quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O FILHO DE DEUS NA TRINDADE – Gino Ianfrancesco

O FILHO DE DEUS NA TRINDADE – Gino Ianfrancesco

«Quem subiu ao céu, e desceu? Quem encerrou os ventos em seus punhos? Quem atou as águas em um pano? Quem firmou todos os termos da terra? Qual é o seu nome, e o nome de seu filho, se sabes?» (Prov. 30.4).
Estas são perguntas que o Espírito do Senhor conduz aos homens para fazê-las, olhando o que Deus tem feito, porque como está escrito em Romanos 1:20, «as coisas invisíveis dele, o seu eterno poder e divindade, fazem-se claramente visíveis... por meio das coisas criadas».
E essa pergunta, «Quem...?», é a mesma que, de um redemoinho, Deus também faz a Jó. A evidência das coisas criadas nos leva a perguntar não só: E como...? Mas o Quem inicial. Quem começou, e quem deu sentido às coisas.
Mas o que chama mais a atenção aqui é que o Espírito Santo fez compreender a este homem do Antigo Testamento que, este Quem, que planejou e fez todas as coisas, tem um nome e também tem um Filho, e esse Filho também tem um nome. E ele pergunta pelo nome deste Quem, mas não bastou por perguntar pelo Quem, mas também pelo Filho. Confessou, no Antigo Testamento, ao Filho, e o confessou em um contexto da criação das coisas.
Porque as vezes seria mais fácil confessar o Filho em relação ao Messias, em sua passagem pela terra. E nós hoje, os cristãos, confessamos o Filho na encarnação. Mas aqui o Espírito conduziu a Agur a perguntar pelo nome de Deus, por esse necessário Criador de todas as coisas, que tem um nome, mas que também tem um Filho.
Hoje em dia, a nós, na era do Novo Testamento e da igreja, depois da vinda do Senhor Jesus, é mais fácil perguntar pelo Filho. Perguntar pelo Filho no Antigo Testamento era muito mais complicado. A revelação do único Deus no Antigo Testamento incluía o Filho de Deus.

As palavras de Jesus
Notem naquelas palavras de Jesus no evangelho de João: «E esta é a vida eterna: que te conheçam a ti...». E poderíamos pôr um ponto final aí, mas como Agur filho de Jaque não pôs, Jesus também não pôs. «...que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e...». Nesse «e...», há muita revelação. Alguém diria: «...o único Deus verdadeiro».‘É mais que suficiente. Que mais queremos?’. Mas não. Diz: «...o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste».
«Qual é seu nome –pergunta Agur–, e o nome do seu filho?». Irmãos, no fato de que Deus tenha um Filho Unigênito, eterno com ele, revela-se a essência e a natureza de Deus de uma maneira mais clara do que de nenhuma outra maneira. E dessa revelação espiritual para a igreja, do único Deus e de seu Filho, no Espírito, a igreja aprende a ser igreja.
O Senhor Jesus Cristo disse uma frase muito importante: «...como tu, Oh Pai, em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós» (João 17:21). Essa é uma frase muito rica e profunda. Caso não fosse assim, se o próprio Deus não tivesse proposto nos incluir no seio de algo tão glorioso, nós ficaríamos nas trevas exteriores.
E por isso é que nos atrai com esta, sua luz, a luz do maior espetáculo que as criaturas podem e poderão conhecer. Nunca haverá nada igual, nada tão digno de nossa completa atenção, tão digno de nossa contemplação, como a relação do Pai, do Filho e do Espírito Santo no único Deus trino, na Trindade de Deus.
«...como tu, Oh Pai, em mim, e eu em ti...». Esse é o modelo para a igreja. «...como...». Aí é onde o Espírito Santo tem um grande trabalho conosco hoje: fazer-nos entender espiritualmente esse: «…como tu, Oh Pai, em mim, e eu em ti...». É o modelo estabelecido por Cristo. «...que também eles –a igreja– sejam um...». E em seguida diz, não apenas o modelo, mas onde já está a possibilidade, a realidade necessária para que isto aconteça. Então diz: «...em nós». O que queria sublinhar neste dia é esse nós da Trindade.

A mentira de Satanás
Satanás disse: «...sereis semelhante ao Altíssimo ... junto às estrelas de Deus, levantarei o meu trono» (Isaías 14:13-14). Tinha sido criado um grande querubim, um selo de perfeição; mas quis levantar-se mais. E, para poder tomar o lugar de Deus e conquistar a muitas criaturas com o seu engano, ele começou propondo em suas contratações das que nos fala Ezequiel –que Deus conhecia e se calava– de que, ao final das contas, tudo o que foi criado era a divindade.
Ele não tirou o nome de Deus. Ele deixou o nome de Deus, porque queria atribuir a si mesmo. Só que começou a lhe aplicar esse nome, como uma maneira de cativar e enganar os outros, a toda criatura, a substância, a totalidade, o tudo; isso é Deus. E em seguida, desse panteísmo, que é um ateísmo disfarçado, porque aplica o nome de Deus à criatura, deixa Deus sem lugar algum, daí não há senão um passo para o dualismo e o politeísmo.
O dualismo, de que o bem e o mal são coexistentes e são duas forças eternas, as duas iguais, que se necessitam e se complementam mutuamente. E assim, foi levando pouco a pouco o mal à categoria do bem.
Adora-se a plenitude de tudo. Se todas as coisas são parte de Deus, alguns irão adorar o milho, outros irão adorar as vacas, outros irão adorar o sol, porque tudo é parte dessa substância divina do que está feita a totalidade do universo. Essa é a mentira da serpente, querendo roubar a glória de Deus, conduzindo as coisas ao panteísmo, para conduzi-las ao politeísmo, ao dualismo e ao satanismo. Essas são as suas artimanhas, as suas contratações, os seus enganos.
Até então, o Senhor se calava, e os anjos eram provados. E dois terços foram aprovados. Mas um terço, inclusive não apenas o querubim, mas também altos principados e potestades e muitas hostes o seguiram. Começou o mal no universo. E Deus permitiu que isso acontecesse assim. Ele, como Deus Criador, não ia entrar em luta com a sua criatura, porque seria como um homem grande lutando com uma garotinha. Deus, melhor, decidiu fazer outra criatura, porque esta primeira pretendeu fazer-se semelhante a Deus. Então, Deus decidiu fazer o homem a Sua imagem e semelhança.
O destino do homem não está no que ele possa fazer por si mesmo, mas no que ele chegue a ser em união com Deus. Aparte dessa união com Deus, esse destino supremo e superior não faria que o homem fosse superior. Diz que, em poder, era menor que os anjos. E em seguida, o Filho, fez-se como um de nós e, como homem, e na carne, foi provado de verdade, assim como você e eu somos provados.
Porque Deus não ia lutar com uma criatura que ele mesmo fez; bastava-lhe um sopro, e desapareceria. Mas isso traria glória a Deus? Isso revelaria realmente a excelência de Deus? Ele, AP invés disso, quis dar a conhecer o Filho. «Ninguém conhece o filho, senão o Pai, ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mat. 11:27).

O Pai e o Filho nos revelam
Não há coisa mais preciosa que possa nos ser compartilhada, que o próprio coração de Deus. Pelo Espírito, o Filho nos mostrando o Pai e o Pai nos mostrando o Filho, e não só o mostrando de longe, mas de dentro de nós, para que o conheçamos e o desfrutemos, de maneira que o Pai, o Filho e o Espírito possam viver a nossa vida, e nós a vida divina – como «participantes da natureza divina».
Então, Deus quis mostrar o Filho. Ninguém conhecia quem era o Filho, senão o Pai. Mas depois que aquele querubim se rebelou, e a terça parte dos anjos e o homem caíram, agora o Filho se fez como um de nós. Assumiu a natureza humana, fez-se como inferior aos anjos; ainda que ele seja superior, mas se despojou, e em seu despojamento, ele veio honrar a seu Pai.
Deus o Pai já sabia tudo isto do seu Filho, da eternidade; ele não precisava provar a seu Filho, porque sempre, desde a eternidade, estiveram juntos, e se conhecem profundamente. Mas o presente que o Pai ia dar ao Filho era todas as coisas, e entre essas coisas ia haver pessoas – pessoas do âmbito celestial, anciões celestiais, serafins, querubins, principados, potestades, arcanjos e anjos, grandes e pequenos, maiores e menores, e depois uma quantidade inumerável de seres humanos. E o Pai ia dar a seu Filho todas as coisas.
Mas essas pessoas do universo visível e invisível não conheciam o Filho da mesma maneira que o Pai, nem saberiam por que o Filho lhe daria todas as coisas e por que o Filho seria o herdeiro de tudo. Mediante a encarnação e por meio das provações do Filho, Deus começou a nos mostrar o Filho e a ressaltar o significado que o Filho tem para o Pai, sobre o pano de fundo da rebelião de Satanás.
Satanás, não sendo, pretendeu fazer-se. «Serei...». E o Filho, sendo, humilhou-se. Que contraste! Ele, sendo em forma de Deus, igual a Deus, não estimou ser igual a Deus como coisa a que aferrar-se, mas despojou-se a si mesmo. E o outro, sendo uma criatura, disse: «Serei semelhante...». E aquele que era a semelhança da glória divina, despojou-se e se fez um homem, como se fosse inferior aos anjos, e se submeteu às provações humanas, provações de verdade, como homem e como criatura.
Deus, como Deus, não lutaria com Satanás. Mas permitiria que um homem fosse tentado em tudo conforme a nossa semelhança. Por todos os flancos, Satanás começou a tentá-lo já desde menino, porque ele cresceu em estatura. Como Deus, não teria que crescer; mas como homem, tinha que crescer e aprender. Como Deus, não tem que aprender; mas ele se despojou e se fez semelhante a nós. E foi provado de verdade. «E aprendeu a obediência por aquilo que sofreu».
E Deus começou a mostrar por que ele ama a seu Filho, por que ele é o herdeiro de todas as coisas, por que seu Filho está no centro do seu coração, por que Deus faz tudo com o Filho, no Filho, pelo Filho e para o Filho. A criação não sabia por quê. Mas, a partir de todas as coisas que Deus permitiu que acontecessem, sem obrigar a nenhuma criatura, algumas delas, com sua liberdade, permaneceram fiéis e outras se rebelaram.
Então, o Filho tinha que ser provado de verdade, para que ele fosse conhecido, e também para que o próprio Deus Pai fosse conhecido, porque o que conhece o Filho conhece o Pai, porque o Filho é como o Pai, igual ao Pai. Não conheceríamos a Deus, se ele não se revelasse pelo Filho.
No mistério de Deus, revelado em Cristo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência de Deus. Dessa relação íntima de Deus o Pai com o seu Filho no Espírito, brotam toda a existência do universo visível e do invisível; daí brota o destino das criaturas; daí brota a função e missão delegada a cada criatura.
Inclusive, umas plantinhas, podem produzir certos remédios. Deus poderia nos curar sem remédios; mas ele quer que existam as criaturas, e lhes delega uma função. Deus poderia cuidar de nós sem necessidade dos anjos; mas ele quer que os seus anjos representem o Seu cuidado por nós, e eles têm que cuidar de nós, representando o cuidado de Deus.

Revelando-se a Israel
Israel, como vínhamos dizendo, teve que crescer e formar-se no tempo quando Satanás já tinha escurecido essa revelação primitiva, que a humanidade em seus princípios tinha tido, e tinha afastado a noção do Pai supremo do coração dos homens. E os homens tinham chegado a confundir a natureza com Deus, dando honra e glória às criaturas e negando o Criador, como denúncia Paulo em Romanos 1, e aí começou a perversão e a destruição de tudo. Aí entrou, como dizíamos, o panteísmo, o dualismo, o politeísmo, a idolatria e todas as conseqüências de degeneração que isso traz.
Então, quando Deus começou a revelar-se a Israel, a primeira coisa que tinha que lhe revelar era a respeito de sua própria unidade, e Deus enfatizou para com Israel a unidade. «Deus é um». É o coração da confissão monoteísta. Enquanto outros povos eram politeístas, tinham sido enganados, e os demônios, anjos caídos, tinham pretendido fazerem-se os deuses das nações, e exigiam sacrifícios, e os aterrorizavam, Israel conheceu o único Deus.
E em Deuteronômio 6:4 está essa confissão que é o coração da fé de Israel, o monoteísmo: «Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um». No entanto, no próprio coração da confissão do monoteísmo, o único Deus, de repente, fala no plural. Ainda que confesse claramente que é um só Deus, não tem nenhuma dificuldade em dizer : «nós». Por isso diz: «Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança». O Deus único começa a falar no plural, e até o próprio nome genérico da divindade, Deus Elohim, está no plural.
Se você fosse dizer deuses, com minúscula, teria que dizer elohim, porque assim se diz Deus e assim se diz deuses. Elohim é Deus; elohim, também significa deuses. E como saber se é Deus ou é deuses, se depender do contexto? Há um versículo onde diz: «Elohim está na reunião dos elohim». Ou seja, o Deus verdadeiro, com maiúscula; só que em hebreu não há maiúsculas nem minúsculas.
Na tradução, cabe-nos saber, pelo contexto, quando é com maiúscula e quando é com minúscula. Quando é o Deus verdadeiro, temos que dizer Elohim com maiúscula, se nos referimos ao único Deus; mas quando se refere aos falsos deuses ou aos que se chamam deuses sem sê-lo, temos que pô-lo com minúscula, mas na linguagem hebraica se diz da mesma maneira – elohim.
Então, Deus inspirou que a palavra esteja escrita como está escrita, e assim nos cabe recebê-la; e o que está escrito não é para confusão, mas para revelação. Então, por que Deus está usando para si um nome genérico de divindade, de Deus, no plural? Porque se ele houvesse dito simplesmente El, haveria dito Deus – como em alguns versículos diz El, com E maiúsculo. Mas a maneira mais comum de referir-se a Deus em hebreu, a palavra genérica de divindade, é elohim, que é no plural; a terminação him corresponde ao plural masculino.
E por que o único Deus utiliza o plural, como se dissesse deuses? Mas não diz: «Disseram os deuses». Não. «Disse Deus: Façamos...». Já disse Elohim, no plural, e agora diz: «Façamos o homem à nossa imagem...». Outra vez diz «nossa». Por que o único Deus, usa as vezes o seu nome no plural e fala no plural?
E quando diz «nossa imagem», diz «nossa» que é plural, mas diz «imagem», que é singular. Por que não diz «nossas imagens» e «nossas semelhanças»? Diz «nossa», mas diz «imagem»; diz «nossa», mas diz «semelhança». O que quer dizer isso? Que na Trindade de Deus só o Filho é a imagem.
E isso se revela no resto da Escritura, que o Filho, é a imagem do Deus invisível. O Deus invisível se refere ao Pai; mas a imagem do Deus invisível, em que o Deus invisível se reconhece a si mesmo e se revela, é o Filho. E por isso ele diz «nossa imagem». Ou seja, que o Pai se sente fielmente representado no Filho. Oh, quanto a igreja tem que aprender, vamos dizer, a antropologia eclesiástica, porque fala do homem-igreja. Porque é a igreja que vai cumprir a missão do homem.

O Pai e o Filho
Deus disse: «Façamos o homem...». Mas só a igreja chegará a ser esse homem. Porque, apenas haviam começado e já os primeiros pais foram se entortando, e todos os que nasceram depois, nasceram todos tortos, e esse homem se tornou um velho homem, torcido.
E teve que vir o Senhor Jesus, e fazer-se homem, como um segundo homem, vestir-se de nós, e nos desenredar, levar a nossa humanidade à máxima potencia, ao máximo das possibilidades da natureza humana, para estar em união com o seu Pai, porque, como recordamos no princípio, o homem não foi criado para bastar-se a si mesmo. Desde o começo, foi criado em função de Deus, para viver com Deus, para dar lugar a Deus, para expressar e para representar a Deus coletivamente.
Porque, quando disse: «Façamos...», aí está a Trindade. Aí está envolvido o Pai. O Pai faz sua parte, mas ele não quer fazer nada sozinho, e essa é outra coisa da qual temos que aprender. Quantas coisas fazemos sozinhos!
Mas o Pai, que é Deus, que é todo-poderoso, não faz nada sozinho. Ele diz: «Façamos...». E antes de fazer, planeja com o Filho. Aqui, quando você lê em Provérbios capítulo 8, a respeito da sabedoria divina, sobre o Filho de Deus, o Verbo de Deus, em castelhano não aparece a tradução tão clara como aparece no português. Por exemplo, uma versão em português, em Provérbios 8, diz que o Filho era o arquiteto que estava com o Pai. O arquiteto é o que planeja com outro.
Se um arquiteto for fazer uma casa para uma família, ele tem que notar o que diz o pai de família. E se o pai é um pai sério, não fará a casa sozinho, tudo à partir do seu ponto de vista; também vai incluir o ponto de vista da mãe, e também irá procurar se colocar no lugar dos filhos. Porque assim é Deus. Deus é soberano, mas não é arbitrário.
Deus não fez nada sozinho! «Sem ele, nada do que foi feito, se fez». Isso nos mostra como Deus não faz nada sozinho. Não planejou nada sozinho, não criou nada sozinho. Inclusive quando teve que redimir, redimiu usando o Filho. «Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo» (2ª Cor. 5:19). O Pai faz tudo com o Filho.

O Filho e o Pai
E o Filho é a mesma coisa. O Filho diz: «...nada faço por mim mesmo, mas conforme me ensinou o Pai, assim falo» (Jo. 8:28). E o Pai, porque ama o Filho, lhe mostra tudo o que o Filho faz. Ele não quer nos ter somente na qualidade de servos que não sabemos o que ele faz. Diz: «Já não vos chamarei servos... mas vos chamei amigos, porque todas as coisas que ouvi de meu Pai, vos tenho dado a conhecer». «Tudo o que o Pai me conta (e lhe conta tudo) eu vos tenho revelado. Por isso são meus amigos, não apenas servos».
O Senhor faz, dos servos, amigos. De onde ele aprendeu isso? De seu Pai, porque ele é a imagem de seu Pai, ele é igual o seu Pai. Ele representa ao Pai sem distorcê-lo, ele é a testemunha fiel e verdadeira de Deus. Nós conhecemos a Deus pelo Filho. Ninguém conhece o Pai, senão pelo Filho.
Assim é Deus. O único Deus é uma Trindade. E, portanto, a igreja é um corpo, e o homem é uma família, e a obra é em equipe. Tudo se deve a Deus. Daí é onde brota tudo. Podem notar? E deixar a ele nos guiar e nos ensinar, é o que nos conduz à verdadeira saúde. Para isso fomos criados, não para ficarmos no caminho, mas para nos levantar de novo, limpos, perdoados, regenerados, renovados, transformados, para viver como um só corpo para o nosso único Deus trino.
«...como tu em mim...». Ai, como será isso! Como é que o Pai é no Filho? Isso o Filho tem que nos ensinar. «...e eu em ti...». Isso também o Filho tem que nos ensinar. Mas o Filho disse: «Naquele dia conhecereis...». Aleluia! Há possibilidade de conhecer este mistério. Esse é o trabalho do Espírito Santo. «Naquele dia conhecereis que eu estou em meu Pai, e meu Pai está em mim, e eu estou dentro de vós com o Pai. O Pai e eu viremos, e faremos morada com eles».

O Espírito do Pai
A igreja é a morada do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Por isso, o Espírito Santo também é chamado, na Bíblia, o Espírito do Pai, e também o Espírito do Filho. Isto é importante. Vamos ver o Espírito do Pai. Mateus 10:19-20.
«Mas quando vos entregarem... não vos preocupeis por como o que falareis; porque naquela hora vos será dado o que haveis que falar». «...vos será dado», porque não se trata de falar por nós mesmos, mas que ele fale com todos. «Porque não sois vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai é que fala em vós». Vê? A Bíblia diz «...o Espírito do vosso Pai», e Jesus disse que o Espírito procede do Pai. Mas também disse que procede dele, porque ele o envia, e quando o Espírito Santo vem, ele vem. «Não vos deixarei órfãos; virei a vós» (Jo. 14:18). «...rogarei ao Pai, e vos dará outro Consolador» (Jo. 14:16).
«...o Espírito do vosso Pai». Ou seja, que o Espírito Santo nunca está sozinho nem solto; ele não fala por sua própria conta. O Espírito Santo fala o que ouve do Filho e do Pai. Podem notar? Assim é o próprio Deus trino. Ele mesmo disse que um cordão de três dobras não se pode romper, e assim é a Trindade. Como nós não vamos ser também assim? Que Ele nos ajude, não é verdade, irmãos? Conduza-nos, trabalhe em nós, para poder encaixar uns com os outros em Deus, para sermos um na Trindade.
«...como tu, Oh Pai, em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós...». Vamos nos deter nesse como e nesse nós do único Deus. Então, passemos a Romanos 8:11. E aqui diz: «E se o Espírito daquele que levantou dos mortos a Jesus...». Quem levantou Jesus dos mortos? Claro, nosso Pai. «E se o Espírito daquele que levantou a Jesus dos mortos habita em vós, aquele que levantou a Cristo Jesus dos mortos –o Pai– vivificará também os vossos corpos mortais por seu Espírito que em vós habita». Não sozinho, mas por seu Espírito.
Aqui lhe chama «o Espírito daquele que levantou a Jesus dos mortos», ou seja, o Espírito do Pai. Mas Gálatas 4:6 nos fala do Espírito do Filho. «E porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai!». Mas, ao mesmo tempo, a Bíblia diz que o Espírito é um só. Um só Espírito no sentido de divindade, de pessoa. Em um lugar fala dos sete espíritos, mas se virmos os nomes dos sete espíritos, iremos notar que é o mesmo.
Mas aqui diz «o Espírito de seu Filho». O Espírito é do Filho; está relacionado de tal maneira com o Filho, que diz que nada fala por si mesmo, mas sim «...tomará do que é meu». O Espírito toma o que é do Filho, e tudo o que é do Pai é do Filho; então é também do Pai e do Filho. Ou seja, que o Espírito Santo é o Espírito que provém do Pai e do Filho.
Esse Espírito contém o Pai e o Filho. O Pai ama o Filho e o Filho também ama o Pai; então, o Pai faz tudo para o Filho. Diz que agradou ao Pai que no Filho habitasse toda plenitude. Então, há uma plenitude divina que flui do Pai para o Filho e do Filho para o Pai, uma plenitude divina que provém do amor do Pai e do Filho, é o amor comum entre o Pai e o Filho.
Esse é o Espírito que provém do Pai e do Filho. O Pai é o amante, o Filho é o amado, e o Espírito Santo é o amor compartilhado. O Pai ama o Filho, dá tudo ao Filho; o Filho devolve tudo ao Pai, de maneira que o Pai tenha a plenitude, mas essa plenitude passa ao Filho, e o Filho a recebe e a devolve ao Pai.

O Espírito Santo na igreja
Então, diz: «...o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom. 5:5). Ou seja, o que é que Deus fez para que a igreja possa ser uma? Deu-nos o Espírito, que é o do Pai e o do Filho. O Espírito do Pai e do Filho é o Espírito Santo na igreja. Por isso diz. «como tu em mim, e eu em ti...». Isso ninguém sabe a não ser o Espírito. Quem conhece as coisas profundas de Deus, a não ser o Espírito que está em Deus?
Se de nós dizia lá em Provérbios 20:27 que o espírito do homem é a lâmpada que esquadrinha o profundo do homem, então, quanto mais o Espírito de Deus é o que esquadrinha as profundezas de Deus (1a Cor. 2:10). Ninguém sabe como é Deus, mas o Espírito foi dado, para que conheçamos a Deus, participemos da natureza divina, sejamos introduzidos no seio de Deus, tenhamos acesso por um mesmo Espírito ao Pai (Ef. 2:18).
Que a igreja esteja no Pai. Se a igreja estiver no Filho, o Filho a introduz ao Pai. Então, o Pai está no Filho, e o Pai e o Filho, pelo Espírito, estão na igreja. E agora a igreja, quando está no Espírito, está no Filho, e quando está no Filho, está no Pai. Ele está em nós e nós estamos nele, se andarmos no Espírito.

Um em nós
Então, «...como tu, Oh Pai, em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós». Irmãos, para lá é que Deus está nos conduzindo. Ficamos maravilhados do que Deus tem em seu coração. E nós olhamos para nós mesmos, e dizemos: ‘Senhor, mas, como pode ser tão valente de tomar a mim? Vou estragar toda a festa no céu’. Não é verdade, irmãos? Mas ele disse: ‘Não vou deixar que a estrague. Vou te limpar, vou te endireitar’, assim como essas tábuas de acácia do tabernáculo, que ele as endireitou e as encaixou uma com a outra, para conter a glória de Deus em um só tabernáculo.
Nada é grande demais para Deus. Graças a Deus! Ele é capaz de fazer isto, se tu quiseres; e essa é a coisa mais séria, que ele não vai fazer se você não quiser. Porque, quando ele disse que ia fazer o tabernáculo, só seria com os que voluntariamente se oferecessem de todo coração, espontaneamente. Como é Deus, ele não tem apuro.

Sem apuro
Deus não tem apuro. Ele disse: «Façamos...». Que coisa Deus se propôs a fazer! Fazer um homem coletivo. «Façamos o homem...». Não disse somente: ‘vamos fazer o primeiro, e se falhar...’. Deus diria algo parecido? Será que o diabo estragou os propósitos de Deus? Acaso Deus não sabia que tinha o diabo? Claro que sabia! E quando o Senhor Jesus veio como homem, aonde o Espírito o conduziu? Não diz que ao deserto, para ser tentado? E não diz que ele conduziu também a Israel para ser provado, e que ainda deixou o diabo provar à igreja em Esmirna?
Deus quer que tudo seja feito voluntariamente e seja provado. Que Deus tão grande temos! Ele não quer aparência nenhuma, não quer nada falso, nada que seja puro teatro. Nada disso! Bem fundamentado. Cada um, começando por seu Filho. Ainda que o Pai não precisasse provar o Filho, todos nós precisávamos conhecer o Filho, e por isso o Pai o deixou vir como homem, e ser provado como homem.
E ele disse: «Vós sois os que haveis permanecido em minhas provações. Eu, pois, vos designo um reino» (Luc. 22:28). Ou seja, que temos que acompanhar o Senhor em suas provações, ver como ele foi provado. E quando somos provados um pouquinho, que não é nada comparado com o que ele foi provado, o exploramos, ou estamos por explorar. Mas o Senhor, não. O Senhor venceu na provação. Graças a Deus que ele também morreu por nós, para nos limpar e começar de novo. Glória a Deus!
Ele foi provado, e nós também somos provados. Mas ele morreu, para que nós sejamos perdoados, e nos dá outra oportunidade para que nos levantemos para honrar o Filho. Porque ele disse: «Façamos isto», e ele é capaz de fazê-lo. E ele não se equivocou quando escolheu às pessoas. Deus não se equivoca quando escolhe às pessoas.
Deus sabia todo o futuro desde o começo, mas mesmo assim nos escolheu; porque ele sabia que no final chegaríamos. «...aos que antes conheceu, também os predestinou ... E aos que predestinou, a estes também chamou». Ou seja que, se foi chamado, não teria sido se não fosse predestinado.
Todo predestinado é chamado, todo predestinado é conhecido de antemão. «...aos que antes conheceu, também os predestinou para que fossem feitos conforme à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou». Limpou com o seu sangue, pagou a sua dívida com a sua morte.
«...e aos que justificou, a estes também glorificou». E diz no passado. A decisão e a realização, em Cristo, estão realizadas. Porque Cristo se vestiu da nossa humanidade, ele já passou pela morte, mas também pela ressurreição e também pela glorificação. A nossa humanidade, da que ele se vestiu, já foi glorificada nele.
Agora, o Espírito Santo toma o que é dele e vai passando ao nosso espírito para regenerá-lo, e ao longo de nossa vida vai passando à nossa alma para nos renovar, e pela renovação, nos transformar, e pela transformação, nos conformar individualmente e coletivamente à imagem do Filho.
E enquanto isso vivifica os nossos corpos mortais, adiantando os poderes do século vindouro, até que, quando ele vier em glória e majestade, nós também sejamos manifestados com ele em glória, e sejamos transformados. E como ele disse que tiraria de nossa carne o coração de pedra e nos daria um coração de carne, também tirará o corpo da nossa humilhação, que nos humilha, e nos dará um corpo semelhante ao da glória dele.
Esse é o nosso destino. Não vamos nos distrair pelo caminho; vamos olhar adiante, vamos confiar no poder do sangue, no poder do Espírito e na decisão de Deus.
Deus disse: «Façamos isto», e o está fazendo. Se ele disse: «Façamos...», aí está o Pai, aí está o Filho, aí está o Espírito Santo fazendo. E tudo faz em colaboração, e tudo o que se realiza com Deus e para Deus é em colaboração.

O que Deus está fazendo
Vamos, irmãos, colaborar com Deus no que ele está fazendo. Ele nos escolheu, sem enganar-se a respeito de nós, porque ele conhecia todo o caminho, mas também o fim, desde o começo, e aí é onde devem estar postos os nossos olhos – no fim. «...aos que antes conheceu». Porque ele disse: «Façamos isto», vamos chegar a isto, vai introduzir muitos filhos na glória. Aleluia! E isso é o que ele está fazendo – uma nova Jerusalém, tendo a glória de Deus. Isso é o que Deus está fazendo.
Então, qual é o modelo? A Trindade. Qual é o conteúdo? A Trindade. A Trindade não é só modelo; também é o conteúdo. «...como tu em mim e eu em ti...», esse é o modelo, é o como. E nós devemos conhecer esse como pelo Espírito. Como é o Espírito do Pai e do Filho, e está em nosso espírito, então Jesus tinha essa plena confiança na obra do Espírito.
«Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai e meu Pai está em mim». Conhecereis isto: tereis a revelação de que o Pai está no Filho. Que o Filho não se movia sozinho, mas em comunhão com o Pai. Que o Pai ama o Filho, e mostra a ele todas as coisas que o Pai faz. E para que as mostra? Para que o Filho as faça igualmente com o Pai.
O Pai faz todas as coisas; mas ele não quer fazer nada sozinho. O Pai quer fazer tudo com o Filho, e o Filho quer fazer tudo com o Pai. O Filho não faz nada por si mesmo, mas o que vê o Pai fazer. Mas o Filho sabe por que vê o Pai fazer; porque o Pai ama ao Filho e lhe mostra. Então o Filho vê o que o Pai quer fazer; o Filho discerne o movimento do Espírito. Basta um pequeno sinal, e o Filho já sabe onde está o Pai.
O Filho conhece o Pai. Quando estava na terra como homem, em suas provações, diz: «Ele me tem dado mandamento do que tenho que dizer e o que tenho que falar. As obras que faço, não as faço por mim mesmo; o Pai que mora em mim, ele me deu mandamento». Ninguém o via, mas o Filho o via. O Pai lhe mostra as coisas que ele faz.

Ajuda e premia
Deus é amor, Deus se alegra em realizar aos que ama, lhes participando o que ele é, e deixando que façam com ele as coisas, inclusive premiando-os pelo que ele faz! Ele é o que faz, mas faz contigo. E depois premia a ti, mas você sabe que foi ele. Você sabe que, se ele não tivesse te ajudado, não terias feito nada, mas ele vai te galardoar como se tivesse sido você o que faz as coisas. Como é nosso Pai! Mas sabemos que não fizemos nada, que guardamos as Suas obras até o fim. Ele quer que as guardemos, mas são Suas obras.
Assim é o Pai e o Filho, assim são as divinas pessoas do único Deus, da Trindade. O Pai ama o Filho e lhe mostra. E o Filho, porque seu Espírito estava despertado, percebia o que o Pai estava fazendo. O Pai faz, mas mostra ao Filho, para que também ele o faça igualmente como o Pai, com o Pai. Assim é Deus desde o princípio, inclusive antes do princípio das coisas criadas.
Da eternidade, quando planejavam, o Pai planejava com o Filho. A sabedoria divina, que é o Filho, estava com o Pai. «...antes das suas obras... eu era a sua delícia de dia em dia... diante dele» (Prov. 8). E depois, fazendo as suas obras, nada o Pai fazia sem o Filho; ambos faziam tudo, no Espírito. Quando «o Espírito se movia sobre a face das águas», não era independente do Pai nem do Filho. Eram juntos.
Fomos criados para isso. «Não é bom que o homem esteja só». Não é bom viver isolado; não é bom. Deus mesmo, que é um só Deus, é trino. Porque é amor, e ama de verdade, e tem a quem amar, a seu Filho. O Pai ama ao Filho; ele é Filho do seu amor. Planeja com o Filho, cria com o Filho, redime com o Filho, reina com o Filho, julga com o Filho. Assim é Deus; tudo o que ele tem feito, tem-no feito no princípio do amor, no princípio da participação, no princípio da delegação.
A ti, Deus quer verte fazer as suas obras. Diz o Senhor Jesus: «...e até maiores farás, porque eu vou para o Pai» (Jo. 14:12). Então, o Espírito nos mostra o que o Pai e o Filho fazem. Porque assim como o Pai mostra ao Filho o que ele faz, o Espírito nos mostra o que ambos fazem, para que nós o façamos.
Então, não temos que estar muito distraídos com tantas coisas, mas muito atentos ao que o Pai nos preparou, o que é que ele nos organizou na vida. Pode ser recolher um papelzinho debaixo da cadeira. Mas esse não é você sozinho – são o Pai, o Filho e o Espírito Santo recolhendo papeizinhos, ordenando as cadeiras, lavando os pratos, ajudando aos necessitados, levando os irmãos que não têm carro até às suas casas. Quem faz todas essas coisas dessa maneira? O Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Ele faz as coisas grandes e as coisas pequenas; ele quer expressar-se em toda a cotidianidade das coisas. Você já é um filho. Antes, na Lei, tinha que escrever as coisas fora. Mas ele diz: «Naquele dia, não me perguntareis nada. O Pai mesmo vos ama; ele vos fará saber todas as coisas». Ou seja, que o Espírito Santo se move dentro de ti, e é o Espírito do Pai e do Filho. E ele nos mostra o que ele faz, coisas grandes e pequenas.
No grande e no pequeno o Senhor está, e justamente, quanto menor for a coisa, mais podemos ver que é Deus, porque só um Deus tão grande pode estar tão atento a tantos milhões e milhões de coisas pequenas, e essas coisas pequenas são todas conhecidas por ele.
Deus faz isso. Ele não tem variação. Ele faz milagres, mas também faz a vida cotidiana, e a vida cotidiana também é um milagre. Então, irmãos, todo o pequeno é para viver com o grande Deus trino. Amém.
Mensagem ministrada em Temuco, em Agosto de 2009.

A HUMANIDADE DE CRISTO - Por. Ir Edward Burke

Se há algo que Satanás combate ferozmente é sobre a humanidade de
Cristo. Sim, porque se Jesus o tivesse vencido como Deus ele ainda poderia
suportar, mas vencê-lo como homem jamais. Aquele que ainda aspira ser como
o Altíssimo, nunca aceitou a derrota feita por um homem. Por isso muitos
anticristos têm saído pelo mundo, e estes espíritos não confessam que Jesus
veio em carne. Mas independente das suas artimanhas, temos agora um homem
que está assentado à destra da majestade nas alturas, que destruiu aquele que
tinha o império da morte, isto é, o diabo (Heb. 2.14).
Satanás desde o Éden sabia que quem iria esmagar a sua cabeça seria
um homem nascido de mulher (Gên. 3.15). Após o anjo anunciar a Maria o
nascimento de Jesus, aquele que iria livrar o seu povo dos seus pecados (Mat.
1.21), Satanás se preparou para matá-lo. Assim que Jesus nasceu ele encheu de
ódio o coração de Herodes, e como ele não podia saber quem era o menino,
mandou matar todas as crianças que havia em Belém e arredores de 2 anos para
baixo (Mat. 2.16). Jesus e seus pais foram guardados e enviados por Deus ao
Egito.
Quando Jesus completou 30 anos e iniciou o seu ministério, a primeira
coisa que lhe aconteceu foi o batismo nas águas. Como Deus ele não precisava
ser batizado, mas como homem sim. Era necessário que se cumprisse toda a
justiça sobre o segundo homem (Mat. 3.15). Após o seu batismo e a
confirmação do Pai que nEle, no Filho do homem Jesus estava todo o seu
prazer, ele foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado (Mat. 4.1). Jesus
tinha que em tudo ser tentado como homem, isto é, à nossa semelhança, para
que pudesse depois socorrer os que seriam tentados (Heb. 4.15).
Sabemos que Jesus foi tentado pelas concupiscências que há no mundo,
isto é, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da
vida! Mas há um pano de fundo mundo mais perverso na tentação. Satanás
queria, nas três formas de tentações as quais ele foi exposto, que Jesus deixasse
a sua humanidade. Como homem ele estava com fome, e como homem não
podia transformar as pedras em pão, mas como Deus sim. E foi isso que
Satanás quis que Jesus fizesse, que deixasse a sua humanidade e assumisse a sua
divindade.
Assim também foi no pináculo do templo e na visão dos reinos. Como
homem Jesus não podia pular dali para baixo porque estaria sobre a influência
da lei da gravidade. Para isto ele teria que dar ordem aos seus anjos, e como
homem não podia fazer isto. Somente Deus tem poder de dar ordem aos anjos.
Então ele finda com a visão dos reinos da terra e com a sua glória. Como
homem aqueles reinos não lhe pertenciam, mas como Deus sim. Tudo foi
criado por Ele e para Ele, mas Ele ainda não tinha sido exaltado a Senhor e
Cristo.
Ainda por muitas vezes Jesus foi tentado, porque as Escrituras dizem
que Satanás ausentou-se dele por algum tempo, ou até outra ocasião oportuna
(Luc. 4.13). Mas a vemos novamente, com mais ênfase, na sua crucificação.
Jesus como homem estava fragilizado naquele momento. Tinha orado por três
vezes ao Pai que o livrasse daquele cálice. Não que ele tinha medo da morte,
mas por se separar do Pai, por ser considerado maldito de Deus. E por três
vezes também foi tentado a descer daquela cruz. A primeira com o ladrão que
tinha sido crucificado com ele, e depois pelos príncipes, sacerdotes, e por
último pelo próprio povo.
Novamente tinha sido tentado a deixar a sua humanidade e assumir a
sua divindade. Como homem jamais podia salvar-se a si mesmo. Só Deus
poderia salvá-lo, e ainda que tivesse orado ao Pai, não seria feita a sua vontade,
mas a vontade de Deus. A vontade de Deus é que ele fosse crucificado e a de
Satanás que ele descesse daquela cruz. A vontade de Satanás é que a morte
continuasse a reinar, mas a do Pai que aquele que tinha o império da morte
fosse derrotado. E Jesus venceu. Aleluia! Venceu a morte, o diabo, o pecado e
os expos ao desprezo. Triunfou deles na mesma cruz (Col. 2.15).
Agora temos um homem que penetrou o próprio céu, e está exaltado à
destra da majestade nas alturas. Um homem criado menor do que os anjos, mas
que foi coroado de glória e de honra; constituído sobre as obras das mãos de
Deus, das obras que foram preparadas desde a fundação do mundo. Jesus é o
único que foi digno de tomar o livro e de abrir os seus selos. Um homem cujo
nome está acima de todo nome, e que ao seu Nome se dobre todo joelho dos
que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, e que com a sua língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Um homem que tudo
está sujeito debaixo dos seus pés; o mais formoso dentre os filhos dos homens
(Sal. 45.2).
Mas há algo fundamental nesta revelação de Jesus como homem,
porque tudo o que Ele fez, fez como homem e não como Deus. Ele disse
muito claramente que não fazia as coisas por si mesmo, mas era o Pai que fazia
as obras nele. E não deve ser assim conosco também? Por isso ele disse: "Não
crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que
eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é
quem faz as obras... Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê
em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que
estas, porque eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu
nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho" João 14.10-13.
Jesus em nenhum momento deixou a sua humanidade e assumiu a sua
divindade. Ele não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas humilhou-se a si
mesmo. Ele esvaziou-se da sua divindade, ainda que fosse Deus (Fil. 2.6-7). Ele
não só teve que vencer as tentações, mas também nos salvar. Para isto Deus o
exaltou a Príncipe e Salvador (Atos 5.31). Agora sim, não foi Satanás que o fez
Cristo fazendo-o descer da cruz, mas o Pai o exaltou à sua destra e o fez
Senhor e Cristo (Atos 2.36) após a ressurreição.
Satanás agora tem oprimido o povo de Deus, fazendo-os consideraremse
ainda derrotados. A considerarem-se como homens caídos, sem
possibilidades de nenhum tipo de vitória. Muitos dizem que Jesus era Jesus, e
nós nunca poderemos ter o mesmo padrão de vida. Mentira de Satanás, do pai
da mentira! Jesus nasceu como homem, cresceu como homem e venceu como
homem. E tudo isto por nós. Como Deus Ele não precisava crescer em graça e
em sabedoria, e muito menos aprender a obediência (Luc. 2.52, Heb. 5.8).
Temos que crer que Ele já nos deu tudo o que diz respeito à vida e a
piedade, pelo pleno conhecimento. Os nossos olhos têm que ser aberto para
ver o Senhor exaltado, e nos ver assentados com Ele nos lugares celestiais. Ver
que somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais
Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef. 2.5-10). Temos que
crer que Aquele a quem foi dado todo o poder nos céus e na terra vive em nós,
e por isso maior é o que está em nós do que aquele que está no mundo. Temos
que agora, mesmo como homens, andar como Ele andou, seguir as suas
pisadas.
Que o Senhor abra os nossos olhos para vermos que a vitória está no
sangue do Cordeiro e na Palavra do seu testemunho (Apoc. 12.11). E que em
breve Deus fará que Satanás também seja esmagado debaixo dos nossos pés
(Rom. 16.20). Ao único Deus sábio, seja a glória por Jesus Cristo, para todo o
sempre. Amém.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vida Cristã Equilibrada: dando fruto para Deus (parte 1) - Por: Ir. Jodelson

Desde a semana passada, temos visto essas duas categorias de verdade: objetiva e subjetiva;
Elas precisam caminhar juntas, equilibradas, para que possamos caminhar com segurança, sem acilar, até alcançarmos a plenitude da nossa salvação em Cristo.

Rm 8:1:

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

Nossa existência em Cristo é algo objetivo;
Fomos inseridos nEle – trata-se de uma experiência nEle e não em nós.


Cl 1:27:

“27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;”

Mas a existência de Cristo em nós é algo subjetivo;
Cristo fez morada em nós; dentro de nós – trata-se de uma experiência em nós;
Ele, por meio do Espírito Santo, está realizando uma obra dentro de nós.

Os aspectos objetivo e subjetivo da verdade cristã devem ser considerados juntos;
Considerar um e não o outro gera desequilíbrio;
Primeiro nós temos os fatos realizados de modo objetivo em Cristo;
Depois temos as experiências correspondentes em nós de maneira subjetiva por meio da obra do Espírito Santo;
ênfase apenas no aspecto subjetivo resultará em uma vida de opressão, pois:

* negligenciamos a graça;
* olhamos para nós mesmos;
* buscamos fazer algo por nós mesmos;
* não cremos que Cristo já operou tão grande salvação;
* vivemos uma vida de derrota e não de vitória em Cristo.

* Por outro lado, há o risco de permanecermos negligentes na nossa caminhada Cristã, não cooperando com o Espírito Santo de Deus que está a nos conformar a Cristo:

* reconhecemos que Cristo já morreu, ressuscitou, nos salvou;
* não há mais nada a ser feito – Cristo já fez;
* não abrimos mão de nós mesmos para que o Espírito Santo opere dentro de nós com poder, pela palavra, pela cruz.

- Sobre este assunto, o irmão Romeu Bornelli diz que:

- Nós só temos que louvar e adorar o Senhor porque Ele fez habitar em nós o Seu Espírito;
- Se nós tivéssemos uma salvação efetuada em Cristo externamente no Calvário, apenas o que Ele fez, seria grandioso. Mas ainda seria um meio Evangelho. Seria uma metade, porque aquela obra foi inteiramente dEle;
- Nós cremos no que Ele fez, e por isso somos justificados, somos salvos;
- Mas, sem a habitação do Espírito Santo em nós, a nossa disposição interior não seria alterada; seríamos apenas salvos, mas não seríamos mudados interiormente;
- Seríamos salvos, justificados, mas não teríamos o caráter de Cristo, não teríamos o fruto do Espírito;
- A obra que o Senhor realizou se torna eficaz, aplicada a nós, experimentada por nós, por causa da habitação do Espírito Santo;
- O Espírito Santo vai aplicar em nós tudo o que Cristo é e, mais do que isso, Ele vai formar o caráter de Cristo em nós;
- Se fôssemos libertos do pecado, libertos do mundo, salvos da condenação eterna, do inferno, seja lá do que for, mas ainda assim permanecêssemos escravos do ego, nós ainda viveríamos vidas miseráveis;
- O Espírito Santo veio habitar em nós para nos livrar do ego, esse maior tirano de todos;
- Assim, irmãos, nosso ego não deve ser o centro das atenções, nos prendendo em uma vida oprimida, cheia de lamentações, de culpa e nem nos lançando em uma vida dissoluta, alheia ao operar da graça que nos conduz à Plenitude de Deus.

- Nesse sentido, o irmão Watchman Nee, de modo prático, trata de alguns pontos que gostaria de compartilhar. Vejamos:

1) Cristo morreu na Cruz:

* Cristo morreu, remiu nossos pecados, é nossa propiciação;
* Lá na Cruz do Calvário Cristo sofreu nossos pecados em Seu corpo;
* A redenção já foi efetuada, e isso é um fato hoje – é uma verdade em Cristo;
* Tudo o que Cristo realizou lá na Cruz está no lado objetivo – nEle;
* Se buscarmos evidências desse fato dentro de nós, se olharmos primeiro para nós, enxergaremos somente pecados, um coração extremamente corrupto, um homem totalmente incapaz de salvar a si mesmo;
* O que o Senhor fez, Ele o fez no Calvário, e não em nós – como podemos encontrar em nós?
* Mas no momento em que os nossos olhos se voltam para o Senhor e Sua obra, percebemos que, apesar de quem somos, Ele morreu na Cruz pelos nossos pecados e, portanto, podemos ser salvos;
* No momento em que a fé alcança essa verdade objetiva, o Espírito Santo opera em nós dando-nos: a paz do perdão e a alegria da salvação:

* Rm 8:1:

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

* Rm 5:1:

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;”

* A fé jamais acredita no que está em nós, mas se lança sobre o Senhor Jesus;
* Quanto mais olhamos para nós mesmos, mais decepcionados ficamos;
* Porém, ao lançarmos nossa fé na cruz do Senhor Jesus, teremos paz;
* Devemos sempre começar com o objetivo e, então, concluir com o subjetivo;

* Jo 8:31-32:

31 Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; 32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.


2) Nosso velho homem foi crucificado com Cristo:

* Rm 6:6:

“6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;”

* Cl 3:3:

* porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.”

* Nosso velho homem foi crucificado com Cristo – esse é um fato objetivo;
* Apesar disso, corremos o risco de olharmos para nós mesmos e vermos que somos tão duros, corruptos e indisciplinados como sempre fomos;
* impossível morrer para nós;
* Não podemos, em primeira instância, buscar enxergar essa verdade em nós – precisamos ter os nossos olhos no Senhor Jesus;
* Como podemos dizer que morremos para o mundo, quando olhamos para nós e constatamos que não morremos para o mundo?;
* Tenhamos em mente que passamos a estar mortos com Cristo no momento em que ele morreu na cruz;
* Objetivamente, Cristo morreu, e, conseqüentemente, estando nEle, nós também morremos;
* Assim, vejamos:

* Rm 8:13:

“13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.”

* Cl 3:3 e 5:

“3 porque morrestes (...)5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena (...)”

* A crucificação é um fato em Cristo – objetivo;
* A mortificação, contudo, deve ser realizada pelo Espírito Santo – obra subjetiva;
* Pela fé, obedeço ao conduzir do Espírito Santo e abro mão daquilo que precisa ser mortificado em mim;
* Do lado subjetivo, se me disponho a obedecer, respondendo afirmativamente tão logo o Espírito Santo me lembra de que determinada coisa já foi crucificada, estou morto de fato para essa coisa;
* O Espírito Santo me diz que meu orgulho ou meu nervosismo já foram crucificados; se me disponho a obedecê-lo e abro mão de ser orgulhoso, de ser nervoso, Ele me dará forças para vencer;
* Quando busco suprimir meu orgulho e meu nervosismo pelo meu esforço próprio, não consigo obter sucesso ainda que me empenhe ao máximo;
* Mas quando passo a olhar, primeiro, para Cristo e o que Ele fez ao morrer, descubro que o Espírito Santo está aplicando em mim a mesma morte.


3) Ressuscitamos com Cristo:

* Ef 2:6:

“6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;”

* Novamente temos um fato objetivo: ressuscitamos com Cristo;
* Cristo ressuscitou e, juntamente com ele, nós também;
* Só ressuscitamos porque Cristo ressuscitou;
* Todavia, como ressuscitamos? Por que nos sentimos ressuscitados?;
* Não! Foi Cristo quem nos ressuscitou.

* Ef 1:19-20:

“19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;
20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,”

* Embora os crentes em Éfeso já soubessem que haviam ressuscitados com Cristo dentre os mortos, o apóstolo Paulo ora para que eles conheçam o poder da ressurreição;
* Primeiro cremos que Cristo ressuscitou dentre os mortos e foi assunto aos céus, mediante a suprema grandeza do poder de Deus – objetivo;
* Depois, nos sujeitamos a esse poder de Deus sobre nós – subjetivo;
* Pela fé, cremos na obra consumada de Cristo; em obediência, cooperamos com o operar do Espírito Santo em nosso homem interior.

4) Assunto aos Céus:

* Ef 2:6:

“6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;”

* No momento em que ressuscitamos com Cristo, também nos assentamos nos lugares celestiais com Cristo;
* Não alcançamos tal posição em virtude de nossa diligência ou por causa de nossa oração;
* Cristo está nos lugares celestiais, consequentemente, nós também estamos nEle;
* Todavia, precisamos permitir que o valor dessa posição seja manifesto em nosso viver prático:

* Cl 3:1-3:

“1 Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;
3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.”

* Porque morremos e ressuscitamos juntamente com Cristo e porque nossa vida está oculta juntamente com Deus, nos lugares celestiais, devemos buscar as coisas do alto, pensar nas coisas do alto e não nas que são aqui da terra;
* Não fazemos isso de nós mesmos, mas porque Cristo nos deu total condição para isso, pelo fato de o Espírito Santo de Deus habitar em nós.
* No lado objetivo, Cristo realizou todas as coisas e, portanto, cremos nEle, confiamos nEle de todo o coração;
* No lado subjetivo, o Espírito Santo fará a obra, e Ele deve ser obedecido por completo;
* Todas as experiências espirituais começam quando cremos no que Cristo consumou e terminam quando obedecemos ao que o Espírito Santo nos ordena a fazer;
* O que Cristo fez nos dá a posição (recebemos); e o que o Espírito nos ordena faz com que experimentemos (obedecemos).


* Fp 3:16:

16 Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

* Gl 3:3:

“Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?”

“Que o Senhor nosso Deus nos ajude a termos os nossos olhos no Senhor Jesus Cristo e em Sua obra; a cooperarmos com o Seu Santo Espírito; a abrirmos mão de tudo o que não lhe apraz; e a avançarmos no pleno conhecimento dEle; para o louvor da Sua glória, louvor da glória da Sua graça.”

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

BAIXE O LIVRO APROXIMAÇÃO AO APOCALIPSE TOMO I ESCRITO PELO IR. GINO IAFRANCESCO

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Conhecimento experimental de Deus - Palavra entregue a igreja no domingo dia 06/12/2009. Por: Ir. Jodelson

I – A Obra do Espírito Santo – nos conduzir a toda a verdade

v Leiamos Ef 1:15-23:

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos,
16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,
17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,
18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos
19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;
20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,
21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.
22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,
23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.


v Irmãos, trata-se de um texto que estamos estudando nas quintas-feiras. Mas, ainda que de modo geral, gostaria de iniciar destacando alguns pontos nesses versículos;
v O objetivo aqui é percebermos que, estando em Cristo, inseridos na vida de Deus, somos conduzidos ao pleno conhecimento experimental de Deus e de Seus caminhos;
v Vejamos:

1) Evidências da nova vida em Cristo; o testemunho do operar de Deus na vida dos irmãos – na igreja:

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos,
16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,

ü O apóstolo apresenta “o que tem ouvido” acerca dos irmãos: “a fé nos Senhor Jesus” e “o amor para com todos os santos”;
ü A fé e o amor – são evidências da nova vida em Cristo; evidências da posição em que se encontram os irmãos – em Cristo;
ü O apóstolo diz “não cessar de dar graças a Deus por eles”, reconhecendo a obra de Deus na vida dos irmãos; na igreja.

2) O propósito da oração de Paulo:

16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,
17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,
18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos
19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

ü “para que” (v. 17) – essa expressão aponta o propósito, a razão pela qual o apóstolo ora;
ü Ele ora para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Deus, conceda aos irmãos “o Espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dEle” (v. 17);
ü Ou seja: os irmãos, que já estão nessa posição tão privilegiada (em Cristo), precisam avançar! Avançar no pleno conhecimento de Deus!;
ü Temos visto que a expressão “espírito de sabedoria e de revelação” refere-se ao Espírito Santo de Deus;
ü Além disso, que a expressão “conhecimento” refere-se ao conhecimento relacional, experimental (não um conhecimento intelectual, teológico apenas, mas fruto do relacionamento íntimo, pessoal com Deus); e que esse conhecimento de Deus é no Filho, ou seja, em Cristo, por meio de Cristo;
ü Então o apóstolo ora para que os irmãos possam avançar nesse pleno conhecimento de Deus, em Cristo, mediante o Espírito Santo (o Espírito de sabedoria e de revelação);
ü Mas ele acrescenta: “iluminados os olhos do vosso coração” (v. 18):

§ O Espírito Santo traz luz; abre os nossos olhos, nos dá visão espiritual; nos capacita a vermos, a compreendermos, a tocarmos, a experimentarmos;
§ Sem a iluminação do Espírito, jamais veremos a luz.

ü “para saberdes” (v. 18):

§ “para” – em direção a algo, para dentro de algo;
§ “saberdes” – ver, compreender, conhecer, experimentar.

ü “Saber” o quê? Conhecer o quê?

18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos
19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder


ü “A esperança do seu chamamento”, “a riqueza da glória da Sua herança em nós” e “a suprema grandeza do Seu poder para conosco”;
ü Três aspectos, três verdades acerca do caráter da vida da igreja; aspectos que tocam nosso viver prático; aspectos que tocam o modo como devemos andar.

3) A referência às três Pessoas da Trindade: A Pessoa do Pai, a Pessoa do Filho e a Pessoa do Espírito Santo:

ü Desde o v.15 até o v. 22, assim como nos versículos de 1 a 14 do mesmo capítulo, vemos isso;
ü A obra peculiar do Espírito Santo consiste em aplicar-nos a redenção que foi planejada pelo Pai e posta em ação e efetuada pelo Filho (D. M. Lloyd-Jones);
ü O Espírito Santo nos conduz à realidade das verdades que temos em Cristo.

4) A referência à “suprema grandeza do poder de Deus” (v. 19-23):

ü O apóstolo diz que esse poder que opera em nós é o mesmo que operou em Cristo Jesus;
ü O mesmo poder pelo qual o Pai operou grandiosa obra no Filho também operou e está a operar grandiosa obra em nós;
ü Os versículos 19-22 tratam desse assunto.

v Então irmãos, somando todas essas verdades, precisamos considerar que:

ü O Senhor nos deu vida – fomos inseridos em Cristo, em uma nova vida;
ü Agora salvos, em Cristo, estamos na única posição na qual nos é possível avançar, prosseguir ao pleno conhecimento de Deus e de Seus caminhos;
ü Não podemos estacionar, precisamos avançar; precisamos prosseguir a partir desta posição;
ü Esse conhecimento de Deus é experimental;
ü Para tanto, nós somos inteiramente dependentes do operar do Espírito Santo de Deus.

v A obra do Espírito é aplicar em nós as verdades relacionadas à redenção planejada pelo Pai e posta em ação e efetuada pelo Filho;
v Seu propósito é nos conduzir ao conhecimento experimental dessas verdades; torná-las realidade em nós, dentro de nós.


II – Duas categorias de verdade: verdade objetiva e verdade subjetiva

v Vimos que por meio do Espírito Santo, além de sabermos qual é a natureza da nossa vocação, qual a riqueza da herança de Deus em nós, sabemos, também, do poder que opera em nós – o mesmo que operou em Cristo;
v A partir de Ef 1:19 vemos fatos, verdades relativas à Obra de Cristo (Obra do Pai no Filho), que dizem respeito a Cristo e a nós:

§ Cristo morreu na Cruz; nós morremos com Ele;
§ Cristo ressuscitou; nós ressuscitamos com Ele;
§ Cristo foi assunto aos Céus; nós fomos com Ele (estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo).

v Temos aqui verdades objetivas, pois tratam-se de verdades em Cristo;
v Ef 1:20 diz: “o qual exerceu ele em Cristo” :

§ Em primeira instância, a Obra do Pai no Filho; Deus exercendo Seu poder em Cristo;
§ Embora tenhamos sido altamente favorecidos nessa Obra, até aqui é uma Obra em Cristo, exterior a nós.

v Todas as coisas em Cristo são objetivas e exteriores a nós;
v Mas, Ef 1:19 diz: “e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos”:

§ O mesmo poder que operou em Cristo, opera em nós;
§ Tudo o que é verdade em Cristo – fato consumado – o Espírito Santo de Deus torna realidade, verdade, experiência dentro de nós.

v Todas as obras do Espírito Santo forjadas em nós, dentro de nós, são subjetivas em natureza;
v O Espírito Santo não faz nada dentro de Si mesmo, mas dentro de nós;
v Vejamos Jo 14:17:

17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

ü “ele habita convosco”: verdade objetiva – exterior a nós:

§ A presença do Senhor Jesus com os discípulos por meio do Espírito Santo;
§ Referência à habitação do Espírito Santo no Senhor Jesus Cristo.

ü “estará em vós”: verdade subjetiva – no nosso interior:

§ Primeiro o Espírito Santo em Cristo, depois em nós – dentro de nós.


v Agora vejamos Jo 14:19-20:

19 Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.
20 Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.

ü “porque eu vivo”; “estou em meu pai, e vós em mim”: verdade objetiva:

§ Em primeira instância: Cristo vive, está no Pai e nós fomos inseridos nEle e temos vida nEle – verdade objetiva.

ü “vós também vivereis”; “e eu, em vós”: verdade subjetiva:

§ Em segunda instância: nós vivemos porque Ele está em nós, dentro de nós – verdade subjetiva;

ü Nossa existência em Cristo é algo objetivo, mas a existência de Cristo em nós é algo subjetivo

ü “vós conhecereis”: conhecimento experimental acerca dessas verdades.

v O mesmo Espírito que operou em Cristo as verdades objetivas está operando em nós, dentro de nós, as verdades subjetivas, as realidades dessas verdades;
v Em Jo 3:16 vemos que Deus nos deu o Seu Filho; e em Jo 14:16 Ele nos Deu o Espírito Santo:

ü Deus, primeiro, dá Seu Filho aos homens e, depois, concede o Espírito Santo;
ü A dádiva do Espírito Santo vem depois da dádiva do Filho;
ü Em primeiro lugar, Cristo. Depois, o Espírito Santo;
ü O Espírito Santo opera dentro de nós tudo o que o Senhor operou fora de nós [na cruz].

v Objetivamente, vemos quem é Cristo, quem somos em Cristo e o que temos nEle – cremos, confiamos;
v Subjetivamente, experimentamos, desfrutamos, vivemos de acordo com Cristo, com quem somos nEle e com o que temos nEle - obedecemos;
v Todas as experiências subjetivas são fundamentadas em fatos objetivos;
v Se existir apenas a obra do Espírito Santo sem o trabalho de Cristo, ninguém poderá ser salvo;
v Da mesma forma, ninguém será salvo se existir apenas o trabalho de Cristo sem a obra do Espírito Santo;
v Pela fé, cremos nas verdades objetivas; direcionamos os nossos olhos e o nosso coração a Cristo e Sua Obra;
v E, assim, com os olhos em Cristo e não em nós mesmos, avançamos em obediência àquele que está a forjar em nós as verdades subjetivas.


III – A grandiosidade das verdades que temos conhecido

ü Jo 14:26:

26 mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

ü Jo 15:26:

26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;

ü Jo 16:13-15:

13 quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.
14 Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.
15 Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

v Nesses textos podemos ver que a obra do Espírito está inteiramente focada em Cristo:

ü a quem o Pai enviará em meu nome;
ü esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito;
ü o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;
ü Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

v Em Mt 11:29 o Senhor Jesus, fazendo uma colocação objetiva, pois o tempo subjetivo ainda não havia chegado (como diz o irmão T. Austin Sparks), diz:

ü “Aprendei de Mim”: aprender de Cristo.

v Já em Ef 4:20, quando o tempo subjetivo chegou (ainda citando T. Austin Sparks), o Santo Espírito levou o apóstolo a excluir a expressão “de” e a dizer apenas:

ü Aprendestes “a Cristo”: aprender a Ele mesmo; conhecê-lO; Sua Pessoa habitando em nós.

v Esses textos revelam a grandiosidade de quem temos conhecido: o próprio Senhor como uma experiência genuína, viva, real dentro de nós;
v Vejamos o que diz Rm 11:33-36:

33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?
35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

ü Inicialmente temos a interjeição (Oh!): espanto, admiração, realce, ênfase, exaltação;
ü Quão profunda é a riqueza tanto da sabedoria de Deus quanto do Conhecimento de Deus;
ü O escritor diz que insodáveis, inescrutáveis, inalcançáveis são os juízos, os decretos, de Deus;
ü Diz também que do mesmo modo são os seus caminhos – inalcançáveis;
ü Interroga: Quem conheceu a mente do Senhor? Quem foi Seu conselheiro? Quem primeiro deu a Ele alguma coisa para que venha a ser restituído?
ü De Deus, por meio de Deus e para Deus são todas as coisas!

ü Agora, 1 Co 2:1-16:

1 Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.
2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

ü A centralidade no ministério do apóstolo: anunciar o testemunho de Deus; O Senhor Jesus e Sua obra;
ü Jo 15:26 e 16:13-15: “Ele(o Espírito Santo) dará testemunho de Mim”; “Ele Me glorificará”.

3 E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós.
4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,
5 para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.
ü O falar do Espírito; o Poder de Deus.

6 Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada;
7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

ü Cristo, o mistério de Deus, a Sabedoria de Deus, outrora oculta a nós, agora nos é revelada;
ü O que Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória – desde a eternidade reservada para nós.

8 sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;
9 mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

ü As profundidades das riquezas da sabedoria e do conhecimento de Deus;
ü Reservadas para os que o amam (o amamos porque Ele nos amou primeiro).

10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

ü Irmãos, Deus revelou-se a nós pelo Seu Espírito;
ü O Espírito Santo vai até as profundezas de Deus, pesquisa, examina, procura, toca, busca as riquezas da sabedoria e do conhecimento de Deus;
ü Jo 16:14-15: “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.
12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.

ü Recebemos o Espírito Santo de Deus com que propósito? “conhecer o que por Deus no foi dado gratuitamente” – Cristo!
ü “Conhecer” – tocar, experimentar, desfrutar.

13 Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
15 Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.
16 Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.

ü Irmãos, o homem natural não conhece a mente de Deus; não pode conhecer a Deus!;
ü Essa era a nossa condição. Mas, agora em Cristo, temos a sua mente;
ü O Espírito Santo de Deus nos conduz ao pleno conhecimento de Deus em Cristo;
ü O que temos recebido, o que temos conhecido, são as profundidades das riquezas da Sabedoria e do conhecimento de Deus!;
ü Aprouve a Deus revelar-se a nós!;
ü Tudo isso em verdade, em realidade!.

ü Vejamos ainda Hb 3:5-10:

5 E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
6 Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim.
7 Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz,
8 não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto,
9 onde vossos pais me tentaram, me provaram e viram, por quarenta anos, as minhas obras.
10 Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos.

ü v. 6 – Cristo foi fiel sobre a Sua própria casa – a qual somos nós, a igreja – esse é um fato objetivo;
ü O escritor diz que devemos conservar firme a confiança e a glória da esperança até o fim – este é um fato subjetivo; nossa reação à fidelidade de Cristo;
ü Não podemos tirar os nossos olhos de Cristo e de Sua obra; Devemos permanecer nEle e prosseguir para Ele;
ü v. 7 – Como diz o Espírito Santo, se ouvirmos hoje a Sua voz, não podemos endurecer o nosso coração;
ü v. 10 – Não podemos ser como nossos irmãos no deserto: errantes em nosso coração e sem conhecer os caminhos do Senhor; alheios à vida de Deus;
ü Muitos, por causa da incredulidade, não entraram no descanso de Deus. Hb 3:19:

E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade.


v Jo 7:38-39:

38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
39 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.

ü Irmãos, o Senhor Jesus já foi glorificado;
ü Deus já nos concedeu estes dois presentes: Cristo e o Espírito Santo;
ü “Quem crê em mim”: crermos nEle e em Sua obra; permanecermos nEle – verdade objetiva;
ü “do seu interior fluirão rios de água viva”: do nosso interior; rios de água viva – obra do Espírito – verdade subjetiva;
ü “água viva” – vida de Deus que nos transforma, que nos conforma a Cristo.

v Possamos nós, com todos os santos, em nome do Senhor Jesus, permanecendo firmes, sem vacilar, provar, experimentar, desfrutar, em todo o tempo, desses rios de água viva que fluem do nosso interior;
v Que essa realidade seja expressão em nosso viver.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SABEDORIA E REVELAÇÃO

Irmãos e irmãs este é o estudo da reunião de quinta feira dia 03/12/2009

CAPÍTULO 30

SABEDORIA E REVELAÇÃO

“Pelo que, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação.”

- Efésios 1:15-17

A grande questão que agora se nos levanta é:

ü Como pode o homem vir a conhecer a Deus?

Jó colocou essa questão uma vez por todas quando perguntou:

“Pode o homem, por sua pesquisa, achar a Deus?” (Jo 11:7; cf. VA e ARA).

A resposta é dada no versículo que mostra o conteúdo da oração do apóstolo:

ü Precisamos do “espírito e de revelação” – esse é o segredo!

Devemos ter o cuidado de observar que o apóstolo não está orando aqui no sentido de que os efésios tenham um espírito geral de sabedoria; ele não está orando para que eles se tornem sábios, ou que as suas ações e as suas atividades sejam caracterizadas pela sabedoria. Esse tipo de sabedoria é excelente, e todos nós devemos procurar tornar-nos sábios nesse sentido. Mas Paulo não está orando no sentido de que toda a conduta deles na vida, e todas as suas relações sejam governadas por esse tipo de sabedoria e entendimento. Antes, sua oração é no sentido de que eles tenham em abundância o próprio Espírito Santo, o único meio pelo qual podemos ter sabedoria e entendi­mento espiritual. Noutras palavras, concordo com os que dizem que a palavra espírito aqui deveria ser escrita com inicial maiúscula. Vocês verão em muitos lugares nas Escrituras, na Versão Autorizada (inglesa) e em diversas outras traduções, que, embora a referência seja claramente ao Espírito Santo, é empregada inicial minúscula. Geralmente se pode decidir isso em termos do contexto; e, neste caso particular, a oração e petição é certamente no sentido de que eles tenham em abundância o Espírito Santo, o Espírito que dá e traz sabedoria, o Espírito que, só Ele, pode revelar-nos coisas. Nou­tras palavras:

ü mais uma vez o apóstolo está dando ênfase à obra peculiar do Espírito Santo.
.
Isso nos lembra de novo a maneira pela qual o apóstolo nos mostra que:

ü a obra da salvação é dividida entre as três Pessoas da Trindade santa e bendita.

Nada é mais “admirável”, para usar o termo empregado por Isaac Watts (“amazing”), do que o fato de que as três Pessoas da Trindade santa e bendita estão envolvidas juntas na obra de resgatar-nos e redimir-nos deste “presente mundo mau” e preparar-nos para a glória eterna. Desde o versículo 13 Paulo nos vem lembrando que a obra peculiar, especial do Espírito Santo é selar-nos e ser o nosso “penhor” até à redenção da posses­são adquirida. Agora ele nos lembra outra obra do Espírito, sem a qual jamais poderíamos conhecer a salvação. Quer dizer:

ü a obra peculiar do Espírito Santo consiste em aplicar-nos a redenção que foi planejada pelo Pai e posta em ação e efetuada pelo Filho.

Nada proclama de maneira final e com tanta clareza se a pessoa tem a idéia certa sobre si como pecadora, e a idéia certa sobre a salvação, como a sua consciência da sua necessidade do poder do Espírito Santo, e da sua ativa e constante dependência dEle. A atitu­de da pessoa para com o ensino bíblico referente ao Espírito Santo proclama claramente se ela tem idéias corretas sobre a doutrina do homem, a doutrina do pecado, a doutrina do Senhor Jesus Cristo, a doutrina da redenção – na verdade a totalidade da doutrina da re­denção. Isso porque não há doutrina que nos mostre tão claramente o nosso completo desamparo de desesperança como este singular ensino concernente à obra do Espírito Santo na aplicação da reden­ção a nós:

ü O fim, a meta, é levar-nos a conhecer a Deus.

Deus fez o homem; Ele o fez à Sua imagem e semelhança, e o homem foi des­tinado a viver uma vida em correspondência com Deus, a estar em comunhão com Deus. A criação do homem foi uma expressão do amor de Deus. Deus como amor dá-Se a si mesmo, Seu amor exter­na-se; e o homem foi feito para ser recipiente desse amor e corresponder a ele. Contudo veio o pecado e separou de Deus o homem; alienou-o, rompeu a comunicação. O homem tornou-se um fugitivo errante; tornou-se um estranho para Deus e não O "conhe­ceu" mais. Todo o fim e objetivo da redenção é levar o homem de volta a esse conhecimento. O ensino da Bíblia é que somente o Espírito Santo pode levar-nos de volta a esse conhecimento de Deus e Seus caminhos. Por isso o apóstolo ora:

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação". (Ef 1:17)

Ele ora rogando que o Espírito Santo faça isso porque só Ele pode fazê-lO. Passemos a estabelecer esta verdade fundamental.
Primeiramente opino que se trata de um simples fato:

ü O homem, por natureza, não conhece a Deus.

Declaro isso como uma asseveração, como algo que realmente não necessita de demonstração. Podemos provar o ponto fazendo duas perguntas simples: você, conhece a Deus? Algum homem, por natureza, conhece a Deus? De capa a capa a Bíblia responde que não, e a nossa experiência a confirma e a consubstancia completamente. Isso explica por que as pessoas acham tão difícil orar. Se você não consegue orar uma hora, por que não consegue? Você pode falar facilmente com seus vizinhos e amigos durante uma hora, na verdade, durante horas. Então, por que é difícil falar com Deus durante uma hora? Há somente uma resposta:

ü É porque não O conhecemos;

ü Não O conhecemos suficientemente, e não estamos cônscios de que estamos em Sua presença.

Isso é um simples fato.
Mas podemos ir adiante e dizer que o homem, entregue a si mesmo, por todos os esforços que faça, jamais pode chegar ao conhecimento de Deus. Pela pesquisa, pela capacidade natural, pela confiança em sua sabedoria e em seu entendimento, os homens nunca poderão achar a Deus. Essa é a proposição absoluta firmada pelo apóstolo Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios, na memorável declaração:

“O mundo não conheceu a Deus pela sua sabe­doria” (1 Co l:21).

Essa tentativa de encontrar Deus tem sido a grande busca da humanidade desde o princípio. Os filósofos gregos tinham tentado isso. Há no homem um senso inato da consciência de que Deus existe; todo homem tem isso. O ateu, assim chamado, tem isso, e está simplesmente tentando argumentar contra esse fato, está tentando montar defesas contra algo em que ele, em sua mente, não quer crer, porém que algo dentro dele continua afirmando. A pes­quisa arqueológica mostra que todas as tribos mais primitivas do mundo têm senso de um Deus supremo, de um Ser supremo que está por trás de todas as coisas. É um sentimento universal da huma­nidade. Por isso o homem tem procurado satisfazer este sentimento de anseio, esta consciência que ele tem; e em geral faz isso utilizan­do a sua mente. Tudo quanto procuramos descobrir nesta vida o fazemos por meio das nossas mentes. As descobertas científicas resultam do uso da mente. Você coloca a sua hipótese ou suposição ou teoria; e depois a submete à prova por meio das suas experiênci­as. Na esfera do mundo esse procedimento é perfeitamente correto e freqüentemente adequado. Pois bem, isso é sabedoria humana; é o método do homem. Ele sonda os mistérios, faz o seu trabalho de pesquisa, busca e continua pesquisando; ele utiliza as suas faculda­des, especialmente a sua capacidade mental. Mas o fato é que, na tentativa de conhecer a Deus, e de achar Deus, esse afã e esses esforços mostram-se vãos:

“O mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria”.

Concordo com aqueles que ensinam que Deus determinou a hora particular em que enviaria Seu Filho ao mundo de tal maneira que seria dada à filosofia grega a sua oportunidade, e ela faria o máximo para levar a humanidade a este conhecimento de Deus, falhando nisso completamente. Este é um puro fato da história. Deus permitiu que os filósofos gregos tivessem a sua ocasião, antes de enviar Seu Filho a este mundo. Ele dispôs tudo aquilo primeiro, a fim de que se pudesse fazer esta afirmação: “O mundo não conhe­ceu a Deus pela sua sabedoria”. Ficou provado da maneira mais positiva que o homem, nas alturas da sua capacidade, é tão desvali­do como uma criança pequena, quando confrontado pelo conheci­mento infundido aos crentes efésios pelo Espírito. A situação é essa, daí as razões que o apóstolo passa a dar no capítulo 2 da Primeira Epístola aos Coríntios.
O melhor comentário deste versículo 17 do capítulo primeiro da Epístola aos Efésios é o capítulo 2 da Primeira Epístola aos Coríntios. Lá o apóstolo desenvolve num capítulo aquilo que aqui ele coloca numa frase:

ü O homem não conhece a Deus e, em si e por si, nunca pode chegar ao conhecimento de Deus porque esse conhecimento é “sabedoria oculta em mistério” (l Co 2:7);

ü Ela se ocupa das “profundezas de Deus”, do abismo insondável da personalidade eterna de Deus, da imensidão do ser eterno de Deus e Seus caminhos, que são “inescrutáveis” (Rm 11:33).

A mente do homem é demasiado pequena, demasiado limitada para sondar tais profundezas. Não estou insultando o homem, mas estou sim­plesmente dizendo que Deus é infinitamente grande e está acima de nós e além de nós, e a mente humana é pequena demais para poder captar estas “infinidades e imensidades”, na expressão de Thomas Carlyle.
No entanto, essa não é a única dificuldade, e num sentido não é a maior. O real problema está no fato de que:

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verda­de.” (Jo 4:24).

Toda verdade concernente a Deus é de caráter espiritual, e quando o homem natural encontra a luz do mundo, sua alardeada habilidade parece até ridícula, decorrendo daí que todos nós somos postos no mesmo nível. Nada é mais glorioso nem mais animador acerca da mensagem cristã e do método cristão, de salvação do que o fato de que as divisões e distinções humanas totalmente irrelevantes. Esta é a única esfera em que isso é verdadeiro. Com relação às coisas de Deus, habilidade ou falta de habilidade natural é completamente insignificante. Graças a Deus que é assim. Se fosse doutro modo, os inteligentes e dotados de intelecto levariam vantagem sobre os outros; ademais, não haveria porque enviar missionários às partes do mundo em que o povo ainda não recebeu instrução; na verdade, o empreendimento missionário seria impossível. Se é preciso que os homens tenham poder mental, instrução, entendimento e capacidade para exercer e usar as suas faculdades para poderem tornar-se cristãos, seria ridículo pregar o evangelho a pessoas ignorantes e iletradas. Além disso, é um fato que, enquanto muitos homens de grande intelecto não crêem no evangelho, é possível a um homem da África Central, que nunca teve um dia de instrução escolar, crer no evangelho e apreendê-lo. A explicação é que:

ü este conhecimento é de caráter espiritual; é conhecimento de Deus que é “Espírito”, e que só pode ser conhe­cido de maneira espiritual.

Uma verdade básica é que:

ü o homem, em conseqüência do pecado, não é mais espiritual; ele se tornou carnal, ou, para usar a expressão de Paulo, tornou-se homem “natural” (l Co 2:14).

Todo conhecimento, de acordo com o argumento do apóstolo em 1 Co 2, requer certas afinidades ou certa correspon­dência. Diz ele:

“Qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?” (1 Co 2:11).

Noutras pala­vras, um homem entende outro porque ambos são homens e têm o mesmo espírito, em sentido natural. Você precisa ser músico para entender música, você precisa ter certa faculdade poética, se é que a poesia lhe deva falar algo. Você não pode chegar ao conhecimento nestes domínios, se não houver algum tipo de correspondência básica. Você pode ser um gênio, mas se lhe faltar sensibilidade poética, a poesia será uma tolice para você. Em todos os domínios e departamentos do pensamento e do conhecimento é preciso que haja alguma aptidão, algo que responda e corresponda ao objeto que você está desejoso de conhecer. Por causa desta exigência, o homem, nesta questão do conhecimento de Deus, está completamente desamparado e desvalido.

ü Não importa quão grande seja a sua mente ou o seu entendimento, o homem, por natureza, não é mais espiritual; é “carnal”, “vendido sob o pecado”;

ü A faculdade espiritual com a qual ele foi criado originalmente atrofiou-se, e não pode ser mais exercitada.

Seja o que for que o homem faça, por mais que ele tente elevar-se e estimular a sua mente, ele não pode produzir a necessária faculdade e afinidade para chegar ao conheci­mento de Deus. Estas coisas, diz o apóstolo noutra frase:

“se discernem espiritualmente” (versículo 14).

ü Sem a faculdade espiri­tual, você não as pode discernir.

Daí, as coisas de Deus são loucura para o homem natural, e ele não vê nada nelas. Falta-lhe esta capa­cidade ou faculdade essencial.
Portanto, devemos começar vendo claramente que, sem o Espírito Santo, o homem jamais poderá chegar a este conhecimento de Deus. É a função peculiar do Espírito Santo levar-nos a este conhecimento. Isso contraria toda a nossa maneira normal de ver a verdade e o conhecimento. É inteiramente diferente. O nosso Senhor expôs isso uma vez por todas com as palavras:

“Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18:3).

Essa é uma verdade universal. Seja a pessoa quem for, qualquer que seja a sua habili­dade ou a sua cultura ou a sua instrução, ela tem que descer e tornar-se como criança; tem que compreender o seu completo desamparo, a sua ruína total. Acima de tudo, ela tem que admitir a sua completa incapacidade de conhecer a Deus, apesar dos seus poderes intelectuais. Se não o fizer ou negar-se a fazê-lo, nunca terá este conhecimento. Foi a Nicodemos, mestre em Israel, homem de intelecto e de cultura, que o nosso Senhor disse:

“Não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo” (Jo 3:7).

Nesta esfera nenhum homem pode partir de onde está, tem que retroceder a outro princípio; tem que fazer uma saída completamente nova. “Necessário vos é nascer de novo”, porque esta é uma esfera intei­ramente diferente. É a esfera do Espírito, e ninguém pode entrar nesta esfera por sua própria força e habilidade. Todos nós temos que entrar neste reino da mesma maneira. Não há vários caminhos para entrar; há apenas um, o caminho do arrependimento, envol­vendo completa admissão de fracasso e total bancarrota. Sem o Espírito Santo, o conhecimento de Deus é impossível; e Ele foi enviado para dar-nos este conhecimento.

O apóstolo passa a dizer-nos que o Espírito nos dá este co­nhecimento de duas maneiras principais:

1) Primeiro Ele nos dá a sabedoria necessária:

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria”

ü Sabedoria, como o termo é empregado aqui, não significa um espírito geral de sabedoria – Significa “conhecimento”.

Na Bíblia geralmente a palavra sabedoria vale por conhecimento, como, por exemplo, no livro de Provérbios:

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10).

Não significa o que normalmente queremos dizer com sabedoria, a saber, o resultado ou a conseqüência do conhecimento. Podemos expor o assunto assim:

ü O que o apósto­lo está pedindo em oração para os efésios é que eles tenham o conhecimento que nos torna sábios para a salvação;

ü “Sabedoria” equivale a conhecimento, informação, entendimento.

Esta sabedoria ou conhecimento era o que os gregos procura­vam; eles eram “cientistas naturais” neste sentido. Eles achavam que havia muito que aprender, muito em que eles eram ignorantes; assim se puseram a acumular conhecimento. A presente geração a que pertencemos é tipicamente grega em sua perspectiva. Deleita­-se com as enciclopédias, deseja saber um pouco de tudo. Faz perguntas e lê livros porque acha que essa é a maneira de construir um mundo perfeito e o tipo certo de vida. O homem alega que quer conhecimento. A isso a Bíblia diz: se você quer conhecimento, se você quer sabedoria, se você quer verdadeiro entendimento, há somente um lugar no qual você pode achá-lo: ei-lo aqui! Segundo a Bíblia, a sabedoria começa com “o temor do Senhor”. Só se acha esperando no Senhor e buscando nEle o conhecimento de que necessitamos. O Espírito Santo nos ajuda a obter este conhecimento dando-nos a faculdade indispensável para o entendimento da men­sagem bíblica.
A grande questão é: que é que realmente necessito conhecer a fim de viver como devo neste mundo? Seria melhor começar com um curso de leitura da história, a longa história da humanidade, e dizer: “Pois bem, onde é que os homens erraram no passado, onde cometeram seus enganos? Se eu tão-somente puder descobrir isso, saberei o que evitar e o que não fazer”. Muitos pensam que é esse o caminho. Outros discordam e dizem: “Não! Tudo o que você preci­sa é examinar-se, fazer-se psicólogo e analisar a sua mente e os seus motivos”. É por esta razão que a psicologia está na moda no presen­te século. Em geral a teoria é que precisamos ter um conhecimento especial de nós mesmos; por isso nos sondamos a nós mesmos e analisamos a nossa mente inconsciente, assim chamada, registramos os nossos sonhos e os analisamos, e permitimos que psicana­listas nos examinem enquanto ficamos passivamente deitados em seus sofás num estado de “associação livre”. Este, pensamos, é o meio de chegarmos ao verdadeiro conhecimento e entendimento.
Mas a Bíblia diz “não” a tudo isso, e nos garante que o conhe­cimento de que necessitamos é de diferente ordem; é um conheci­mento ao qual somente o Espírito Santo pode levar-nos. É um conhecimento do próprio Deus. Devemos começar desse conheci­mento de Deus, o Autor e Criador de todas as coisas. Antes de eu começar a analisar-me ou de deixar que os outros o façam, eu deve­ria perguntar: quem sou eu, de onde venho, como posso explicar o meu próprio ser? Essas perguntas me levam de volta a Deus. Eu vejo a natureza e a criação, e tudo me sugere Deus. Mas não posso achá-la ali. Vejo ali os sinais dos Seus dedos, mas é a Ele que eu quero. Como posso achá-la? “Ah, se eu soubesse onde achá-la” (Jó 23:3, VA). Essa é a questão! Examino a história, examino a pro­vidência, examino a mim mesmo, examino tudo, em toda parte, e, contudo, não posso achá-lO. Onde posso encontrar Deus?

ü Há somente uma solução: devo esperar em Deus; e Deus haverá de falar-me sobre Si. Isso é revelação; e é função do Espírito Santo dar-nos esta revelação.

Somente assim descobrimos a verdade sobre Deus, sobre o caráter de Deus, sobre o ser de Deus, sobre Deus mesmo, Deus como Deus. Vimos que os maiores filósofos não puderam chegar a Ele, mas, graças a Deus, aprouve a Deus falar-nos sobre Si. Ele nos deu a sabedoria, o conhecimento de que necessitamos sobre Ele e Seus bondosos propósitos. Onde você poderia desvendar o plano de redenção, fora da Sua revelação? Como poderia o homem saber que Deus tem coração de amor e que olha para o homem em peca­do com olhos piedosos? Como poderia o homem ter descoberto isso? Ele não pôde fazê-lo; falhou, a despeito de todas as alturas filosóficas atingidas pelos pensadores gregos. Deus teve que revelá­-lo; o conhecimento e a sabedoria são dados unicamente por meio do Espírito Santo.
Permitam-me ilustrar o ponto: vejam o Senhor Jesus Cristo. Como homem natural, você olha para Ele e pode dizer: “Que fenô­meno extraordinário! É espantoso que um carpinteiro que nunca recebeu treinamento intelectual nas escolas, nem como fariseu nem como filósofo, possa ter proferido aquelas incomparáveis pérolas de sabedoria. Que fenômeno admirável!” Tente entendê-lO, tente analisá-lO – você não conseguirá. Você poderá tentar fazê-lo dizendo com os biólogos que Ele é uma espécie de “mutante” lançado inexplicavelmente por um desses estranhos truques da natureza, que Ele não se enquadra nas regras do desenvolvimento e evolução gradativa da humanidade. Você poderá olhar o Senhor Jesus Cristo com toda a sua sabedoria humana no auge, e não começará a entendê-lo. Mas quando você se submeter à revelação receberá uma revelação que, em certa medida, o habilitará a entendê-lO. Há duas naturezas na Pessoa de Jesus. Ele é o Nazareno, o carpinteiro, o filho de Maria; mais que isso, porém, Ele é o Filho eterno de Deus! Duas naturezas, uma Pessoa! Você recebe um fato, e também a explicação desse fato. Mas essa sabedoria só pode obter por meio do Espírito Santo.
Olhando para Jesus e analisando-O, você nunca O verá e nunca virá a conhecê-lO, bem como as bênçãos que Ele veio dar, porque as categorias que você utiliza não são suficientemente grandes. Torno a citar as palavras do apóstolo Paulo em 1 Co 2:7-8:

“Mas falamos a sabedoria de Deus oculta em mistério... a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhe­cessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória”.

Eles não tinham conhecimento de que Ele era “o Senhor da glória”; somente enxer­gavam a estrutura humana, o homem. Não conseguiam ver o outro aspecto, não conseguiam chegar ao verdadeiro conhecimento dEle, por mais que tentassem. Este conhecimento é dado pelo Espírito Santo:

“Deus nos revelou (isto) pelo seu Espírito; porque o Espíri­to penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (l Co 2:10),

Ele abre os nossos olhos para o mistério da encarnação, das duas naturezas numa só Pessoa – sem mistura nem confusão, e, contudo, uma só Pessoa. E então nos leva a ver o caminho da salvação.
Suba com a sua mente natural ao seu ponto mais alto e olhe para a cruz do Calvário. Que é que você vê lá? O máximo que você pode ver é a morte de um mártir, a morte de alguém de alma pura, a morte de uma pessoa honesta que, em vez de retratar-Se ou retirar o Seu ensino, preferiu sofrer a morte. O homem natural, com a mente e a capacidade humanas em seu mais alto nível, não pode ver nada mais que isso na cruz. Ele não consegue enxergar o “amor tão admirável, divino”. Essa “maravilhosa” e gloriosa verdade só é vista pelos olhos que foram iluminados pelo Espírito Santo. Unicamente o Espírito Santo pode habilitar-nos a entender que Deus “fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53:6). O mundo ri-se disso e o ridiculariza. É natural que o faça, diz Paulo, pois:

“o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus”. (1 Co 2:14)

Não as compreende porque:

“elas se discernem espiritualmente”. (1 Co 2:14)

O homem natural nem começa a entendê-las; ele não se conhece a si mesmo, não conhece o pecado, não conhece o amor de Deus, e assim, como pode entendê-las? Somente o Espírito Santo pode pro­piciar este conhecimento, e ele o faz. Nem mesmo os discípulos entenderam o Calvário e o seu propósito, senão depois da ressurrei­ção, a despeito do fato de que tinham passado três anos olhando o Filho de Deus nos olhos e ouvindo todas as Suas palavras. Eles não puderam receber isso, não puderam entendê-lO.

ü Você terá que ter esta iluminação dada pelo Espírito Santo, e este conhecimento infundido, antes de poder ver isso;

ü Deus revela a verdade concernente a Si próprio; se Ele não o fizesse, seríamos deixados nas trevas mais densas.

Por isso Paulo ora no sentido de que os crentes efésios tenham o Espírito de sabedoria, o Espírito que dá a sabedoria, o conhecimento.
Este conhecimento a princípio foi dado por meio dos apóstolos e profetas. Daí dizer Paulo no fim do capítulo 2 que a Igreja Cristã foi edificada sobre:

“o fundamento dos apóstolos e dos profetas” (Ef 2:20).

A verdade veio por meio deles, da sua prédica e do seu ensino. Mas logo foi dada noutra forma, no que chamamos Novo Testamento, nos Evangelhos, no livro de Atos, nas Epístolas e no livro de Apocalipse. Este conhecimento já tinha sido dado de forma parcial por meio do Velho Testamento. Os escritores dos livros que constituem o Velho Testamento não estavam apenas expressando as suas idéias sobre a vida. Conforme o apóstolo Pedro, em sua Segunda Epístola, capítulo primeiro:

“nenhuma profecia da Escritu­ra é de particular interpretação”. (2 Pe 1:20)

Ele quer dizer que as profecias não eram simplesmente uma interpretação que os homens faziam da vida, sua visão pessoal do mundo e do que acontece nele. Nada disso, diz ele, mas, antes:

“homens santos de Deus falaram movidos (inspirados, conduzidos) pelo Espírito Santo” (1 Pe 1:20-21), (cf. VA (inglesa), ARC e ARA).

Foi o Espírito Santo que lhes deu o que eles viram. E que os guiou quando o escreveram:

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão”, diz igualmente o apóstolo Paulo (2 Tm 3:16).

ü As Escrituras não são fruto de pesquisa feita pelo homem, mas sim, da revelação e inspiração de Deus;

ü O Espírito de sabedoria opera agora mediante esta palavra que se acha na Bíblia e nos leva a este conhecimento.

2) O apóstolo fala também do “Espírito de revelação”.

Obviamente isso implica que temos necessidade de um novo conhecimento ou entendimento, como já vimos. Esse já foi dado, e, portanto, devemos rejeitar os ensinos de indivíduos ou igrejas que aleguem ter recebido nova revelação além e acima do que temos nas Escrituras. Geralmente falando, essa é uma alegação feita pela igreja católica romana. Ela afirma que recebeu ulterior revelação, quer através da tradição passada pelos apóstolos, quer decorrente da sua interpretação das Escrituras. Há indivíduos que fazem a mesma alegação. Mas não é o que quer dizer “revelação”, como o apóstolo emprega o termo aqui, pois disso ele já tinha tratado sob “sabedoria”.

2.1) “Revelação" deve-se entender aqui da seguinte maneira:

A capacidade humana de entender a verdade espiritual, em conseqüência da Queda, foi tão prejudicada que, mesmo quando vocês colocam esta sabe­doria que Deus nos deu mediante o Espírito Santo diante dos olhos do homem, ele não a pode ver nem compreender. A extensão da queda do homem é tão grande e ampla que nenhum homem, pelo exercício da sua vontade ou do seu entendimento, pode salvar-se ou tornar-se cristão. Repetidamente acentuei o argumento de 1 Co 2:14 acerca do homem natural. Como, então, alguém poderá vir a entender essas coisas? A resposta é:

“Nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2:16).

ü O homem necessita que o Espírito Santo torne clara esta revelação para ele.

O Espírito Santo já inspirou e guiou homens santos para porem este conheci­mento em forma escrita, todavia, para podermos “vê-lo” e “recebê­-lo”, algo mais é necessário; é preciso que o Espírito opere também em nós. É preciso que Ele abra os nossos olhos para que vejamos o que está diante de nós. Isso não requer demonstração. O apóstolo Paulo nos diz, em 2 Co 3, que a maioria dos judeus estava em tristes condições, suas mentes esta­vam cegas, e havia um véu sobre os seus olhos. Eles liam as Escri­turas do Velho Testamento todos os sábados, mas não conseguiam discernir o significado. Liam a Palavra de Deus, porém não podiam entendê-la.

“Se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho, a glória de Cristo que é a imagem de Deus.” (2 Co 4:3-4)

Esta verdade é ilustrada perfeitamente pela história acerca de William Pitt, o Jovem, e seu amigo William Wilbeforce. Pioneiro no movimento pró abolição da escravatura, era um excelente cristão que foi convertido com a idade de vinte e seis anos pela leitura de um livro de Philip Doddridge intitulado Surgimento e Progresso da Religião na Alma (The Rise and Progress of Religion in the Soul). Era um cristão ativo. Também era membro do Parlamento, e amigo de William Pitt, o Jovem, seu conhecido desde os dias da universi­dade. Pitt, como muitos outros estadistas, era um cristão formal e ia à igreja nas ocasiões especiais, mas realmente não tinha nenhum entendimento das coisas espirituais. Eles eram grandes amigos, e Wilberforce estava preocupado e ansioso quanto à alma de William Pitt. Orava por ele, e estava especialmente desejoso de que ele fos­se em sua companhia ouvir um pregador de Londres chamado Richard Cecil, homem muito espiritual e que pregava mensagens espirituais. Wilberforce costumava ouvi-lo regularmente, e a doutri­na pregada lhe causava prazer. Freqüentemente pedia a Pitt que o acompanhasse, mas Pitt tinha sempre uma desculpa ou outra. Entre­tanto, afinal Pitt prometeu ir, e um dia foram juntos ouvir Richard Cecil. Wilberforce sentiu que nunca tinha ouvido Richard Cecil expor a verdade de Deus de maneira mais maravilhosa e cheia do Espírito. Seu coração foi arrebatado pela verdade; era o céu para ele. Não pôde deixar de ficar curioso sobre o que estaria aconte­cendo com o seu amigo. Finalmente terminou o culto e eles saíram juntos. Pouco antes de deixarem o edifício, William Pitt voltou-se para Wilberforce e disse: “Sabe, Wilberforce, fiz o máximo para concentrar-me com todas as minhas forças no que o homem estava dizendo, mas não tenho a menor idéia do que ele estava falando”.
Essa é uma história verdadeira, e quão verdadeira continua sendo quanto a muitos! Do ponto de vista da capacidade pura e simples, William Pitt era maior que Wilberforce. Tinha uma grande mente, um grande intelecto; mas a verdade de Deus exposta por Richard Cecil não significava absolutamente nada para ele, porquanto os seus olhos não tinham sido abertos pelo Espírito. A verdade signifi­cava tudo para Wilberforce e nada para Pitt. Pitt não tinha recebido “o espírito de revelação”.
Paulo ora no sentido de que os cristãos efésios tenham “o espírito de sabedoria e de revelado”. Eles já eram cristãos, mas estavam só no começo, eram crianças em Cristo. Havia tanta coisa que eles ainda não tinham visto. Uma das experiências mais emoci­onantes que o cristão tem é ler a Bíblia toda, ano após ano, e de repente, ao ler uma passagem que já lera muitas vezes antes, encontrar algo que sobressai e lhe fala admiravelmente. Ele estivera cego para isso. É isso que torna possível a pregação ano após ano. O Espírito Santo dá aos pregadores novas revelações da verdade. Elas sempre estiveram lá, mas o pregador é levado a vê-las de maneira progressiva por este “espírito de revelação”. Sem este Espírito de revelação, o pregador fracassa e se torna uma ruína de idéias. Dependendo dEle mais que nunca. A verdade é tão grande, e a minha mente é tão pequena! Mas o Espírito de revelação nos dá entendi­mento.
Estivemos considerando uma das doutrinas da fé cristã. Os reformadores protestantes costumavam dizer aos ouvintes que há uma dupla ação do Espírito Santo:

ü Há o “Testimonium Spiritus Externus”* – o Espírito que está na Palavra, digamos, o Espírito que inspirou os homens que produziram a Palavra.

ü Isso é essencial. Mas não basta. Antes de eu saber que esta é a Palavra de Deus e a verda­de de Deus, antes de eu poder ler a Bíblia e descobrir saúde e alimento para a minha alma, algo adicional é necessário – o “Testimoniurn Spiritus Internus.”**

ü O Espírito na Palavra; o Espírito no leitor! E sem o Espírito nele, homem nenhum será capaz de entender o sentido da Palavra. As duas operações são absolutament­e essenciais.


Noutras palavras, vimos que o apóstolo ora pelos crentes efésios no sentido de que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, lhes dê:

ü “o Espírito de sabedoria” (Testimonium Spiritus Externos);

ü e “o Espírito de revelação”, a capacidade de vê-la e recebê-la, de ter prazer nela e alegrar-se nela (Testimonium Spiritus lnternus).

Que provisão perfeita para os pecadores condenados, cegos, desamparados e indignos! E tudo dado gratuitamente medi­ante o Espírito Santo de Deus! Quão perfeita salvação! “Tudo quanto necessito, em ti achar!”

Fonte: O supremo propósito de Deus. Por: D.M. Lloyod -Jones

12ª Estação – Monte Sinai – 6ª Subida (Mensagem 58)

Amados irmãos e irmãs este é o estudo da reunião de 3ª feira dia 01/12/2009

As 42 Jornadas no Deserto

12ª Estação – Monte Sinai – 6ª Subida (Mensagem 58)

Texto: Ex 25:1 a 30.11


Vamos dar continuidade ao estudo das 42 Jornadas. Nestas 42 estações, o Monte Sinai é a 12ª, na qual Moisés sobe 11 vezes ao Monte. Hoje vamos para a 6ª subida de Moisés.
A 6ª subida teve três partes:

ü 1ª Parte – Moisés já não podia subir sozinho. 70 dos anciãos de Israel, junto com Arão, seus dois filhos maiores, no total 74 pessoas, subiram até certo ponto. Sabemos que antes ninguém podia subir e nem mesmo tocar no Monte – até mesmo um animal, se tocasse no Monte Sinai, cairia morto. Somente Moisés subia diante de Deus, com todo temor, tremor e reverência. Nós sabemos que Deus impôs essa condição para que Moisés pudesse conhecer mais e mais do caráter de Deus. Esta 6ª subida se encontra em Ex 24:9. E aqui nós sabemos que Deus se manifesta e se revela a Moisés. Algo muito especial acontece aqui.

ü 2ª Parte – Neste ponto mais alto, Moisés toma Josué e sobe. A subida com Josué está em Ex 24:13-14, que diz:

“13 - Levantou-se Moisés com Josué, seu servidor; e, subindo Moisés ao monte de Deus, 14 - disse aos anciãos: Esperai-nos aqui até que voltemos a vós outros. Eis que Arão e Hur ficam convosco; quem tiver alguma questão se chegará a eles.”

ü 3ª Parte – Quando Moisés subiu sozinho – nós lemos em Ex 24:18:

“E Moisés, entrando pelo meio da nuvem, subiu ao monte; e lá ele permaneceu quarenta dias e quarenta noites.”

Então, vemos que na primeira parte sobem Moisés e todos aqueles anciãos; na segunda parte, um pouco mais alto, sobem Moisés e Josué; e agora, nesta parte bem mais alta, nesta parte de glória, onde entra no meio da nuvem, Moisés sobe ao Monte e lá permanece com Deus por 40 dias e 40 noites.

Nesta 6ª subida Deus fala sete vezes a Moisés, fala de sete temas. É interessante que na 6ª subida, depois que já havia revelado o Decálogo, os Dez Mandamentos, Deus quer revelar mais alguns mistérios do Seu propósito, da Sua vontade. Deus quer aprofundar mais, quer adiantar mais acerca da tipologia dos assuntos espirituais que nós vamos conhecer no Novo Testamento. Então Deus fala sobre sete temas:
O primeiro tema que Deus fala vai desde Ex 25:1 até Ex 30:11. E ali, diz a Bíblia:

“Disse o SENHOR a Moisés (...).”

Vejam isso em Ex 25.1 até Ex 30:11. Sobre o que Deus falou desta vez? Qual era o tema de Deus aqui? Esse tema era:

ü a casa, o sacerdócio e os sacrifícios.

No Novo Testamento, I Pe 2:5, diz:

“também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”.

Aquilo que está estabelecido no Antigo Testamento, nós vemos como um princípio sendo manifestado e revelado no Novo Testamento. Deus não quer somente que eles O amem como Ele exigiu no Decálogo: “amarás a Deus sobre todas as coisas” e, também, “ao próximo (uns aos outros)”. Deus quer ir mais profundo para dentro deles. Então Ele começa a revelar, desde Ex 25:1, quando diz:

“tomareis uma oferta para mim.”

E também em Ex 25:8:

“e me farão um santuário para que eu possa habitar no meio deles.”

Deus começa a dizer sete coisas que tem que ser feitas. Esses sete itens, que correspondem a esse primeiro tema, são:

ü “a arca do testemunho, a mesa dos pães da proposição, o candeeiro, o tabernáculo, o altar de bronze, o átrio do tabernáculo e o azeite para as lâmpadas”.

Todas essas sete coisas são a síntese do mistério de Cristo quanto ao Corpo de Cristo e a Casa de Deus. No primeiro tema Deus trata desta questão da casa espiritual e do sacerdócio santo. A descrição que se faz de Ex 25 em diante, a respeito das coisas em que os filhos de Israel deveriam ocupar-se, pode dividir-se em duas partes. Ambas estão intimamente relacionadas:

ü uma é “a Casa de Deus”;
ü e a outra é o “sacerdócio espiritual”.

Isso pode ser considerado o resumo dos capítulos finais de Êxodo. Embora ambos os temas excedam os limites deste livro, temos aqui uma importante revelação desta primeira aproximação deste maravilhoso assunto. Nesse texto que lemos, onde Pedro, em sua Primeira Epístola, toca essa questão desses dois pontos, capítulo 2, versículos 4 e 5, ele se refere especificamente a “Casa de Deus”, quando diz:

“4 Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.”

O conteúdo e ordem das coisas ditas no Antigo Testamento, temos que buscar também no Novo Testamento. Porque é aqui que se encontra a revelação de tudo isso. Porque essas verdades estão intimamente relacionadas. O Antigo Testamento apontava para o Novo e o Novo procura no Antigo as bases para a sua autenticação. A Casa de Deus está no Antigo Testamento, mas também está no Novo Testamento. No Antigo Testamento como figura e sombra das coisas celestiais, e no Novo Testamento como realidade, como coisas celestiais. No Novo Testamento nós temos a realidade da figura daquilo que o Antigo Testamento mostra para nós.

“As coisas que antes foram escritas, para o nosso ensino foram escritas” (Rm 15:4).

As coisas do Novo Testamento encontram maior beleza e sentido quando as buscamos no Antigo Testamento.
É curioso, amados irmãos e irmãs, mas aqui as sombras lançam luz sobre as coisas novas até fazê-las resplandecerem. Por isso, “o escriba sábio do Reino dos céus tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”. Não é isso que está em Mt 13:52? Primeiro, então, nós temos a casa; em seguida, o sacerdócio. Primeiro vemos as cortinas e tábuas, os colchetes, os espevitadores... Talvez achemos que essas coisas do Tabernáculo teriam pouco sentido para nós. Mas, amados irmãos, o Espírito Santo escreveu e dispôs todas essas verdades. Então, quando olhamos para o Tabernáculo, vemos os colchetes, as cortinas, as tábuas... Tudo isso que encontramos em Ex 25 traz-nos verdades preciosas. São assuntos proveitosos da nossa edificação. Da mesma forma, também, concernente ao sacerdócio. Então, todas essas minúcias, todas essas particularidades, não somente a questão da arca, não somente a questão do altar do incenso, da mesa dos pães da proposição, do candelabro... Sabemos que esses assuntos são de um conteúdo riquíssimo, mas também essas outras coisas trazem para nós verdades profundas, porque Deus dispôs as coisas com muito rigor. Vejam que Deus proibiu Moisés de por a mão no desenho das coisas, porque tudo devia ser conforme ele tinha visto no Monte; porque tudo tinha um valor metafórico e figurativo, que teria de ocorrer segundo a perfeição da obra de Deus, de acordo com o caráter de Deus.
Sabemos que a casa é a igreja e o sacerdócio são todos os santos em Cristo Jesus. Essa é uma metáfora que traz para nós uma revelação maravilhosa. E podemos vê-la agora, com todo o seu esplendor, o qual os judeus não puderam ver. Vejam o que Hb 3:5 diz:

“E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a Sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar.”

Havia algo que ia ser dito. Depois Moisés pôs as bases simbólicas para aquilo. E foi assim conforme o mandamento do Senhor. Se Moisés faltasse, se não fizesse as coisas conforme o modelo, como poderia haver concordância com o que “se havia de anunciar”? É por isso que Pedro interpreta Moisés.
O Livro de Êxodo nos abre generosamente a revelação do significado espiritual da casa de Deus. O Evangelho de João usa no grego uma palavra muito interessante referente ao Senhor, que não foi devidamente traduzida para o português. Esta palavra está em Jo 1:14, que diz:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”

Olhem aqui o termo “habitou”. O significado dessa palavra é “fixou o tabernáculo” ou “tabernaculou”. Por que João utiliza essa palavra tão estranha? Essa palavra é muito difícil de traduzir. De fato, nenhum tradutor a utilizou. A razão é muito simples: João nos está chamando a atenção para o Tabernáculo no deserto, pois o Senhor Jesus é o verdadeiro Tabernáculo de Deus com os homens. Ele deu cumprimento à figura do Tabernáculo levantado por Moisés, de maneira que, ao revisar os aspectos referentes àquele, temos que ter sempre em conta a quem aponta e de quem nos fala. Deus disse a Moisés em Ex 25:8:

“E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.”

Da mesma maneira, Deus demandou Maria que oferecesse o ventre para que ali pudesse levantar um Tabernáculo para Si em Jesus Cristo. Por isso, quando o Senhor disse:

“Destruam este templo, e em três dias o levantarei” (JO 2:19),

Ele estava se referindo a esta construção feita pelo Espírito Santo no ventre de Maria, isto é, o templo do Seu corpo. A dupla natureza do Senhor Jesus Cristo, a divina e a humana, está muito bem representada no Tabernáculo. Vemos isso na cor das cortinas:

ü cortinas azuis – Sua divindade;
ü cortinas vermelhas – Sua humanidade;
ü púrpura – a síntese de Sua dupla natureza: divina e humana.

Do mesmo modo, grande parte do mobiliário que vemos no tabernáculo tem a dupla natureza implícita na madeira e no ouro:

ü a madeira de acácia revela a humanidade incorruptível do Senhor;
ü o ouro fala da divindade.

Todo o Tabernáculo é um anúncio, é uma proclamação, não só da natureza, mas também da Sua própria obra.
Da mesma maneira, amados irmãos e irmãs, como o Tabernáculo tinha três ambientes, Átrio, Lugar Santo e Lugar Santíssimo, assim também é a natureza do Senhor e de todo cristão:

ü é tripartida – corpo, alma e espírito.

O Senhor estava personificado no Tabernáculo, com todo seu simbolismo, realizando a revelação, a proclamação da perfeição da obra de Deus em Cristo Jesus.
Deus pediu a Moisés que Lhe levantasse um Tabernáculo, pois Ele quis habitar no meio do Seu povo. Deus desceu de Sua excelsa glória para estar próximo aos homens. Assim também, em Cristo, Deus estava salvando à maior distância, não só física, mas também moral, para vir habitar entre os homens. Por isso Ele é chamado de Emanuel – Deus Conosco. Deus se aproximou do homem; proveu um meio para que o homem pudesse se aproximar de Deus. Vejam que lá no Tabernáculo havia uma ampla porta para todo aquele que precisasse se aproximar de Deus. Quando o Tabernáculo esteve em pé, Deus falou ali a Moisés. Antes tinha falado no Monte; agora falava no meio do Tabernáculo. Vejam Lv 1:1:

“E chamou o SENHOR a Moisés e falou com ele da tenda da congregação (...)”

Agora, Deus está acessível. Vejam que Deus nunca poderia ter chegado tão perto do homem, como chegou em Cristo. Deus desceu em Cristo para nos tocar. Deus veio em Cristo para que nós pudéssemos experimentá-Lo. Por isso Jesus disse que Ele era a porta.
Mais adiante, vamos ver que o Tabernáculo também representa a igreja. Mas o ponto primário, principal, de que nos fala o Tabernáculo é do nosso Senhor Jesus Cristo. Em primeira instância é isso. Mas, sabemos que numa certa particularidade, no aspecto adicional da revelação do Tabernáculo, nós vemos também a igreja como a Casa de Deus. Então vemos que Moisés começa a descrevê-la nessas sete coisas.
Logo, revela algo relativo ao sacerdócio, aquilo que é pertencente ao sacerdócio, ou seja, Deus revela sete vestimentas. Também são sete itens para a casa. Tem outra coisa que tem que haver depois da casa e do sacerdócio, e Deus vai ensinar ao povo. Na casa tem o sacerdócio, ou seja, como devem os sacerdotes viver em relação com Deus e com o povo:

ü Em relação intima com Deus.

Deus está preparando um povo para conhecê-Lo, então Ele revela o sacerdócio e revela sete vestimentas. E quais são essas sete vestimentas? Ex 28:4 nos diz:

“Estas, pois, são as vestes que farão: um peitoral, e um éfode (estola sacerdotal), e um manto, e uma túnica bordada, e uma mitra, e um cinto; farão, pois, vestes santas a Arão, teu irmão, e a seus filhos, para me administrarem o ofício sacerdotal (...)”

Ex 28:42:

“Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a carne nua (...)”

Ex 28:39:

“Também farás a túnica de linho fino (...)”

ü Essas sete vestimentas refletem o novo home em Cristo;
ü Vestidos de Cristo, como sacerdotes, vivendo uma vida santa diante de Deus;
ü Essas vestimentas refletem a cobertura de Cristo, como Cristo irá nos vestir e como Ele irá nos constituir.

Vejam que o capítulo 28 de Êxodo está absolutamente dedicado a descrever as vestimentas sacerdotais. E para que possamos entender espiritualmente, devemos ver que Deus assinala aqui aspectos importantes referentes não só ao sacerdócio levítico, mas também, fundamentalmente, ao sacerdócio de Cristo, que é Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque, e é de todos os santos. Amados irmãos e irmãs, em geral, todas essas vestimentas eram obras primorosas para honrar, para trazer formosura. Elas nos falam de Cristo, porque Ele é precioso e dEle nós estamos revestidos. Em Gl 3:27, lemos:

“porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”

Isso é tão lindo! Isso é tão precioso! Amados, os ofícios sacerdotais eram de alta significância do ponto de vista espiritual e deviam ter uma correspondência em seus trajes. Por isso, nós temos que compreender que todos os outros materiais do Tabernáculo eram feitos de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho torcido. Tudo isso revela para nós o caráter divino de Cristo – o caráter humano e perfeito de Cristo Jesus.
Vejam que primeiro estava o éfode, com suas ombreiras, com seu cinto (como podemos ver em Ap 1:13) e as duas pedras de ônix que os sacerdotes levavam gravadas com os nomes dos doze filhos de Israel em seus ombros, distribuídas em seis de cada lado. Esses mesmos nomes também foram gravados em doze pedras diferentes sobre o peitoral. Assim, o Senhor Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote, leva os nossos nomes gravados sobre os Seus ombros.

ü Em Seu coração nos fala de uma obra de amor;
ü Em seus ombros, uma obra de força – aquilo que teve de suportar para poder nos salvar.

Isso revela que Ele levava em Seus ombros os nossos nomes. Ele levou sobre si as nossas vidas, mas também levou sobre si os nossos pecados, as nossas iniquidades. Ele levou cada um de nós em iniquidade sobre os Seus ombros. Mas, em Seu peito, fala de uma obra de amor. Isso é tão lindo! É por isso que Ele está diante do Pai para interceder por nós. O fato de Ele levar sobre os Seus ombros o nome das doze tribos, em seu correspondente ao sacerdócio no Novo Testamento, significa responsabilidade do Senhor Jesus, responsabilidade que Ele tem diante de nós. Isso mostra para nós a grandeza dessa tão grande e poderosa salvação.
Todas as vestimentas foram cobertas por um manto azul – isso fala da obra divina e celeste do Senhor Jesus. Adornado com romãs – fala de fecundidade, fertilidade, frutificação. Também havia as campainhas – revela-nos atividade sacerdotal em suas bordas.
O sacerdote levava também uma mitra em sua cabeça e nela a frase “Santidade ao Senhor”, a qual significava que os pensamentos do Sacerdote deviam ser puros.
Finalmente, vemos o quê? As ceroulas – que deviam cobrir a nudez dos calções de linho. Deviam ser de linho para que não produzissem suor, o que representa o que procede da carne no serviço a Deus.
Como vemos, tudo isso tem uma aplicação aos sacerdotes no Novo Testamento, isto é, ao sacerdócio de todos os santos. Por isso, amados irmãos e irmãs, em todos esses pequenos detalhes, temos a grande revelação da vida e da obra do Senhor Jesus, como também podemos ver a revelação dessas verdades no tocante ao caráter e à vida da igreja hoje.
Que o Senhor possa nos ajudar. Embora essas palavras sejam tão resumidas, elas contêm uma verdade que podem nos levar mais e mais à profundidade da revelação daquilo que tudo isso significa para nos transformar, para nos conduzir ao verdadeiro Evangelho, à verdadeira edificação; a perceber que nessas pequenas coisas, nessas minúcias, existem revelações profundas e grandiosas, por meio das quais Deus deseja nos edificar nesse tempo como igreja. O Senhor quer tirar-nos de uma vida cristã superficial para levar-nos a uma vida cristã profunda. Por isso Ele usa essas verdades, essa tipologia do Tabernáculo, para poder nos ensinar verdades grandiosas e profundas, para que sejamos edificados de uma maneira correta: edificados numa obra profunda que o Espírito Santo está realizando em mim e em você.
Que Deus, no poder do nome de Jesus, através do Seu Espírito Santo, lhe abençoe rica e poderosamente!

Por: Ir. Luiz Fontes