que aqui se acham com palmas nas mãos, cantando louvores a Deus, quem são? Será essa a pergunta que os principados e potestades nos lugares celestiais farão. A cortina será descerrada e lá estaremos nós com as nossas vestes brancas e com as palmas em nossas mãos, e os principados e potestades perguntarão – Quem são estes? Que são eles? Que fenômeno é este? Que pessoas são estas? De onde vêm? E a resposta será que são pessoas cristãs – são cristãos de todos os séculos, de todas as nações, tribos, países e cores congregados através dos séculos pelo poder da redenção de Cristo, todos finalmente juntos, reunidos ali na glória. "Quem são estes?" De onde vieram? Que são eles? E a resposta é: estes são os remidos pela sabedoria, poder, glória, amor e graça de Deus. "Pela igreja"! Eu e vocês! Miseráveis criaturas que somos, com nossas dores e sofrimentos, com as nossas "caxumbas e sarampos da alma", e os nossos questionamentos e interrogações, e a nossa indagação: "Por que Deus faz isso e aquilo?" Rogo-lhes, olhem para o céu, elevem a sua mente, fazendo-a penetrar na glória. Que vergonha para nós, cristãos, por nosso infeliz subjetivismo, por nossa incapacidade de compreender quem somos, o que somos, o que está acontecendo conosco e o que Deus está fazendo em nós e através de nós! A intenção da salvação é que tudo isso seja feito para vindicação do caráter e da glória de Deus.
4) Como Deus o faz mediante a Igreja?
A proposição subsequente ajuda-nos a ver como Deus o faz mediante a Igreja. Não precisamos demorar-nos neste ponto, visto que já o consideramos em parte. Lá estamos nós, que somos da Igreja, com vestes brancas, com palmas, na glória, na presença de Deus. Como chegamos lá? Como foi que isso aconteceu? A primeira coisa que nos deixa maravilhados é que Deus nos viu a todos como éramos e como estávamos, "mortos em ofensas e pecados, andando segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também". Como pôde Ele sequer olhar para nós? Não merecíamos nada senão a retribuição por nossos pecados, a punição, o inferno. Se você acha que merece coisa melhor, você não sabe que é pecador, você nada sabe, e eu temo por você, quanto à graça de Deus. Miseráveis, vis, torpes, desprezíveis e rebeldes – e Ele olhou para nós! Que grandiosa manifestação do Seu ser e da Sua santa natureza! Nós somos uma demonstração disso. Se Ele não tivesse olhado para nós, ainda estaríamos em nossos pecados e indo para a perdição. Mas lá estamos nós, na glória, porque Ele teve misericórdia de nós, teve pena de nós.
Não somente isso, Ele projetou e planejou um modo de libertar-nos. Ele mesmo produziu o método de salvação. O homem não o pediu, o homem não o queria, o homem não sabia do que necessitava, o homem não foi consultado, não deu nem uma única sugestão. A salvação é inteiramente de Deus, do princípio ao fim. Essa é toda a tese de Paulo: "Pela graça sois salvos", "fostes salvos", e nada mais! Que manifestação do ser e do caráter de Deus!
Outra maravilha é Deus ter-nos feito o que fez, ter feito de nós o que fez, a nós que já fomos vivificados, ter Ele colocado em nós um princípio de vida espiritual, em nós que estávamos completa, absoluta e desespe¬radamente mortos. Ele pôs nova vida em nós, a Sua própria vida em nós; Ele nos ressuscitou juntamente com Cristo, estamos vivos para Ele, temos os novos interesses e a nova perspectiva, estamos assentados nos lugares celestiais. Ele já nos fez isso tudo, porém quando estivermos na glória, de vestes brancas e com palmas, seremos absolutamente perfei¬tos, sem mancha, nem ruga, nem qualquer outra coisa semelhante. Não haverá nem suspeita de culpa; a mais poderosa lente de aumento não achará nada de errado em nós e sobre nós; seremos absolutamente íntegros e completos, purificados de todos os vestígios do pecado. Não é surpreendente a pergunta do ancião, "Quem são estes?" Como se tornaram assim? O que é esta brancura imaculada, esta glória? É tão¬-somente a manifestação do caráter e do ser de Deus. Mediante a Igreja Ele o faz dessa maneira especial.
5) Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo?
Isso me leva à derradeira proposição, que é simplesmente uma questão muito prática. Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo? Por certo é óbvio. Se você sequer pensa na sua bondade, significa que você nunca enxergou esta verdade. Se você se julga cristão e bom membro da igreja porque tem vivido uma vida virtuosa e nunca fez mal a ninguém, e porque dedica boa parte do seu tempo a praticar estas coisas, você está apenas me dizendo que nunca entendeu este ensino. Se você pode achar em si próprio alguma coisa que pode deixá-lo satisfeito neste momento, você nunca viu de fato esta verdade, que Deus fez isso tudo com o propósito de que agora seja conhecida dos principados e potestades a Sua multiforme sabedoria nos lugares celestiais, para mostrar as sublimes riquezas da Sua graça. Se você acha que tem algum pleito para apresentar em seu favor ao trono da graça e da misericórdia, qualquer coisa que não seja o nome de Jesus Cristo, você nunca enxergou a verdade, simplesmente está cego. Nosso único pensamento deve ser:
"À aliança da misericórdia sou devedor,
Só à misericórdia entoo louvor".
"Pela graça de Deus sou o que sou,
Nada em minhas mãos levando vou".
Nada vejo de bom em mim; "Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum"; não tenho nada que me recomende, não tenho nada do que me gabar. Eu não sou nada; Ele é tudo, DEUS! A Sua graça em Cristo Jesus! Se você enxergar esta verdade, então inevitavelmente você pensará dessa forma.
5.1) Também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira
Disso decorre que também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira.
"Qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro" (1 João 3:3).
O homem que se viu como membro da Igreja e do corpo de Cristo da maneira que estamos considerando, não vai querer mais ficar tão perto quanto puder do mundo, nem vai considerar o cristianismo estreito por condenar certas coisas. Nem por um momento! Se tão-somente pudéssemos ver aqueles que conhecemos e que agora estão além do véu, daríamos adeus à maioria das coisas deste mundo. Todo aquele que vê isto, todo aquele que tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro. Se vocês sabem que vão ser absolutamente puros e sem mancha, bem, avante!
"Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações" (Tiago 4:8).
Estes são os apelos do Novo Testamento. Fiquem tão longe do mundo quanto puderem. "Apressa-te da graça para a glória."
5.2) A absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo
A outra coisa que vejo aqui é a absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo. Se a minha confiança na minha salvação cabal e final e na minha perfeição última se baseasse em mim, na minha energia, no meu zelo e nos meus propósitos e desejos, sei que nunca chegaria lá. A minha segurança se baseia nisto, que Deus, o Deus infinito e eterno, está vindicando a Sua reputação eterna por meu intermédio. E se Ele tivesse começado a salvar-me e depois deixasse a obra por fazer ou inacabada, e eu merecidamente chegasse ao inferno, o diabo teria a maior alegria que lhe fosse possível. Ele diria: há um ser que Deus começou a salvar, todavia deu em nada. É impossível, isso não pode acontecer; não existe ideia mais monstruosa do que a ideia de que você pode cair da graça, que você pode nascer de novo e depois ser condenado eternamente. O caráter de Deus está envolvido! É impossível. Seu objetivo não é meramente salvar-me, é vindicar o Seu ser e a Sua natureza, e eu estou sendo utilizado para esse fim. O fim é absolutamente certo, porque o caráter de Deus está envolvido nisso.
"Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1:6).
5.3) O privilégio de todas estas coisas
A última palavra é óbvia. O privilégio de todas estas coisas! O privilégio de ser usado por Deus desta maneira para vindicar o Seu caráter eterno e glorioso! Por que estou nisto? Por que terá Ele olhado para mim? Como diz o ancião, "Quem são estes?", assim eu pergunto: quem sou eu? Vocês recordam Davi fazendo essa pergunta quando Deus lhe deu um vislumbre de onde ele entrava neste grande plano,
"Quem sou eu, ou o que é a minha casa, para que me fosse concedida tal honra?" (cf. 2 Crônicas 2:6).
E nós, não nos sentimos como tendo que dizer isso? Quem sou eu, e o que sou eu, para que Deus sequer olhasse para mim e me escolhesse para fazer parte do Seu plano e do Seu propósito, para vindicar Sua Pessoa, Sua grandeza, Sua glória, Sua sabedoria, Seu amor, Sua misericórdia, Sua compaixão perante os principados e as potestades nos lugares celestiais?
Povo cristão, pense cada um em si dessa forma, e siga para a glória.
Que Deus nos abençoe e fale ao nosso coração por meio deste estudo.
Por: Ir. D.M Lloyd Jones
CAPÍTULO 10
"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." - Efésios 2:7
Estas são as últimas palavras da grande declaração que começa no versículo 4 –
"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou, juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
O apóstolo, vocês recordam, nos estivera lembrando o que Deus fez por nós em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e por meio dEle. Quando estávamos naquele desesperador estado de pecado, Deus interveio, Deus agiu, e nos vivificou juntamente com Cristo. Ressusci¬tou-nos juntamente com Ele em novidade de vida e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais. Mas agora surge a questão:
Por que Deus fez tudo isso? Qual foi o Seu motivo? Que levou Deus a fazer tudo isso por criaturas como nós?
A resposta é dada no versículo sete, e é introduzida pela palavra “para”, logo no início: “para mostrar” (ou “para que mostrasse”). Ele fez tudo isso "para", "a fim de", "com a intenção de", "com o objeto, ou com o objetivo de"... Esta palavra “para” (ou “para que”) é, pois, tremendamente importante, e é vital considerar¬mos juntos o que o apóstolo nos fala aqui concernente a este grande propósito.
Como é importante que estudemos as Escrituras com muita atenção e que observemos exatamente o que elas dizem, porque com muita facilidade podemos entendê-las mal, como de fato fazemos muitas vezes. Aqui, penso eu, ao considerarmos este versículo, provavelmente sentiremos, ao menos em certa medida, que o nosso conceito do cristianismo, o nosso conceito da Igreja, o nosso conceito de nós mesmos como cristãos, é defeituoso e inadequado, que de fato a nossa concepção geral da salvação tende a ser inadequada. Já vimos isso quando estudamos aqueles três grandes passos da nossa salvação, e quando vimos o que já é certo a nosso respeito como cristãos porque estamos em Cristo. Certamente achamos que nunca tínhamos compreendido verdadeiramente como devíamos o significado da regeneração; que nunca tínhamos captado plenamente a verdade de que a justificação foi realizada completamente, nem captado a verdade sobre a nossa posição e o nosso estado na presença de Deus. Ainda mais, talvez, quando estudamos aquela afirmação de que estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus, vimos como falhamos – e falhamos de maneira deveras lamentável – em não perceber que esta é a verdade a nosso respeito neste momento presente. Noutras palavras, cada vez mais me parece que a maioria das nossas dificuldades na vida cristã surge do fato de que nós sempre partimos de nós mesmos e vivemos demais na esfera do sentimento e do subjetivo.
Não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento
Falemos com clareza. Argumentei sobre esse ponto desde o começo do capítulo, e isso ainda faz parte da essência do que terei de dizer ao expor o versículo sete. Graças a Deus, há um elemento subjetivo na salvação; graças a Deus por todo sentimento, por toda experiência, por tudo o de que temos consciência de nós mesmos. Se não temos consciência deste elemento subjetivo, a nossa situação, ao que me parece, é muito incerta. Por outro lado, não há nada que seja tão fatal para o nosso bem estar como pensar unicamente dessa maneira subjetiva e deixar de captar com as nossas mentes e com nosso entendimento esta apresentação objetiva da verdade que temos nesta parte de Efésios e na maioria das Epístolas do Novo Testamento. O que quero dizer é que, se tão-somente tivéssemos esta genuína concepção escriturística de nós mesmos como somos como cristãos e membros do corpo de Cristo neste momento, a maior parte das coisas que nos entristecem se desprenderia de imediato de nós completamente. Estas coisas passariam a parecer-nos triviais, pequeninas e insignifi¬cantes.
Isto é uma coisa que se pode ilustrar da seguinte maneira: o melhor modo de livrar-nos de coisas pequenas é olhar para as grandes. Vejam, por exemplo, as interessantes estatísticas que foram preparadas, penso, pelas autoridades médicas de Barcelona, Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, pouco antes da segunda guerra mundial. São muito interessantes. Um determinado número de pessoas estiveram recebendo várias formas de tratamento psicoterapêutico e psicológico; mas no momento em que irrompeu a Guerra Civil e afetou Barcelona aguda¬mente, o número diminuiu, reduzindo-se a quase nada. Qual foi a causa disso? Foi que a preocupação maior eliminou as preocupações menores. E a mesma coisa certamente aconteceu na Inglaterra durante a última guerra. Quando de repente surgiu a crise e os maridos e os filhos tiveram que partir para a guerra, muitos se esqueceram dos seus pesares e das suas dores. Estas coisas, que tinham sido tão proeminentes em suas vidas e que tinham significado muito para aquelas pessoas, foram esquecidas repentinamente, pois um temor maior eliminara os temores menores; a crise maior tinha tornado as outras coisas tão triviais que realmente passaram a ser completamente irrelevantes. Estamos familiarizados com fatos como esses.
Pois bem, tudo isso acontece igualmente na vida cristã. Em nossas vidas somos perturbados por isto e aquilo, e nos inclinamos a resmungar e a queixar-nos; ficamos a indagar por que Deus nos trata dessa maneira e por que permite que nos aconteçam certas coisas. O antídoto para isso tudo é ver-nos objetivamente como realmente somos no propósito de Deus. E se tão-somente fizéssemos isso, todas as nossas dificuldades desapareceriam. Ou permitam-me expressar-me deste modo: se tão¬-somente nós tivéssemos uma pequena concepção da glória que nos espera e para a qual vamos, essa percepção transformaria a nossa visão da nossa vida neste mundo e das coisas que nos sucedem neste mundo. Essa é a espécie de tratamento que o apóstolo nos aplica neste versículo sete. Esta é a cura do egocentrismo e do interesse próprio que acabam levando à introspecção, a sentimentos mórbidos e a diversas formas de dificuldade. O que se tem que fazer – e aí está por que o apóstolo escreve esta carta e por que todas as cartas do Novo Testamento foram escritas – é conseguir que tais pessoas levantem a cabeça e se vejam objetivamente no grande propósito e plano de Deus.
Por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo?
Examinemos, então, este versículo desta maneira: por que Deus fez tudo isso? Porque foi que Ele interferiu? Por que nos vivificou, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo? A resposta, diz o apóstolo, é que isto faz parte do Seu plano grandioso e do Seu grandioso propósito – "para", "a fim de...".
Façamos o estudo na forma de uma série de proposições.
1) O principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus
Eis a primeira: o principal fim, propósito e objetivo da salvação é a glória de Deus. Por isso Ele fez o que fez –
"Para mostrar (para Deus mesmo mostrar) nos séculos vindouro; as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Deus fez tudo isso, diz Paulo, para apresentar um grandioso espetáculo a todas as eras vindouras, não somente neste mundo, mas também no mundo por vir. Deus vai fazer uma grande demonstração, vai manifestar a Sua glória. Vocês podem notar que é isso que o apóstolo coloca em primeiro lugar. Essa é a principal razão por que Deus fez tudo isso, diz ele. Agora, surge imediatamente a questão: será que normalmente pensamos em coisas como essa? Não seria verdade que, quanto à maioria de nós, fazemos exatamente o oposto? Partimos de nós mesmos; e pensamos na salvação como algo para nós, algo de que necessitamos, algo que queremos, algo em que nós estamos interessados. Sempre somos subjetivos, sempre começamos a partir de nós mesmos. Mas o que temos de aprender é que o primeiro objetivo e intenção da salvação – não me entendam mal – não tem a ver conosco, porém com a glória de Deus. Esse é o ensino das Escrituras todas, do começo ao fim. Noutras palavras, não devemos nem começar com os nossos pecados, e sim com o pecado. Temos que aprender a ver todas as coisas mais historicamente. É extremamente difícil, não é? É dificílimo para qualquer geração ter uma visão histórica, porque estamos no mundo num momento particular e há diversos problemas – ouvimos as notícias pelo rádio, vemos as manchetes nos jornais – e estamos tão mergulhados neles que nos inclinamos a não ver nada mais. É extremamente difícil dar-nos conta de que havia seres humanos neste mundo há cem anos, e que eles tinham problemas e dificuldades, não é? Mais difícil ainda é compreender que há mil anos havia neste mundo seres humanos que nunca pensaram em nós. Achamo-nos tão importantes, e pensamos que o nosso tempo neste mundo, o nosso pequenino setor, constitui a totalidade da história. Entretanto, os que viveram antes de nós pensavam a mesma coisa; e podemos estar certos de que daqui a cem anos e, se o nosso Senhor não voltar antes, daqui a mil anos, as gerações então existentes na terra nunca dedicarão sequer um pensamento a nós. Mas como nos é difícil aperceber-nos disso! E, contudo, é justamente isso que temos de fazer. Temos que aprender a ver a nós mesmos e a ver todo o problema do homem, toda a crise da história e especialmente todo o tema da salvação, desta maneira objetiva, desta maneira histórica.
Eis o que estou querendo dizer: em vez de começar comigo, com os meus pecados e com os meus problemas pessoais, tenho que começar a pensar em termos do pecado, de todo o problema do homem e de todo o problema do mal neste mundo. Pois somente quando eu fizer isso é que começarei a ver o que o apóstolo quer dizer quando afirma que o primeiro intento e objetivo da salvação é a glória de Deus. É-nos muito difícil compreender o que o pecado e a Queda significaram para Deus. Pecado é aquilo que se opõe completamente a Deus e, portanto, o que aconteceu como resultado do pecado e da Queda, e todas as suas consequências no mundo e entre os homens, é (se reverentemente o posso dizer) uma tremenda questão aos olhos de Deus. Mas nós persistimos em pensar em todo este problema em termos de pecados particulares, nesta coisa particular que me mantém deprimido, e nos pecados que colocamos numa lista – vocês sabem deles, embriaguez, jogo etc. Para nós o problema todo é esse; transformamos o problema do pecado mais ou menos num problema social. Ou é um problema social, ou é o problema da nossa felicidade pessoal. Não gostamos de sentir remorso e arrependimento, porque é doloroso. Assim reduzimos todo o grande problema do pecado a essas diminutas proporções e dimensões. No entanto, a Bíblia não faz isso! A Bíblia vê o pecado como uma agressão a Deus. O diabo veio à frente e quis impor-se contra Deus, levantou-se contra a majestade, a soberania e a glória de Deus. Ele disputou isso, quis colocar-se no mínimo como um deus rival. E quando viu Deus criando o mundo e criando o homem, e viu Deus olhando o que tinha feito e dizendo que tudo estava "muito bom" e que mostrou prazer nisso, o diabo determinou-se a arruinar o que Deus criara. Assim o diabo entrou em ação no mundo. Qual era o seu objetivo? Vocês pensam que o objetivo do diabo era simplesmente persuadir Eva e Adão a fazerem apenas uma determinada coisa? Naturalmente que não! O diabo só tinha uma coisa em mente – desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Pouco se importava com o que ia acontecer com Adão e Eva. O diabo pouco se interessa por mim e por vocês como pessoas. Para ele não somos pessoas, somos algo que lhe serve de penhor, somos simples objetos que ele pode usar no grande jogo. E, todavia, pensamos nestas coisas em termos de nós mesmos! O diabo nos vê com desprezo, como fez com Adão e Eva. Ele os bajulou e os adulou porque sabia que era essa a maneira de fazer deles uma espécie de penhor. Não tinha nenhum interesse por eles como tais. Seu único objetivo era desacreditar a glória, a majestade e a grandeza de Deus. Era inutilizar a obra que Deus realizara, era inutilizar o mundo de Deus; era ridicularizar a obra criadora de Deus. Seu desejo era levantar-se, dirigir-se a todos os anjos e dizer: Deus tem as suas pretensões, diz Ele que fez o mundo perfeito, mas olhem, vejam o Seu mundo perfeito!
É assim que se deve ver o problema do pecado. A Queda é uma coisa terrível aos olhos de Deus. Não é primariamente um problema social. É muito mais crucial aos olhos de Deus. Naturalmente há nisso um problema social. O pecado levanta muitos problemas sociais, porém eles são subprodutos, não são aquilo que faz do pecado, pecado. Se posso dizê-lo assim, Deus jamais teria enviado Seu Filho do céu à terra e à cruz do Calvário para solucionar um problema social. O problema para Deus era a Sua glória, a Sua majestade, a Sua grandeza sempiterna. Isso fora questionado e posto em dúvida pelo diabo e por todos os que lhe pertencem. E que é a salvação? O propósito e objetivo da salvação é, em primeira instância, vindicar a Deus, é Deus tornar de novo manifesta a verdade concernente a Si próprio. O diabo é descrito nas Escrituras como "mentiroso e pai da mentira"; e o apóstolo João nos diz no capítulo três da sua Primeira Epístola que Deus enviou o Seu Filho a este mundo a fim de destruir as obras do diabo. Esse é o primeiro objetivo, que o caráter de Deus seja vindicado. Naturalmente, num sentido terminante, o diabo não afetou nem poderia afetar o ser, a natureza e o caráter de Deus, mas aos olhos dos seres criados ele poderia, e certamente o fez. Ele teve sucesso no caso de todos os anjos que caíram; ele teve sucesso no caso de Adão e Eva, e de toda a sua posteridade. E o problema no mundo hoje é a atitude do homem para com Deus. Assim, Deus iniciou este grande movimento de redenção e de salvação, primariamente com o fim de tornar a declarar, manifestar e vindicar a Sua glória, a Sua grandeza e a verdade a Seu respeito. Por que o fez, então? Ele o fez "para mostrar (manifestar) nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus".
Vocês pensavam na salvação dessa maneira? Uma pergunta que é bom fazer é: por que Deus enviou Seu Filho? Não permita Deus que nos limitemos a dar uma resposta sentimental, subjetiva, deixando de ver que Deus enviou Seu Filho afim de vindicar-Se. Essa é a maior teodiceia de todos os séculos; Deus está Se vindicando e está declarando e mostrando a verdade a Seu respeito.
2) A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz
Passemos agora à segunda proposição. A salvação vindica a grandeza e o caráter de Deus de maneira especial e de um modo como nenhuma outra coisa o faz. Não há dúvida sobre isso. Neste movimento de salvação e redenção, aprendemos certas coisas que doutro modo nunca aprenderíamos. Isso pode soar como uma afirmação atrevida, porém eu me aventuro a fazê-la. Muitos têm feito a pergunta – ninguém pode respondê-la, mas é uma pergunta que muitos têm feito, na verdade todos nós a temos feito – por que o Deus todo-poderoso permitiu a Queda? Por que permitiu que o homem caísse em pecado? A resposta cabal é reconhecer que não sabemos, e não devemos inquirir a respeito porque isso está além de nós. Mas, de qualquer forma, podemos saber e dizer isto: se Deus não tivesse permitido a possibilidade do mal e da Queda, o homem não seria inteiramente livre, e, portanto, não seria inteiramente perfeito. O homem, como Deus o fez, tinha realmente livre-arbítrio. Ele o perdeu por ter caído em pecado, todavia original¬mente o tinha; e o livre-arbítrio era parte integrante da perfeição do homem. Contudo, seja qual for a explicação, é evidente que Deus teve domínio sobre isso de tal modo que, mediante a redenção, Ele manifestou certos atributos do Seu santo ser, da Sua natureza e do Seu caráter que doutra maneira nunca poderiam ser conhecidos, mas que agora certamente são muito conhecidos.
O apóstolo já tinha mencionado alguns deles. Ouçam-no: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia". Seria possível ter a mesma concepção da riqueza de Deus em misericórdia, se o homem não tivesse caído em pecado como caiu? É por este meio que Deus manifesta a perenidade da Sua misericórdia. "Riquíssimo em misericórdia"! De¬pois, "Pelo seu muito amor com que nos amou". Com toda a certeza o homem conheceu algo sobre o amor de Deus antes de cair; Adão conheceu o amor de Deus. Contudo, pergunto se o amor de Deus seria conhecido como agora é, se não houvesse a Queda e o movimento de redenção. Deus o está mostrando, Ele o está manifestando, há uma revelação do Seu amor como seguramente seria inconcebível sem isso. Então o apóstolo passa à sua seguinte grande expressão: "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça...)" – aí está – "(...pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça". Não há nada que nos habilite a ter tal entendimento da extensão da graça de Deus como isto o faz. É a sua suprema avaliação; e nada pode mostrá-la como isto no-la mostra. Vem então o termo final, "benignidade" – "pela sua benignidade", com o Seu olhar benigno. Adão conheceu algo da benignidade de Deus, mas eu concordo com Isaac Watts quando ele afirma em seu hino – "Nele (em Cristo) as tribos de Adão ostentam mais bênçãos do que as que seu pai perdeu". Digo reverentemente, sopesando as minhas palavras, que em Cristo conhecemos algo de Deus que Adão, em seu estado de inocência, não conheceu, e que, em certo sentido, Adão não poderia conhecer. Pode ser especulação, porém me parece que as Escrituras ensinam que Deus mostrou estas coisas aqui de maneira única e de um modo como nunca mostrou em parte alguma.
3) Toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja
Mas, o que talvez seja muito importante para nós é a terceira proposição: toda esta manifestação e vindicação do caráter, do ser, da grandeza e da glória de Deus dá-se mediante a Igreja. Deus realiza este feito tremendo por nosso intermédio e através de nós, em primeira instância. Examinem de novo o ponto. Deus fez isso tudo "para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Este é para mim o pensamento mais avassalador que podemos captar, que o poderoso, eterno, sempiterno Deus está Se vindicando, a Si, à Sua santa natureza e ao Seu santo ser, mediante algo que Ele faz em nós, conosco, e por meio de nós. Isto é cristianismo, este é o significado da nossa condição de membros da Igreja, isto é o que significa ser cristão; nada menos que isto! Aqui somos retirados do nosso estado e dos nossos caprichos subjetivos, e das nossas condições transitórias, e nos vemos de repente neste grande plano da eternidade que Deus trouxe à luz e pôs em execução como resultado da queda do homem em pecado.
Examinemos esta gloriosa concepção. O apóstolo no-la ensina claramente neste versículo. Ele a expõe mais clara e explicitamente ainda no versículo dez do capítulo três desta Epístola. O apóstolo está descrevendo este grande mistério outrora oculto, mas agora revelado. Para quê? Para
"demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo" (versículo 9).
E então, no versículo dez: "para que" – a mesma ideia; este é o objetivo, esta é a intenção, este é o propósito –
"para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus".
Essa é a ideia. Deus está usando a Igreja, e vai usar a Igreja nos séculos futuros, afim de fazer uma demonstração e uma exibição da Sua estupenda e eterna sabedoria aos principados e potestades nos lugares celestiais.
Esse é o modo de pensar em nós mesmos como cristãos e como membros da Igreja Cristã. Deus está Se vindicando, a Si mesmo e ao Seu caráter, por meu intermédio e pelo seu, por meio de pessoas como nós, por meio de toda a Igreja congregada em Cristo e separada do mundo. Ele vai colocar-nos em exibição, por assim dizer; será uma exibição gloriosa. Ele já está fazendo isso, mas vai continuar a fazê-lo nas eras vindouras, e na consumação Deus vai fazer a Sua última grande exibição, e todos esses principados e potestades serão convidados a comparecer. A cortina correrá e Deus dirá: olhem para eles! "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus"! Eu e vocês estamos sendo preparados para isso.
Vocês leem sobre artistas preparando seus quadros e as suas pinturas para exposição, e sobre como eles dão os seus toques finais – como a moldura deve estar direita, deve ser colocada na posição certa, a luz deve vir do ângulo correto, e assim por diante. Bem, todos nós sabemos disso; temos visto pessoas preparando cavalos para exposição de equinos; ou frutas e verduras para exposições de horticultura – a seleção, o preparo. Pois bem, é isso que está acontecendo comigo e com vocês. Essa é a significação do culto público e da pregação – é apenas uma parte disso. A exposição, a exibição, a manifestação vem! E o que há de espantoso e admirável é que é por meio de pessoas como nós, e como resultado do que Ele está fazendo conosco, fez conosco e fará conosco, que Deus vai vindicar Sua sabedoria eterna, Sua majestade, Sua glória e todos os atributos da Sua santa Pessoa aos principados e às potestades nos céus.
Parece-me que isso vem perfeitamente expresso no capítulo sete do livro de Apocalipse. João teve a sua visão –
"Olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos; e chamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro".
João viu estas pessoas usando vestes brancas e com palmas nas mãos, entoando louvores a Deus e dizendo: "Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono". Mas o que particularmente me agrada é a pergunta feita pelo ancião que estava perto de João. "Quem são estes?" – perguntou ele – "Estes que estão vestidos de vestidos brancos, quem são, e de onde vieram?" Estes que aqui se acham com palmas nas mãos, cantando louvores a Deus, quem são? Será essa a pergunta que os principados e potestades nos lugares celestiais farão. A cortina será descerrada e lá estaremos nós com as nossas vestes brancas e com as palmas em nossas mãos, e os principados e potestades perguntarão – Quem são estes? Que são eles? Que fenômeno é este? Que pessoas são estas? De onde vêm? E a resposta será que são pessoas cristãs – são cristãos de todos os séculos, de todas as nações, tribos, países e cores congregados através dos séculos pelo poder da redenção de Cristo, todos finalmente juntos, reunidos ali na glória. "Quem são estes?" De onde vieram? Que são eles? E a resposta é: estes são os remidos pela sabedoria, poder, glória, amor e graça de Deus. "Pela igreja"! Eu e vocês! Miseráveis criaturas que somos, com nossas dores e sofrimentos, com as nossas "caxumbas e sarampos da alma", e os nossos questionamentos e interrogações, e a nossa indagação: "Por que Deus faz isso e aquilo?" Rogo-lhes, olhem para o céu, elevem a sua mente, fazendo-a penetrar na glória. Que vergonha para nós, cristãos, por nosso infeliz subjetivismo, por nossa incapacidade de compreender quem somos, o que somos, o que está acontecendo conosco e o que Deus está fazendo em nós e através de nós! A intenção da salvação é que tudo isso seja feito para vindicação do caráter e da glória de Deus.
4) Como Deus o faz mediante a Igreja?
A proposição subsequente ajuda-nos a ver como Deus o faz mediante a Igreja. Não precisamos demorar-nos neste ponto, visto que já o consideramos em parte. Lá estamos nós, que somos da Igreja, com vestes brancas, com palmas, na glória, na presença de Deus. Como chegamos lá? Como foi que isso aconteceu? A primeira coisa que nos deixa maravilhados é que Deus nos viu a todos como éramos e como estávamos, "mortos em ofensas e pecados, andando segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também". Como pôde Ele sequer olhar para nós? Não merecíamos nada senão a retribuição por nossos pecados, a punição, o inferno. Se você acha que merece coisa melhor, você não sabe que é pecador, você nada sabe, e eu temo por você, quanto à graça de Deus. Miseráveis, vis, torpes, desprezíveis e rebeldes – e Ele olhou para nós! Que grandiosa manifestação do Seu ser e da Sua santa natureza! Nós somos uma demonstração disso. Se Ele não tivesse olhado para nós, ainda estaríamos em nossos pecados e indo para a perdição. Mas lá estamos nós, na glória, porque Ele teve misericórdia de nós, teve pena de nós.
Não somente isso, Ele projetou e planejou um modo de libertar-nos. Ele mesmo produziu o método de salvação. O homem não o pediu, o homem não o queria, o homem não sabia do que necessitava, o homem não foi consultado, não deu nem uma única sugestão. A salvação é inteiramente de Deus, do princípio ao fim. Essa é toda a tese de Paulo: "Pela graça sois salvos", "fostes salvos", e nada mais! Que manifestação do ser e do caráter de Deus!
Outra maravilha é Deus ter-nos feito o que fez, ter feito de nós o que fez, a nós que já fomos vivificados, ter Ele colocado em nós um princípio de vida espiritual, em nós que estávamos completa, absoluta e desespe¬radamente mortos. Ele pôs nova vida em nós, a Sua própria vida em nós; Ele nos ressuscitou juntamente com Cristo, estamos vivos para Ele, temos os novos interesses e a nova perspectiva, estamos assentados nos lugares celestiais. Ele já nos fez isso tudo, porém quando estivermos na glória, de vestes brancas e com palmas, seremos absolutamente perfei¬tos, sem mancha, nem ruga, nem qualquer outra coisa semelhante. Não haverá nem suspeita de culpa; a mais poderosa lente de aumento não achará nada de errado em nós e sobre nós; seremos absolutamente íntegros e completos, purificados de todos os vestígios do pecado. Não é surpreendente a pergunta do ancião, "Quem são estes?" Como se tornaram assim? O que é esta brancura imaculada, esta glória? É tão¬-somente a manifestação do caráter e do ser de Deus. Mediante a Igreja Ele o faz dessa maneira especial.
5) Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo?
Isso me leva à derradeira proposição, que é simplesmente uma questão muito prática. Que devemos pensar de nós mesmos, à luz disso tudo? Por certo é óbvio. Se você sequer pensa na sua bondade, significa que você nunca enxergou esta verdade. Se você se julga cristão e bom membro da igreja porque tem vivido uma vida virtuosa e nunca fez mal a ninguém, e porque dedica boa parte do seu tempo a praticar estas coisas, você está apenas me dizendo que nunca entendeu este ensino. Se você pode achar em si próprio alguma coisa que pode deixá-lo satisfeito neste momento, você nunca viu de fato esta verdade, que Deus fez isso tudo com o propósito de que agora seja conhecida dos principados e potestades a Sua multiforme sabedoria nos lugares celestiais, para mostrar as sublimes riquezas da Sua graça. Se você acha que tem algum pleito para apresentar em seu favor ao trono da graça e da misericórdia, qualquer coisa que não seja o nome de Jesus Cristo, você nunca enxergou a verdade, simplesmente está cego. Nosso único pensamento deve ser:
"À aliança da misericórdia sou devedor,
Só à misericórdia entoo louvor".
"Pela graça de Deus sou o que sou,
Nada em minhas mãos levando vou".
Nada vejo de bom em mim; "Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum"; não tenho nada que me recomende, não tenho nada do que me gabar. Eu não sou nada; Ele é tudo, DEUS! A Sua graça em Cristo Jesus! Se você enxergar esta verdade, então inevitavelmente você pensará dessa forma.
5.1) Também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira
Disso decorre que também devemos conduzir-nos de uma determinada maneira.
"Qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro" (1 João 3:3).
O homem que se viu como membro da Igreja e do corpo de Cristo da maneira que estamos considerando, não vai querer mais ficar tão perto quanto puder do mundo, nem vai considerar o cristianismo estreito por condenar certas coisas. Nem por um momento! Se tão-somente pudéssemos ver aqueles que conhecemos e que agora estão além do véu, daríamos adeus à maioria das coisas deste mundo. Todo aquele que vê isto, todo aquele que tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro. Se vocês sabem que vão ser absolutamente puros e sem mancha, bem, avante!
"Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações" (Tiago 4:8).
Estes são os apelos do Novo Testamento. Fiquem tão longe do mundo quanto puderem. "Apressa-te da graça para a glória."
5.2) A absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo
A outra coisa que vejo aqui é a absoluta certeza de todas estas coisas, a segurança disso tudo. Se a minha confiança na minha salvação cabal e final e na minha perfeição última se baseasse em mim, na minha energia, no meu zelo e nos meus propósitos e desejos, sei que nunca chegaria lá. A minha segurança se baseia nisto, que Deus, o Deus infinito e eterno, está vindicando a Sua reputação eterna por meu intermédio. E se Ele tivesse começado a salvar-me e depois deixasse a obra por fazer ou inacabada, e eu merecidamente chegasse ao inferno, o diabo teria a maior alegria que lhe fosse possível. Ele diria: há um ser que Deus começou a salvar, todavia deu em nada. É impossível, isso não pode acontecer; não existe ideia mais monstruosa do que a ideia de que você pode cair da graça, que você pode nascer de novo e depois ser condenado eternamente. O caráter de Deus está envolvido! É impossível. Seu objetivo não é meramente salvar-me, é vindicar o Seu ser e a Sua natureza, e eu estou sendo utilizado para esse fim. O fim é absolutamente certo, porque o caráter de Deus está envolvido nisso.
"Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1:6).
5.3) O privilégio de todas estas coisas
A última palavra é óbvia. O privilégio de todas estas coisas! O privilégio de ser usado por Deus desta maneira para vindicar o Seu caráter eterno e glorioso! Por que estou nisto? Por que terá Ele olhado para mim? Como diz o ancião, "Quem são estes?", assim eu pergunto: quem sou eu? Vocês recordam Davi fazendo essa pergunta quando Deus lhe deu um vislumbre de onde ele entrava neste grande plano,
"Quem sou eu, ou o que é a minha casa, para que me fosse concedida tal honra?" (cf. 2 Crônicas 2:6).
E nós, não nos sentimos como tendo que dizer isso? Quem sou eu, e o que sou eu, para que Deus sequer olhasse para mim e me escolhesse para fazer parte do Seu plano e do Seu propósito, para vindicar Sua Pessoa, Sua grandeza, Sua glória, Sua sabedoria, Seu amor, Sua misericórdia, Sua compaixão perante os principados e as potestades nos lugares celestiais?
Povo cristão, pense cada um em si dessa forma, e siga para a glória.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
AS 42 JORNADAS NO DESERTO - CAPÍTULO 62

Irmãos e visitantes do nosso Blog. Estamos estudando as 42 estações da peregrinação do povo de Israel até Canaã. Chegamos a 8ª subida, capítulo 62 do nosso estudo. Que o Senhor nos dê espírito de sabedoria e revelação para que possamos enxergar os maravilhosos ensinamentos contidos nesse estudo.
Que o Senhor nos abençoe!
TEXTO: Êxodo 33:13-23 – 8ª Subida
Vamos estudar hoje a oitava subida de Moisés ao Monte Sinai, onde nós temos: a glória de Deus e a renovação do pacto.
A GLÓRIA DE DEUS
Nesta subida Moisés pede a Deus que revele Sua glória. E aqui nós vemos que Deus proclama o Seu nome. Deus diz que Ele é Jeová forte, clemente, tardio para irar-se, grande em misericórdia. Aqui Deus revela quem Ele é. Amados irmãos e irmãs, nesta oitava subida, Deus está revelando para Moisés o Seu próprio caráter. E vemos que após isso Moisés desce com seu rosto resplandecente, porque Moisés pede para poder ver a glória de Deus, e Deus provê uma rocha ferida – que é uma figura de Cristo. Nessa fenda da rocha Ele escondeu Moisés, porque, se isso não acontecesse, Moisés iria morrer. E ali, escondido na fenda da rocha, Moisés pôde ver uma gloriosa expressão da glória de Deus.
Êxodo 33:13-23 diz:
13 Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo. 14 Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. 15 Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. 16 Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra? 17 Disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome. 18 Então, ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. 19 Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer. 20 E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá. 21 Disse mais o SENHOR: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. 22 Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. 23 Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.
Estamos aqui diante de uma verdade estonteante, impressionante. Moisés pede para ver a glória de Deus. Você sabe o que é a glória de Deus? A glória de Deus é a natureza essencial de Deus. É o que faz de Deus, Deus. Glória é um termo que descreve Deus mais do que qualquer outro termo. O termo glória inclui beleza, majestade, resplendor, grandeza, poder, eternidade. No Antigo Testamento, o termo glória é sempre utilizado para comunicar a presença de Deus. Nessa ocasião, que é a oitava subida de Moisés, vemos que Moisés pede para Deus revelar-lhe essa gloriosa glória.
Amados irmãos e irmãs, precisamos ver alguns detalhes aqui. Tudo isso que temos lido nesses textos é impressionante. Precisamos analisar com muita reverência. Quero considerar isso fazendo algumas proposições.
1ª proposição:
Deus manifesta Sua misericórdia. Ele diz:
“terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia”. (Ex 33:19b)
A misericórdia está relacionada com a nossa condição presente, isto é, o estado de decadência em que o homem se encontra, sem Deus. A misericórdia fala da pobreza da nossa condição; enquanto a graça fala da glória irradiante da posição que temos em Cristo. Porque quando Deus desce a nós em misericórdia, Ele vem no estado mais baixo da nossa própria pecaminosidade. O sentimento que Deus tem para conosco, enquanto somos pecadores, é misericórdia. E a obra que Deus realiza para nos tornar Seus filhos é graça. A misericórdia vem do amor e resulta em graça. Então, esse é o primeiro detalhe, essa é a primeira proposição que Deus revela para nós. Toda a obra de Deus na graça foi planejada de acordo com a misericórdia de Deus em amor. Sua graça é dirigida por Sua misericórdia e Sua misericórdia é dirigida por Seu amor. Essa é a primeira proposição.
2ª proposição:
O Senhor diz para Moisés:
“(...) eis aqui um lugar junto a mim”. (Ex 33:21)
Preste atenção! Há um lugar em Deus onde podemos estar. É isso que Deus está dizendo para Moisés. Veja a riqueza dessa frase! Parece que na atual conjuntura não há nada maior do que isso para nós. Há um lugar em Deus onde podemos contemplá-lo, experimentá-lo, desfrutá-lo. O Salmo 91:1 e 9b diz:
“1 O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente (...)” (Sl 91:1)
“(...) Fizeste do Altíssimo a tua morada” (Sl 91:9b)
Precisamos alcançar isso em Cristo. É justamente isso que Paulo diz em Colossenses 3:3:
“3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.”
Nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Há um lugar em Deus onde fomos introduzidos através de Cristo. Em João 14:2, o Senhor Jesus disse:
“2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.”
Em Hebreus 10:19-20, o escritor dessa Epístola diz:
“19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, 20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,”
Amados irmãos e irmãs, há um lugar em Deus onde podemos experimentá-lo, desfrutá-lo. Creio que isto é tudo o que necessitamos em nosso viver cristão hoje: desfrutar da presença de Deus. Ver Deus significa penetrar para dentro dEle no poder da vida e ressurreição que Cristo nos deu, nesta vida de comunhão e intimidade agora pelo Espírito Santo em nós. Esta é a segunda proposição.
3ª proposição:
Vejam que, ainda em Êxodo 33:21, o Senhor diz assim:
“(...) tu estarás sobre a penha”.
A palavra hebraica para “penha” aqui é “tsur” – “rocha”. 1 Co 10:4 diz que “a rocha era Cristo”. Sabemos que essa rocha era uma teofania de Cristo. Era uma expressão de Cristo que nos é revelada em todo o Novo Testamento. Moisés só poderia contemplar a glória de Deus se ele estivesse na rocha. Isso nos ensina que todas as coisas nos foram dadas por Deus em Cristo. Não podemos por nós mesmos contemplar, desfrutar a glória de Deus. Nossa visão espiritual foi profundamente danificada por causa do pecado em nós. O homem natural não pode ver as coisas de Deus, nem tão pouco desfrutar da glória de Deus. Sabemos que é o nosso cérebro que enxerga e não os nossos olhos. É isso o que dizem os cientistas. Nossos olhos são apenas ferramentas pelas quais o cérebro capta a visão das coisas. Por isso, se desejamos desfrutar, ver a glória de Deus, ter essa visão espiritual profunda, necessitamos de uma profunda operação do Espírito Santo em nossa própria mente, em nosso próprio ser interior. Essa é a verdade. Precisamos estar em Cristo. Somente a partir de Cristo é que nós podemos desfrutar, penetrar, nesta glória maravilhosa e divina. Agora vamos para mais uma proposição.
4ª proposição:
Agora temos a quarta proposição, quando Deus diz para Moisés:
“(...) eu te porei numa fenda da penha (...)” (Ex 33:22).
Essa mensagem nos leva para Números 20:11:
“11 Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais.”
Precisamos ler também o Evangelho de João 19:33-34:
“33 chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. 34 Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.”
No Evangelho de João temos “a rocha ferida”. Só podemos ver a glória de Deus e desfrutar dessa glória mediante a rocha ferida. Uma coisa impressionante nesse texto de Êxodo é que a palavra “passar”, no hebraico, segundo Strong, é “abar”. Essa palavra significa “ser transpassado”. Veja o que Deus diz aqui para Moisés, no versículo 22 de Êxodo 33:
22 Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.
É esta palavra aqui: “passado”. Essa palavra no hebraico é “abar”. Significa “ser transpassado”. Ela era usada para descrever “o animal que era sacrificado”.
Amados irmãos e irmãs, será que temos percebido a grandeza de tudo isso diante de nós? Será que ficamos impressionados com aquilo que o Espírito Santo está nos ensinando? Sobre esse assunto, tenho da parte do Senhor o encargo de chegar até aqui. Mas sei que o Senhor pode avançar muito mais além de cada um de nós e mostrar a grandeza de tudo isso, a grandeza dessa verdade. Aqui há algo que Deus deseja comunicar para nós: é somente através dessa rocha ferida – Cristo transpassado. Essa rocha ferida fala de Cristo transpassado. Cristo sendo transpassado por causa de nós.
1 João 3:2 diz assim:
2 Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.
Há duas palavras nesse texto que temos que estudar:
A primeira é “manifestou”. No grego temos a palavra “phaneroo”, que significa “tornar manifesto, visível, conhecido, aquilo que estava escondido”. Sabemos que um dia Deus vai se revelar profundamente, grandiosamente para nós na eternidade vindoura, por causa dessa rocha ferida.
Depois temos que tomar a palavra “sabemos”, que no grego é “oida”. Significa “ver, voltar os olhos”.
Amados irmãos e irmãs, devemos ser gratos a Deus pelo privilégio de estudar esse maravilhoso assunto, de estudar essa oitava subida de Moisés ao Monte Sinai. Podemos meditar um pouco aqui sobre a glória suprema daquilo que Deus tem preparado para nós. Precisamos ver que a vontade de Deus é algo que Ele irá alcançar, porque isso faz parte da Sua soberana vontade irresistível. Ele determinou realizar isso em nós e Ele alcançará essa obra em nós. É isso que o Senhor está ministrando agora nessa oitava subida.
A RENOVAÇÃO DO PACTO
Essa oitava subida fala também, no aspecto espiritual, do “poder da ressurreição”, porque o número oito refere-se à ressurreição de Cristo. Então, o que Deus faz com Moisés aqui? Ele renova o pacto, porque Moisés havia quebrado as primeiras tábuas da aliança. Agora Deus renova o pacto. Deus pede para Moisés novas tábuas de pedra para que Ele possa agora escrever novamente o Decálogo. E Deus fala sobre três coisas para Moisés:
1º) Deus fala contra a idolatria:
Deus fala para Moisés que Ele é um Deus zeloso e para que o povo não tivesse nenhum outro Deus, a não ser Ele.
2º) Deus volta a falar sobre as festas anuais:
Essas festas prefiguram Cristo. Elas revelam aspectos distintos da vida, da pessoa e da obra de Cristo.
3º) Deus volta a enfatizar o Decálogo.
Então, nessa oitava subida nós temos essa maravilhosa experiência. Temos essas verdades impressionantes, que tocam profundamente a nossa vida hoje. O fato de Deus novamente falar contra a idolatria, o fato de Deus novamente falar sobre essas festas, falar sobre o Decálogo, mostram que Deus é Deus perseverante em Seu amor; é um Deus que não desiste de nós; é um Deus gracioso. Muitas vezes fechamos as portas, muitas vezes temos ofendido a Ele, mas ele retorna a nós em graça e misericórdia para nos alcançar e para se revelar a nós. Aquela experiência que Moisés teve nos é dada hoje em Cristo Jesus. Deus deseja que venhamos desfrutar da Sua glória, da Sua presença. Deus deseja que venhamos desfrutar dEle. Somente agora, em Cristo, nós podemos ter essa magnífica experiência na nossa vida
Cristã.
Amados, a vida cristã é muito rica. Não é uma vida medíocre, não é uma vida pobre. É uma vida rica, uma vida marcada e caracterizada pela presença, pela glória de Deus. Sabemos que não podemos desfrutar essa glória em plenitude, mas Deus permite que nós venhamos desfrutá-la nessa disposição que Ele tem em Cristo, no poder do Seu Espírito, de comunicar isso a nós.
Que Deus lhe abençoe com esta palavra. Que Ele possa inundar o Seu coração de graça, de glória, de Sua presença através desta palavra que Ele está ministrando ao seu coração.
Por: Ir. Luiz Fontes
quinta-feira, 3 de junho de 2010
JESUS O REI DOS JUDEUS

JESUS O REI DOS JUDEUS
Por. Dave Hunt
Multidões, que pouco ou nada pensam sobre Deus ou Cristo, aceitam que há mais de 2000 anos Jesus nasceu em Belém e "que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus?" (Mt 2.1-2). Estranhamente, muitos cristãos que crêem que Jesus nasceu "Rei dos judeus" não atribuem a esse título um significado literal, especialmente que ele tenha algo a ver com judeus. Profecias que falam de Cristo reinando sobre o mundo a partir do trono de Davi, em Jerusalém, são interpretadas como metáforas que se referem ao Seu presente reinado a partir do céu.
A cidade de Davi
Jerusalém foi fundada pelo rei Davi há 3000 anos atrás. A Bíblia se refere a Jerusalém como "cidade de Davi" por mais de 40 vezes. Lá Deus estabeleceu o trono de Davi para sempre, e desse trono o Messias, o Rei dos judeus, descendente de Davi, deve reinar sobre Israel e sobre o mundo (2 Cr 6.6; 33.7; 2 Sm 7.16; Sl 89.3,4,20,21,29-36, etc.). Na Bíblia, Jerusalém é citada mais de 800 vezes e é peça central nos planos de Deus. Lá Ele colocou Seu nome para sempre.
O que há por trás do anti-semitismo?
Satanás tem inspirado 3000 anos de anti-semitismo sabendo que somente o Messias, descendente de Abraão, Isaque e Jacó, pode derrotá-lo. Destruindo todos os judeus, ele teria evitado o nascimento do Messias. Satanás perdeu esse "round". Mas se todos os judeus fossem destruídos hoje, Deus não poderia cumprir Suas promessas de que Cristo reinará como Rei dos judeus, no trono de Davi, em Sua Segunda Vinda. Deus seria, então, um mentiroso e Satanás, o vencedor. A integridade e os propósitos eternos de Deus estão ligados à sobrevivência de Israel!
A quem pertence Jerusalém?
Yasser Arafat afirma que Israel sempre pertenceu aos árabes e que Jerusalém tem sido uma cidade árabe por milhares de anos. Na realidade, Jerusalém não é sequer mencionada no Corão. Em 15 de julho de 1889, o jornal Pittsburgh Dispatch declarou que, dos 40.000 residentes de Jerusalém, 30.000 eram judeus e a maioria dos outros eram cristãos. Em 1948, quando Israel declarou sua independência, somente 3 por cento da "Palestina" pertencia aos árabes.
Israel tem seu Knesset (Parlamento) em Jerusalém. Mas o mundo não aceita isso e as embaixadas estrangeiras se localizam em Tel Aviv. Desafiando a Deus e Seu Rei (leia o Salmo 2), o mundo tem seus próprios planos para Jerusalém.
Aqui confrontamos os aspectos mais amplos da guerra anti-semítica contra Deus e o Rei dos judeus: a tentativa de controlar Jerusalém e a terra de Deus (Lv 25.23). Inacreditavelmente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aplicou quase um terço de suas deliberações e resoluções a Israel, um país com menos de um milésimo da população do mundo! As Nações Unidas jamais condenaram os árabes pelo seu terrorismo, mas Israel já foi condenado mais de 370 vezes por se defender. Em março de 1999, Israel foi novamente notificado pela União Européia de que esta "não reconhece a soberania de Israel sobre Jerusalém". Numa bula papal, no Jubileu do Ano 2000, o papa João Paulo II mais uma vez rejeitou a soberania de Israel sobre Jerusalém.
Jerusalém pisada pelos gentios
Estamos vendo o cumprimento contínuo da notável profecia de Cristo: "Jerusalém será pisada por eles, até que os tempos dos gentios se completem" (Lc 21.24). A retomada de Jerusalém Oriental pelos israelenses em 1967 parecia marcar o fim dos "tempos dos gentios". No entanto, num lance surpreendente, Israel devolveu o monte do Templo aos cuidados do rei Hussein, da Jordânia, deixando o próprio coração de Jerusalém nas mãos dos gentios. Mais tarde [através do "Wagf", a entidade muçulmana que passou a administrar o local], Yasser Arafat e sua OLP assumiram o controle do monte do Templo.
Evangélicos com doutrina católica
A doutrina católica romana de que a nação de Israel foi substituída por aquela Igreja tem se espalhado progressivamente também entre evangélicos. Essa substituição de Israel é uma forma sutil de anti-semitismo. Ao invés de mandar os judeus para as fornalhas, nega-se sua importância e até mesmo sua existência: por alguma distorção na História, os comumente chamados judeus não seriam realmente judeus – os verdadeiros judeus seriam os mórmons, os "israelitas britânicos", os católicos ou os cristãos.
Parceiros de Satanás
O vergonhoso horror do anti-semitismo ao longo da História revela o coração humano. Satanás achou milhares de parceiros (muitos dos quais se diziam cristãos), ávidos por amaldiçoar, perseguir e até mesmo matar o povo escolhido de Deus. Roosevelt, Churchill e outros líderes aliados conheciam a "solução final do problema judeu" de Hitler e nada fizeram. Mesmo as nações neutras, como a Suíça e a Suécia, devolveram judeus refugiados às fornalhas de Hitler.
O objetivo do islamismo
Incrivelmente, um típico livro escolar da Jordânia iguala sionismo com nazismo. Entretanto, os árabes aplaudiram e ajudaram Hitler – e o islamismo busca colocar em prática a "solução final" de Hitler até hoje. Líderes políticos e religiosos muçulmanos estão continuamente fazendo ameaças hitlerianas na TV e nas rádios, pelos alto-falantes nas mesquitas ou nas ruas. A batalha entre Javé, o Deus de Israel, que ama os judeus como povo escolhido, e Alá, o deus do islamismo, que os odeia com furor, está alcançando um clímax apavorante.
Exterminar os judeus é dever de todo muçulmano religioso. Os muçulmanos sonham em destruir Israel. Os assassinos de inocentes cidadãos israelenses são exaltados em todo o mundo árabe e seus nomes são dados a feriados e ruas. Também são feitas comemorações em homenagem a terroristas. Os líderes islâmicos têm invocado um reavivamento espiritual como chave para a destruição de Israel – e o fundamentalismo islâmico, que descaradamente emprega o terrorismo, está agora se espalhando pelo mundo.
Todos os estudiosos islâmicos concordam que é dever sagrado de todo muçulmano, em qualquer idade, promover a jihad (guerra santa) sempre que possível, a fim de submeter o mundo inteiro ao islamismo. Há mais de 100 versos no Corão que falam em lutar e matar em nome da jihad. Um ministro do Gabinete líbio declarou: "A violência é a mais positiva forma de oração dos muçulmanos".
Saddam Hussein, apesar de ter invadido o Kuwait, é idolatrado por milhões de árabes porque seus mísseis "Scud" atingiram pesadamente alvos civis israelenses e ele, repetidamente, faz convocações para que se destrua Israel. Quando Kaddafi esbraveja que "a batalha contra Israel será tamanha que... Israel deixará de existir!", ele fala em nome de cada muçulmano. Maomé, o profeta fundador do islamismo, declarou que "a última hora não chegará antes que os muçulmanos lutem e matem os judeus".
O desejo islâmico de exterminar Israel é ensinado desde a infância. Um ministro da Educação da Síria escreveu: "o ódio que inculcamos nas mentes das nossas crianças desde o berço é sagrado". Um livro de ensino médio do Egito atesta: "Israel não sobreviverá se os árabes se mantiverem firmes no seu ódio". E um livro de quinta série declara: "os árabes não param de agir em direção ao extermínio de Israel". É um ato suicida de Israel trocar terra estratégica pela "paz" se é ameaçado por tamanhos inimigos – mas o mundo o tem forçado a fazê-lo.
O que o islã entende por "paz"?
Maomé mostrou aos muçulmanos como fazer "paz". Em 628 d.C. ele fez um tratado de paz com sua própria tribo kuraish. Dois anos depois, repentinamente ele atacou Meca e massacrou todos os homens. Arafat declarou publicamente: "em nome de Alá... eu o estou considerando (o acordo de paz entre Israel e OLP) tanto quanto nosso profeta Maomé considerou o acordo com a tribo kuraish... Paz, para nós, significa a destruição de Israel..." Não há lugar para o Rei dos judeus! Assim é o islamismo – preste bem atenção!
Armas de aniquilação
As nações muçulmanas estão se armando com mísseis, armas químicas, biológicas e nucleares. A Síria tem fabricado milhares de ogivas químicas, tem enormes estoques de armas biológicas e triplicou seu poderio aéreo e militar desde a guerra de Yom Kippur em 1973. O mundo inteiro sabe que essas armas têm apenas um propósito: destruir Israel. Mas Israel também possui armas nucleares (em novos e eficientes submarinos) e, se necessário, as usará. Então, quem promoverá a paz?
Cristo advertiu a respeito dessa incrível destruição e que ninguém seria salvo na terra se Ele não interviesse para fazê-la cessar (Mt 24.21-22). Essa impressionante profecia anunciava as modernas armas de hoje. Não é de se admirar que o Deus da Bíblia, que por doze vezes chama a si mesmo de "o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó", prometa repetidamente proteger Israel e Jerusalém nos últimos dias! Tendo feito Israel renascer em 1948, Deus completará o Seu propósito. Ele declara: "Pode, acaso, nascer uma terra num só dia? Acaso, eu que faço nascer... diz o Senhor... fecharei a madre?" (Is 66.8-9).
O mundo rebelde
Em sua louca rebelião contra Deus, o mundo faz seus próprios planos e rejeita o "Rei dos judeus" e Sua promessa de paz internacional reinando do trono de Davi em Jerusalém. Um governo mundial humanístico é um ideal que tem sido buscado desde Babel. Em 1921 foi estabelecido o Council on Foreign Relations – CFR (Conselho de Relações Exteriores). No ano seguinte, sua publicação Foreign Affairs (Relações Exteriores) afirmou que não haveria "paz ou prosperidade para a humanidade... até que fosse criado algum tipo de sistema internacional...". Em 1934, H.G. Wells declarou: "é preciso que se estabeleça uma fé e uma lei comum para a humanidade... A principal batalha é uma batalha educacional". As crianças estão sendo educadas para rejeitar a Deus e aceitar o Anticristo. Em 1973, no Saturday Review of Education, Gloria Steinem, líder feminista, afirmou que, por volta do ano 2000, "nós iremos, espero eu, criar nossos filhos para acreditarem no potencial humano, e não em Deus".
Em maio de 1947, Winston Churchill declarou: "A menos que se estabeleça e comece a dominar um eficaz supergoverno mundial..., as perspectivas de paz e progresso humano são obscuras e duvidosas...". Em 1948, no artigo UNESCO: Its Purpose and its Philosophy (UNESCO: Seu Propósito e Sua Filosofia), Sir Julian Huxley, o primeiro diretor-geral daquele organismo, explicou que "a filosofia geral da UNESCO deveria ser um humanismo científico mundial, global em sua extensão e evolutivo na sua prática... para ajudar no surgimento de uma cultura mundial única..." O Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, declarou que "o conceito de soberania nacional" está sendo redefinido e deverá ser colocado de lado. Num avanço rumo a uma religião mundial, "as Nações Unidas estenderam seu papel de manutenção da paz para o território espiritual" e convocaram "sua primeira cúpula de líderes religiosos mundiais".
Decepção com governos humanos
Independentemente do tipo de governo, os governantes são egoístas e opressores. Esse fato tem sido demonstrado repetidas vezes em muitas partes do mundo. A África se livrou do domínio colonial dos brancos. No entanto, ao invés da liberdade prometida, houve nova servidão sob déspotas negros. No lugar de paz e prosperidade, o caos, a pobreza, a intranqüilidade, as guerras étnicas e tribais são crescentes, com negros matando negros e a repetição de golpes e revoluções com que nada se ganha.
O comunismo também já foi uma grande esperança. A revolução comunista na Rússia foi financiada em grande parte por alguns dos homens mais ricos e poderosos da América. Em 1928, John Dewey escreveu no The New Republic que o comunismo, cujo ateísmo obrigatório exaltava, iria "neutralizar e transformar... a influência da família e da Igreja" e, finalmente, atingiria os objetivos estabelecidos no Manifesto Humanista.
Tudo soava tão bem: igualdade para todos. Mas aqueles que impuseram essa "igualdade" eram déspotas em busca dos seus próprios interesses egoístas, oprimindo e roubando quem estava abaixo deles. A corrupção prosperou na Rússia e na China e continua prosperando em cada nação comunista.
A trajetória cruel do islamismo
O mesmo também é verdade em relação ao islamismo. Maomé impôs o islamismo com a espada. Assim que ele morreu, muitos árabes tentaram abandonar o islamismo mas foram forçados a voltar à submissão nas Guerras de Apostasia, em que dezenas de milhares foram mortos. Isso também não trouxe paz. Os companheiros e parentes mais próximos de Maomé lutaram, barbaramente, para conquistarem a liderança, matando uns aos outros em nome de Alá e de seu profeta morto. Milhares de seguidores de Maomé foram massacrados por alguma facção rival.
O islamismo não mudou. Entre 1948 e 1973 houve 80 revoluções no mundo árabe, 30 das quais foram bem sucedidas, incluindo o assassinato de 22 chefes de Estado. Os sunitas, a maior seita islâmica, e os xiitas, a segunda maior, ainda lutam uns contra os outros. Na guerra de oito anos entre o Irã e o Iraque foram usadas 1.000 toneladas de gases venenosos e houve mais mortes do que na Primeira Guerra Mundial. O islamismo não consegue obter paz nem mesmo entre os muçulmanos. No entanto, o primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que o islamismo é sinônimo de "paz, tolerância e uma força para o bem". Incrivelmente, nos EUA a Catedral de Cristal (de Robert Schuller) mantém o "Instituto Cristão e Muçulmano Conjunto Pela Paz". Paz? Que paz seria essa?
Ditaduras islâmicas e democracia israelense
Os países islâmicos são ditaduras dominadas por assassinos inescrupulosos e terroristas internacionais como Saddam Hussein do Iraque, Kaddafi da Líbia e Assad da Síria. Em nome de Alá eles prendem, torturam e matam dezenas de milhares dos seus próprios cidadãos e treinam e financiam o terrorismo mundial. Nos territórios da OLP, entregues por Israel, assim como em todos os países muçulmanos, não há liberdade de consciência, de expressão, de religião, de voto ou de imprensa.
Israel é a única democracia do Oriente Médio e ali existem os problemas típicos de uma democracia. A "Terra Santa" está contaminada por drogas, pornografia, prostituição, rebeldia juvenil, estupro, roubos e crimes. Israelenses são jogados uns contra os outros pelo egoísmo. A violência doméstica atinge mais de 200.000 mulheres israelenses por ano. A selvageria nas escolas israelenses se iguala à dos Estados Unidos. Os crimes violentos entre jovens israelenses mais do que duplicaram de 1993 até 1998. Há hostilidade entre israelenses religiosos e seculares e a desilusão com o judaísmo é crescente, especialmente entre a juventude.
Sacrifício pelo pecado
Se Jeremias estivesse vivo hoje em dia, mais uma vez advertiria Israel sobre o julgamento que virá por seu pecado. Israel precisa arrepender-se diante do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Mas, e se isso viesse a acontecer? Os rabinos não têm como oferecer perdão para pecadores arrependidos. Há mais de 1900 anos eles não têm Templo nem sacrifícios pelo pecado – exatamente como foi previsto (Os 3.4; Lc 21.20-24).
Por que Deus profetizaria e permitiria essa condição? A única resposta lógica é ter enviado Jesus, o Messias: como Cordeiro de Deus, Ele morreu pelos pecados dos judeus e dos gentios. Se a Sua morte na cruz foi o sacrifício maior, então os sacrifícios do Antigo Testamento tornaram-se desnecessários. Essa é a única explicação para Deus ter deixado Israel sem Templo ou sacrifícios por todos esses anos.
As Escrituras hebraicas contêm mais de 300 profecias contando quando e onde o Rei dos judeus nasceria, falando tudo sobre Ele, inclusive de Sua rejeição, crucificação e ressurreição. Todas essas profecias se cumpriram ao pé da letra em Jesus Cristo. Se Ele não é o Messias, então não há Messias. No dia exato revelado pelo anjo Gabriel a Daniel (Dn 9.25), Jesus entrou em Jerusalém e foi aclamado como o Messias, como Zacarias havia profetizado (Zc 9.9). A seguir, Ele foi crucificado pelos nossos pecados e ressuscitou, como os profetas de Israel tinham previsto. Na cruz, sobre a Sua cabeça, Pilatos escreveu a acusação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" (Mt 27.37).
A volta do Messias
De acordo com os fatos históricos incontestáveis e os próprios profetas de Israel, os que esperam a primeira vinda do Messias estão 2000 anos atrasados. A única esperança para Israel é Sua segunda vinda. Tragicamente, será preciso que a batalha de Armagedom aconteça para que Israel reconheça o seu Messias. Quando Javé aparecer pessoalmente para salvar Israel da destruição, todos os judeus vivos verão que Ele é o Homem que foi traspassado e morto pelos seus pecados e ressuscitou, o próprio Messias prometido por seus profetas, a quem eles rejeitaram. Então todo o Israel ainda vivo virá a crer (veja Rm 11.26-27). E o Rei dos judeus finalmente "reinará para todo o sempre"! Por enquanto, Ele oferece perdão, paz, vida eterna e um reinado benevolente no trono de todo coração que se abrir para Ele. (Dave Hunt - TBC 12/99 - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, agosto de 2001.
terça-feira, 1 de junho de 2010
AS 42 JORNADAS NO DESERTO
Estudo das 42 Jornadas no Deserto
CAPÍTULO 60
TEXTO: Êxodo, Cap. 32 – 7ª Subida
Vamos continuar estudando acerca desta 7ª subida de Moisés ao monte Sinai. Onde ele vai poder experimentar sobre a justiça e a misericórdia de Deus; onde ele vai poder compreender estes aspectos tão preciosos.
Aqui nesta 7ª subida nós temos a justiça e a misericórdia de Deus. Sabemos que o contexto desta subida é quando o povo de Israel está adorando a um bezerro de ouro, quando o povo está adorando àquele bezerro, que Arão fez para aquele povo. E o povo, desenfreadamente, adorava aquele bezerro quando Moisés quebrou as tábuas da Lei. Naquele momento a tribo de Levi é instituída – porque a tribo de Levi não adorara aquele bezerro de ouro. E ali Deus exerceu o seu juízo.
Agora Moisés sobe ao Monte Sinai. Ele ora! Esta oração ou intercessão está em Êxodo capítulo 32, versículo 11, quando Moisés suplicou ao Senhor e disse: “Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão?”. Aqui nós temos que ver a “Doutrina da ira de Deus”. O que é a ira de Deus? Se nós precisamos compreender o caráter de Deus em sua essência naquilo que é comunicado a nós através do Espírito santo, pela Palavra, nós não podemos deixar de conhecer a ira de Deus. A ira de Deus é uma Doutrina que está em toda a Bíblia. É um fato e ninguém pode contestá-lo. Todos nós estamos envolvidos na doutrina da ira de Deus. Dela depende o nosso destino. Nunca entenderemos o amor de Deus enquanto não compreendermos a doutrina da ira de Deus. A ira de Deus é nada mais nada menos que a “manifestação de indignação baseada em sua justiça”. Para entendermos a doutrina do amor de Deus nós precisamos entender primeiro a doutrina da ira de Deus. Sem a compreensão da ira de Deus, nós não vamos compreender seu amor por nós.
A primeira visão que nós devemos ter do pecado é que o pecado acarretou uma desordem tão profunda que é necessário uma reparação ou restituição, isto é, a “expiação”. A expiação é uma necessidade, porque ela emerge de dentro do próprio Deus. O pecado afetou a posição do homem diante de Deus. Paulo diz em Efésios capítulo 2, versículo 3: “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. Isto indica que todos nós estamos sob a ira de Deus por natureza. A necessidade de satisfação para Deus, portanto, não se encontra em nada fora Dele, mas dentro Dele, em Seu próprio Caráter imutável.
Amados irmãos e irmãs, nós temos que saber que Deus é a sua própria Lei. Ele só se satisfaz e se conforma com esta Lei. A lei do seu próprio ser. Quando nós vemos Gênesis capítulo 3, versículo 24, quando Deus lançou o homem para fora do jardim, Ele pôs querubins ao oriente do jardim do Éden com uma espada inflamada, que andava ao redor para guardar o caminho da árvore da vida. O que significa a espada inflamada? Significa a espada da justiça de Deus, da ira e da punição. Deus agora está punindo o homem por causa do seu pecado. Aqui podemos ver a ira de Deus contra o pecado, contra a rebelião do homem. A ira de Deus indica que há dentro Dele uma intolerância santa contra a rebelião, contra a idolatria, a imoralidade, a injustiça, contra todo o mal. É isso que nós vemos.
Ezequiel, capítulo 24, versículos 13 e 14, diz assim:
13 - Na tua imundícia está a luxúria; porque eu quis purificar-te, e não te purificaste, não serás nunca purificada da tua imundícia, até que eu tenha satisfeito o meu furor contra ti. 14 - Eu, o SENHOR, o disse: será assim, e eu o farei; não tornarei atrás, não pouparei, nem me arrependerei; segundo os teus caminhos e segundo os teus feitos, serás julgada, diz o SENHOR Deus.
Veja isto, a ira de Deus acesa contra Judá não se apagaria facilmente, isto é, Deus não desistiria de julgar esta nação. O fogo da ira de Deus só se apagaria quando o seu juízo fosse completado. Nós podemos ver o exemplo disso no episódio da capa babilônica que Acã escondeu em sua casa dos despojos de Jericó. Diz assim o texto em Josué capítulo 7, versículo 26: “E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o SENHOR apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje”. Nesse texto vemos o julgamento de Deus sobre a família de Acã, porque tomou dos despojos Jericó, as coisas condenadas por Deus e as escondeu em sua própria casa. Josué já havia avisado aos filhos de Israel a não tomarem dos despojos de Jericó porque isso seria maldição. Isto está em Josué 6:18. Esse foi o motivo da ira de Deus. Veja o versículo 13, de Ezequiel capítulo 5: “Assim, se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor e me consolarei; saberão que eu, o SENHOR, falei no meu zelo, quando cumprir neles o meu furor. Sabemos que no hebraico a palavra para “ira” é “kalah”, que é empregada por Ezequiel 16:26. Significa: ser completo; terminado; realizado. Segundo o seu contexto essa palavra indica que algo foi cumprido, terminado, chegou ao fim.
Veja que Ezequiel capítulo 7, versículos 7 e 8, diz assim:
7 - vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes. 8 - Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre ti, cumprirei a minha ira contra ti, julgar-te-ei segundo os teus caminhos e porei sobre ti todas as tuas abominações.
Vejam que as palavras “derramarei” e “cumprirei” estão juntas e elas definem a ira de Deus sobre a nação de Judá. Jeremias havia dito isso em Lamentações capítulo 4, versículo 11: “Deu o SENHOR cumprimento à sua indignação, derramou o ardor da sua ira; acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos”. Então, amados irmãos e irmãs, a ira de Deus só cessa quando é cumprida. Aqui nós precisamos ver duas coisas importantes sobre a ira de Deus:
Primeira - quando ocorre ira de Deus é porque algo no ser essencial, isto é, no Seu ser moral é provocado pelo pecado, pelo mal, pela rebeldia do coração do homem.
Segundo – aquilo que está dentro de Deus deve sair e as exigências da Sua própria natureza e caráter devem ser preenchidas mediante a ação apropriada da Sua própria parte, da parte de Deus.
No Novo Testamento o primeiro pregador do Evangelho foi João Batista. E o que ele pregava? Veja o que diz Mateus capítulo 3, versículo 7: “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” O Senhor Jesus enfatizou o mesmo que João Batista. Olhe o Evangelho de João capítulo 3, versículo 36, que diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. O apóstolo Paulo enfatiza a mesma verdade de modo claro. Veja o que diz em Romanos capítulo 1, versículo 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Então nós vemos que esta é uma doutrina ampla na Palavra de Deus. Durante muito tempo na história da Igreja houve a ideia de que foi o diabo que tornou a cruz necessária. Os cristãos, durante um longo tempo na história da Igreja, reconheciam que desde a queda e por causa dela a humanidade estava cativa não somente ao pecado e a culpa, mas também ao diabo. Pensavam nele como o senhor do pecado e da morte, como o maior tirano de quem Cristo Jesus, o nosso Senhor, veio nos libertar. Mas isso não é verdade. Nós temos que entender que o sacrifício da cruz deveria ser de acordo com o caráter de Deus. O que fez a cruz necessária não foi uma transação entre Deus e o diabo; antes, foi uma exigência do próprio caráter de Deus. O que nós temos que ver é que o modo pelo qual Deus escolhe perdoar os pecadores e reconciliá-los consigo mesmo deve ser, acima de tudo, totalmente coerente com o seu próprio caráter. Quando falamos da ira de Deus devemos saber que uma única palavra não pode descrever a totalidade da natureza de Deus. A cruz de Cristo é o evento no qual Deus simultaneamente torna conhecida a sua santidade e o seu amor em um único evento de um modo absoluto. Na cruz vemos a combinação da Justiça inflexível e do amor transcendente, transbordante. Há dentro de Deus uma tensão interior entre sua compaixão e o furor da sua ira.
Dois textos que nos falam da dualidade de Deus são: Êxodo capítulo 34, versículo 6, que diz: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”. Veja que depois deste episódio da interseção de Moisés ele tem esta experiência, ele diz no versículo 7: “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”. Aqui Moisés entendeu claramente que a ira de Deus é a outra face do Seu amor.
Romanos capítulo 11, versículo 22, nos diz: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres”. Veja que tudo isso é muito rico! Temos que prestar atenção nisso, para que possamos entender verdadeiramente o que esta oração de Moisés significa para nós hoje. Então Moisés está orando “porque se acende a tua ira sobre o teu povo que tiraste da terra do Egito?” (Ex 32:11). Vamos estudar um pouco este texto, como também, os demais que se seguem para podermos compreender claramente o que tudo isso significa. Deus está ministrando algo para nós, e nós precisamos estar atentos ao que Deus deseja falar conosco. Veja que Moisés diz algo ainda quando segue neste mesmo assunto. Olha o que ele diz em Ex 32:12: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. A palavra hebraica para “arrependimento” é “nacham”. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento. Amados irmãos e irmãs, é do conhecimento de todos nós que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido por nós? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende como nós nos arrependemos? Creio que nós precisamos estudar este assunto. Embora já tenha compartilhado algo, quero avançar um pouco mais.
Em Gênesis capítulo 6, versículos 5 e 7 dizem assim:
5 - Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6 - então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
Em Êxodo 32:12, que é o texto que estamos considerando, diz isso. Se continuarmos lendo na sequência, veremos: Gn 6:5,7, Êxodo 32:12 e depois 1 Sm 15:10,11 e 35 que diz:
10 - Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: 11 - Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR. 35 -... O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
2 Samuel capítulo 24, versículo 16, diz: “Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu”. Podemos citar ainda outros textos: Jr 18:7,8; Jr 2:13; Jr 3:10. Como entender todas estas passagens à luz deste assunto? Amados irmãos, a referência em cada caso é sobre a “anulação de um prévio tratamento” dispensado a certos homens como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não acho sugestão de que essa reação não tenha sido prevista ou que Deus tenha sido tomado de surpresa por algo e que não tivesse estabelecido em Seu Plano eterno. Não há mudança alguma em Seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação ao homem de maneira diferente. A primeira coisa que nós temos que ver é isto. Além dos textos bíblicos acima, outras passagens bíblicas são claras em afirmar que Deus nunca se arrepende:
• Números 23:19, diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”.
• 1 Samuel 15:29, também da mesma forma diz: “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa”.
• Oséias 13:14, diz assim: “...Meus olhos não veem em mim arrependimento algum”.
Então, amados irmãos e irmãs, entendam que não existe contradição alguma nos textos que dizem que Deus se arrepende e nos que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, estas três últimas passagens bíblicas estabelecem claramente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. Sabem por quê? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais erra. Em Deus não pode haver variação ou sombra de mudança. O apóstolo Tiago escreveu isso no capítulo 1, versículo 17, em sua epístola. Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo, mudando a sua intenção para com o homem, evidentemente, é claro que é apenas a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus. Essa mudança é nas relações do homem com Deus. Quando fala de Si mesmo, Deus frequentemente acomoda sua linguagem a nossa capacidade limitada. Ele se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como: olhos, ouvidos, mãos etc. Deus fala de si mesmo como tendo despertado. Vejam o Salmo capítulo 78, versículo 65: “Então, o Senhor despertou como de um sono”. Como se Ele tivesse despertado de madrugada. Jeremias 7:13 também diz isso – apesar de Ele não cochilar nem dormir. Quando Ele estabelece uma mudança em seu procedimento para com o homem, descreve a sua linha de conduta em termos de arrepender-se. Concluindo: o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança Nele, mas por causa de nossa mudança para com Ele. Isso tem que ficar claro para nós. Este é um assunto que precisa ficar claro dentro do estudo da Palavra. Por isso estou compartilhando agora. Precisamos ter toda a clareza quando estudarmos este assunto. E é isto que Moisés está falando. A oração aqui de Ex 32:11 não é para Moisés mudar a Deus. Esta oração é para que Moisés toque na vontade de Deus, toque no caráter da vontade. Depois lemos que o próprio Moisés expressa isso lá em Êxodo capítulo 34, versículo 6 e 7, quando diz;
6 - E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; 7 - que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!
Que Deus, de uma forma clara e poderosa, fale e aplique esta Palavra no poder do Espírito Santo aos nossos corações e nos abençoe rica e poderosamente.
Por: Ir. Luiz Fontes
CAPÍTULO 60
TEXTO: Êxodo, Cap. 32 – 7ª Subida
Vamos continuar estudando acerca desta 7ª subida de Moisés ao monte Sinai. Onde ele vai poder experimentar sobre a justiça e a misericórdia de Deus; onde ele vai poder compreender estes aspectos tão preciosos.
Aqui nesta 7ª subida nós temos a justiça e a misericórdia de Deus. Sabemos que o contexto desta subida é quando o povo de Israel está adorando a um bezerro de ouro, quando o povo está adorando àquele bezerro, que Arão fez para aquele povo. E o povo, desenfreadamente, adorava aquele bezerro quando Moisés quebrou as tábuas da Lei. Naquele momento a tribo de Levi é instituída – porque a tribo de Levi não adorara aquele bezerro de ouro. E ali Deus exerceu o seu juízo.
Agora Moisés sobe ao Monte Sinai. Ele ora! Esta oração ou intercessão está em Êxodo capítulo 32, versículo 11, quando Moisés suplicou ao Senhor e disse: “Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão?”. Aqui nós temos que ver a “Doutrina da ira de Deus”. O que é a ira de Deus? Se nós precisamos compreender o caráter de Deus em sua essência naquilo que é comunicado a nós através do Espírito santo, pela Palavra, nós não podemos deixar de conhecer a ira de Deus. A ira de Deus é uma Doutrina que está em toda a Bíblia. É um fato e ninguém pode contestá-lo. Todos nós estamos envolvidos na doutrina da ira de Deus. Dela depende o nosso destino. Nunca entenderemos o amor de Deus enquanto não compreendermos a doutrina da ira de Deus. A ira de Deus é nada mais nada menos que a “manifestação de indignação baseada em sua justiça”. Para entendermos a doutrina do amor de Deus nós precisamos entender primeiro a doutrina da ira de Deus. Sem a compreensão da ira de Deus, nós não vamos compreender seu amor por nós.
A primeira visão que nós devemos ter do pecado é que o pecado acarretou uma desordem tão profunda que é necessário uma reparação ou restituição, isto é, a “expiação”. A expiação é uma necessidade, porque ela emerge de dentro do próprio Deus. O pecado afetou a posição do homem diante de Deus. Paulo diz em Efésios capítulo 2, versículo 3: “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. Isto indica que todos nós estamos sob a ira de Deus por natureza. A necessidade de satisfação para Deus, portanto, não se encontra em nada fora Dele, mas dentro Dele, em Seu próprio Caráter imutável.
Amados irmãos e irmãs, nós temos que saber que Deus é a sua própria Lei. Ele só se satisfaz e se conforma com esta Lei. A lei do seu próprio ser. Quando nós vemos Gênesis capítulo 3, versículo 24, quando Deus lançou o homem para fora do jardim, Ele pôs querubins ao oriente do jardim do Éden com uma espada inflamada, que andava ao redor para guardar o caminho da árvore da vida. O que significa a espada inflamada? Significa a espada da justiça de Deus, da ira e da punição. Deus agora está punindo o homem por causa do seu pecado. Aqui podemos ver a ira de Deus contra o pecado, contra a rebelião do homem. A ira de Deus indica que há dentro Dele uma intolerância santa contra a rebelião, contra a idolatria, a imoralidade, a injustiça, contra todo o mal. É isso que nós vemos.
Ezequiel, capítulo 24, versículos 13 e 14, diz assim:
13 - Na tua imundícia está a luxúria; porque eu quis purificar-te, e não te purificaste, não serás nunca purificada da tua imundícia, até que eu tenha satisfeito o meu furor contra ti. 14 - Eu, o SENHOR, o disse: será assim, e eu o farei; não tornarei atrás, não pouparei, nem me arrependerei; segundo os teus caminhos e segundo os teus feitos, serás julgada, diz o SENHOR Deus.
Veja isto, a ira de Deus acesa contra Judá não se apagaria facilmente, isto é, Deus não desistiria de julgar esta nação. O fogo da ira de Deus só se apagaria quando o seu juízo fosse completado. Nós podemos ver o exemplo disso no episódio da capa babilônica que Acã escondeu em sua casa dos despojos de Jericó. Diz assim o texto em Josué capítulo 7, versículo 26: “E levantaram sobre ele um montão de pedras, que permanece até ao dia de hoje; assim, o SENHOR apagou o furor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor até ao dia de hoje”. Nesse texto vemos o julgamento de Deus sobre a família de Acã, porque tomou dos despojos Jericó, as coisas condenadas por Deus e as escondeu em sua própria casa. Josué já havia avisado aos filhos de Israel a não tomarem dos despojos de Jericó porque isso seria maldição. Isto está em Josué 6:18. Esse foi o motivo da ira de Deus. Veja o versículo 13, de Ezequiel capítulo 5: “Assim, se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor e me consolarei; saberão que eu, o SENHOR, falei no meu zelo, quando cumprir neles o meu furor. Sabemos que no hebraico a palavra para “ira” é “kalah”, que é empregada por Ezequiel 16:26. Significa: ser completo; terminado; realizado. Segundo o seu contexto essa palavra indica que algo foi cumprido, terminado, chegou ao fim.
Veja que Ezequiel capítulo 7, versículos 7 e 8, diz assim:
7 - vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes. 8 - Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre ti, cumprirei a minha ira contra ti, julgar-te-ei segundo os teus caminhos e porei sobre ti todas as tuas abominações.
Vejam que as palavras “derramarei” e “cumprirei” estão juntas e elas definem a ira de Deus sobre a nação de Judá. Jeremias havia dito isso em Lamentações capítulo 4, versículo 11: “Deu o SENHOR cumprimento à sua indignação, derramou o ardor da sua ira; acendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos”. Então, amados irmãos e irmãs, a ira de Deus só cessa quando é cumprida. Aqui nós precisamos ver duas coisas importantes sobre a ira de Deus:
Primeira - quando ocorre ira de Deus é porque algo no ser essencial, isto é, no Seu ser moral é provocado pelo pecado, pelo mal, pela rebeldia do coração do homem.
Segundo – aquilo que está dentro de Deus deve sair e as exigências da Sua própria natureza e caráter devem ser preenchidas mediante a ação apropriada da Sua própria parte, da parte de Deus.
No Novo Testamento o primeiro pregador do Evangelho foi João Batista. E o que ele pregava? Veja o que diz Mateus capítulo 3, versículo 7: “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” O Senhor Jesus enfatizou o mesmo que João Batista. Olhe o Evangelho de João capítulo 3, versículo 36, que diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. O apóstolo Paulo enfatiza a mesma verdade de modo claro. Veja o que diz em Romanos capítulo 1, versículo 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Então nós vemos que esta é uma doutrina ampla na Palavra de Deus. Durante muito tempo na história da Igreja houve a ideia de que foi o diabo que tornou a cruz necessária. Os cristãos, durante um longo tempo na história da Igreja, reconheciam que desde a queda e por causa dela a humanidade estava cativa não somente ao pecado e a culpa, mas também ao diabo. Pensavam nele como o senhor do pecado e da morte, como o maior tirano de quem Cristo Jesus, o nosso Senhor, veio nos libertar. Mas isso não é verdade. Nós temos que entender que o sacrifício da cruz deveria ser de acordo com o caráter de Deus. O que fez a cruz necessária não foi uma transação entre Deus e o diabo; antes, foi uma exigência do próprio caráter de Deus. O que nós temos que ver é que o modo pelo qual Deus escolhe perdoar os pecadores e reconciliá-los consigo mesmo deve ser, acima de tudo, totalmente coerente com o seu próprio caráter. Quando falamos da ira de Deus devemos saber que uma única palavra não pode descrever a totalidade da natureza de Deus. A cruz de Cristo é o evento no qual Deus simultaneamente torna conhecida a sua santidade e o seu amor em um único evento de um modo absoluto. Na cruz vemos a combinação da Justiça inflexível e do amor transcendente, transbordante. Há dentro de Deus uma tensão interior entre sua compaixão e o furor da sua ira.
Dois textos que nos falam da dualidade de Deus são: Êxodo capítulo 34, versículo 6, que diz: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade”. Veja que depois deste episódio da interseção de Moisés ele tem esta experiência, ele diz no versículo 7: “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”. Aqui Moisés entendeu claramente que a ira de Deus é a outra face do Seu amor.
Romanos capítulo 11, versículo 22, nos diz: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres”. Veja que tudo isso é muito rico! Temos que prestar atenção nisso, para que possamos entender verdadeiramente o que esta oração de Moisés significa para nós hoje. Então Moisés está orando “porque se acende a tua ira sobre o teu povo que tiraste da terra do Egito?” (Ex 32:11). Vamos estudar um pouco este texto, como também, os demais que se seguem para podermos compreender claramente o que tudo isso significa. Deus está ministrando algo para nós, e nós precisamos estar atentos ao que Deus deseja falar conosco. Veja que Moisés diz algo ainda quando segue neste mesmo assunto. Olha o que ele diz em Ex 32:12: “Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. A palavra hebraica para “arrependimento” é “nacham”. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento. Amados irmãos e irmãs, é do conhecimento de todos nós que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido por nós? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende como nós nos arrependemos? Creio que nós precisamos estudar este assunto. Embora já tenha compartilhado algo, quero avançar um pouco mais.
Em Gênesis capítulo 6, versículos 5 e 7 dizem assim:
5 - Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6 - então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
Em Êxodo 32:12, que é o texto que estamos considerando, diz isso. Se continuarmos lendo na sequência, veremos: Gn 6:5,7, Êxodo 32:12 e depois 1 Sm 15:10,11 e 35 que diz:
10 - Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: 11 - Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR. 35 -... O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
2 Samuel capítulo 24, versículo 16, diz: “Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu”. Podemos citar ainda outros textos: Jr 18:7,8; Jr 2:13; Jr 3:10. Como entender todas estas passagens à luz deste assunto? Amados irmãos, a referência em cada caso é sobre a “anulação de um prévio tratamento” dispensado a certos homens como consequência da reação deles a esse tratamento. Mas não acho sugestão de que essa reação não tenha sido prevista ou que Deus tenha sido tomado de surpresa por algo e que não tivesse estabelecido em Seu Plano eterno. Não há mudança alguma em Seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação ao homem de maneira diferente. A primeira coisa que nós temos que ver é isto. Além dos textos bíblicos acima, outras passagens bíblicas são claras em afirmar que Deus nunca se arrepende:
• Números 23:19, diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?”.
• 1 Samuel 15:29, também da mesma forma diz: “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa”.
• Oséias 13:14, diz assim: “...Meus olhos não veem em mim arrependimento algum”.
Então, amados irmãos e irmãs, entendam que não existe contradição alguma nos textos que dizem que Deus se arrepende e nos que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, estas três últimas passagens bíblicas estabelecem claramente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. Sabem por quê? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais erra. Em Deus não pode haver variação ou sombra de mudança. O apóstolo Tiago escreveu isso no capítulo 1, versículo 17, em sua epístola. Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo, mudando a sua intenção para com o homem, evidentemente, é claro que é apenas a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus. Essa mudança é nas relações do homem com Deus. Quando fala de Si mesmo, Deus frequentemente acomoda sua linguagem a nossa capacidade limitada. Ele se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como: olhos, ouvidos, mãos etc. Deus fala de si mesmo como tendo despertado. Vejam o Salmo capítulo 78, versículo 65: “Então, o Senhor despertou como de um sono”. Como se Ele tivesse despertado de madrugada. Jeremias 7:13 também diz isso – apesar de Ele não cochilar nem dormir. Quando Ele estabelece uma mudança em seu procedimento para com o homem, descreve a sua linha de conduta em termos de arrepender-se. Concluindo: o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança Nele, mas por causa de nossa mudança para com Ele. Isso tem que ficar claro para nós. Este é um assunto que precisa ficar claro dentro do estudo da Palavra. Por isso estou compartilhando agora. Precisamos ter toda a clareza quando estudarmos este assunto. E é isto que Moisés está falando. A oração aqui de Ex 32:11 não é para Moisés mudar a Deus. Esta oração é para que Moisés toque na vontade de Deus, toque no caráter da vontade. Depois lemos que o próprio Moisés expressa isso lá em Êxodo capítulo 34, versículo 6 e 7, quando diz;
6 - E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; 7 - que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!
Que Deus, de uma forma clara e poderosa, fale e aplique esta Palavra no poder do Espírito Santo aos nossos corações e nos abençoe rica e poderosamente.
Por: Ir. Luiz Fontes
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