quarta-feira, 8 de julho de 2009

COMO SENHOR JULGARÁ OS SEUS SANTOS

O Senhor fala com todas as igrejas e a todos os santos
Gostaria que olhássemos no livro de Apocalipse algumas coisas das quais certamente já temos antes, no passado, conversado ou lido. Especificamente, estou recordando agora o livro do irmão Watchman Nee chamado "A ortodoxia da Igreja", onde li a respeito disto. Mas não por havê-lo lido vou privar a vocês de recordar-lhe porque é útil, porque é a verdade.
Nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, o Senhor fala com todas as igrejas de todos os lugares, de todos os tempos e de todas as épocas, ao falar especificamente com as sete igrejas da Ásia Menor. Ele falou com aquelas sete igrejas históricas; e ao falar com elas, ele tratou certos assuntos que se apresentariam ao longo da história da Igreja, e que nos mostram como o Senhor encontraria, em sua vinda, às igrejas.
Dois grupos de igrejas
O irmão Watchman Nee nos chamava a atenção, especialmente nesse livro, para dois grupos específicos de igrejas que aparecem aqui entre as sete mencionadas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse; e esses dois grupos se distinguem por várias coisas. Uma delas, a sua terminação.
Se vocês me acompanharem para ver essas terminações às sete igrejas, no capítulo 2, quando fala com a igreja em Éfeso, ele apela primeiro para a igreja -que era a primitiva- e em seguida, então, apela aos vencedores. Ele diz: "Aquele que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas". E então agora se dirige ao grupo dos vencedores, e diz: "Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, o qual está no meio do paraíso de Deus".
No final da mensagem à igreja em Esmirna, o Espírito também mantém a mesma ordem que em Éfeso, e o fará também com Pérgamo. Primeiro fala com as igrejas em geral, e em seguida aos vencedores.
O irmão Stephen Langdom, um arcebispo de Canterbury no século XII, que dividiu a Bíblia em capítulos, colocou quatro igrejas no capítulo 2 e três igrejas no capítulo 3. Possivelmente se tivéssemos sido nós, ou o irmão Watchman Nee, ou eu, pelo menos teríamos colocado diferentemente os números dos capítulos; teria posto o capítulo 2 com as três primeiras igrejas, e o capítulo 3 com as quatro últimas igrejas. Porque realmente há uma divisão em dois grupos.
Nas três primeiras igrejas, o Espírito fala com a Igreja em geral, à Igreja quando ainda estava mais próxima da sua origem, e não tinha tido os embates que teve que acontecer na idade média, chamadas 'obscuras' por alguns. E então, para Stephen Langdom, Tiatira aparece colocada dentro do capítulo 2.
Mas, se vocês se fixarem, no capítulo 2, agora na mensagem a Tiatira, diz o verso 26: "Ao que vencer e guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e as regerá com vara de ferro, e serão quebradas como vaso do oleiro; como também eu a recebi de meu Pai; e lhe darei a estrela da manhã". Vemos que a partir daqui, primeiro fala aos vencedores, e em seguida diz: "Aquele que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas". A partir de Tiatira, o Espírito muda a ordem. E o Espírito começa a apelar primeiro para os vencedores.
O mesmo acontece nas três igrejas mencionadas no capítulo 3. Assim, por esta mudança do Espírito, por esta mudança de ordem no falar do Espírito, podemos agrupar as três primeiras igrejas, Éfeso, Esmirna e Pérgamo em um grupo, e podemos agrupar as 4 últimas igrejas, de Tiatira a Laodicéia em outro grupo.
A segunda vinda mencionada no segundo grupo de igrejas
Mas há, além disto, outra coisa também que nos chama a atenção. Quando o Senhor fala com as quatro igrejas do segundo grupo, quando ele apela primeiro aos vencedores antes do que para as igrejas em geral, o Senhor menciona-lhes a sua segunda vinda. É como se o Senhor estivesse dando a entender que, quando ele vier, irá encontrar muitas pessoas da cristandade nos diferentes estados descritos por cada carta.
Porque estas cartas não somente falavam com as igrejas históricas da Ásia Menor, mas Deus utilizou as situações descritas por Cristo, nessas igrejas históricas da Ásia Menor, para falar profeticamente. Porque todo o Apocalipse, do primeiro capítulo até o último, é chamado uma profecia. "Bem-aventurado o que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia" (1:3). O qual nos conduz a interpretar estes capítulos 2 e 3 de Apocalipse também como profecia a respeito da situação da Igreja em geral. Embora fale com aquelas primeiras igrejas históricas, ao mesmo tempo fala com todas as igrejas, ou seja, às diferentes condições, características, pelas quais o povo de Deus teria que passar os diferentes desafios que a Igreja do Senhor nas distintas circunstâncias iria enfrentar.
E de maneira profética, o Senhor reforça, aprova certas coisas, e ao mesmo tempo, como sumo sacerdote, usando as tesourinhas, a espevitadeira, diz também a cada igreja o que ele desaprova. Por isso, no capítulo 1, ele aparece vestido como sumo sacerdote. Assim como entre os sacerdotes, uma de suas tarefas era manter diante de Deus os candeeiros acesos. Um dos trabalhos sumo sacerdotais de Cristo glorificado é manter os candeeiros em funcionamento. E por isso ele diz: "Tenho contra ti…", mas também: "Tens isto…". Ele aprova certas coisas e desaprova certas coisas, e assim o Senhor se apresenta como a resposta para todos os desafios do povo de Deus em qualquer circunstância.
Uma das coisas deste segundo grupo de igrejas, as quatro últimas, desde Tiatira até Laodicéia, é que é mencionada a segunda vinda do Senhor; o que significa que quando o Senhor voltar vai achar à cristandade em diferentes situações. Nem todos os cristãos serão achados na mesma situação. Oxalá todos fossem vencedores, e oxalá todos vencessem qualquer tipo de desafio; mas nem todos os cristãos serão achados na mesma situação, e isto nos chama a atenção.
Grupos entre grupos
Alguns, quando o Senhor vier, serão achados na situação de Tiatira, porque o Senhor menciona a sua vinda a Tiatira. E por sua vez também diz: "Mas a vós…". Quando o Senhor diz: "Mas a vós…", está fazendo um contraste entre o que tinha denunciado de Tiatira até aqui, a estes "vós". Nem todos em Tiatira estavam na mesma situação. Ele fala de Jezabel, fala do tempo que lhe deu para arrepender-se, fala dos que fornicaram com Jezabel, fala dos filhos de Jezabel. Mas nem todos estão enredados com Jezabel.
Ele diz: "Mas a vós…". Este "vós" é uma minoria dentro da maioria em Tiatira. "…a vós e aos demais…". Ou seja, que aqui vemos um duplo remanescente. "…os demais" não são todos os de Tiatira. "Vós" é como dizer de um grupo seleto, um grupo de elite, de avançados, em Tiatira, com alguns que os acompanham, que são chamados "os demais", e que se distinguem do resto de toda Tiatira.
Então, diz o verso 24: "Mas a vós…". Esse é esse grupo seleto, o remanescente, ao qual o Senhor não lhe impõe outra carga, nem lhe diz o que está repreendendo aos de Tiatira. "…a vós e aos demais que estão em Tiatira, a quantos não têm essa doutrina…". Ou seja, alguns em Tiatira tinham a doutrina de Jezabel, e das profundezas de Satanás, mas não todos. "…e não conheceram o que eles…". Não a vós nem esse grupinho que está com vocês, mas o resto dos de Tiatira. Há uma diferença entre "eles" e "vós"; inclusive entre "os demais" e "eles".
"…O que eles chamam as profundezas de Satanás, eu vos digo: Não vos imporei outra carga…". A uns, impõe-lhes carga. Mas "…a vós -distinto do resto- não vos imporei outra carga".
"Mas o que tens…". O Senhor não diz que tem tudo, mas pelo menos têm algo. Algo que ele valoriza, algo que ele quer encontrar quando vier; encontrar naqueles que lhes tem correspondido viver no ambiente destacado por Tiatira. "…o que tens, retende-o até que eu venha". Quer dizer: 'Mantenham-no; eu aprecio isso, eu quero encontrar isto entre vocês. Não vou impor para vocês outra carga. Mas isto que tens, isto que eu aprovo, isto que eu quero encontrar quando voltar, retenham até que eu venha'.
E então, apela aos vencedores, e aqui nos damos conta do por que mudou a modalidade. Mudou, a partir de Tiatira, à modalidade de falar primeiro aos vencedores. Antes era às igrejas e por último aos vencedores; agora começa a falar primeiro aos vencedores. Ele quer encontrar vencedores entre aqueles cristãos a quem tem correspondido viver nas circunstâncias de Tiatira.
Medida personalizada
É muito interessante notar como o Senhor tem em conta os diferentes tipos de circunstâncias em que as pessoas têm que viver e desenvolver o seu trabalho. O Senhor não mede a todas as pessoas pela mesma medida, primeiro porque ele conhece integralmente toda a realidade. Nós, ao contrário, não conhecemos senão algumas coisas, e geralmente julgamos segundo as aparências, e às vezes contaminados por nossas próprias projeções. O Senhor, não.Irmãos, temos que aprender isto. O Senhor não vai julgar os nossos irmãos com os nossos paradigmas pessoais, mas com os paradigmas nos meios pelos quais eles tiveram que desenvolver-se. O Senhor Jesus disse assim: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que medis, vos será medido" (Mat. 7:1-2).
Irmão, não se equivoque. Não pense que Deus vai julgar os outros pelos seus paradigmas. Deus vai julgar a ti com os teus paradigmas; mas vai julgar aos outros com os paradigmas com que eles viveram. Com o juízo com que eles julgaram, com esse juízo serão julgados; com a medida com que eles mediram, com essa medida eles serão medidos. Eles não serão medidos com a sua medida, mas com a medida com que eles mediram; eles não serão julgados com o seu juízo, mas julgados com o juízo com o qual eles julgaram.
Paradigmas e rigor
Porque às vezes nós pensamos ou sentimos que todos os filhos e servos e pessoas da terra, que são criados alheios, vão ser julgados por nossos próprios paradigmas. Mas nós sabemos que os nossos paradigmas estão em formação; ainda os nossos paradigmas têm que ser ajustados. E Deus não vai julgar a todos com paradigmas em formação, alheios. Aos que estão em Tiatira, não lhes imporá outra carga.
O Senhor diz que no dia do juízo haverá mais tolerância, por exemplo, para Sodoma e Gomorra, que são tão terríveis, do que para algumas outras cidades. E ele diz: "No dia do juízo, os de Sodoma e de Gomorra, aquela geração, se levantará contra esta outra geração, porque eles teriam se arrependido se tivessem tido as mesmas oportunidades que tiveram estes outros".
Mas o Senhor sabe que nem todos tiveram as mesmas oportunidades, nem todos tiveram o mesmo processo. Portanto, o Senhor é muito justo em seu exame das coisas, e ele tem em conta a história de cada um. O Senhor tem em conta o que a pessoa ignora, e ele tem em conta as oportunidades que teve ou que não teve. "Ai de vós, porque a vós se vos pedirá maior conta!", diz aos seus apóstolos, "porque vocês tiveram maiores oportunidades que outros; o juízo contra vocês será mais rigoroso". Nem todos os julgamentos serão com o mesmo rigor, nem com a mesma medida; mas o Senhor, a cada qual, o julgará com a sua medida.
Políticas de terra arrasada
Porque às vezes nós fazemos, da nossa política, uma política de terra arrasada, como faziam os muçulmanos. O paradigma muçulmano, uma vez que Maomé pretendia falar em nome de Deus, mas projetando a sua personalidade violenta, contraditória, ele impunha o seu paradigma pela força, e aos que não se convertia ele os matavam, ou os escravizavam, e com essa tipo de conceito de Deus é que eles julgam.
O Senhor Jesus disse assim: "Vem a hora -e isso veio muitas vezes na história da Igreja- em que qualquer que vos mate pensará que preste um serviço a Deus". Haverá pessoas que estarão matando e perseguindo os cristãos, pensando que estão fazendo bem.
Uma vez, um homem que tinha participado da matança dos hugonotes na França -os cristãos bíblicos- na noite de São Bartolomeu e outras perseguições subseqüentes, em que se fizeram massacres terríveis, e quando estava morrendo um destes duques perseguidores, o sacerdote católico lhe perguntou se não tinha que arrepender-se disso, e ele disse: 'Não, essa era a melhor coisa que pude fazer em minha vida'. Essa era a glória com a qual ele pensava apresentar-se diante de Deus: Ter exterminado os 'hereges', que eram os filhos de Deus.
O Senhor diz: "Vem a hora em que qualquer que vos mate pensará -esse é o seu paradigma- que rende um serviço a Deus". Por isso, o Senhor Jesus dizia aos fariseus: "Mas como dizeis que vêem, maior pecado tem. Porque se não vissem, nenhum pecado terias, mas como dizem que vêem, o seu pecado permanece".
Os paradigmas, as situações, os crescimentos dentro do povo de Deus são diferentes. Portanto, temos que ter muito cuidado quando vamos apresentar a palavra do Senhor no meio do povo do Senhor. Não podemos ter a política de terra arrasada, tipo muçulmano, que não tem em conta os paradigmas daqueles aos quais estão invadindo.
Sabe o que os inquisidores faziam quando queimavam aos protestantes? Quando eles estavam na estaca, sendo queimados e confessando e invocando o nome do Senhor Jesus, os inquisidores não queriam que mencionassem a Jesus, mas sim a Maria. E punham em uma haste uma estátua de Maria. E o pobre irmão estava sendo queimado e lhe colocavam a estátua de Maria pelo nariz: 'Diz: Salve Rainha. Diz, diz, diz', querendo que ele invocasse a Maria, e não ao Senhor Jesus. Que paradigmas, não é verdade? E aqueles que faziam isso queriam 'salvar' ao 'herege'.
Vocês se dão conta, irmãos? Dão-se conta das diferenças? Quando o Senhor Jesus vier, ele vai encontrar irmãos que tem vivido no contexto de Tiatira. E fala com os vencedores, e lhes fala do que ele espera deles.
Privilégios e responsabilidades
Mas em seguida chegamos a Sardes. Sardes representa outra situação, outras circunstâncias, uma mudança de paradigmas na época. Outra época, outras lições aprendidas, outros desafios. E o Senhor menciona também a sua segunda vinda aos de Sardes. Aqui, no verso 3, diz a Sardes: "lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido".
A Tiatira disse: "O que tens". Mas a Sardes não diz "o que tens". 'Porque tinha mais e estás perdendo. Estão perdendo as coisas'. Olhe, "lembra-te … do que tens recebido…". Ou seja, agora está tendo menos do que tinha recebido. Aos de Tiatira diz: "O que tens, isto retende-o", mas aos de Sardes diz: 'Espero que tenham mais do que têm'. Tem perdido as coisas que já tinham.
"…guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás a que hora virei sobre ti". Aqui ele menciona a sua vinda. Alguns, na vinda do Senhor, vão ser achados na condição de Sardes, o que Sardes representa na história da Igreja. Porque o Senhor vai cobrar de Sardes o que deu a Sardes, e vai pedir a Tiatira o que deu a Tiatira.
Às vezes nós discutimos acerca do assunto dos cinco talentos, dos de dois talentos, os de um talento, e dizemos: 'Mas, Senhor, como é que a uns vai dar cinco talentos, e a mim somente me dá dois. Eu teria dividido melhor as coisas, eu teria repartido melhor que você. Eu teria agarrado os cinco deste e os dois deste e o outro desse, e teria feito oito e teria repartido de dois em dois, todos iguais. Não é verdade que somos iguais?'.
Mas o Senhor não entra nesse joguinho. Ele é a cabeça do Corpo; ele reparte como ele quer. Ao que dá cinco, lhe dá cinco, e não podemos lhe dizer que o de cinco só vai responder por dois, como tampouco podemos esperar que ao que lhe deu dois responda por cinco. Ao que lhe deu cinco, vai pedir-lhe conta por cinco; ao que lhe deu dois, vai pedir-lhe conta por dois; ao que lhe deu um, vai pedir-lhe conta por um. Ele não vai pedir conta a ti como pede a outro irmão, nem vai pedir a outro irmão como pede a ti. Você não sabe o que Deus vai pedir a outro irmão.
"O que a ti?"
Você ocupe-se com você. Que não aconteça a você o que aconteceu com Simão Pedro, que estava tão interessado colocando o nariz na relação do Senhor com João, que o Senhor teve que lhe dizer: "E a ti, o que te importa, Pedro? E a ti, o que te importa? O que a ti? Você, siga-me; não coloque o nariz onde não tem sido chamado. Você, siga-me. A minha relação com João, é com João. Não vou tratar contigo igual, nem você tem que se meter muito em minha relação com João. Eu sei o que dou a João, e o que vou pedir a João. Mas você é Pedro, você não é João. Você faça o melhor que sabe; mas não te metas com João. Eu me meto com João.
"Quem é você, que julgas o servo alheio? Para seu próprio Senhor está em pé ou cai, mas poderoso é o Senhor para o firmar" a qualquer irmão. Não julguemos antes do tempo, porque os seus irmãos não vão ser julgados segundo os seus paradigmas; mas você, sim. Você sim vai ser julgado com o juízo com que você julga; você sim vai ser medido com a medida com que você mede, mas não os seus irmãos. Você.
A Filadélfia
Então, aqui, o Senhor fala agora de sua vinda também a Filadélfia. "Porquanto guardaste a palavra da minha paciência…". Para interpretar bem este verso, temos que ir a todas as outras ocasiões quando o Senhor fala da palavra da sua paciência. A palavra da perseverança, assim como no discurso escatológico do Senhor lá no monte, dois dias antes da páscoa, que está registrado em uma parte em Mateus 24 e 25, outra parte em Marcos 13 e 14, outra parte em Lucas, que citou um pedacinho no 17 e outro no 21, porque ele citou o segundo tema, não cronologicamente. E você tem que reconstruir aquele discurso completo, escatológico, aquele pequeno Apocalipse do Senhor Jesus, e ver o que ele ensinou.
Ali é quando aparece pela primeira vez nas palavras do Senhor Jesus este assunto da palavra da perseverança: "…aquele que perseverar até o fim, este será salvo". E diz: "Quando virem no lugar santo a abominação desoladora de que falou o profeta Daniel … então os que estiverem na Judéia, fujam para os montes ... Mas o que perseverar até o fim…". E esse é o contexto desta frase.
E essa mesma frase aparece lá em Apocalipse 14, quando diz o Senhor, depois de ter falado desses três anjos que levam a sua mensagem a respeito da Babilônia, e dos que recebem a marca da besta, e que não terão repouso nem de dia nem de noite os que adoram à besta e recebem a sua imagem e a sua marca. Diz: "Aqui está a paciência dos santos". Esse é o contexto da palavra da perseverança.
E diz: "Porquanto guardaste a palavra da minha paciência -que é outra tradução, mas no grego é o mesmo-, eu também te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para provar os que habitam sobre a terra. Eis que venho sem demora; guarda o que tens" - assim como disse a Tiatira.
Certamente, o que os de Tiatira têm é diferente do que têm os de Filadélfia. Os de Filadélfia têm muito mais; mas o Senhor não imporá outra carga a Tiatira. Mas espera que os de Filadélfia retenham também o que têm, "…para que ninguém tome a tua coroa". E então menciona ao vencedor: "Ao que vencer…", e depois, às igrejas.
A Laodicéia
Já, na mensagem a Laodicéia, está implicada a vinda do Senhor em três passagens. Primeiro no verso 14, quando diz: "Eis aqui o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto". Quando o Senhor diz aqui "o Amém", o Amém é o que termina, o Amém é o ponto final. Ele é o princípio e ele é o fim, o primeiro e o último. Então, na palavra "o Amém" está implicado a conclusão, ou seja, a vinda do Senhor.
Logo, diz também desta maneira: "Eis que, eu estou à porta e chamo". Essa frase pode ter uma tripla leitura. Pode ter uma leitura cristológica, de relação pessoal com cada filho de Deus durante a sua vida. "Eu estou à porta e chamo". Também pode ter um sentido eclesiológico: Está falando com a igreja de que o têm fora; a igreja está realizando coisas sem tê-lo em conta, a direção própria e direta do Espírito do Senhor.
Mas também esta frase pode ser entendida de forma cristológica, eclesiológica e escatologicamente. Pode haver uma terceira leitura desta palavra, "Eu estou à porta…". Porque certamente ele, todos os dias, está à porta, e também, da igreja, ele está à porta; mas também a sua vinda está à porta. Então, sem necessidade de pôr uma interpretação ou combater a outra, as três são válidas.
A leitura escatológica também nos permite entender como uma sugestão da segunda vinda de Cristo à igreja em Laodicéia, quando lhe diz: "Estou à porta e chamo; se alguém ouve a minha voz e abre a porta, entrarei a ele, e cearei com ele, e ele comigo". Essa ceia pode ser durante a nossa vida, mas pode ser a ceia das bodas do Cordeiro. Também há uma leitura escatológica válida para aqui.
E no verso 21, quando diz: "Ao que vencer, lhe darei…". Aí está implicada a vinda do Senhor, porque ele dá o seu galardão em sua vinda. "Eis que, cedo venho, e meu galardão comigo, para dar a cada um segundo as suas obras". Ou seja, que, na vinda do Senhor, ele galardoará o seu povo.
Então, podemos dizer que a segunda vinda do Senhor está inserida na mensagem a Laodicéia. Muito mais está quando nos damos conta de que é a sétima igreja. E isto temos que ler no contexto da profecia, porque todo o Apocalipse é uma profecia, esta igreja está nos revelando as pessoas cristãs dos últimos tempos.
"Ao que vencer, lhe darei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me sentei com meu Pai em seu trono". Então, quando o Senhor vier, ele vai encontrar irmãos na situação de Laodicéia. Alguns, vencedores; oxalá fossem todos. Alguns vão ser encontrados na situação de Filadélfia. Alguns, vencedores; oxalá todos.
Alguns vão ser achados na situação de Sardes, como hoje na cristandade há pessoas que têm uma constituição católica romano, outras pessoas têm uma constituição protestante, outras têm uma constituição da visão da Igreja, e outros tem se deslizado para a contemporização dos tempos laodizaicos finais.
Uma ilustração de exame segundo o paradigma
Permitam-me fazer uma ilustração. Não vou fazer doutrina desta ilustração; só é uma ilustração. A doutrina é a da palavra de Deus, a de Cristo e dos apóstolos. Existe a doutrina de Cristo, e a dos apóstolos, e a da igreja. Claro que na vida e na verdade. Vou dar uma ilustração:
Eu escutei isto das minhas três filhas: Elizabeth, Diana Patrícia e Salomé, que estudavam no mesmo colégio. Chegou ali uma senhora. A diretora do colégio permitiu a esta senhora, católica, que teve uma experiência de morte clínica, contar o seu testemunho no colégio.
Ela era uma doutora nas coisas seculares, e era de tradição católica, mas só de tradição. Ela estudava não sei o que na Universidade Nacional, ali perto de casa.
E enquanto ela falava por telefone celular, um raio ou relâmpago deu um golpe na pobre senhora, que ficou em coma; foi chamuscada, mas não morreu; estava quase morta, ou seja, entre a vida e a morte. E essa senhora se encontrou do outro lado; esse era o testemunho que ela contou, que estava como entre o céu e o inferno. Ou o paraíso e o Hades, vamos dizer. E um anjo a sustentava para que não fosse para baixo, mas tampouco podia ir para cima.
Ela via que sua mãe estava como no paraíso, pedindo a Deus: 'Ai Senhor, tenha misericórdia dela, que ela não se vá para o inferno. E no Hades ela via o seu pai, que já tinha morrido; o pai e a mãe já tinham morrido. E o pai estava ali: 'Ai, que a minha filha não venha para este lugar'. Ela via os dois, e ela estava no meio. E aí, nessa hora, pois, todo o seu doutorado não lhe serviu de nada, e a única coisa que lembrava era que era católica.
Então, começou a gritar ao anjo, como para salvar-se: 'Eu sou católica!'. Aí se lembrou que era católica. 'Eu sou católica!'. Isso era a única coisa que podia responder, que era católica. 'Eu sou católica. Como vão me mandar para o inferno!'. Então, o anjo lhe perguntou: 'Bom, se és católica, conhece os dez mandamentos?' Isso foi o que o anjo lhe perguntou. 'Conhece os dez mandamentos?'. E esta doutora não se lembrava dos dez mandamentos.
Ela não se lembrava dos dez mandamentos, e aí se lembrou da síntese. E disse: 'Ah, sim, sim, sim', como se fora uma fórmula mágica para ir para o céu. Os seus paradigmas. 'Ah, sim, sim, sim. Amarás a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo. Lembrei-me, pelo menos da síntese!'. E então o anjo lhe disse: 'E você, tem amado a Deus sobre todas as coisas?'. Agora mudou a coisa: Não era repetir de cor. E aí se deu conta de que não.
E o anjo lhe fez a segunda pergunta. Só lhe fez duas perguntas. 'E amaste ao próximo como a ti mesma?'. E ela se deu conta de que também não. O anjo não lhe perguntou se tinha lido a Watchman Nee nem a Austin-Sparks. Nada disso. Não lhe ia perguntar isso. Pode ser que a nós sim. 'Você leu a Austin-Sparks, é?'. Mas a ela não. Disse-lhe se sabia os dez mandamentos, e esta doutora não sabia. Só a síntese. E lhe perguntou pelo que sabia. E lhe disse: 'Você deveria ir lá onde está o seu pai; mas Deus lhe deu uma segunda oportunidade, porque vejo esse velhinho lá…'.
Havia um velhinho em Valledupar, que tinha ido comprar um doce de cana em uma venda. E o embrulharam em uma folha de jornal onde contavam o caso dessa senhora que caiu um raio e estava em coma. E este camponês, que era crente, levou o doce para casa, tirou o jornal, começou a lê-lo, e viu esta notícia. E ele começou a interceder a Deus por essa pobre senhora que estava em coma, entre a vida e a morte.
Deus ouviu a oração desse velhinho, que ela nem conhecia. E o anjo lhe disse: 'Vê esse ancião lá, esse camponês, ele esteve orando por ti, e Deus te dará uma segunda oportunidade'. E tornou para a vida, e começou a contar o seu testemunho nos colégios de Bogotá, e minhas filhas escutaram.
Essa é uma ilustração, irmãos, de que Deus te julgará com o juízo com que você julga.
Misericórdia e juízo
"Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia". Mas, ai dos que não têm misericórdia! Porque não se terá deles.
A misericórdia triunfa sobre o juízo. Com o juízo com que você julga você será julgado. Ninguém será julgado com o seu juízo, senão você; ninguém será medido pelo seu paradigma, senão você. Cada um será julgado com o juízo com que julgou e medido com a medida com que mediu.
Quando o Senhor vier, encontrará muitos filhos de Deus em diferentes situações. Se aprendermos estas coisas, Deus nos ajudará a andarmos melhor no meio do povo de Deus, e a tratar às pessoas com mais misericórdia, para que nós mesmos não sejamos julgados. Porque o Senhor, depois que terminar de corrigir ao outro, iniciará contigo.
Babilônia pensava que era melhor, porque estava dando uma surra em Israel? Não, era a hora de Israel; mas depois chegou a hora da Babilônia. E depois chegou a hora da Pérsia, e depois chegou a hora da Grécia, e depois de Roma. Aqui na Colômbia, os conservadores tiveram a sua hora, e em seguida os liberais, em seguida os guerrilheiros, em seguida os paramilitares. Agora quem vai atrever-se a fazer algo. Porque nós pensamos: 'Bom, nós somos os corregedores dos outros'. E depois chegam os nossos, e em seguida chegam os seus.
Então, irmãos, caminhemos com cuidado, para que não façamos mal, e para que a edificação prospere.
Síntese de uma mensagem ministrada no Retiro de Sasaima (Colômbia), em Julho de 2008.

Gino Iafrancesco

domingo, 5 de julho de 2009

ADORAÇÃO

Uma das falácias mais solene e destruidora de almas nestes dias é a idéia de que almas não-regeneradas são capazes de adorar a Deus. Provavelmente a razão maior pela qual este erro tem ganho tanto espaço deve-se à imensa ignorância espalhada acerca da
NATUREZA REAL DA VERDADEIRA ADORAÇÃO
As pessoas imaginam que, se elas freqüentarem um culto religioso, forem reverentes em seu comportamento, participarem do período de hinos, ouvirem respeitosamente o pregador, e contribuirem com ofertas, então realmente adoraram a Deus. Pobres almas iludidas... um engano que é levado adiante pelo falso-profeta e explorador do dia. Contra toda esta ilusão, temos as palavras de Cristo em João 4.24, que são surpreendentes em seu caráter restritivo e pungente: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
A VAIDADE DA FALSA ADORAÇÃO
“Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Marcos 7.6,7). Estas palavras solenes foram ditas pelo Senhor Jesus aos escribas e fariseus. Eles vieram a Ele com a acusação de que Seus discípulos não se conformavam às suas tradições e práticas em relação à pureza e lavagens cerimoniais. Em Sua resposta, Cristo expôs a inutilidade da religião deles...
Estes escribas e fariseus estavam levantando a questão do “lavar de mãos” cerimonial, enquanto seus corações permaneciam sujos perante Deus. Oh, querido leitor, as tradições dos antigos podem ser diligentemente seguidas, suas ordenanças religiosas observadas estritamente, suas doutrinas devocionalmente guardadas, e ainda assim a consciência jamais foi sondada na presença de Deus quanto a questão do pecado. O fato é que a religião é uma das maiores obstruções para a verdade de Deus abençoar as almas dos homens.
A verdade de Deus nos leva a um nível em que Deus e o homem são tão distantes quanto o pecado é da santidade: portanto, a primeira grande necessidade do homem é purificação e reconciliação. Mas a “religião” atua na suposição de que a depravação e culpa humanas podem ter relacionamento com Deus, podem aproximar-se dEle, e mais, adorá-lO e serví-lO. Por todo o mundo, a religião humana é baseada na falácia de que o homem pecador e caído pode ter um relacionamento com Deus. A religião é um dos principais meios usados por Satanás para cegar a humanidade quanto à sua verdadeira e terrível condição. É o anestésico do diabo para fazer pecadores perdidos sentirem-se confortáveis e tranqüilos em seu vil afastamento de Deus. A religião esconde deles Deus em Seu verdadeiro caráter – um Deus santo que é “tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar” (Hb 1.13).
Teremos muito esclarecimento em relação a este ponto de nosso assunto se considerarmos atentamente o abominável incidente registrado em Mateus 4.8,9: “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. O diabo busca adoração. Quão poucos na cristandade estão alertas quanto a isto, ou percebem que as principais atividades do inimigo se mantêm na esfera religiosa!
Escute o testemunho de Deuteronômio 32.17 – ”Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram”. Isto se refere a Israel em seus primeiros dias de apostasia. Escute agora 1 Coríntios 10.20 “Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus”. Que luz isto nos lança sobre a idolatria e abominações do paganismo! Ouça mais uma vez 2 Coríntios 4.4 “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Isto significa que Satanás é o inspirador e dirigente da religião do mundo. Sim, ele busca adoração, e é o promotor principal de toda falsa adoração.
A EXCLUSIVIDADE DA VERDADEIRA ADORAÇÃO
“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4.24). Este “importa” é definitivo; não existe alternativa, não há escolha neste assunto. Não é a primeira vez que temos esta palavra profundamente enfática no Evangelho de João. Existem dois versículos notáveis em que isto ocorre anteriormente. “Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3.7). “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado” (João 3.14). Cada uma dessas três “necessidades” é igualmente importante e inequívoca. (N.T.: Em inglês a palavra sempre é “must”).
A primeira passagem faz referência a Deus Espírito, pois é Ele quem regenera. A segunda refere-se à obra de Deus Filho, pois foi Ele quem fez a expiação pelo pecado. A terceira faz referência a Deus Pai, pois é Ele quem procura adoradores (João 4.23). Esta estrutura não pode ser alterada: apenas aqueles que nasceram do Espírito, que repousam sob a obra expiatória de Cristo, que podem adorar o Pai.
Citando novamente as palavras de Cristo à religiosidade de Seus dias, “Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram” (Marcos 7.6,7); Ah, meu leitor, o mundano pode ser um filantropo generoso, um religioso sincero, um denominacionalista zeloso, um membro de igreja devoto, um assíduo participante da comunhão, ainda assim ele não é mais capaz de adorar a Deus que um mudo é de cantar. Caim tentou e falhou. Ele não foi irreligioso. Ele “trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR.” (Gênesis 4.3), mas “Mas para Caim e para a sua oferta [Deus] não atentou”. Por quê? Porque ele se recusou a aceitar sua condição incapaz e sua necessidade de um sacrifício expiatório.
Para se adorar a Deus, Deus deve ser conhecido: e Ele não pode ser conhecido a não ser por Cristo. Muito pode ser ensinado e crido sobre um “Deus” teórico ou teológico, mas Ele não pode ser conhecido à parte deo Senhor Jesus. Ele disse “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14.6). Portanto, é uma crença artificial pecaminosa, uma ilusão fatal, uma farsa maligna, levar pessoas não-regeneradas a imaginarem que elas podem adorar a Deus. Enquanto o pecador permanece longe de Cristo, ele é “inimigo” de Deus, um filho da ira. Como então poderia ele adorar a Deus? Enquanto permanece em seu estado não-regenerado ele está “morto em seus pecados e delitos”. Como, então, ele pode adorar a Deus?
O que foi dito acima é quase universalmente repudiado hoje, e repudiado em nome da Religião. E, repetimos, religião é o principal instrumento usado pelo diabo para enganar almas, ao insistir – não importa que seja a “religião budista” ou a “religião cristã” – que o homem, ainda em seus pecados, pode manter um relacionamento e aproximar-se do Deus três vezes santo. Negar essa idéia é provocar a hostilidade e ser censurado a ponto de ser uma oposição a todos os meros religiosos. Sim, isto foi muito do que levou Cristo a ser odiado impiedosamente pelos religiosos de Seus dias. Ele refutou suas afirmações, expôs sua hipocrisia, e então provocou seu ódio.
Aos “príncipes dos sacedotes e anciões do povo” (Mateus 21.23), Cristo disse “os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus” (Mateus 21.31) e no final de seu discurso é dito que estavam “pretendendo prendê-lo” (v. 46). Eles atentaram para coisas externas, mas seu estado interno foi negligenciado. E por que os “publicanos e fariseus” entraram no reino de Deus adiante deles? Porque nenhuma pretensão religiosa obstruiu seu caminho; eles não tinham uma profissão de justiça própria para manter a qualquer custo, nem uma reputação piedosa para zelar. Pela pregação da Palavra, foram convencidos de seu estado de perdição, então colocaram-se no devido lugar diante de Deus e foram salvos. Algo que só pode acontecer com adoradores
A NATUREZA DA VERDADEIRA ADORAÇÃO
“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24). Adorar “em espírito” contrastava com os ritos humanos e cerimônias impostas do Judaísmo. Adorar “em verdade” se opunha às superstições e ilusões idólatras dos perdidos. Adorar a Deus “em espírito e em verdade” quer dizer adorar de uma maneira apropriada para a revelação plena e final que Deus fez de Si mesmo em Cristo. Significa adorar espiritualmente e verdadeiramente. Significa dar a Ele o louvor proveniente de um entendimento iluminado e o amor de um coração regenerado.
Adorar “em espírito e em verdade” se opõe à adoração carnal que é externa e espetacular. Exclui toda adoração a Deus com os sentidos. Nós não podemos adorá-lO, que é “Espírito”, observando uma arquitetura linda e janelas de vitrais, ouvindo as notas de um órgão caro ou sentindo o aroma doce de incenso. Nós não podemos adorar a Deus com nossos olhos e ouvidos, ou nariz e mãos, porque eles são “carne” e não “espírito”. “Importa que adorem em espírito e em verdade” exclui tudo aquilo que é do homem natural.
Adorar “em espírito e em verdade” exclui toda adoração emocional. A alma é o centro das emoções, e muitas das supostas adorações do Cristianismo atual são apenas emocionais. Anedotas tocantes, apelos entusiastas, oratória comovente de uma personalidade religiosa, tudo é calculado para produzir isto. Hinos lindos cantados por um coro bem ensaiado, trabalhados de uma forma que nos leva às lágrimas ou a êxtases de alegria. Isto pode excitar a alma, mas não pode, nem jamais afetará o homem interior.
A verdadeira adoração é a adoração de um povo redimido, unido ao próprio Deus. Os não-regenerados entendem “adoração” como uma observância daquilo que Deus requer deles, e que não dá a eles nenhuma alegria como eles procuram demonstrar. Muito diferente disto é o que acontece com aqueles que nasceram do alto e foram redimidos pelo sangue precioso. A primeira vez que a palavra “redimido” ocorre na Escritura é em Êxodo 15 , e é lá também, pela primeira vez, que vemos um povo cantando, adorando e glorificando a Deus. Lá, às margens do Mar Vermelho, esta Nação que foi tirada da casa da servidão e liberta de todos os seus inimigos une-se em louvor a Jeová. (N.T.: Na maioria das versões em português, a palavra em Êxodo 15 é “libertado”; a NVI se aproxima mais ao usar “resgatado”).
“Adoração” é a nova natureza no crente levando-o à ação, voltando-se à sua divina e prazeroza Origem. É aquilo que é “espírito” (João 3.6) voltando-se a Ele, que é “Espírito”. É aquilo que é “feitura” de Cristo (Efésios 2.10) voltando-se a Ele, que nos recriou. São os filhos, de forma espontânea e grata, voltando-se em amor a seu Pai. É o novo coração gritando “Graças a Deus pelo seu dom inefável!” (2 Coríntios 9.15). São os pecadores, purificados pelo sangue, exclamando “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1.3). Isto é adoração; assegurada de nossa aceitação no Amado, adorando a Deus porque Ele fez Cristo estar em nós, e porque Ele fez nós estarmos em Cristo.
É digno de nossa atenção especial observar que a única vez em que o Senhor Jesus chegou a falar sobre o assunto da Adoração foi em João 4. Mateus 4.9 e Marcos 7.6,7 são citações do Antigo Testamento. Isto certamente tocará nossos corações se percebermos que a única ocasião em que Cristo fez alguma observação direta e pessoa quanto à adoração foi quando Ele conversava, não com um homem religioso como Nicodemos, ou mesmo com Seus apóstolos, mas com uma mulher, uma adúltera, uma Samaritana, uma quase pagã! Verdadeiramente os caminhos de Deus são diferentes dos nossos.
A esta pobre mulher nosso Senhor bendito declarou “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4.23). E como o Pai “procura” adoradores? O contexto inteiro não nos dá a resposta? No início do capítulo, o Filho de Deus inicia uma jornada (vv. 3 e 4). Seu objetivo era buscar uma de Suas ovelhas perdidas, revelar-Se a uma alma que não O conhecia, livrar a mulher dos desejos da carne, e encher seu coração com Sua graça suficiente, e isto, para que ela pudesse encontrar a infinitude do amor divino e dar, em retorno, este louvor e adoração que apenas um pecador salvo pode dar.
Quem pode não perceber que, na jornada que Ele tomou a Sicar com o objetivo de encontrar esta alma desolada e ganhá-la para Si próprio, temos uma bendita sombra da jornada ainda maior que o Filho de Deus tomou – deixar a paz, o gozo e a luz dos céus, descer a este mundo de conflito, escuridão e desventura. Ele veio aqui procurar pecadores, não apenas salvá-los do pecado e da morte, mas concedê-los beber e deleitar-se com o amor de Deus como nenhum anjo pôde prová-lo; que, de corações transbordantes com a consciência de sua dívida com o Salvador, e a gratidão ao Pai por ter entregue Seu Filho amado a eles, ao perceber e aceitar Sua excelência suprema, possam expressar-se diante dEle como aroma suave de louvor. Isto é adoração, e o reconhecimento do amor irresistível de Deus e o sangue redentor de Cristo são a causa disto.
Uma dos mais abençoados e belos exemplos registrados no Novo Testamento do que a adoração é se encontra em João 12.2,3. “Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento”. Como alguém já disse, “ela não veio ouvir um sermão, apesar do Príncipe dos Pregadores estar ali. Sentar-se aos Seus pés e ouvir Sua palavra não era naquele momento seu objetivo, não importa quão abençoador isto seja em sua devida circunstância. Ela não veio para encontrar os santos, entretanto preciosos santos estavam ali; nem a comunhão com eles; mesmo sendo uma benção, naquele instante não era seu objetivo. Ela não procurou, depois de uma semana de trabalho, por descanso; mesmo sabendo bem dos abençoados campos de descanso que havia nEle. Não, ela veio para pôr diante dEle aquilo que ela tinha ajuntado por tanto tempo, aquilo que era a mais valiosa de suas posses terrenas. Ela não pensou como Simão, o leproso, sentado agora como um homem limpo; ela foi além ds apóstolos; e, então, também, de Marta e Lázaro, irmã e irmão na carne e em Cristo. O Senhor Jesus preencheu seus pensamentos: Ele havia ganho o coração de Maria e agora tomou todos os seus sentimentos. Ela não tinha olhos para ninguém além dEe. Adoração e homenagem eram, naquele momento, seu único pensamento – extravasar a devoção de seu coração diante dEle”. Isto é adoração.
O assunto da adoração é muito importante, ainda asim é um dos temas que temos as idéias mais vagas. Lemos em Mateus 2 que os magos levavam seus “tesouros” para presentear a Cristo (v. 11). Eles deram ofertas caras. Isto é adoração. Não é vir para receber dEle, mas render-se diante dEle. É a expressão de amor do coração. Oh, que possamos trazer ao Salvador “ouro, incenso e mirra”, isto é, adorá-lO por causa de Sua glória divina, Sua perfeição moral e Sua morte de aroma suave...
O alvo da adoração é Deus; e o inspirador da adoração é Deus. Só pode satisfazer a Deus aquilo Ele tenha por Si mesmo produzido. “SENHOR... tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” (Isaías 26.13). É somente quando o Cordeiro é exaltado no poder do Espírito que os santos ão levados a cantar “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46,47). A ausência generalizada e concupiscente desta adoração que é “em espírito e em verdade” deve-se a uma ordem de coisas sobre as quais o Espírito de Deus não guia, onde o mundo, a carne e o diabo têm toda liberdade. Mas mesmo em círculos onde o mundanismo, em suas formas mais vis, nao é tolerado, e em que a ortodoxia é tolerada, e onde a ortodoxia ainda é preservada, existe, quase sempre, uma notável ausência desta unção, esta liberdade, esta alegria, que são inseparáveis do espírito da verdadeira adoração. Por que isto acontece? Por que em algumas igrejas, grupos familiares, uniões masculinas, onde a mensagem da Palavra de Deus é ministrada, nós agora mui raramente encontramos este transbordar do coração, estes manifestações espontâneas de adoração, estes “sacrifícios de louvor”, que deveriam ser achados entre o povo de Deus? Ah, a resposta é difícil de encontrar? É porque há um espírito entristecido neste meio. Esta, meus amigos, é a razão pela qual hoje existem tão poucos ministérios de Cristo vivos, confortadores e que produzem adoração.
OBSTÁCULOS À ADORAÇÃO
O que é adoração? Louvor? Sim, e mais; é um amor fluindo de um coração que está completamente seguro da excelência dAquele diante de quem o coração ajoelha-se, expressando sua mais profunda gratidão por Seu dom inefável. Aqui está claramente algo que é o primeiro obstáculo à adoração de um filho de Deus – a falta de segurança. Quanto mais eu retenho dúvidas quanto à minha aceitação em Cristo, mais eu permanecerei em um estado de incerteza em relação à expiação por meus pecados no Calvário. É impossível que eu, realmente, adore e louve a Ele por Sua morte por mim; certamente não poderei dizer “eu sou do meu Amado e Ele é meu”. É uma das ferramentas favoritas do inimigo para manter os cristãos no “Cativeiro da Rejeição”, já que seu objetivo é que Cristo não receba dos cristãos a honra de seus corações...
Outro grande obstáculo à adoração é a falha em julgar a nós mesmos pela Sagrada Palavra de Deus. Os sacerdotes de Israel não podiam ir de qualquer jeito até o altar de bronze no átrio exterior do tabernáculo. Era necessário cuidar que, antes que entrassem no Santo Lugar, para queimar o incenso, eles se lavassem na pia. Aproximar-se da pia de bronze nos fala do rigoroso julgamento do crente sobre si mesmo (cf. 1 Coríntios 11.31). O uso de sua água aponta para a aplicação da Palavra a todos os nosso atos e caminhos.
Agora, assim como os filhos de Arão estavam debaixo de pena de morte (Exôdo 30.20) se não se lavassem na pia antes de entrarem no Santo Lugar para queimar incenso, também o cristão hoje deve ter as impurezas do caminho removidas antes que ele possa aproximar apropriadamente de Deus como um adorarador. Falhar neste ponto leva à morte, isto é, eu continuo sob o poder contaminador das coisas mortas. As impurezas do caminho são resultado de minha caminhada através de um mundo de “separados da vida de Deus” (Efésios 4.18). Se isto não for removido, então eu continuo debaixo do poder da morte num sentido espiritual, e a adoração se torna impossível. Isto nos é demonstrado plenamente em João 13, em que o Senhor diz a Pedro “Se eu te não lavar, não tens parte comigo”. Quantos são os cristãos que, ao falharem em não colocar seus pés nas mãos de Cristo para limpeza, são impedidos de exercer suas funções e privilégios sacerdotais.
Um outro obstáculo fatal à adoração precisa ser mencionado, e este é o Mundanismo, que signifca as coisas do mundo obtendo lugar nos desejos do cristão, seus caminhos tornando-se “conformados com este mundo” (Romanos 12.2). Um exemplo disto é encontrado na história de Abraão. Quando Deus o chamou para deixar a Caldéia e ir para Canaã, ele abriu uma concessão: foi apenas até Harã (Gênesis 11.31, Atos 7.4) e habitou ali. Harã foi uma casa à meio-caminho, uma área inóspita entre ela e as bordas de Canaã. Mais tarde Abraão atendeu completamente ao chamado de Deus e entrou em Canaã, e “edificou ali um altar (algo que fala de adoração) ao SENHOR” (Gênesis 12.7). Mas não existe menção alguma de ele contruir qualquer “altar” durante os anos em que viveu em Harã! Oh, quantos filhos de Deus hoje estão comprometidos, habitando numa casa no meio do caminho, e como conseqüência, eles não são adoradores. Oh, que o Espírito de Deus possa trabalhar de tal forma sobre e dentro de nós que o idioma das nossas vidas, assim como dos nossos corações e lábios, possa ser “Digno é o Cordeiro” – digno de uma consagração do coração por completo, digno de uma devoção imensa, digno deste amor que é manifestado por guardar Seus mandamentos, digno de uma adoração verdadeira. Que seja assim, por amor de Seu nome.

Por Arthur W. Pink

quinta-feira, 2 de julho de 2009

SANSÃO – O SEGREDO DA VIDA DE CONSAGRAÇÃO

INTRODUÇÃO

Sansão teve um chamamento muito sublime, como Samuel, como João Batista, mas o final da sua vida foi tão diferente. Por que DEUS coloca a história de Sansão na Bíblia? Por que a história dele é contada com tantos detalhes tão elaborados? Quando olhamos o final do ministério de Sansão, não dá para negar que ficamos um pouco desapontados. Ele morre cego no meio dos seus inimigos. Sansão havia sido levantado para ser um juiz de DEUS, mas nós vamos ver que lá no final de sua vida, o povo de DEUS continuava tão cativo quanto no início de sua vida.
A história de Sansão nos mostra de forma sublime como DEUS levanta um homem comum, mas com um chamamento tão glorioso para sustentar seu testemunho entre Seu povo. Israel havia negligenciado sua vocação, e, portanto agora, DEUS vai usar este homem de forma surpreendente para lembrar Seu povo de que eles foram chamados segundo o propósito de DEUS.
A vida e o ministério de Sansão nos ensinam acerca de quatro princípios que jamais poderemos esquecer: primeiro, nossa vocação celeste; segundo nosso chamamento para sustentar o testemunho de DEUS, isto é Seu direito aqui nessa terra; terceiro, a consagração como fonte do nosso poder espiritual, e quarto, o propósito eterno de DEUS, porque todos esses itens: vocação, chamamento e consagração estão inseridos no propósito eterno de DEUS para conosco. Jamais iremos compreender todos estes itens se não conhecermos o que é o propósito eterno de DEUS.
Na vida de Sansão pode aprender duas lições bem práticas que tocam nossa vida cristã: 1) O poder de DEUS demonstrado de maneira impressionante; 2) A influência sedutora que o mundo exerce sobre os santos com a finalidade de lhes roubar a consagração.


A ESTRUTUTA DO LIVRO

Existem alguns pontos que não podemos ignorar quando estudamos a vida de Sansão. A expressão “o Anjo do SENHOR” fala-nos das aparições Teofânicas do SENHOR JESUS no Antigo Testamento. Em todo Antigo Testamento, ocorre 73 vezes. No livro de Juizes são 16 vezes. Na história de Sansão são 6 vezes. Creio que isso nos mostra de forma evidente, o quanto para DEUS toda foi importante todos os episódios que envolveram a vida desse homem. Espiritualmente falando, o ESPÍRITO SANTO nos deu a história de Sansão como uma escola onde podemos aprender sobre a importância da nossa vocação celeste, o significado do nosso chamamento, o peso de glória que há em nossa vida de consagração e a dimensão do propósito eterno de DEUS.
A história de Sansão é contada nos capítulos 13 a 16 do livro de Juízes. O Espírito do SENHOR deixou uma espécie de estrutura ali. Vamos ver essa estrutura aqui:

Capítulo 13 – Vocação, chamamento e consagração:
Ä Nascimento de Sansão. Seu nascimento foi um milagre; assim como Ana a mãe de Samuel e Isabel mãe de João Batista, todas elas eram estéreis. Temos que estudar a vida de Sansão e ver o que há de coincidência entre ele, Samuel e João Batista.
Ä O chamamento dele para ser um nazireu de DEUS. Diferentemente de outros nazireus que eram temporários, o nazireado de Sansão era para vida toda. Da mesma forma nós também fomos “escolhido em CRISTO, antes da fundação do mundo, para sermos santos (condição interior) e irrepreensíveis (condição exterior) perante Ele...” – (Ef 1.4,5).
Ä O chamamento dele para trazer libertação ao povo de Israel, e o início do ministério dele, quando diz que o ESPÍRITO do SENHOR começou a movê-lo. Todo poder e capacidade de Sansão não era natural em sua vida, e sim que o ESPÍRITO SANTO que o impelia a fazer coisas extraordinárias.

Capítulos 14 e 15 - o segredo da força daquele que é consagrado a DEUS. Nesses capítulos há uma série de eventos nos quais a força de Sansão é mostrada. É fácil guardarmos essa estrutura se considerarmos três pares de eventos:
1.Sansão mata um leão/ Sansão mata 30 filisteus
2.Sansão queima os cereais dos filisteus, as vinhas das olivas; fere os filisteus com grande carnificina;
3.Sansão arrebenta aquelas cordas que o estavam amarrando; Sansão mata mil filisteus com uma queixada de jumentos.

Capítulo 16 pode ser resumido em três eventos:
1º.Sansão vai numa cidade dos filisteus, vê uma prostituta e fica com ela; depois ele sai da cidade.
2º.Sansão conhece Dalila e, por três vezes, Dalila tenta descobrir qual o segredo da sua força. Finalmente ela o trai e o entrega aos filisteus.
3º.A morte de Sansão.

Força e Fraqueza

Se lermos os capítulos 14 até 15.20, vamos perceber que certas coisas são enfatizadas ali. Eu resumiria numa só palavra: força. E quando lemos o capítulo 16, podemos resumi-lo também numa só palavra: fraqueza.


Qual a relação entre Sansão, Samuel e João Batista?

Na Bíblia encontramos dois homens que tiveram sua história de vida parecida com a de Sansão, esses homens foram Samuel e João Batista.
Samuel foi aquele profeta usado por DEUS para aquele período de transição, quando o povo de Israel ia passar da teocracia para a monarquia.
João Batista - foi o precursor de nosso SENHOR JESUS CRISTO. Como o resultado do ministério de João Batista, veio o nosso Rei, veio o nosso SENHOR JESUS CRISTO.
Há detalhes que precisamos conhecer sobre Samuel e João Batista. Quando Samuel exercia seu ministério, é importante sabermos que nesse tempo a arca da aliança não estava mais no tabernáculo, pois ela havia sido capturada pelos filisteus, os inimigos que Sansão na pôde vencer - (1 Sm 4.5-11,21). Aqui temos uma grande lição: a arca era um testemunho da glória de DEUS e da Sua presença. Podemos correr o risco de ministrar em nosso serviço ao SENHOR sem a presença do SENHOR. Porque Sansão foi leviano em sua vida de consagração, vemos mais tarde a glória de DEUS ser exposta a vergonha e ao opróbrio.
João Batista foi aquele profeta que profetizou e viu o cumprimento da sua profecia. Mais ainda, ele foi aquele que batizou o SENHOR JESUS. Quando ele O viu disse: “eis O Cordeiro de DEUS” - (Jo 1.29). A Bíblia diz que João Batista cumpriu seu ministério quando disse: “Mas, ao completar João a sua carreira, dizia: Não sou quem supondes; mas após mim vem aquele de cujos pés não sou digno de desatar as sandálias” – (At 13.25). Quando foi que ele disse isto? Ele disse isto um dia antes de batizar o SENHOR JESUS – (Jo 1.27-29). Quando o SENHOR JESUS vai até ele, ele declara: “Eis o Cordeiro de DEUS”. Naquele instante o Pai revelou quem era Seu Filho a João. Da mesma forma que ocorreu com Pedro a caminho do Monte Hermom em Mateus 16.17,17, aqui também, houve uma revelação do Pai a João. Um fato curioso no ministério de João Batista é que ele não se torna um seguidor do Cordeiro, e sim que ele paralelamente prossegue em seu ministério. Em Lucas 7.16 a 18, temos aquele episódio onde João Batista envia dois dos seus discípulos a perguntarem ao SENHOR JESUS se Ele era o Messias, ou eles ainda teriam que esperar outro. Essa dúvida de João nos mostra que em seu caminho paralelo ele não foi capaz de conhecer o SENHOR JESUS como O CRISTO. Seu ministério já havia terminado como profeta, porque a parti daquele momento DEUS falaria por meio do Seu Filho – (Hb 1.1-3). Há lições preciosas que tocam nossa vida de consagração nessa história de João Batista. Como é perigoso ter uma revelação de CRISTO e não segui-Lo. Diferentemente de João batista, Saulo de Tarso quando O encontrou naquela visão do caminho de Damasco, ele deixou tudo para segui-Lo. Aquela visão governou sua vida a ponto dele dizer: “eu não fui desobediente a visão celestial” – (At 26.19). Que solene advertência temos aqui para nossa vida cristã prática.
A conclusão que tenho desses três homens é que DEUS quer nos falar é que assim como Sansão, podemos viver a vida cristã levianamente, desprezando nossa consagração, trocando seu real valor por uma vida mundana; ou mesmo como Samuel, que embora tenha sido um fiel servo de DEUS, um homem de caráter e coragem, que mesmo em um tempo de profunda crise ministerial, foi fiel a DEUS; aquele que desempenhou com fidelidade sua consagração e preparou o caminho para o rei Davi; porém, no seu tempo o verdadeiro problema não era Saul, e sim que a arca de DEUS, não estava no tabernáculo. Quando você lê o Evangelho de Marcos no capítulo 9 e os verspiculos 14 a 28, voce vê aquele episódio daquele garoto que era possuido por um espirito imundo. O versículo 18 diz que aquele espírito malígno apanhava aquele garoto e o lançava por terra, e ele espumava, rilhava os dentes e ia se definhando. O pai disse aos SENHOR JESUS que rogou aos discípulos que o expelissem, e eles nada puderam fazer. Depois de dar uma severa repreensão, pediu que lhe trouxesse o garoto, e o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. O versículo 25 diz: “Vendo JESUS que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele”. Mais tarde, quando estava a sós com o SENHOR JESUS, já em casa os discípulos lhe perguntaram em particular: “Por que não pudemos nós expulsá-lo? 29 Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum” – (vv.28,29). Espiritualmente falando este episódio nos ensina que precisamos ter uma visão clara da nossa realidade espiritual. Ao ler essa passagem podemos ver a nossa real condição espiritual. Qual era a grande “casta” nos dias de Samuel? O tabernáculo sem a arca. Por mais que sejamos pessoas consagradas a DEUS, é vital que tenhamos discernimento dos poderes das trevas que nos cercam; ou mesmo, qual é o real problema que tenho q confrontar. Todo médico sabe que a única maneira de se erradicar uma doença não é tratando a conseqüência e sim a causa. Como João Batista, muitos de nós estamos em um caminho paralelo ao do nosso SENHOR JESUS. Preferimos seguir nossos conceitos e doutrinas. Nossa vontade sobrepuja a do SENHOR. Talvez isso explique pra você a questão da grande tragédia que vive a Igreja do SENHOR JESUS. Precisamos ser seguidores do Cordeiro aonde quer que Ele vá – (Ap 14.4).

A IMPORTÂNCIA DA CONSAGRAÇÃO COMO FONTE DE PODER ESPIRITUAL

Onde consiste nosso poder interior? Em nossa vida de consagração. Na história da vida de Sansão existe um princípio espiritual - A importância da vida de consagração a DEUS como a fonte do poder espiritual em nosso conflito com o mundo, a carne e o diabo.
Vamos estudar esse assunto na vida de Abraão. Quando estudamos a vida de Abraão podemos dividir toda vida de Abraão em 4 altares. O que é um altar? É um símbolo de adoração e consagração; um símbolo de uma vida espiritual consagrada a DEUS.


Consagração é andar com DEUS

Em Isaias 41.8 diz: “Abraão, meu amigo,”. Esta declaração de DEUS é impressionante. Como isto se tornou possível na vida de Abraão? Para compreendermos isto é necessário estudarmos os 4 altares que marcaram a vida deste homem e como esses altares são para nós uma escola onde aprendemos sobre a essência do que é a verdadeira vida espiritual de consagração a DEUS. Esses altares na vida de Abraão explicam como é possível chegar a este nível de experiência com DEUS.
Durante a vida de fé de Abraão nós constatamos a edificação de 4 altares, erguidos no processo de sua jornada interior de conhecimento de DEUS e amizade com Ele. Cada um desses altares aponta para um aspecto do trabalho da cruz em nossas almas, ampliando nossa consagração, ou seja, o nosso relacionamento com DEUS e nossa verdadeira espiritualidade.


O altar no V. T., é uma figura da cruz no N. T.

O nosso SENHOR JESUS CRISTO e a cruz são inseparáveis. Sem a cruz CRISTO não é CRISTO, Ele não pode salvar-nos. A cruz, mais do que um simples objeto de tortura para alguns, ou um simples objeto de adorno para outros, define a própria natureza de CRISTO! E quanto a nós? Um cristianismo sem cruz não é cristianismo de forma alguma, mas uma pobre imitação da doutrina de CRISTO. Uma vida cristã sem cruz não é vida cristã de forma alguma, mas apenas um “ego” adornado com os ensinos de CRISTO! Nós necessitamos da cruz tratando profundamente conosco, para que possamos ser homens e mulheres espirituais, vivendo vidas espirituais e andando com DEUS.

Os 4 altares

1º.Siquém - Gn 12.6-7 = altar da revelação. Podemos chamá-lo de altar da revelação. DEUS revelou-se ali a Abraão: “Apareceu o SENHOR a Abraão”. Precisamos saber que a cruz e a revelação andam juntas. Na medida em que a cruz trata conosco, é que teremos genuína revelação de quem DEUS é de quem nós somos, do que a Igreja é e, do que o mundo é. Carecemos da visão real destas 4 coisas para que vivamos uma vida que seja verdadeiramente espiritual!

2º.Entre Ai e Bethel - Gn 12.8 = Podemos chamá-lo de altar da separação. Abraão deixou Ai para trás e tinha Betel diante dele. “Ai” significa, literalmente, "monte de ruínas" e Betel significa “Casa de DEUS”. Aqui podemos dizer que é a vida de altar, a consagração, que permite que a cruz separe-nos do mundo, do amor ao mundo, de “tudo o que há no mundo” (cobiças, concupiscências e soberba). A cruz coloca o mundo para trás de nós e mantém viva e clara diante de nós a visão da Casa de DEUS (Betel).E não somente a visão de Betel, mas a cruz operando em nós habilita-nos a participar de Betel, a “sermos edificados casa espiritual, para sermos sacerdócio santo...” - (1 Pe 2.5). A cruz introduz-nos na igreja. CRISTO passou pela cruz e a igreja surgiu, nós também precisamos “passar pela cruz” para que a igreja, em sua realidade prática e viva, possa surgir. Só a cruz pode separar-nos do mundo e introduzir-nos na Casa de DEUS. Diante de DEUS, por causa da obra da cruz de CRISTO no calvário; nós já somos a Casa de DEUS, a igreja, o corpo de remidos. Mas, o lado subjetivo desta verdade, ou seja, refletir em nosso viver, conduta e relacionamentos o fato espiritual de sermos Casa de DEUS, depende do trabalho da cruz em nossas vidas. Note que após este 2º altar, Abraão desce ao Egito “para aí ficar” (Gn 12.10), contrariamente à vontade de DEUS. Como acontece conosco, também Abraão tinha já alguma experiência do altar, mas tinha também seu “homem natural” não profundamente tratado pelo SENHOR. As suas escolhas, maneiras, idéias e caminhos eram ainda bem independentes de DEUS. O SENHOR tratou com ele, misericordiosamente, como vemos em Gn 12.10–20, e o trouxe de volta. Ele “fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai; até ao lugar do altar, que outrora tinha feito...”. Abraão voltou ao mesmo ponto de onde se desviou! DEUS não pula etapas em nosso discipulado.

3º altar - foi levantado logo após a sua separação de Ló - Gn 13.14–18. foi levantado logo após a sua separação de Ló - (Gn 13.14–18). Comunhão. Aqui temos mais um degrau na vida consagrada de Abraão. Este faz a escolha, mas por causa da contenda entre seus pastores e os de Ló, ele pede a Ló que se aparte dele escolhendo seu próprio caminho. Ló faz uma escolha de alguém que realmente não conhecia o altar. Ele escolhe “a campina do Jordão”, uma terra boa para sua prosperidade econômica, e vai armando suas tendas até Sodoma, um lugar de julgamento, figura do mundo. Hebrom que significa “comunhão, união”. A cruz habilita-nos a ter aquela incessante comunhão com DEUS, aquela amizade com DEUS, aquela vida de união com DEUS. Como já disse Madame Guyon: “O SENHOR se coloca no exato lugar daquilo que Ele põe à morte em nossas vidas”.
4º.Monte Moriá - Podemos chamá-lo de altar da adoração - Gn 22.1-14). Este altar reflete a vida madura de Abraão, o quanto ele já tinha aprendido diante do SENHOR. O que vemos aqui é um homem absolutamente rendido a DEUS, a ponto de sacrificar seu único e amado filho. Um homem que amava a DEUS a ponto de confiar em Seus caminhos. Um homem que adorou no momento em que oferecia o que tinha de mais precioso.

“O SENHOR, em cuja presença eu ando...” - Gn 24.40

A marca da consagração é andar com DEUS em seus caminhos. Altar no V. T. = é uma figura da cruz no Novo Testamento, onde o verdadeiro cordeiro pascal foi imolado. O nosso SENHOR JESUS CRISTO e a cruz são inseparáveis. Sem a cruz CRISTO não é CRISTO, Ele não pode salvar-nos. Uma vida cristã sem cruz não é vida cristã de forma alguma, mas apenas um “ego” adornado com os ensinos de CRISTO. Nós necessitamos da cruz tratando profundamente conosco, para que possamos ser homens e mulheres espirituais, vivendo vidas espirituais e andando com DEUS.


O TERMO NAZIREU - Jz 13.4,5

Esse termo nos mostra o princípio da consagração como algo fundamental para o serviço espiritual. Dois significados desta palavra na vida de Sansão:
1º.Essa palavra dá significado a toda a vida de Sansão.
2º.É uma chave para entendermos a vida de Sansão.




O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DO NAZIREU

Em Números 6.1-8 descreve o que é um nazireu. O Nazireu é uma pessoa que havia feito um voto de ser separado para DEUS de modo especial. Durante o tempo de nazireado, essa pessoa deveria obedecer a algumas regras, às leis do nazireado.


Alguns princípios do nazireado

1º.Deveria abster-se do vinho e da bebida forte, bem como do fruto da videira e de outras coisas relacionadas com vinho, uva e videira.
2º.Sobre sua cabeça não deveria passar navalha. Ele deveria deixar seus cabelos crescerem livremente.
3º.Não deveria tocar o corpo de um morto, ele não deveria tocar o corpo de cadáveres.


Classes de pessoas em Israel que eram consagradas

Na história do povo de DEUS vemos que Ele separou a nação de Israel dentre todas as nações para ser uma nação consagrada a Ele, uma nação para sustentar Seu testemunho na terra. De forma específica Ele separou a A tribo de Levi para o serviço no tabernáculo, e os sacerdotes para servir diante do povo.

Qual a necessidade de se ter um nazireu?

Agora, qual a necessidade ou surge essa lei segundo a qual alguém que por livre e espontânea vontade decide consagrar-se ao SENHOR e se submete a essas regras? Para entendermos isso, precisamos entender um pouco do contexto do livro de Juízes na época em que Sansão nasceu.
Sansão viveu no tempo do sacerdócio de Eli. Nesse tempo Israel era um povo corrupto; o sacerdócio era adúltero, e o ministério estabelecido era cego em muitos sentidos. O sacerdote Eli representa o sistema religioso decadente preocupado com seus próprios interesses, havendo-se tornado permissivo pela vida cômoda, tendo apenas um ódio fingido pelo pecado. Eli se tornara lento e preguiçoso com respeito aos interesses profundos de DEUS.
Seus filhos Hofni e Finéias representam o ministério continuado pela tradição. Esses dois jovens sacerdotes nunca tiveram um encontro com DEUS. Nada sabiam sobre "ouvir o céu", nem sabiam da fome por DEUS, ou de uma paixão ardente por experimentar a glória e a presença de DEUS. O ministério ao SENHOR no tempo de Sansão era produto do ritualismo frio e morto.


O que era um sacerdote?

Um sacerdote era alguém escolhido por DEUS, que deveria ministrar ao SENHOR. Os sacerdotes deveriam representar os homens diante de DEUS e representar DEUS diante dos homens. Na época que Sansão viveu o sacerdócio estava completamente arruinado e corrompido. Nesse tempo os sacerdotes perderam completamente o motivo pelo qual haviam sido chamados. Nesse tempo eles viviam apara eles mesmos.


Qual era o propósito da função sacerdotal?

O propósito da função sacerdotal era lembrar a pessoa e da obra do SENHOR JESUS CRISTO. Toda oferta apontava para a obra e a pessoa de CRISTO. Toda vez que um israelita, criança ou adulto, ia a um sacerdote levando um cordeirinho, ele sabia que aquele cordeirinho inocente estava sendo vítima como expiação para os pecados. Da mesma forma o ministério do sacerdote. Toda vez que os israelitas vissem aquele sacerdote ministrando no Santo dos Santos, eles deveriam ter em mente que um dia viria o verdadeiro Sumo sacerdote que entraria nos céus na presença do SENHOR e faria intercessão pelos nossos pecados e iria de uma vez por todas selar aquela união entre nós pecadores e o DEUS santo. Na época do sacerdócio de Eli, nós vemos que os sacerdotes haviam perdido as suas características, eles preservavam a forma externa, mas a realidade não estava mais ali.



O PEROGO DE ESQUECER O CHAMAMENTO

Quem é que DEUS vai levantar para relembrar ao povo de Israel essa verdade tão importante da consagração? - Um nazireu.
O capítulo 13 e o versículo 1 de Juízes diz assim: “Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau perante o SENHOR, este os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos”. Esse versículo vai nos mostrar algo surpreendente; algo que nos dará um quadro da gravidade espiritual em que se encontrava a nação de Israel. Veja abaixo uma série de textos que nos mostrarão os anos em que esta nação viveu debaixo de cativeiro:
Ä Jz 3.8-11 - 8 anos;
Ä Jz 3.14-30 - 18 anos;
Ä Jz 4.1-3 - 20 anos;
Ä Jz 6.1 - 7 anos;
Ä Jz 10.6-8 - 18 anos;
Ä Jz 13.1 - 40 anos
Ä Total = 111 anos

Desde o início do livro de Juízes eles andavam naquele ciclo de pecado, apostasia, arrependimento, e assim, caíam na opressão dos inimigos. Qual a explicação para tudo isso que ocorreu com Israel nesse tempo? Foi porque, da mesma forma que os sacerdotes, o povo de Israel havia esquecido o seu chamamento. Todo fracasso de Israel foi porque eles esqueceram seu chamamento. Esqueceram que eram uma nação consagrada a DEUS. Todo o fracasso do povo de Israel era o resultado de uma só coisa: Eles haviam esquecido da sua consagração e chamamento. Eles haviam esquecido que eram uma nação de sacerdotes. Eles deveriam ser separados das demais nações para testemunhar para essas nações sobre o poder de DEUS. E por causa desse esquecimento eles caíram em cativeiro, eles caíram sob a opressão do inimigo. Praticamente, duas gerações viveram e não conhecera a razão do seu chamamento.





Sansão era a reivindicação de DEUS

DEUS estava reivindicando Seu Testemunho entre Seu povo. Quando o SENHOR DEUS quis relembrar a nação de Israel que eles precisavam viver aquela vida de consagração ao SENHOR, o SENHOR levantou um nazireu: Sansão - o juiz dos longos cabelos.


Princípios específicos sobre o nazireado de Sansão

O voto de nazireado de Sansão era um pouco diferente do voto de um nazireu comum, vejamos:
1º.Um nazireu normal era nazireu apenas durante um período de tempo determinado. Mas, no caso de Sansão, o seu nazireado era um chamamento, era uma vocação desde antes de seu nascimento.
2º.Não foi algo que Sansão tivesse feito, foi por graça e obra de DEUS que Sansão foi separado para DEUS – Ef 1.5.
3º.Também vemos que o voto de nazireado de Sansão não era temporário, mas para toda a vida.


Três princípios espirituais do nazireu

1º. Princípio – Ministrar ao SENHOR - Através da vida de Sansão, DEUS quer novamente lembrar ao povo de Israel o significado da consagração espiritual. Nós podemos nos perguntar: Será que existe alguma coisa em comum entre um nazireu, que é uma pessoa qualquer, e um sacerdote, que tem uma consagração oficial? Se observarmos quais os requisitos para o nazireu e os requisitos para o sacerdote, veremos que ambos são muito semelhantes. Em alguns casos os requisitos para o nazireu são mais estritos do que para um sacerdote. Por exemplo, um sacerdote não deveria tomar vinho, mas somente quando entrasse para ministrar diante do SENHOR. O nazireu, no entanto, não deveria tomar vinho durante todo o período de seu voto de nazireu. O que significa isso? É como se ele estivesse constantemente ministrando diante do SENHOR. Vamos ler 1 Coríntios 6 e os versículos 15,17 e 19: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de CRISTO? ...Mas aquele que se une ao SENHOR é um espírito com Ele. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do ESPÍRITO SANTO, que está em vós, o qual tendes da parte de DEUS, e que não sois de vós mesmos?”. Onde quer que estejamos, somos um templo onde DEUS pelo Seu ESPÍRITO habita. Onde quer que estejamos o SENHOR está sendo ministrado.

2º princípio – Não tocar no corpo de um morto = Obras da Carne - O sacerdote também não deveria tocar o corpo de um morto, mas havia uma exceção. Se um parente próximo do sacerdote morresse, ele estaria autorizado a tocar o corpo daquele morto. Rm 8.6: “Porque o pendor da carne dá para a morte…”. Essa lei que dizia que o nazireu não deveria tocar o corpo de um morto corresponde para nós que vivemos no período do N.T. que não devemos andar segundo as inclinações da nossa carne; nós não devemos praticar as obras da carne. Se compreendemos esse chamamento, se compreendemos que fomos chamados para ser consagrados ao SENHOR nós vamos, pela graça do SENHOR, nos abster das obras da carne.

3ª princípio - Finalmente, aquela marca exterior do nazireu, os seus longos cabelos, vai nos falar das marcas da cruz no Novo Testamento. De acordo com o N.T., os longos cabelos significam algo vergonhoso, opróbrio. Sempre que tomamos a cruz, em função de termos compreendido o amor do SENHOR, nós vamos carregar sobre nós as marcas da cruz – Gl 6.16. Não é preciso dizer nenhuma palavra, mas as pessoas vão saber por causa do nosso proceder. Todas as pessoas vão numa direção, mas aquela pessoa separada para DEUS vai numa direção completamente oposta. Nós hoje compreendemos que DEUS está chamando os seus nazireus para uma vez mais restaurar o poder do testemunho do SENHOR, para trazer libertação ao povo de DEUS.

Conclusão

1º.Um santuário ao SENHOR;
2º.Não andar nas obras da carne;
3º.As marcas da cruz, precisamos abster-nos dos prazeres deste mundo e precisamos.





O PRINCÍPIO DA CONSAGRAÇÃO É O CAMINHO PARA O PODER DE DEUS

Nos capítulos 14 e 15 do livro de Juízes encontramos os atos heróicos de Sansão. Quando compreendemos que o princípio da consagração é o caminho para o poder de DEUS, é bastante natural que pensemos que o poder está em nós mesmos. Lendo a história de Sansão não é natural que pensemos que o poder de Sansão estava nos seus cabelos.

O Segredo da força de Sansão

Vejamos alguns textos que explicam o segredo da vitória de Sansão:
Jz 13.25: “E o Espírito do SENHOR passou a incitá-lo [Hb.: pa‘am = impelir, agir persistentemente] em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol”.
Jz 14.6,19; (15.14): “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou [Hb.: tsaleach = Tomar posse – essa frase exprime intensidade]dele, que ele o rasgou como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão; todavia, nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que fizera”.

O SENHOR era com ele, esse era o segredo de Sansão. O Espírito do SENHOR era a fonte da força dele. Onde reside o poder espiritual, a fonte do poder espiritual daquele que é consagrado a DEUS, daquele que é separado para DEUS? A fonte do poder espiritual está neste fato: o Espírito do SENHOR era com Sansão, a presença do SENHOR era com ele. Aquele que é consagrado para DEUS tem força, mas essa força reside no Espírito do SENHOR que é com ele.


A Força e a fraqueza em nosso interior

Quando lemos a história da vida de Sansão, ficamos com a nítida impressão, de que Sansão é alguém tão forte, mas por outro lado, ele é tão fraco. Parece que nele havia uma fonte de força e, ao mesmo tempo, uma fonte de fraqueza. Qual dessas fontes Sansão iria seguir? Nós cristãos, também temos, por um lado, a fonte de força, o SENHOR é conosco. Por outro lado, também temos a fonte de fraqueza, nós temos uma carne.
Agora nós vemos que pelo fato de Sansão ter em si a força de DEUS em função de sua consagração, ele tinha tudo para ser um juiz de Israel e trazer a libertação para o povo de Israel. Veja dois textos:
Pv 24.10: “Se te mostras fraco no dia da angústia [hb.: tsarah = dificuldades, aflição], a tua força é pequena”.
Pv 31.25: “A força e a dignidade [Hb.: hadar = ornamento, esplendor, honra, glória] são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações”.


A Perda da Força foi algo gradativo

Os inimigos de Sansão sempre procuravam roubar a sua força, e eles finalmente um dia conseguiram triunfar sobre ele:
Jz 16.5,6: “Então, os príncipes dos filisteus subiram a ela e lhe disseram: Persuade-o e vê em que consiste a sua grande força e com que poderíamos dominá-lo e amarrá-lo, para assim o subjugarmos; e te daremos cada um mil e cem siclos de prata. Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força e com que poderias ser amarrado para te poderem subjugar.
Jz 16.17,19: “Descobriu-lhe todo o coração e lhe disse: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de DEUS, desde o ventre de minha mãe; se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força, e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem. Então, Dalila fez dormir Sansão nos joelhos dela e, tendo chamado um homem, mandou rapar-lhe as sete tranças da cabeça; passou ela a subjugá-lo; e retirou-se dele a sua força”.

Ele vai a Gaza e se deita com uma prostituta – Jz 16.1.
Depois ele afeiçoou de Dalila [Hb = “fraco] – Jz 16.4.
Nós sabemos que os seus inimigos tentaram de todas as maneiras roubar a força de Sansão, até que um dia Sansão perdeu seu nazireado. Todavia, a perda do nazireado de Sansão não foi uma coisa imediata, ela foi gradativa, pouco a pouco. Lendo a história de Sansão, percebemos que pouco a pouco ele vai sendo roubado daquele chamamento. No final, ele perde as marcas do nazireado sobre a sua cabeça.




O Exemplo de Ló

Na vida de Ló podemos ver o poder sedutor do mundo sobre a carne. Quando nos convertemos nossa preocupação e vencer o pecado e depois lidar com o mundo.


A contaminação do mundo – Gn 13.10-13

A Bíblia nos mostra que a contaminação do pecado e feroz, rude e repulsiva, enquanto a produzida pelo mundo e polida e refinada, freqüentemente parecendo bela a vista humana. Nesses textos podemos ver como Ló foi seduzido por aquela “campina do Jordão”. Quero fazer cinco proposições que nos ajudarão a compreender nossa própria realidade contextual:
1ª proposição – A concupiscência dos olhos: “Levantou Ló os olhos”. Aqui está a concupiscência dos olhos que domina seu coração. Aquilo que os olhos vêem o coração deseja.
Æ 1 Jo 2.16: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”. O termo “concupiscência” no original é epithumia, que significa: “desejo”, “anelo”, “anseio”, “desejo pelo que é proibido”, “luxúria”.

2ª proposição – A contenda dos pastores veio revelar o mundanismo no coração de Ló. Essa foi à causa que ele teve para se expor. A verdadeira causa dos nossos fracassos encontra-se oculta, longe da observação normal, nos lugares mais secretos e íntimos dos nossos afetos e desejos do coração, onde o mundo, sempre é desejado. A causa aparente da queda de Ló foi a contenda entre seus pastores e os de Abraão seu tio; porém, o fato é que quando alguém não anda realmente com um motivo verdadeiro e afeiçoes puras, facilmente encontrará uma pedra para tropeçar. Se não encontra numa situação, encontrará noutra.

3ª proposição – Não podemos permitir que nosso coração exerça em nós o poder da escolha. Por que as “campinas” não seduziram o coração de Abraão? Abraão diferentemente de Ló, encarou toda aquela situação do ponto de vista de DEUS. O coração de Abraão não era diferente do coração de Ló; ele poderia ter sido facilmente atraído por aquelas “campinas”. A questão, foi que Abraão não deixou que seu coração escolhesse. Ele deixou DEUS escolher por ele. Sua decisão tinha que ser espiritual.

4ª proposição – Não podemos escolher pela aparência, e sim, devemos voltar nosso coração para o caráter intrínseco do nosso destino e ao futuro de todas as coisas. Quando estudamos toda a trajetória de Ló, vemos que ele deixou Abraão, e seguiu para a “campina do Jordão” e assim, foi “armando as suas tendas até Sodoma”; um lugar onde DEUS mais tarde trouxe o seu juízo. É certo que nem Abraão e Ló sabiam que DEUS iria destruir Sodoma. Mas, se Ló tivesse permitido DEUS escolher por ele, com certeza, ele não teria escolhido um lugar que estava prestes a ser consumido pelo juízo de DEUS. A Escolha de Ló revela a compulsão do coração caído; do coração que é seduzido por esse mundo perverso. Paulo disse a Timóteo: “Demas me abandonou, tendo amado o mundo...” – (2 Tm 4.10). O que significa essa escolha de Ló, assim com também a de Demas? Significa, deixar o lugar onde DEUS está, o lugar do testemunho para o lugar do juízo.

5ª proposição - Toda a escolha de Ló, o levou a uma vida vazia e sem significado. No versículo 10, diz assim: “como quem vai para Zoar”. Essa palavra “Zoar” em hebraico é “insignificância”. Ela resume toda a vida de Ló após se afastar do Lugar onde estava o testemunho de DEUS.


SOMOS PROVADOS NAQUILO QUE É NATURAL

Se buscarmos entender o significado espiritual dessas mulheres que tentaram enfraquecer o chamamento de Sansão, descobriremos algo muito interessante. Veremos que Sansão foi provado naquilo que é natural, ele foi provado naquilo que é obra da carne, e foi também provado naquilo que é satânico.


Três passos da Queda na vida de Sansão

A Queda de um cristão tem três passos:
1º.O natural nos é falado através daquela primeira mulher com a qual Sansão queria casar-se – Jz 14.2. Sansão viu. Seus pais lhe disseram o seguinte – v.3: “porém...”. Eles estivessem lembrando Sansão que ele era separado para DEUS. Como então ele iria entrar em aliança de casamento com o próprio inimigo? Vemos, então, que desde o princípio essa mulher era um desejo natural de Sansão que não estava debaixo do controle do SENHOR. Sansão não levou aquilo que era do homem natural para cruz e então vemos que de alguma forma aquele chamamento de Sansão de ser separado para DEUS já estava sendo atacado.

2º.Aquilo que é da carne nos é falado através da mulher prostituta com quem Sansão coabitou – Jz 16.1. Isso vai nos falar de Sansão sendo tentado pelas coisas que são da carne. Qual é a conseqüência quando andamos segundo as inclinações da nossa carne? Nós vamos nos encontrar fechados numa cidade no meio da noite, cercados pelos inimigos que querem nos tirar a vida. Quantos de nós passamos anos, não são dias nem semanas, mas anos trancados por causa do cativeiro das obras da carne? São anos! Veja o versículo 3: “levou-as para cima, até ao cimo do monte que olha para Hebrom” - Isso traz uma lição para nós. Se algum de nós tem andado debaixo desse cativeiro que são as obras da carne, que o SENHOR nos fortaleça. Que nós saiamos dessa esfera das inclinações das coisas da carne e possamos ir até aquele lugar onde podemos vislumbrar a comunhão com o SENHOR e a comunhão com os santos. Infelizmente sabemos pela história relatada na Bíblia, que essa lição não foi suficiente para Sansão aprender.

3º.Finalmente, aquilo que é satânico nos é falado através de Dalila. Desde o princípio, Dalila tinha um só propósito: roubar a consagração de Sansão, destruir o poder do testemunho de Sansão e destruir o próprio Sansão. Ele havia andado nos caminhos do homem natural, praticado as obras da carne. Agora ele está se aproximando daquilo que é satânico. A Bíblia nos diz que Sansão se afeiçoou a Dalila e que desde o princípio Dalila tinha um único objetivo, que se resumia na pergunta: qual é o segredo da tua força? - Jz 16.6,15. Pv 5.3: “porque os lábios da mulher adúltera destilam favos de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite”. Sabemos que Dalila nos fala de algo que é satânico porque por trás dela tinha os filisteus, mas não só os filisteus, a Bíblia nos diz que os príncipes dos filisteus estavam por trás de Dalila.





Jz 16.5,9 - Aqui vemos um princípio muito interessante.

O que será que esses filisteus e seus príncipes representam? Eu acredito que eles representam o mundo. De alguma forma aqueles filisteus tinham como único objetivo: roubar a consagração de Sansão. Mas por trás disso estavam os príncipes dos filisteus. Da mesma forma conosco hoje, o inimigo tem um único objetivo: roubar a nossa consagração.


Mas como o inimigo ataca?

Indiretamente através do mundo. Nós vemos que em nenhuma ocasião os filisteus confrontaram Sansão. O inimigo não vai nos atacar, ele vai usar o mundo. E a nossa bíblia nos diz, embora muitas vezes nós não compreendamos o que isso significa, a nossa Bíblia nos diz que o mundo jaz no maligno – 1 Jo 5.19.
1º.Nós vemos que a primeira vez que os filisteus queriam atacar Sansão eles usaram aquela mulher que seria sua esposa.
2º.Eles usaram até a tribo de Judá porque eles queriam pegar Sansão, então eles vão fazer guerra contra Judá. Por que eles não vão direto para a caverna onde Sansão está para atacá-lo?


O inimigo não nos ataca diretamente

Se os príncipes dos filisteus queriam saber qual o segredo da força de Sansão, por que eles não perguntaram diretamente para Sansão? Eles deveriam ter ido até Sansão e lhe perguntado: "Sansão, qual é o segredo da tua força?". Mas eles sabiam que essa estratégia não iria funcionar, eles sabiam que não iriam descobrir o segredo da força de Sansão se eles o atacassem diretamente. E é exatamente assim que o mundo faz conosco. O inimigo nunca nos ataca diretamente, ele sempre nos ataca de maneira traiçoeira e por intermédio de coisas que nos seduzem.


UMA ANÁLISE DA QUEDA DE SANSÃO

Jz 16.6 - Vemos que Dalila lhe pergunta: "Onde reside tua força, Sansão?". Ele diz que se lhe amarrarem com sete tendões frescos, eles vão conseguir enfraquecê-lo – Jz 16.7. Nesta relação entre Sansão e Dalila, Sansão também não entregou o seu segredo completamente e de imediato. Foi tudo gradual. Todavia, ele vai de alguma forma dando algumas indicações.


O que significa amarrar com 7 tendões frescos?

Frescos - significa algo que nunca foi usado, isso é consagração. De alguma forma, Sansão está dando indicações de algo que está escondido nele, que está na consagração dele o segredo da sua força.
Jz 16.10 - Dalila pergunta ainda uma segunda vez e ela lhe diz: "Sansão, tu estás zombando de mim, tu só estás me contando mentiras". É exatamente assim que o mundo faz. Quando queremos ter aquela vida separada para o SENHOR, o mundo diz: "Ah, tu não me amas". Então Sansão vai dizer que o segredo dele está de alguma forma nas tranças dos seus cabelos. Ele está chegando cada vez mais perto de revelar seu segredo. Se naquele momento ele lembrasse de que era separado para DEUS, que ele não deveria ter-se apegado àquela mulher chamada Dalila e fugisse daquela situação, como o final da história de Sansão seria diferente!


O perigo do Mundo

1º.O mundo nos oferece coisas - É assim que o mundo faz conosco vai nos oferecendo coisas, vai nos oferecendo amizades, vai nos oferecendo oportunidades e nós vamos negligenciando a nossa consagração.
2º.O mundo exige 100% - Nos é dito que a cada dia Dalila molestava Sansão com suas palavras. Sabe o que ela dizia para Sansão? "Sansão, tu não me amas". Quando começamos a crescer na vida de consagração para o SENHOR, quando começamos a crescer nessa vida de união com o SENHOR automaticamente vão se excluindo as nossas ligações com o mundo.



Cinco assertivas acerca da vida de Sansão

1ª. Sansão não tinha falado antes que ele era um nazireu de DEUS para Dalila, Porque no momento em que ele falasse ele teria de separar-se dela.
2ª.16.17 – “Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de DEUS, desde o ventre de minha mãe; se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força, e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem”. Esta foi a versão de Sansão, mas qual foi a versão do SENHOR? No final de Jz 16. 20, a Bíblia vai nos dizer que o SENHOR se apartou dele. A força de Sansão saiu dele porque “o SENHOR se tinha retirado dele”.
3ª. Sansão estava cansado, ele cansou de lutar, adormeceu no colo de Dalila. E Dalila teve o cuidado não só de cortar o cabelo de Sansão, daquele separado para DEUS, mas ela rapou a cabeça de Sansão até que não sobrou um só vestígio de que ele era um homem consagrado para DEUS.
4ª. Se nós tivermos uma Dalila em nossa vida, mais cedo ou mais tarde, ela vai arrancar a nossa consagração, ela vai arrancar a marca da nossa consagração e então nós vamos ter um fim triste como o de Sansão.
5ª. Agora nos é mostrado neste livro algo muito interessante. Duas vezes em Juízes está registrado que Sansão clama ao SENHOR.
Jz 15.18 – Neste texto ele clama ao SENHOR, porque não quer morrer; aqui ele teve uma grande vitória e depois teve sede. Então ele disse: "Depois dessa tão grande vitória, morrerei eu?". Sansão não quis morrer, ele não quis deixar a sua vida natural na morte, ele não quis deixar as obras da carne na morte. Depois disso, ele caiu, caiu, caiu até chegar a esse fim tão humilhante.
Jz 16.30 - “E disse: Morra eu com os filisteu”. Só há vida de DEUS em nós se a morte do nosso SENHOR JESUS CRISTO tiver operado na nossa vida. A Bíblia nos relata que quando Sansão orou: "morra eu", de novo ele tem força de DEUS, de novo ele destrói os filisteus. E está escrito que foram mais aqueles que Sansão destruiu na sua morte do que aqueles que ele destruiu na sua vida.
6ª.Três vezes Dalila pediu a Sansão que revelasse a fonte de sua força. Três vezes Sansão deu-lhe uma resposta mentirosa. Três vezes os filisteus vieram para dominá-lo, mas foram vencidos por ele. No entanto, nesses encontros, não há qualquer menção do ESPÍRITO vindo poderosamente sobre Sansão. Por causa do louco flerte de Sansão com o pecado, o SENHOR já havia se retirado dele.

Por: Irmão Luiz Fontes

AVANÇAMDO PARA A PERFEIÇÃO

Avançando para a perfeição (1)
A Epístola aos Hebreus tem uma nota recorrente, que é a palavra "perfeição" em sua variada morfologia. Há, pelo menos, nove menções da palavra, distribuídas através de toda a epístola. Três delas se referem ao Senhor Jesus Cristo, e as restantes apontam para a realidade do crente.
Hebreus nos mostra alguns aspectos da maturidade cristã, a do crente em vias de aperfeiçoamento à semelhança do seu Senhor. As duas primeiras menções (e a sexta) se referem ao Senhor Jesus Cristo, que foi aperfeiçoado por meio das aflições e sofrimentos, para vir a ser o nosso Salvador e Sumo Sacerdote. A última já lhe mostra "feito perfeito para sempre" (7:28).Cristo é o exemplo e modelo para os vários filhos de Deus que aspiram compartilhar com ele a glória futura. Assim como ele foi aperfeiçoado, os filhos de Deus também têm que ser aperfeiçoados.
Portanto, um primeiro aspecto que destaca Hebreus no caminho para a maturidade é relativo ao repouso. Há uma promessa para o povo de Deus de entrar no repouso de Deus. Este repouso é alcançado quando, deixadas para trás as obras que o crente presumia ter valor para apresentar-se diante de Deus, ele vê a obra perfeita e consumada de Cristo na cruz. Paulo coloca esta verdade em Efésios capítulo 2, quando mostra o crente sentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus (v. 6). Mas esta não é só uma verdade preciosa, mas um princípio que deve reger a vida do crente: A centralidade e suficiência de Cristo.
Por isso os primeiros dois capítulos de Hebreus estão cheios de Cristo, tanto na sua glória anterior, como em sua encarnação, e sua obra. Quando aparece o homem, em sua fragilidade, é só como receptor e beneficiário da obra de Cristo. Quando o homem detém o seu vão intuito de contemplar ao Senhor, então fica em condições inclusive de ir além das Suas obras: de "conhecer os seus caminhos" (3:10).
O repouso de Deus é uma bênção que está ao alcance do crente. Só a incredulidade, a dureza de coração, pode lhe deixar fora do seu alcance. A exortação do escritor inspirado é: "Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia em semelhante exemplo de desobediência" (4:11).
Assim, a primeira coisa que Hebreus põe diante de nós é o assunto do repouso. Aquilo que Josué não pôde dar a Israel, o nosso Josué, o Senhor Jesus, nos outorga gratuitamente, pela fé.

Avançando para a perfeição (2)
Um segundo aspecto de Hebreus que nos põe no caminho da maturidade é a compreensão do ministério sacerdotal do Senhor, e a própria participação dele por parte do crente.
Se não tivéssemos o livro de Hebreus não teríamos a possibilidade de conhecer muito a respeito da obra de Cristo além da cruz. Quando Davi diz no Salmo 110: "Jurou Jeová, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque", uma palavra que é citada três vezes em Hebreus, estava assinalando um fato que ocorreu nos céus "posterior à lei", um ministério que o Senhor desenvolveria depois da sua exaltação e coroação à mão direita do Pai.
Esse ministério é tão perfeito que o Senhor não só foi o Sumo Sacerdote que apresentou a oferta perfeita ao Pai por nossos pecados, mas também ele mesmo é a oferta apresentada. Sobre isto João faz referência quando diz que "ele é a propiciação por nossos pecados" (1ª João 2:2). "Propiciação" aqui implica a obra de redenção completa, quer dizer, o que ele fez como propiciador, e como oferta sobre o propiciatório. Esta é a obra da cruz.
Mas Hebreus nos leva mais adiante, ao nos mostrar o Senhor, já concluída a sua obra redentora, como intercessor diante do Pai. Este é o Sumo Sacerdote "que pode salvar perpetuamente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (7:25). A nossa posição está agora duplamente assegurada diante de Deus, pois Cristo é a nosso propiciação, e também o nosso Intercessor.
Estes dois aspectos da obra de Cristo, uma na terra e a outra no céu, têm como objetivo fazer os crentes perfeitos, levá-los a maturidade. A vontade de Deus não é só nos salvar, mas também nos transformar na imagem de Cristo. E para isso foi necessária uma obra de Cristo posterior à cruz, que sustente o nosso caminhar no tempo presente. O apóstolo João vai inclusive um pouco além ao nos apresentar o Senhor como o nosso 'parakletos', quer dizer, alguém que intervém depois que o cristão peca. Dizendo de maneira simples, o Senhor como Sumo Sacerdote intervém por causa de nossa fragilidade antes da nossa queda, e como Advogado quando caímos. Maravilhosa provisão de Deus para nós!
O desejo de Deus ao nos mostrar o maravilhoso ministério sacerdotal de nosso Senhor é também nos conduzir pelo mesmo caminho, para que os cristãos também exerçam o ministério da intercessão. Esta é uma nobre tarefa, e a que mais perto nos põe do coração de Deus.
Os cristãos maduros são intercessores por excelência. Um intercessor é aquele que se esquece de si mesmo para tomar sobre si causas alheias, como se fossem suas, o qual é uma expressão do amor de Deus, perfeito e transbordante.

Fonte:www.aguasvivas.ws

Restaurando a visão

Somos extremamente tendentes a olhar para o que está diante dos olhos, para o que é aparente e não para o invisível pela fé. Para que tenhamos uma visão correta, o Senhor proveu para a Igreja os profetas. São eles que abrem a nós esta visão pela Palavra: "Não havendo profecia, o povo se corrompe..." (Pv. 29.18).
Para nos dar uma visão correta o Senhor sempre nos faz voltar ao princípio, e depois nos faz olhar para Jesus. Foi assim que os antigos alcançaram um bom testemunho pela fé (Hb. 11.2).
Ageu foi um desses profetas levantado por Deus, juntamente com Zacarias no tempo da restauração do templo de Israel. Ainda que o Senhor estivesse falando do templo de Israel no capítulo 2, a referência de Deus para o povo não era o templo, mas a Igreja gloriosa como veremos a seguir. Quando no verso 9 o Senhor manda o povo pela fé olhar para a glória da última casa, é claro que Ele estava dizendo de nós. Deus estava falando de Cristo Jesus e da Sua Casa que Ele mesmo edificou (Hb. 3.6), por isso podemos fazer uma referência a esta Casa.
Fazendo então uma alusão ao verso 3 de Ageu capítulo 2 o Senhor nos pergunta: Quem viu a glória da primeira Casa, da Igreja primitiva? Podemos vislumbrá-la pela fé olhando para as Escrituras, e a podemos ver com ouro, prata e pedras preciosas (I Cor. 3.13). E que estado nós a vemos agora? Olhando para a cristandade nos nossos dias não é nada, como diz o Senhor, aos nossos olhos?
Se olharmos desta forma iremos chorar como os judeus por não podermos mais restaurar e viver aquela glória. E jamais a poderemos em sua totalidade, visto que o Senhor nos ensina isto pelas 4 igrejas de Apocalipse, que Ele encontrará quando voltar: Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
Hoje encontramos os cristãos em muitas situações diversas, mesmo entre aqueles que dizem estar na visão. Uns preferem as reuniões em lares e outros em templos com certa organização equilibrada pelas Escrituras. Se olharmos para isto, iremos continuar confundidos, mas o Senhor restaura a nossa visão pela profecia, e nos faz olhar para Jesus e para a glória da última casa. O Senhor tira os nossos olhos do que é aparente e faz que olhemos para Jesus, autor e consumador da nossa fé, e nele vermos uma Igreja gloriosa, sem mácula nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
Então o Senhor estimula a todos nós dizendo pelo verso 4: "Esforça-te, esforçai-vos todos vós, e trabalhai; porque eu sou convosco... o meu Espírito habita no meio de vós, não temais". No verso 8 Ele ainda diz: "Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor".
As operações de Deus (ouro), os ministérios do Senhor (prata) e os dons do Espírito (pedras preciosas) não nos faltarão. Não faltará nada, porque o fiel Senhor o disse, o qual também o fará (I Tes. 5.24). A glória dessa última Casa será muito maior do que a primeira, diz o Senhor. Ainda que tenhamos muitas diferenças, temos que voltar os nossos olhos para esta última Casa. Seguirmos para o que é perfeito, e o caminho é o amor: "E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição" (Col. 3.12-14).

Fonte: www.aguasvivas.ws

sábado, 20 de junho de 2009

A RESTAURAÇÃO PESSOAL

A restauração do Senhor de todas as coisas como nos diz o texto de Atos 3.21, com toda a certeza irá se cumprir por Deus, pois para isto o céu recebeu o nosso Senhor Jesus, o que foi dito pela boca dos santos profetas desde o princípio.
Ela se cumprirá, porque foi Deus quem disse, mas a restauração compreende todas as coisas, até a nossa pessoalmente. Jesus iniciou esta obra na cruz do calvário, onde se tornou o último Adão, crucificando juntamente com Ele o nosso velho homem (Rom. 6.6). Perdoou os nossos pecados pelo seu sangue e nos ressuscitou juntamente com Ele, fazendo-nos nascer de novo para uma viva esperança (Ef. 2.5-6; I Pedro 1.3).
Fazendo um paralelo, podemos notar que a nossa pessoal acompanha a restauração desde o tempo da reforma que iniciou por Martin Lutero até os dias de hoje. Esta obra de restauração, consumada por Cristo naquela cruz começa em nós pela justificação pela fé (Rom. 5.1-2).
Após Lutero vemos João Calvino, o qual fez à Igreja de nosso Senhor retornar novamente a visão teocêntrica e cristocêntrica. É necessário que a nossa visão seja mudada do homem para Deus; que tudo provém de Deus, do nosso Pai (João 6.44-45).
Depois de João Calvino, em meados do século XIX vemos o clamor da Igreja buscando um avivamento pessoal para uma vida santa. E a igreja foi despertada para a santificação pela fé. A justificação pela fé leva-nos a regeneração e a santificação pela fé a uma transformação, uma renovação pelo Espírito Santo (Rom. 6.11-14).
No final do século XIX e início do século XX, sem citar nomes, vemos o Espírito do nosso Deus –porque assim é em todos os tempos– restaurando o testemunho à Igreja da glorificação pela fé. Revelando que a obra do nosso Senhor além de uma glória pessoal, traz também uma glória coletiva. Fomos justificados, santificados e glorificados em nosso Senhor Jesus Cristo naquela cruz, e agora, de fé em fé, tem nos sido revelada a justiça de Deus através do evangelho.
A justificação pela fé nos traz regeneração, a santificação transformação e a glorificação pela fé a transfiguração (II Cor. 3.18). Esta é a salvação completa a qual o Senhor realizou naquela cruz, que compreende o nosso espírito, alma e corpo.
A glorificação pela fé culmina a nossa glorificação pessoal com a glorificação coletiva. Cristo em nós é a esperança da glória, mas a glória que nos foi dada é para que sejamos um (João 17.22).
Se a restauração do testemunho do Senhor através da Igreja não tem sido uma realidade em nós é necessário revê-la pessoalmente. Temos que retornar à justificação pela fé, e a partir daí, a nossa visão seja santificada e passe a ser teocêntrica e cristocêntrica. Que avancemos em nossa caminhada e alcancemos pela fé a renovação pelo Espírito Santo, para uma vida verdadeiramente liberta do pecado; servindo-o sem temor, em santidade e justiça todos os dias da nossa vida (Lc. 1.74-75).
A glorificação pela fé, o viver pela fé e em amor para crescermos como Igreja, só será possível se a nossa pessoal for uma realidade no que diz respeito à justificação e santificação pela fé.

Fonte:www.aguasvivas.ws

segunda-feira, 15 de junho de 2009

AS 42 JORNADAS NO DESERTO - ÊXODO CAP. 16

Mais em uma dessas estações, isto é, na oitava estação que ocorreu no deserto de Sim, em Êxodo capítulo 16, DEUS concede a eles duas coisas muito especiais: O maná e o sábado.
Vamos ler o capítulo 16 de Êxodo e compreender todo cenário que compõe essa história, porque aqui, vamos conhecer melhor o nosso coração em face a graça de DEUS.
Aqui iremos entender porque o coração humano não se interessa pela intimidade de uma vida com DEUS:
v.1: “Partiram de Elim, e toda a congregação dos filhos de Israel veio para o deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do segundo mês, depois que saíram da terra do Egito”.
v.2: “Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto”.
v.3: “disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão”.

Vamos atentar para alguns princípios espirituais
Aqui nós podemos compreender um pouco nosso próprio coração.
Quero fazer sete proposições importantes com relação ao caráter de DEUS e os seus tratamentos, e qual tem sido a resposta do nosso coração; vejamos:
1º não existe sequer uma posição em toda a peregrinação dos eleitos de DEUS cujos limites não haja sido cuidadosamente traçados pela mão da sabedoria infalível de DEUS.
2º Quando DEUS visitou e tirou o Seu povo do Egito, não foi certamente com o propósito de os deixar morrer de fome e de sede no deserto.
3º Eles deviam saber disso. Eles devia ter confiado Nele e andado na confiança Daquele amor que os havia libertado gloriosamente dos horrores da escravidão do Egito.
4º Deviam ter recordado que era infinitamente melhor estar com DEUS no deserto do que nos fornos de tijolos de Faraó. É incrível, mais o coração humano acha uma coisa muito difícil, dar crédito a DEUS pelo Seu amor perfeito e puro.
5º Como as pessoas acham motivos para murmurarem contra DEUS. Parecem que depositam mais confiança em Satanás do que em DEUS.
6º Parece que as pessoas não estão cansadas de servir ao diabo, e nem tão pouco descontentes com ele. Mas, quanto a DEUS, é comum a murmuração.
7º Será que toda essa situação não revela as entranhas do nosso próprio coração?

Quando você perdeu aquele ente querido, não foi a DEUS que você culpou?
Quando seu casamento fracassou não foi a Ele que você culpou?
Quando você perdeu o emprego não foi a Ele que você creditou a culpa?
Em meios aos sofrimentos e lutas que você tem passado, você geralmente não O acusa de abandono?
Nosso coração é assim. Em nada difere do coração desse povo. Por isso, que entendo que é muito importante estudar esse capítulo de 16 de Êxodo, porque ele explica a nossa falta de intimidade com DEUS.

Vejamos aqui uma linda composição do caráter gracioso de DEUS:
Agora, preste atenção no caráter gracioso de DEUS. Veja que no versículo 4 de Êx 16, o SENHOR diz: “Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”. Aqui vemos o povo envolvido pela nuvem fria da incredulidade. Eles disseram a Moisés: “quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar”. Em contra partida a esse coração endurecido pelo engano do pecado, DEUS diz: “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”.
No Salmo 78.25, o salmista chama o Maná de “Pão dos anjos”. Agora veja que o SENHOR diz que Ele deu o maná, para colocar Israel a prova, se eles andavam na lei do SENHOR.

Agora veja as trevas que existe no coração humano em contraposição a graça de DEUS:
Vamos ler Números capítulo 21 e o versículo 5, onde diz: “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil”.
Vamos analisar dois vocábulos aqui nesse texto:
O termo fastio aqui no hebraico é “repugnância”, “nojo”.
E o termo “vil” é “desprezível”, “sem valor”.

Em Atos 7.38,39, Estevão diz: “É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir. A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito”. O termo “repeliram” no grego é apothomai, que significa: “expulsar”, “empurrar para fora”, “repelir”, “empurrar para fora de si mesmo”, “repudiar”, “rejeitar”, “recusar”.
Vemos que eles saíram do Egito, mais o Egito não saiu de dentro deles. Mas mesmo assim, DEUS em graça providencia o maná para Eles.
Essa experiência revela a oposição que existe em nosso coração à graça de DEUS.
Qual era a lei de DEUS dada a eles até aqui? – (v.4).
DEUS estava provando a ingratidão deles; o quanto eram hipócritas; DEUS para eles só tinha significado se fosse utilitário. Eles estavam interessados nas obras de DEUS e não nos caminhos de DEUS. Este povo não conhecia o caráter de DEUS.
Note essa frase: “se anda na minha lei ou não”. É interessante notar que eles ainda não tinham chegado ao Monte Sinai, então, qual era essa Lei? Essa lei era “descansar”. Esse era o único mandamento que DEUS havia dado a eles até aqui. Até aqui DEUS queria que Israel confiasse Nele, descansasse Nele.
DEUS havia se revelado em graça para com eles. Demonstrou Seu poder, Seu amor quando os livrou da escravidão do Egito.

O que DEUS queria revelar no maná?
Ora, o povo de Israel não entendeu o propósito do maná. Eles apanharam o maná e comiam o maná sem compreender seu propósito. Havia naquele maná mais do que os nutrientes para matar a fome deles.
Veja a descrição do maná segundo a Bíblia:
v.14: “E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra”.
v.15: “Vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Pois não sabiam o que era. Disse-lhes Moisés: Isto é o pão que o SENHOR vos dá para vosso alimento”.
v.16: “Eis o que o SENHOR vos ordenou: Colhei disso cada um segundo o que pode comer, um gômer por cabeça, segundo o número de vossas pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda”.
v.17: “Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos”.
v.18: “Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer”.
v.31: “Deu-lhe a casa de Israel o nome de maná; era como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel”.
Imagine que delicia deveria ser o maná. Mas no aspecto espiritual, DEUS estava falando algo mais delicioso que aquele maná que eles comeram.
DEUS estava revelando Seu Filho. Naquele maná estava não apenas o suprimento de DEUS para a fome deles, como o suprimento de DEUS para o espírito deles. Aquele era um povo que insistia em não conhecer DEUS.
DEUS estava se revelando a Eles e eles não compreenderam.
Creio que aqui é interessante ler Hebreus cap 3 e os versos 7 a 17
v.7: “Assim, pois, como diz o ESPÍRITO SANTO: Hoje, se ouvirdes a sua voz”;
v.8: “não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto”;
v.9: “onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova,[gr. Dokimazo, sig.: “ver se uma coisa é genuína ou não”] e viram as minhas obras por quarenta anos”.
v.10: “Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos”.

Vamos atentar para alguns princípios importantes aqui, os quais temos que considerar:
1º.DEUS diz que a murmuração daquele povo era uma clara demonstração de incredulidade. Eles fizeram aquilo para provar a veracidade do caráter de DEUS.
2º.O versículo 10 diz: “Por isso, me indignei contra essa geração” – no grego indica “um motivo”. E qual foi o motivo pelo qual DEUS se indignou contra eles? A parte final do versículo 9 responde para nós: “viram as minhas obras por quarenta anos”. Ora, qual é o problema? Veja o final do versículo 10: “não conheceram os meus caminhos”. Precisamos saber qual é a diferença das “obras de DEUS” e dos “caminhos de DEUS”:
No Salmo 103.7 diz: “Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel”.
Note essa palavra: “caminhos”. No hebraico é derek. A primeira ocorrência dessa palavra está em Gênesis 3.24: “E, expulsou o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”. Espiritualmente falando, quando DEUS revelou seus caminhos a Moisés, Ele na verdade estava revelando o caminho da árvore da vida. Aquele caminho que Adão recusou conhecer.
Na história do povo de DEUS encontramos duas classes de pessoas: aquelas que somente conhecem os feitos de DEUS, e aquelas, que, além disso, conhecem Seus caminhos.
O que significa os caminhos de DEUS? Vamos compreender o que significa conhecer os caminhos de DEUS:
Seus caminhos revelam Sua intimidade.
Seus caminhos são os meios que Ele utiliza para revelar Seus segredos e conduzir-nos ao Seu propósito mais elevado.
São Seus métodos para fazer aquilo que Ele decidiu fazer. Em relação a nós, fala dos Seus tratamentos para conosco por intermédio dos quais Ele realiza Seu propósito.

O que significa conhecer as obras de DEUS?
Suas obras revelam Seu poder.
Suas obras têm como objetivo nos levar a conhecer Seu poder e soberania.

Conhecer apenas Seus feitos, Suas obras significa ficar na periferia do Seu chamamento, sem conhecer o propósito para o qual fomos chamados.
O grande perigo jaz em querermos egoisticamente desfrutar de Seu poder, de Suas bênçãos, não buscando conhecer Seus caminhos e cooperar com Seu propósito.
Durante 40 anos eles só viram as obras de DEUS.

Vamos retornar a Hebreus 3:
v.11: “Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso”.
v.12: “Tende cuidado,[gr.: blepo; sig.: “discernimento”, “vigilância”] irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso [gr.: poneros; sig.: “condição má”] coração de incredulidade que vos afaste [gr.: aphistemi; sig.: “apostasia”; “abandonar”; “indiferença”] do DEUS vivo”;
v.13: “pelo contrário [gr.: temos a conjunção allá que introduz uma transição para o assunto principal], exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”.
v.14: “Porque nos temos tornado participantes de CRISTO, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”.
v.15: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação [gr.: parapikrasmos; sig.: “insulto”, “afronta”, “irreverência”, “petulância”, “atrevimento”].
v.16: “Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?”
v.17: “E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto?”

Vamos atentar para dois aspectos que caracterizam a apostasia nesses textos:
1º. Incredulidade:
Nenhum coração é mais perverso que um coração de incredulidade. Nada ofende tanto a DEUS quanto nossa incredulidade.
A incredulidade é a pior arma maligna em nós que impede a intimidade com DEUS.
Uma definição de incredulidade é a tendência de quem não se deixa facilmente convencer. Veja em Gênesis 32.25, quando a Bíblia diz que o Anjo do SENHOR: “Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem”.
Quantas vezes DEUS não pode conosco. Embora, esse não era o problema de Jacó. Mas pode ser o nosso. Quantas vezes DEUS não pode conosco, por causa da nossa incredulidade.
Quando DEUS vê que não pode conosco, Ele toca na articulação da nossa coxa. Esse é o trabalhar disciplinador da cruz.
A incredulidade dos filhos de Israel no deserto fez com que DEUS desistisse deles.
A incredulidade insulta e ofende a DEUS.
Todo pecado viola a lei justa de DEUS, mas alguns pecados insultam o próprio DEUS, como é o caso do pecado da incredulidade.

2º. “coração perverso”:
Quando lemos aqui em Hebreus sobre o coração “perverso” – (v.12), vemos que esse termo descreve uma condição geral.
O vocábulo “coração” é comum no Antigo e Novo Testamento, referindo-se ao homem interior. Freqüentemente está relacionado à parte emocional e intelectual do homem.
Essa frase: “Perverso coração” é encontrada no A.T. em duas passagens no livro de Jeremias:
16.12: “Vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim”.
18.12: “Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração maligno”.
Quando o coração é endurecido vemos a ordem de desvio gradual: pecado, mente iludida, coração endurecido, incredulidade e apostasia.
Quando o escritor dessa epístola exorta os irmãos quanto ao coração perverso, ele mostra a conseqüência disso que é: “vos afaste do DEUS vivo” - (I Tm 4.1). O vocábulo “afaste” fala da "apostasia", da "indiferença", "menosprezo". E por isso, que a incredulidade é um pecado que afronta a DEUS diretamente. É duvidar de DEUS, da Sua obra e de Seus caminhos.

O sábado era uma dádiva divina:
Em Gênesis, vemos que DEUS criou o sábado para o desfrute Dele; mas, aqui Ele dá o sábado como dádiva dele para o homem. Aqui Ele está buscando o homem para Si.
Em Êxodo 16.29, diz: “Considerai que o SENHOR vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia”.
O sábado foi interrompido no Éden, e aqui, ele é novamente instituído.
Mas, de um modo irreverente o homem não ama o repouso de DEUS. Veja que no versículo 27 de Êxodo 16, diz: “Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam”.
O desejo de DEUS era que o homem gozasse de uma doce comunhão com Ele.
DEUS sempre buscou no homem intimidade, e o homem sempre buscou em DEUS utilidade.

O desejo de DEUS era que o homem tivesse acesso irrestrito diante dele
Há algo muito interessante quando estudamos acerca dos assuntos governamentais entre DEUS e o Seu povo. Quando DEUS tirou o povo de Israel do Egito, Ele os levou para a planície do Sinai, e dali, Ele tomou Moisés e o chamou para o cume do monte, isto é, a 2.244 metros de altura. No monte Sinai DEUS deu a Sua Lei a Moisés.
Por Luiz Fontes